14.029 – Medicina – A Demência Senil


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Demência é uma categoria genérica de doenças cerebrais que gradualmente e a longo prazo causam diminuição da capacidade de raciocínio e memória, a tal ponto que interfere com a função normal da pessoa.
O tipo mais comum de demência é a doença de Alzheimer, responsável por 50 a 70% dos casos. Entre outras causas comuns estão a demência vascular (25%), demência com corpos de Lewy (15%) e demência frontotemporal. Entre outras possíveis causas, menos prováveis, estão a hidrocefalia de pressão normal, doença de Parkinson, sífilis e doença de Creutzfeldt-Jakob. A mesma pessoa pode manifestar mais de um tipo de demência.
O diagnóstico tem por base a história da doença e exames cognitivos, complementados por exames imagiológicos e análises ao sangue para despistar outras possíveis causas.
Não existe cura para a demência. Em muitos casos são administrados inibidores da acetilcolinesterase, como a donepezila, que podem ter alguns benefícios em demência ligeira a moderada.
Em 2015, a demência afetava 46 milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 10% de todas as pessoas desenvolvem demência em algum momento da vida. A doença é mais comum à medida que a idade avança. Enquanto entre os 65 e 74 anos de idade apenas cerca de 3% de todas as pessoas têm demência, entre os 75 e os 84 anos a prevalência é de 19% e em pessoas com mais de 85 anos a prevalência é de cerca de 50%. Em 2013, a demência foi a causa de 1,7 milhões de mortes, um aumento em relação aos 0,8 milhões em 1990. À medida que a esperança de vida da população vai aumentando, a demência está-se a tornar cada vez mais comum entre a generalidade da população. No entanto, para cada intervalo etário específico a prevalência tem tendência a diminuir devido à diminuição dos fatores de risco, pelo menos nos países desenvolvidos. A demência é uma das causas mais comuns de invalidez entre os idosos. Estima-se que em cada ano seja responsável por custos económicos na ordem dos 604 mil milhões de dólares. Em muitos casos, as pessoas com demência são controladas fisicamente ou com medicamentos em grau superior ao necessário, o que levanta questões relativas aos direitos humanos. É comum a existência de estigma social em relação às pessoas afetadas.
A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Todavia a expressão demência senil, embora ainda apareça na literatura, tende a cair em desuso. A maior parte do que se chamava demência pré-senil é de fato a doença de Alzheimer.O risco de demência é maior em pessoas que vivem perto de autoestradas ou vias com muito trânsito.

Entre 2001 e 2012, investigadores acompanharam dois milhões de pessoas no Canadá e concluíram que 7% dos casos de demência diagnosticados diziam respeito a pessoas que viviam até 50 metros de distância de estradas com muito tráfego automóvel.

O estudo publicado na revista médica “The Lancet”, indica que ao longo desses 11 anos foram diagnosticados 243 611 casos de demência e observou-se que havia mais casos da doença entre os que viviam perto de estradas congestionadas. Nestes casos, o número de diagnósticos foi 4% superior em pessoas quem residiam entre 50 e 100 metros de distância destas vias e 2% entre os que moravam entre 101 e 200 metros.
Ou seja, entre 7% a 11% dos casos de demência diagnosticados em moradores até 50 metros de uma via de movimento intenso podem estar relacionadas com o trânsito.
Os principais fatores de risco modificáveis para a demência são, no intervalo entre os 18 e os 45 anos o baixo nível de escolaridade. No intervalo entre os 45 e os 65 anos são a hipertensão, a obesidade e a perda de audição. No intervalo superior a 65 anos são o fumar, a depressão, a inatividade física, o isolamento social e a diabetes.
Atualmente, o principal tratamento oferecido para as demências baseia-se nas medicações inibidoras da colinesterase (donepezil, rivastigmina ou galantamina), que oferecem relativa ajuda na perda cognitiva, característica das demências, porém, com uma melhora muito pequena. Nesse sentido, a melhora das funções cognitivas verificadas no estudo avaliado não pode ser relacionada apenas a esse tipo de medicação.

Embora os pacientes do estudo avaliado evidenciassem um quadro de demência moderada e depressão, pesquisa de Kessing et al. (no prelo) demonstrou que o uso de antidepressivos em longo prazo, em pessoas com demência sem um quadro de depressão, diminuiu a taxa de demência e minimizou as perdas cognitivas associadas, sem, no entanto, ter reduzido tais perdas totalmente. Esse estudo também identificou que os antidepressivos utilizados em curto prazo geraram mais prejuízos às funções cognitivas em pessoas com demência. Portanto, apenas o uso de antidepressivos em longo prazo foi que surtiu um efeito protetivo.

Desse modo, podemos considerar que os antidepressivos usados em longo prazo, além de tratarem os quadros de depressão, que podem estar associados aos quadros de demência, são benéficos para o tratamento desta patologia. Alguns estudos revelaram que os antidepressivos podem ter efeitos neuroprotetivos, aumentando o nascimento e permitindo a sobrevivência de neurônios nas zonas do hipocampo (parte do cérebro relacionada principalmente à memória).
Um estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition” conclui que os declínios que se verificam na memória reconstrutiva são indicio de um comprometimento cognitivo leve e de demência de Alzheimer, e não se verificam no envelhecimento saudável. “A memória reconstrutiva é muito estável em indivíduos saudáveis​​, de modo que um declínio neste tipo de memória é um indicador de comprometimento neurocognitivo” revela Valerie Reyna.
O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que, em 2025, o Brasil se torne o 6.º país com mais idosos no mundo.[carece de fontes] O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média em São Paulo no ano de 1998 na população acima de 65 anos foi estimada em 7,1%.

13.937 – CIENTISTAS DESCOBREM COMO PRODUZIR HORMÔNIO QUE EVITA O MAL DE ALZHEIMER


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O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que destrói a memória e outras funções mentais importantes. Pesquisadores seguem firme na descoberta de como a irisina, hormônio produzido a partir da realização de atividades físicas, regula os efeitos maléficos do distúrbio.
Os neurocientistas brasileiros Sérgio Ferreira e Fernanda de Felice são os protagonistas do estudo e, há quase 20 anos, vêm estudando tratamentos para a enfermidade. Durante todo esse tempo, foi comprovado que a prática de exercícios físicos faz bem para a memória e que a irisina funciona como um transmissor de informação, ou seja, leva uma mensagem do músculo para o cérebro, protegendo-o.
Os testes iniciais foram realizados em camundongos e, de fato, houve a comprovação de que eles produziam o hormônio ao realizar exercícios. Já quando o teor de irisina era baixo, os especialistas testaram fazer a reposição, e, para a surpresa de todos, eles voltaram a ter memória.
Inicialmente, a irisina foi descoberta por um pesquisador de diabetes dos Estados Unidos, e esse estudo durou aproximadamente 7 anos. Na época, ele afirmou que o hormônio é produzido pelo músculo, no tecido adiposo. Complementando, os neurocientistas reforçam que o fato de a irisina ser gerada pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais.

Podemos ter esperança?
Levando em consideração os seres humanos, estudos indicam que pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer têm baixíssimos índices desse hormônio no cérebro. Dessa forma, o estudo faz sentido. Mas os pesquisadores não param por aí; o próximo passo é descobrir como a irisina consegue proteger o órgão mais complexo do corpo humano: o cérebro.
Todo o estudo envolve 25 pesquisadores, sendo 18 brasileiros e o restante, dos Estados Unidos e do Canadá. Eles esperam que esse pontapé inicial contribua para que realmente o Alzheimer tenha um tratamento e possa, cada vez mais, deixar de ser um mal frequente após certa idade nos seres humanos.

13.923 – Nova Vacina contra o Alzheimer


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A empresa de biotecnologia United Neuroscience criou uma promissora vacina contra o Alzheimer, chamada de UB-311.
Em um pequeno estudo clínico, 96% dos pacientes demonstraram melhoras nos sintomas da doença, sem efeitos colaterais graves.
Ao longo das últimas décadas, diversas vacinas se mostraram esperançosas para certos pacientes, mas tiveram efeitos colaterais devastadores para outros, como inchaço no cérebro, por exemplo.
Agora, uma startup de Dublin, na Irlanda, pode estar no caminho certo. A United Neuroscience certamente ainda não curou o Alzheimer. No entanto, os pacientes que receberam sua vacina demonstraram melhora na função cerebral e uma redução na placa proteica que atrapalha seus neurônios.
O estudo clínico concluído ano passado testou a vacina em 42 pacientes com comprometimento cognitivo leve que pareciam estar nos estágios iniciais do Alzheimer. O grupo de controle recebeu um placebo, enquanto outros dois grupos receberam três injeções da vacina e depois novas doses a cada três ou seis meses ao longo de um ano e meio.
Os cientistas não têm certeza do que causa ou agrava a doença de Alzheimer, mas há vários suspeitos principais: amiloide, um grupo de proteínas que se acumula ao longo do tempo e se agrupa de maneiras que causa estragos no cérebro; tau, outra família de proteínas com problemas semelhantes; e inflamação em geral.
A vacina da United estimula o sistema imunológico do paciente a atacar a amiloide, que alguns pesquisadores acreditam ser a principal causa da condição. O trabalho da vacina é retardar o acúmulo de proteínas e, se possível, reverter alguns danos e restaurar a função cerebral.
Embora o pequeno número de pacientes impeça os pesquisadores de tirar conclusões estatísticas importantes, a empresa se sente encorajada para avançar no desenvolvimento da vacina, possivelmente com um parceiro maior. Até agora, eles já gastaram US$ 100 milhões em pesquisa e elaboração de vacinas.

Ressalvas
De acordo com Frank Longo, membro do departamento de neurologia da Universidade de Stanford (EUA) e cofundador da Pharmatrophix, outra empresa que está tentando curar a doença de Alzheimer, agir apenas no amiloide, sem tentar controlar a tau ou a inflamação, não é ideal.
“Qualquer terapia centrada na amiloide depende da precisão da hipótese da amiloide, e essa hipótese continua a ser questionada”, explica.
Além disso, o tratamento com UB-311 é melhor aproveitado se iniciado antes do aparecimento de sintomas, com doses administradas a cada seis meses, e os médicos ainda não podem prever com segurança quem terá Alzheimer e demência.
Por enquanto, a United está focada em levantar capital para financiar um estudo mais conclusivo sobre a UB-311 e para continuar refinando seu amplo leque de vacinas. A companhia está se preparando para iniciar os testes com a UB-312, voltada para a doença de Parkinson, bem como com uma segunda vacina contra o Alzheimer, centrada em combater a tau.
“Eles tomaram medidas iniciais muito promissoras com essa tecnologia”, disse Eric Reiman, um dos principais pesquisadores da doença do Alzheimer e conselheiro da United Neuroscience. “Mas isso ainda é o começo do começo”. [Bloomberg]

13.739 – Agora Vai – Remédio obtém resultados positivos e reduz efeitos do Alzheimer


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Os cientistas deram um passo importante na busca por um tratamento para combater a doença de Alzheimer. Um novo medicamento que está em testes obteve resultados positivos em diminuir a progressão da demência em pacientes que sofrem da enfermidade, além de reduzir as placas senis que degeneram a estrutura de neurônios e atrofiam regiões do cérebro.
Desenvolvida por uma companhia japonesa, a droga foi testada em 856 pacientes dos Estados Unidos, Europa e Japão. Essa é a primeira vez que um estudo realizado com um número expressivo de voluntários consegue apresentar-se efetivo contra os sintomas do Alzheimer.
Ao realizar comparações com pacientes que não foram submetidos à nova droga, os pesquisadores notaram que a perda de memória e a deficiência cognitiva foram 30% menores para as pessoas que participaram dos testes.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que o medicamento ainda não é capaz de vencer por completo a doença, que afeta 44 milhões de pessoas em todo o planeta. Até 2050, espera-se que esse número seja triplicado. Com os resultados positivos iniciais em mãos, os cientistas seguirão os testes para que a droga seja eficaz e aprofunde sua capacidade de combater a doença.
O Alzheimer ainda não é totalmente compreendido pela ciência. Apesar de a hereditariedade genética ter influência no desenvolvimento da doença, ainda não é possível afirmar com precisão os motivos que desencadeiam as manifestações das placas senis e dos emaranhados neurofibrilares (alterações que acontecem nos neurônios), que afetam gradativamente o funcionamento do cérebro e provocam desorientação, mudanças comportamentais e esquecimento.
Por enquanto, ainda não há tratamento efetivo para a cura do Alzheimer. Manter o cérebro ativo, no entanto, é recomendado para que os sinais da doença não se manifestem de maneira tão agressiva. Todas as atividades são válidas: uma pesquisa feita no Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas de Magdeburgo indicou que dançar pode ajudar pessoas mais velhas a reverter sinais de envelhecimento no cérebro e contribuir para a prevenção do Alzheimer.

13.717 – Neurologia – Choque na Memória


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O poema de Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), remete ao conceito universal de que a memória é o que nós somos. Sem que tenhamos a possibilidade de recordar, a existência se esvazia por completo. A vida se sustenta com base nas ideias do presente, nas referências do passado e na forma como processamos e armazenamos as nossas experiências. Por isso, ninguém quer perder a memória, todos querem melhorá-la. Pois um novo e ousado procedimento médico foi capaz de impulsionar o mecanismo que forma e preserva as lembranças, um feito inédito na medicina. Eletrodos implantados em uma área específica do cérebro recuperaram 15% da memória de pacientes. A taxa equivale ao que se perde em dois anos e meio com a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. Ou ao que se esvai naturalmente em dezoito anos de vida de uma pessoa saudável. Traduzindo: quem tem 56 anos hoje pode, em tese, voltar a ter a mesma memória que tinha aos 38 anos. Youssef Ezzyat, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, autor principal da técnica: “O método abre um caminho de possibilidades para auxiliar as pessoas com problemas de memória”. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho tem sido considerado por especialistas do mundo todo como um dos feitos mais promissores ocorridos na neurologia nas últimas décadas, desde a disseminação dos aparelhos de ressonância magnética que revelam o cérebro em atividade.
A dinâmica do método fascina. Dezenas de eletrodos minúsculos, de 2,3 milímetros cada um, foram implantadas no córtex lateral de 25 pacientes. O córtex lateral é a região do cérebro associada ao processamento de informações. A cirurgia para a implantação dos eletrodos dura, em média, três horas. Em seguida, os participantes foram orientados a memorizar uma lista com doze palavras aleatórias, como “bala”, “doce” e “carro”. Cada vocábulo foi exibido em uma tela durante dois segundos. Pediu-se a todos os pacientes, então, que fizessem contas matemáticas simples, tarefa cujo único objetivo era distraí-los da anterior. Na sequência, tinham de dizer aos pesquisadores de quais palavras conseguiam se lembrar. Durante todo o procedimento, a atividade cerebral dos pacientes era registrada pelos eletrodos. Com isso, os cientistas conseguiram definir dois padrões de ondas cerebrais: um para os momentos em que a memória funcionava bem, e o outro para quando ia mal. A partir daí, os eletrodos foram programados para liberar pequenos choques elétricos no cérebro do paciente (que não sente nada) sempre que sua onda cerebral não funcionasse bem. Resultado: as lembranças melhoraram em 15%.
O procedimento ainda é experimental e deverá ser realizado em um número maior de pessoas para que se verifiquem sua real segurança e eficácia. É um processo que deve demorar ainda mais uma década para ser concluído. “Mas já podemos dizer que se trata de um feito inédito para os estudos de melhora da memória”, diz o neurologista Renato Anghinah, da Universidade de São Paulo. Aqui, um parêntese importante. Todos os pacientes que se submeteram ao estudo tinham epilepsia, doença que costuma provocar deficiências de memória. No entanto, os efeitos da técnica dos eletrodos, teoricamente, poderiam ser igualmente positivos também em pessoas saudáveis.
O uso de descargas elétricas para melhorar a saúde do cérebro é coisa antiga. O médico grego Claudio Galeno (129-216) encostava peixes-elétricos no crânio dos pacientes para tratar dores de cabeça crônicas. Com seu método, Galeno intuiu o que só seria confirmado no século XVIII: que o organismo pode ser estimulado por impulsos elétricos — o princípio de ação dos eletrodos. Esses dispositivos são usados desde a década de 90 para tratar doenças neurológicas, como Parkinson e epilepsia. Atualmente são estudados para o tratamento de pacientes com depressão refratária a medicações. Implantados no cérebro, ficam ligados a uma bateria externa que libera choques em áreas que variam conforme a natureza da doença. O conceito por trás da técnica é que as pequenas descargas elétricas são capazes de interromper atividades cerebrais desreguladas, permitindo, assim, a predominância de atividades cerebrais em regiões com processamento normal. Cientistas já arriscam imaginar os próximos passos. Diz o neurocirurgião Arthur Cukiert: “No futuro, poderemos avançar a ponto de conseguir os mesmos efeitos com uma tecnologia não invasiva, que aja de fora do cérebro”.
A memória é uma das funções mais complexas do cérebro. Isso porque ela está associada a dezenas de áreas do órgão, sendo o hipocampo uma das principais. Em conjunto com o córtex, ele garante que o organismo colete, conecte e crie as lembranças a partir de experiências. É, portanto, o primeiro passo para a formação da memória. Quem quer que rememore o seu primeiro beijo possivelmente se lembrará das palpitações causadas pela ansiedade, do ambiente em que se encontrava, do perfume e das características físicas do parceiro. O fato de a experiência envolver tantos sentidos ajuda a fazer com que, mesmo alguns bons anos depois, a lembrança continue ali, armazenada. Os atores essenciais nesse processo são as conexões elétricas transmitidas pelos neurônios — as chamadas sinapses, que codificam e armazenam a memória.
Mais recentemente, a medicina identificou que o mecanismo da memória é ainda mais intrincado do que se imaginava. Ele está associado também aos hábitos de vida. Hoje, sabe-se que 30% dos casos de perda de memória grave podem ser evitados com comportamentos saudáveis. Há seis meses, a Academia Americana de Neurologia passou a recomendar exercícios físicos para prevenir a perda de memória — como 150 minutos semanais de caminhada, por exemplo.
A atividade física estimula o funcionamento do hipocampo. Já a privação de sono tende a provocar lapsos de memória — uma noite maldormida é capaz de afetar temporariamente a comunicação entre os neurônios. Ainda há controvérsia entre especialistas sobre a eficácia de atividades que pregam técnicas de memorização para retardar a perda das lembranças, como o jogo de xadrez ou sistemas de aprendizagem como o Kumon. Mas um novo estudo, publicado na revista da Sociedade Americana de Geriatria, descobriu que esses hábitos podem, sim, ajudar a memória, só que em uma situação mais específica, quando ela já está afetada por um transtorno cognitivo leve — o estágio entre o envelhecimento cerebral normal e a demência. Dificilmente, no entanto, essas atividades poderiam contribuir para reverter a perda natural de lembranças. O problema está, mais uma vez, na complexidade da formação da memória. “Não há um exercício suficientemente completo para abranger todas as variações da memória. É possível melhorá-la pontualmente”, diz Paulo Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de Medicina, em São Paulo.
Esquecer é algo natural. Todo aquele que tiver uma vida longa em algum momento se queixará de ter ficado com “uma palavra na ponta da língua”. A chave de casa some, a carteira não está no lugar e o nome das pessoas desaparece repentinamente. A falta de memória saudável é um sintoma secundário de outros problemas. Antes de tudo, pode ser desatenção. Se um indivíduo não se importar com o lugar onde deixou o casaco, seu cérebro também não vai se preocupar em arquivar essa informação. Os lapsos podem ter a ver ainda com ansiedade, depressão, stress e abuso de álcool. Aos 60 anos, por causa do desgaste natural dos neurônios, mais da metade dos adultos apresenta dificuldades de memória que afetam o seu dia a dia em algum grau. Mas isso não é necessariamente sinal de problemas graves, como a doença de Alzheimer.
O mecanismo das lembranças é um tema debatido desde a Antiguidade. Sócrates, conforme relata Platão em Fedro, lamentou a popularização da escrita porque, segundo ele, a substituição do conhecimento acumulado no cérebro pela palavra desenhada tornaria a mente preguiçosa e prejudicaria a memória. “Essa descoberta provocará nas almas o esquecimento de quanto se aprende, devido à falta de exercício da memória, porque, confiadas na escrita, é do exterior, por meio de sinais estranhos, e não de dentro, graças a esforços próprios, que obterão as recordações”, disse. Bem mais adiante, o escritor português José Saramago retorquiu ao filósofo grego em seu livro de crônicas A Bagagem do Viajante, publicado originalmente em 1973: “Se passo as minhas lembranças ao papel, é mais para que não se percam (em mim) minutos de ouro, horas que resplandecem como sóis no céu tumultuoso e imenso que é a memória. Coisas que são também, com o mais, a minha vida”. Sócrates se preocupava com a influência do papel sobre a memória, mas nunca imaginaria o poder dos eletrodos sobre ela. Se pudesse fazê-lo, talvez levantasse outras questões: os implantes cerebrais poderão resultar em classes diferentes de cidadãos, os de memória aprimorada e os “normais”? E se, em algum momento, eles influenciarem pensamentos e comportamentos? Por outro lado: podemos estar subjugando a importância do esquecimento?.
Na ficção, a memória tem sido instrumento de roteiros extraordinários. Um exemplo é o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, do diretor Michel Gondry. Lançado em 2004, o longa conta a história de Clementine, a personagem vivida por Kate Winslet que se submete a um procedimento experimental para apagar da memória o ex-namorado Joel, interpretado por Jim Carrey. Desconsolado, Joel decide fazer o mesmo. Mas, quando suas lembranças começam a se esvanecer, ele percebe que ainda ama Clementine — e tenta desesperadamente inverter o processo. A vida se faz por memórias, e, sem elas, sobra o vazio. A possibilidade de estendê-las por mais tempo é a possibilidade de prolongar o bom da vida.

A dádiva do esquecimento
Na mitologia grega, Mnemosine e Letes, os rios da memória e do esquecimento, corriam pelas planícies do Hades, a terra dos mortos, e a alma que lá chegava, conforme bebesse das águas de um ou de outro, teria o conhecimento ou a completa ignorância do que vivera sobre a terra. Outras versões do mito colocam o Letes à saída do Hades, pois a alma que retornava ao plano terreno tinha de apagar lembranças de vidas anteriores. No século XIV, Dante adaptou esses mitos da Antiguidade ao pensamento cristão em sua Divina Comédia: saindo do Purgatório, as almas que se encaminhavam para o Paraíso bebiam do Letes para esquecer os pecados, e de um rio chamado Eunoé para lembrar-se do bem que haviam feito. Essas narrativas já contemplavam uma intuição fundamental sobre o funcionamento de nossa mente: esquecimento e memória são faculdades complementares. Precisamos de ambas.
A vida seria perfeitamente infernal se nossa memória fosse irretocável. Imagine lembrar-se exatamente de tudo o que foi dito pelo apresentador de um programa dominical que você viu em um dia de 1995, ou da cor das meias que você calçou naquela ocasião. Uma pessoa que lembrasse de tais insignificâncias teria dificuldade para discernir que eventos merecem ser qualificados de memoráveis. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado em 2007 demonstrou que a capacidade do cérebro de suprimir memórias irrelevantes facilita lembrar o que realmente importa. Há razões evolutivas para que seja assim: na competição pela sobrevivência em um ambiente hostil, torna-se fundamental guardar informações essenciais. Importa mais lembrar que certo cachorro é bravo do que recordar seu nome ou a forma de sua tigela de ração.
A ciência ainda não desvendou os mecanismos do esquecimento, mas já sabe que esquecer é tão vital quanto lembrar. Pesquisas recentes sugerem que certas pessoas com incapacidade de esquecer eventos traumáticos têm maior risco de desenvolver depressão e transtorno de stress pós-traumático. Como apontou o filósofo e psicólogo americano William James, pioneiro em estudos sobre a memória: “Se nos lembrássemos de tudo, seríamos, na maioria das vezes, tão doentes quanto se não nos lembrássemos de nada”.
Admirador de William James, o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) talvez tenha sido o escritor de ficção que melhor compreendeu a importância do esquecimento. O francês Marcel Proust explorou os delicados processos involuntários que despertam a memória dos tempos perdidos — mas Borges aventurou-se em terreno mais perigoso: especulou como seria uma memória absoluta, no conto Funes, o Memorioso. Espécie de versão extrema da americana Jill Price — que consegue lembrar o dia exato em que determinado episódio de programa televisivo foi ao ar nos anos 80 —, Irineo Funes não consegue se esquecer de nada. Tem facilidade para línguas, mas é incapaz de pensamento consistente. “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes, nada havia além de detalhes, quase imediatos”, ensina Borges.
Em um conto posterior, O Aleph, Borges imagina um objeto impossível: o aleph é um ponto único do espaço — localizado em um porão de Buenos Aires — em que é possível ver a totalidade do mundo em um só relance. Depois da experiência sobrenatural de olhar para o aleph, o personagem-narrador teme nunca mais vir a ter uma surpresa na vida, pois todas as pessoas com que cruza na rua já foram vistas antes. Depois de algumas noites de insônia, porém, o esquecimento faz seu trabalho. Borges tinha uma memória literária prodigiosa, conhecendo muitos textos e poemas de cor. Mas compreendia que o esquecimento é uma dádiva.

13.598 – Neurologia – Nanotecnologia para tratar Alzheimer


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O neurocientista William Klein e o nanotecnólogo Vinayak Dravid, da Universidade North-western em Illinois, trabalham no desenvolvimento de estratégias de detecção e intervenção precoce do Alzheimer por meio da nanotecnologia, isto é, máquinas minúsculas, do tamanho de moléculas, capazes de agir dentro do corpo.
O Alzheimer é marcado pela formação de placas de proteína beta-amiloide no cérebro. Os pesquisadores criaram um anticorpo artificial capaz de detectar toxinas específicas e de ligar-se a partículas alteradas dessa proteína. “Podemos usá-lo, no futuro, para identificar o acúmulo de placas no cérebro logo no início e também para conduzir substâncias terapêuticas ao cérebro”, diz Klein.
Por enquanto, o anticorpo é utilizado pelos pesquisadores para diferenciar amostras de tecidos cerebrais post-mortem saudáveis de doentes. O próximo passo, previsto para o final do ano, é fazer o mesmo no cérebro de ratos vivos. Pesquisas anteriores com roedores já mostraram que sprays nasais podem realmente enviar nanopartículas para o órgão. É possível que o mesmo ocorra com humanos.

12.601 – Desculpa de bêbado – Cientistas descobrem que cerveja pode prevenir o Alzheimer


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Estudos concluem que a cerveja ajuda a prevenir o Alzheimer, embora ainda não se saiba como isso acontece exatamente ou qual seria a dose necessária.
Se os apreciadores da bebida estavam esperando uma boa desculpa para tomar cerveja nos fins de semana, a ciência respondeu às suas preces: segundo um estudo realizado por pesquisadores suecos e finlandeses, existe uma relação entre a concentração de beta-amiloides no cérebro (moléculas associadas ao Alzheimer) e o consumo da “gelada”.
Para chegar a essa conclusão, foram estudados 125 homens mortos entre 25 e 70 anos, sua predisposição genética para o desenvolvimento do Alzheimer e seus costumes na ingestão de álcool.
O estudo revelou que a concentração de moléculas aumentava com a idade, porém em menor medida quando se tratava de homens que tinham como costume beber cerveja. Esse mesmo fenômeno não foi verificado em homens que tinham como costume ingerir outro tipo de bebida alcoólica.
Vale também esclarecer que não foi possível determinar a ingestão recomendável de cerveja para que o efeito seja garantido, já que também não foi possível revelar como o processo se dá exatamente.

12.409 – Neurologia – Lembranças perdidas do Alzheimer podem ser recuperadas, afirma estudo


O que acontece com tudo o que um portador de Alzheimer vive e esquece imediatamente?
São informações apagadas para sempre? Essa pergunta, que atormenta milhões de familiares e amigos de pacientes com essa doença, pode ter uma resposta menos obscura do que se imaginava.
Um estudo, realizado por Susumu Tonegawa, Prêmio Nobel de Medicina em 1987, indica que essas lembranças se formam e são armazenadas no cérebro, embora a pessoa não consiga acessá-las.
Um experimento realizado em ratos doentes revelou que essas recordações poderão ser recuperadas. Os ratos possuíam mais terminais de neurônios que antes do experimento. Os cientistas já haviam constatado que, nos ratos com Alzheimer, o conjunto de neurônios que guarda uma recordação possuía menos terminais que os dos ratos saudáveis.
“Trata-se de uma prova de conceito. Isso significa que quando uma lembrança parece ter desaparecido, na verdade, ela ainda está presente. A questão é como acessá-la e recuperá-la”, explicou Susumu Tonegawa. “É possível que, no futuro, seja desenvolvida uma tecnologia para ativar ou desativar com mais precisão as células localizadas nas regiões profundas do cérebro, como o hipocampo ou o córtex entorrinal”.

12.245 – Neurologia – Risco de desenvolver Alzheimer diminuiu


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Nos Estados Unidos e no Reino Unido, há estudos mostrando que o risco de desenvolver esse distúrbio neurológico está diminuindo. E parece que o nível de escolaridade está associado a isso.
A boa notícia foi apresentada no sábado (13) em concorrida sessão da reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Nos Estados Unidos, o recuo de 2000 a 2010 foi de mais de 20%.
Os dados saíram do Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS, na abreviação em inglês), da Universidade de Michigan, em que 20 mil pessoas de 50 anos ou mais são monitoradas, a cada dois anos, desde 1992.
Kenneth Langa, de Michigan, informou que a prevalência de Alzheimer em pessoas acima de 65 anos recuou de 11,7% para 9,2%. Uma retração de 21,4%.
O número absoluto de casos, no entanto, se estabiliza, porque o crescimento no número de idosos compensa a menor proporção deles que desenvolve a demência. Mais de 5 milhões de americanos estão nessa condição; no Brasil, estima-se que seja 1,34 milhão.
Os dados dos EUA estão em linha com os do Reino Unido, apresentados na AAAS por Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.
Seu grupo repetiu entre 2008 e 2011 a metodologia aplicada em 1989 e 1994 no Estudo sobre Função Cognitiva e Envelhecimento (CFAS, na sigla em inglês) em três áreas (Cambridge, Newcastle e Nottingham). Ao todo, mais de 7.500 pessoas foram examinadas.
A prevalência recuou de esperados 8,3% para 6,5%, queda de 21,7%. Brayne ressalvou que diferentes padrões de diagnóstico podem distorcer um pouco essas estatísticas, em particular na comparação temporal.
A coincidência com o estudo americano, contudo, reforça a conclusão de que não se trata de um artefato. Além disso, todas as projeções anteriores previam que o risco de desenvolver Alzheimer iria aumentar com o tempo, e não diminuir.
A notícia mais animadora é que a demência, ao que parece, pode ser evitada, ou ao menos adiada.
“Cerca de 30% dos diagnósticos poderiam ser evitados”, concluiu Brayne, com melhor controle das condições de saúde dos idosos.
Como os estudos também investigavam os hábitos de saúde e a condição socioeconômica dos indivíduos, vários fatores associados com risco diminuído de desenvolver Alzheimer foram isolados. Ausência de diabetes e hipertensão, por exemplo, assim como tabagismo.
Além disso, a boa alimentação e atividade física são fatores positivos: ingerir ao menos cinco porções de frutas e verduras e fazer exercícios são hábitos que atuariam protegendo os idosos.
O fator mais poderoso, porém, é o nível de escolaridade. Não se sabe como se dá essa proteção, apenas que parece associada com atividades intelectuais exigentes desde a juventude.
Há coisas mais misteriosas, contudo. Eileen Crimmins, da Universidade do Sul da Califórnia, apresentou resultados extraídos do HRS similares aos de Langa, mas com mais detalhe sobre a quantidade de anos vividos por idosos com e sem comprometimento cognitivo, como Alzheimer.

12.185 – Droga anticâncer ameniza efeitos do Alzheimer e melhora a memória de ratos em testes


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Uma droga utilizada para tratar o câncer foi capaz de reduzir sintomas relacionados ao Alzheimer em ratos. Ela conseguiu, inclusive restaurar algumas funções da memória. No passado, pesquisadores suspeitavam que um sistema imunológico muito ativo poderia estar relacionado com a doença; agora, começam a acreditar no contrário.
Droga anticâncer ameniza efeitos do Alzheimer e melhora a memória de ratos em testes
Os resultados da pesquisa foram promissores e podem apontar um caminho para o tratamento efetivo da doença
Uma droga utilizada para tratar o câncer foi capaz de reduzir sintomas relacionados ao Alzheimer em ratos. Ela conseguiu, inclusive restaurar algumas funções da memória. No passado, pesquisadores suspeitavam que um sistema imunológico muito ativo poderia estar relacionado com a doença; agora, começam a acreditar no contrário.
“O sistema imunológico do cérebro fica extremamente ativo no Alzheimer, e existe um debate sobre essa questão, se essa ativação protege, faz mal, ou um pouco dos dois. Muitos cientistas acreditam que acalmar esse sistema é um tratamento eficaz contra a doença. Mas remédios que fazem isso não obtiveram muito sucesso nos testes clínicos. “, diz a cientista Tara Spires-Jones
O estudo, realizado pelo Instituto de Ciências de Israel, analisou ratos que foram geneticamente modificados para expressarem altos níveis de uma versão mutante da proteína precursora de amilóide. Apesar de os cientistas não saberem exatamente o que ela faz, eles apontam que ela está relacionada à produção do aminoácido beta amilóide. Por sua vez, o aminoácido é conhecido por formar placas tóxicas encontradas no cérebro de pessoas com Alzheimer.
Os ratos foram medicados com drogas que, geralmente, são dadas a pacientes com câncer, para bloquear uma via específica que reduz a atividade do sistema imune. O remédio atua desativando um mecanismo que o próprio sistema constroi para que ele pare de atacar células saudáveis. Achou estranho? É um pouco, mas, assim como na quimioterapia e radioterapia, algumas células saudáveis são sacrificadas para acabar com o tumor.
Quando as drogas foram dadas aos ratos, 50% das placas desapareceram e eles ganharam de volta a habilidade de fazer o caminho de um labirinto – isso indica que alguma parte da memória foi recuperada.
Os resultados são promissores. Apesar disso, trabalhar com ratos e trabalhar com humanos são coisas completamente diferentes: “Tratamentos prévios que miravam no sistema imunológico mostraram bons resultados em ratos e falharam em humanos. Nós ainda precisamos de alguns anos para saber se esse tratamento é eficaz para pessoas com Alzheimer”, diz o pesquisador Doug Brown.

11.605 – Pesquisadores veem sinais de progresso em tratamento para Alzheimer


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Após décadas de pesquisas sobre o mal de Alzheimer, incluindo 123 drogas que fracassaram no tratamento da doença, os principais pesquisadores da área disseram estar mais confiantes sobre a chegada de um tratamento efetivo.
O otimismo tem se espalhado antes da Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (CIAA), que começa neste sábado em Washington, nos Estados Unidos.
Novas drogas experimentais das empresas Eli Lilly e Biogen se mostraram promissoras em reduzir a progressão da doença que afeta o cérebro, atraindo a atenção de investidores e pacientes.
Os medicamentos estão nas fases iniciais de desenvolvimento, mas os pesquisadores da área adquiriram um vasto conhecimento sobre as transformações do cérebro afetado pelo Alzheimer, e possuem um entendimento melhor sobre como e quando intervir com remédios.
“O chavão que se repete desde sempre é: ‘uau, estamos a cinco anos de um tratamento realmente efetivo'”, disse Steven Ferris, que dirige o programa de testes clínicos sobre Alzheimer no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês).
“Seria prematuro dizer que tivemos um avanço decisivo, mas existem muitas coisas em andamento que são bastante promissoras”, acrescentou Ferris, que está envolvido com os testes há mais de 40 anos.
As drogas da Lilly e da Biogen bloqueiam a beta-amiloide, proteína que causa placas cerebrais tóxicas características da doença mental progressiva.
Estima-se que 5 milhões de pessoas possuam Alzheimer nos EUA. A Associação de Alzheimer projeta que até 28 milhões de norte-americanos vão desenvolver a doença até meados do século.

11.534 – Neurologia – Alzheimer pode ter início 18 anos antes dos primeiros sintomas


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O desenvolvimento do Alzheimer pode começar 18 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doença e, consequentemente, do diagnóstico. É o que mostra um novo levantamento publicado na última edição da revista científica Neurology. Até agora, os estudos haviam mostrado que os processos biológicos que causam o transtorno começavam entre 10 e 12 anos antes de os doentes notarem os primeiros sinais do declínio cognitivo.
Para o estudo, os pesquisadores da Universidade Rush, nos Estados Unidos, acompanharam 2 125 idosos durante duas décadas. Os voluntários eram saudáveis e tinham, no mínimo, 65 anos. A cada três anos, os participantes eram submetidos a testes para avaliar a função cognitiva.
Ao final do estudo, 21% dos participantes tinham sido diagnosticados com a doença. Ao olharem para os resultados das avaliações, os pesquisadores perceberam que aqueles que receberam o diagnóstico sempre apresentaram pontuações mais baixas durante todo o estudo. Na verdade, a pontuação diminuiu de forma progressiva em cada teste. Segundo a conclusão do estudo, para cada ponto a menos, o risco de desenvolver Alzheimer aumentava 85%.
Os autores alertam, contudo, que os resultados só servem para o grupo estudado e ainda não podem ser utilizados para prever o risco de um indivíduo desenvolver a doença. A pesquisa aponta para novas abordagens como a utilização de testes não-invasivos e de fácil aplicação para avaliar os riscos das pessoas de meia-idade desenvolverem a demência.
Estima-se que 35 milhões de pessoas têm Alzheimer no mundo. No Brasil, são 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer.

11.352 – Saúde – Café X Alzheimer


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Há algumas boas vantagens em tomar café. E a ciência adora encontrá-las. Dessa vez, aposta que a cafeína pode proteger o cérebro contra o Alzheimer.
Pesquisadores da Universidade Old Dominion, nos Estados Unidos, revisaram uma série de estudos que relacionam a bebida à prevenção (e até ao tratamento) da doença. Em um deles, deram café a ratos. E os níveis da proteína beta-amiloide caíram até 50%. Acredita-se que seja ela seja a responsável pela formação de placas nas células nervosas que destroem as sinapses – e desencadear o Alzheimer.
Segundo Abhishek Mohan, um dos autores da pesquisa, os “resultados intrigantes” indicam “formas de impedir a formação de placas amiloides ou de permitir ao cérebro limpar esses depósitos”.
Resta saber se as descobertas valem mesmo para nós.

11.328 – Droga anticâncer consegue adiar sinais de alzheimer em roedores


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Cientistas conseguiram, em roedores, uma reversão de um quadro de alzheimer, doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, utilizando uma droga que está sendo tesada contra câncer.
Esse trabalho foi realizado na Universidade de Duke (EUA) e publicado recentemente no periódico científico “Journal of Neuroscience”.
Para realizar o estudo, foram criados camundongos manipulados geneticamente para terem genes que levassem ao desenvolvimento da doença. Esses camundongos apresentam características semelhantes aos humanos: alterações comportamentais, perdas de neurônios e placas neuríticas –causadas pelo acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro.
A ideia era observar esses camundongos e acompanhar o desenvolvimento da doença. O grande achado do estudo é que o mal de Alzheimer pode ter como uma de suas causas uma falha no funcionamento de células imunológicas. Quando os cientistas viram o perfil genético de uma célula imunológica presente no cérebro, a microglia, viram que ela estava suprimida.
Segundo Matthew Kan, principal autor do estudo, esse resultado não era exatamente o que se esperava. Os cientistas imaginavam que seria uma atividade exacerbada do sistema imunológico a candidata a promover o aparecimento da doença.
Eles também viram um aumento anormal nos níveis da enzima arginase nas mesmas regiões do cérebro onde neurônios estavam morrendo.
Injetando um bloqueador da atividade da arginase (DFMO) no modelo animal como tratamento preventivo fez com que houvesse um retardo no início dos sinais e com que os animais tivessem um desempenho melhor em testes de memória.

11.269 – Novo estudo revela principal culpado pela doença de Alzheimer


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Uma nova análise de mais de 3.600 cérebros doados nos EUA destacou o papel do mau funcionamento das proteínas tau como a principal causa para o declínio e perda de memória cognitiva associada à doença de Alzheimer, oferecendo um novo enfoque para o tratamento e futuras pesquisas relacionadas à doença.

O que causa o Alzheimer?
A comunidade científica já estudou bastante o assunto. Hoje, é aceito como fato que a doença de Alzheimer se desenvolve em virtude de um defeito no funcionamento de duas proteínas, conhecidas como amiloide e tau.
O que não se sabia ao certo até o momento era o quão grande era o papel de cada uma dessas proteínas do desenvolvimento da doença.
Recentemente, uma grande parte da investigação sobre a doença de Alzheimer tem sido centrada na amiloide, como uma experiência que cancelou a proteína nos cérebros de camundongos e deu-lhes de volta a sua função de memória.
Um novo panorama
Mas pesquisadores da Clínica Mayo, dos Estados Unidos, acharam que a pesquisa estava focando no alvo errado porque o seu estudo sugere que, embora as proteínas amiloides de fato se multipliquem à medida que a doença progride, a sua presença não é o que está provocando a condição.
“A maioria dos campos de pesquisa da Alzheimer tem realmente focado em amiloide ao longo dos últimos 25 anos”, ressalta a pesquisadora chefe e neurocientista, Melissa Murray.
Ainda de acordo com ela, inicialmente, os pacientes que foram descobertos com mutações ou alterações no gene amiloide também tinham a patologia de Alzheimer grave. Nas ressonâncias obtidas ao longo da última década dos cérebros de pacientes assim, também foi descoberto que o nível de amiloide aumentava conforme a doença evoluía. Assim, a maioria dos modelos de Alzheimer foram baseados na toxicidade amiloide, o que tornou o campo dos estudos sobre o Alzheimer míope.
A equipe de Murray examinou 3.618 cérebros pós-morte de um banco de cérebros da Clínica Mayo, e descobriu que 1.375 dos seus proprietários tinham morrido com diferentes estágios de demência. Eles criaram uma linha do tempo para analisar a progressão da doença usando esses cérebros e, assim, criaram uma maneira de quantificar a progressão da formação das proteínas amiloide e tau ao longo do desenvolvimento da doença.
Em seguida, analisaram scans cerebrais tirados de aglomerados de proteína amiloide em pacientes antes da morte, comparando-os com os resultados de exames cerebrais após a morte.
Em conjunto, estas análises revelaram que a concentração da proteína tau em mau funcionamento – e não de amiloide, como se acreditava – é fortemente relacionada com o início do declínio cognitivo, deterioração mental e desenvolvimento de Alzheimer.

A culpa é da tal de tau
Os pesquisadores encontraram uma forte ligação entre o acúmulo de amiloide e um declínio na cognição, mas assim que eles entenderam a gravidade da concentração de tau, esta ligação desapareceu.
Inclusive, em alguns dos cérebros foram encontrados aglomerados amiloides sem que o órgão mostrasse sinais de declínio cognitivo.
Evidências sugerem que a tau anormal então se espalha a partir de uma célula para outra, até chegar e se espalhar por todo o córtex cerebral.
O córtex é a parte mais externa do cérebro que está envolvida em níveis mais elevados de pensamento, planejamento, comportamento e atenção – o que causa aquelas mudanças comportamentais posteriores em pacientes de Alzheimer.
A amiloide, por outro lado, começa a se acumular na parte exterior do córtex e depois se espalha para baixo para o hipocampo e, eventualmente, para outras áreas.
Enquanto a equipe certamente não recomenda ignorar a participação-chave das amiloides na progressão do Alzheimer, incita que pesquisas futuras se concentrem no que está acontecendo com as proteínas tau, na esperança de que possamos descobrir como detectar e deter a progressão da doença.

11.196 – Neurologia – Mais uma arma contra o Alzheimer


Alzheimer

Uma técnica experimental aplicada em ratos conseguiu corroer a placa que se forma no cérebro dos pacientes que sofrem de mal de Alzheimer. Alguns dos animais conseguiram, inclusive, recuperar sua memória.
Os resultados do estudo foram publicados na revista especializada “Science Translational Medicine”.
O dano cerebral causado pela doença de Alzheimer é originado por causa de depósitos de fragmentos da proteína beta-amiloide. Esses depósitos formam placas que afetam as sinapses entre as células nervosas do cérebro.
Para tentar penetrar no cérebro dos ratos e destruir essas placas de beta-amiloide, os neurocirurgiões Jürgen Göt e Gerhard Leinenga, do Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland, na Austrália, usaram um exame de ultrassom, combinado com microbolhas injetadas no sangue do rato que vibram em reação às ondas emitidas pelo aparelho.
Os pesquisadores aplicaram essa técnica ao cérebro de ratos afetados pelo mal de Alzheimer em várias ocasiões durante o período de algumas semanas. Após o experimento, descobriram que as placas desapareceram quase totalmente em 75% dos ratos, sem causar danos ao tecido cerebral.
Os ratos, por sua vez, tiveram melhores resultados nos testes de memória, orientação e reconhecimento de objetos após a aplicação do ultrassom.
A análise dos tecidos cerebrais revelou que o exame de ultrassom também estimulou as células do sistema imunológico do sistema nervoso central (micróglias), que contribuíram para erodir as placas de beta-amiloides.
Os cientistas assinalaram que se trata de uma técnica não invasiva que se encontra nos estágios iniciais de pesquisa. Eles acreditam, porém, que no futuro essa poderá ser uma estratégia para tratar o Alzheimer e outras doenças degenerativas.
Os autores esperam testar agora esta técnica em ovelhas com a doença de Alzheimer.

11.106 – Neurologia – Estamos próximos da cura do Alzheimer e Mal Parkinson (?)


Alzheimer

A cura para doenças neurodegenerativas pode estar mais perto do que se imagina e disponível nos próximos cinco anos. No que diz respeito ao Alzheimer, a forma mais comum de demência, o novo e promissor tratamento é, na realidade, uma vacina capaz de interromper o avanço da doença e reparar alguns danos já causados. Já sobre o Parkinson, uma droga injetada continuamente no paciente atua diretamente no cérebro e está apresentando resultados animadores.
A vacina do Alzheimer ataca o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide, que forma uma prejudicial placa de cera sobre as células do cérebro. Testes do remédio, chamado Betabloc, são realizados no Reino Unido. Os cientistas britânicos, americanos e canadenses envolvidos no estudo da droga acreditam que seu trabalho oferece uma prova final de que a doença de Alzheimer é provocada por alterações químicas no cérebro, embora outros fatores também influenciem no seu desenvolvimento. Antes de chegar ao mercado, a vacina ainda precisa ser testada em larga escala.

Outro mal que afeta muitas pessoas com o passar da idade é a doença de Parkinson. Aqui, a notícia animadora fica por conta de uma droga que é injetada continuamente no paciente, através de cateteres, e que age diretamente na parte afetada do cérebro. A administração da droga é feita por um equipamento implantado no abdômen que faz o bombeamento do GDNF (Fator Neurotrófico Derivado da Glia), que incentiva o crescimento de células cerebrais. As “bombas” são reabastecidos a cada dois meses com uma simples injeção e substituídas a cada 12 meses ou mais.
O tratamento está sendo testado com resultados bastante animadores no Hospital Frenchay, em Bristol, na Inglaterra. Pessoas que experimentaram a droga apresentaram melhoras significativas na coordenação motora e também controle sobre a distonia – a ação involuntária em que o paciente de Parkinson se contorce. A causa da doença é desconhecida e não há cura. Este novo tratamento, no entanto, ainda precisa ser testado por mais tempo e deverá levar mais de cinco anos para estar disponível para um amplo público.

10.940 – Será que agora vai? – Cientistas estudam criação de ‘pílula do rejuvenescimento’


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Cientistas deram o primeiro passo para a criação de uma pílula do rejuvenescimento, capaz de retardar os danos da idade à saúde e a prevenir uma série de doenças. Em um estudo publicado na atual edição da revista Science Translational Medicine, esses pesquisadores demonstraram que um medicamento experimental pode fortalecer o sistema imunológico dos idosos e ajudá-los a combater infecções como a gripe.
A droga em questão tem como alvo uma região do DNA ligada ao envelhecimento e ao sistema imunológico e é uma versão do medicamento rapamicina. Esse remédio faz parte da classe dos inibidores de mTOR, nome dado a uma via genética que, embora promova o desenvolvimento saudável entre jovens, parece ter um efeito negativo sobre a saúde com o avanço da idade. Estudos feitos em animais já indicaram que essas drogas podem prolongar a vida e evitar doenças associadas à velhice. A nova pesquisa é uma das primeiras a confirmar essa hipótese em seres humanos.
Participaram do estudo cerca de 200 pessoas com mais de 65 anos. Parte delas tomou essa esse medicamento ao longo de seis semanas, enquanto o restante ingeriu doses de placebo. Após esse período, todos os voluntários receberam uma vacina contra a gripe.
Segundo os resultados, os idosos que tomaram o medicamento desenvolveram 20% mais anticorpos contra a gripe do que aqueles que ingeriram placebo. Os pesquisadores também perceberam que esses voluntários apresentaram menores quantidades de glóbulos brancos associados ao declínio do sistema imunológico.
Os autores do estudo, que foi conduzido no Instituto de Pesquisa Biomédica da farmacêutica Novartis, afirmam que a pesquisa dá um primeiro passo em direção a um medicamento capaz de reverter os danos do envelhecimento. Novas pesquisas devem ser feitas até que esse medicamento possa a ser utilizado na prática clínica.

Alzheimer
As demências são caracterizadas por uma perda progressiva de diversas funções cognitivas, como perda da memória, capacidade de compreensão e de expressão. A forma mais comum de demência senil é o Alzheimer, doença que consiste no depósito de placas de proteínas beta-amiloides e proteínas tau no cérebro. O acúmulo dessas placas tem sido apontado pelos pesquisadores como um dos responsáveis pelas alterações cerebrais da doença, que levaria ao declínio da cognição.

A estimativa da OMS é que as pessoas que exibem a condição devem saltar das atuais 44 milhões para 135 milhões em 2050, de acordo com os dados da OMS. A prevalência aumenta de 5% a 8% em pessoas com 60 anos e dobra a cada 5 a 9 anos. A probabilidade é que, aos 95 anos, 175 idosos em cada 1.000 tenham a doença. Atualmente, é feito o controle dos sintomas, com medicamentos que melhoram as funções cerebrais e buscam retardar o aparecimento da doença. Os médicos também buscam prevenir seu aparecimento, indicando o combate da obesidade, diabetes e hipertensão, que são alguns dos fatores de risco, além de recomendar atividades que representem desafios cognitivos, como aprender novas línguas. As evidências sugerem, entretanto, que o Alzheimer é uma deformação de um processo natural de envelhecimento do organismo o que faria com que, em alguns anos, a condição possa ser controlada como uma doença crônica.

Câncer
A incidência de muitos tipos de câncer aumenta com a idade, particularmente depois dos 60 anos, e de acordo com a OMS deve crescer 69% até 2030. As estimativas dos cientistas demonstram que o risco de câncer de mama é de cerca de 1 em 400 em uma mulher de 30 anos, enquanto aos 70 anos é de 1 para 9. Dados da ONG Cancer Research mostram que, na Grã-Bretanha, a incidência de câncer masculino aumenta de 116 por 100 000 na faixa etária dos 40 anos, para 3.398 por 100 000 após os 85 anos.
Isso acotece porque a doença está ligada ao processo biológico de reprodução das nossas células. Às vezes, o crescimento descontrolado das células cancerosas tem origem numa mutação causada por um agente cancerígeno. No entanto, em muitas outras situações, a causa parece ser uma mutação aleatória, ocorrida no processo normal de cópia de genes quando nossas células se reproduzem. As células se dividem, inevitavelmente mutações se acumulam sobre mutações e, a longo prazo, talvez seja impossível desconectar o câncer de nossos corpos.
Além de cirurgias, quimioterapias e radioterapias, os médicos indicam a dieta equilibrada, com consumo moderado de álcool e combate ao fumo, além de atividades físicas, como algumas das maneiras de evitar o aparecimento de tumores.

10.371 – Ansiedade, ciúme e mau humor são fatores de risco para Alzheimer em mulheres


Mulheres ansiosas, ciumentas ou mal-humoradas na meia idade correm mais risco de desenvolver Alzheimer no futuro do que aquelas sem essas características. A conclusão é de um estudo que durou 40 anos e foi publicado nesta quarta-feira no periódico Neurology.
Por 38 anos, os cientistas acompanharam 800 mulheres de, em média, 46 anos. Eles analisaram a personalidade das voluntárias por meio de testes de neuroticismo, introversão, extroversão e memória. Ao longo do estudo, dezenove participantes desenvolveram demência. O neuroticismo se refere à facilidade com uma pessoa se desestabiliza emocionalmente e a traços de personalidade como ansiedade, ciúme e mau humor. Pessoas que sofrem de neuroticismo são mais propensas a expressar raiva, culpa, inveja e depressão.
Os pesquisadores também perguntaram às voluntárias se elas haviam tido períodos de stress com mais de mês de duração. Stress refere-se a sentimentos de irritabilidade, tensão, nervosismo, medo, ansiedade e distúrbios de sono. As respostas foram avaliadas de zero a cinco, sendo zero nenhum episódio e cinco stress constante nos últimos cinco anos. Mulheres que se enquadraram nas categorias três a cinco foram consideradas estressadas.
De acordo com os cientistas, não foi encontrada nenhuma relação entre o risco de demência e a personalidade introvertida ou extrovertida. No entanto, mulheres que eram ao mesmo tempo introvertidas e estressadas eram aquelas com maior probabilidade de desenvolver Alzheimer. Das 63 participantes com essas características, dezesseis (25%), tiveram Alzheimer, ante oito das 64 (13%) que eram extrovertidas e calmas.

10.567 – Acredite se Quiser – Maconha pode retardar efeitos do Alzheimer


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A erva já é usada mundo afora com vários objetivos: diminuir dores, náuseas e alguns efeitos secundários de condições como glaucoma, dores nervais e câncer. Agora, em meio a diversos debates sobre a droga, cientistas descobriram que ela pode retardar ou parar completamente a progressão do Mal de Alzheimer. Mas calma. Não vai acender ainda. Segundo pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, a dose de maconha que tem o poder de combater o Alzheimer é mais baixa que a de um baseado.
O estudo revelou que pequenas doses de THC (uma substância química presente na erva) diminuem a concentração de uma proteína chamada beta-amiloide no cérebro. O acúmulo dessa proteína é uma das causas do Alzheimer.
Não é a primeira vez que um estudo científico apontou a eficácia do THC na luta contra o acúmulo de proteína no cérebro. Em 2006, pesquisadores do Instituto theScripps descobriram que o THC bloqueou completamente a formação de placas de beta-amiloide. Aliás, o composto funcionou melhor do que os remédios que são utilizados normalmente contra o Alzheimer.
Para os pesquisadores, em doses muito baixas, os benefícios do THC superam qualquer dano que o composto possa causar. “Não estamos defendendo que as pessoas usem drogas ilícitas para prevenir a doença”, disse o co-autor Neel Nabar. “É importante ter em mente que só porque uma droga pode ser eficaz não significa que ela possa ser usada com segurança por qualquer pessoa. Entretanto, estas descobertas podem levar ao desenvolvimento de compostos relacionados que são seguros, legais e úteis no tratamento do Alzheimer. ”