8460 – Satélite revela que baleias-jubartes mergulham a 300 metros de profundidade


Instituto jubarte

Os pesquisadores ficaram um tanto incrédulos, quando os dados de satélite começaram a chegar. A baleia, uma fêmea marcada com um sensor, pôs-se a mergulhar cada vez mais fundo, ao largo da costa do Rio Grande do Sul, até ultrapassar 300 m de profundidade –coisa bem incomum para a espécie.
Os mergulhos, de meia hora, repetiram-se várias vezes ao longo de dias, conforme a fêmea de jubarte (Megaptera novaeangliae) deixava as águas mais quentes do Brasil em busca de sua área de alimentação, na Antártida.
Ninguém sabe o que significam esses “pit stops” nas profundezas. Mas, se forem comuns, podem desfazer alguns dogmas sobre o comportamento dessa baleia, famosa por dar enormes braçadas.
A questão é que as jubartes, bem como outras baleias migratórias, seriam as rainhas do regime radical.
Acreditava-se que esses bichos passariam quase todo o período de reprodução de boca fechada, sobrevivendo com a ajuda de reservas de gordura adquiridas nos bufês de krill (pequeno crustáceo) do mar antártico.
Na volta, os cetáceos afinariam num ritmo alucinado, fenômeno piorado, no caso das fêmeas, pelo gasto de energia ligado à amamentação. E o ciclo recomeçaria.
Se a coisa funcionasse mesmo assim, “o que se esperaria é que os bichos fossem direto para a área de alimentação o mais rápido possível, para minimizar o gasto energético de migrar, nadando rápido e no raso”, explica o oceanógrafo Alexandre Zerbini, que trabalha no Laboratório Nacional de Mamíferos Marinhos dos EUA e no Instituto Aqualie no Brasil.
Zerbini é um dos especialistas responsáveis por analisar os dados que indicam um cenário mais complicado.
As informações vêm dos testes de um tipo inovador de transmissor por satélite, que ainda não tinha sido usado para estudar as rotas de migração das jubartes.
O diferencial do aparelho, que Zerbini compara a um piercing de baleia, é a presença de um sensor que envia informações sobre a profundidade do animal, e não só sobre sua posição geográfica.

jubarte

Isso é possível porque o sensor detecta a pressão da água, informação convertida em dados de profundidade.
No caso que deixou os pesquisadores surpresos, a fêmea foi marcada em 2 de novembro de 2012, na região de Abrolhos, e o transmissor enviou dados sobre sua rota até o último dia 20 de abril.
Os cientistas trabalham com duas ideias para explicar o que as jubartes andam aprontando lá no fundo. A primeira é a de que elas estariam fazendo uma boquinha.
“A área dos mergulhos é associada à chamada elevação do rio Grande, montanhas submarinas entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai”, explica Zerbini. É o tipo de lugar em mar aberto onde pode haver correntes carregando nutrientes do fundo para a superfície e, portanto, comida para os bichos.
Outra possibilidade envolve a presença de túneis acústicos –áreas em que as propriedades da água, como sua densidade, são favoráveis à propagação de som. Em tais locais, as jubartes, altamente sociáveis, poderiam ficar na escuta, à espera dos chamados de companheiros.
O fato, independentemente de qual seja a explicação correta, é que ainda há muito a descobrir sobre o comportamento das jubartes.
Nunca ninguém acompanhou por satélite o mesmo indivíduo durante um ano inteiro –Zerbini e seus colegas acabam de bater o recorde de e monitoramento seguindo outro exemplar da espécie por 240 dias.
“O que atrapalha é o comportamento social dos bichos, que envolve muito contato físico. Os transmissores acabam sendo arrancados.”
Por isso mesmo, o desenvolvimento de novos equipamentos mais resistentes tem sido patrocinado pela empresa Shell, que se interessa pelas suas aplicações para avaliar e mitigar potencias impactos aos animais causados por atividades ligadas à exploração de petróleo.

8085 – Biologia – Baleias-jubarte ensinam as outras a pescar


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As baleias-jubarte são capazes de aprender novas técnicas de alimentação com outras baleias da sua espécie. De acordo com estudo que será publicado no periódico Science nesta sexta-feira, assim como em humanos e em primatas não-humanos (macacos), o comportamento das baleias também pode ser difundido culturalmente. Na pesquisa, foi comparada a maneira como uma única baleia se alimentava na década de 1980 e como o comportamento evoluiu para outras baleias em 2007.
A baleia jubarte se caracteriza por ter a cabeça um pouco achatada, coberta por “calombos”. Para a alimentação, elas possuem barbatanas, que descem do céu da boca formando algo similar a uma cortina, que funciona como um filtro — a água do mar passa, mas os alimentos ficam presos.
Alimentação — À época da primeira observação dos pesquisadores, ainda na década de 1980, as jubartes se alimentavam no Golfo do Maine (localizado na Costa Nordeste da América do Norte) produzindo um círculo de bolhas por baixo da água. Ao subir para a superfície, essas bolhas formam uma espécie de rede, obrigando, assim, o cardume a se manter concentrado no meio. Em seguida, as baleias também se dirigem à superfície para comer os peixes.
Na década de 1980, no entanto, uma baleia foi flagrada se alimentando de uma maneira nunca vista antes. Para obrigar os peixes a ficarem concentrados no meio do círculo, a baleia bateu a cauda na superfície da água, também em círculos. Essa técnica ficou conhecida como alimentação com batida de cauda, e é amplamente praticada entre as jubartes atualmente.
Pesquisa — Para o levantamento, a pesquisadora Jenny Allen e colegas utilizaram mais de duas décadas de informações coletadas por navegações comerciais. Foi usada uma técnica chamada análise de difusão com base em rede. Essa técnica parte do princípio de que o aprendizado acontece por meio de outros animais: as baleias que andam na companhia das que praticam a alimentação com batida de cauda são mais suscetíveis a começarem a se alimentar do mesmo modo.
Os pesquisadores conseguiram demonstrar, então, que a transmissão cultural é uma força potente por trás desse tipo de comportamento alimentar. Outros fatores, como genética e aprendizado individual, por exemplo, não seriam suficientes para explicar os padrões de disseminação dessa técnica alimentar. Assim como na cultura humana, há inovadores na população de baleias que aparecem com novas soluções. Suas ideias são espalhadas e, eventualmente, podem acabar sendo copiadas pela população em geral.
População reduzida — De acordo com o diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, após as sucessivas caças do século 20, o número de indivíduos da espécie foi reduzido a entre 5% e 10% de sua população original. “Estima-se que existiam, no Brasil, na década de 1980, entre 1.500 e 2.000 animais”, diz. Hoje, esse número já está entre 11.000 e 14.000 — calcula-se que esta população já tenha sido de até 32.000 baleias.

7171 – Parceria evita colisões entre barcaças e baleias na região de Abrolhos


Uma parceria entre biólogos, ambientalistas e a iniciativa privada está ajudando a evitar uma modalidade especialmente calamitosa de acidente de trânsito: trombadas entre baleias e barcos na região de Abrolhos, entre a Bahia e o Espírito Santo.
Criar um bom sistema de “semáforos” marinhos é crucial para esse pedaço da costa brasileira porque ele combina elementos que aumentam o risco de colisões.
Por um lado, Abrolhos e adjacências concentram cerca de 90% das 11 mil baleias-jubartes que passam pelo Brasil todos os anos. Esses cetáceos, lentos e de hábitos costeiros, são a segunda espécie mais atropelada de baleia (só “perdem” para as baleias-francas).
Por outro lado, a região abriga um movimentado tráfego de barcaças carregando toras de madeira e celulose oriundas das florestas de eucalipto da região -trânsito que ganhou porte com a instalação de um terminal de transporte marítimo em Caravelas (BA).
Deixada ao deus-dará, a situação degringolaria em considerável contagem de corpos de jubartes –e prejuízos para as empresas de madeira.
Por isso mesmo, o monitoramento das rotas das baleias na região foi uma das condicionantes ambientais impostas pelo governo para a criação do terminal de Caravelas, afirma uma bióloga do Instituto Baleia Jubarte.
O trabalho foi feito com apoio da Fibria, empresa de celulose que pretendia transportar madeira de Caravelas e Belmonte (BA) para Aracruz (ES) –no segundo caso, em “joint venture” com outra empresa, a Stora Enso.
A equipe do Instituto Baleia Jubarte mostrou que era possível evitar encontros trágicos com os cetáceos no trajeto de 275 km, desde que as barcaças mantivessem rotas não muito coladas à costa, região preferida pelos bichos.
Ao que tudo indica, a estratégia tem dado certo. Dez anos depois do estabelecimento do terminal de Caravelas, não há evidência de choque com as barcaças.
Os sons emitidos pelas jubartes são importantes para o acasalamento e o cuidado com as crias. O temor é que o barulho causado pelo tráfego marítimo atrapalhe a comunicação entre os animais.
Por enquanto, não há evidências de que isso esteja acontecendo em Abrolhos, diz Engel, apesar dos 5 milhões de metros cúbicos de madeira transportados ali entre 2010 e este ano.
Um dado mais preocupante tem vindo da população de botos-cinza do estuário do rio Caravelas. Com cerca de cem indivíduos, esse grupo parece estar se reduzindo. Ainda não é possível saber se isso é um impacto do tráfego.

6860 – As baleias são os maiores mamíferos do mundo



Viajantes dos oceanos
Todos os anos, milhares de baleias fogem do frio da Antártida e vêm curtir as águas quentes dos mares brasileiros.
Esses animais simpáticos e pesadões aproveitam o clima gostoso da nossa costa para namorar e ter seus filhotes.
Os meses de outono e inverno são os preferidos pelas baleias para passar uma temporada no Brasil.
Fora dessa época, elas nadam pela gelada Antártida, onde encontram seu alimento preferido: um pequeno crustáceo chamado krill.
Na língua das baleias (o baleiês!)

As baleias conversam emitindo sons ou fazendo movimentos, como saltos e batidas na água com as nadadeiras. Os sons podem ser escutados por outras baleias a centenas de quilômetros de distância. Já os movimentos servem para se comunicar com as companheiras que estão mais próximas. A baleia jubarte produz sons que parecem um canto. Apenas os machos fazem isso, provavelmente para conquistar uma namorada.

Dicas de observação de baleias
A melhor época para ver baleias no litoral do Brasil é de junho a setembro, quando elas se aproximam das praias.
Para observá-las da praia, procure locais altos, tenha bastante paciência e use binóculo.
Se for observá-las em barcos, siga estas dicas:
O barco não pode se aproximar demais e o motor deve ser desligado.
Não se aproxime da baleia por trás. Ela pode se assustar e fazer algum movimento repentino.
Há chances de você ver mães com seus filhotes, mas lembre-sede que pode ser perigoso ficar com o barco entre eles.
O motor só deve ser ligado quando os animais estiverem na superfície. Assim não há risco de assustar ou ferir um que esteja muito perto.
Mansas e curiosas, as baleias podem se aproximar bastante. É importante manter a calma, não fazer barulho nem jogar nada na água.

6386 – Instituições Científicas – O Instituto Baleia Jubarte


A pequena cidade histórica de Caravelas, no extremo sul da Bahia, é o ponto no continente mais próximo do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Os primeiros visitantes da região foram os portugueses, que navegaram pelo rio Caravelas já em 1503. Desde então, outras celebridades como o naturalista inglês Charles Darwin também estiveram por lá, maravilhando-se com a rica fauna local, nela incluídas as baleias jubarte, muito mais numerosas antes da caça que quase extinguiu a espécie em águas brasileiras.
Em 1987, durante os trabalhos de implantação do Parque, foi redescoberta a presença de uma pequena população remanescente de baleias-jubarte e sugeriu-se a importância de Abrolhos como principal “berçário” da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental. Assim nascia o Projeto Baleia Jubarte, com a finalidade de promover a proteção e pesquisa destes mamíferos no Brasil. Caravelas passou, assim, de importante porto baleeiro no Brasil Colônia a sede da primeira base de um projeto de conservação de jubartes no país.
Em 1988 foram realizados os primeiros cruzeiros para fotografar as baleias-jubarte e as primeiras tentativas de estudar os animais a partir de uma estação em terra no arquipélago dos Abrolhos.
Posteriormente, em 1996, nascia o Instituto Baleia Jubarte, organização não-governamental cujo objetivo inicial era dar suporte administrativo às ações de conservação e pesquisa do Projeto. Com o passar do tempo, foram criados o Programa de Educação e Informação Ambiental e o Projeto Boto Sotalia do Sul da Bahia.
Como resultado da proibição da caça comercial e dos intensos trabalhos de conservação, verificou-se o aumento da população de jubartes de Abrolhos e a reocupação do litoral norte da Bahia, antiga área de ocorrência histórica da espécie. Por este motivo, em 2001 foi criada a segunda base do Instituto Baleia Jubarte na Praia do Forte. A implantação da nova base possibilitou a realização de cruzeiros de pesquisa no litoral norte, ampliando assim a área de estudo. Devido aos hábitos costeiros da espécie e ao estreitamento da plataforma continental no litoral norte da Bahia, as observações ocorrem próximo da costa, e o turismo de observação de baleias fomentado pelo IBJ como ferramenta de sensibilização da opinião pública contra a caça destes animais tem aumentado a cada ano. O Centro de Pesquisa e Educação Ambiental do Instituto Baleia Jubarte na Praia do Forte constitui um novo espaço de divulgação e conscientização da comunidade e visitantes quanto à existência e importância da conservação das baleias na região.
A equipe do Instituto Baleia Jubarte entende que ao trabalhar com as populações locais, os turistas e a opinião pública de diferentes formas, a luta pela conservação das espécies marinhas fica cada vez mais fortalecida. Embora ainda reste muito para se conhecer sobre a história natural dos cetáceos, os esforços realizados pelo Instituto Baleia Jubarte ao longo de mais de duas décadas de trabalho têm mostrado resultados surpreendentes. Por meio da informação técnica e científica, da interação com as comunidades locais e da participação nas discussões envolvendo políticas públicas, os esforços se tornam cada vez mais efetivos para a conservação da vida marinha, em especial das baleias jubarte (Megaptera novaeangliae) e dos botos cinza (Sotalia guianensis).
O Instituto Baleia Jubarte é membro das Redes de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste (REMANE) e do Sudeste (REMASE), criadas pelo ICMBIO com o principal objetivo de centralizar as informações adquiridas sobre as espécies de mamíferos aquáticos no Brasil, visando proporcionar maior agilidade na distribuição das informações, integração de projetos e tomadas de decisão no estabelecimento das diretrizes para a conservação de espécies. O IBJ integra a delegação brasileira na Comissão Internacional Baleeira (International Whaling Commission – IWC), defendendo e subsidiando entre outras a proposta brasileira de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

O IBJ mantém ainda acordos de cooperação técnica com 23 organizações não governamentais que atuam a nível nacional e/ou regional na proteção das espécies e ecossistemas marinhos.
Entre as organizações internacionais com as quais o IBJ trabalha destacam-se o American Museum of Natural History/NY nos estudos de genética das baleias e o College of the Atlantic, Maine, EUA (COA), nos estudos de determinação de rotas migratórias através de fotoidentificação.