11.112 – Pesquisa desvenda mistérios do gigante peixe-lua


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As profundezas do oceano ainda guardam muitos segredos para curiosos e pesquisadores. Um destes misteriosos desconhecidos é o enorme peixe-lua (também conhecido como Mola Mola ou Sunfish). Seu tamanho impressiona: é o maior peixe ósseo do mundo, variando de um a quatro metros de largura, e pesando até uma tonelada.
Estes peixes gastam quase metade do seu dia deitados e imóveis na superfície do oceano, aparentemente com a intenção de pegar alguns raios de sol. Mas até agora os pesquisadores não entendiam os motivos deste comportamento do peixe-lua.
Uma nova pesquisa indica que eles caçam os chamados hidrozoários marinhos, que são animais predadores, que possuem parentesco com as águas-vivas. O peixe-lua se alimenta dos siphonophores, um tipo de hidrozoário encontrado em profundidades entre 50 e 200m. Depois de sua caçada, eles nadam até a superfície para aquecer o seu corpo no sol.
Esta é a primeira evidência de que o peixe-lua se alimenta dessas criaturas em águas profundas. Anteriormente, acreditava-se que esse peixe comia apenas águas-vivas. Uma equipe liderada por Itsumi Nakamura, da Universidade de Tóquio, Japão, analisou vários peixes na costa do país, aos quais foram instalados termômetros para medir as mudanças na sua temperatura corporal. Câmeras com luzes também foram acopladas aos animais para saber exatamente o que eles caçam.
A pesquisa, publicada na revista Animal Ecology, aponta que o peixe-lua vai e volta, entre a superfície e águas profundas, durante o dia. Seus ciclos de mergulho profundo e aquecimento na superfície ajudam a maximizar o seu tempo de absorção de energia após as caçadas. Cada vez que eles tomam um “banho de sol” a temperatura do seu corpo é regulada.

10.268 – Cientistas querem o fim de toda a pesca em alto mar


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Águas profundas absorvem 1,5 bilhão de toneladas de CO2
Biólogos marinhos fizeram na semana passada um apelo radical para proteger a biodiversidade e sequestrar carbono da atmosfera: eles querem o fim de toda a pesca em alto mar.
Isto compreende as partes do oceano que ninguém possui, ou reivindica, por estarem além das zonas econômicas de 200 milhas patrulhadas e por vezes disputadas por governos nacionais. São também o que cientistas do clima chamam de um sorvedouro de carbono, uma fonte natural de sua remoção da atmosfera.
A vida nas águas profundas absorve 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera e enterra meio bilhão de carbono no mar por ano, de acordo com Rashid Sumaila, da Universidade da Columbia Britânica, e Alex Rogers, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Os dois colocaram um valor na vida nos altos mares em U$ 148 bilhões por ano, em sua capacidade de sequestrar carbono.
Apenas um centésimo dos peixes que chegam a todos os portos do mundo são encontrados só no alto mar. Nesta região são pescadas 10 milhões de toneladas, com um valor de mercado de U$ 16 bilhões.
“Manter peixes nestas áreas tem mais valor do que apanhá-los,” diz Sumaila. “Se perdermos a vida no alto mar, teremos de encontrar outro modo de reduzir emissões, a um custo muito mais alto.”
Sumaila ajudou a calcular o valor econômico do carbono armazenado pela vida no alto mar aplicando preços à sua quantidade, e isto incluiu os benefícios de mitigação dos custos da mudança do clima, informa o Escience News.

9927 – O sufoco agora é no mar – Onda de calor faz mar ficar 3°C mais quente no Sul e Sudeste


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As águas que banham a costa do Sudeste e do Sul do Brasil estão até 3°C mais quentes do que o normal para o mês de fevereiro.
Um período prolongado sem cobertura de nuvens fez a superfície do oceano se superaquecer, e cientistas avaliam se as perturbações ecológicas do calor podem afetar o ecossistema marinho.
O calor do mar neste início de ano foi constatado também por banhistas, que relataram temperatura fora do normal em praias do Rio e do litoral paulista. A água chegou a 28°C na costa. Cientistas investigam se o fenômeno está relacionado ao aquecimento global e se pode causar desequilíbrio ecológico.

A consequência visível mais notável da onda de calor para as águas costeiras foi a floração de algas e outros organismos marinhos fotossintéticos, que deixou uma gigante mancha escura no oceano. Essa formação se estendeu do mar do Rio de Janeiro até Santa Catarina.
O Centro de Biologia Marinha da USP, em São Sebastião, enviou na semana passada uma equipe de pesquisadores até algumas áreas do mar onde a mancha estava presente. O barco de pesquisa Alpha Delphini, o mais ágil do instituto, já retornou e os cientistas analisam material orgânico coletado para entender melhor o fenômeno.
Outra preocupação trazida pelo calor é a mortalidade de corais, que são centros importantes de alimentação de peixes. O branqueamento de corais, sintoma típico de sua deterioração, porém, ainda não foi verificado como consequência desta onda de calor, afirma Gonçalves.
No início desta semana, pesquisadores da Marinha brasileira registraram a chegada da ressurgência -o afloramento de águas profundas, mais frias, perto da costa. Esse fluxo levou algum alívio às praias do Rio, mas ele vem do leste e dificilmente chega ao litoral norte de São Paulo.