13.830 – A Anestesia na Medicina


anestesia
A anestesia, como a conhecemos hoje, é uma aquisição recente na história da humanidade. Sabe-se que, na Antiguidade, eram realizados alguns tipos de cirurgia e prova disso são os instrumentos cirúrgicos egípcios em exposição nos museus. Portanto, as civilizações antigas deviam conhecer fórmulas para driblar a dor e operar as pessoas. Relatos provenientes da Grécia Antiga indicam que Hipócrates utilizava a esponja soporífera embebida em substâncias sedativas e analgésicas extraídas de plantas e que o médico Dioscórides descobriu os efeitos anestésicos da mandrágora, um tubérculo muito parecido com a batata. Já os chineses se valiam dos conhecimentos de acupuntura e os assírios comprimiam a carótida, para impedir que o sangue chegasse ao cérebro.

Gelo ou neve para congelar a região a ser operada, embriagar o paciente, hipnose foram outros recursos usados para aliviar a dor no passado. Quando de nada adiantavam, as cirurgias eram realizadas a frio, com os doentes imobilizados à força.
Esse panorama mudou, e mudou muito. Hoje, a anestesia é um procedimento médico de altíssima segurança que promove analgesia completa enquanto o paciente é operado.
Eles usavam drogas que, hoje, corresponderiam à morfina. Se bem que o conceito antigo de operação era diferente do atual. Ninguém fazia uma gastrectomia, isto é, uma cirurgia de estômago, por exemplo. Em geral, eram amputações e eles quase sempre encontravam uma forma de dopar o doente. Se não conseguiam, operavam a frio mesmo.
O surpreendente é que essa conduta não está tão distante no tempo assim. No fim da Primeira Guerra Mundial, depois que os alemães deixaram de ter disponíveis as drogas com que poderiam sedar os pacientes, as amputações eram feitas a frio.
Diante de tantas restrições, era importante a velocidade com que as cirurgias eram realizadas. Em poucos minutos, amputava-se uma perna ou cuidava-se de um ferimento grave.
É preciso cuidar das vias respiratórias dos pacientes sob anestesia geral. Quando a musculatura relaxa, há risco de obstrução das vias aéreas por perda do tônus da musculatura que suporta a língua. Para evitá-la, são introduzidas cânulas orais que mantêm a língua afastada da parede posterior da traqueia ou passa-se um tubo através da boca até a traqueia para permitir a circulação da mistura anestésica. Para fazer isso, é preciso que seja total o relaxamento não só da boca e da língua, mas também da glote e da laringe. Os relaxantes musculares foram medicamentos que ajudaram muito nesse sentido.

12.116 -Medicina – História da Anestesia


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A descoberta da anestesia foi uma das inovações clínicas que revolucionaram a cirurgia. A anestesia com éter foi descoberta em Boston na década de 1840. Anos antes, em 1831, o clorofórmio havia sido elaborado. O médico escocês Sir James Simpson de Edimburgo foi o primeiro a usá-lo como anestésico em 1847, mas só foi largamente aceito na medicina por volta de 1853.
A única anestesia conhecida até o momento era feita à base de álcool e pólvora, aplicada no paciente por via oral. Normalmente ele era segurado pelos assistentes enquanto mordia algo para não gritar, até que a operação terminasse. Geralmente eram feitas desta forma amputações, consideradas na época como “grandes cirurgias”.
Embora os pacientes aguentassem dores extraordinárias, havia uma busca urgente por analgésicos. Para aliviar a dor, eram combinadas várias substâncias, a maior parte delas extraída de plantas “medicinais”. Às vezes, a mistura ficava muito forte e o paciente morria por overdose.
Nos anos 1800, boa parte das pessoas buscava na religião, ou nelas mesma, a força para suportar a dor, que era vista como uma punição de Deus para os perversos e como purificadora da alma para os bons.
A anestesia com éter foi introduzida nos EUA em 1846, e com clorofórmio, no Reino Unido, em 1847. A inalação dos vapores desses compostos não apenas colocava as pessoas para “dormir”, tornando-as insensíveis à dor, mas seu uso significava que os pacientes se “tornaram inconscientes à tortura”. Assistir a um filme antigo de guerra é, de fato, presenciar tortura a sangue frio.
Essa grande invenção na história da medicina não só beneficiou os pacientes, como também tornou mais fácil a vida dos cirurgiões, que não tinham mais que lidar com pacientes desesperados contorcendo-se de dor na mesa de cirurgia durante uma amputação, ou com uma fuga precipitada.

10.033 – Como o gás do riso age no corpo?


O gás do riso, ou hilariante, produz uma suave depressão numa região do cérebro relacionada aos sentimentos e à autocensura. Ao inalá-lo, a pessoa entra num estado de relaxamento e felicidade, podendo mesmo rir à toa. A sensação é parecida à de quando se exagera um pouco na bebida. Ainda não se sabe precisamente qual é o mecanismo de ação do gás, cujo nome correto é óxido nitroso (N2O). Ele foi descoberto em 1772 pelo químico inglês Joseph Priestley. Alguns anos depois, verificou-se que o gás provocava uma sensação agradável ao ser inalado. Assim, não demorou muito para que a substância passasse a ser “cheirada” durante festas. Em 1844, o dentista americano Horace Wells percebeu que o gás tinha efeito anestésico por acaso: numa festa, Wells reparou que um dos convidados que havia inalado o óxido nitroso se machucou, mas não demonstrava sentir dor. Curioso, o dentista resolveu testar a substância e foi o primeiro paciente a ter um dente extraído após inalar o gás. Em consultórios dos Estados Unidos, da Europa e de outros países espalhados pelo mundo, o óxido nitroso é usado há tempos. Já no Brasil só agora vem conquistando mais adeptos. “O paciente se mantém calmo e consciente, o que aumenta a segurança do procedimento odontológico”, diz um cirurgião dentista, diretor da Associação Brasileira dos Cirurgiões Dentistas, seção do Rio de Janeiro.

Por meio de uma máscara, o paciente inala uma mistura de óxido nitroso e oxigênio — no máximo com 70% de óxido. Esses dois gases saem de cilindros e a proporção da mistura é controlada pelo dentista

Após ser inalado, o gás alcança os pulmões. Como a substância tem grande capacidade de expansão, ela passa pelos alvéolos pulmonares e cai na corrente sanguínea
Rapidamente o gás começa a circular pela corrente sanguínea e ruma em direção ao sistema nervoso central, onde o óxido nitroso passa a agir cerca de 5 minutos após ser inalado pela pessoa
A ação do gás é no córtex cerebral, região relacionada aos sentimentos de medo, ansiedade e autocensura. Acredita-se que ele reduza as transmissões nervosas no córtex. Uma eventual vontade de rir é efeito secundário. O mais importante no consultório é que o gás relaxa o paciente e aumenta sua tolerância à dor, agindo como um anestésico.

9334 – Química – O Óxido Nitroso


Descoberto pelo químico inglês Joseph Priestley, o óxido nitroso é um gás incolor, de fórmula química N2O, odor agradável, sabor levemente adocicado, baixos pontos de fusão e ebulição, não inflamável, atóxico e de baixa solubilidade. Essa substância também é conhecida como gás hilariante, ou gás do riso, por desencadear contrações musculares involuntárias no rosto de quem o inala, levando a uma impressão de que se está rindo.
Ao mesmo tempo, o gás também confere um estado de prazer e felicidade, e exatamente por isso sua principal aplicação é como agente anestésico nas áreas de Medicina e Odontologia. Para se ter esse efeito anestésico, o paciente inala uma mistura de 70% de óxido nitroso e 30% de oxigênio, que logo chega aos pulmões e alcança a corrente sanguínea. Com a circulação do sangue, o gás atinge o sistema nervoso central e age no córtex cerebral, região associada especialmente à sensação de ansiedade, produzindo um estado de repouso e de tolerância à dor.
Tal propriedade foi identificada pelo dentista americano Horace Wells em 1844, ao observar o comportamento de pessoas que inalavam a substância para obter essa sensação de prazer. O próprio Wells foi o primeiro paciente a ser submetido a um procedimento sob o efeito do óxido nitroso. Com isso, essa propriedade passou a ser difundida, o óxido nitroso foi o primeiro gás a ser aplicado na Medicina e hoje é largamente utilizado nos Estados Unidos e na Europa, principalmente.
Além do uso como anestésico, o óxido nitroso também é usado na indústria automobilística, com a função de melhorar o desempenho do motor. Isso ocorre porque, quando o gás é aquecido a aproximadamente 300 °C, é decomposto em nitrogênio e oxigênio e, assim, quanto mais oxigênio disponível para a combustão, mais potência o motor adquire. Para essa aplicação, é chamado de NOS (Nitrous Oxide Systems).
Esse gás é, ainda, um dos vilões do aquecimento global. Ele é um subproduto de processos de combustão, fertilização agrícola, tratamento de esgoto e atividades industriais e é capaz de absorver uma quantidade muito elevada de energia, muito mais até que o próprio CO2. Isso causa a destruição da camada de ozônio, que protege a superfície terrestre contra a radiação ultravioleta.
O óxido nitroso também é um membro do grupo dos óxidos neutros (ou indiferentes), que são óxidos que não reagem com água, nem com ácidos nem com bases.

6834 – Medicina Alternativa – Terapia neural usa injeção de anestésico para tratar sintomas crônicos


Desconhecida no Brasil, a terapia neural propõe o tratamento de sintomas usando injeções de uma substância chamada procaína, que, segundo o método, provoca um estímulo no sistema nervoso e “reorganiza” funções do organismo.
A técnica, que surgiu na Alemanha na década de 1920 e é popular em países da Europa e da América Latina, tem princípios parecidos com os da acupuntura: considera o corpo como um todo e não se preocupa necessariamente com a cura.
Para a terapia neural, fatores físicos e emocionais, como um trauma ou uma cirurgia, desequilibram o sistema nervoso. Essas alterações levam a sintomas físicos, entre eles dores crônicas, insônia ou prisão de ventre.
A aplicação da substância seria capaz de restaurar o equilíbrio neurológico, o que contribuiria para o desaparecimento do problema.
“A terapia ‘apaga’ as memórias irritativas [relacionadas a traumas] do sistema nervoso”, diz Afonso Jorge França, ortopedista e terapeuta neural.
A procaína é um anestésico local injetável pouco usado hoje. Nessa terapia, sua função de anestésico é a menos importante, tanto que é usada superdiluída.
“Pensamos na procaína como um estímulo, não como um remédio, assim como a agulha da acupuntura é um estímulo e o glóbulo da homeopatia é outro”, afirma a terapeuta ocupacional Silvia Serber. Ela acabou de fazer um curso do método na Colômbia e está trabalhando com a técnica aqui no país.
Na terapia neural, uma cicatriz pode ser desbloqueada (como se a lembrança associada a ela fosse apagada). Cicatrizes, por sinal, são tidas como pistas importantes para tratar um problema.
Outro ponto fundamental é a saúde dos dentes –por ser uma região muito enervada–, o que faz a técnica ser praticada por dentistas.
“Grande parte das doenças sistêmicas têm origem na cavidade bucal. É possível aplicar a terapia na boca e tratar males à distância”, diz um dentista da USP.

Quais os riscos?
A terapia neural é contraindicada para quem tem alergia à procaína ou a outros anestésicos usados, como xilocaína.
Segundo a anestesiologista Fabíola Minson, membro da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, a procaína é considerada mais alergênica do que outros analgésicos usados pela medicina convencional. Para ela, o tratamento oferece riscos.
“Qualquer procedimento invasivo tem risco de infecção. O fato de ser feito por não médicos me preocupa bastante.”
Segundo José Oswaldo de Oliveira Júnior, neurocirurgião do Hospital A.C. Camargo, não há evidências suficientes para justificar a terapia neural. “O profissional que faz deve ter o consentimento do paciente e assumir o risco.”
O Conselho Federal de Medicina ainda não avaliou o tema e não endossa e nem proíbe a terapia.

6833 – Anestésicos – A Xilocaína


A lidocaína ou xilocaína®, 2-(dietilamino)-N-(2,6dimetilfenil) acetamido, é um fármaco do grupo dos antiarritmicos da classe I (subgrupo 1B), e dos anestésicos locais que é usado no tratamento da arritmia cardíaca e da dor local (como em operações cirúrgicas). É pouco tóxica.
Usos clínicos
Taquicardia ventricular, especialmente pós Infarto agudo do miocárdio (IAM), é a primeira escolha.
Fibrilação ventricular, primeira escolha.
Anestésico local em pequenas operações cirúrgicas (como as dentárias).
Enquanto ambos antiarritmico e anestésico local, é um bloqueador rápido dos canais de sódio, activados ou inativados, existentes nos miócitos especializados do sistema de condução (coração) ou nervos periféricos.
Para efeito antiarrítmico, seu uso intravenoso é o de escolha. Podendo ser utilizada por via endotraqueal em casos de emergência, quando o acesso venoso ainda não foi estabelecido.
Utiliza-se também a aplicação em spray para anestesia tópica de mucosas, a exemplo de seu uso na endoscopia digestiva e técnicas de intubação com o paciente acordado.
Para bloqueios anestésicos loco-regionais, infiltra-se com agulha o anestésico na pele, ou na proximidade de troncos nervosos.
Também é utilizada em raquianestesia e anestesia peridural.
Encurta o potencial de ação e prolonga a diástole. Diminui a taxa de contração cardiaca, eliminando especialmente os batimentos ectópicos.
Impede a condução de potencial de ação nos axónios dos nervos periféricos, quando usada tópicamente.
São raros os efeitos tóxicos da lidocaína. Em geral só aparecem em decorrência de sobredose ou injeção intravascular inadvertida.
Dentre as manifestações, podemos citar:
Hipotensão arterial
Sensação de cabeça leve
Tinitus (zumbido no ouvido)
Parestesias – Sensação de formigamento na língua e lábios
Como manifestações mais graves podemos observar:
Convulsões
Colapso cardiovascular

Informação química
Fórmula molecular C14H22N2O
Massa molar 234.33
SMILES CCN(CC)CC(=O)Nc1c(C)cccc1C
Sinónimos 2-(Diethy​lamino)-N​-(2,6-dim​ethylphen​yl)acetam​id, 2-Diethyl​amino-2′,​6′-acetox​ylidide, Lidothesin

6498 – Medicina – Os Anestésicos



Com o advento da anestesia, as intervenções cirúrgicas ficaram mais comuns.
Os Anestésicos locais são um grupo de fármacos utilizados para induzir a anestesia a nível local sem produzir inconsciência.

De acordo com a natureza da cadeia intermediária, os anestésicos locais classificam-se em agentes tipo éster ou amida.
Classificação dos anestésicos locais de acordo com a estrutura química
Ésteres
De ácido benzóico
Cocaína
Benzocaína
Tetracaína
De ácido para-aminobenzóico (PABA)
Procaína
Cloroprocaína
Propoxicaína
Amidas
Agentes derivados da xilidina
Lidocaína
Mepivacaína
Bupivacaína
Ropivacaína
Etidocaína
Agentes derivados da toluidina
Prilocaína
Articaína

A importância clínica dessa divisão está associada à duração do efeito (forma de inativação dos compostos) e, especialmente, ao risco de reações alérgicas. Os ésteres são hidrolisados por enzimas encontradas de forma ampla em plasma e diferentes tecidos. Isso geralmente determina duração de efeito menor. Faz exceção a tetracaína, de efeito mais prologando. Amidas sofrem metabolismo hepático, com conseqüente maior duração de ação. Ésteres determinam maior taxa de reações de hipersensibilidade, enquanto alergias são raras com anestésicos tipo amida.
Anestésicos locais atuam sobre os processos de geração e condução nervosa, reduzindo ou prevenindo o aumento de permeabilidade de membranas excitáveis ao sódio, fenômeno produzido por despolarização celular. Embora vários modelos tenham sido propostos para explicar sua ação sobre fibras nervosas, aceita-se hoje que o principal mecanismo envolve sua interação com um ou mais sítios específicos de ligação em canais de sódio.

Embora inúmeras substâncias de estrutura química diversa sejam capazes de produzir anestesia local, a maioria das drogas de comprovada utilidade clínica (identificadas com o sufixo “caína”) compartilham uma configuração fundamental com o primeiro anestésico local verdadeiro, a cocaína.
Durante séculos, os nativos das montanhas peruanas vêm utilizando folhas de coca para evitar a fome, aliviar a fadiga e elevar o espírito. O interesse pelas propriedades psicotrópicas da Erythroxylon coca levou ao isolamento da cocaína por Albert Niemann, em 1859, e ao estudo de sua farmacologia por Von Anrep, em 1880. Embora ambos tenham descrito a ação anestésica local da cocaína, o crédito para sua introdução na medicina pertence a Carl Koller, um médico vienense. Em 1884, Koller familiarizou-se com os efeitos fisiológicos da cocaína descrito por Sigmund Freud. Koller reconheceu o grande significado clínico da droga e logo demostrou sua ação no alívio da dor em vários procedimentos oftalmológicos.
O conhecimento do potencial de reações adversas da cocaína logo acompanhou sua aceitação geral como anestésico local. No entanto, várias mortes atribuídas à cocainização aguda testemunharam o baixo índice terapêutico da droga. A tendência ao abuso da cocaína foi significativamente ilustrada pela autodependência de William Halsted, um pioneiro no bloqueio nervoso regional.

Os anestésicos locais bloqueiam fisicamente por interacções lipofílicas (ocluindo o poro) os canais de sódio das membranas dos terminais dos neurônios. Como o potencial de ação é dependente do influxo de sódio, ao não ocorrer não há propagação do sinal nervoso.
Os neurônios com axônios com menor diâmetro são mais facilmente bloqueados, o que permite ajustar a dose de forma a não inativar os neurônios motores, mas apenas os sensitivos e os do sistema nervoso autônomo, já que os motores têm diâmetros consideravelmente maiores.
A administração local concomitante de um vasoconstritor reduz os seus efeitos sistêmicos e potencializa e prolonga os seus efeitos locais.
O uso de anestesia local é indicado para operações simples, que envolvem pequenas áreas, como algumas cirurgias plásticas ou para suturar cortes (dar pontos).

Longa duração
Tetracaína – Ropivacaína-Bupivacaína
Está indicada em procedimentos Odontológicos de maior duração ou em que se deseja analgesia pós-operatória mais prolongada (varias horas). Comparada com lidocaína, o início de efeito da bupivacaína é mais tardio, mas a duração é duas vezes maior. Durante seu uso em anestesia, especialmente obstétrica, foram relatadas casos de parada cardíaca de difícil recuperação. No entanto, o uso odontológico em baixas doses torna essa complicação improvável.

Média Duração
Lidocaína
É o anestésico padrão, com o qual os demais são comparados. Usada em diversas técnicas anestésicas, também pode ser administrada por via intravenosa para também tratar de arritmias cardíacas em unidades de cuidados intensivos ou durante cirurgias.
Mepivacaína
É um anestésico local do tipo não amida muito utilizado em odontologia. Tem maior indicação nos casos em que o uso de vasoconstrictores é perigoso para o paciente, pois pode ser usado sem esta substância e sem perda importante da potência e tempo de duração da analgesia. Não é usada topicamente, sendo empregada em anestesias infiltrativas e bloqueios periféricos. Sem vasoconstrictor é usado na concentração de 3%.
Prilocaína
Tem amplo uso em Odontologia, especialmente em casos em que aminas simpaticomiméticas estão contra-indicadas, pois está contida na única preparação comercialmente disponível no Brasil que tem felipressina como vasoconstritor.
Efeitos úteis

Perda completa de sensação local, e em especial da dor, sem perda do controle muscular. O doente pode cooperar, respondendo a pedidos do cirurgião. Não há riscos elevados de efeitos dos anestésicos como para os anestésicos gerais.

Odontologia – Anestesia Bucal


Os anestésicos são substâncias que , quando em contato com fibra nervosa, possui a propriedade de interromper o influxo, levando a perda dos sentidos ou sensações. Anestésicos não tiram a capacidade motora da pessoa , mas sim sua sensibilidade. O homem sempre tentou descobrir métodos para controlar a dor. Hipócrates (450ac), empregava vapores de bangue , uma espécie de erva na qual se faz o haxixe, para obter narcose em seus pacientes. Os egípcios usavam a mandágora para aliviar a dor e na América Latina, os incas mascavam a folha de coca para esse mesmo fim. Antes do advento da anestesia, as cirurgias eram um suplício para o paciente. Enlouquecer ou mesmo tentativas de suicídio eram comuns as vésperas de um intervenção cirúrgica , ou mesmo uma simples extração de dente. A anestesia foi utilizada pela primeira vez pelo cirurgião dentista Morace Welles em 1844. Ele próprio se submeteu a extração de um molar superior por seus assistentes.

Morfina – A Droga de Morfeu


Morfeu, o Deus do sono

Do descobrimento ao abuso
Século 5 AC – O grego Hipócrates, pai da medicina, já elogiava as propriedades medicinais do ópio. Por milênios a substância extraída da seiva da papoula foi usada como calmante, sonífero e anestésico.
1803 – O químico alemão Frederick Seturner isolou a morfina, uma das 20 substâncias que compõem o ópio. O nome é uma homenagem a Morfeu, o deus grego dos sonhos. Em forma de pó cristalino, podia ser comprada em qualquer farmácia e seu uso era considerado chique nos salões de baile da Europa.
1853 – Com a invenção da agulha hipodérmica, o uso da morfina injetável tornou-se um dos principais recursos contra a dor nas salas de cirurgia.
1865/1900 – A morfina era a panacéia da época. Na Inglaterra, as operárias do setor têxtil davam calmantes á base de ópio para os filhos. Dopadas, as crianças deixavam a mãe trabalhar. A maioria morreu antes de completar 2 anos de vida. No final da Guerra Civil Americana, em 1865; 400 mil soldados voltaram dos campos de batalha viciados, vítimas da chamada doença do exército.
1909 – Uma convenção internacional, assinada em Xangai na China, foi a primeira iniciativa de controlar e restringir a produção, o comércio e o uso da morfina.
Hoje – É restrita aos hospitais e os dependentes são a maioria médicos.
Especialidades médicas mais vulneráveis ao abuso de opiáceos são:
Anestesistas – No coquetel de anestésicos usado nas cirurgias, sobretudo nas operações de grande porte, essas substâncias são as mais utilizadas.
Intensivistas – Médicos que trabalham em UTIs, onde ficam os doentes mais graves, estão sempre em contato com tais substâncias.
Oncologistas – Em fase avançada, o câncer impõe as suas vítimas, sofrimentos insuportáveis. Os medicamentos mais indicados para debelar a dor são os opiáceos.
Gastroenterologistas e radiologistas – Esses médicos prescrevem a droga a pacientes que se submetem a exames dolorosos, como a endoscopia.
Segundo estudos, doses extras de analgésicos ou mesmo morfina para eliminar a dor de pacientes, não inibem o sistema respiratório, o que causaria a morte. Há casos em que pacientes tem dor sem necessidade, por receber doses insuficientes de medicações.