13.314 – Energia X Ambiente – Novas hidrelétricas na Amazônia podem prejudicar clima e ecossistemas


rio tapajos
Se forem em frente os atuais planos de construir centenas de hidrelétricas na Amazônia nas próximas décadas, o efeito dominó sobre todas as regiões banhadas pelo Amazonas e seus afluentes será imenso: muito menos nutrientes para os peixes e a floresta, um litoral menos produtivo e possíveis alterações climáticas que alcançariam até a América do Norte.
Esse prognóstico nada animador vem da primeira análise integrada do impacto das usinas no maior rio do mundo, conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na revista científica “Nature”.
O grupo, que inclui cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), da Universidade Federal do Amazonas e da Universidade do Texas em Austin (EUA), formulou um índice de vulnerabilidade dos rios amazônicos diante das obras atuais e futuras e concluiu que dois importantes afluentes que atravessam o território brasileiro, o Madeira e o Tapajós, estão entre os que mais sofrerão (e, aliás, já estão sofrendo) com a febre das novas hidrelétricas.
Para o coordenador do estudo, o geólogo argentino Edgardo Latrubesse, da Universidade do Texas, não se trata de impedir a geração de energia na região, mas de levar em conta os impactos dela e pensar em modelos alternativos para a Amazônia.
No caso do rio Tapajós, o principal temor está ligado ao grande número de empreendimentos hidrelétricos (90 planejados mais 28 já em funcionamento), bem como a fatores como a falta de áreas protegidas nas margens do rio e a ocupação humana já relativamente intensa na região.
Alterações de grande porte no fluxo da água e dos sedimentos pela bacia amazônica inevitavelmente vão influenciar o que acontece no oceano Atlântico quando o Amazonas deságua nele. Podem acontecer efeitos negativos nos maiores manguezais ainda intactos na América do Sul, que ficam justamente na costa amazônica.
O estudo não se limita a profetizar a catástrofe iminente, porém. Os pesquisadores propõem que só uma gestão integrada e transnacional dos rios amazônicos será capaz de evitar o mau uso desses recursos.
Para isso, o órgão ideal seria a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, que já reúne os países cujo território integra o bioma. Um painel formado por cientistas de todas essas nações poderia fornecer recomendações sobre a maneira mais racional de produzir energia, com a ajuda dos rios ou por outras fontes renováveis, como a solar e a eólica.

13.132 – Ação Humana – Civilizações pré-colombianas moldaram vegetação da Amazônia


amazonia
As florestas da Amazônia foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos, num processo que transformou boa parte da mata em gigantescos “pomares”, repletos de espécies domesticadas de árvores. O manejo habilidoso dessas plantas pelos antigos habitantes da região acabaria criando deleites gastronômicos que hoje chegam ao mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará.
Esses são os exemplos mais famosos, mas a lista completa é bem mais extensa: 85 espécies de árvores foram domesticadas em algum grau na floresta, calculam os autores de um estudo internacional que acaba de ser publicado na revista especializada “Science”.
Em alguns lugares da bacia do Amazonas, as espécies selecionadas e alteradas pela atividade humana chegam a ser as mais comuns da mata, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

HIPERDOMINANTES
Usando esses dados, um dos colaboradores da nova pesquisa, o holandês Hans Ter Steege, já tinha mostrado que, apesar dessa imensa variedade de espécies, a Amazônia abriga algumas árvores “campeãs”, conhecidas como hiperdominantes. São 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.
Ocorre que, das 85 árvores domesticadas, 20 espécies fazem parte dessa lista das hiperdominantes –cinco vezes mais do que o esperado, quando se considera o número total de espécies arbóreas da região. Outro detalhe importante é que essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes (as não domesticadas) só ocorrem em 47% da bacia.
Isso sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original –é o caso do próprio cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.
E, de fato, na maioria das áreas, a concentração de espécies moldadas pelo uso humano aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam (e ainda servem) como as principais estradas para quem circulava pela mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto– e esse processo foi fazendo com que elas se tornassem cada vez mais comuns, alterando a composição natural de espécies da floresta para que ela se tornasse cada vez mais útil para membros da nossa espécie.

CERVEJINHA
Isso significa, é claro, árvores que produziam frutos mais saborosos ou folhas e troncos mais adequados para a construção de cabanas –e mesmo as mais úteis para o preparo de bebidas fermentadas, explica Charles Clement, biólogo do Inpa e coautor do novo estudo.
“Você certamente vai tomar uma cervejinha depois de sair do trabalho hoje. Os índios também consumiam uma grande variedade de cervejas, incluindo as feitas com o fruto da pupunha, que pode ser selecionado para ser muito rico em amido, o que favorece a fermentação”, compara ele.
A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, ou seja, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos “selvagens” da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A lista de espécies inclui ainda as classificadas como parcialmente domesticadas (é o caso do cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau. O primeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.
O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, calcula que essa grande processo de “engenharia florestal” amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta –um solo muito fértil produzido pela ação humana, em parte graças à queima controlada de restos de vegetais.

10.945 – Ecologia – Formigas ajudam a reduzir pragas urbanas ao comer quilos de lixo nas ruas


Já pensou no que uma formiga pode fazer por você? Além de ter um papel fundamental no ecossistema da Amazônia, as formigas são espécies de heróis invisíveis, responsáveis por reduzir pragas urbanas ao comer o lixo que deixamos pelas ruas.
Alguns pesquisadores americanos decidiram medir o tamanho da ajuda de alguns artrópodes, filo de animais invertebrados que têm patas articuladas, como aranhas, formigas e centopeias.
A estratégia foi engenhosa. Os cientistas disponibilizaram comida em canteiros centrais e em parques de Nova York de duas maneiras: com e sem uma grade em volta. Animais maiores, como ratos, não eram capazes de se enfiar por entre as barras.
Conclusão: artrópodes conseguem contribuir tanto quanto ou até mais que roedores e outros animais maiores para a eliminação dos restos de comida.
O prêmio de artrópode do ano vai para as formigas do gênero Tetramorium. Com a ajuda delas, o time dos artrópodes consegue ter um desempenho bem melhor, consumindo 35% mais restos de comida.
O desempenho chega a impressionar no médio prazo. Os artrópodes, capitaneados pelas formigas, conseguem remover 65 kg de restos de comida por ano, especialmente salgadinhos e bolachas, por quilômetro.
Numa avenida como a Brigadeiro Faria Lima, na zona sul de São Paulo, esse esforço significa 300 kg a menos de lixo por ano.
Em toda a cidade de São Paulo, que coleta 12 mil toneladas de lixo todos os dias e tem 17 mil km de vias, esse serviço pode facilmente chegar às dezenas de milhares de toneladas de resíduos removidos por ano.
O serviço das formigas e outros artrópodes é particularmente importante porque eles impedem o crescimento da população de ratos.
Não é só nas cidades que as formigas têm papel relevante. Ele pode ser até maior do que se imagina em ecossistemas naturais como a Amazônia.
Se fôssemos capazes de pegar todos os bichos da Amazônia, colocá-los em uma sacola e pesá-la, um terço de todo o peso seria formado por formigas e cupins.
Em peso, teríamos mais formigas que vertebrados, como onças, tucanos e cobras.
Em número, não há como questionar a grandeza desses insetos. Em 1 hectare (10000 m²), há mais de 8 milhões de formigas, e uma mesma colônia pode ter mais de um milhão de indivíduos.
Além de servirem de alimento para diversos animais como pássaros, lagartos e tamanduás, as formigas acumulam a função de espalhadoras de sementes.
Frutas carnosas que caem no chão da floresta podem facilmente apodrecer, e a semente pode ser atacada por fungos. As formigas ajudam tanto ao “limpar” a semente, alimentando-se da polpa da fruta e impedindo que fungos matem o embrião contido na semente, mas também “plantando”, sem querer, a semente no formigueiro.
Mais importante ainda do que salvar e espalhar sementes, porém, é o “serviço funerário” que prestam. Ao se alimentarem das carcaças de animais e de insetos mortos, elas removem detritos e adubam o solo.
Algumas espécies de formigas também são excelentes caçadoras, controlando pragas agrícolas.
Kleber Del Claro, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia, afirma que as formigas predam o bicudo-de-algodoeiro, um besouro que causa perdas anuais de vários milhões de dólares, e só com a ajuda das formigas é possível reduzir o prejuízo em 30%. Também não é incomum vê-las atacando gafanhotos ou minhocas.

formigas cidade

10.174 – Experimento na Amazônia vai testar reação da floresta ao aquecimento global


amazonia grafico

Cientistas começaram nesta semana a tirar medidas de árvores num pedaço de mata 60 km ao norte de Manaus, dando início ao mais ambicioso experimento projetado na Amazônia em 20 anos.
O projeto Amazon Face tentará responder à pergunta que mais atormenta ecólogos da região: a floresta sobreviverá às secas que virão com o aquecimento global?
Liderado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e contando com mais 14 centros de pesquisa, o experimento consiste em bombear CO2 permanentemente sobre alguns pedaços de floresta.
Sob concentração de gás carbônico elevada, árvores teriam a fotossíntese intensificada, o que compensaria o déficit de crescimento e a morte causados pela seca.
“Os modelos [simulações computacionais] que vem sendo rodados mostram que o efeito de fertilização de CO2 seria o fiel da balança para manter a floresta em pé”, explica o ecólogo David Lapola, diretor do experimento. “Mas isso é mera especulação ainda. A resposta não virá sem um experimento assim.”
O Amazon Face será o primeiro experimento do tipo num ecossistema tropical. Sua primeira fase será realizada de 2015 a 2017. Depois de ampliado, deve operar até 2027. Para bombear o CO2 sobre as plantas, serão erguidas torres ligadas a um tanque de gás carbônico líquido.
Durante a duração do experimento, a concentração de gás carbônico será 200 ppm (partes por milhão) maior que a natural –um aumento de 50% em termos atuais.
Inicialmente, o CO2 líquido para o experimento será comprado de um fornecedor que abastece fábricas de refrigerante em Manaus. Para a fase final, Lapola ainda avalia a possibilidade de receber ajuda da Petrobras, que forneceria o gás natural necessário à produção do CO2 líquido –responsável por 62% do custo do experimento.
O local de construção das torres, administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, já foi estudado em outros projetos. Há dados locais colhidos desde 1996, vitais para saber quão impactado será o crescimento de árvores sob o experimento.
Para saber se a “fertilização de CO2” aliviará a seca e o aumento de temperaturas, porém, será preciso alimentar modelos computacionais, que permitirão comparar diferentes efeitos previstas com o aquecimento global.
“Se tivermos ‘sorte’, pode ocorrer uma grande seca na Amazônia durante o experimento, o que nos permitiria comparar diferentes períodos entre si”, diz Richard Norby, do Laboratório Nacional de Oak Ridge (EUA), colaborador do experimento.
Um dos arquitetos do projeto, o climatologista Carlos Nobre, secretário de políticas e programas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, defende o Amazon Face como um marco de maturidade da ciência nacional.

10.084 – A Zona Franca de Manaus


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É uma zona franca da cidade de Manaus, criada em 1967 pelo governo federal para impulsionar o desenvolvimento econômico da Amazônia Ocidental. Administrado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), o pólo industrial abriga na atualidade (2012) cerca de 600 indústrias,1 especialmente concentradas nos setores de televisão, informática e motocicletas.Empregando cerca de 110 mil trabalhadores. Nos últimos anos, o pólo recebeu um novo impulso com os incentivos fiscais para a implantação da tecnologia de TV digital no Brasil.
As indústrias não recebem qualquer incentivo para se instalar na Zona Franca de Manaus. Entretanto, uma vez instaladas, recebem:
Isenção do imposto de importação, que permite que empresas atuem como montadoras usando tecnologia internacional;
Isenção do imposto de exportação;
Desconto parcial, fornecido pelo governo estadual, no imposto de circulação de mercadorias e serviços (ICMS);
Isenção por dez anos, fornecido pelo município, de IPTU, da taxa de licença para funcionamento e da taxa de serviços de limpeza e conservação pública.
Contudo, mesmo com os incentivos fiscais, o polo é uma importante e crescente fonte de arrecadação pública: em 2006, o Estado do Amazonas arrecadou, das empresas do polo, R$ 3,6 bilhões (com aumento de 71,52% em relação a 2002) e o Governo Federal arrecadou R$ 6,8 bilhões (alta de 102,86% em relação a 2002).
A Zona Franca de Manaus é gerida e fiscalizada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). Para que novas empresas possam se instalar no polo é necessário apresentar projeto ao órgão.
A principal crítica ao polo e à zona franca é que sua localização, carente de infraestrutura logística e de transporte, acaba anulando os efeitos das isenções fiscais, aumentando o preço dos produtos lá produzidos e diminuindo, assim, sua competitividade.

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9827 – Pesquisadores descobrem 169 espécies na Amazônia


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Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi anunciaram nesta terça-feira a descoberta de 169 novas espécies da fauna e da flora amazônica. O levantamento foi concluído após quatro anos de trabalho.
Entre os achados, estão catorze plantas e 155 animais, sendo a maioria (112) de aracnídeos. Há ainda doze espécies de peixes, dez de aves, dez de anfíbios, seis de répteis, quatro de dípteros (grupo dos mosquitos e moscas) e um mamífero — um pequeno primata.
Segundo os pesquisadores, o fato de haver muito mais invertebrados entre as espécies de animais descobertas não é uma surpresa, já que eles ocorrem em maior quantidade na natureza. As descobertas nessa área sempre foram mais lentas, tanto pelas inúmeras dificuldades em estudar animais tão diminutos quanto pelo pouco interesse do público em espécies que não estão claramente à vista.
Entre os animais maiores descritos, destaca-se um novo macaco, o Mico rondoni, que, como o nome leva a entender, existe somente em Rondônia, na área entre os Rios Mamoré, Madeira e Ji-Paraná. Por muito tempo ele foi confundido com outra espécie, o Mico emiliae, que vive no Pará. A nova espécie está ameaçada pelo desmatamento no Estado.

9774 – Falta de chuva faz floresta realimentar efeito estufa


amazonia

Se a floresta amazônica fosse uma pessoa, seria um fenômeno: quando bebe, seu hálito melhora; quando se abstém, ele piora.
E o mau hálito da Amazônia, com seus 6,8 milhões de km², pode empestear o ar do planeta inteiro, agravando o efeito estufa.
Num ano normal, com muita chuva, a floresta quase não emite gases do efeito estufa, como o CO2 (dióxido de carbono, que na verdade não tem cheiro). Num ano seco, lança na atmosfera tanto CO2 quanto o Brasil inteiro.
A revelação está num estudo pioneiro sobre o bafo da floresta, o primeiro a medir sua composição na escala de toda a bacia amazônica.
A pesquisa –que tem entre os autores principais uma química brasileira, Luciana Vanni Gatti– está na capa do periódico “Nature” de hoje.
Gatti organizou 160 voos, em 2010 e 2011, em quatro áreas da floresta. Eles serviram para coletar amostras de ar em altitudes de 300 m a 4.400 m acima do nível do mar.
Em 2010, um ano com chuvas muito abaixo da média, os dados indicam que a Amazônia emitiu 480 milhões de toneladas de carbono na atmosfera. Em 2011, que teve chuvas acima da média, a emissão foi quase neutra, com 60 milhões de toneladas.

Verdades do Verde
A pergunta estampada na capa da revista –”sumidouro ou fonte?”– trata do grande mistério da Amazônia: se a maior floresta tropical do mundo mais retira do que lança carbono na atmosfera.
Estima-se que a Amazônia guarde 120 bilhões de toneladas de biomassa acima do solo. Ou seja, sem contar raízes e o que mais houver de matéria orgânica abaixo dele.
É um bocado de carbono estocado. Ao fazer fotossíntese, as árvores retiram CO2 do ar e, com isso, contribuem para contrabalançar as emissões produzidas pela humanidade com a queima de combustíveis fósseis. Com a respiração da floresta, de noite, mas em especial com o desmatamento e as queimadas, o sinal se inverte.
Daí se originou o mito da Amazônia como “pulmão verde” do mundo. Na realidade, a questão não é se a mata produz oxigênio, como entendeu mal um repórter da agência UPI ao entrevistar o cientista alemão Harald Sioli, em 1971, mas, sim, que ela vai agravar o efeito estufa, se destruída.
O estudo de Gatti não oferece resposta conclusiva sobre o balanço de carbono, pois, com a grande variação do comportamento da floresta, dois anos de medições são insuficientes para indicar uma tendência. Mas surgiram pistas importantes.
Primeiro, a pesquisa deixa claro que é possível medir concentrações de gases do efeito estufa nos quatro quadrantes da floresta e extrapolar os resultados para todo o bioma. Até agora, as medidas tomadas em uma dúzia de torres de pesquisa espalhadas pela Amazônia não haviam permitido traçar essa radiografia, porque captam só os fenômenos num raio de poucos quilômetros.
A outra pista, bem menos animadora, está no estresse da floresta causado pelas secas, que devem tornar-se mais frequentes com o aquecimento global.

9688 – Biodiversidade – Descoberta nova espécie de boto no Rio Araguaia


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Cientistas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) descobriram uma nova espécie de boto, a primeira descoberta desse gênero desde 1918. Eles suspeitam, no entanto, que a nova espécie encontrada já tenha vindo à tona sob risco de extinção.
No estudo publicado na revista especializada Plos One, os pesquisadores da UFAM dizem que a espécie batizada como boto do Araguaia é uma das cinco integrantes do gênero que também inclui o boto cor-de-rosa, da Amazônia. Os pesquisadores estimam que haja apenas mil botos dessa espécie vivendo no rio Araguaia.
O boto do Araguaia teria se diferenciado dos outros familiares do gênero há mais de dois milhões de anos, segundo o pesquisador Tomas Hrbek.
“Foi tudo muito inesperado. É uma área onde as pessoas veem eles o tempo todo, já que são mamíferos grandes. Mas ninguém tinha notado (que era uma outra espécie)”, disse.
As diferenças com o boto cor-de-rosa seriam o número de dentes. A nova espécie também seria menor. Mas, a maioria das diferenças foram encontradas nos genes do animal.
Ao analisar amostras de DNA de dezenas de botos dos dois rios, os pesquisadores concluíram que o do rio Araguaia era mesmo uma nova espécie.
Mas, mesmo depois destas análises, ainda pode haver questionamento.
“Em ciência você nunca pode ter certeza de nada”, disse Hrbek.
“Analisamos o DNA mitocondrial, o que é, essencialmente, análise de linhagens, e não há compartilhamento de linhagens. Os grupos que vimos, os haplótipos, têm uma relação muito mais próxima entre eles do que entre outros grupos. Para isto acontecer, os grupos devem ter ficado isolados uns dos outros por um período longo”, acrescentou.
“A divergência que observamos é maior do que as divergências observadas entre outras espécies de golfinhos”.
Os pesquisadores temem pelo futuro do boto do Araguaia, pois parece haver pouca diversidade genética entre esses botos devido à população reduzida. Os maiores riscos são trazidos pela ocupação humana na região.
Para os pesquisadores, devido a esses motivos, o novo boto deveria ser incluído na lista de espécies em maior risco de extinção.
Os golfinhos de rio, ou botos, estão entre as espécies mais raras do mundo.
Segundo a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), das quatro espécies de botos já conhecidas, três estão na lista de grande risco de extinção, a chamada Red List.
Os botos são parentes distantes dos golfinhos encontrados nos oceanos. Eles têm bicos mais longos para poder caçar peixes no fundo dos rios, em meio à lama e lodo.
Uma das espécies mais conhecidas é o boto do Yangtze, ou baiji, que teria sido extinto em 2006.
Já o boto-cor-de-rosa do Amazonas é considerado uma das espécies mais inteligentes de todos os botos.

9580 – Biologia – Peixe-Boi: Sereias Obesas?


Quando o navegador Cristóvão Colombo estava voltando para a Europa, depois de descobrir a América, observou três sereias no mar. Mas, segundo ele mesmo anotou em seu diário, elas “não eram tão bonitas como pintam”. Claro. Colombo provavelmente tinha avistado uma família de peixes-bois, um dos mais estranhos mamíferos sobre a Terra.
Por pouco, esse parente do elefante, que chega a medir 4,5 metros e a pesar tanto quanto um Fusca, não virou um personagem restrito aos livros de história. Há duas décadas, o peixe-boi estava na beiradinha da extinção – o coitado, além de não ter nenhuma agilidade ou astúcia especial para escapar da sanha dos pescadores, nasceu com o azar de ter uma carne deliciosa, muito apreciada pelos gourmets da selva. Hoje, os peixes-bois já são criados em cativeiro e uma ampla campanha de educação convenceu comunidades do Brasil todo a abandonar a pesca. A situação é crítica, mas tudo indica que haverá “dessas” sereias para assustarem nossos netos.
Tudo graças aos serviços prestados pela ONG Projeto Peixe-Boi, cuja história repleta de vitórias é contada em Peixe-Boi (DBA), escrito pelo jornalista ambiental Sérgio Túlio Caldas e belamente ilustrado pelas fotos de Luciano Candisani. O volume contém ainda toda informação imaginável sobre esse simpático e pacato bicho, desde a história dos encontros dele com o ser humano até detalhes da sua singular biologia. Livro ideal para ler e deixar enfeitando, de forma ecologicamente correta, a mesa da sala de estar.

9406 – Projeções – Em quanto tempo a Amazônia acabará?


Considerando a extinção de 100% da floresta e a atual taxa de devastação, de cerca de 0,2% ao ano, levará em torno de dois séculos. Mas alguns cientistas defendem que se o homem detonar entre 30% e 40% da Amazônia, ela entrará em um processo irreversível de destruição e desertificação. Assim, se a taxa continuar em torno de 0,2% ao ano, este futuro negro se concretizará em 2053. Se o ritmo de desmatamento voltar ao de 1995, quando atingiu o pico de 0,75%, o verde sumirá em pouco mais de uma década! “Por isso, é fundamental manter a taxa baixa (0,1%) e, até 2020, eliminar de vez o desmatamento”.

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8953 – Crescimento Econômico – De ☻lho na Amazônia


Foz do Amazonas, imagem da Nasa. Observe a quantidade de água barrenta lançada no Atlântico
Foz do Amazonas, imagem da Nasa. Observe a quantidade de água barrenta lançada no Atlântico

Nos anos de 2010, o Brasil iniciou o projeto de concessão de áreas da floresta amazônica como estratégia de desenvolvimento sustentável na região. A proposta inicial do governo é implantar um conjunto de políticas de concessão de florestas nacionais para a exploração comercial de madeireiras.
A expectativa é que a concessão seja outorgada pelo governo por intermédio de valores que realmente compensem, por meio de edital e leilão público, para que não haja perda ambiental e de direitos da sociedade civil. Os editais devem respeitar o código florestal, e não permitir transferências indevidas de recursos públicos para a iniciativa privada.
Também deve impedir o desperdício de recursos naturais, principalmente a geração de riscos à espécies da fauna e flora. Os editais de concessão visam somente a valorização financeira de cada hectare concedido pelo governo para a exploração, sem detalhar o valor ambiental, biológico e geológico.
Torna-se necessário prever os benefícios ambientais e sociais da exploração, para não haver incertezas para as comunidades que vivem ao redor das florestas e o próprio meio ambiente.
No mês de setembro de 2013, o SFB (Serviço Florestal Brasileiro) lançou o terceiro edital do ano para a concessão de exploração de áreas florestais da Amazônia. Inicialmente, foram outorgados regiões da Floresta Nacional de Altamira, no Pará, com área de 360 mil hectares. A previsão é a de novos editais para conceder direito de exploração em mais de 1 milhão de hectares na Amazônia.
Segundo o governo, o principal objetivo das concessões é organizar a atividade madeireira e incentivar a economia florestal sustentável, permitindo a extração e venda de madeira legal, com origem rastreada, com geração de empregos e renda para as regiões situadas na Amazônia.
Historicamente, o desordenamento territorial gerou conflitos, desmatamentos ilegais, venda de madeira ilegal, grilagem de terras e posses não autorizadas. Atualmente, na Amazônia há propriedades privadas, mas o governo ainda é o maior detentor de terras na região amazônica.
Até 2013, o SFB editou 200.000 hectares de floresta para concessão, predominantemente, nas florestas nacionais do Jamari, em Rondônia, e de Saracá-Taquera, no Pará.

8657 – Planeta Verde – Floresta e cerrado sob risco de extinção


Planeta Verde
As projeções são alarmantes. Segundo estudos recentes, o cerrado corre sérios riscos de desaparecer até 2030, enquanto a Amazônia não veria o alvorecer do próximo século.
Dois dos maiores biomas (nome dado a regiões onde predomina um conjunto de espécies de fauna e flora) do país, o cerrado ocupa 2,04 milhões de km2 (22% do território brasileiro), enquanto a floresta Amazônica responde por 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil).
Coincidentemente os dois alertas foram dados em julho passado. Primeiro, a revista Nature publicou nota sobre um estudo feito pela ONG Conservação Internacional (CI) revelando que cerca de 20 mil km2 de cerrado são destruídos todos os anos para dar lugar ao cultivo de soja, trigo e algodão. “É o equivalente a 2,6 campos de futebol por minuto”, diz o biólogo Ricardo Machado, um dos autores do estudo. Os pesquisadores compararam imagens de satélites de 2002 com dados de 1993. Naquele ano, 49% da área total do cerrado havia sido destruída. Em 2002, a devastação chegou a 54%. Nesse ritmo o cerrado poderá acabar em 2030, dando lugar a áreas agrícolas e urbanas.
O mais irônico dessa história é que, se o cerrado sumir, ele poderá ressurgir em outra região do país, como fruto de mais um desastre ecológico: a devastação da floresta Amazônica. Em estudo recente, o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre analisou como a floresta tem interagido com o clima nos últimos 20 mil anos e fez uma projeção. “O aquecimento global e o crescente desmatamento podem trazer mudanças climáticas importantes, principalmente com a diminuição de chuvas”, afirma. Com isso, ele prevê que a densa floresta possa dar lugar a uma vegetação típica do cerrado.
Para evitar que isso aconteça, é preciso agir em duas frentes. “A primeira é acabar com a exploração ilegal de madeira, que responde por até 80% dos desmatamentos. A outra é lutar para que a emissão de poluentes, que provoca a elevação da temperatura, seja reduzida”.

Glossário:
A FLORESTA AMAZÔNICA É…
• Principal bioma do país, ocupa uma área de 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil, nove Estados) e tem um quinto da disponibilidade mundial de água doce
• Abriga cerca de 30 mil espécies de plantas, o que corresponde a 10% de todo o planeta. Só em árvores há cerca de 5 mil espécies
• Conta com, no mínimo, 1 300 espécies de peixes. Mas esse número pode ser 40% maior, já que nem todos são conhecidos.
O CERRADO É…
• Segundo maior bioma do Brasil, estende-se continuamente por 11 estados, contabilizando 2,04 milhões de km2 (22% do território nacional)
• Reúne 112 espécies animais ameaçadas de extinção
• Espécie de “caixa-d’água” da América do Sul, abriga nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai.

7744 – As Verdades do Verde


Planeta Verde

Em novembro de 1971, o biólogo alemão Harald Sioli, do Instituto Max Planck, então fazendo pesquisas na Amazônia, foi entrevistado por um repórter de uma agência de notícias americanas. O jornalista estava interessado na questão da influência da floresta sobre o planeta e o pesquisador respondeu com precisão a todas as perguntas que lhe foram feitas. Mais tarde, porém ao redigir a entrevista, o repórter acabou cometendo um erro que ajudaria a criar um dos mais persistentes mitos sobre a floresta amazônica. Numa de suas respostas, Sioli afirmara que a floresta continha grande porcentagem de dióxido de carbono (CO2) existente na atmosfera. No entanto, ao transcrever a declaração, o jornalista esqueceu a letra C – símbolo do átomo de carbono – da fórmula citada pelo biólogo, que ficou no texto como O2, o símbolo da molécula de oxigênio.
A reportagem com o oxigênio no lugar do dióxido de carbono foi publicada pelo mundo afora e assim, da noite para o dia, a Amazônia se tornou conhecida como “pulmão do mundo” – uma expressão de grande impacto emocional que tem ajudado a semear a confusão no debate apaixonado sobre os efeitos ambientais em larga escala da ocupação da floresta. É um debate em que, por enganos, como aquele, maus argumentos acabam sendo usados para escorar uma causa justa. As organizações de defesa da ecologia misturam às vezes no mesmo balaio fatos e fantasias ao alertar para os perigos das queimadas da floresta amazônica – até porque os dados e conceitos capengas sobre o assunto só levam água para o moinho daqueles que não querem que se faça alarde algum sobre as agressões à natureza que ali se cometem.
De resto, não é tão simples assim achar as verdades definitivas sobre o papel que a floresta desempenha no quebra-cabeça ambiental, num mundo assolado por espectros do tipo efeito estufa, desertificação, chuva ácida e destruição da camada de ozônio, para citar apenas os mais assustadores. As teimosas referências ao “pulmão do mundo”, nesse contexto, são exemplares. Pois a floresta amazônica, simplesmente, não é o pulmão do mundo. E o motivo não é difícil de entender. As árvores, arbustos e plantas de pequeno porte, da mesma forma que os animais, respiram oxigênio durante as 24 horas do dia. Na floresta, a quantidade desse gás produzida de dia pelas plantas é totalmente absorvida durante a noite, quando a falta do sol interrompe a fotossíntese. Os vegetais são capazes de criar eles próprios os alimentos de que precisam. O responsável por essa característica é justamente a fotossíntese.
Na presença da luz solar, graças a uma molécula chamada clorofila, que lhes dá a coloração verde característica, as plantas, incluindo as algas e o plâncton marinho, retiram da atmosfera dióxido de carbono e o transformam em carboidratos, principalmente glicose, amido e celulose. Desta sucessão de reações químicas, sobra o oxigênio, do qual uma parte é aproveitada para os processos respiratórios dos vegetais e outra é lançada na atmosfera. Quando a planta é jovem, em fase de crescimento, o volume de oxigênio produzido na fotossíntese é maior que o volume necessário à respiração. Nesse caso, a planta produz mais oxigênio do que utiliza.
As florestas são grandes fixadoras do carbono existente na atmosfera. Somente as matas tropicais contêm cerca de 350 milhões de toneladas de carbono, aproximadamente a metade do que há na atmosfera. Ora, o ciclo deste elemento químico está saturado no planeta, como dizem os especialistas. Devido à queima de combustíveis fósseis – gás, carvão e petróleo -, o carbono se acumula cada vez mais na atmosfera na forma de dióxido de carbono, metano e compostos de clorofluorcarbono. Esse acúmulo é responsável pelo chamado efeito estufa, o aprisionamento de energia radiante que, se suspeita, tende a aumentar a temperatura global da Terra, com efeitos catastróficos também para o homem.
Uma controvérsia que freqüentemente aquece a discussão sobre a floresta amazônica diz respeito à parte que cabe às queimadas na região na acumulação de CO2 na atmosfera. Os cálculos mais aceitos dizem que as queimadas liberam 200 milhões de toneladas de carbono por ano, ou seja, 4 por cento da emissão total. Segundo Molion, do INPE, os desmatamentos por queimadas de todas as florestas do globo contribuem com 16 por cento do acúmulo de dióxido de carbono. Mesmo que toda a floresta amazônica fosse queimada, especula o meteorologista, “o aumento da concentração do gás seria da ordem de 2 por cento”. Dito desse modo, pode-se ter a impressão de que pouco importa para o clima planetário haver ou não uma Amazônia. Nada mais errado – e perigoso. Pois, além de serem controladores do efeito estufa, as florestas – no caso, somente tropicais – podem exercer enorme influência sobre o clima do globo. A Amazônia, ainda segundo Molion, é uma grande máquina de produzir calor. Daí seu papel decisivo para manter estável o clima nos países do hemisfério norte.
A produção de calor na floresta resulta das altas taxas de evaporação e transpiração no local. Na Amazônia, cerca de 80 a 90 por cento de energia disponível é consumida nesses processos. Quando o vapor de água se condensa para formar nuvens, libera a mesma quantidade de energia que foi necessária à sua evaporação. À medida que as nuvens crescem, vão convertendo mais vapor em gotas de água, aquecendo a atmosfera circundante. Há dias na Amazônia em que a temperatura nas camadas mais altas – cerca de 10 mil metros do solo – chega a aumentar 30 graus. Essa fantástica quantidade de calor é então transportada para fora dos trópicos, rumo ao hemisfério norte.
Além da Amazônia, existem duas outras grandes fontes de calor no planeta. Uma é a floresta tropical da bacia do rio Congo, na África Central. A outra é de origem oceânica: uma região do Pacífico próxima ao norte da Austrália e à Indonésia, onde uma confluência de correntes faz com que a temperatura da água esteja sempre entre os 27 e 31 graus. As altas temperaturas fazem com que as taxas de evaporação sejam igualmente elevadas, promovendo a formação de nuvens e a conseqüente produção de calor. A destruição da floresta poderia alterar dramaticamente o clima dos países do hemisfério norte, segundo os climatologistas.
Toda floresta é um ecossistema extremamente complexo. Para o ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade de São Paulo, as florestas constituem o ponto final do processo evolutivo dos ecossistemas terrestres no planeta. “Estes representam o máximo de vida possível em um determinado espaço”, diz ele. “A tendência natural da vida na Terra é produzir florestas”. Existem três grandes tipos de floresta no mundo – a boreal, encontrada nas altas latitudes do hemisfério norte; as temperadas, que existem nos Estados Unidos, norte da Europa e na Ásia; e as tropicais, mais próximas do equador, que cobrem 7 por cento da superfície da Terra e abrigam pelo menos a metade das espécies do planeta.
Cada qual tem suas especificidades e características próprias, mas as três apresentam uma coisa em comum: são exemplos bem-sucedidos da colonização de extensas áreas pelos vegetais. A floresta amazônica provavelmente é melhor exemplo. Arraigada a solos pobres em minerais e material orgânico, a floresta não só se auto-sustenta e se mantém, como também exibe uma exuberância e uma riqueza de espécies inigualável em todo o planeta. Estimativas talvez até conservadoras dizem que a Amazônia abriga cerca de 80 mil espécies vegetais e possivelmente 30 milhões de espécies animais – a grande maioria insetos.
Examinada mais de perto, a floresta amazônica parece um paradoxo ecológico. De fato, como a maior floresta do mundo consegue existir em solos tão ralos e secos, que não chegam a oferecer sustentação às plantas, obrigadas então a espalhar suas raízes para adquirir estabilidade? Milhões de anos de chuva levaram os solos antigos da Amazônia, que na sua configuração atual existe há uns 15 mil anos, transportando para os rios e depois para o mar toda a sua riqueza mineral. Para enfrentar o problema, os vegetais parecem ter inventado esquemas alternativos de sobrevivência. Em resumo, aprenderam a se alimentar por si mesmos.
Cada espécie tem suas características próprias quanto à disposição das raízes no solo e ao aproveitamento dos nutrientes. Assim, quanto maior a diversidade numa área, maior o aproveitamento de todos. Praticamente nada é perdido. Na Amazônia, a competição parece ter alcançado um estágio de requintado equilíbrio. A variedade de espécies vegetais só é igualada pela de insetos, vermes e outros ínfimos seres que constituem a microfauna da floresta. Em cada hectare podem ser encontradas cerca de 120 toneladas dessas formas de vida. Outra região de floresta tropical, a ilha de Barro Colorado, na zona do canal do Panamá, hospeda cerca de 20 mil espécies de insetos. Para se ter idéia do que isso significa, em toda a França, por exemplo, não existem mais que algumas centenas. A grande diversificação de espécies, para os cientistas, é o que constitui a maior riqueza das florestas tropicais.

Oxigênio um presente dos mares.
Se a Amazônia não é o pulmão do mundo, qual é então? Afinal, o que produziu o oxigênio da atmosfera da Terra e ainda mantém os seus níveis praticamente constantes? A maior parte da teorias afirma que o oxigênio foi originalmente levado à atmosfera pelo processo da fotossíntese. Portanto, segundo essa hipótese, foram os vegetais primitivos, as algas e o fitoplâncton – pequenos organismos que vivem, aos milhões, suspensos na água do mar – os responsáveis pela produção e acúmulo do gás na atmosfera terrestre.
Uma das barreiras ao desenvolvimento da vida no planeta há cerca de 1 bilhão de anos, era a intensidade das radiações ultravioleta da luz solar. Nessa época, o fitoplâncton e as algas somente conseguiam sobreviver a grandes profundidades. Quando, graças à atividade fotossintética, o oxigênio atmosférico chegou a 1 por cento de seu nível atual, há aproximadamente 800 milhões de anos, foi possível a formação de moléculas de ozônio (O3) em número suficiente para filtrar os raios ultravioleta. Isso permitiu que o fitoplâncton migrasse para as camadas superiores dos mares, mais iluminadas pelo Sol. O resultado foi um aumento exponencial da fotossíntese nos oceanos, levando à rápida formação do oxigênio.
Outras teorias sustentam que o oxigênio, ou pelo menos a maior parte dele, teve origem inorgânica, a partir da fotodissociação da molécula de água. A fotodissociação consiste na separação de um átomo de oxigênio da molécula H2O, devido às radiações ultravioleta. Embora essa hipótese tenha seus defensores, as evidências fósseis e geológicas indicam que o oxigênio teve mesmo origem nos oceanos, confirmando a vocação da água como a grande fonte de vida na Terra.

7554 – Efeito climático pode ter matado 17% mais árvores na Amazônia


Um estudo realizado em conjunto entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros aponta que o número de árvores mortas na Amazônia por conta de tempestades, secas e outros fenômenos climáticos é subestimado em análises tradicionais, podendo ser de 9% a até 17% maior do que o previsto anteriormente.
A mortalidade destas árvores tem sido ignorada porque as análises comuns se baseiam apenas em trabalho de campo e em inventários florestais.
A pesquisa foi publicada nesta semana no site da renomada revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, mantida pela Academia Americana de Ciências. Além do Inpa, também participaram cientistas da Universidade da Califórnia, da Universidade Tulane e do Laboratório Nacional de Berkeley, todos nos EUA, além de pesquisadores do Instituto Max Planck para Biogeoquímica, na Alemanha.
Para dar uma ideia da força que eventos meteorológicos têm sobre a Amazônia, Higuchi citou como exemplo uma grande tempestade ocorrida na floresta, em janeiro de 2005, que destruiu mais de 500 milhões de árvores segundo suas contas. O fenômeno teve rajadas de vento de até 140 km/h.
Para fazer uma avaliação mais precisa do número de árvores destruídas por fenômenos climáticos e de sua contabilização nas emissões de CO2 pela floresta, os cientistas desenvolveram uma nova ferramenta que combina imagens de satélite da Amazônia e levantamentos “in loco”.
Batizado de Trecos (“Tropical Tree Ecosystem and Community Simulator”, no nome em inglês), o modelo foi preparado com imagens de satélite de uma série histórica com mais de 20 anos.
A Amazônia vai ser cada vez mais vítima de efeitos agravados das mudanças climáticas, como secas prolongadas, diz o pesquisador brasileiro. No sul do Pará, principalmente, estiagens costumam ser extensas.
Ele pondera que fenômenos como o El Niño estão afetando a Amazônia de maneira cada vez mais irregular.

Seca no Rio Branco
Seca no Rio Branco

5586 – Fauna Brasileira – O Boto Cor de Rosa


Eis o boto

É um golfinho fluvial presente nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, pertencente à família dos iniídeos. Partilha parte da área de ocorrência com o tucuxi (Sotalia fluvitialis), que não é um golfinho estritamente fluvial.
A família Iniidae possui um único gênero vivente, o Inia, que, por sua vez, possui uma espécie, o Inia geoffrensis, com três subespécies amplamente aceitas (Wilson e Reeder 2005):
Inia geoffrensis geoffrensis – bacia do Amazonas;
Inia geoffrensis boliviensis – região do baixo Madeira, abaixo das cachoeiras de Teotônio, entre Guajará-Mirim e Porto Velho.
Inia geoffrensis humboldtiana – bacia do Orinoco.
Classificações mais antigas, como Rice (1977) e Nowak (1999), consideram a população boliviana como uma espécie separada, o Inia boliviensis.
Rostro curto, melão bem destacado, olhos pequenos, corpo pequeno, nadadeira dorsal reduzida a uma corcova baixa, nadadeiras peitorais largas, achatadas e flexíveis, a dentição é do tipo heterodonte. A sua parte superior é cinza, enquanto que o ventre é branco, tendendo para o avermelhado.
O boto-cor-de-rosa está no amplamente distribuído pelos principais rios das bacias do Amazonas e Orinoco, através da Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, podendo ser encontrado nos rios principais, tributários, lagos e nas épocas de cheia, nas planícies e florestas inundadas. Não tolera águas salobras: por isso, não é encontrado nos estuários tanto do Amazonas quanto do Orinoco.
Os botos da bacia amazônica estão ameaçados de extinção. Alguns indivíduos se enroscam nas redes de nylon e morrem, ou são pescados para, com os olhos, se fazer amuletos.
Além disso, se usa sua parte genital como amuleto para a sorte no amor.
Ainda, a população ribeirinha os caça para fazer rituais religiosos.
Alguns botos foram encontrados mortos com suas nadadeiras retiradas e um nome escrito com uma faca em sua cauda.
Em outros países no qual ocorre como a Colômbia, Equador e Peru este animal possui o nome de bufeo colorado. Seu nome no idioma inglês é Pink Dolphin o qual devido a traduções se tornou boto cor-de-rosa em terras brasileiras, porém pelos ribeirinhos da região amazônica seu nome é boto ou boto vermelho.
O boto é um golfinho que vive em ambientes fluviais, não correndo em ambientes marinhos. Dentre os golfinhos de rios, o boto é o maior deles podendo atingir nos machos cerca de 2,55 metros de comprimento de corpo e ter um peso corporal de 200 kg, e para as fêmeas estes valores máximos é de 2,25m de comprimento de corpo e peso corporal de 150 kg. Esta diferença no tamanho e no peso corporal mostra que para esta espécie existe um dimorfismo sexual em relação ao tamanho do corpo.
Os botos possuem o corpo muito fléxivel devido ao fato de vivirem em ambientes fluviais, onde precisam ser ágeis para desviar de obstáculos e para capturar suas presas. As nadadeiras peitorais são grande e podem realizar movimentos para trás com facilidade o que ajuda o boto a se movimentar no meio de raízes e troncos de árvores caídos nos ambientes onde vivem.
A coloração dos botos varia com a idade. Nos neonatos (recém nascidos) e indivíduos jovens a coloração é cinzenta escura. Os adultos adquirem uma coloração rosada. Nos machos essa cor é ainda mais intensa.
O boto possui uma grande distribuição dentro da bacia amazônica. Ocorre em cerca de 6 países da América do Sul: Colômbia, Bolívia, Brasil, Venezuela, Peru e Equador. Sua área de ocupação é de cerca de 7 milhões de km². O boto possui hábitos sociais de formação de grupo, porém estes grupos são formados com poucos indivíduos, entre 4 animais ou mais. A maioria dos grupos são de dois animais, no qual incluiria as fêmeas e seu filhote.
Quando em atividade de forrageio, estes animais possuem hábitos de se alimentar solitáriamente, podendo em alguns casos ocorrer a formação de grupos maiores para maximizar a captura do alimento. Eles se alimentam de peixes, sendo que estudos da ecologia alimentar mostra que este golfinho se alimenta de cerca de 50 espécies de peixes, alguns com valores comerciais.

5468 – Geografia do Brasil – Rondônia


Cacoal, no meio da Amazônia

Está localizado na região Norte e tem como limites os estados do Mato Grosso (a leste), Amazonas (ao norte), Acre (a oeste) e a República da Bolívia (a oeste e sul). O estado possui 52 municípios e ocupa uma área de 237.576,167 quilômetros quadrados, sendo aproximadamente cinco vezes maior que a Croácia, e mais de duas vezes maior que a Bulgária. Sua capital e maior município é Porto Velho. Outras cidades importantes são: Ariquemes, Cacoal, Guajará-Mirim, Espigão do Oeste, Jaru, Ji-Paraná, Rolim de Moura e Vilhena.
Com 1.576.423 habitantes (IBGE/2011), Rondônia é o 3º estado mais populoso e o mais denso da região Norte, sendo o 23º mais populoso do Brasil. A população rondoniense é uma das mais diversificadas do Brasil, composta de migrantes oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais destacam-se os paranaenses, paulistas, mineiros, gaúchos, capixabas, baianos e matogrossenses (cuja presença é marcante nas cidades do interior do estado), além de cearenses, maranhenses, amazonenses e acreanos, que fixaram-se na capital, preservando-se ainda os fortes traços amazônicos da população nativa nas cidades banhadas por grandes rios, sobretudo em Porto Velho e Guajará-Mirim, as duas cidades mais antigas do estado.
O antigo território do Guaporé, criado pelo decreto-lei nº 5.812, de 13 de setembro de 1943, chamou-se Rondônia desde 17 de fevereiro de 1956, em homenagem ao sertanista brasileiro Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), desbravador da região, Guaporé, rio entre o Brasil e a Bolívia, é, segundo o naturalista alemão von Martius (1794-1868), o tupi wa “campo” e poré “catarata”, isto é, “cachoeira do campo, rio campestre”. Como em muitos casos da geonímia, o nome Guaporé designou inicialmente o rio, passando em seguida a se referir à região.
O estabelecimento definitivo do antigo território do Acre, em 1903, deu impulso ao desenvolvimento da região, pois o Tratado de Petrópolis obriga o Brasil a construir a ferrovia Madeira-Mamoré. A rede telegráfica estabelecida pelo marechal Cândido Rondon foi outro importante fator que contribuiu para a integração do extremo oeste brasileiro. Em 1943 foi constituído o Território Federal de Guaporé, com capital em Porto Velho, com o desmembramento de parte de Mato Grosso e do Amazonas. A intenção era apoiar de maneira mais direta a ocupação e o desenvolvimento da área. Em 1956, o território passou a se chamar Rondônia.
Até a década de 1960, a economia se resumia à extração de borracha e de castanha-do-pará. O crescimento acelerado só começou a ocorrer, de fato, a partir dos anos 1960 e 1970. Os incentivos fiscais aos empreendimentos privados e os investimentos do governo federal, bem como os projetos de construção de rodovias e de implantação de núcleos de colonização, estimularam a migração, em grande parte originária do Centro-Sul.
No decorrer de 1979 tomou corpo o projeto de transformar Rondônia em estado, medida que se tornava cada vez mais necessária em vista do agravamento dos problemas do território, em sua maioria em consequência do grande afluxo de imigrantes. O primeiro passo nesse sentido foi a assinatura, em janeiro de 1980, de um convênio entre os ministérios do Interior e da Fazenda, pelo qual Rondônia passava a arrecadar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) e o Imposto Único sobre Minerais (IUM).
Em dezembro de 1981 o Congresso aprovou o projeto ordinário do poder executivo pelo qual o território de Rondônia era elevado a estado da União. O governo do novo estado, o 23º da federação brasileira, instalou-se em 4 de janeiro de 1982, com a posse do coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que já governava o território desde 15 de março de 1979.
Em 2007, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulga um possível aumento de desmatamento entre setembro de 2006 e setembro de 2007. O Ibama aponta como possíveis causas a expectativa para a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (com conclusões previstas para até 2012), e a transferência parcial do poder do Ibama de dar concessões a empresas para que comprem madeira e a vendam à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam). Mas os dados divulgados pelo Inpe indicam para o período de agosto de 2006 a julho de 2007 uma queda da área desmatada de 2.049 para 1.611 quilômetros quadrados. A fiscalização federal e estadual e o Licenciamento Ambiental Rural são considerados os principais fatores para essa queda.

Rio Madeira em Porto Velho

Cerca de setenta por cento da superfície de Rondônia é recoberta pela floresta pluvial amazônica. Os restantes trinta por cento correspondem a cerrados e cerradões que revestem a superfície tabular do chapadão. No entanto, causa preocupação o desmatamento, que se acelerou em meados da década de 1980, para a exploração de minérios.
Ecologia
Com o objetivo de proteger a natureza e garantir a preservação ambiental de extensas áreas não habitadas, o Governo Federal passou a criar parques e reservas naturais na região Amazônica. O Parque Nacional de Pacaás Novos foi criado em 1979 e ocupa área de 765.000 hectares nos municípios de Porto Velho, Guajará-Mirim, Ariquemes e Ji-Paraná. Com extensa área de plateau coberta por espessa vegetação de cerrado, nele se encontra a Chapada dos Pacaás Novos, na região oeste do Estado.
Na fronteira com o Estado de Mato Grosso às margens do rio Ji-Paraná, encontra-se a Reserva Biológica Nacional do Jaru, com área de 268.150 hectares, também criada em 1979.
Na região sul do Estado encontra-se a Reserva Natural do Guaporé, que cobre uma área de 600.000 hectares. O acesso à região é feito por barco. Dentro da reserva, a três dias de viagem da cidade de Guajará-Mirim, podem ser visitadas as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, construído no século XVIII pelos colonizadores portugueses.
Reserva Roosevelt
Na Reserva Roosevelt, formada por 2,7 mihões de hectares e de propriedade dos Indíos Cintas-Largas, localizada em Espigão do Oeste, habitam cerca de 1.200 indíos.
Um estudo inédito que mapeou as reservas minerais do Brasil, apontou que o garimpo do Roosevelt é de uma espécie raríssima. Elaborado pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), o levantamento apontou que o kimberlito tem 1,8 bilhão de anos e uma capacidade de produção de no mínimo um milhão de quilates por ano. Esse número subestimado coloca a Roosevelt, no mínimo, entre as cinco maiores minas de diamantes do mundo.

5467 – Fauna Brasileira – O Uirapuru


Uirapuru, assim como irapuru, guirapuru, arapuru, irapurá, virapuru, tangará, rendeira, pássaro-de-fandango e realejo, é a designação comum a diversas aves da família dos Pipridae, especialmente as mais coloridas dos gêneros Pipra L., Chiroxiphia Cab. e Teleonema Reich.
É um pássaro ativo que se locomove muito rapidamente. Alimenta-se de frutas e, principalmente de pequenos insetos. Tem os pés grandes, plumagem pardo-avermelhada, laranja entre outras. Vive em meio a floresta úmida, nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, e encontra-se em quase toda região amazônica brasileira. O seu canto mavioso é longo e melodioso parecido com uma flauta e só é ouvido ao amanhecer, enquanto constroi o ninho para atrair a fêmea, durante uns 15 dias por ano.
Na Região Norte do Brasil, a população acredita que levar o uirapuru empalhado consigo traz sorte na vida e no amor, o que é uma das causas pela qual o pássaro se encontra ameaçado de extinção.
(Cyphorhinus aradus) é uma ave canora conhecida pelo seu canto particularmente elaborado, o que justifica que também seja conhecido vulgarmente como músico ou corneta. É reconhecido, também, apenas por uirapuru ou arapuru, guirapuru, rendeira, tangará ou virapuru. O termo é originário da língua Tupi-guarani “wirapu ‘ru” e aplica-se ainda a outros trogloditíneos e pipríneos amazônicos. É famoso pelo seu canto e pelas lendas que o envolvem. É usado como talismã para trazer sorte na vida e no amor, sendo empalhado ou utilizado a sua pele.
O seu habitat preferencial é o estrato inferior da floresta úmida, tanto em terra firme como, principalmente, em florestas de várzea. É nativo da América do Sul – Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, – podendo ser encontrado em quase toda a Amazónia brasileira, excepto no alto Rio Negro e na região oriental do Rio Tapajós.
Come, principalmente, insetos, mas também se alimenta de frutas. Acredita-se que o uirapuru, como vários outros pássaros amazônicos, alimenta-se mais ativamente durante as estações chuvosas, quando formigas taocas saem dos formigueiros e passam a atacar animais rasteiros próximos, provocando movimentação que atrai os pássaros. Igualmente, crê-se que o uirapuru tenha o hábito de esperar até que outras espécies deixem o local para se alimentar, inspirando o ditado de que “enquanto os outros comem, o uirapuru canta”.
O uirapuru locomove-se rapidamente no solo ou no meio das folhagens. Pode formar casais ou ficar em conjunto com outras espécies de pássaros. Há uma lenda que diz que ele atrai bandos de aves com a sua bela melodia; entretanto, ele apenas integra bandos em busca de alimento. Seus voos são curtos e sussurrantes em movimentos de vai-e-vens (voa e volta para o mesmo lugar), em área limitada.
No folclore do norte do Brasil, o uirapuru é conhecido por ter um dos mais belos cantos entre as aves, fazendo com que todos os outros pássaros param de cantar para ouvi-lo. Também se diz que, por lembrar um flautim, flauta ou clarinete, o canto do uirapuru inspiraria poetas.
O compositor Villa-Lobos compôs em 1917 o poema sinfônico “Uirapuru”, baseado em material do folclore coletado em viagens pelo interior do Brasil. Na lenda que inspirou a obra, o pássaro encantado – “rei do amor” – é flechado no coração por uma moça embevecida com a suave canção e transforma-se em um bonito jovem.
O canto do uirapuru pode ser curto e forte, quando pretende demonstrar domínio do território; ou longo e melodioso, quando sua intenção é a atração sexual. Dura de 10 a 15 minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época da construção do ninho, e canta apenas cerca de quinze dias por ano.
Algumas lendas sobre o uirapuru:
“Um pássaro de canto perfeito é atingindo por uma flecha de uma moça apaixonada e se transforma em um belo guerreiro. Cheio de inveja, um perverso feiticeiro toca uma bela canção em sua flauta encantada e faz com que o rapaz suma. A partir daí, só a maravilhosa voz do guerreiro permaneceu na mata. É raro observar o uirapuru, entretanto frequentemente seu canto é ouvido na mata.”
“O homem que obtiver uma pena, terá sorte nos negócios e com as mulheres. A mulher que conseguir um pedaço do ninho terá a pessoa que ama apaixonada e fiel pelo resto da vida. Quem ouvir o canto deverá fazer um pedido, que será rapidamente realizado.”
” Havia uma tribo de índios, onde duas índias lindas amavam o cacique. Com dúvida em qual escolher, o cacique prometeu casar-se com aquela que tivesse melhor pontaria, então propôs um desafio: a índia que acertasse a flecha no alvo seria sua amada. Apenas uma das índias acertou a flecha no alvo, e foi a que casou-se com o cacique, a outra, triste, pediu ao deus dos índios, Tupan, que a transformasse em um pássaro para poder observá-los discretamente e hoje, dizem que o homem que obtiver uma pena terá sorte nos negócios e com as mulheres. A mulher que conseguir um pedaço do ninho terá a pessoa que ama apaixonada e fiel pelo resto da vida. Quem ouvir o canto deverá fazer um pedido, que será rapidamente realizado.”

Ouça o canto do Uirapuru:

4777 – Arqueologia – Amazônia antes de Cabral


Pode ter sidi habitada por civilizações refinadas. Constantemente há novos indícios disso. O mais recente é um paredão de granito de 70 metros de comprimento por 12 de altura, cheio de gravuras chamadas petroglifos. Tal painel fica no município de Paranaíta, no norte do Mato Grosso. Não se sabe quem fez os desenhos. Os arqueólogos querem provar que foram europeus navegadores que teriam estado aqui há mais de 5 mil anos. Índios não tinham ferramentas de metal para cortar o granito. Mas há que discorde, dizendo que areia esfregada faria o mesmo efeito.

4775 – Geografia – O Rio Amazonas


Foz do Rio Amazonas na Ilha de Marajó

É o segundo mais extenso rio do mundo e de longe o com maior fluxo de água por vazão, com uma média superior que a dos próximos sete maiores rios combinados (não incluindo Madeira e Rio Negro, que são afluentes do Amazonas). A Amazônia, que tem a maior bacia de drenagem do mundo, com cerca de 7 050 000 quilômetros quadrados, responsável por cerca de um quinto do fluxo pluvial total do mundo.
Tem sua origem na nascente do rio Apurímac (alto da parte ocidental da cordilheira dos Andes), no sul do Peru, e deságua no Oceano Atlântico junto ao rio Tocantins no Delta do Amazonas, no norte brasileiro. Ao longo de seu percurso recebe, ainda no Peru, os nomes de Carhuasanta, Lloqueta, Apurímac, Rio Ene, Rio Tambo, Ucayali e Amazonas (Peru). Entra em território brasileiro com o nome de rio Solimões e finalmente, em Manaus, após a junção com o Rio Negro, recebe o nome de Amazonas e como tal segue até a sua foz no Oceano Atlântico.
Centro da maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de km², a maior parte do rio está inserida na planície sedimentar Amazônica, embora a nascente em sua totalidade seja acidentada e de grande altitude. Marginalmente, a vegetação ribeirinha é, em sua maioria exuberante, predominando as florestas equatoriais da Amazônia. A área coberta por água no rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante as estações do ano. Em média, na estação seca, 110 000 km² estão submersos, enquanto que na estação das chuvas essa área chega a ser de 350 000 km². No seu ponto mais largo atinge na época seca 11 km de largura, que se transformam em 50 km durante as chuvas.
Em 1500 o explorador espanhol Vicente Yáñez Pinzón e a tripulação liderada por ele foram os primeiros europeus a navegar no rio. Pinzón chamou o rio de Río Santa María del Mar Dulce, o que posteriormente foi reduzido para Mar Dulce (literalmente “Mar Doce”), devido à quantidade de água doce impulsionada pela correnteza do rio para dentro do Oceano Atlântico. Por 350 anos após a descoberta do Amazonas pelos europeus, a parte portuguesa da bacia do rio permaneceu um cenário abandonado, servindo exclusivamente como fonte de alimentos obtidos através da coleta e da agricultura pelos povos indígenas que haviam sobrevivido à chegada das doenças trazidas pelos europeus.
Em 1560 outro conquistador espanhol, Lope de Aguirre, navegou pela segunda vez toda a extensão do Amazonas.
Após participar na expedição de 1615 que fundou a cidade de Belém do Pará, entre 1636 e 1638, o explorador português Pedro Teixeira, com mais de mil homens realizou a primeira expedição que subiu o curso do rio Amazonas. Empregando cerca de 50 grandes canoas, partiu de Belém do Pará e alcançou Quito, no Equador. Fundou Franciscana na confluência do rio Napo com o Aguarico, no alto sertão, para delimitar as terras de Portugal e Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas. A viagem foi registrada pelo jesuíta Cristóbal de Acuña em obra editada em 1641.
Diversas fontes afirmavam que a nascente do rio Amazonas estava nas cabeceiras do rio Marañon. Porém, devido às novas pesquisas, os cientistas peruanos e brasileiros (expedição científica em 2007 com IBGE, INPE, ANA, IGN) descobriram que sua nascente tem por origem a laguna McIntyre no Nevado Mismi ao sul do Peru.
A quantidade de água doce lançada pelo rio no Atlântico é gigantesca: cerca de 209 000 m³/s, ou um quinto de toda a água fluvial do planeta. Na verdade, o Amazonas é responsável por um quinto do volume total de água doce que deságua em oceanos em todo o mundo. Diz-se[quem?] que a água ainda é doce mesmo a quilômetros de distância da costa, e que a salinidade do oceano é bem mais baixa que o normal 150 km mar adentro.
O rio Amazonas, cujo curso é muito plano (20 m de desnível nos últimos 1.500 km) antes da sua desembocadura, constitui um caso muito especial de marés oceânicas. Na região do rio Amazonas, tais marés são conhecidas como pororoca, e são uma atração turística.
O peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), também conhecido como “peixe-boi” é encontrado no norte da Bacia Hidrográfica Amazônica e seus afluentes. É um mamífero e um herbívoro. Sua população é limitada a habitats de água doce e ao contrário de outros peixes-boi, eles não se aventurar em água salgada. Ela é classificada como vulnerável pela IUCN.
O Amazonas e seus afluentes são o habitat principal da ariranha (Pteronura brasiliensis). A ariranha é um membro da família das doninhas e é a maior de seu tipo. Por causa da destruição do habitat e da caça a sua população tem diminuído dramaticamente.
Também presentes em grande número está a piranha, um peixe carnívoro que pode atacar animais e até seres humanos. Há aproximadamente 30-60 espécies de piranha. No entanto, apenas algumas de suas espécies são conhecidas por atacar seres humanos, principalmente a Pygocentrus nattereri, a Piranha-vermelha.
O tubarão-touro (Carcharhinus leucas) tem sido relatada em 4.000 km até o rio Amazonas em Iquitos, no Peru. O pirarucu(Arapaima gigas) é um peixe de água doce da América do Sul tropical. É um dos maiores peixes de água doce do mundo, supostamente com um comprimento máximo de mais de 4,5 metros e peso de até 200 kg. Outro peixe de água doce da Amazônia é o aruanã, como o aruanã-prateado (Osteoglossum bicirrhosum), que também é um predador e muito semelhante ao pirarucu, mas só alcança um comprimento máximo de 120 centímetros. O candiru é um número de gêneros de peixe-gato parasitas de água doce da família Trichomycteridae, todos são nativos do rio Amazonas. A enguia elétrica (Electrophorus electricus) também é encontrada no rio.
A cobra sucuri é encontrada em águas rasas na Bacia Amazônica. Uma das maiores espécies do mundo da serpente, a sucuri passa a maior parte de seu tempo na água, apenas com suas narinas acima da superfície. Além dos milhares de espécies de peixes, o rio abriga caranguejos, algas e tartarugas.

Foz do Amazonas, imagem da Nasa. Observe a quantidade de água barrenta lançada no Atlântico

2231-Megamix Ciência:Victória Régia-Planta


Victória, a cara da Amazônia

Nome Científico: Victoria amazonica
Sinonímia: Victoria regia, Euryale amazonica, Victoria regalis
Nome Popular: Vitória-régia, milho-d’água, rainha-dos-lagos, rainha-dos-nenúfares, forno-d’água, forno-de-jaçanã, nanpé, jaçanã, aguapé-assú, cará-d’água
Família: Nymphaeaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: Brasil, Bolívia e Guianas
Ciclo de Vida: Perene
A vitória-régia é uma planta aquática gigante e rizomatosa, nativa da Amazônia. Suas folhas são circulares, enormes, podendo alcançar 2,5 metros de diâmetro, e flutuantes, com bordos elevados em até 10 cm, que revelam a página inferior espinhenta e avermelhada. Esta face inferior apresenta uma rede de grossas nervuras e compartimentos de ar responsáveis pela flutuação da folha. A superfície da folha ainda apresenta uma intrincada rede de canais para o escoamento da água, o que também auxilia na sua capacidade de flutuar, até mesmo sob chuvas fortes.
A planta mudou recentemente seu nome para Vitória – amazônica. Ao contrário do que parece, não é uma planta que bóia, está firmemente plantada no fundo dos lagos rasos.
Sub-Reino: Embryopyta, da classe angiosperme – É uma flor aquática gigante nativa da ex-Guiana Inglesa e seu nome foi dado pelos inglês Lindey, um botânico (1799-1865) em honra a rainha vitória da Inglaterra,que era uma grande impulsionadora das ciências. Seu caule com função de raíz se fixa no fundo lodoso das águas rasas. As folhas adultas tem 1 ou 2m de diâmetro e têm consistência semelhante ao couro, podendo suportar alguns quilos de peso sem afundar. As flores solitárias são hemafroditas e a polinização é efetuada por insetos, seguramente besouros.

Vodca » Não congela no freezer. A temperatura de congelamento de soluções soluções alcoólicas é muito baixa.
Voz – O segredo da voz afinada está no cérebro e não nas cordas vocais.
Vulcões » Senhores da Morte Uma pesquisa apontou que os vulcões foram os principais responsáveis por pelo menos três enormes desastres ecológicas na Terra, incluindo a destruição dos dinossauros.

Velocidade
A dos carros é calculada por meio de uma bobina que gera campo elétrico quando passa um carro.
Verme» Um pesquisador brasileiro está tentando neutralizar a ação dos vermes.
Mar Vermelho » Fica entre a Penísula Arábica e o nordeste da África, onde são comuns montanhas ricas em minério de ferro, que tem cor avermelhada.
Violino » Pesquisa mostrou que quanto mais velho, melhor o som deste instrumento.
A Vitamina C é bastante instável. Assim que entra em contato com o oxigênio do ar, começam a ocorrer reações químicas que a destroem.

Universidade – A primeira surgiu em Bolonha na Itália, no século 12. Síria» Após 8 anos de escavações, foi encontrada a cidade perdida de Ureskesh a 100 km do rio Eufrates, na Síria. Urubu – Pequisa mostrou que tal ave preta carniceira é parente da cegonha.
Vaca muito louca – Tal doença é um mal que atinge o cérebro deste animal provocando dificuldades de locomoção e agressividade.
Vegetal Albino – São os de clorofila inativa e geralmente morrem cedo.

Transpiração A maioria dos desodorantes nacionais tem como princípio ativo um antimicrobiano, que impede o desenvolvimento das bactérias retardando o aparecimento do odor.
Transporte coletivo »Pesquisa mostrou que o carioca é o pvo mais ágil para embarcar em coletivos.
Dinossauro triceratopo – A gola que o animal tinha no pescoço servia para regular a temperatura do corpo. TV a cabo – Apesar de sua popularidade na Europa, a audiência é ainda baixa.