13.252 – Farmacologia – Brasileiros criam nanoantibióticos contra infecções resistentes


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Da Folha para o ☻Mega

Pesquisadores brasileiros criaram um método que combina minúsculas partículas de prata com um antibiótico para tentar vencer a crescente resistência das bactérias aos medicamentos convencionais.
Em testes preliminares de laboratório, a abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio Escherichia coli, que às vezes causa sérios problemas no sistema digestivo humano.
“Alguns sistemas podem até funcionar melhor no que diz respeito à capacidade de matar as células bacterianas, mas o ponto-chave é que as nossas partículas combinam um efeito grande contra as bactérias com o fato de que elas são inofensivas para células de mamíferos como nós”, explica um dos responsáveis pelo desenvolvimento da estratégia, Mateus Borba Cardoso, do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).
Cardoso e seus colegas assinam estudo recente na revista especializada “Scientific Reports”, no qual descrevem o processo de produção da arma antibacteriana e seu efeito sobre os micróbios.
Esse mesmo grupo já utilizou nanopartículas para inativar o HIV e atacar somente as células tumorais, em caso de câncer de próstata, poupando as células saudáveis.
O aumento da resistência das bactérias causadoras de doenças aos antibióticos tradicionais é um caso clássico de seleção natural em ação que tem preocupado os médicos do mundo todo.
Em síntese, o que ocorre é que é quase impossível eliminar todos os micróbios durante o tratamento. Uma ou outra bactéria sempre escapa, e seus descendentes paulatinamente vão dominando a população da espécie e espalhando a resistência, já que os micro-organismos suscetíveis morreram sem deixar herdeiros.
Para piorar ainda mais o cenário, tais criaturas costumam trocar material genético entre si com grande promiscuidade, numa forma primitiva de “sexo”. Assim, os genes ligados à resistência diante dos remédios se disseminam ainda mais.
Já se sabe, porém, que as nanopartículas de prata (ou seja, partículas feitas a partir desse metal com dimensão de bilionésimos de metro) têm bom potencial para vencer as barreiras bacterianas e, de quebra, parecem induzir muito pouco o surgimento de variedades resistentes.
Por outro lado, essas nanopartículas, sozinhas, podem ter efeitos indesejáveis no organismo.
A solução bolada pelos cientistas brasileiros envolveu “vestir” as partículas de prata com diferentes camadas à base de sílica, o mesmo composto que está presente em grandes quantidades no quartzo ou na areia.
Testes feitos pela equipe mostraram que o conjunto afeta de forma específica as células da bactéria E. coli, tanto as de uma cepa de ação mais amena quanto a de uma variedade resistente a antibióticos, sem ter o mesmo efeito sobre células humanas –provavelmente porque a ampicilina se conecta apenas à parede celular das bactérias.
É claro que ainda é preciso muito trabalho antes que a abordagem dê origem a medicamentos comerciais.
Segundo Cardoso, o primeiro passo seria o uso de sistemas semelhantes em casos muitos graves, nos quais pacientes com infecções hospitalares já não respondem a nenhum antibiótico.
Para um emprego mais generalizado, provavelmente será necessário substituir o “recheio” de nanopartículas de prata por outras moléculas, mais compatíveis com o organismo.
O trabalho teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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12.843 – Anticoncepcionais com hormônios podem duplicar o risco de depressão


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Parece que as más notícias sobre os riscos da pílula anticoncepcional não param de chegar. Desta vez, a preocupação é com a saúde mental: um novo estudo da Universidade de Copenhague analisou os registros médicos de todas as mulheres entre 15 e 34 anos que vivem na Dinamarca para concluir que a chance de desenvolver depressão chega a dobrar para quem usa anticoncepcionais com hormônios.
Os cientistas focaram o estudo em mulheres que não tinham diagnóstico prévio de depressão. Aí passaram 14 anos acompanhando a saúde delas e os medicamentos que consumiam. E perceberam o seguinte: as mulheres que tomavam contraceptivos hormonais tinham chances bem maiores de, mais tarde, passar a tomar antidepresivos – ou seja, de serem dignosticadas como portadoras de depressão ou de transtornos de ansiedade (que também são tratados com fluoxetina, escitaplopram e cia.).
Para quem toma a pílula tradicional (que combina derivados de progesterona e estrogênio), o risco é 23% maior do que entre as mulheres que não usavam o método. Mas a pílula está até bem na fita. Os piores aumentos de risco estavam em outros métodos hormonais.
Foi o caso do adesivo, o “campeão” da pesquisa. As mulheres que usavam o método que distribui norgestrolmin (uma progesterona sintética, usada em marcas como Evra) através da pele tinham o dobro de chances de começar a tomar antidepressivos, comparadas às jovens que não tomavam esses hormônios.
No Top 3, inclusive, estão os anticoncepcionais hormonais que não vem em forma de comprimido: além do adesivo, há também o anel vaginal, que libera etonogestrel e o DIU hormonal, que usa levonorgestrel (ambas progesteronas sintéticas).

Ranking da depressão

Adesivo – risco 100% maior

Anel vaginal – risco 60% maior

DIU com levonorgestrel – risco 40% maior

Mini-pílula (só de progesterona) – risco 34% maior

Pílula combinada – risco 23% maior

Quando os pesquisadores separaram só as adolescentes, entre 15 e 19 anos, perceberam que elas estavam ainda mais vulneráveis. Para elas, usar a pílula combinada representa um risco 80% maior de depressão. Já com a mini-pílula, ele pula para 120% – ou seja, mais que o dobro.
Faltam estudos mais específicos para entender se a conexão entre depressão e anticoncepcionais tem relação direta com a progesterona (sozinhos, os números parecem apontar para isso), mas a preocupação imediata dos pesquisadores é outra: eles estimam que 80% das mulheres férteis da Dinamarca estejam tomando contraceptivos hormonais de algum tipo. No meio dessa quase onipresença da pílula, eles acreditam que os riscos à saúde mental estão sendo subestimados pelos próprios médicos na hora de receitar o medicamento.
O risco de depressão é conhecido de qualquer um leia a bula dos anticoncepcionais. Mas quando aparece um estudo com a população inteira de um país, a realidade (e a gravidade) da história chama bem mais atenção que as letrinhas fonte 10 na seção Efeitos Colaterais.

10.758 – Resistência Bacteriana – Exame rápido diminui uso desnecessário de antibiótico


Informações na bula
Informações na bula

Segundo o estudo realizado por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, os médicos geralmente não têm nenhuma maneira imediata de saber se o paciente está com uma infecção bacteriana ou viral. Na dúvida, receitam o antibiótico.
O uso desnecessário do medicamento pode criar bactérias resistência às drogas disponíveis no mercado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considerou o problema uma realidade na saúde pública global e diversos pesquisadores pensam na possibilidade da existência de uma era pós-antibiótico.
“Os nossos resultados sugerem que a prescrição de antibióticos em pacientes com infecções respiratórias agudas poderia ser reduzida com a realização de testes de biomarcadores de bactérias”, diz Rune Aabenhus, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Copenhague.
Os pesquisadores analisaram seis estudos que verificaram se o exame que mede o nível da proteína C reativa, marcador que indica se o corpo passa por algum processo inflamatório, é eficaz para identificar uma infecção bacteriana. Atualmente, esse é o único método rápido que poderia ajudar os médicos na prescrição adequada de antibióticos — o resultado sai em até 3 minutos.
Os estudos envolveram 3 284 pacientes adultos. Ao todo, 1 685 realizaram o teste da proteína C reativa, sendo que em 631 casos os antibióticos foram receitados. Entre os 1 599 pacientes que não fizeram o teste, 785 receberam prescrição de antibióticos. Assim, os pesquisadores constataram que a utilização de antibiótico foi 22% menor no grupo que se submeteu ao teste.

9181 – Farmacologia – A Sulfa


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São agentes antimicrobianos sintéticos que contêm a sulfonamida grupo. Alguns sulfonamidas também são desprovidos de atividade antibacteriana, por exemplo, o anticonvulsivante sultiame. O sulfonilureias e diuréticos são grupos de drogas mais recentes baseados nas sulfonamidas antibacterianos.
Sulfa alergias são comuns, portanto, medicamentos contendo sulfonamidas são prescritos com cuidado. É importante fazer a distinção entre as drogas sulfa e outros medicamentos que contêm enxofre e de aditivos, tais como sulfatos e sulfitos, que são quimicamente não relacionados com o grupo sulfonamida, e não causam as mesmas reacções de hipersensibilidade observadas nas sulfonamidas.
Porque sulfonamidas deslocar a bilirrubina da albumina, kernicterus (dano cerebral devido ao excesso de bilirrubina) é um importante efeito colateral potencial do uso de sulfonamidas.
Em bactérias, sulfonamidas antibacterianos atuar como inibidores competitivos da enzima sintetase dihydropteroate (DHPS) , uma enzima envolvida na síntese de ácido fólico. As sulfonamidas são, portanto, bacteriostático e inibir o crescimento e a multiplicação das bactérias, mas não matam.
A porção química sulfonamida está também presente em outros medicamentos que não são agentes antimicrobianos, incluindo tiazida diuréticos (incluindo hidroclorotiazida , metolazona , e indapamida , entre outros), os diuréticos de alça (incluindo a furosemida , bumetanida , e torsemida ), sulfonilureias (incluindo glipizida , gliburida , entre outros), e alguns inibidores de COX-2 (por exemplo, celecoxib ), e acetazolamida .
Sulfassalazina , para além da sua utilização como um antibiótico, também é utilizada no tratamento da doença inflamatória do intestino .
Medicamentos sulfonamidas foram os primeiros antimicrobianos, e abriu o caminho para a revolução de antibióticos na medicina. A primeira sulfonamida, comércio chamado Prontosil , era uma pró-droga . Experimentos com Prontosil começou em 1932 nos laboratórios da Bayer AG, naquele tempo um componente do grande químico alemão confiança IG Farben . A equipa Bayer acreditava que os corantes de alcatrão de hulha , capazes de se ligar preferencialmente a bactérias e parasitas podem ser usados ​​para atingir organismos prejudiciais no corpo. Depois de anos de infrutíferas trabalho de tentativa e erro em centenas de corantes, uma equipe liderada pelo médico / pesquisador Gerhard Domagk (trabalhando sob a direção geral da Farben executivo Heinrich Hörlein ) finalmente encontrei um que funcionou: um corante vermelho sintetizada pela Bayer químico Josef Klarer que teve efeitos notáveis ​​sobre a parar algumas infecções bacterianas em camundongos. [3] A primeira comunicação oficial sobre a descoberta da descoberta não foi publicada até 1935, mais de dois anos depois que a droga foi patenteada por Klarer e seu parceiro de pesquisa Fritz Mietzsch.
Prontosil, como a Bayer chamada da nova droga, foi o primeiro medicamento já descoberto que poderia tratar eficazmente uma série de infecções bacterianas no interior do corpo. Tinha uma forte acção protectora contra infecções provocadas por estreptococos , incluindo infecções do sangue, e febre puerperal, erisipelas , e um efeito menor sobre as infecções causadas por outros cocos. No entanto, ele não teve nenhum efeito em tudo no tubo de ensaio, exercendo sua ação antibacteriana apenas em animais vivos. Mais tarde, foi descoberto por Bovet, Nitti e J. e Th. Tréfouël, uma equipa de investigação francesa conduzida por Ernest Fourneau no Instituto Pasteur , que a droga foi metabolizada em duas partes no interior do corpo, libertando o corante de inactiva parte de um gás incolor, composto menor, ativo chamado sulfanilamida . A descoberta ajudou a estabelecer o conceito de “bioativação” e correu sonhos da corporação alemã de lucro enorme, a molécula ativa sulfanilamida (ou sulfa) foi sintetizado pela primeira vez em 1906 e foi amplamente utilizado na indústria de corantes de decisões; sua patente, entretanto, caducada e que a droga estava disponível para qualquer pessoa.

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6739 – Antibióticos e a epidemia de obesidade


Em Ciência, algumas descobertas são tão indesejadas que precisam ser feitas duas vezes para chamarem a atenção. A constatação de que os antibióticos fazem animais ganharem peso é uma delas. Pecuaristas se aproveitam deste fenômeno há décadas para engordar seus rebanhos, mas só agora cientistas investiram esforço em mostrar que o mesmo ocorre com seres humanos.
Em um estudo no periódico “International Journal of Obesity”, Martin Blaser, professor de microbiologia da Universidade de Nova York, compilou dados de vários jovens nascidos na década de 1990, mostrando uma correlação forte entre o uso de antibióticos nos primeiros meses de vida e a obesidade infantil. Outro trabalho recente do médico, na revista “Nature”, mostrou as possíveis causas do fenômeno: em um experimento, esses medicamentos alteraram a comunidade bacteriana no intestino de camundongos, e aqueles micróbios que prevaleceram causaram mudanças no metabolismo.
Descobrir novos efeitos colaterais em antibióticos, claro, é uma coisa a se lamentar. Essas são drogas que salvam vidas de pacientes com tuberculose e outras infecções graves, e sanitaristas já têm de lidar com o grave problema das bactérias que se tornam resistentes a esses medicamentos. Durante anos, porém, os efeitos crônicos do uso dos antibióticos foram subestimados, e a obesidade é um deles. Martin Blaser, que já era conhecido da comunidade científica por descobrir o papel da bactéria H. Pylori no câncer gástrico, foi o principal responsável por alertar para o aumento da gravidade do problema.

“Fazendeiros já sabem há 60 anos que quando se administra uma dose pequena de antibióticos a um animal, você promove seu crescimento. Isso vale para frangos, gado, porcos, ovelhas, perus e tudo o que existe no meio. Mas saber por que isso ocorre ainda é uma questão em aberto. Esse efeito é verificado com virtualmente qualquer tipo de antibiótico, mas não com antifúngicos e e antivirais. Portanto, sabemos que é realmente algo relacionado a bactérias.
O que nós documentamos agora é que existe uma mudança na composição da população de bactérias e uma mudança no metabolismo delas, de forma que passam a produzir mais ácidos graxos de cadeia curta. [Ácidos graxos são fonte de energia para o organismo e normalmente são armazenados na forma de gordura no corpo.]
Eu não sei por que isso ocorre; apenas observamos ocorrer. Mas a partir disso podemos dizer que os ácidos graxos de cadeia curta saem do intestino para a corrente sanguínea e de lá entram no fígado pela veia porta hepática.
No fígado, esse fornecimento adicional de ácidos graxos resulta na ativação de muitos genes relacionados ao metabolismo, especialmente aqueles relacionados ao armazenamento de energia para formar gordura. Então, descobrimos parte do mecanismo envolvido. Agora, por que essa mudança de composição ocorre? Nós achamos que é por causa dos antibióticos, mas não sabemos ainda por que eles estão selecionado uma população que é mais eficiente em extrair energia de sua comida.
A principal coisa que quero comunicar é que ambos os estudos fornecem evidência de que os antibióticos alteram o desenvolvimento nos estágios iniciais da vida. É um consenso que antibióticos estão sendo usados em excesso hoje. Existe uma crença, porém, de que o pior que pode acontecer são erupções de pele, o intestino solto por alguns dias, ou um pouco de alergia. O senso comum é de que não há consequências de longo prazo no uso de antibióticos, mas nós estamos mostrando que elas podem existir, sim.
No futuro, pais e médicos terão de avaliar com mais cuidado se o uso de antibiótico é realmente necessário. Em muitos e muitos casos ele realmente vai ser necessário, porque a criança pode estar muito doente. Mas em outros muitos casos ele não vai ser necessário. Durante anos, a comunidade médica assumiu que essas drogas potentes não teriam nenhum custo de longo prazo, mas nós estamos sugerindo que elas podem ter.”

4367 – Antibiótico – Arma Nova


Avancomicina, um antibiótico lançado há 30 anos, era a única forma de vencer bactérias resistentes. Mas há alguns anos ela deixou de fazer efeito sobre esses micróbios teimosos. Agora a agência americana FDA aprovou a venda do synercid, do laboratório Rhone-Poulenc. O novo antibiótico destrói microorganismos resistentes à vancomicina, como o enterococus, causador de infecções sanguíneas. Até as terríveis linhagens do Stafilococo aureus.

2184-Os principais antibióticos


Os principais antibióticos são Streptomicina, de ação eficaz contra a tuberculose e a meningite tuberculosa; Aureomicina, contra certos vírus; Cloromicetina, contra certos vírus; Terramicina, contra diversos outros agentes patogênicos de origem bacteriana, temos a tirotricina, a gramicidina e a bacitracina entre os primeiros que foram isolados. Os atuais antibióticos são de quinta geração pois as bactérias possuem mecanismos que neutralizam a ação dos primeiros, repassando a características as suas descendentes.
Sobre a questão da resistência bacteriana, comentaremos em outro capítulo.

Como já vimos, a descoberta da penicilina foi obra do acaso, embora muitos não acreditem em acaso. Mas o fato é que o cientista trabalhava sobre culturas de Staphylococcus, quando teve a atenção despertada por uma cultura que havia sido invadida por um mofo esverdeado, e notou que as bactérias não se desenvolviam em torno da mancha do referido mofo. A medida que aumentava o mofo, as bactérias desapareciam, como se estivesse produzindo substâncias capazes de destruí-las. Do mesmo gênero de cogumelo que produz a penicilina, é o Penicillium Roquefortil, também um mofo esverdeado, utilizado na fabricação dos famosos queijos Roquefort.

O primeiro grande impacto no campo da quimioterapia se deu em 1935 com a descoberta do poder microbicida das sulfamidas. O emprego das sulfas constituiu uma verdadeira revolução no tratamento de certas doenças infecciosas . Durante a Segunda guerra mundial, 1939-1945, os grandes laboratórios no EUA, conseguiram fabricar em escala comercial, o primeiro antibiótico, descoberto em 1928, pelo eminente pesquisador inglês Sir Alexandre Fleming – a penicilina. É elaborado por um cogumelo do gênero Penicillun notatun, 10 anos de estudos foram necessários para que ela pudesse ter sido isolada e obtida em estado puro. Hoje pode ser obtida sinteticamente.

1976-Antibióticos


A penicilina foi o 1° antibiótico, desenvolvida em 1928, por Fleming

Alguns são capazes de substituir muitas drogas atuais ineficazes no combate a certas infecções. Em ambiente hostil como o do cerrado, os cientistas desconfiam que algum tipo de bactéria brasileira tenha desenvolvido, ao longo de milhões de anos, resistência natural capaz de garantir sua preservação. Durante seu metabolismo, células desses microorganismos liberariam substâncias com maior poder de inibir a ação de inimigos com os quais disputam os poucos nutrientes do solo. Cada grama de terra do cerrado contém 10 milhões de actinomicetos, tendo dentro de si, enzimas capazes de partir moléculas resistentes, como a celulose das folhas que caem no solo e constituem seu alimento. Os pesquisadores conseguiram inibir a multiplicação de micróbios causadores de infecção hospitalar e demais doenças como o mal de chagas, amidalite, febre reumática e tuberculose típica dos aidéticos. Desde Fleming, em 1928 com a descoberta da penicilina, a seleção natural está fazendo surgir bactérias com mutações que as tornam tolerantes aos antibióticos. A partir da década de 1950, quando aumentou o número de bactérias resistentes, a ciência passou a dedicar especial atenção ao problema, até chegar nos 6 mil antibióticos já lançados no mercado. O uso abusivo e incorreto de antibióticos, principalmente em hospitais, tem agravado o problema da infecção. Estafilococos e estreptococos, são as espécies que mais causam infecção hospitalar e apresentam sinais de resistência aos antibióticos. O trypanossoma cruzi é o protozoário transmissor da doença de Chagas e tem permanecido vivo no organismo de camundongos tratados com drogas tradicionais, indicando que o mesmo poderá ocorrer com o homem; no entanto, os actinomicetos dos solos brasileiros, conseguiram bloquear o crescimento do protozoário em tubos de ensaio. Mais complicada, porém será a tarefa de desenhar a estrutura química dessas substâncias ativas, para possibilitar a síntese química, viabilizando a produção em larga escala.