9372 – Saúde – Gordura na Dieta


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Escola Paulista de Medicina

Gordura na dieta virou pecado capital. Os xiitas da alimentação saudável consideram fraqueza de caráter ir à churrascaria.
A relação entre colesterol, proporção de gordura animal nas refeições e ataques cardíacos foi estabelecida a partir de dois inquéritos epidemiológicos: Seven Cities Study e Framingham Study.
A partir dos anos 1970, os Serviços de Saúde norte-americanos adotaram a política de reduzir o consumo de gorduras para no máximo 30% das calorias diárias, e o de gordura animal (saturada) para 10%, recomendações em seguida adotadas no mundo inteiro.
Nenhum estudo mais recente, no entanto, foi capaz de demonstrar a existência da associação entre o consumo de carne vermelha e o risco de doenças cardiovasculares. Sabemos, apenas, que as carnes processadas podem aumentar a probabilidade de ataques cardíacos e diabetes, relação causal atribuída à presença de nitratos e de teores exagerados de sódio nesses alimentos.
A guerra à gordura animal teve consequências inesperadas. Nos últimos 30 anos, a população americana reduziu de 40% para 30% a proporção de calorias ingeridas sob a forma de gordura, justamente o período em que se alastrou pelo país a epidemia de obesidade. Como explicar?
Talvez a razão principal seja a de que a retirada da gordura deixe a comida insossa. Para compensar, as refeições ficaram mais ricas em carboidratos e a indústria acrescentou açúcar aos alimentos.
As evidências apontam os açúcares como fator de risco para a instalação da chamada síndrome metabólica, combinação traiçoeira de hiperglicemia, hipertensão arterial, aumento de triglicérides, diminuição da fração HDL do colesterol e aumento da circunferência abdominal.
Em artigo recém-publicado no British Medical Journal, Aseem Malhotra, do Croydon University Hospital, faz o seguinte comentário: “Hoje, dois terços das pessoas admitidas em hospitais com o diagnóstico de infarto do miocárdio apresentam a síndrome metabólica. Mas, 75% desses pacientes têm níveis de colesterol total absolutamente normais. Talvez o colesterol não seja o verdadeiro problema”.

7667 – Medicina – Mortes por overdose de analgésicos crescem nos EUA


Mortes por overdose de drogas subiram pelo 11º ano consecutivo, segundo dados do governo americano. A maioria delas foram acidentes envolvendo analgésicos que causam dependência, apesar da atenção crescente para os riscos desses medicamentos.
Em 2010, segundo Frieden, houve 38.329 mortes por overdose de drogas em todo o país. Medicamentos, em sua maioria drogas prescritas, estavam envolvidos em quase 60% de mortes por overdose deste ano, ofuscando as mortes por drogas ilícitas.
O relatório foi publicado recentemente na revista científica “Journal of the American Medical Association”.
Ele detalha quais drogas estavam envolvidas na maior parte das fatalidades. Como em anos anteriores recentes, as drogas opioides –que incluem OxyContin e Vicodin– foram o maior problema, contribuindo para 3 de cada 4 mortes por overdose de medicamentos.
Frieden disse que muitos médicos e pacientes não percebem o quão viciante essas drogas podem ser, e que elas estão muitas vezes sendo prescritas para casos de dores que podem ser controladas com medicamentos menos arriscados.
Os remédios são úteis para casos de câncer, “mas, se você tem dores agudas nas costas ou enxaquecas terríveis, usar essas drogas que causam dependência pode ser perigoso”, segundo os especialistas.
Foram contabilizadas 22.134 mortes por overdose por medicamentos em 2010. Ansiolíticos, incluindo Valium, estavam entre as causas mais comuns de mortes relacionadas com medicação, envolvidos em quase 30% dos casos. Entre os óbitos relacionados com o medicamento, 17% foram suicídios.
Os dados do relatório vieram de certidões de óbito, que nem sempre são claras sobre se a morte foi um suicídio ou uma tentativa trágica de uso recreativo. Mas parece que a maioria das overdoses por analgésico foi acidental, disse Rich Zane, professor de emergência médica da Escola de Medicina da Universidade de Colorado.
Um conjunto de especialistas federais em segurança de medicamentos recomendou que o remédio Vicodin e dezenas de outros medicamentos sejam submetidos às mesmas restrições que os outros entorpecentes como oxicodona e morfina têm. Enquanto isso, cada vez mais hospitais têm estabelecido restrições mais duras em prescrições de analgésicos.
Um exemplo: o hospital da Universidade de Colorado em Aurora, EUA, está considerando uma regra que proíbe os médicos de emergência de prescrever medicamentos aos pacientes que afirmarem que perderam seus remédios para dor.