14.082 – Odontologia – Aspirina pode regenerar dente após cárie


aspirina2
Cientistas na Irlanda do Norte afirmam ter desenvolvido um tratamento de regeneração dental que usa o ácidoacetilsalicílico, substância comercialmente conhecida como aspirina.
Pesquisadores da Universidade Queen’s, em Belfast, usaram o produto para estimular células-tronco nos dentes, o que aumentou o potencial de regeneração. Eles acreditam que o tratamento com aspirina pode resultar em menos cáries e obturações no futuro.
Na Irlanda do Norte, 72% dos adolescentes de 15 anos tinham cáries em 2016, de acordo com um estudo da Associação Odontológica Britânica.
Nossos dentes têm capacidade limitada de regeneração. Produzem uma camada fina de dentina, logo abaixo do esmalte, se a polpa dental é exposta, mas não conseguem consertar uma grande cavidade.
É por isso que dentistas usam obturações, que podem necessitar de substituição várias vezes durante a vida do dente.
Mas Ikhlas El Karim, professora da Faculdade de Medicina da Queen’s University, cujas pesquisas giram em torno do uso de células-tronco, diz ter descoberto que a aspirina “turbina” essas células no processo de regeneração.
Depois de analisar dados de pesquisas anteriores, a equipe da Queen’s University usou aspirina líquida sobre células-tronco em uma placa de Petri e diz ter encontrado “evidências materiais e genéticas de que isso produziu dentina”.
Mas, segundo Ikhlas, o próximo passo é descobrir um método para aplicar a aspirina no dente de forma adequada.
“Precisamos colocar o produto (no dente cariado) de forma que possa ser liberado durante um longo período de tempo. Se simplesmente colocarmos aspirina em uma cárie hoje, ela será facilmente lavada.”
“Não estamos encorajando esse uso simplório, mas sim o de um produto final para ser usado por um dentista, não um paciente”, acrescenta a cientista.
Mas Ihklas ressalta que o fato de a aspirina já ser uma droga disponível no mercado ajudará o desenvolvimento de um tratamento.
“Não precisaremos de 10 ou 20 anos para fazer testes clínicos. Há imenso potencial para mudarmos a forma como abordamos um dos maiores desafios odontológicos que temos.”
“E esse método não só aumenta a sobrevivência dos dentes, mas pode resultar em uma imensa economia para sistemas de saúde pública ao redor do mundo.”

Robótica – Pesquisadores criam pele para robôs que pode regenerar seus circuitos sozinha
Pesquisadores da Universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, podem ter encontrado uma solução para tornar os robôs mais resistentes. Trata-se de uma pele artificial feita de material híbrido e que pode se regenerar sozinha, permitindo a reconexão automática de circuitos. A expectativa é que a solução torne o reparo das máquinas mais barato, combatendo falhas elétricas comuns.
De acordo com a publicação da PhysicsWorld, a solução proposta pelos pesquisadores envolve um tipo de polímero. No entanto, para que o material se torne flexível e resistente a danos, são inseridas micro gotas de uma liga metálica à base de gálio-índio em uma casca macia e elástica. Com isso, cria-se um material híbrido “sólido-líquido” com propriedades macias, eletricamente isolantes e que pode se regenerar diversas vezes.
A “mágica” da solução proposta é a seguinte: quando há um dano no material desta pele robótica, as gotículas de metal presentes no material se rompem para formar novas conexões e redirecionar os sinais elétricos sem interrupção. Assim, as máquinas conseguem continuar as suas operações. De acordo com o chefe da pesquisa, Carmel Majidi, a inspiração para a técnica vem do sistema nervoso humano e sua capacidade de autorregeneração.
Embora o uso de materiais que se “curam” não seja uma novidade na indústria, há uma diferença importante em relação ao proposto pelos cientistas da universidade americana. A maior parte dos compostos atuais demandam exposição ao calor, aumento de umidade ou remontagem manual para que a recuperação ocorra. Já o composto híbrido pode fazer tudo automaticamente, reduzindo custos.

Além do uso em robôs, a equipe da Universidade de Carnegie Mellon acredita que o material também pode ser útil em computadores portáteis e dispositivos vestíveis. A tecnologia também pode ajudar a tornar realidade smartphones flexíveis, tão especulados para os próximos anos, uma vez que sua capacidade regenerativa pode ser usada para recuperar os circuitos internos dos aparelhos.
Apesar dessas características, ainda há espaço para avanços, especialmente no que diz respeito à danos estruturais e mecânicos. Segundo a equipe de pesquisadores norte-americano, o foco agora é desenvolver um material igualmente macio e flexível, mas que pode se regenerar de defeitos físicos.

10.754 – Medicina – Dose diária de aspirina poderia reduzir risco de morte por câncer


aspirina2

Tomar uma aspirina diariamente ao longo de uma década poderia reduzir as possibilidades do individuo contrair câncer de estômago e intestino ou de morrer por causa dessas doenças, de acordo com um estudo divulgado pela revista médica “Annals Of Oncology”.
A pesquisa, desenvolvida por especialistas da Universidade Queen Mary, de Londres, assinala que se todas as pessoas acima dos 50 anos no Reino Unido tomassem esse remédio ao longo de dez anos, 122 mil mortes pelos tipos de câncer citados poderiam ser evitadas ao longo de duas décadas.
No entanto, os cientistas alertam que o uso diário da aspirina também poderia causar efeitos secundários, como úlceras, e, por isso, recomendam sempre a consulta médica.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram cerca de 200 estudos que averiguavam os benefícios e prejuízos de consumir aspirina – um tema de contínuo debate médico. Esses analistas descobriram que o remédio reduz entre 30% e 40% o número de casos e de mortes por câncer de intestino, estômago e esôfago.
Por outro lado, os cientistas não alcançaram evidências tão sólidas que pudessem corroborar a tese de que a aspirina também diminui mortes por câncer de mama, próstata e pulmão.
Em suas investigações, os pesquisadores descobriram que as pessoas deviam tomar a aspirina durante pelo menos um período de cinco anos para alcançarem resultados.
O responsável pelo estudo, Jack Cuzick, orientou todas as pessoas acima de 50 anos a considerar a possibilidade de tomar uma pequena dose (de 75 miligramas) de aspirina diária durante uma década. “Apesar de haver alguns efeitos secundários graves que não podem ser ignorados, tomar aspirina diariamente parece ser o mais importante que podemos fazer para reduzir o risco de câncer além de deixar de fumar e reduzir a obesidade”, assinalou Cuzick, que disse tomar aspirina há quatro anos.
Em declarações à emissora “BBC”, Julie Sharp, da organização Cancer Research UK, opinou que, apesar da aspirina ser promissória na prevenção de certos tipos de câncer, “é vital equilibrá-la com as complicações que a mesma pode causar”.

10.457- Uso diário de aspirina previne câncer e reduz mortalidade da doença


aspirina

Um extenso estudo britânico indicou que o uso diário de aspirina ajuda a prevenir tipos comuns de câncer, como o colorretal e o de próstata, além de reduzir o risco de mortalidade dessas doenças.
Após revisarem cerca de 200 trabalhos sobre o assunto, os autores da pesquisa concluíram que, se os britânicos de 50 a 64 anos tomassem aspirina diariamente por uma década, seria possível evitar 130 000 mortes em vinte anos. Isso porque, segundo o estudo, os benefícios do medicamento permanecem mesmo após uma pessoa deixar de usá-lo.
A aspirina parece inibir o acúmulo de plaquetas no sangue e, assim, é considerada uma forma de prevenir doenças cardiovasculares. Pesquisas recentes sugerem que o remédio também pode diminuir o risco de melanoma e o de câncer no ovário.
O novo estudo foi publicado na edição desta semana do periódico Annals of Oncology. Os resultados indicaram, por exemplo, que o uso diário de aspirina por dez anos pode diminuir a incidência e a mortalidade por câncer colorretal (em 35% e 40%, respectivamente); por câncer de estômago (em 30% e 35%); por câncer de esôfago (em 30% e 50%) e por câncer de próstata (em 10% e 15%). A pesquisa também reforçou que o uso constante da droga reduz o risco de infarto em até 18% e de mortes pelo problema em 5%.
Para o coordenador do estudo, Jack Cuzick, chefe do Centro para Prevenção de Câncer da Universidade Queen Mary London, os benefícios da aspirina superam os potenciais prejuízos da droga. Seu trabalho indicou, por exemplo, que tomar aspirina diariamente durante dez anos aumenta em até 2,6% o risco de hemorragia no estômago entre pessoas acima de 60 anos.
Cuzick defende que todas as pessoas de 50 a 65 anos considerem fazer uso diário de 75 miligramas de aspirina. O pesquisador considera que, depois de deixar de fumar e de combater a obesidade, a droga é a forma mais eficaz de diminuir o risco de câncer. Autoridades de saúde, porém, recomendam os pacientes procurem seus médicos antes de começar a fazer uso diário do remédio.

9736 – Aspirina Polivalente – Pode também reduzir o risco de câncer de ovário


Aspirina
A aspirina pode ajudar a diminuir o risco de câncer de ovário, um tumor agressivo, difícil de ser diagnosticado e com pouca chance de cura — na maioria das vezes, a doença é detectada já em estágio avançado. Segundo uma nova pesquisa do Instituo Nacional do Câncer dos Estados Unidos, mulheres que tomam o medicamento diariamente podem ser até 20% menos propensas a desenvolver esse câncer do que aquelas que fazem uso de aspirina menos do que uma vez por semana.
A conclusão foi obtida após os autores analisarem doze pesquisas feitas, ao todo, com cerca de 8 000 mulheres com câncer de ovário e outras 12 000 livres da doença. A equipe levou em consideração se essas participantes faziam uso de aspirina e, depois, estabeleceu uma relação entre o medicamento e a incidência do tumor. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico Journal of the National Cancer Institute.
A aspirina já se comprovou eficaz para inibir o acúmulo de plaquetas no sangue e, assim, é considerada uma forma de prevenir doenças cardiovasculares. Porém, pesquisas recentes mostram que o medicamento também pode diminuir o risco de outras condições. Um estudo da Universidade Stanford divulgado no ano passado, por exemplo, associou o uso regular do remédio à proteção contra o melanoma. Já um trabalho da Sociedade Americana do Câncer concluiu que a aspirina pede ser útil no combate à mortalidade provocada pelo câncer.
Os autores dessa nova pesquisa lembram, porém, que as conclusões foram obtidas a partir da análise de estudos observacionais. Ou seja, eles não sabem dizer os mecanismos que levam a esse possível benefício. As pessoas não devem, portanto, passar a tomar aspirina como forma de diminuir o risco de câncer de ovário. Além disso, o medicamento pode ser prejudicial para pessoas que sofrem de úlcera.
O câncer de ovário não é o tumor ginecológico mais frequente entre as mulheres, mas é o mais agressivo. Isso porque ele é muito difícil de ser diagnosticado e é aquele com a menor chance de cura — cerca de 3/4 dos casos desse tipo de câncer já estão em estágio avançado no momento do diagnóstico. Mesmo assim, as principais entidades médicas do mundo não recomendam exames de prevenção para a doença, que incluem uma análise de sangue e a ultrassonografia dos ovários, em mulheres saudáveis, pois, além de não reduzirem a mortalidade, podem levar a cirurgias desnecessárias.
Cerca de 5% dos casos desse câncer são hereditários. A incidência pode ter relação com o número de ovulações — por isso, tomar pílula e engravidar muitas vezes pode ajudar a reduzir o risco do problema. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o tumor causou 3 027 mortes no Brasil em 2011.

8466 – Medicina – Combinação de remédios é melhor do que aspirina sozinha para evitar AVC


MEDICINA simbolo
É comum que pessoas que já sofreram algum acidente vascular cerebral (AVC) sejam tratadas com aspirina para evitar coágulos no sangue e, assim, diminuir o risco de um segundo derrame. Um teste clínico realizado na China, porém, demonstrou que combinar a droga com outro medicamento usado para evitar coágulos é melhor do que a aspirina sozinha para reduzir o risco de AVC.
Pessoas que acabam de sofrer um AVC e que são submetidas a uma terapia que combina aspirina e clopidogrel têm um risco um terço menor de sofrer um outro derrame em comparação com pacientes submetidos a um tratamento baseado somente em aspirina.
Segundo a pesquisa, publicada na revista The New England Journal of Medicine, a terapia combinada reduziu em um terço o risco de derrame em pacientes que já haviam sofrido um em comparação com o tratamento baseado na aspirina.
As conclusões fazem parte da terceira fase do teste clínico chinês em torno da terapia combinada para a prevenção do AVC. A pesquisa foi denominada de CHANCE (sigla que significa Clopidogrel em Pacientes com Alto Risco de Eventos Vasculares Cerebrais Agudos Não Incapacitantes). Um teste similar a esse está sendo realizado nos Estados Unidos. Caso os resultados sejam confirmados, os especialistas acreditam que a combinação do medicamento clopidogrel (Plavix) com a aspirina pode mudar o padrão de cuidado a pacientes com um alto risco de sofrer um segundo derrame.
O trabalho chinês foi feito com 5.170 pacientes que sofreram um AVC. Até 24 horas depois de o evento cardiovascular ter ocorrido, essas pessoas passaram a ser tratadas com aspirina ou então com a combinação de aspirina e clopidogrel. De acordo com os resultados, 11,7% daquelas que fizeram uso somente de aspirina sofreram um AVC nos três meses seguintes ao início do tratamento. Essa prevalência foi de 8,2% entre o grupo submetido à terapia combinada.
“Os resultados foram surpreendentes”, diz Claiborne Johnston, professor de Neurologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e um dos autores do estudo. Johnston também coordena a pesquisa que está sendo feita nos Estados Unidos sobre o assunto.

8344 – Novas pesquisas comprovam benefícios da aspirina diária


Aspirina

Pessoas com mais de 45 anos deveriam pensar em ingerir uma pequena dose diária de aspirina para se proteger contra doenças cardiovasculares e até câncer, concluiu um painel de analistas na Grã-Bretanha nesta quarta-feira, segundo o jornal The Daily Telegraph. Para os participantes, cada vez há mais provas de que os benefícios do remédio para pessoas de meia idade superam os eventuais efeitos secundários.
Um estudo de cientistas da Universidade de Oxford, publicado na revista médica The Lancet, já indica que tomar diariamente 75 miligramas de aspirina durante cinco anos reduz em 25% o risco de desenvolver câncer do cólon – e as mortes em decorrência da doença também caem em um terço. Conforme a pesquisa, a ingestão periódica do medicamento poderia salvar milhares de vidas todos os anos.
O professor Peter Rothwell, neurologista de Oxford que dirigiu o estudo sobre o câncer colorretal e participou do debate, contou que já começou a tomar sua dose de aspirina. “Suspeito que dentro de cinco ou dez anos, estaremos receitando aspirinas às pessoas de meia idade e não só pelos benefícios vasculares que se conhecem”. Rothwell ainda considera “sensato” as pessoas adotarem a rotina de ingerir o remédio diariamente a partir dos 45 anos, uma vez que entre os 40 e os 55 anos o risco de câncer aumenta significativamente.
O professor Peter Elwood, da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff (Reino Unido), que dirigiu o primeiro estudo sobre os efeitos da aspirina em doenças cardiovasculares, afirmou que “estamos diante de um marco de enorme importância para a comunidade em geral”. Outros analistas advertem, no entanto, que a aspirina pode dobrar a incidência de hemorragias gastrintestinais, que é atualmente de uma para mil pessoas ao ano. “O problema é que se recomendarmos algo a toda a população, teremos de enfrentar os efeitos secundários”, ressalva o professor de genética John Burns, da Universidade de Newcastle.

8343 – Farmacologia – Ácido acetilsalicílico


acetil salicílico
É um fármaco do grupo dos anti-inflamatórios não-esteroides (AINE), utilizado como anti-inflamatório, antipirético, analgésico e também como antiplaquetar. É, em estado puro, um pó de cristalino branco ou cristais incolores, pouco solúvel na água, facilmente solúvel no álcool e solúvel no éter.
Um dos medicamentos mais famosos à base de ácido acetilsalicílico é a Aspirina. O seu nome foi obtido da seguinte maneira: A vem de acetil; Spir se refere a Spiraea ulmaria (planta que fornece o ácido salicílico); e o in era um sufixo utilizado na época, formando o nome Aspirin, que depois foi aportuguesado para Aspirina. Em alguns países, Aspirina é ainda nome comercial registrado, propriedade dos laboratórios farmacêuticos da Bayer para o composto ácido acetilsalicílico.
É o medicamento mais conhecido e consumido em todo o mundo. Em 1999 a Aspirina completou 100 anos.

História na Medicina
No século V a.C., Hipócrates, médico grego e pai da medicina científica, escreveu que o pó ácido da casca do salgueiro ou chorão (que contém salicilatos mas é potencialmente tóxico) aliviava dores e diminuía a febre. Esse remédio também é mencionado em textos das civilizações antigas do Médio Oriente, Suméria, Egito e Assíria. Os nativos americanos usavam-no também para dores de cabeça, febre, reumatismo e tremores.
O reverendo Edmund Stone, de Chipping Norton no condado de Oxford, Reino Unido, redescobriu em 1763 as propriedades antipiréticas da casca do Salgueiro e as descreveu de forma científica.
O princípio activo da casca, a salicina ou ácido salicílico (do nome latino do salgueiro Salix alba) foi isolado na sua forma cristalina em 1828 pelo farmacêutico francês Henri Leroux, e Raffaele Piria, químico italiano.
Em 1897, o laboratório farmacêutico alemão Bayer, conjugou quimicamente o ácido salicílico com acetato, criando o ácido acetilsalicílico (Aspirina), que descobriram ser menos tóxico. O ácido acetilsalicílico foi o primeiro fármaco a ser sintetizado na história da farmácia e não recolhido na sua forma final da natureza. Foi a primeira criação da indústria farmacêutica. Foi também o primeiro fármaco vendido em tabletes.
E em julho de 1899, a Bayer começou a comercializar a aspirina, obtendo sucesso imediato.
Persistem dúvidas se foi Felix Hoffmann (como afirma a Bayer) ou Arthur Eichengrun (de acordo com vários peritos) que inventou o método que criou o ácido acetilsalicílico.
A Bayer perdeu a marca registada Aspirina em muitos países após a Primeira Guerra Mundial, como reparação de guerra aos países aliados.
John Vane, do Royal College of Surgeons, demonstrou pela primeira vez o mecanismo de ação do ácido acetilsalicílico, em Londres, 1971. Ele viria a receber o Prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia pela sua descoberta em 1982.
O processo de síntese consiste em tratar o ácido salicílico com anidrido acético, em presença de um pouco de ácido sulfúrico, que atua como catalisador. Técnicas como filtração a vácuo e recristalização podem ser empregadas.
No procedimento em escala laboratorial, percola-se, num erlenmeyer de 125 mL, 2,5 g de ácido salicílico, 6 mL de anidrido acético e algumas gotas de ácido sulfúrico concentrado. Agita-se e aquece-se a mistura em banho-maria durante 10 minutos. Resfria-se e adiciona-se 10 a 15 mL de água destilada gelada para decompor o excesso de anidrido acético. Resfria-se até que a cristalização esteja completa. Filtra-se em funil de Büchner lavando com pequena quantidade de água destilada gelada.
Purifica-se o ácido acetilsalicílico por recristalização. Dissolve-se o produto em 10 mL de etanol num béquer de 100 mL e aquece-se em banho-maria. Adiciona-se 25 mL de água aquecida. Se houver precipitação, dissolve-se por aquecimento sob refluxo, banho-maria. Cobre-se o recipiente e deixa-se em repouso para resfriar. Separam-se os cristais obtidos por filtração.
Secam-se e pesam-se o cristais. Depois determina-se o ponto de fusão do ácido acetilsalicílico e compara-se ao valor tabelado.

A redução da febre ou efeito antipirético é causada pela inibição da formação de protaglandina E2 pelas COX. Esta prostaglandina é um mediador importante para a ativação do centro nervoso (no hipotálamo), regulador da temperatura corporal. Altos níveis de prostaglandina E2 em estados inflamatórios (como infecções) elevam a temperatura. Além disso, a inibição da resposta inflamatória diminui a quantidade de citocinas produzidas pelos leucócitos, algumas das quais, como a IL-1 actuam no centro nervoso da temperatura, produzindo febre. A ação central pode envolver a inibição da síntese de prostaglandinas no hipotálamo; contudo, há alguma evidência de que as febres causadas por pirogênios endógenos que não agem através do mecanismo das prostaglandinas podem também responder à terapia com salicilatos.
O efeito analgésico é devido à inibição da produção local de prostaglandinas quando da inflamação. Estas prostaglandinas, se forem produzidas, sensibilizarão as terminações nervosas locais da dor, que serão iniciadas por outros mediadores inflamatórios como a bradicinina. O paracetamol atua de modo semelhante ao ácido acetilsalicílico enquanto analgésico periférico, e é preferível para esta função, se outros efeitos não são desejados. O paracetamol não é anti-inflamatório, nem antiplaquetas.
Os efeitos anti-inflamatórios também são largamente dependentes da inibição da produção de prostanoides, já que estes mediadores são importantes em quase todos os fenômenos associados à inflamação, como vasodilatação, dor e atração de mais leucócitos ao local. Além disso, os salicilatos são eficazes em neutralizar os radicais livres, moléculas produzidas na inflamação e altamente nocivas para os tecidos.
As plaquetas sanguíneas são activadas e se agregam em resposta à libertação de tromboxano A2, presente em seus grânulos. O ácido acetilsalicílico é particularmente eficaz em inibir a produção de tromboxano A2, resultando na diminuição da tendência de agregação plaquetar. Esse é o primeiro passo na formação de trombos arteriais; logo, o ácido acetilsalicílico a diminui esses eventos. O efeito antiagregante plaquetário do ácido acetilsalecílico está relacionado com a capacidade do composto agir como um dador de acetil à membrana da plaqueta. O ácido acetilsalecílico afecta a função das plaquetas inibindo a COX e impedindo desse modo a formação do tromboxano A2 (agente agregante). Esta ação é irreversível e os efeitos persistem durante a vida das plaquetas expostas. O ácido acetilsalicílico pode também inibir a formação de prostaciclinas (prostaglandina I2), que são inibidores da agregação plaquetária nos vasos sanguíneos — esta ação, no entanto, é reversível. Estas ações podem ser dose-dependentes; contudo, há evidências de que doses inferiores a 100 mg por dia podem não inibir a síntese de prostaciclinas.
O efeito antirreumático é semelhante ao mecanismo analgésico e anti-inflamatório; os efeitos terapêuticos não se devem à estimulação do eixo pituitária-adrenal.
O principal efeito adverso do ácido acetilsalicílico deve-se à inibição da COX-1 no estômago. Os prostanoides são importantes mediadores na proteção da mucosa contra o ácido e enzimas presentes no suco gástrico. Eles aumentam a produção de muco.
A absorção é geralmente rápida e completa após administração oral mas pode variar de acordo com o salicilato usado, a dosagem, e outros factores, tais como, a taxa da dissolução do comprimido e o pH gástrico ou intraluminal. O ácido acetilsalicílico é absorvido em parte pelo estômago, e na sua maioria pelos segmentos proximais do intestino delgado.
Os alimentos diminuem a taxa, mas não a extensão da absorção.
A absorção das formulações gastro resistentes é normalmente atrasada.
A absorção dos comprimidos mastigáveis de ácido acetilsalicílico é incompleta em comparação à absorção dos comprimidos orais.
Após a administração retal, a absorção será atrasada e incompleta em comparação com a absorção após a administração oral de doses iguais.
A absorção de ácido acetilsalicílico é defeituosa durante o estágio febril adiantado da doença de Kawasaki, posteriormente aumenta para o normal no estágio de convalescença.

São consideradas indicações do uso de ácido acetilsalicílico:
Síndrome coronariana aguda
Infarto agudo do miocárdio com elevação de segmento ST ou não-Q
Prevenção do tromboembolismo cerebral ou de ataques isquêmicos transitórios
Trombose cerebral
Dismenorreia
Febre (contraindicada em crianças, especialmente em quadros virais, pelo risco de Síndrome de Reye)
Dor de cabeça
Prevenção primária ou secundária do infarto miocárdico, incluindo prevenção pós angioplastia
Osteoartrite
Dor
Outras indicações de inibição da agregação plaquetária
Tratamento da artrite reumatoide, artrite juvenil, osteoartrite ou artrose
Febre reumática
Tratamento da doença de Kawasaki
Aterosclerose
Profilaxia da demência multi-infarto
Tratamento da diabetes

Exceto em circunstâncias especiais, esta medicação não deve ser usada quando os seguintes problemas médicos existem:
É totalmente contra-indicado em casos de suspeita de dengue pois pode levar ao quadro de hemorragia fatal.
Úlcera péptica ativa;
Estados hemorrágicos;
Hemofilia ou outros problemas com hemorragias, incluindo perturbações na coagulação ou na função plaquetária;
Angioedema, anafilaxia, história de qualquer outra reacção severa de sensibilidade induzida pela ácido acetilsalicílico ou outros AINEs;
Pólipos nasais associados com asma, induzida ou exacerbada pelo ácido acetilsalicílico;
Trombocitopenia (devido ao risco aumentado de hemorragia).
Aspirina nunca pode ser ministrada em casos de dengue.
O risco-benefício deve ser considerado quando os seguintes problemas médicos existem:
Anemia (pode ser exacerbada pela perda sanguínea gastrointestinal; a vasodilatação periférica induzida pelos salicilatos pode também conduzir a uma pseudoanemia);
Circunstâncias que predispõem à retenção de fluidos, como o comprometimento da função cardíaca ou hipertensão;
Gastrite erosiva;
Úlcera péptica;
Gota (pode aumentar as concentrações sanguíneas de ácido úrico e pode interferir com a eficácia dos medicamentos uricosúricos);
Deficiências na função hepática (salicilatos são metabolizados a nível hepático; assim, os pacientes com cirrose podem ser mais susceptíveis aos efeitos adversos a nível renal; na falha hepática grave, a inibição da função das plaquetas pelo ácido acetilsalicílico pode aumentar o risco do hemorragias);
Deficiência de vitamina K ou hipoprotrombinemia (risco aumentado de hemorragias devido à acção antiplaquetária e ao efeito hipoprotrombinemico de doses elevadas dos salicilatos);
Deficiências na função renal (a eliminação dos salicilatos pode estar reduzida, levando a um aumento do risco de efeitos adversos renais);
Lúpus eritomatoso (nestes pacientes existe o risco de uma filtração glomerular diminuída);
Tirotoxicose (pode ser exacerbada por doses elevadas);
Asma (risco aumentado de reação de sensibilidade broncoespástica);
Deficiência em Glucose-6-fosfato desidrogenase – G6PD ( risco de causar anemia hemolítica, ainda que raramente);
Nos imunodeprimidos (pode mascarar os sintomas de uma infecção);
Nas crianças com menos de 12 anos e no aleitamento deve ser evitado o uso de ácido acetilsalicílico (devido ao risco de síndrome de Reye).
Nas formulações que contêm cafeína:
Doença cardíaca severa (doses elevadas de cafeína podem aumentar o risco de taquicardia ou extra-sístole, que pode conduzir a falha cardíaca);
História anterior de sensibilidade à cafeína.