8641 – O que são armas biológicas?


agente biologico

São agentes vivos patogênicos (vírus, fungos, bactérias, etc) que são utilizados para atingir e contaminar um grande número de pessoas.
Esses artefatos são manipulados há séculos – existem registros de contaminações, quando os exércitos usavam cadáveres em deterioramento para contaminar o abastecimento de água ou quando lançavam corpos de vítimas de varíola em território inimigo. Os registros mais recentes são os dos atos terroristas que enviavam correspondências contaminadas com Anthrax.
Ainda não houve uma grande contaminação (em massa), até porque este evento só pode ser efetuado com um grande apoio científico-militar, ou seja, em período de uma grande guerra ou por grupos terroristas bem treinados.
A arma biológica de maior potencial conhecida é o anthrax, uma doença causada pela bactéria Bacillus anthracis. Típica de regiões agrícolas da Ásia, África e América Latina, a transmissão da doença se dá quando esporos da bactéria penetram algum ferimento cutâneo, ou quando os mesmos são inalados ou ingeridos. Na pele, que corresponde a 95% dos casos, a doença se manifesta como uma infecção com pus, semelhante ao furúnculo, formando posteriormente uma mancha-negra. No caso de inalação, provoca pneumonia, febre alta e dificuldades respiratórias, e geralmente é fatal.
Uma guerra biológica pode produzir efeitos assustadores, por isso um grupo de países assinou um acordo em 1972 para evitar tal guerra, mas de fato, esse acordo não estipula penalidades e nem faz um controle rigoroso, apenas registrou a intenção destes países.

7588 – Arma Química – Biologia do Mal


O ano é 1995. Membros da seita japonesa Verdade Suprema espalham gás sarin, substância química que ataca o sistema nervoso, no metrô de Tóquio. Treze passageiros morrem e mais de 5 000 pessoas são hospitalizadas. Apesar da opção pelo gás, a idéia original era empregar armas biológicas – ou seja, usar agentes infecciosos para provocar o surto de uma doença. A seita empreendeu nove tentativas malsucedidas em um período de cinco anos. Integrantes pulverizaram ruas da capital japonesa com bactérias e toxinas, mas usaram cepas fracas dos microorganismos e técnicas erradas de disseminação. Alguns deles chegaram a viajar ao Zaire a fim de buscar amostras do vírus ebola e, com ele, desenvolver uma arma biológica.
A tenebrosa destruição causada pelas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki abafou o debate sobre os limites para as pesquisas com armas biológicas. Na época, já vigorava um tratado assinado em 1925, na Suíça, que proibia o uso, pelos exércitos, de gás asfixiante e de métodos bacteriológicos de combate. Mas nem o Japão nem os Estados Unidos haviam assinado tal acordo.
Durante a Guerra Fria, o aperfeiçoamento dos meios bélicos de dispersão de agentes infecciosos – e dos próprios microorganismos – continuou a ser feito na surdina. Em 1972, passou a valer outro tratado, em vigência até hoje, banindo todos os passos necessários para desenvolver uma arma biológica: produção, estocagem, posse, transferência de agentes infecciosos e meios de propagação que denotem fins hostis. Ele foi ratificado por 144 países, após a Convenção das Armas Biológicas (BWC, na sigla em inglês).

O carbúnculo foi também o causador de uma epidemia na cidade de Sverdlovsk (hoje Yekaterinburg), na antiga União Soviética, em 1979. Mais de 100 pessoas morreram repentinamente. As autoridades atribuíram o fato à ingestão de carne contaminada. Mas, em 1992, o presidente russo Boris Ieltsin reconheceu que as mortes haviam sido causadas pela dispersão involuntária do carbúnculo nas redondezas de uma instalação militar voltada ao aperfeiçoamento de armas com agentes patogênicos. Tanto os soviéticos quanto o Iraque tinham assinado o tratado de proibição de armamento biológico – daí, o esforço do Grupo Ad Hoc em definir o mais rápido possível um protocolo de verificação.
Não há informações precisas sobre quais nações teriam programas biológicos em andamento. Dados como esses são obtidos por agências de inteligência e mantidos em sigilo. “Rússia e Iraque admitiram publicamente que sim. Há uma certeza razoável de que Irã, Coréia do Norte e Líbia também tenham programas do tipo. Outras listas incluem China, Taiwan, Síria, Israel, Índia e Paquistão, mas esses casos não passam de suposição,
Teoricamente, qualquer organismo que provoque alguma doença no homem ou que traga danos à agricultura ou à pecuária pode se tornar agente de uma arma biológica – seja ele vírus, bactéria, toxina ou fungo. Mas, na prática, não são muitos os que causam enfermidade ou morte e que podem ser manipulados e dispersos de maneira eficaz.
Governantes e cientistas debatem atualmente o futuro de um dos agentes infecciosos mais potentes: o vírus da varíola, doença oficialmente erradicada no mundo todo em 1980. Restaram apenas alguns estoques do vírus em laboratórios nos Estados Unidos e na Rússia. Um comitê da OMS recomendou a destruição dos últimos exemplares do agente e os países votaram unanimemente pelo fim dos estoques em 2002 – o que significará também o fim da espécie. Pela primeira vez, um ser vivo será deliberadamente extinto.
A decisão tem causado polêmica. Especula-se que alguns dos estoques russos foram parar na mão de terroristas.
A história registra o uso rudimentar da varíola como arma biológica já no século XVIII. Durante a ocupação da América do Norte, tropas inglesas presentearam os índios com roupas contaminadas com o vírus.
No século XIV, os tártaros tentavam conquistar a cidade de Kaffa (atualmente Feodossia, na Ucrânia), mas sofreram uma epidemia de peste. Converteram seu infortúnio em arma: catapultavam os cadáveres para dentro dos muros da cidade. As forças de defesa caíram, vitimadas pela moléstia que, de lá, se espalhou por toda a Europa: a célebre Peste Negra, que matou um terço da população do continente naquela época.
Mas se o uso de armas biológicas é tão antigo, o que explica a atual onda de preocupação com essa questão?
Já se conhecem seqüências completas do genoma de pelo menos mais de 30 microorganismos. Na teoria, nada impede que um supervírus seja produzido em laboratório, formado por pedaços de DNA de outros. Ou que microorganismos normalmente inofensivos sejam manipulados para adquirir elevado potencial tóxico ou infeccioso. O progresso da biotecnologia também torna essas técnicas mais acessíveis a terroristas. Fabricar armas biológicas envolve menos recursos e uma infra-estrutura bem mais simples do que armas químicas e nucleares. Microorganismos
crescem com facilidade e uma quantidade pequena deles já serve para fazer um baita estrago. “A produção dessas armas aproveita equipamentos e materiais normalmente utilizados para fins pacíficos, como o desenvolvimento de vacinas, o que dificulta muito a identificação de programas de armamento biológico”. A ameaça é real. Como se proteger?

7192 – Os EUA possuem vírus que podem devastar o mundo


A varíola matou 300 milhões de pessoas no século 20 até ser erradicada com campanhas de vacinação. O último caso foi registrado em 1977, na Somália. Mas o micro-organismo por trás da doença, do gênero Orthopoxvirus, continua muito bem, obrigado. “A varíola ainda é uma ameaça para o mundo inteiro. Os EUA e a Rússia guardam estoques do vírus congelado desde a Guerra Fria”, diz Steven Block, biofísico da Universidade de Stanford e um dos maiores especialistas mundiais em bioterrorismo. O arsenal americano é mantido no Centro para Controle e Prevenção de Doenças, em Atlanta. Uma eventual liberação do vírus, por acidente, terrorismo ou guerra, poderia ter consequências terríveis – porque a vacinação em massa contra varíola foi interrompida há mais de 30 anos (e também porque, para manter a eficácia, ela teria de ser reaplicada a cada 10 anos).

Os EUA também cultivam organismos ainda mais perigosos, como o vírus ebola e a bactéria Bacillus anthracis (antraz), ambos altamente letais.

O propósito oficial é desenvolver vacinas contra eles. Mas algo sempre pode dar errado. Em setembro de 2001, um terrorista obteve esporos de antraz – um pó branco, que ele enviou pelo correio para alguns políticos e jornalistas americanos, gerando pânico no país. Segundo uma investigação do FBI, o antraz usado nos ataques teria sido roubado de um laboratório do governo americano por Bruce Ivins, cientista que tinha acesso a esse material. Ivins acabou se suicidando em 2008.

6091 – Mega Vírus Ebola – Letal e cercado de mistérios


Arma Biológica?

Se os diretores de filmes de terror tivessem de inventar um vírus, ele seria parecido com o ebola. Taxas de mortalidade altíssimas (entre 50 e 90% dos infectados), sintomas assustadores (como vomitar sangue) e, claro, a locação “exótica” dos surtos (nos cafundós da África) fazem desse patógeno – como os cientistas chamam os agentes causadores de doenças – um dos mais temidos do mundo. Ainda é preciso elucidar uma série de dúvidas sobre como ele age. Mas a boa notícia é que, pelo menos por enquanto, parece improvável que o vírus cause estragos fora de seu local de origem.

“O ebola é um bom exemplo de zoonose não estabelecida, ou seja, uma doença que salta de animais para humanos, mas não permanece”, diz o biólogo Atila Iamarino. “A variante mais agressiva, o ebola Zaire, não é transmitida com eficiência. E tudo leva a crer que contato com o sangue das vítimas é a principal forma de contágio. Como a doença causa sintomas muito debilitantes, isso permite que ela seja detectada e contida rapidamente.”

Os surtos da doença – que começaram em 1976 e se repetiram em 1979 e 1989, por exemplo – só começaram por causa de condições sanitárias inadequadas em hospitais de países como Congo, Gabão, Uganda e Sudão. No atendimento aos primeiros pacientes, era comum o uso de seringas não descartáveis. Somando-se a isso as condições precárias de higiene, o resultado não poderia ser outro: o vírus se espalhava com muito mais facilidade.

Mas como os infectados contraíam a doença? Possivelmente durante a manipulação da carne de animais caçados. Sabe-se que o ebola também pode matar chimpanzés e gorilas, sendo tão letal para esses primatas quanto para nós.

Isso não significa, porém, que esses bichos sejam o reservatório natural do vírus. Os cientistas consideram provável que certos morcegos comedores de frutas carreguem o ebola sem manifestar sintomas. O contato com os restos das frutas comidas por esses morcegos, ou com as fezes deles, transmitiria o patógeno para outros animais, e deles para o homem. Isso explicaria o fato de a doença só aparecer de vez em quando: seria necessária a infecção, por exemplo, de um caçador, que depois passaria a moléstia para outras pessoas. Elas logo morreriam ou ficariam curadas, com pouco risco de transmitir o vírus ao resto da população.

Vírus causador – Ebola
Origem da epidemia – Zaire (atual Congo)
Total de óbitos* – Cerca de 1 000
Mortalidade* – Até 90% dos infectados

5853 – Supervírus ameaça a humanidade


Parece um roteiro de filme, mas está acontecendo de verdade. Dois grupos de pesquisadores, na Holanda e nos EUA, acabam de desenvolver esse vírus. “É um dos tipos mais perigosos que poderiam ser criados”, admitiu publicamente o líder de uma das equipes, Ron Fouchier. Trata-se de uma versão mutante do H5N1, que causa a gripe aviária e gerou preocupação durante um surto em 2005. A doença é letal, mas o vírus não se propaga facilmente entre humanos. Só que os cientistas desenvolveram um H5N1 turbinado, que pode ser transmitido pelo ar – exatamente como o vírus da gripe comum, que contamina 700 milhões de pessoas no mundo todos os anos. Se escapasse do laboratório, o novo H5N1 poderia causar um número enorme de mortes. Também há o receio de que terroristas aprendam a recriar o supervírus. Por isso, a comunidade científica e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA pediram que o estudo não fosse publicado e os responsáveis pela pesquisa interrompessem seus trabalhos durante 60 dias.
Os cientistas se defendem dizendo que o estudo é necessário e seria mais perigoso não retomá-lo: pois, conhecendo o vírus mutante, é possível trabalhar desde já para desenvolver vacinas contra ele.