13.588 – História – Agricultura = Evolução?


Agricultura Evolucao - H DO MUNDO

Durante muito tempo, os historiadores colocaram a coleta e a agricultura como duas experiências que marcam uma completa ruptura na civilização. Contudo, novas pesquisas apontam que essas duas atividades conviveram durante muito tempo na história do homem. A princípio, a agricultura ocupava uma função complementar na alimentação, sendo assim colocada como outra via de sobrevivência paralela à caça e a busca de frutos ou plantas.
Sendo assim, não podemos dizer que a descoberta da agricultura foi um avanço que fatalmente determinou o abandono das antigas formas de obtenção dos alimentos. Vale aqui destacar que a caça envolvia toda uma preparação onde os caçadores se encontravam promovendo a interação entre os grupos e o desenvolvimento de hábitos culturais diversos. Não é possível, assim, sugerir que a busca por alimentos se dava em função apenas da urgente necessidade de sobrevivência.
Só após a última glaciação, por volta de 10000 anos a.C., foi que as alterações do clima foram dando maior espaço para o desenvolvimento da técnica agrícola. Com o passar do tempo, a vida sedentária permitiu que casas e povoados tivessem cada vez mais destaque entre as comunidades humanas. Ao mesmo tempo, as trocas comerciais e a domesticação de animais passavam também a incorporar a construção desse novo cotidiano responsável pelo aparecimento das primeiras civilizações.
Observando essa nova realidade, muitos leigos e especialistas detectaram o alcance de uma melhora qualitativa no estilo de vida do homem. Afinal de contas, a agricultura permitia a estocagem de alimentos e o planejamento das colheitas em função das transformações climáticas decorridas ao longo de um tempo. A sobrevivência deixava de lado uma série de riscos para então se transformar em uma ação planejada com base na capacidade intelectual do homem.
Apesar de tais justificativas, existem aqueles que discordam desse ponto de vista ao acreditar que a opção pela agricultura foi uma das piores escolhas realizadas pela civilização. O biólogo Jared Diamod, por exemplo, acredita que a sedentarização pela agricultura minou o desenvolvimento do tom igualitário que permeava as sociedades coletoras. A agricultura seria a grande responsável pelo desmatamento, a superpopulação, os conflitos militares e a constituição das diferenças sociais.
Para muitos, é quase impossível imaginar a viabilidade da vida humana sem a utilização das técnicas agrícolas. Por outro lado, vemos que a atualidade tem a expressa preocupação em repensar os seus paradigmas de desenvolvimento e consumo. Não seria esse um indício de que a simples ampliação do domínio sobre a natureza não garante a sustentação da vida na Terra? Essa é uma resposta que apenas o futuro tem a competência de nos fornecer.

13.158 – Café pode entrar em extinção (?)


xicara vazia
Tomar um pingado vai ficar mais difícil. Tudo culpa do aquecimento global, que, segundo o Instituto Australiano do Clima, vai reduzir a área de cultivo do café pela metade até 2050.
A princípio não vai ser ruim para todo mundo: as plantações podem ficar mais produtivas em regiões como a África Oriental. Isso porque a concentração de CO2 aumenta e, como efeito imediato, turbina a produção vegetal.
Mas isso só vale para áreas em altitude suficiente para não sofrerem com o calor. Hoje em dia, a Tanzânia perde 140 kg de café por ano a cada 1 oC a mais no termômetro – o equivalente a mais de 12 mil xícaras.

13.132 – Ação Humana – Civilizações pré-colombianas moldaram vegetação da Amazônia


amazonia
As florestas da Amazônia foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos, num processo que transformou boa parte da mata em gigantescos “pomares”, repletos de espécies domesticadas de árvores. O manejo habilidoso dessas plantas pelos antigos habitantes da região acabaria criando deleites gastronômicos que hoje chegam ao mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará.
Esses são os exemplos mais famosos, mas a lista completa é bem mais extensa: 85 espécies de árvores foram domesticadas em algum grau na floresta, calculam os autores de um estudo internacional que acaba de ser publicado na revista especializada “Science”.
Em alguns lugares da bacia do Amazonas, as espécies selecionadas e alteradas pela atividade humana chegam a ser as mais comuns da mata, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

HIPERDOMINANTES
Usando esses dados, um dos colaboradores da nova pesquisa, o holandês Hans Ter Steege, já tinha mostrado que, apesar dessa imensa variedade de espécies, a Amazônia abriga algumas árvores “campeãs”, conhecidas como hiperdominantes. São 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.
Ocorre que, das 85 árvores domesticadas, 20 espécies fazem parte dessa lista das hiperdominantes –cinco vezes mais do que o esperado, quando se considera o número total de espécies arbóreas da região. Outro detalhe importante é que essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes (as não domesticadas) só ocorrem em 47% da bacia.
Isso sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original –é o caso do próprio cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.
E, de fato, na maioria das áreas, a concentração de espécies moldadas pelo uso humano aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam (e ainda servem) como as principais estradas para quem circulava pela mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto– e esse processo foi fazendo com que elas se tornassem cada vez mais comuns, alterando a composição natural de espécies da floresta para que ela se tornasse cada vez mais útil para membros da nossa espécie.

CERVEJINHA
Isso significa, é claro, árvores que produziam frutos mais saborosos ou folhas e troncos mais adequados para a construção de cabanas –e mesmo as mais úteis para o preparo de bebidas fermentadas, explica Charles Clement, biólogo do Inpa e coautor do novo estudo.
“Você certamente vai tomar uma cervejinha depois de sair do trabalho hoje. Os índios também consumiam uma grande variedade de cervejas, incluindo as feitas com o fruto da pupunha, que pode ser selecionado para ser muito rico em amido, o que favorece a fermentação”, compara ele.
A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, ou seja, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos “selvagens” da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A lista de espécies inclui ainda as classificadas como parcialmente domesticadas (é o caso do cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau. O primeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.
O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, calcula que essa grande processo de “engenharia florestal” amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta –um solo muito fértil produzido pela ação humana, em parte graças à queima controlada de restos de vegetais.

13.119 – Cientistas estão criando abelhas drones para combater crise de polinização


Pequenos drones revestidos de um pegajoso gel poderiam, um dia, reduzir a pressão das populações de abelhas para o transporte de pólen planta a planta, segundo informações da Live Science. Atualmente, cerca de três quartos das plantas florestais do mundo e 35% das culturas alimentares dependem dos insetos para a polinização, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
As abelhas são consideradas alguns dos polinizadores mais prolíficos, embora a existência delas esteja declinando em todo o mundo. No mês passado, o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA (U.S. Fish and Wildlife Service), pela primeira vez, listou a espécie nativa em ameaça de extinção.
Com isso em mente, pesquisadores no Japão deram o primeiro passo para a criação de mini robôs que poderiam ajudar a reduzir o trabalho dessas polinizadoras. Junto a isso, os cientistas criaram uma forma de gel pegajoso que permite aos robôs colher o pólen das plantas e depositar em outra para ajudá-las a se reproduzir.
Segundo o pesquisador e químico do projeto, Eijiro Miyako, do Instituto de Ciência Industrial Avançada, em Tsukuba, todo o projeto ainda está em prova de conceito. “Espera-se que alguns robôs sejam usados para experimentos de polinização”, disse.
A inovação do estudo, publicado este mês na revista Chem, é o gel iônico. De acordo com Miyako, ele foi resultado de uma tentativa fracassada de criar líquidos eletricamente condutores e acabou sendo esquecido em uma gaveta por quase uma década. Mas, oito anos depois, ele ainda não tinha secado – algo que ocorreria com a maioria dos géis. Então, após assistir a um documentário sobre polinização, teve a ideia.
“Na verdade, deixei cair o gel no chão e notei que absorvia muita poeira”, contou ele à Live Science. “Então tudo começou a se ligar na minha mente”.
Os cientistas então testaram como o produto poderia ser útil na polinização. Para isso, colocaram gotas do material na parte de trás de formigas, deixando-as durante uma noite dentro de uma caixa cheia de tulipas. No dia seguinte, descobriram que os insetos tinham transportado mais grãos de pólen do que fazem naturalmente.
Em outro experimento, os pesquisadores descobriram ainda que era possível integrar no gel compostos fotocromáticos, que mudam de cor quando expostos à luz UV ou branca. Então, colocaram o novo material em moscas vivas, dando a elas a capacidade de mudar de cor. Com isso, eles poderiam finalmente ver algum tipo de camuflagem adaptável para proteger os polinizadores de predadores.
Enquanto a descoberta pode melhor a capacidade de outros insetos carregarem pólen, também é uma solução potencial para a queda da população de abelhas. “É muito difícil usar organismos vivos para realizações práticas reais, então eu decidi mudar minha abordagem e usar robôs”, disse.
Segundo ele, ainda existem certas limitações, como por exemplo, a bateria, reduzir os custos de produção e uma melhor forma de pilotar o drone. Para isso, ele acredita que o GPS e inteligência artificial poderiam um dia ser usados para guiar automaticamente esses polinizadores robóticos.

12.921- Genética – Empresa de biotecnologia quer vender moscas transgênicas no Brasil


A gigante da área de biotecnologia Intrexon, que controla a Oxitec –famosa por causa dos mosquitos aedes transgênicos–, quer trazer mais um inseto geneticamente modificado para o país.
Trata-se de uma versão da mosca-do-mediterrâneo, popularmente conhecida como mosca-da-fruta, não à toa considerada a pior praga para o cultivo de frutas, com prejuízo anual mundial na casa dos US$ 2 bilhões.
A mosquinha transgênica possui um mecanismo de limitação do crescimento semelhante ao do aedes transgênico: seus filhotes não chegam à fase adulta.
A tática é liberar somente os machos nas áreas de cultivo de frutas como manga, uva, acerola, goiaba e laranja (para citar só algumas das 200 espécies afetadas) para que eles encontrem e copulem com as fêmeas selvagens. Como desse encontro não haverá filhotes, o tamanho da população diminui.
A Intrexon está celebrando a inauguração da biofábrica da Oxitec em Piracicaba, com capacidade para produzir 60 milhões de Aedes aegypti semanalmente. Para a produção das moscas-das-frutas modificadas, utiliza-se da mesma tecnologia.
Como a nova fábrica foi montada em apenas cinco meses, o mesmo tipo de planta pode ser facilmente replicado em outras partes do país, como o Vale do São Francisco, na região de Juazeiro, onde os produtores de manga sofrem com a peste.
Por lá já existe a Moscamed, Organização Social que produz insetos estéreis por raios X capazes de limitar o crescimento populacional, tal qual os transgênicos. Essa tecnologia usada ali é mais antiga e já está consolidada.
O problema na região é que não há verba governamental para que insetos possam ser produzidos e liberados, afirma o presidente da Moscamed, Jair Virgínio.
A mosquinha foi terrível na década de 1980, quando arrasou produção de frutas na Califórnia, nos EUA. Na época, houve grande resistência ao uso de inseticidas, pulverizados por helicópteros e aviões. No fim das contas, houve pulverização e posterior controle com o uso de insetos irradiados.
A área atualmente é considerada livre da praga. Mesmo assim, ainda hoje são utilizados insetos irradiados para prevenir o retorno das moscas.
No Brasil, o Vale do São Francisco não é considerado uma região livre da mosca. Lá, as mangas devem passar por um processo “hidrotérmico” para matar eventuais larvas –por afogamento e calor.

mosca-das-frutas

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


batata marte
Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

12.065 -Biotecnologia – O futuro da comida


alimentos_transgenicos
Se existe mesmo um cemitério para as más ideias, é para lá que os alimentos transgênicos pareciam caminhar há pouco mais de uma década. No fim dos anos 90, quando os primeiros produtos feitos com vegetais geneticamente modificados chegaram às prateleiras, a reação foi ruidosa. O cantor Paul McCartney liderou a campanha “Say no to GMO”, ou “Diga não aos transgênicos” — que acabaram apelidados de frankenfood. Temia-se que sua ingestão colocaria a saúde dos consumidores em risco. Até o príncipe Charles se meteu na história, profetizando que as empresas de biotecnologia causariam o maior desastre ambiental de todos os tempos. Ativistas irados destruíram centros de pesquisa. Diante desse temor, os transgênicos acabaram banidos em boa parte do mundo. O fracasso da tecnologia, portanto, parecialíquido e certo. Mas, apesar do barulho, do quebra-quebra e da turma que torcia contra, o resultado foi o oposto. Em dez anos, a área plantada com transgênicos quase quadruplicou; cerca de 14 milhões de fazendeiros de países como Estados Unidos, Brasil e Argentina aderiram. Hoje, mais de 75% da soja e 25% do milho cultivados no mundo são geneticamente modificados. Centenas de milhões de pessoas comem produtos com ingredientes transgênicos todos os dias. A calamidade sanitária e o apocalipse ambiental previstos pelos críticos não vieram.

Apesar do sucesso recente, o atual estágio da pesquisa com transgênicos é frequentemente comparado ao início da era do transistor na eletrônica — ou seja, os cientistas ainda estão longe de explorar as possibilidades criadas pela adoção da biotecnologia no campo. Até hoje, os transgênicos se limitam, basicamente, a proteger as plantas contra herbicidas e pragas. Mas essa realidade vai mudar nos próximos anos. Empresas de biotecnologia e centros de pesquisa estão nos estágios finais do desenvolvimento da segunda geração de alimentos geneticamente modificados. Segundo um estudo da Comissão Europeia, o número de sementes disponíveis no mercado passará das atuais 30 para 120 até 2015. O aspecto mais promissor dessa geração é a expectativa de um salto tecnológico: novos transgênicos trarão benefícios diretos ao consumidor, aumentarãoo potencial produtivo das plantas e, veja só a ironia, podem acabar ajudando a preservar o meio ambiente. Segundo os cálculos da alemã Basf, os novos produtos farão o mercado de sementes transgênicas crescer dos atuais 8 bilhões de dólares anuais para 50 bilhões de dólares nos próximos 15 anos. Aos 58 anos, o bioquímico Americano Roy Fuchs é um dos milhões de americanos que ingerem diariamente um punhado de pílulas de ômega 3 na esperança de diminuir o risco de problemas cardíacos. O componente, extraído do óleo de peixes como salmão e sardinha, é um sucesso comercial: apenas nos Estados Unidos, o mercado de pílulas e alimentos enriquecidos com ômega 3 é estimado em mais de 2,5 bilhões de dólares anuais. Nos últimos anos, Fuchs, que é pesquisador da empresa Americana de biotecnologia Monsanto, vem trabalhando numa ideia que pode transformar esse mercado.

E se ele conseguisse criar uma variedade de soja cujo óleo fosserico em ômega 3 — e pudesse ser usado como ingrediente de barras de cereal, temperos de salada, margarinas e iogurtes? Parece uma ideia maluca, mas Fuchs conseguiu.
Para chegar lá, ele destrinchou o código genético das algas das quais peixes como o salmão se alimentam, em busca do gene responsável pela produção do ômega 3. “Em vez de procurar no DNA do salmão, queimamos uma etapa”, diz ele. Encontrado o gene, Fuchs fez um enxerto no DNA da soja. Chegou-se a uma variedade de soja que produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. Fuchs distribuiu às empresas de alimentos o oleo feito com a nova soja para que elas comecem a desenvolver produtos “ricos em ômega 3”. A Monsanto só aguarda o sinal verde do governo americano para vender a nova semente. Será um marco na evolução da biotecnologia — um alimento transgênico que trará benefícios diretos à saúde do consumidor. Nenhuma empresa ou instituição investe tanto no desenvolvimento de transgênicos quanto a Monsanto. Instalada na cidade americana de St. Louis, a companhia emprega mais de 5 000 pesquisadores como Roy Fuchs, cuja tarefa é criar novas sementes. O investimento em pesquisa supera 1 bilhão de dólares por ano. É natural que seja assim. No fim dos anos 90, a Monsanto basicamente criou esse mercado, ao lançar variedades de soja e milho resistentes ao herbicida RoundUp (produzido, claro, pela própria Monsanto). A experiência de uma década e o dinheiro investido ano após ano colocam a empresa numa posição única para lançar produtos como a soja omega 3.
O desenvolvimento de uma nova semente pode custar até 100 milhões de dólares, e poucas companhias têm caixa para gastar tanto num projeto que sempre corre o risco de dar errado. Com o conhecimento acumulado na última década, a Monsanto hoje pode inserir não um ou dois, mas oito genes diferentes numa semente de milho, por exemplo.
O enriquecimento de países como China e Índia tem aumentado o consumo de carne — e, para cada quilo de carne bovina vendido no supermercado, são necessários 7 quilos de grãos para produzir ração animal. O investimento em biocombustíveis, por sua vez, aumentará ainda mais a demanda por grãos como o milho, usado na produção de etanol. Finalmente, as Nações Unidas estimam que a população mundial crescerá cerca de 30% nas próximas décadas, até atingir 9 bilhões de pessoas em 2050. Calcula-se que o consumo de comida nos próximos 40 anos sera maior que em toda a história da humanidade. Será preciso, em resumo, dobrar a produção mundial de alimentos. É bem verdade, o mundo já esteve em situação semelhante, e não faz tanto tempo.A explosão demográfica na segunda metade do século 20 fez com que cientistas traçassem cenários cataclísmicos para a humanidade — como seria possível produzir comida para tanta gente? Coube ao americano Norman Borlaug provar que o pessimismo era exagerado. Ao propor a combinação de técnicas como o aperfeiçoamento de sementes, a adoção de inseticidas, fertilizantes e irrigação, Borlaug ajudou a criar a Revolução Verde, que multiplicou a produtividade no campo a partir dos anos 60. Morto em 2009, Borlaug é tido como responsável por salvar 1 bilhão de vidas no século 20. Tudo isso, claro, feito semtransgênico algum. Por que, então, usá-los agora?
Segundo os defensores da biotecnologia, as técnicas da Revolução Verde não bastarão para dobrar a produção de alimentos nas próximas décadas. A área dedicada à agricultura dificilmente aumentará — fatores como a urbanização em países emergentes tendem a atrapalhar nesse quesito. Será necessário, portanto, fazer mais com menos espaço.
Cerca de 70% da água fresca do planeta é usada na agricultura — com o crescimento populacional quevem aí, o volume de água disponível vai diminuir. E os agrotóxicos estão entre os maiores poluidores do mundo. Mesmo que fosse possível dobrar a produção de grãos nas próximas décadas entupindoo solo de fertilizantes e pesticidas, as consequências ambientais seriam dramáticas. Para os especialistas em biotecnologia, os novos transgênicos também podem amenizar esses dois problemas. Já há no mercado sementes geneticamente modificadas imunes a pragas — cujo plantio, por definição, reduz o uso de pesticidas.
Os pesquisadores esperam que o histórico ajude a convencer os céticos de que a tecnologia é segura para a saúde. Além disso, os primeiros transgênicos foram desenvolvidos para beneficiar os agricultores, e o consumidor ainda não vê vantagem alguma na compra de produtos com ingredientes geneticamente modificados. As empresas pretendem mudar essa imagem na próxima década, com a nova geração de transgênicos e sua promessa de beneficiar consumidores e o meio ambiente. O sucesso recente demonstra que elas conseguiram conquistar milhões de fazendeiros, apesar de toda a resistência nascida cerca de uma década atrás. Falta, agora, vender a ideia para quem decide o que vai para a mesa.

11.493 – Agricultura – Há 10 000 anos plantando abóboras


Treze sementes de abóbora, encontradas numa caverna mexicana em 1966, saíram das gavetas do Instituto Nacional de Antropologia e História do México para a fama. Elas mostram que os povos primitivos das Américas começaram a cultivar plantas há 10 000 anos, na mesma época em que a agricultura nascia no Oriente Médio e na China. A descoberta foi feita pelo arqueólogo Bruce Smith, do Instituto Smithsonian, em Washington. Até então, como a maioria dos cientistas, Smith acreditava na hipótese conservadora, de que as plantas selvagens só tinham sido domesticadas de cerca de 5 000 anos para cá. Mas mudou de idéia. A prova de que as abóboras mexicanas foram mesmo plantadas vem do tamanho das sementes, maior que nas espécies selvagens. “Há 8 000 anos, os homens da caverna mexicana já começavam a selecionar as melhores abóboras para plantio”.

11.122 – A Agricultura Biodinâmica


Trata-se de um modelo agrícola de produção, que nasceu em 1924, através de um ciclo de oito palestras proferidas por Rudolf Steiner, criador da Antroposofia.
Assim como na Agricultura Orgânica, a Agricultura Biodinâmica não utiliza adubos químicos, venenos, herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios.
A diferença, é que, além disto, ela busca a individualidade agrícola, procurando a integração e harmonia entre as várias atividades de uma propriedade como horta, pomar, campo de cereais, criação animal e florestas nativas.
Trabalha também com o conhecimento do ciclo cósmico, pois para os agricultores biodinâmicos, o reino vegetal não se emancipou das forças cósmicas, sendo um reflexo do que se passa no Cosmo.
Para intensificar as relações e forças terrestres e cósmicas que agem nas plantas, a Biodinâmica usa preparados homeopáticos feitos de minerais, esterco bovino e plantas medicinais, promovendo assim, a vitalidade nos alimentos.
Os agricultores usam o Calendário Astronômico Agrícola como uma importante ferramenta de orientação para os melhores momentos de se trabalhar a terra: plantio, tratos culturais, colheita, etc.
Segundo Steiner, criador da agricultura biodinâmica, “a única coisa que torna viável a vida física na Terra, é sem dúvida, a agricultura”. E que, “é a agricultura, a atividade que mais foi afetada pela vida espiritual moderna”. Com isto, as pessoas passaram a se alimentar de forma incorreta. Os alimentos já não continham mais o que “realmente” os animais e seres humanos necessitavam para seu desenvolvimento pleno.

Pfeiffer diz que quando foi perguntado a Steiner:

“Como pode ocorrer que o impulso espiritual, especialmente a força da vontade para transformar os conhecimentos em ações, produza tão poucos frutos na prática?”

Steiner teria respondido:
“Isto é um problema de nutrição. A nutrição tal como se apresenta hoje não mais supre a energia necessária para manifestar o espírito na vida física. Não proporciona a construção da ponte ou conexão essencial entre o pensar, o querer e a ação. As plantas alimentícias não mais contêm as forças que as pessoas necessitam para isso”.

10.960 – Agricultura – Soja transgênica brasileira


simbolo-alimento-transgenico

Está cada vez mais difícil adaptar o ciclo da soja aos ditames da natureza. O motivo: a escassez de água nos períodos em que deveria chover na lavoura. Em janeiro e fevereiro deste ano, quando a soja de Amano estava se desenvolvendo no campo, caíram apenas 44 milímetros de chuva em suas terras, um sexto do volume normalmente registrado. “A produtividade diminuiu e tive um prejuízo de 100 mil reais”, diz ele. “Foi um dos piores anos para a agricultura nesta parte do Paraná.”
Na safra atual, a ser colhida no ano que vem, os problemas vieram mais cedo. Amano plantou em metade de suas terras no início de outubro — mas, como as chuvas não chegaram na época prevista, parte das sementes não germinou. Por isso, ele decidiu adiar o restante da semeadura. No início de novembro, quando uma reportagem esteve na região, a maior parte da terra que deveria estar ocupada por brotos de soja ou pelas máquinas plantadeiras permanecia coberta apenas pela palha seca das lavouras de inverno, como o trigo. “Muitos agricultores estão, como eu, olhando para o céu à espera da chuva”, diz Amano.
A boa notícia é que, a apenas 30 quilômetros da fazenda de Amano, está em desenvolvimento uma tecnologia que promete diminuir os danos da seca. Numa propriedade de 300 hectares ocupada pela Embrapa Soja — um braço da estatal encarregada da pesquisa agrícola no Brasil —, um grupo de pesquisadores obteve os primeiros resultados com uma semente mais tolerante à escassez de água. No início da década passada, um centro de pesquisas ligado ao governo japonês descobriu um gene de uma planta da família da mostarda capaz de proporcionar resistência a longos períodos de estiagem. Os japoneses fecharam uma parceria com a Embrapa para modificar o DNA da soja com a implantação do gene. As sementes modificadas foram plantadas pela primeira vez num campo experimental na safra passada. Os resultados são promissores: a nova soja transgênica produziu de 240 a 300 quilos a mais por hectare do que as variedades convencionais. “Estamos no caminho certo”, diz Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja responsável pelo projeto.
No ano passado, as perdas causadas às lavouras de milho e de soja pela falta de chuva somaram quase 10 bilhões de reais — 66% mais do que os prejuízos com a seca de toda a década de 80. Um levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia, que analisou dados sobre o clima no país desde 1961, mostra que houve diminuição na média anual de chuvas em áreas de produção agrícola, como a região do Mapitoba — formada pelo sul dos estados do Maranhão e do Piauí, pelo oeste da Bahia e pelo Tocantins — e também de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

10.959 – Genética – O que é a Transgênese?


O código genético de uma espécie é alterado pela a introdução de uma ou mais sequências de genes provenientes de outra espécie. O genoma dos organismos transgênicos contém fragmentos do genoma de bactérias ou vírus em seu DNA. Os genes introduzidos não pertenciam ao genoma original dessa espécie e vão conferir-lhe novas características, fazendo também com que essa espécie possa produzir novas substâncias de interesse.
Nos organismos transgênicos são inseridos materiais genéticos de outros organismos, mediante o emprego de técnicas de engenharia genética. A geração de transgênicos visa obter organismos com características de interesse que o organismo original não apresentava, como a resistência a herbicidas ou a produção de toxinas contra pragas das culturas agrícolas. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Assim podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
Os termos Organismos transgênicos e Organismos Geneticamente Modificados (OGMs’) não são sinônimos. Todo transgênico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgênico. OGM é um organismo que teve o seu genoma modificado em laboratório, sem necessariamente receber material genético (RNA ou DNA) de outro organismo. Transgênico é um organismo que foi submetido à técnica específica de inserção de material genético de outro organismo (que pode até ser de uma espécie diferente).
Desde a criação da primeira bactéria transgênica, em 1973, os laboratórios de pesquisa têm utilizado microrganismos transgênicos nas suas investigações. Posteriormente, organismos transgênicos, como plantas e animais, foram desenvolvidos para estudos, e também vários produtos obtidos a partir de transgênicos foram desenvolvidos e comercializados. O primeiro produto comercializado foi a insulina (produzida a partir de uma modificação da bactéria Escherichia coli, no final da década de 1970). Atualmente, alimentos transgênicos são utilizados para consumo animal e humano.
São alimentos produzidos a partir de organismos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas de insetos, fungos, vírus, bactérias e herbicidas.
O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. O uso de herbicidas, inseticidas e outros agrotóxicos pode diminuir com o uso dos transgênicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos corretos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até cinco aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistente ao herbicida glifosato) utiliza apenas uma aplicação.
É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. Vários países europeus, entre os milhões de hectares de culturas transgênicas. As culturas prevalentes são as de milho, soja e algodão, baseadas principalmente na tecnologia Bt.

Argumento contra
Atualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns países, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada desses alimentos, enquanto que outros países asiáticos, norte e sul-americanos permitem a comercialização de AGMs.
Desde 2004, após seis anos de proibição, a União Europeia autorizou a importação de produtos transgênicos. No dia 2 de março de 2010, a União Europeia aprovou o plantio de batata e milho transgênicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgênica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentícia. Cada país da União Europeia poderá ser responsável pelo cultivo transgênico em suas fronteiras em votação marcada para o meio do ano.

transgenese

10.356 – Cientista egípcio que vive no Brasil ganha prêmio por suas pesquisas com mandioca


Quando ainda morava no Egito, no começo dos 1970, o botânico e geneticista Nagib Nassar conheceu um livro que decidiria seu destino: “Geografia da Fome”, de pernambucano Josué de Castro, um dos mais importantes estudos sobre a insegurança alimentar no Brasil.
O livro o influenciou a vir para o país e dedicar toda a sua carreira a pesquisas em torno dos melhoramentos da mandioca, com o propósito de usar o alimento como recurso no combate à fome.
O pesquisador foi agora condecorado com o Kuwait International Prize of Environment, que será entregue em uma cerimônia em dezembro. Junto com o prêmio, Nassar também receberá US$ 100 mil (cerca de R$ 250 mil). O dinheiro já tem destino certo: será usado para financiar pesquisas com mandioca.
“É uma maneira de continuar o trabalho de uma vida inteira”, diz Nassar, com forte sotaque, apesar de viver há 40 anos no Brasil.
Ele diz que o dinheiro será doado à UnB (Universidade de Brasília), na qual foi professor por quase 30 anos. Os rendimentos financiarão alunos de doutorado e pesquisas sobre a mandioca.
Nassar espera ser um exemplo que incentive esse tipo de doação no Brasil. “Se isso acontecer, o impacto dessa minha pequena contribuição será muito maior.”
“Essa é uma atitude típica de quem tem paixão pelo que faz”, diz Jaime Santana, decano de pesquisa e pós-graduação da UnB. Santana acrescenta que a falta de uma cultura de filantropia e os entraves burocráticos dentro das universidades são os grandes empecilhos para que esse tipo de prática torne-se mais comum no país.
Em 1974, Nassar era professor na Universidade do Cairo e soube que havia um acordo científico entre Brasil e Egito. Viu aí oportunidade de estudar a cultura da mandioca na região em que ela se originou.
Logo que chegou ao país, como professor visitante da USP, Nassar fez uma longa viagem pelo Nordeste coletando e catalogando espécies silvestres de mandioca.
Na época, o oeste da África era assolado pelo mosaico africano da mandioca, vírus que estava destruindo plantações da raiz e causando fome em vários países.
Cruzando espécies silvestres do Brasil com a mandioca cultivada, o pesquisador produziu um híbrido resistente à praga, cujas sementes tiveram um enorme sucesso nos países assolado pela doença. “Essa foi minha primeira contribuição científica de importância”, diz Nassar.
Nassar depois buscou criar híbridos de mandioca mais nutritivos. “Ninguém imaginava que espécies silvestres da mandioca possuíssem altos níveis de proteína. Consegui mostrar que isso poderia ser transferido para a mandioca comum através de cruzamento.” O resultado foi uma espécie de mandioca com o dobro de proteína.
Crítico ferrenho dos transgênicos, teme os efeitos desse tipo de alimento no longo prazo. “Nos transgênicos, os genes são transferidos de vírus ou bactérias para a planta, para a raça humana e o nosso ambiente com impactos imprevisíveis.”
Apesar da aposentadoria compulsória aos 70 anos, Nassar ainda vai todas as manhã para a UnB e orienta alunos. No tempo livre, dedica-se aos livros e aos filmes. O cientista é dono de uma coleção de quase mil dvds.
Após quase 50 de dedicação à ciência, Nassar considera-se realizado. “A maior realização para um cientista como eu é produzir uma obra inovadora, com impacto científico importante e grandes consequência sociais.”

10.169 – Nível elevado de dióxido de carbono reduz taxa de zinco e ferro em alimentos


Os níveis elevados de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estimados para as próximas décadas podem fazer com que a concentração de nutrientes nas principais plantações do mundo sejam reduzidas. Um estudo feito pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que a presença de zinco e ferro nos alimentos pode ser prejudicada pela poluição do ar. Para os autores da pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Nature, esta é a ameaça à saúde mais significativa associada à mudança climática.
Estudos anteriores em plantações feitas em estufas com níveis elevados de dióxido de carbono no ar já haviam detectado reduções de nutrientes, mas esses trabalhos foram criticados por promover condições artificiais de crescimento das plantas.
A pesquisa atual mudou a técnica. Desta vez, 41 grupos de grãos e legumes foram cultivados no Japão, Austrália e Estados Unidos segundo um método de enriquecimento de dióxido de carbono ao ar livre, com concentração de CO2 entre 546 e 586 partes por milhão (ppm) — cientistas calculam que esse será o índice em 2050.
Os pesquisadores testaram trigo, arroz, milho, sorgo (um tipo de cereal), soja e ervilha, e os resultados mostraram uma diminuição significativa nas concentrações de zinco, ferro e proteína nos grãos de plantas que fazem fotossíntese do tipo C3 (transformam o gás carbônico em um componente com três carbonos), no caso, trigo e arroz.
Nos campos de trigo, a concentração de zinco diminuiu em 9,3%, a de ferro em 5,1% e a de proteína em 6,3%. A soja e a ervilha também sofreram redução de zinco e ferro, mas não de proteína. A descoberta é ainda mais preocupante levando-se em consideração que 2 a 3 bilhões de pessoas ao redor do mundo recebem mais de 70% do zinco ou do ferro que consomem por meio desses alimentos, principalmente em países subdesenvolvidos.
Os pesquisadores perceberam que as culturas de arroz foram afetadas de formas bem diferentes entre si, o que pode indicar que seria possível produzir um tipo de arroz menos suscetível aos efeitos do dióxido de carbono. Além disso, eles acreditam que pode ser necessário fortificar as plantações com ferro e zinco e até fazer a suplementação nutricional na população mais afetada, a fim de reduzir o impacto dessas mudanças na saúde global.

10.168 – Agricultura – Plantas que mudaram o rumo da história


Cana-de-açúcar
Originária da Nova-Guiné, a cana-de-açúcar começou a ser refinada há cerca de 2.500 anos, em Bihar, na Índia. Os lucros obtidos com o seu cultivo, baseado no trabalho escravo, impulsionaram a Revolução Industrial. Nas colônias americanas, a expectativa de vida média de um escravo de uma plantação de cana-de-açúcar era a metade daqueles que trabalhavam com algodão ou tabaco, devido ao ritmo frenético de trabalho e ao maior esforço físico. Apesar das leis contra o tráfico de escravos que começaram a ser adotadas em diversos países no século XIX, quem realmente acabou com a escravidão nas plantações de açúcar foi a economia. Nações como Alemanha e França começaram a extrair açúcar da beterraba, que surgiu como uma opção ao monopólio britânico sobre a cana-de-açúcar. Em 1845, a beterraba esmagava o comércio de açúcar do continente americano. Muitos proprietários de plantações de cana-de-açúcar se salvaram graças às indenizações pagas pela perda de seu negócio.

tabaco

Tabaco
Quando chegou à Europa, o tabaco era considerado um “remédio infalível”. Talvez isso explique como essa planta, apesar de todo o mal que reconhecidamente provoca ao organismo, se difundiu pelo mundo. Provavelmente originária da Bolívia e do noroeste da Argentina, a “Nicotiana tabacum” foi levada da América ao Velho Continente pelos colonizadores europeus. No século XVI, o tabaco despertou o interesse de Jean Nicot, embaixador francês na corte portuguesa. Ele utilizou a planta para tratar úlceras e deu origem ao hábito de inalar a folha moída. Em 1571, o médico espanhol Nicolás Monardes revelou que o tabaco podia curar até vinte doenças, como enxaqueca, gota, dor de dente e febre intermitente. O tabaco começou a receber críticas no século XVII, mas só em 1952 foi desmascarado pela revista “Reader’s Digest” como o “maço do câncer”.

Samambaia
Usadas para decoração, geralmente com suas longas folhas pendendo de vasos suspensos, as samambaias estão entre as plantas mais antigas do mundo, com 335 milhões de anos. Naqueles tempos remotos, quando todos os continentes ainda estavam unidos em um grande bloco chamado Pangeia, folhas de samambaias, cavalinhas e licófitas (grupo mais antigo de plantas ainda presente, em ervas) caíram e foram enterradas sob sedimentos. As folhas se transformaram em uma camada esponjosa denominada turfa e, com o passar dos milênios, foram comprimidas até se transformarem em uma matéria negra, rica em energia: o carvão. Restos de samambaias impulsionaram a Revolução Industrial, e são até hoje uma das principais fontes de energia utilizadas pela humanidade.

Soja
Os registros mais antigos de cultivo de soja na China e no Japão são dos tempos da dinastia Chou chinesa, que terminou em 770 a.C.. O alimento, um dos mais importantes da culinária oriental, pode ser consumido fresco, em brotos, fermentado ou seco. Alguns subprodutos dessa versátil semente são leite, óleo e farinha – além do shoyu, famoso molho japonês. Trazida do Japão ao ocidente por missionários holandeses, a soja não prosperou sob o frio da Europa setentrional, mas vingou na América. A partir de 1920, a semente passou a ser utilizada em diversos tipos de alimentos industrializados e colaborou com o aumento da produção de carne, servindo como ração para animais. O desenvolvimento de versões geneticamente modificadas (GM) na década de 1980 era a esperança de alguns cientistas para o fim da fome mundial, mas, na prática, essa semente criou problemas como a resistência a herbicidas. Fazendeiros brasileiros resistiram à soja transgênica, mas foram derrotados em 2002. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, hoje a área plantada no Brasil com soja geneticamente modificada representa 90% do total. O país é o segundo produtor mundial de soja. Na safra 2012/13, a produção de 82 milhões de toneladas quase passou a dos EUA, que atingiu 82,6 milhões. Atualmente, a crescente expansão do cultivo de soja na América do Sul preocupa ambientalistas, principalmente em razão de seu impacto sobre a Floresta Amazônica.

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Algodão
O algodão é uma das mais importantes culturas não alimentícias do mundo. Seu fio serve de matéria-prima para a confecção de tecidos e materiais como ataduras, gaze e papel. A semente pode ser transformada em sabão, margarina e óleo de cozinha, enquanto as fibras que aderem à semente são empregadas em cosméticos e plásticos. Até goma de mascar contém celulose do algodoeiro. O trabalhoso processo de remover as sementes da cápsula do algodão, esticar a fibra e tecer o fio foi industrializado aos poucos. Na década de 1760, o inglês James Hargreaves lançou uma máquina de fiar operada por uma só pessoa que produzia vários fios de uma vez. Alguns anos mais tarde, foi lançado um equipamento capaz de produzir mil fios simultaneamente. O crescimento da produção nos Estados Unidos fez a posse de escravos disparar. Em 1855, quase metade da população do sul do país era composta por escravos africanos, e estima-se que 3,2 milhões deles trabalhavam nas plantações de algodão, tabaco e açúcar. Após a Guerra Civil Americana e o fim da escravidão no país, a produção de algodão foi transferida para outras partes do mundo, como a China e a África Ocidental.

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Uva
Não se sabe qual foi o primeiro povo a transformar a uva em vinho, e quando isso aconteceu. A bebida pode ter sido produzida pela primeira vez no Irã, há 5.500 anos, ou na atual Turquia ou Geórgia, 2.000 anos antes. Independentemente do local de origem, é provável que o vinho seja uma feliz invenção do acaso. À semelhança de diversas frutas, as uvas contêm suco e açúcar, e, por isso, têm uma tendência natural à fermentação. Basta encontrar uma levedura para que isso ocorra – e algumas estão presentes na própria casca da fruta. O advento da rolha e da garrafa marcou um estágio importante no desenvolvimento do vinho. Do século XVIII ao XIX, oito de cada dez italianos trabalhavam com a bebida. A introdução da videira nos Estados Unidos acarretou em um problema que viria a devastar vinhedos europeus na década de 1860: a disseminação da filoxera, um pequeno inseto destruidor de uvas, levado à Europa pelos barcos a vapor. Demorou quase um século para a indústria se recuperar. Entre 1910 e 1911, trabalhadores da província francesa de Champagne invadiram suas fábricas de vinho, destruindo garrafas e barris e atirando uvas no rio, em protesto contra a decisão de trazer uvas de fora da região para compensar as perdas provocadas pelo inseto. Mais tarde, o governo aplicou uma medida que impedia que qualquer vinho espumante produzido fora daquela região fosse denominado champanhe. O vinho se disseminou pela cultura europeia por causa do Império Romano, que plantava videiras em todos os seus territórios, e a apropriação da bebida pelo Cristianismo.

Milho
Terceiro cereal mais importante do planeta, depois do arroz e do trigo, o milho foi originalmente cultivado pelos indígenas americanos. Antes de ser levado ao Velho Mundo por Cristóvão Colombo, ele sustentou as civilizações maia, asteca, inca e tolteca. Um século depois, o cereal já havia alcançado a China. O milho ganhou popularidade entre os novos habitantes da América quando os colonos de Jamestown, primeiro assentamento britânico fundado em caráter permanente no continente americano, escaparam de morrer de fome recorrendo ao milho nativo, até então considerado “lixo selvagem”.

Trigo
Acredita-se que o trigo foi a primeira plantação da Idade da Pedra, tendo alimentado boa parte do mundo – tanto humanos quanto animais de criação – desde então. Ele já foi sinal de poder: no século III a.C., quando Roma enviou suas tropas para conquistar novos territórios na Sicília, Sardenha, norte da África, Egito e Espanha, um dos objetivos era garantir o suprimento de trigo. O colapso do Império Romano foi acompanhado pela perda dos campos de trigo. Na época das grandes navegações, essa planta ajudou marinheiros portugueses e espanhóis a explorar o Atlântico. Navegadores viajavam com sacos de cereais nos porões do navio e, ao aportar e ilhas intermediárias, como as Canárias, semeavam e colhiam o trigo para se alimentarem durante o próximo trecho da viagem. O trigo foi uma das plantas que mais modificou a paisagem rural europeia. Além dos moinhos, celeiros e silos usados para processar e armazenar os grãos, havia grandes celeiros, parecidos com catedrais, com compartimentos para armazenar os feixes de trigo e um espaço de debulha.

Arroz
O arroz rivaliza com o trigo como uma das culturas alimentícias mais importantes do planeta. Plantado em mais de 100 países, ele constitui 30% da produção mundial de cereais. Os arrozais modificaram a paisagem dos países produtores, principalmente os asiáticos, que cultivam cerca de 90% do arroz do mundo: em planícies ou terrenos escalonados em encostas de morros, eles são um cartão-postal do continente. No fim do século XX, quando o metano foi identificado como um dos causadores do efeito estufa, cientistas ocidentais apontaram a produção do arroz como uma das grandes emissoras desse gás, responsável pela liberação de mais de 37,8 milhões de toneladas de metano na atmosfera. Pesquisadores indianos, porém, argumentaram que a emissão poderia ser de apenas um décimo daquela medida. Para eles, o culpado não era o arrozal, mas a extrapolação estatística baseada em pesquisas relativamente pequenas.

Seringueira
A seringueira era conhecida como “madeira chorosa” pelas civilizações sul-americanas. Quando os espanhóis chegaram à América, os indígenas já cortavam a casca da seringueira e colhiam a seiva leitosa – o látex. O que determinou a corrida pela borracha, porém, viria apenas séculos depois: os pneus de automóvel. Muitos fazendeiros americanos abandonaram suas pequenas propriedades para coletar o látex. As árvores e os povos indígenas da região foram intensamente explorados. Com a redução dos suprimentos naturais, tiveram início esforços para levar a seringueira para a Europa. Muitas remessas de sementes morreram durante a viagem, até que, em 1876, o plantador inglês Henry Wickham conseguiu fazer a sementes germinarem fora de sua terra natal. Em 1910, havia cerca de 2,5 milhões de pneus em circulação. Apenas oitenta anos depois, com três quartos da borracha do mundo dedicadas à produção de pneus, eles chegaram a 860 milhões. A borracha seria usada também em aviões supersônicos, pisos à prova de faísca em fábricas de fogos de artifício e preservativos, que, além da contracepção, representaram um avanço no combate à aids.

9763 – Pragas – Os Pulgões


Os afídeos, popularmente chamados de pulgões, são pragas que frequentemente causam danos a diversos tipos de plantas pelo enfraquecimento: como couve, brócolis, algodão, morango e roseiras, e também pela transmissão de vírus. Os pulgões tem parelhos bucais sugadores em forma de agulha de seringa chamado de estilete. Ao se alimentarem, inserem seu estilete nos vasos das plantas e se alimentam da seiva delas, causando danos diretos, pois provocam murcha generalizada, o enrugamento das folhas e a paralisação do desenvolvimento das plantas. Podem também trazer danos indiretos causados pela grande quantidade de açúcares eliminados na forma de “honeydew”, formando um meio rico para o desenvolvimento do fungos, os quais prejudicam a respiração e a fotossíntese das plantas, assim como transmissão de fitovírus, fazendo que a planta adoeça e morra.
Sua reprodução é por partenogênese, ou seja, as fêmeas não precisam ser fecundadas para dar origem a outras fêmeas. Mas é possível o nascimento de machos em alguns períodos do ano. Quando isto acontece, ocorre reprodução sexuada (com cópula), dando origem a machos e fêmeas. Os machos também podem aparecer quando existe superpopulação de pulgões em uma única planta hospedeira, a qual está morrendo e que irá futuramente extinguir a população do local.
As fêmeas são vivíparas, isto é, não botam ovos. Antes mesmo de chegarem na sua forma adulta já possuem um embrião dentro delas. Esse fato é chamado de “gerações telescópicas”, onde ocorrem imensas populações em um período muito curto de tempo.
Os pulgões também mantém relações ecológicas com outros insetos muito mais harmônicas do que com as plantas. As formigas pastoras mantém um interação com os pulgões para obter alimento, devido esses últimos secretarem a substancia adocicada mencionada anteriormente, o “honeydew”. As formigas protegem os pulgões para que os mesmos lhe forneçam alimento, chegam a até estimulá-las fazendo “cócegas” com suas antenas. Com isso os pulgões ganham uma eficiente proteção contra seus predadores, como as joaninhas e parasitoides. Aliás, os afídeos chegam a ser tratados como ovelhas mesmo, guiadas para algumas partes da planta pelas formigas para melhor proteção, chegando a ser carregados na “boca”, podendo em alguns casos serem recolhidas para perto do formigueiro no fim do dia.
Joaninhas e os Crisopideos são os maiores predadores de pulgões e são muito utilizados para controle biológico de pragas, devido seu apetite voraz por pulgões na sua forma de larva se estendendo para os adultos de joaninas também.

9516 – “A natureza reage às monoculturas. É algo que ela considera equivocado”


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Pesquisadores, professores universitários, representantes de órgãos públicos e cidadãos se reuniram em Brasília em encontro promovido pelo Ministério Público Federal e expuseram suas visões sobre os riscos da liberação para uso comercial de sementes de milho e soja geneticamente modificadas tolerantes ao herbicida 2,4-D.
Os agrotóxicos ganharam destaque especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, com investimentos massivos em armas químicas. Muitos dos produtos desenvolvidos para conflitos foram posteriormente destinados à agricultura. Um dos exemplos mais emblemáticos é o agente laranja, usado como desfolhante pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1959-1975). Quando pulverizado nas densas florestas vietnamitas, arrancava as folhagens das copas das árvores e aumentava o campo de visão dos soldados norte-americanos. Um dos seus princípios ativos é justamente o 2,4-D, autorizado no Brasil em plantações como arroz, cevada, café, cana-de-açúcar, milho, soja e trigo.
O engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, Mestre em Economia Rural e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina (UFSC), esteve presente no encontro. Melgarejo é representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no Brasil, e faz parte do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do MDA.
Com o milho BT, temos bilhões de plantas com proteínas inseticidas ativas, presentes desde a ponta da raiz até o grão de pólen, todos os anos, em todos os cantos do país. Após a colheita das espigas, os pés de milho que permanecem na lavoura mantêm a atividade inseticida. Após a decomposição daquelas plantas, o solo mantém as proteínas inseticidas ativas por períodos variáveis. Alguns estudos afirmam que, em solos argilosos, o tempo de permanência das proteínas ativas supera os 200 dias. Isto implica em ameaça ainda não bem esclarecida sobre a rede de organismos que assegura a fertilidade dos solos, e, portanto, a produtividade futura.
A afirmativa de que estas proteínas são específicas, só afetam alguns insetos que apresentam determinados receptores intestinais, vem sendo desmascarada pela evidência de que as proteínas Cry1, supostamente específicas para a ordem lepidóptera [borboletas, mariposas], causam danos a coleópteros, enquanto as proteínas Cry3, alegadamente específicas para a ordem coleóptera [besouros], vêm causando danos a lepidópteros. Mas, além disso, e mais grave, é o fato de que sequer conhecemos a totalidade de insetos dos gêneros lepidóptera e coleóptera. Ignoramos sua função completa e estamos criando ambientes que lhes são hostis.
Não podemos deixar de considerar que as reações da natureza aos cultivos transgênicos, mais do que um alerta, podem carregar resultados de nosso interesse coletivo. Como avaliar o que pode vir a acontecer com a fertilidade dos solos, em função desta pressão das plantas inseticidas e dos agrotóxicos sobre as cadeias tróficas? Felizmente a natureza reage.

9403 – Nasa planeja cultivar vegetais na Lua em 2015


A Nasa vai dar o primeiro passo para que, no futuro, o homem permaneça por períodos mais longos no espaço. Em 2015, a agência espacial americana vai enviar para a Lua uma pequena estufa, onde serão cultivadas sementes de nabo, agrião e manjericão.
“Se plantas sobreviverem, nós provavelmente também sobreviveremos”, disse a Nasa, em comunicado. A Câmara Lunar de Crescimento de Plantas (Lunar Plant Growth Chamber, em inglês) será levada ao satélite de “carona” com a nave espacial que vencer o concurso Lunar X-Prize, do Google, em 2015.
Após o pouso, as sementes serão regadas com água e crescerão sobre um filtro de papel com nutrientes dissolvidos, dentro da câmara, durante cinco a dez dias. Serão cultivadas cem sementes de agrião, dez de manjericão e dez de nabo.
“Recém-germinadas, as plantas são tão sensíveis quanto o homem, ou mais, às condições ambientais”, continuou o comunicado. “O material genético dos vegetais, tal qual o humano, pode ser danificado pela radiação.”
Nenhuma semente será cultivada diretamente no solo lunar, que carece de nutrientes necessários ao crescimento das plantas. Lá não existe, por exemplo, o material orgânico decomposto que enriquece o solo terrestre. Além disso, os níveis de radiação na Lua são muito mais intensos do que o da Terra, já que o satélite não possui uma atmosfera que detenha os raios mais danosos do Sol.
Na superfície da Lua as temperaturas variam, em um mesmo dia, de -173 graus Celsius a 100 graus Celsius, e o ciclo de luz e sombra que regula a fotossínteses está sujeito ao fato que o dia lunar tem duração de 28 dias terrestres.
Os brotos serão fotografados em intervalos regulares com resolução suficiente para comparar o crescimento dos vegetais lunares com plantas cultivadas na Terra, em condições parecidas.

9039 – Astronomia – Lua Russa


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Tal fenômeno fazia com que os jardineiros e agricultores do século 18 acreditassem na capacidade refrigerativa dos ráios lunares.
Laplace procurou seu colega francês François Arago (1786-1853), diretor do Observatório de Paris, para solucionar a difícil e já famosa questão da “lua russa”. Arago também nada sabia. Prometeu se informar junto aos jardineiros do Jardin dês Plantes, jardim botânico parisiense, bem como junto aos camponeses ou cultivadores. Descobriu Arago que os jardineiros usavam a expressão “lua russa” para designar a lua que começa em abril e se torna cheia, seja no fim desse mês, seja mais comumente no decorrer de maio. Segundo a crença geral, a luz da Lua, nos meses de abril e maio, exerce uma ação maléfica sobre os brotos das árvores que ressurgem no inicio da primavera. Diziam os jardineiros que a luz da Lua nesses meses tem a capacidade de queimar as sensíveis e tenras folhas que começam a renascer.
Todos eles asseguravam ter observado que, nas noites enluaradas, quando o céu estava sereno, os brotos expostos à luz se avermelhavam, ou melhor, gelavam, apesar de o termômetro indicar da atmosfera estava vários graus acima de zero. Por outro lado, observavam que, se o céu estivesse coberto, ou seja, com nuvens que impediam a incidência da luz lunar nas plantas, tal efeito não ocorria naquelas condições de temperatura. Acreditavam que a claridade do nosso satélite possuía a propriedade de congelar os brotos das árvores. Arago procurou estudar o problema dirigindo as mais possantes lunetas da época para a Lua e colocando em seus focos os termômetros mais sensíveis. Não encontrou nada que justificasse a opinião de jardineiros e camponeses. Para os físicos, a “lua russa” era uma crendice popular, um preconceito dos agricultores, que, apesar de tudo, continuavam convencidos de suas observações.
Durante as noites de céu puro e sereno os corpos perdem o calor por mero efeito de radiação. No entanto, a presença de uma camada de nuvens – por mais delgada que fosse – era capaz de alterar esse efeito. Assim, a experiência de Wilson pôde-se repetir substituindo-se o solo coberto de neve por um pasto com relva. Observou-se que, durante as noites tranqüilas e serenas, a relva apresentava-se sempre com uma temperatura inferior à do ar a uns 2 metros do solo. Assim, não se pode julgar o frio sentido por uma planta pelo único conhecimento das indicações de um termômetro suspenso a uma determinada altura no ambiente. Essa experiência foi repetida, com sucesso, na Inglaterra, pelo físico William Charles Wells.
Nas noites de abril e maio (primavera no hemisfério norte) a temperatura da atmosfera é a da ordem de 4 a 6 graus acima de zero.
Quando isso ocorre, as plantas expostas à luz da Lua, ou seja, num céu sereno e descoberto, podem gelar, apesar da temperatura ambiente relativamente alta. Ao contrário, se a Lua não brilha, ou seja, se o céu estiver coberto, a temperatura das plantas não desce abaixo da do meio ambiente. Elas não irão se congelar, a menos que o termômetro marque zero para a temperatura da atmosfera. É, portanto real o que afirmam os jardineiros: em condições de temperatura ambiente idênticas, um broto poderá gelar-se ou não, segundo a Lua esteja visível ou não. O engano dos jardineiros foi atribuir o efeito à luz da Lua. Na realidade, ela serva somente como uma indicação da pureza do céu, isto é, se o céu está com ou sem nuvens. Uma objeção que se poderia levantar contra essa explicação seria: por que os brotos só se congelam precisamente na primavera e não no outono ou no verão?
Duas são as principais respostas. Em primeiro lugar, nessa época, o Sol não tem tempo suficiente para compensar o calor da superfície terrestre perdido em virtude do resfriamento noturno. Em segundo lugar, o teor do vapor de água na atmosfera aumenta sem cessar desde a primavera até a época de maior calor, diminuindo lentamente durante os meses de outono e inverno, de tal modo que no início da primavera a quantidade de vapor de água alcança seu valor mínimo. Ora, como o vapor de água desempenha importante papel na igualização da temperatura do ar, o seu valor mínimo na primavera fará uma enorme falta no contrabalanceamento da radiação noturna. Desse modo, nessa época do ano, tudo irá contribuir para que as noites sejam frias, fazendo com que os jardineiros acreditem na capacidade refrigerativa dos raios lunares.

8651 – Ervas daninhas desafiam poder da biotecnologia


A depender do ponto de vista, o capim-arroz é um pesadelo ou uma maravilha. Isso porque é uma planta extremamente triunfante. O capim-arroz é particularmente devastador em arrozais, onde os prejuízos às vezes chegam a 100%. Ele desenvolveu resistência a muitos herbicidas usados por agricultores para controlar ervas daninhas, e cada planta pode produzir até 1 milhão de sementes, que se alojam no solo esperando a chance de crescer.
No fim das contas, o capim-arroz e as muitas outras ervas daninhas do mundo resultam em uma redução de 10% na produtividade das lavouras. Só nos EUA, causam um prejuízo estimado em US$ 33 bilhões por ano. Os herbicidas podem reduzir o dano, mas a resistência se desenvolve em poucos anos a partir da introdução de um novo defensivo químico. Agora, alguns cientistas argumentam que podemos encontrar formas mais eficazes de combater as ervas daninhas estudando sua evolução.
“São plantas incrivelmente bem-sucedidas. Elas evoluíram para tirar proveito de nós”, disse Ana Caicedo, da Universidade de Massachusetts. O capim-arroz mudou drasticamente em relação a seus ancestrais, desenvolvendo tolerância ao solo encharcado dos arrozais. Ele também evoluiu para ficar parecido com o arroz.
Certos traços ajudam as espécies selvagens a se tornarem ervas daninhas -elas crescem rapidamente, por exemplo, e produzem muitas sementes.

Outras ervas evoluem a partir da união de plantas selvagens com cultivos agrícolas. Na década de 1970, beterrabas selvagens da Europa lançaram pólen que fertilizou beterrabas açucareiras cultivadas em fazendas. Também cultivos agrícolas podem virar ervas daninhas. “Domesticamos uma planta a partir do estado selvagem, e ela, de alguma forma, se ‘desdomestica’ -o que eu acho bastante interessante”.
Entre esses cultivos desgarrados está uma erva daninha conhecida como arroz vermelho. O arroz domesticado foi selecionado geneticamente de modo a reter suas sementes quando colhido. Já o arroz vermelho desenvolveu sementes frágeis, que caem no chão ao serem colhidas, às vezes ficando dormentes. Essas sementes dormentes podem posteriormente brotar. “É um traço fantástico para uma erva daninha”, disse Caicedo.
O DNA das ervas “desdomesticadas” adquire novas mutações em diferentes genes. “Você tem um novo conjunto de truques genéticos”, disse Norman Ellstrand, da Universidade da Califórnia, em Riverside.
O último século trouxe uma série de herbicidas químicos que logo se tornaram ineficazes. Hoje, 217 espécies de ervas são resistentes a pelo menos um herbicida, segundo a Pesquisa Internacional de Ervas Resistentes a Herbicidas.
Na década de 1970, havia grande esperança em torno de um novo herbicida chamado glifosato, vendido pela Monsanto como Roundup. Os primeiros estudos revelaram que as ervas daninhas não desenvolviam resistência a ele, o que despertou a expectativa de que finalmente os agricultores haviam escapado da evolução.
Na década de 1980, a Monsanto ampliou a popularidade do glifosato lançando cultivos agrícolas geneticamente modificados que portavam um gene que lhes conferia resistência ao herbicida. Em vez de usar diversos herbicidas diferentes, muitos agricultores poderiam agora usar apenas um. No entanto, por meio da evolução, as ervas daninhas acabaram se tornando resistentes ao glifosato.
Meses atrás, a consultoria agrícola Stratus informou que metade das fazendas americanas tinha em 2012 ervas daninhas resistentes ao glifosato. Em 2011, eram 34%.
Alguns pesquisadores argumentam que as ervas daninhas podem ser combatidas com a combinação de dois genes de resistência em uma só planta cultivada, de modo que os agricultores poderiam aplicar dois herbicidas ao mesmo tempo. A chance de que uma erva tenha resistência aos dois produtos químicos seria minúscula. Mas na revista “Trends in Genetics”, uma equipe franco-americana de cientistas apresentou um contra-argumento: pulverizar um produto químico pode motivar a evolução de um sistema de reação a todo tipo de estresse, capaz de defender a planta contra mais de um herbicida.

8508 – Nutrição – Se alimentar de forma diferente pode melhorar o mundo?


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Por que tanto veneno?
Além de significar a relação com o alimento, a agricultura urbana e orgânica é uma forma de fugir do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil.
A Anvisa mostra que somos responsáveis por usar 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo, na frente dos EUA, que consome 17%. Em 2011, o Brasil registrou 8 mil casos de intoxicação por agrotóxicos.
E mais impressionante ainda é que 84% dos agrotóxicos da América Latina são consumidos no Brasil, que é “muito permissivo” e “tem produtos que são proibidos na União Europeia e nos Estados Unidos há 20 anos”, comenta a pesquisadora. Larissa também explica porque o argumento de que esse sistema é necessário para alimentar toda a população mundial é “mentiroso”. Para ela, não é questão de produção, mas sim de acesso à renda.
O pesquisador Joel Cohen, chefe de Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, nos EUA, segue a mesma linha: “Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% para animais e 18% para máquinas (biocombustível e plásticos). 90% da soja cultivada no mundo serve para alimentar animais. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões, mas 1 bilhão passa fome”.

O custo social representado pelo abandono do campo pelos pequenos produtores e inchaço das periferias urbanas;
O custo em saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);
O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.
Campanha
É importante destacar o papel da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que luta por outro modelo de desenvolvimento nos campos brasileiros. As pessoas que estão nesta linha de frente acreditam em “uma agricultura que valoriza a agroecologia ao invés dos agrotóxicos e transgênicos, que acredita no campesinato e não no agronegócio, que considera a vida mais importante que o lucro das empresas”, diz o site oficial.