14.070 – Mega Curiosidades – Quem Inventou o Lápis?


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O lápis que você conhece atualmente tem um aspecto bastante popular em todo o mundo, porém, vale destacar que nem sempre foi assim. Antigamente as barras de grafite eram cortadas em pedaços e embrulhadas em cordões, ou em pele de ovelha.
A história do novo lápis deu início então quando a República Francesa passava por um momento sob bloqueio econômico, incapaz de importar grafite da Grã-Bretanha, a principal fonte do material. Eis então que Lazare Nicolas Marguerite Carnot, um político e matemático francês, resolveu fazer um pedido ao grande Nicholas Jacques Conté, um francês, químico, pintor e militar, para que criasse um lápis que não dependesse de importações estrangeiras.
Após dias quebrando a cabeça, Conté teve a brilhante ideia de misturar grafite em pó com argila para criar a mina interna, uma combinação que possibilitou diferentes misturas, para desenvolvimento de diversos graus de dureza do grafite.
Para fechar o lápis, pressionou a mina entre duas tábuas cilíndricas de madeira, chegando assim no que conhecemos como o lápis moderno.
O criador então patenteou a invenção em 1795, e formou a Société Conté, uma empresa francesa que produz lápis de cor e grafite, bem como diversas outras ferramentas de desenho. A empresa foi comprada em 1979 pela Bic, e posteriormente, a parte de arte e a marca Conté a Paris foram compradas pelo grupo britânico ColArt em 2004.
Nicholas também inventou o lápis conté, um bastão de pastel duro, usado por artistas.
Em 1898, em uma exposição dos produtos da indústria francesa Conté, ganhou uma honrosa distinção, o mais alto prêmio, pelos seus “crayons de várias cores”.
O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.
Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.
O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.
Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.
Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.
De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.
A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.
A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.
Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidorde lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.

14.069 – Automóvel – Por que os velocímetros nunca marcam a velocidade real?


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A primeira resposta é simples: marketing. O fabricante procura passar a impressão de alto desempenho ao adotar um velocímetro cuja grafia vai muito além da velocidade máxima efetiva — mesmo que se considere nesta o erro do velocímetro, a influência de vento a favor, de declives, etc. Como exemplo extremo, o Clio nacional vem, desde seu lançamento, com velocímetro grafado até 240 km/h, incluindo a versão 1,0 de 59 cv, cuja máxima real (de acordo com o fabricante) é de 144 km/h. Nada menos que 66% de sobra!
Há, porém, uma atenuante: como muitas vezes o painel é o mesmo em diferentes versões de motorização, o carro mais fraco pode “passar por mentiroso” porque seu velocímetro prevê a abrangência da velocidade das versões mais potentes.
Quanto à diferença entre a velocidade indicada e a real, ela varia de modelo para modelo, de unidade para unidade e até em um mesmo automóvel durante sua vida útil. O simples desgaste dos pneus ou a variação de sua pressão de enchimento pode produzir diferenças na indicação. Em regra, porém, os velocímetros marcam cerca de 5% a mais que a velocidade real.
Isso acontece, de um lado, para causar a impressão de melhor desempenho e menor consumo (calculado a partir da quilometragem percorrida, o consumo parecerá menor que o efetivo), e de outro, para que pequenos excessos de velocidade não representem infração na realidade, livrando o motorista da multa. Assim, em muitos automóveis, pode-se trafegar a 130 km/h em uma estrada com limite de 120 km/h sem estar, na verdade, acima da velocidade permitida. Mas, em função das variações mencionadas, é melhor não contar com essa margem.

14.065 – NASA conclui cápsula Orion que levará tripulação à Lua até 2022


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Após 50 anos da primeira vez que o homem pisou na Lua, a NASA se prepara para fazer uma segunda viagem: em um evento de comemoração à missão Apollo 11, o vice-presidente norte-americano Mike Pence anunciou a conclusão da construção da cápsula espacial Orion.
“Orion é uma nova classe, projetada exclusivamente para voos espaciais de longa duração, que devolverão os astronautas à Lua e, eventualmente, levarão os primeiros humanos a Marte e os trarão de volta em segurança”, disse a vice-presidente e gerente geral de Espaço Civil Comercial da Lockheed Martin, empresa responsável pela construção da cápsula, Lisa Callahan.
A sua primeira missão será chamada de Artemis 1 e não vai contar com tripulação. A cápsula será enviada para orbitar a Lua a fim de testar os sistemas e analisar caminhos que levem até Marte. O gerente do programa Orion da Lockheed Martin, Mike Hawes, afirmou que os testes devem assegurar a viagem de pessoas à Lua até 2022 — quando a primeira mulher deve ir à Lua.
“O voo Artemis 1 testará o design e a mão-de-obra da cápsula e seu módulo de serviço durante a missão de três semanas ao redor da Lua. Estamos entusiasmados com essa missão, pois ela prepara o caminho para a primeira missão tripulada em 2022. Artemis 2.”, explicou.
Além da Lockheed Martin, a NASA fez parcerias com outras empresas, inclusive de diferentes países, para ampliar a qualidade do projeto e dividir custos. A Agência garante o estabelecimento da presença humana sustentável na Lua até 2028.

14.064 – Como os pássaros voam?


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Esse dom invejável está intimamente associado às penas, que, embora leves e flexíveis, são, ao mesmo tempo, fortes e resistentes. Dependendo da espécie, um pássaro pode ter entre 1 000 e 25 000 penas espalhadas pelo corpo. Mas elas não são as únicas responsáveis pelos shows aéreos que as aves costumam apresentar – na verdade, cada elemento da anatomia desses animais foi feito para que eles pudessem voar. “O formato aerodinâmico do corpo, o esqueleto, a musculatura, o modo de vida e o hábitat são outros fatores que ajudam no deslocamento aéreo”, afirma o ornitólogo Martin Sander, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS. Ainda assim, as asas são as peças principais, por exercerem dois papéis fundamentais: como um propulsor, elas impulsionam o pássaro à frente; e, como um aerofólio, dão a sustentação necessária para mantê-lo flutuando no ar.

Hoje, voar é uma capacidade quase exclusiva das cerca de 9 600 espécies de aves existentes, mas nem sempre foi assim. Outros animais de médio porte também já foram capazes de deslizar pelo céu. Era o caso dos pterodátilos. Os cientistas acreditam que esse réptil se comportava como uma ave marinha, voando em bandos e freqüentando praias há cerca de 200 milhões de anos. Já o mais antigo fóssil de ave encontrado é o de uma espécie do período jurássico, entre 208 e 144 milhões de anos atrás. Batizado de Archaeopteryx lithographica, ele foi achado na Alemanha em 1860.

Obra-prima de anatomia As aves têm penas, ossos e músculos feitos sob medida para vencer a gravidade
Flap orgânico

O polegar dos pássaros tem a mesma função do flap das asas dos aviões, aumentando ou diminuindo a força de sustentação que mantém o pássaro no ar

Esqueleto light

Alguns dos ossos do crânio, do peito e da região das asas são ocos – e, portanto, bem mais leves que o normal. Isso facilita ainda mais o vôo

Vigor muscular

O esterno (osso do peito) possui uma quilha na maioria das aves de onde saem os músculos peitorais. Essa musculatura é a mais forte e desenvolvida, porque movimenta as asas

Leque natural

Cada pena tem um eixo de onde partem inúmeras ramificações, que vão sendo enganchadas umas nas outras. A estrutura transforma a pena num leque ultra-resistente ao vento

Radar meteorológico

Na região do peito existem penas especiais que funcionam como órgãos sensores, detectando as alterações na velocidade e na direção das correntes de ar – informações das quais os pássaros sabem tirar proveito durante o vôo

Esquerda, volver
As penas da cauda auxiliam na direção, orientando o vôo para a direita ou para a esquerda

Plumas de impulsão
As asas têm vários tipos de penas, mas nem todas desempenham um papel fundamental no vôo. As que mais se destacam nessa função são: rêmiges primárias (1) – servem para dar o impulso à frente durante o bater das asas; rêmiges secundárias (2) – ajudam a sustentar a ave no ar; álulas (3) – têm função aerodinâmica, regulando o ar que bate na asa

Aerofólio animal
Não foi à toa que os aviões copiaram das asas dos pássaros o formato de aerofólio. Ele faz com que o ar que passa por cima delas (seta menor) tenha pressão inferior ao que passa por baixo (seta maior). Esse efeito aerodinâmico gera a força de sustentação necessária para vencer a gravidade
Uma questão de estilo Dois casos especiais provam que nem todas as aves voam de modo igual
Planador emplumado
Os albatrozes não gostam de fazer esforço para voar – preferem pegar carona em massas de ar quente. Para isso, eles ficam com as asas abertas, mas sem batê-las: apenas planando

Velocista imbatível
O pássaro mais rápido do mundo é o falcão-peregrino, que voa a 160 km/h. Quando está perseguindo uma presa, porém, ele é capaz de mergulhar a velocidades de até 320 km/h!

14.063 – Celebridades – Por onde anda Sharon Stone?


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Ela alcançou o reconhecimento internacional por seu papel no thriller erótico Instinto Selvagem. Foi nomeada para um Oscar de Melhor Atriz e ganhou um Globo de Ouro de Melhor Atriz em um Filme Dramático por sua atuação em Casino.
Nascida em Meadville, 10 de março de 1958.
A atriz chegou a posar nua na revista Playboy, na época do filme Basic Instinct. Além do inglês, fala fluentemente italiano. Possui uma estrela na Calçada da Fama.
Em outubro de 2001 a atriz sofreu uma hemorragia cerebral. Nos dois anos seguintes teve de reaprender a andar, a falar e a ler.
A artista alertou as pessoas sobre o perigo do aneurisma não ser tratado a tempo.”Se você sentir uma dor de cabeça muito forte, você precisa ir para o hospital, eu só fui depois de três ou quatro dias. A maior parte das pessoas morrem. Eu tive 1% de chance de sobreviver quando fiz a minha cirurgia e ninguém me contou isso, eu li em uma revista.
Sharon Stone passou boa parte da década passada lutando para se recuperar de um aneurisma.

Ao todo, ela diz que foram sete anos de tratamentos intensivos. Nesse período, a estrela de Hollywood acredita ter sido abandonada por todos ao redor.

Em evento do Women’s Brain Health Initiative, a atriz de 61 anos lamentou a falta de apoio após a doença, que foi desencadeada em 2001. “A minha mãe teve um aneurisma, a minha avó teve um aneurisma, eu tive um enorme aneurisma e mais nove dias de sangramento no cérebro. As pessoas me trataram de uma forma brutalmente indelicada. De outras mulheres da minha profissão à juíza que cuidou da custódia dos meus filhos, eu acho que ninguém refletiu sobre como um aneurisma pode ser perigoso para uma mulher e como é difícil a recuperação, para mim foram sete anos”, desabafou ela.

14.057 – Como Funciona o Trem Bala?


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Eles conseguem fazer isso graças a poderosos eletroímãs – peças que geram um campo magnético a partir de uma corrente elétrica – instalados tanto no veículo quanto nos trilhos. Os maglevs (abreviação de “levitação magnética”), como são chamados, nada têm a ver com os famosos trens-bala que circulam no Japão e na Europa com motores elétricos e rodas comuns e atingem até 300 km/h. Já os maglevs, que ainda não entraram em operação em nenhum lugar do mundo, poderão superar os 500 km/h, pois não sofrerão nenhum atrito com o solo. As vantagens não param por aí. Eles consumirão menos energia, serão mais silenciosos e não precisarão de tanta manutenção. A expectativa é de que esses trens flutuantes possam competir até com vôos regionais, revolucionando o transporte entre cidades.
Um maglev venceria a distância entre Rio e São Paulo em 50 minutos, praticamente o mesmo tempo da ponte aérea, mas a um custo bem inferior. Por que, então, eles ainda não estão em funcionamento? O problema é o enorme investimento necessário para instalar linhas totalmente novas – enquanto os trens-bala comuns podem aproveitar as ferrovias já existentes.
Transporte revolucionário O trem alemão Transrapid levita a 10 milímetros de altura
CABINE DE COMANDO
Apesar de ter, na frente, uma cabine de comando tripulada, como os trens tradicionais, o maglev não possui uma locomotiva propriamente dita, já que o “motor” não fica no trem e sim nos trilhos inteiros. Cada vagão tem seus próprios ímãs e é capaz de levitar sozinho

TRILHOS MAGNÉTICOS
O verdadeiro motor do maglev está na linha que ele irá percorrer. Uma bobina de cabos ao longo dos trilhos produz um campo magnético variável que impulsiona o trem a velocidades de até 500 km/h. Para economizar energia, apenas a parte da linha sobre a qual o trem está passando permanece ligada

CHASSI INFERIOR
Essa estrutura embaixo dos vagões carrega os ímãs responsáveis pela levitação e pela direção do veículo. Apesar de envolver as guias da linha (para evitar descarrilamento), o chassi não toca nelas e fica suspenso no ar, a 10 milímetros de distância

ÍMÃS DE DIREÇÃO
Quatro eletroímãs, dois de cada lado do trem, são atraídos para a guia. O resultado é um equilíbrio de forças (seta amarela) que impede o trem de tocar nos trilhos. Nas curvas, a potência dos ímãs é automaticamente ajustada por computadores para que o trem vire suavemente, sem solavancos

ÍMÃS DE LEVITAÇÃO
Ficam embaixo dos trilhos e apontados para cima, sustentando o trem no ar com sua força magnética (seta verde). São eles que impulsionam o trem para a frente, reagindo às variações na corrente elétrica que passa pela linha

BOBINA DE CABOS
A bobina é formada por três cabos elétricos trançados que percorrem todo o trilho. A diferença de corrente elétrica entre eles gera o campo magnético que faz o trem avançar (seta vermelha). Para freá-lo, basta inverter a direção desse campo

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14.056 – A Antigravidade


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Um dos fatos mais surpreendentes sobre a ciência é como são aplicáveis universalmente as leis da natureza. Cada partícula obedece as mesmas regras, experimenta as mesmas forças e vê as mesmas constantes fundamentais, não importando onde ou quando elas existam. Gravitacionalmente, todas as entidades do universo experimentam, dependendo de como você as vê, ou a mesma aceleração gravitacional ou a mesma curvatura do espaço-tempo, não importando as propriedades que possui.
Pelo menos, é como as coisas são na teoria. Para o astrofísico Ethan Siegel, fundador e escritor de Starts With A Bang, na prática, algumas coisas são notoriamente difíceis de medir. Fótons e partículas normais e estáveis caem como esperado em um campo gravitacional, com a Terra fazendo com que qualquer partícula massiva acelere em direção ao seu centro a 9,8 m / s 2 . Apesar de nossos melhores esforços, nunca medimos a aceleração gravitacional da antimatéria. Deveria acelerar exatamente da mesma maneira, mas até medirmos isso, não podemos saber.
Um experimento está tentando decidir o assunto, de uma vez por todas. Dependendo do que encontrar, pode ser a chave para uma revolução científica e tecnológica. Se quisermos saber como a antimatéria se comporta gravitacionalmente, não podemos simplesmente sair do que teoricamente esperamos ; temos que medir isso. Felizmente, há um experimento em execução agora que foi projetado para fazer exatamente isso: o experimento ALPHA no CERN .
A colaboração ALPHA foi a mais próxima de qualquer experimento a medir o comportamento da antimatéria neutra em um campo gravitacional. Com o próximo detector ALPHA-g, poderemos finalmente saber a resposta. Crédito: Maximiniel Brice/CERN)
Um dos grandes avanços que foram dados recentemente é a criação não apenas de partículas de antimatéria, mas estados neutros e estáveis do mesmo. Antiprótons e pósitrons (antielétrons) podem ser criados, desacelerados e forçados a interagir uns com os outros, onde formam um anti-hidrogênio neutro. Usando uma combinação de campos elétricos e magnéticos, podemos confinar esses antiátomos e mantê-los estáveis, longe do assunto que os faria aniquilar.
O novo detector ALPHA-g, construído na instalação Triunf do Canadá e enviado ao CERN no início deste ano, deve melhorar os limites da aceleração gravitacional da antimatéria até o limiar crítico. Do ponto de vista teórico e de aplicação, qualquer resultado que não os esperados +9,8 m/s2 seria absolutamente revolucionário. A contraparte da antimatéria de todas as partículas de matéria deve ter: a mesma massa, a mesma aceleração em um campo gravitacional, a carga elétrica oposta, a rotação oposta, as mesmas propriedades magnéticas, deve se unir da mesma forma em átomos, moléculas e estruturas maiores e deve ter o mesmo espectro de transições de positrons nessas variadas configurações.
Alguns destes foram medidos por um longo tempo: massa inercial da antimatéria, carga elétrica, spin e propriedades magnéticas são bem conhecidos. Suas propriedades de ligação e transição foram medidas por outros detectores no experimento ALPHA e se alinham com o que a física de partículas prevê. Mas se a aceleração gravitacional voltar negativa em vez de positiva, literalmente viraria o mundo de cabeça para baixo.
(O detector ALPHA-g, construído na instalação de aceleração de partículas do Canadá, TRIUMF, é o primeiro de seu tipo projetado para medir o efeito da gravidade na antimatéria. Quando orientado verticalmente, deve ser capaz de medir em qual direção a antimatéria cai e em qual magnitude. Crédito: Stu Shepherd/ Triumf)
Atualmente, não existe tal coisa como um condutor gravitacional. Em um condutor elétrico, cargas livres vivem na superfície e podem se mover, redistribuindo-se em resposta a quaisquer outras cargas ao redor. Se você tiver uma carga elétrica fora de um condutor elétrico, o interior do condutor será protegido dessa fonte elétrica.
Mas não há como se proteger da força gravitacional. Não há como montar um campo gravitacional uniforme em uma região do espaço, como você pode fazer entre as placas paralelas de um capacitor elétrico. O motivo? Porque ao contrário da força elétrica, que é gerada por cargas positivas e negativas, há apenas um tipo de “carga gravitacional”, e isso é massa e energia. A força gravitacional é sempre atraente e simplesmente não há maneira de contornar isso.
Mas se você tem massa gravitacional negativa, tudo isso muda. Se a antimatéria realmente se torna antigravitacional, caindo em vez de cair, então a gravidade a vê como se fosse feita de antimassa ou antienergia. Sob as leis da física que atualmente entendemos, quantidades como antimassa ou antienergia não existem. Podemos imaginá-los e falar sobre como eles se comportariam, mas esperamos que a antimatéria tenha massa normal e energia normal quando se trata de gravidade.
(A ferramenta Virtual IronBird para o Centrifuge Accommodation Module é uma maneira de criar gravidade artificial, mas requer muita energia e permite apenas um tipo específico de força de busca de centro. A verdadeira gravidade artificial exigiria que algo se comportasse com massa negativa. Crédito: NASA/AMES)
Se antimassa existe, no entanto, uma série de grandes avanços tecnológicos, imaginados por escritores de ficção científica por gerações, de repente se tornariam fisicamente possíveis. Podemos construir um condutor gravitacional e nos proteger da força gravitacional. Podemos montar um capacitor gravitacional no espaço, criando um campo de gravidade artificial uniforme. Poderíamos até mesmo criar um drive de dobra, já que teríamos a capacidade de deformar o espaço-tempo exatamente da maneira que uma solução matemática para a Relatividade Geral, descoberta por Miguel Alcubierre em 1994, exige.
É uma possibilidade incrível, que é considerada altamente improvável por praticamente todos os físicos teóricos. Mas não importa quão selvagens ou domesticadas sejam suas teorias, você deve confrontá-las com dados experimentais; somente medindo o Universo e colocando-o à prova, você pode determinar com precisão como as leis da natureza funcionam.

14.054 – Terra, Eterna Enquanto Dura – Vida na Terra acabará em 2 bilhões de anos, mas Humanidade vai antes


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Um modelo de cálculo executado por computadores estima que a vida no nosso planeta vai acabar em exatos 2.000.002.013 (dois bilhões e dois mil treze) anos. A equação foi elaborada pelo astrobiólogo Jack O’Malley-James, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, em parceria com um grupo de pesquisadores de seu campus.
Ao jornal argentino “Clarín”, O’Malley-James explica que a temperatura média da Terra subirá gradualmente ao longo da evolução do sol, e o aumento das temperaturas levará ao aumento da evaporação da água, colocando mais vapor de água na atmosfera. Uma consequência disso é que haverá mais chuva, o que, segundo o astrobiólogo, vai reduzir os níveis de CO2 da atmosfera.
Com o tempo, os níveis de CO2 ficarão tão baixos que as plantas não serão capazes de fazer fotossíntese e muitas grandes plantas e árvores que vemos ao nosso redor todos os dias serão extintas, na análise do cientista. E, sem planta, toda a cadeia alimentar se perderá e todos nós seremos extintos, por causa também dos baixos níveis de oxigênio.
E agora a notícia pior: o cientista escocês garante que os humanos e as plantas deixarão a face da Terra muito antes, na metade deste tempo, daqui a um bilhão de anos. E o processo se extinção se seguirá até que, ao fim dos dois bilhões de anos, os últimos micróbios desaparecerão.

Mas, tais previsões sinistras podem não chegar a acontecer. Boa parte dos cientistas também acredita que seremos salvos por nossa tecnologia.

14.046 – Mega Projeções – Ninguém mais vai usar smartphone em cinco anos, diz Samsung


O lançamento do Galaxy Fold tem sido um grande desafio para a Samsung, mas isso não fez que a empresa mudasse sua visão sobre o dispositivo. Para a companhia, o hardware dobrável é uma espécie de ponte para um futuro sem smartphones
“O design do smartphone atingiu um limite e, por isso, projetamos um modelo dobrável”, diz Kang Yun-Je, chefe da equipe de design da empresa. “Além disso, estamos nos concentrando em outros dispositivos que já começam a causar um impacto mais amplo no mercado, como fones de ouvido inteligentes e smartwatches. Em cinco anos, as pessoas nem perceberão que usam telas.”
“O design do smartphone atingiu um limite e, por isso, projetamos um modelo dobrável”, diz Kang Yun-Je, chefe da equipe de design da empresa. “Além disso, estamos nos concentrando em outros dispositivos que já começam a causar um impacto mais amplo no mercado, como fones de ouvido inteligentes e smartwatches. Em cinco anos, as pessoas nem perceberão que usam telas.”
Para assistir a vídeos, ouvir música, visualizar e responder mensagens, “pode-se ter a mesma experiência em qualquer lugar”. “O dobrável vai durar anos”, estima Cibils. “Uma vez que o 5G e a internet das coisas estejam disponíveis [juntos], em vez de smartphones haverá dispositivos inteligentes. Eles podem diminuir, mas novos aparelhos surgirão.”

14.045 – Arqueologia – Brasileiros descobrem artefatos humanos mais antigos fora da África


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Uma expedição realizada no norte da Jordânia entre 2013 e 2015 por uma equipe de arqueólogos ítalo-brasileira encontrou artefatos de pedra lascada de 2,4 milhões de anos – provavelmente produzidos por hominídeos pertencentes ao gênero Homo.
Isso significa que os primeiros ancestrais humanos a saírem da África rumo ao Oriente Médio começaram essa jornada no mínimo 500 mil anos antes da data tida como consenso pela comunidade científica até então.
A descoberta foi anunciada em uma coletiva de imprensa no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA). O artigo científico que detalha as conclusões do grupo foi publicado na revista Quaternary Science Reviews.
Também participaram da pesquisa o paleoantropólogo Walter Neves, da USP, Giancarlo Scardia, da Unesp de Rio Claro, e Fabio Parenti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – que explora o vale do rio Zarqa, próximo a Amã, capital da Jordânia, desde a década de 1990.
Para entender por que esses artefatos – os mais antigos já encontrados fora da África – podem virar de ponta cabeça a história da humanidade, primeiro é preciso entender essa história da maneira como ela é contada hoje.
Na biologia, toda espécie é batizada com um nome científico duplo. Quando duas espécies são muito próximas, elas pertencem ao mesmo gênero, e, assim, têm o primeiro nome igual. É o caso do lobo (Canis lupus) e do coiote (Canis latrans).
Hoje, não há nenhum animal aparentado o suficiente com o ser humano para carregar o nome Homo – mas 2 milhões de anos atrás, a situação era bem mais confusa.
O pioneiro de nossa linhagem foi o Homo habilis – que viveu na África entre 2,4 a 1,4 milhões de anos atrás. Ele ainda tinha uma aparência próxima a de um símio, um cérebro 30% maior que o de um chimpanzé e no máximo 1,4 metro de altura. Ele foi o primeiro a fabricar ferramentas. Até onde se sabe, a partir dele se ramificaram espécies como o Homo naledi (que não interessa para nós) e o Homo erectus (que interessa bastante para nós).
O erectus, que surgiu há 1,9 milhões de anos e compartilhou a Terra com o sapiens até bem recentemente, foi o primeiro a sair da África e explorar os demais continentes. Ele já era um bípede de pernas desenvolvidas, e tinha um cérebro com dois terços do volume do de um humano moderno.
Os erectus que se estabeleceram na Ásia e na Europa dariam origem aos homens de Neandertal e de Denisova. Uma parcela dos erectus que ficaram na África, por sua vez, deu origem a nós. No intervalo entre erectus e sapiens é provável que tenha existido uma terceira espécie, o heidelbergensis. Mas não vamos complicar a árvore genealógica sem necessidade.
A moral da história é: houve duas ondas migratórias para fora da África. É por isso que, quando o ser humano moderno (Homo sapiens) deixou seu berço, há meros 70 mil anos, ele encontrou a Ásia já habitada por Neandertais e Denisovanos. Esses humanos diferentões descendiam de erectus que haviam saído do continente muito antes, há 1,9 milhão de anos.

14.044 – Ficção e Animação – Speed Racer e o Match 5


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Speed Racer nasceu em 1966 na forma de mangá, e tinha outro nome: Mach Go Go Go. Um ano depois, virou uma série animada na TV japonesa, com 52 episódios.

O nome original do piloto é “Go Mifune” – uma homenagem ao ator japonês Toshiro Mifune, protagonista de Os Sete Samurais (1954). Mifune é, de longe, o ator mais importante da história do cinema japonês.

O nome Speed Racer, que passou a batizar tanto o piloto do Mach 5 quanto o próprio desenho, surgiu quando a produtora americana Trans-Lux comprou os direitos do desenho, ainda em 1967. O projeto foi conduzido pelo ator americano Peter Fernandez, que dublou as vozes de Speed e do Corredor X para o inglês. No Brasil, o desenho estreou na TV Tupi, nos anos 1970.
Era um V12 de 1.700 cavalos que atiçou a imaginação de algumas gerações, e que tem um lugar cativo no pódio de carros mais emblemáticos da ficção.
Vamos começar pelo acessório mais emblemático do Mach 5: as serras frontais, acionadas pelo botão “C”. Elas nunca eram usadas contra competidores. Speed Racer só ativava elas para atravessar florestas – criando a cena clássica das toras voando pelos ares enquanto Speed acelera (socorro, chamem o Ibama!).
O carro tinha seu “drone” antes da invenção dos drones. Ele tinha formato de pombo-correio e saía de uma abertura no capô. O passarinho robótico tinha uma câmera que transmitia imagens aéreas para o painel do carro. Mas sua grande função era como WhatsApp do piloto: ele transportava mensagens.
O carro tinha um botão extra, fora do volante, que ficava entre os assentos e enviava o drone para locais previamente programados (como num GPS). A tecla H (home) mandava o drone para onde ele se dirigia na maioria das vezes: a casa da família Racer.
A carroceria tinha macacos hidráulicos embutidos. Eles acionavam quatro pernas mecânicas que serviam de molas – e, graças às leis da física dos desenhos animados, permitiam ao Mach 5 saltar obstáculos. Dava para ativar cada uma das pernas hidráulicas individualmente.
Os faróis tinham lâmpadas que se movimentam independentemente, como os olhos de um camaleão, e como alguns carros de hoje. Para dar uma força nas corridas noturnas, o capacete de Speed tinha visor infravermelho. Mais tarde na série de desenhos, o botão E passou a ativar asinhas laterais, que davam uma força nos voos do carro (de novo, graças à física da ficção).
Esse botão acionava um vidro blindado, que selava o cockpit. A cúpula de proteção aguentava disparos de armas de fogo, explosões e o escambau. Ah, claro: também vedava o carro para viagens submarinas.
Acionava uma camada superaderente de borracha que colava o Mach 5 em paredes, como uma lagartixa.
Speed pressionava esse botão e o carro virava um submarino. Além do cockpit vedado, havia um tanque de oxigênio embutido atrás do assento com a autonomia de 30 minutos. Um periscópio ligado a um sistema de vídeo permitia que Speed visse tudo o que se passava na superfície.
Para finalizar, um acessório mundano: o porta-malas (que devia abrir só com chave mesmo, já que não há registro de um botão reservado para abrir a tampa, rs). Seja como for, o compartimento tinha uma finalidade dramática: servia de esconderijo para Gorducho, o irmão mais novo de Speed, e para o chimpanzé Zequinha, já que a dupla sempre se infiltrava no compartimento de carga do Mach 5 para participar furtivamente das corridas.

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14.043 – Supernova – A Morte Brilhante das Estrelas


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Supernovas são objetos celestes pontuais com luz extremamente intensa e com duração de apenas alguns meses. Da antiguidade, há poucos registros desses objetos, que desafiavam a compreensão de seus observadores. Na Europa dominada pelo aristotelismo, nenhum astrônomo lhes deu maior atenção. Pois segundo Aristóteles, o céu era imutável, do que se deduzia que tanto cometas como supernovas eram fenômenos atmosféricos. Como mostraremos mais adiante, as supernovas são explosões de estrelas de grande massa que exauriram suas fontes convencionais de energia.

A luminosidade de uma supernova (SN) é gigantesca. Em seu pico, que ocorre poucas semanas após o seu aparecimento, a luminosidade pode atingir valores de dez bilhões de sóis e a SN pode competir em luminosidade com toda a galáxia em que se situa. A figura 1 mostra a foto da SN 1994D que explodiu nas bordas da galáxia espiral NGC 4526 situada à distância de 108 milhões de anos-luz. Uma supernova expele até cerca de 90% da sua massa para o espaço, e séculos depois essa massa de gás pode ser vista como uma nebulosa em forma esférica ou de anel. A figura 2 mostra os gases formados por uma supernova que Kepler notou pela primeira vez dia 17/10/1604. Esta foi a última supernova inquestionavelmente observada na Via Láctea. Ocorreu a 20 mil anos luz de distância e pôde ser vista durante o dia por 3 semanas. Mas exames recentes de restos de SN indicam que em nossa galáxia ocorre em média uma supernova a cada 50 anos, ou seja, a cada 1,5 bilhões de segundos. Como o universo visível tem cerca de mil bilhões de galáxias, a cada segundo nele explodem centenas de SN. Mas mesmo com o atual sistema de monitoramento por meio de poderosos telescópios, a grande maioria delas passa despercebida.
Os primeiros estudos teóricos sobre supernovas foram realizados pelo físico suíço Fritz Zwicky (1898 – 1974) que desde os 27 anos trabalhou no Instituto Tecnológico da Califórnia. Zwicky, que em 1926 cunhou o termo supernova, teorizou que elas eram geradas por explosões de estrelas anãs brancas (ver anãs brancas no artigo Evolução Estelar). Junto com seu colega Walter Baade, Zwicky também reconheceu dois tipos de supernovas: Tipo I, cujo espectro de emissão não contém raias de absorção por hidrogênio, e Tipo II, que mostram raias de hidrogênio muito alargadas. É fato reconhecido da sociologia da ciência que a aceitação inicial de idéias realmente pioneiras depende consideravelmente da personalidade dos seus proponentes. Ocorre que Zwicky tinha um caráter singularmente arrogante e áspero. Sobre seus colegas de ofício, dizia que eram idiotas esféricos. Esféricos porque pareciam igualmente idiotas, qualquer que fosse o ângulo de visão. Esse não é definitivamente o tipo que faz sucesso facilmente. Ele fez algumas descobertas de grande importância que só foram levadas a sério décadas mais tarde. Em 1933, descobriu a existência da matéria escura, mas foi ignorado até os anos 1970, quando a matéria escura foi redescoberta independentemente. Coisa algo semelhante ocorreu com suas descobertas e idéias pioneiras sobre SN.
Os estudos mais recentes exigiram uma classificação mais detalhada das SN. Há 3 classes de supernovas tipo I, que são Ia, Ib e Ic, e pelo menos 3 classes de SN tipo II. Essa classificação é feita com base no espectro de luz das SN e também na sua curva de luminosidade, ou seja, a maneira como a luminosidade aumenta e, após atingir seu pico, decresce até finalmente tornar-se talvez invisível. Somente as SN tipo Ia são explosões de estrelas anãs brancas. As outras são explosões de estrelas gigantes – com massa maior do que uns 9 sóis – que consomem rapidamente o hidrogênio do seu núcleo, entram em crise energética e explodem sem passar pelo estágio de anãs brancas. Supernovas Tipo Ia podem ser observadas tanto em galáxias elípticas, nas quais há muito não há formação de novas estrelas, quanto nas galáxias espirais. Os outros tipos de supernovas só ocorrem nos braços das galáxias espirais, onde a formação de novas estrelas ainda é freqüente. Isso ocorre porque uma estrela com massa de 10 sóis vive apenas uns 10 milhões de anos antes de explodir como supernova.

Por que anãs brancas podem explodir como supernovas

Como se pode ver no artigo Evolução Estelar, estrelas com massa na faixa aproximada de 1 a 9 sóis, uma vez exaurido o hidrogênio em seus núcleo, passam por um processo no qual se tornam gigantes vermelhas, expelem grande parte da sua massa externa e o núcleo remanescente se transforma em uma anã branca composta principalmente de carbono e oxigênio. Uma anã branca é capaz de se manter estável, evitando seu colapso gravitacional por meio da chamada pressão por degenerescência eletrônica, desde que sua massa seja inferior ao chamado limite de Chandrasekhar, cujo valor é cerca de 1,4 massas solares. Mas uma estrela anã branca pode ganhar massa adicional se for parte de um sistema binário (pelo menos metade das estrelas existentes são binárias) e se a sua companheira também vier a se tornar gigante vermelha. Nesse caso, a anã branca começa a absorver matéria da vizinha agigantada (ver figura 4) até que finalmente atinja o limite de Chandrashekhar. Ao atingir esse limite, ela se colapsa e seu núcleo atinge temperatura de bilhões de graus, o que inicia um processo explosivo de fusão de carbono e oxigênio. Em questão de segundos a SN emite (1-2) x 1044 joules de energia, o que, em ordem de grandeza, equivale ao que o Sol emitirá em toda a sua existência.
Supernovas Tipo Ia são usadas como velas padrão

Vimos que a energia emitida por supernovas Tipo Ia varia por um fator de apenas 2. O mesmo ocorre com sua luminosidade máxima, que ocorre cerca de 2 semanas após a explosão. Pelo exame do espectro da luz emitida pela supernova, os astrônomos aprenderam a reconhecer as que têm maior ou menor luminosidade. Assim, essas supernovas têm sido utilizadas como velas padrão (fontes de intensidade bem estabelecida). A comparação entre a luminosidade aparente e a luminosidade absoluta presumível tem possibilitado medidas de grandes distâncias astronômicas com incerteza de apenas 7%, o que é muito pouco comparado com os métodos tradicionais. Isso tem levado a importantes avanços em cosmologia observacional, que serão discutidos mais adiante.

Os outros tipos de supernovas são explosões de estrelas muito massivas

Estrelas com mais de 9 massas solares podem explodir como supernovas sem passar pelo estágio de anãs brancas. Elas têm uma evolução complexa e relativamente rápida. No início, como todas as estrelas, elas geram energia pela fusão de hidrogênio em hélio em seu núcleo. Quando o hidrogênio no núcleo se exaure, cessa a geração de calor, a pressão para fora gerada pelo núcleo diminui e este se contrai sobre a pressão gravitacional da região externa rica em hidrogênio. Essa compressão aquece o núcleo o bastante para que 3 núcleos de hélio sejam fundidos para formar carbono. Na camada adjacente a esse núcleo superaquecido a temperatura se eleva o bastante para que tenha início a fusão do hidrogênio. Mas essa etapa evolutiva também chega a um fim e a estrela sofre nova compressão. No núcleo, elementos mais pesados começam a ser gerados por fusão, na camada adjacente tem início fusão de hélio para gerar carbono e em uma terceira camada começa a fusão do hidrogênio. As etapas vão se sucedendo até que a estrela adquira uma estrutura tipo cebola como exibida na figura 5.

 

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Figura 5 – Estrutura de cebola de uma estrela muito massiva ao final da sua vida na Sequência Principal.

Em dado momento, o calor gerado pelos processos de fusão não é mais capaz de gerar pressão para fora que suporte a compressão gravitacional. O núcleo central de ferro sofre um colapso com velocidade de até 70.000 km/s. Energia da ordem de 1046 joules é emitida na forma de neutrinos. Cerca de um centésimo da energia desses neutrinos é absorvida pelas camadas externas, o que gera a explosão de supernova. Material é expelido da estrela com velocidades de até 30.000 km/s, no que ela perde cerca de 90% da sua massa. O núcleo remanescente se transforma em uma estrela de nêutrons se a massa da estrela progenitora for menor do que cerca de 20 massas solares. Se for maior do que esse limite estimado, o núcleo se transforma em um buraco negro. Simulações em computador mostram que estrelas com massa maior do que 50 massas solares entram em colapso e convertem-se diretamente em buracos negros sem que haja uma explosão tipo supernova.

Os elementos pesados da tabela periódica são originários de supernovas

Não fossem as supernovas, a vida no universo seria impossível porque a química existente seria excessivamente simples. De fato, no Big Bang só foram produzidos hidrogênio, hélio e uma pitadinha de lítio. Todos os outros elementos são sintetizados em estrelas massivas e em algumas delas jogados no espaço em explosões de supernovas. Mesmo em estrelas com massa maior do que 9 massas solares, que dão origem a supernovas tipos Ib, Ic e II, os processos de fusão nuclear não são capazes de gerar elementos mais pesados do que o ferro. Isso porque a fusão nuclear do ferro com outros elementos consome energia em vez de gerá-la. Mas na explosão de supernovas, qualquer que seja o seu tipo, as ondas de choque do gás em expansão são capazes de suprir a energia suficiente para a síntese de todos os elementos da tabela periódica. Se uma nova estrela se forma em gás enriquecido desses elementos e essa estrela contém um sistema planetário, esses planetas podem apresentar uma química complexa o bastante para que nela se desenvolva a vida. Isso é exatamente o que ocorreu com o nosso Sol e seus planetas. A concentração de elementos pesados no Sol sugere que ele na verdade seja uma estrela de terceira geração. Com isso se quer dizer que ele foi gerado de gás produzido por uma (ou mais de uma) supernova cuja estrela progenitora (ou estrelas progenitoras) foram formadas de restos de supernovas. Eu e você, caro leitor, somos feitos de lixo atômico, somos filhos e netos de uma das maiores calamidades nucleares que se conhece no universo.

14.042 – Astronomia – Mega de ☻LHO no Eclipse


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O eclipse solar foi totalmente visível apenas em uma faixa da Terra entre o Chile e a Argentina. O fenômeno foi parcial no Brasil.
No fim da tarde desta terça-feira, foi possível acompanhar em 14 das 27 capitais: Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Palmas, Cuiabá, Goiânia e Brasília.
Campo Grande, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também ficaram dentro do limite.
O eclipse solar de 2 de julho de 2019 foi um eclipse total visível no sul do Oceano Pacífico e na América do Sul. Foi o eclipse número 58 na série Saros 127 e teve magnitude 1,0459.

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14.041 – Mais Sobre Nanotecnologia


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A nanotecnologia consiste nos estudos e na manipulação da matéria em escala atômica e molecular. O nome dado a essa nova tecnologia deriva do termo nanômetro, que corresponde a um bilionésimo do metro (0,000000001 m), e foi definido pela Universidade Científica de Tóquio, em 1974.

O avanço da nanotecnologia ocorreu a partir do desenvolvimento do Microscópio eletrônico de varredura (MEV), em 1981, na Suíça. Esse microscópio tem uma capacidade de aumento muito maior que os microscópios ópticos. Ele é constituído por uma agulha extremamente fina, formada por poucos átomos, que executa a varredura de uma superfície a uma distância de um nanômetro. Durante essa varredura, os elétrons tunelam da agulha para a superfície, criando uma corrente de tunelamento, que é utilizada por um computador para criar uma imagem extremamente ampliada dessa superfície, tornando visíveis os seus átomos.
Ao tornar possível a visualização do relevo atômico de uma superfície, esse microscópio também possibilitou a criação de uma série de instrumentos para visualizar e manipular materiais em escala atômica.

Qual a importância dos estudos da nanotecnologia?
A matéria em escala nanométrica tem propriedades diferentes dos materiais macroscópicos. Nessa escala, já não são válidos os princípios da Física Clássica, e sim os da Física Moderna, que considera a dualidade onda-partícula e a Física Quântica. Pequenas mudanças na estrutura da matéria podem acarretar mudanças significativas em suas características físicas e químicas.
Atualmente, a nanotecnologia está presente em várias áreas de pesquisa, como Física, Química, Eletrônica, Medicina, Ciência da Computação, Biologia e Engenharia, e tem permitido o desenvolvimento de novos materiais e técnicas muito mais eficientes que os já conhecidos.
Indústria de cosméticos: As nanopartículas podem ser usadas para diferentes finalidades, como o preenchimento de rugas, maquiagens, protetor solar etc. Os benefícios da nanotecnologia nessa área devem-se à melhor penetração dos ingredientes na pele ou no cabelo. Afinal, se as partículas são menores, elas podem chegar a pontos mais profundos.

Informática: nos processadores eletrônicos, que podem ter um tamanho de apenas 45nm. Esses dispositivos possuem tecnologia avançada e podem trabalhar a altíssimas velocidades. Além disso, a capacidade armazenamento desses materiais é muito maior.

Medicina: No diagnóstico por imagem da ressonância magnética, em que as imagens são obtidas pela interação entre o campo magnético produzido pelo aparelho e o momento magnético do próton no núcleo dos átomos de hidrogênio.

Riscos da nanotecnologia
Embora as pesquisas na área da nanotecnologia tenham como objetivo proporcionar a melhora na qualidade de vida das pessoas, essa ciência também tem um potencial muito grande em ser prejudicial ao meio ambiente.
O tamanho mínimo das nanopartículas facilita sua dispersão na atmosfera, na água e no solo. Sua remoção torna-se praticamente impossível por técnicas de filtração. Além disso, quanto menor uma partícula, mais reativa ela é, além de poder desenvolver também novas propriedades que podem torná-la nociva.

14.039 – Se tem água, tem vida – Reserva gigantesca de água é descoberta em Marte


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Água no Planeta Vermelho! O líquido congelado foi encontrado abaixo da superfície do polo norte de Marte. Um grupo de cientistas detectou a enorme quantidade de água usando um radar capaz de penetrar no solo marciano. Para se ter uma ideia da quantidade, é tanto gelo que, se derreter e subir para a superfície, pode deixar boa parte do planeta submerso. A descoberta é uma espécie de depósito de múltiplas camadas de gelo que está misturado com areia e se formou ao longo de centenas de milhões de anos. A descoberta pode ser o terceiro maior reservatório de água no planeta vermelho, juntamente com outras duas camadas de calotas polares. Toda essa água em Marte pode favorecer a ideia dos humanos de colonizar o planeta. Pode ser exatamente isso que os cientistas estavam esperando para iniciar uma missão.

14.037 – Mega Personalidades – Patrick Swayze


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(Houston, 18 de agosto de 1952 — Los Angeles, 14 de setembro de 2009) foi um ator, dançarino, cantor e compositor norte-americano.
Começou sua carreira como dançarino clássico, interrompendo-a por problemas recorrentes de lesões originadas na juventude pelo futebol americano. Decidiu então priorizar sua carreira como ator.
Estrelou filmes de sucesso como Ghost, Dirty Dancing, Donnie Darko, Point Break e Steel Dawn . Seu último trabalho foi como Charles Barker, um agente do FBI, na série The Beast. Foi nomeado em 1991, pela revista norte-americana People, como o “Homem mais sexy do mundo”.
Em Dirty Dancing desempenhou o papel de Johnny Castle, um instrutor de dança e dançarino num hotel, contracenando com Jennifer Grey. Este e Ghost foram os filmes pelos quais o ator ficou mais conhecido.
Patrick Swayze nasceu em Houston, Texas, filho de Patricia Yvonne Helen, apelidada de Patsy, uma coreógrafa e dançarina, e Jesse Wayne Swayze. Embora o sobrenome “Swayze” seja de origem francesa, é oriundo da ascendência irlandesa do artista. O irmão dele, Don Swayze, também é ator.

Até os vinte anos, Swayze vivia no bairro de Oak Forest, Houston, onde estudou em Santa Rosa de Lima, uma escola católica. Durante este tempo, desenvolveu múltiplas habilidades artísticas e desportivas, como patinação no gelo, balé clássico, e representação. Estudou ginástica na vizinha San Jacinto College, por dois anos. Em 1972, mudou-se para Nova York para completar sua formação formal de dança no Ballet Harkness e Joffrey Ballet. A escola de dança da mãe de Patrick Swayze realmente foi o amuleto da sorte do ator. Além de ter dado uma carreira de sucesso para o filho, a professora Patsy Swayze também foi a cupido da relação de Patrick com uma das suas alunas, na época com 15 anos de idade, Lisa Niemi. Casados desde o dia 12 de Junho de 1975, o casal não teve filhos. Lisa fez diversos tratamentos para engravidar, mas sofreu dois abortos espontâneos, um em 1990 e outro em 2005.
Swayze morreu em 14 de setembro de 2009, aos 57 anos, após sofrer por dois anos com um câncer pancreático. Antes de saber da doença, o ator disse que num primeiro momento pensou estar sofrendo de indigestão crônica. Quando os sintomas pioraram, procurou seu médico tendo sido feita uma biópsia e o diagnóstico foi câncer. Seu alcoolismo e excesso de consumo de cigarros, mesmo após o diagnóstico, foi apontado como causas do desenvolvimento de tumores no pâncreas, que criaram metástase para o fígado.
Sua assessora de imprensa confirmou a morte, afirmando que ele estava ao lado da família.
O seu corpo foi cremado e suas cinzas dispersas no seu rancho no Novo México.

14.036 – Serra da Capivara – O Paraíso (quase) Escondido


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Falar do continente americano é falar de forasteiros: o Novo Mundo foi o penúltimo continente desbravado pelo Homo sapiens. Só a Antártida passou mais tempo sossegada. Mas como era a América antes dos humanos? E quando foi que estes primeiros imigrantes começaram a aparecer por aqui? Junto às respostas consensuais para essas perguntas, há uma série de controvérsias científicas que, curiosamente, convergem para um lugar inesperado: o interior do Piauí.
Nos paredões do semiárido brasileiro, homens pré-históricos registravam narrativas para a posteridade. É num pedaço da caatinga do tamanho da cidade de São Paulo que fica a maior concentração de pinturas rupestres do planeta. Há exatos 40 anos, em 1979, essa região foi transformada no Parque Nacional Serra da Capivara – sendo reconhecida, em 1991, como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
A região sudeste do Piauí, onde fica a Serra da Capivara, ocupa uma zona de fronteira entre duas grandes formações geológicas: ao sul, um escudo cristalino do Período Pré-Cambriano, e a bacia sedimentar do mar Siluriano-Permiano, ao norte. Entre 440 e 360 milhões de anos atrás, esse mar cobria a região. Os paredões rochosos da Serra, com mais de 100 metros de altura, foram criados embaixo d’água.
Essa época deixou uma série de vestígios: na região da Serra, já foram encontradas dezenas de fósseis marinhos – mais especificamente, de trilobitas (artrópodes extintos de até 70 centímetros que andavam no fundo do oceano). Há 220 milhões de anos atrás, porém, mudanças geológicas profundas transformaram a paisagem, acabando com a farra dos animais aquáticos: um grande movimento tectônico levantou o fundo do mar no Piauí – e jogou toda a água para o Ceará. Os sedimentos desta tremedeira se tornaram parte dos paredões da Serra – e essa história toda ficou documentada nas camadas dos grandes cânions da Serra da Capivara.
Paredões que, centenas de milhões de anos depois, continuaram a testemunhar fatos pitorescos. Um deles aconteceu outro dia (geologicamente falando). Foi há 115 mil anos, quando começou a última Era do Gelo. O Piauí se tornou uma espécie de oásis – a região, próxima da linha do Equador, nunca congelou. Os planaltos da Serra viram nascer uma floresta tropical úmida, e nas planícies predominavam os campos e o cerrado. Vestígios paleontológicos mostram que o clima ameno atraiu uma fauna exuberante: tigres-dente-de-sabre, preguiças gigantes, mastodontes (parentes do mamute), paleolhamas (uma mistura de cavalo, tamanduá e, é claro, lhama).
Com o fim da Era do Gelo, há 12 mil anos, veio outra transformação climática: a umidade caiu e as temperaturas aumentaram severamente. Ao longo dos 3 mil anos seguintes, os animais da megafauna anterior foram extintos, e a vegetação mudou para se adaptar às novas condições: nascia a caatinga.
Nessa época, já havia humanos por lá. A abundância de sítios arqueológicos na Serra é prova disso. São mais de mil, cheios de instrumentos de pedra lascada, esqueletos humanos e, claro, pinturas rupestres.
Por falar em pinturas, a quantidade de desenhos isolados, chamados de “figuras”, é única no mundo: enquanto sítios europeus possuem de 10 a 12 figuras, apenas na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, um dos pontos mais famosos da Serra, há 1.200 pinturas.
A maioria das pinturas rupestres da Serra da Capivara foram feitas entre 6 mil e 12 mil anos atrás. Só como base de comparação, as mais antigas do mundo têm mais de 30 mil.
A riqueza das imagens da Serra, porém, está nas cenas que elas mostram. Na Europa, por exemplo, o mais comum é encontrar animais e cenas de caça – episódios obviamente importantes para qualquer comunidade humana, e que também estão presentes na Serra.
Há quem defenda, porém, que a Serra estava ocupada por humanos bem antes de Zuzu, ou mesmo de Luzia. Estamos falando de Niède Guidon. A arqueóloga franco-brasileira de 86 anos foi a primeira a desconfiar do potencial científico escondido no meio do Piauí. Guidon fez da Serra o trabalho de sua vida. Sua obstinação foi o que levou a Capivara a atrair interesse arqueológico de cunho internacional. Mas a mesma insistência da pesquisadora em teorias controversas trouxe a Serra para o centro de disputas científicas que já duram décadas.
Em 1978, Niède Guidon começou a escavar o sítio Toca do Boqueirão da Pedra Furada, aquele que guarda 1.200 figuras rupestres. Lá, ela encontrou dois dos artefatos mais controversos de sua carreira: pedras que aparentavam ter sido lascadas por Homo sapiens e pedaços de carvão que pareciam vir de fogueiras feitas por humanos.
Ao final da escavação, Niède mandou o carvão para a França, para ser datado em laboratórios de lá. Para a surpresa da própria pesquisadora, os testes de carbono-14 indicavam que a amostra tinha 26 mil anos de idade. Nos anos seguintes, Guidon encontrou objetos progressivamente mais antigos, até que, em 1986, atingiu a data de 32 mil anos. Foi nesse ano que os vestígios da Serra da Capivara ficaram conhecidos mundialmente:” Niède publicou suas descobertas na prestigiosa revista científica Nature, em um artigo em que defende o carvão e as pedras como indícios da presença de seres humanos na América do Sul há 32 milênios.

Esse é um dado que distorce toda a história das ocupações na América: o consenso na comunidade arqueológica é o de que o homem chegou ao Novo Mundo há cerca de 15 mil anos – não muito mais, não muito menos.

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É preciso voltar no tempo para entender a polêmica: o Homo sapiens surgiu na África entre 200 mil e 300 mil anos atrás. De lá, espalhou-se por Europa e Ásia. Há 60 mil anos, nossa espécie atingia a Austrália. Depois, as Américas (de acordo com as teorias mais aceitas, via Estreito de Bering, que era terra seca na Era do Gelo).

E é aqui que a arqueologia chega aos homens de Clóvis – por muito tempo considerados o povo mais antigo da América. Nos anos 1920, nas cidades americanas de Folsom e Clóvis, no Novo México, foram encontradas pontas de lanças ao lado de fósseis de animais de grande porte. Eram armas humanas de 13 mil a 13.500 anos de idade, que comprovavam, pela primeira vez, a presença de homens na América em plena Era Glacial. Daí surgiu a teoria “Clovis First”, segundo a qual todo e qualquer outro grupo humano que habitou o continente teria vindo, necessariamente, depois deles.

Nas últimas décadas, porém, a primazia de Clóvis tem sido fortemente contestada entre os cientistas. Hoje, há centenas de sítios mais antigos ao longo do continente: na Venezuela, no Peru, no Brasil, na Argentina e nos próprios EUA. O sítio Monte Verde, no Chile possui datações de 14,6 mil anos. Mesmo assim, muitos arqueólogos americanos (chamados pejorativamente de “polícia de Clóvis”) ainda duvidam dessas descobertas. Defendem que os achados são só pedras comuns, não ferramentas humanas.

Perceba, porém, que mesmo os artefatos pré-clovis mais aceitos, datando de 15 mil anos, vieram apenas 2 mil anos antes da cultura Clóvis. É uma variação bem menos radical do que sugerem as datações de 20 a 30 mil anos dos achados da Serra – e, justamente por isso, elas são tratadas com amplo cetismo. A maior parte dos especialistas considera que as amostras de carvão de Niède foram criadas por incêndios naturais. Por raios de tempestade, não por pessoas. Números ainda mais antigos do que isso, então, são tidos como absurdos.
Niède, porém, foi encontrando pedras lascadas cada vez mais arcaicas na Serra, e segue certa de que entre elas há ferramentas humanas. Segundo ela, não poderia vir de fogo natural. Uma queimada produziria restos de carvão pra todo lado – os de Niède estavam concentrados num lugar só, protegidos sob paredões da Pedra Furada. Já sua defesa das pedras baseia-se no formado delas: as lascas estão presentes apenas de um lado da pedra, como se tivessem sido moldadas de forma contínua, em uma direção só, e não da maneira aleatória que uma pedra quebra após uma queda, por exemplo.
O mais antigo desses supostos instrumentos tem 100 mil anos de idade. Ele foi a peça final na teoria excêntrica que Niède defende até hoje: há 100 mil anos não apenas existiriam comunidades humanas no Piauí, como elas seriam formadas por homens vindos para a América diretamente do berço da humanidade: da África, e não pelo estreito de Bering.

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Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias, já diria Carl Sagan. A comunidade científica recebeu as teorias de Niède com tremenda cautela – para não dizer hostilidade. No Brasil, um de seus críticos mais ferrenhos foi o bioarqueólogo Walter Neves, conhecido como “pai” de Luzia. “Eu não acreditava em uma vírgula nas descobertas dela na Pedra Furada, e confesso que achava que era uma questão de incompetência. Mas, quando ela me convidou para visitar a Serra [em 2005] e eu vi os artefatos, foi um choque”, nos disse Walter sobre as pedras lascadas. “Saí da visita 99% convencido de que ali tinha mãos humanas de 30 mil anos atrás, a cronologia de Niède na época. Mas 1% de dúvida ainda é algo extremamente significativo.”

Se Walter é cauteloso quanto aos 30 mil anos, é abertamente cético com relação a qualquer objeto de 100 mil anos: “Isso é Guerra nas Estrelas, ficção científica, nem se discute”. A migração direta pela África também é amplamente descartada. Segundo o arqueólogo André Strauss, professor da USP que trabalhou na Serra da Capivara, mesmo que haja provas de uma migração mais antiga na Serra, esses homens precisariam ter vindo pelo Estreito de Bering mesmo. Para ele, essa suposição é pura extrapolação de Niède.

Apesar de seguir irredutível quanto às suas teorias, Guidon cercou-se de figuras conceituadas para dar continuidade ao seu trabalho na Serra. Quando se aposentou, convidou o arqueológo francês Eric Boeda para dar liderar as pesquisas por lá. Ele goza de respeito e admiração da comunidade arqueológica internacional: dirigiu escavações importantes na Europa, África e Ásia, e é um dos maiores especialistas do mundo em indústria lítica – ou, em bom português, no estudo de ferramentas antigas feitas de pedra.

Em seus 20 anos no Piauí, Boeda, de fato, fez datações mais conservadoras do que Niède – mas elas ainda vão bastante além do que a teoria oficial de ocupação humana no continente é capaz de explicar. Boeda defende que pedras de 22 mil anos sejam instrumentos humanos. Seus números mais extremos chegam à casa dos 40 mil. “Acredito que ele está com uma estratégia inteligente, passando por números mais palpáveis primeiro”, diz André Strauss. “Eric, além de ter prestígio internacional, está aberto ao diálogo, algo difícil com a Niède. Antes de tudo, ele está tentando recuperar a credibilidade dos achados humanos da Serra”, disse Strauss.
A fundadora teimosa
Entre pinturas, pedras lascadas e farpas, uma coisa ninguém contesta: Niède Guidon é uma exímia administradora. Ela vive permanentemente na Serra da Capivara desde 1998, ao lado de uma das instalações que ajudou a fundar, o Museu do Homem Americano. A arqueóloga recebeu a SUPER em sua casa para uma conversa. Com a saúde instável – além da idade avançada, ela já teve dengue, Zika e Chikungunya – Niède segue irredutível e linha-dura tanto em suas descobertas, quanto com sua proteção quase maternal à Serra da Capivara.
O relacionamento entre Guidon e o Piauí já ultrapassa as Bodas de Ouro. Tudo começou em 1963, quando a Serra da Capivara era uma completa desconhecida da arqueologia. Niède trabalhava bem longe, na curadoria do Museu do Ipiranga, em São Paulo, onde foi organizada uma exposição sobre figuras rupestre no Brasil – as únicas conhecidas até então, feitas em Minas Gerais. “Foi quando um senhor, que veio visitar a exposição, me mostrou fotos de outras pinturas, dizendo que também havia esses ‘desenhos de índios’ perto da cidade dele”, conta Niède.
Foi só em 1970 que Niède teve a chance de encontrar pessoalmente os tais “desenhos de índio”. Oito anos de estudo depois, ela criou uma comissão permanente de pesquisa, fruto de uma parceria entre a França e o Brasil. Reuniu biólogos, zoólogos, botânicos e paleontólogos para promover uma ampla investigação em toda a Serra da Capivara. “Não se conhecia nada daqui. Não tinha estrada, nada. Os moradores locais foram nossos primeiros guias, exploramos tudo a pé”.
Fauna, flora e riqueza arqueológica nunca antes documentadas pela ciência foram reunidos em um relatório, que Niède e sua equipe enviaram a Brasília. O pedido de “preservação absoluta” do local culminou, em 5 de junho 1979, no decreto Nº 83.548, que criava oficialmente Parque Nacional Serra da Capivara.
Estabelecer uma área totalmente dedicada a preservação e pesquisa, porém, foi um trabalho árduo. “O governo criou o parque, mas não colocou um funcionário sequer”, conta Niède. Tirar o Parque do papel significava não só torná-lo um instituto de ciências fechado, mas também um bem público, que atraísse turistas e movimentasse a economia da região. Conseguir tudo isso custa dinheiro. E não é pouco.
Quem pintou os paredões há milhares de anos, afinal, não estava pensando na facilidade de exibir sua arte a visitantes externos. O parque precisava ser alcançável, primeiro por estradas, mas também por passagem e pontes internas. Seus 130 mil hectares também tinham de ser protegidos e vigiados.
Guidon e sua equipe angariaram apoio técnico do antigo Banco Interamericano de Desenvolvimento, e receberam doações da Petrobras para manter o Parque de pé. Essas verbas, porém, não foram suficientes para fazer deslanchar o paraíso arqueológico escondido: ainda hoje, a serra recebe só 20 mil turistas por ano. O tamanho da estrutura, ironicamente, dificulta as coisas: a Serra ocupa a área de quatro municípios diferentes, todos com pouca estrutura hoteleira e de transporte, a 522 km distância da capital Teresina.
Se o turismo já é insuficiente para suprir a manutenção do Parque, a situação só piorou quando as verbas públicas ficaram escassas. Os repasses da Petrobras cessaram com a crise geral na empresa. De 270 funcionários que o Parque já teve, hoje só é possível manter 40. A estrutura, hoje, depende de pequenos repasses do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do governo do Piauí.
Em 2014, porém, o BNDES aprovou verba para a construção do último sonho de Niède: o Museu da Natureza (MuNa). Nele, a pesquisadora quis contar a história da Serra de uma forma similar à que você leu nestas páginas: uma viagem no tempo por toda evolução natural da Capivara, que levasse o visitante da época em que o Piauí era mar, até os dias de hoje.
O dinheiro, pedido a primeira vez em 2001, veio sem correção monetária. Os R$ 13,7 milhões, graças à magia da inflação, já compravam três vezes menos tijolos, concreto e massa corrida quando a verba finalmente chegou. O MuNa, porém, insistiu em nascer e foi inaugurado em dezembro de 2018. Final feliz (e aguerrido) para Guidon e sua Serra.
E quanto à origem das pedras lascadas milenares? Elas realmente foram feitas por humanos? Estaria Niede totalmente enganada na tese que guiou toda sua carreira? Apontar para uma conclusão não é tão simples. “Nem todas as perguntas têm como resposta sim ou não. Há uma terceira opção, que talvez seja a mais frequente de todas: não sei”, diz André Strauss. No caso da Serra, essa é a conclusão mais honesta. E é uma resposta perfeitamente científica. Existia gente lá há 40 mil anos? Esse é um debate legítimo, e que segue em aberto.”

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14.035 – O Xis da Questão – O ‘X’ SE TRANSFORMOU NA VARIÁVEL DESCONHECIDA DA MATEMÁTICA


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Mesmo que você não seja um gênio das ciências exatas, certamente sabe que a letra “X” na matemática representa um termo utilizado para substituir outro que, geralmente, é desconhecido. Mas você sabe como é que essa letra se transformou nessa variável? A resposta a essa questão, ao contrário do que você poderia imaginar, não está relacionada a nenhum cálculo secreto, mas sim com a fonética.
O pessoal da TED — uma respeitada fundação privada sem fins lucrativos que organiza conferências em todo o mundo para disseminar conhecimento — postou um vídeo no YouTube, no qual Terry Moore, durante uma das palestras, explica por que o X foi o escolhido para representar o desconhecido.
Basicamente, quando os textos árabes sobre matemática e outras ciências começaram a chegar na Europa — mais precisamente, na Espanha — lá nos séculos 11 e 12, obviamente os sábios da época se empenharam em traduzir todo esse conhecimento para um idioma europeu comum.
No entanto, alguns sons verbalizados em árabe não possuem correspondência com os idiomas europeus, sem contar que os caracteres desse alfabeto tampouco contam com equivalentes ocidentais. Assim, uma letra árabe muito comum — ? pronunciada “shin” — tem o mesmo som que “shhh” e é utilizada para escrever a palavra “Shalam”, que em árabe significa “algo”, ou seja, ela descreve alguma coisa indefinida.
Assim, os árabes utilizavam o termo “al-shalam” para designar “o desconhecido” que, por sua vez aparecia muito nos antigos textos matemáticos. O problema, contudo, é que, como no idioma espanhol não existe o som “shhh”, os estudiosos que traduziram os antigos textos árabes tiveram que encontrar uma alternativa, adotando o som “ck”, proveniente do grego clássico, para criar uma convenção.
No grego clássico, o som “ck” é representado pela letra “Kai”, cuja grafia é “χ”. E mais tarde, quando os textos espanhóis foram transcritos para o latim — que era o idioma mais comum da época —, o caractere grego foi substituído pela letra X. Uma vez em latim, esses textos serviram de base para os livros de matemática por quase 600 anos, e o “X” acabou se tornando o que é hoje simplesmente porque os espanhóis não têm uma letra para o som “shhh”.

14.032 – Mega Básico – Para que serve a Atmosfera?


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A atmosfera terrestre é uma camada de ar que se mantem presa à superfície da Terra pela ação da gravidade. Assim como o Planeta Terra, outros planetas possuem atmosferas, entretanto, a atmosfera terrestre desempenha funções que são vitais para a manutenção da vida no planeta.
A atmosfera é constituída de diversos gases, como dióxido de carbono, oxigênio, nitrogênio e argônio. O gás carbônico ocupa apenas 0,039% do volume total da atmosfera, mas ele é fundamental para a manutenção de toda a cadeia biológica por ser utilizado pelos vegetais no processo de fotossíntese.
Outro importante gás encontrado na atmosfera é o oxigênio, que corresponde a 21% do volume da atmosfera. O oxigênio garante a vida dos seres aeróbicos, desde simples bactérias até seres complexos como os mamíferos.

Filtrar a radiação solar
A atmosfera é responsável por filtrar a maior parte da radiação solar. Cerca de 40% da radiação é refletida para o espaço pelas camadas superiores da atmosfera. A camada de ozônio, por sua vez, é responsável por filtrar cerca de 95% dos raios ultravioletas B (UVB) emitidos pelo sol.
Proteção contra impactos de meteoros
O espaço sideral está cheio de meteoros e outros tipos de fragmentos que constantemente atingem a o Planeta Terra. Os danos causados por esses corpos não são maiores porque a atmosfera atua como um escudo protetor da superfície. Ao entrar em contato com o ar concentrado da atmosfera, sobretudo oxigênio, os meteoros se fragmentam e entram em combustão, o que impede que causem danos a superfície.

Manutenção das temperaturas médias
4% do volume da atmosfera é composto por vapor d’agua. A presença de vapor d’agua garante a manutenção das temperaturas médias na superfície terrestre. Sem a presença de vapor d’agua, tanto o resfriamento quando o ganho de calor da superfície seriam muito mais rápidos, expondo o planeta a amplitudes térmicas extremas.

Efeito Estufa
A presença de dióxido de carbono na atmosfera garante o chamado efeito estufa. Por ser capaz de absorver calor, o dióxido de carbono evita a perda de calor da superfície, mantendo a superfície aquecida o suficiente para a manutenção da vida.

14.031 – O que é órbita?


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É o movimento que um corpo celeste realiza ao redor de outro corpo celeste pela influência de sua gravidade. Logo, a órbita terrestre é o movimento que os satélites, sejam eles naturais – como a lua, ou artificiais, realizam em volta do Planeta Terra.
Existem diferentes tipos de órbitas terrestres. Cada uma delas é utilizada por diferentes propósitos dependendo da distância que se encontram da superfície, da área coberta e do tempo necessário para completar a trajetória orbital.
Órbita geoestacionária
Em uma órbita geoestacionária, também chamada de GEO, os objetos permanecem em uma posição fixa em relação a superfície da Terra. De acordo com a Segunda Lei de Newton, para que um objeto em órbita se mantenha em posição fixa em relação a superfície terrestre, ele deve estar a uma distância fixa de 35.786 km do nível do mar e sob a linha do Equador.

A orbita geoestacionária é muito utilizada por satélites utilizados em sistemas de comunicação. Por ficarem na mesma posição em relação a superfície terrestre, eles conseguem cobrir áreas específicas com regularidade, sem que seja necessário interrupções no serviço ou o reposicionamento de antenas responsáveis por captar suas ondas.
Uma órbita baixa da Terra, também chamada de LEO, são aquelas localizadas abaixo da órbita geoestacionária, podendo estar entre 160 km e 2.000 km de distância do nível do mar. A Estação Espacial Internacional está localizada em uma órbita LEO, bem como a maior parte dos satélites meteorológicos e muitos satélites de comunicação.
Órbita polar
As órbitas polares estão entre as baixas órbitas pois possuem altura entre 200km e 1.000km de distância do nível do mar. A particularidade das órbitas polares é que elas varrem a superfície terrestre de polo a polo, formando um ângulo reto com o Equador. Esse tipo de órbita terrestre é muito utilizado por satélite de observação e imageamento da superfície.

Órbita heliossíncrona
Trata-se de um tipo de órbita localizada entre 600 km e 800 km de distância do nível do mar, que descreve uma órbita polar mantendo-se sempre alinhada à posição do sol. Esse tipo de órbita é utilizado por satélites que necessitam de condições de luz para desempenharem suas funções, como satélites óticos.

Órbita média da Terra
As órbitas médias da Terra, também chamada de MEO, são aquelas localizada acima das órbitas LEO e abaixo da órbita GEO, ou seja, entre 2.000 km e 36.000 km de distância do nível do mar. Essas órbitas são muito utilizadas por satélites de geolocalização e para satélites de comunicação que atendem as regiões próxima ao círculo ártico, onde as ondas dos satélites geoestacionários não conseguem chegar.

Órbita terrestre alta
Uma órbita terrestre alta, também chamada de HEO, são as órbitas localizadas acima da órbita geoestacionária, ou seja, acima de 36.000 km de distância do nível do mar. Nestas órbitas, os satélites levam mais de 24 horas para concluir uma revolução completa. Esse tipo de órbita foi muito utilizado durante a Guerra Fria pelos EUA para vigiar o território Russo por meio do projeto VELA.

Órbitas excêntricas
Todas as órbitas citadas descrevem trajetórias circulares nas quais a centrípeta exercida pela gravidade da Terra é a principal propulsora. Diferente dessas órbitas, a orbita excêntrica descreve uma trajetória elíptica, sendo que nas extremidades mais estreitas sua distância da superfície terrestre varia entre 500 km e 2.000 km e nas extremidades mais distantes pode chegar até 150.000 km. Esse tipo de órbita é utilizada por satélites que precisam se afastar da influência eletromagnética e gravitacional da Terra para coletarem dados espaciais.