13.610 – História – IDADE ANTIGA


idade antiga
Quando adentramos o estudo da Antiguidade ou Idade Antiga, é bastante comum ouvir dizer que esse período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações. Geralmente, ao adotarmos a expressão “civilização” promove-se uma terrível confusão que coloca os povos dessa época em uma condição superior se comparados às outras culturas do mesmo período.
Na verdade, a existência de uma civilização não tem nada a ver com essa equivocada ideia de que exista um povo “melhor” ou “mais evoluído” que os demais. O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de características específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamente a uma população.
Ao contrário do que se possa imaginar, não podemos apontar uma localidade específica onde encontremos a formação das primeiras civilizações da história. O processo de fixação e desenvolvimento das relações sociais aconteceu simultaneamente em várias regiões e foi marcado pelo contato entre civilizações, bem como a incorporação de duas ou mais culturas na formação de outra civilização.
Reportando-se ao Mundo Oriental, podemos assinalar o desenvolvimento das milenares civilizações chinesa e indiana. Partindo mais a oeste, localizamos a formação da civilização egípcia e dos vários povos que dominaram a região Mesopotâmica, localizada nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates. Também conhecidas como civilizações hidráulicas, essas culturas agruparam largas populações que sobreviviam da exploração das águas e terras férteis presentes na beira dos rios.
Na parte ocidental do planeta, costuma-se dar amplo destaque ao surgimento da civilização greco-romana. O prestígio dado a gregos e romanos justifica-se pela forte e visível influência que estes povos tiveram na formação dos vários conceitos, instituições e costumes que permeiam o Ocidente como um todo. Contudo, não podemos também deixar de dar o devido destaque aos maias, astecas, incas e olmecas que surgem no continente americano.
Sem dúvida, o estudo das civilizações antigas se mostra importante para que possamos entender melhor sobre as várias feições que a nossa cultura assume atualmente. Contudo, sob outro ponto de vista, o estudo da Antiguidade também abre caminho para que possamos contrapor os valores e parâmetros que um dia foram comuns a alguns homens e hoje se mostram tão distantes do que vivemos. É praticamente infinito o leque de saberes que se aplica a esse período histórico.

13.603 – Em SP, 3 em cada 4 casos de febre amarela são de áreas sem risco


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São definidas como regiões com recomendação aquelas em que há risco de circulação do vírus. Nesses casos, devem se vacinar todos os moradores e viajantes que planejam visitar esses locais. Desde 2000, 445 dos 645 municípios paulistas, todos no interior, estão nesse grupo.
As áreas mais populosas do Estado, no entanto, como as regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, não estavam nessa lista, mas foram as que registraram o maior número de casos no recente avanço da doença. Na terça-feira, 16, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que todo o Estado seja considerado de risco.
Foram também nas regiões sem recomendação de vacina em que o Estado registrou, já há quatro meses, o aumento expressivo de casos de macacos mortos pela doença, dado que já indicava o avanço do vírus para áreas antes consideradas livres dele. O número de animais doentes, que entre julho de 2016 e junho de 2017 foi de 187, saltou para 508 no mesmo período de 2017/2018.
Questionada sobre suposta falha na definição de áreas de risco, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, desde o ano passado passou a oferecer a vacina em 77 municípios, além dos considerados de risco. “Quem define a área de recomendação é o Ministério da Saúde. Mas estamos promovendo vacinação nos municípios que registraram casos de macacos mortos pela doença”, disse Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria.
Já o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que desde 2016 vem acompanhando a circulação viral da febre, “o que permitiu realizar ações de bloqueio de vacinação em localidades que não pertencem a áreas de recomendação permanente”, como São Paulo. O órgão afirmou que tais decisões são tomadas em conjunto com Estados e municípios.

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13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


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Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

12.626 – Vacina de DNA contra zika consegue bons resultados em camundongos


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Uma nova vacina de DNA conseguiu eficácia de 100% de imunização em camundongos contra a infecção por vírus da zika.
A cepa utilizada nos experimentos foi isolada de casos da doença do Nordeste do Brasil em 2015 e foi produzida pela USP. Os resultados foram publicados pela revista “Nature”.
Os cientistas (a maioria, americanos) testaram em camundongos a nova vacina, composta por DNA recombinante – produzido em laboratório com o auxílio de microrganismos – que contém as instruções para fabricação de proteínas da estrutura do vírus da zika.
Em uma vacina convencional é injetado o vírus ou pedaços dele. Ao encontrar os invasores (antígenos), o organismo produz anticorpos e mobiliza as células de defesa. O sistema imune passa a ter uma postura de prontidão contra a infecção “pra valer”.
Na vacina de DNA, a produção desses antígenos (pedaços dos invasores) é feita pelas células do organismo, como as fibras musculares. A partir daí, a resposta é semelhante à das vacinas virais.
“O problema é que pode ser difícil controlar a quantidade de antígeno ‘fabricado’ e o tempo de produção, o que pode dificultar a imunização”. Outra desvantagem é que pode surgir tolerância aos antígenos produzidos e até câncer, por causa da inserção do novo DNA no genoma
Nos ensaios, a imunização dos camundongos durou pelo menos 8 semanas e foi completa para os animais que receberam uma versão “inteira” do DNA responsável por fazer proteínas do envelope e da membrana do vírus.
Os pesquisadores afirmam que uma vacina de DNA para testes em humanos poderia ser facilmente obtida.
Os cientistas também testaram uma versão de vírus inativado (morto) da vacina. No caso, a cepa foi obtida em Porto Rico. Os camundongos obtiveram mais proteção quando vacinados pela via intramuscular, em comparação à via subcutânea.

12.609 – Com parceria com EUA, Butantan pode testar vacina contra zika em 2017


vacina zika
O Instituto Butantan fechou uma parceria com o governo dos Estados Unidos e com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para desenvolver uma vacina contra o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A expectativa, segundo o instituto, é que a vacina possa ser testada em humanos já no primeiro semestre de 2017.
O instituto receberá US$ 3 milhões (cerca de R$ 44,1 milhões) da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão do Ministério da Saúde americano para as pesquisas de uma vacina da zika com o vírus inativado.
O repasse financeiro se dará por meio de acordo entre a Barda e a OMS para a expansão da capacidade de pesquisa e produção de vacinas no Brasil. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, os recursos serão investidos em equipamentos e insumos para o desenvolvimento da vacina contra a doença. O acordo também prevê cooperação técnica entre os especialistas em vacinas da Barda e os pesquisadores do instituto.
Atualmente, pesquisadores do Butantan já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, a instituição vai aplicar o vírus inativado em roedores. Os próximos passos envolvem testes de toxidade do produto em animais e análise de uma área industrial para a produção do imunobiológico.

MICROCEFALIA
O Ministério da Saúde divulgou novo boletim no qual o Brasil já registra 1.616 casos confirmados de bebês com microcefalia, quadro geralmente associado à ocorrência de uma má-formação no cérebro durante a gestação.
Desde outubro, quando o aumento de casos de microcefalia começou a ser investigado no país, até 18 de junho, data dos dados mais recentes disponíveis, já foram notificados 8.049 casos de bebês com suspeita da má-formação. O alerta ocorre quando o perímetro da cabeça do bebê é menor do que o esperado. Destes, 62,5% já passaram por exames para confirmar ou descartar o quadro.

INFLAMAÇÃO INTRAOCULAR
Além dos casos de microcefalia associados ao vírus, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto publicaram a primeira descrição de uma inflamação intraocular em adultos causada pelo vírus.
Até então, acreditava-se que o vírus adquirido causasse apenas conjuntivite, que é uma inflamação da parte mais superficial do olho, e que somente a zika congênita (aquela que acomete bebês infectados na barriga da mãe) pudesse gerar lesões oculares mais graves.
Essa também é a primeira vez que o material genético do vírus foi isolado a partir de amostras de líquido de dentro do olho, o chamado humor aquoso, que fica na câmara anterior do órgão.

12.510 -Sequência genética do vírus da zika é achada em Cabo Verde


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“É a primeira vez que a cepa do vírus da zika, responsável pelas epidemias relacionadas com problemas neurológicos e microcefalia foi detectada na África”, disse a doutora Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África, em uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.
A cepa que circula pela América Latina é a versão asiática da zika, e foi detectada graças ao sequenciamento do vírus em casos clínicos em Cabo Verde.
“Os resultados são preocupantes porque são mais uma prova de que a epidemia se propaga para além da América do Sul e se encontra às portas da África”, disse Moeti. “Essa informação ajudará os países africanos a reavaliar seu nível de risco e a adaptar sua preparação.”
A OMS acredita que a cepa asiática do vírus chegou a Cabo Verde “por meio de um viajante”, acrescentou Moeti.
O doutor Bruce Aylward, diretor-geral adjunto da OMS, explicou que também existe uma cepa africana do vírus da zika, e que é difícil prever o que vai acontecer agora com esses dois surtos.
Em Cabo Verde foram detectados, até o dia 8 de maio, 7.557 casos suspeitos do vírus da zika e três casos de microcefalia, má-formação cerebral que pode limitar seriamente o desenvolvimento do bebê.

12.468 – Genética e Biotecnologia – Aedes ‘do bem’ pode combater dengue e zika


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O mosquito Aedes aegypti tem sido visto como o grande vilão da temporada. Se ele já era temido por transmitir a dengue, recentemente passou a ser o culpado pela disseminação de outros dois vírus no Brasil: chikungunya, transmitido pela primeira vez no país em setembro de 2014, e zika, identificado no país em abril.
Mas mosquitos Aedes modificados podem desempenhar um papel positivo na saúde pública, ajudando a combater em larga escala essas doenças no futuro. Atualmente, eles já são usados em bairros localizados em vários pontos do Brasil, mas sempre dentro de projetos de pesquisa. Conheça os Aedes aegypti “do bem”:
AEDES AEGYPTI GENETICAMENTE MODIFICADOS
Mosquitos geneticamente modificados, ou transgênicos, produzidos pela empresa britânica Oxitec já foram liberados no Brasil em dois bairros da cidade de Juazeiro – Ituberaba e Mandacaru – e em um bairro da cidade de Jacobina, ambas na Bahia. Nessas áreas, o projeto foi liderado pela Universidade de São Paulo e pela organização Moscamed, com apoio da Oxitec. Em março, o mosquito também passou a ser liberado em Piracicaba.
“Em todas as regiões, temos alcançado uma supressão do mosquito selvagem acima de 90%”, afirma Glen Slade, diretor de desenvolvimento de negócios da Oxitec.
Como funciona?
A tecnologia funciona da seguinte maneira: no laboratório, ovos dos Aedes aegypti recebem uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.
Só os machos são liberados na natureza. Eles procriam com as fêmeas selvagens –responsáveis pela incubação e transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.
Os machos liberados na natureza só conseguem sobreviver até a vida adulta e procriar porque recebem, dentro do laboratório, um antibiótico chamado tetraciclina. Como essa substância não existe na natureza, seus descendentes morrerão.
Pronto para uso em larga escala?
“Estamos preparados e ansiosos para ir em frente cada vez mais rápido. O que estamos fazendo hoje pode ser feito em qualquer escala e de forma cada vez mais eficiente”, diz Slade. “Num país do tamanho do Brasil, não vamos eliminar, mas talvez em cidades isoladas poderá haver uma redução tão grande que será quase uma eliminação.”
Até o momento, os mosquitos transgênicos não têm registro na Anvisa, apenas aprovações para uso em projetos de pesquisa. Para Slade, porém, isso não impede que a estratégia seja usada de forma cada vez mais ampla. “A Anvisa está analisando nossa situação. Trata-se do primeiro mosquito geneticamente modificado, o que levanta perguntas novas, é uma situação nova. Não vejo um grande obstáculo em nossa situação atual em termos de darmos os próximos passos. Próximos projetos com caráter de pesquisa podem ser cada vez maiores”
Em nota, a Anvisa afirma que está analisando o material apresentado pela empresa em caráter prioritário, inclusive com consultas a outras agências reguladoras internacionais que estão tratando de questões semelhantes.
MOSQUITO COM BACTÉRIA WOLBACHIA
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também estão trabalhando no uso de “mosquitos do bem” para combater a transmissão de doenças pelo Aedes aegypti. A estratégia não envolve modificação genética, mas o uso da bactéria Wolbachia, que impede os mosquitos de transmitir o vírus da dengue. Assim como o projeto da Oxitec, o da Fiocruz – chamado “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” – também tem caráter de estudo científico.
Se inicialmente o projeto era focado na eliminação da dengue, estudos feitos em laboratório comprovaram que a bactéria Wolbachia é capaz de reduzir a transmissão do vírus da febre amarela, do chikungunya e também atua sobre o vírus zika.
O objetivo é substituir toda a população de mosquitos da região para reduzir os casos de infecção pelos vírus. A bactéria Wolbachia não traz nenhum risco às pessoas, segundo os pesquisadores. Moreira explica que as pessoas já estão expostas a ela no dia a dia: 70% dos pernilongos, por exemplo, têm essa bactéria no organismo.

 

12.407 – Engenhoca de pneu é a nova aposta para conter zika


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Diante da crescente epidemia de zika, a melhor forma de combate é a prevenção. Eliminar os focos de água parada é a principal recomendação dos agentes públicos contra o Aedes aegypt, transmissor de zika, febre amarela, dengue e chikungunya. Mas um novo método se aproveita da facilidade de encontrar pneus nos lixos de todo o mundo e do potencial de proliferação dos mosquitos dentro deles justamente para barrar a reprodução dos insetos.
Batizada de Ovillanta, a engenhoca é bastante simples: metade de um pneu velho com uma válvula de escape no meio. O pneu é preenchido por água e uma solução leitosa com o cheiro dos próprios mosquitos para atrair as fêmeas. Esse feromônio, criado pela Universidade Laurentia, no Canadá, funciona como um chamariz para os insetos depositarem seus ovos sobre tiras de papel ou madeira que flutuam no interior do pneu.
As tiras são retiradas duas vezes por semana e os ovos, destruídos com álcool ou fogo. Depois disso, a solução chama-mosquito é filtrada através da válvula do fundo do pneu e volta a ser utilizada – com o passar do tempo, o feromônio fica mais forte e atrai ainda mais fêmeas a largarem seus ovos na armadilha – em vez de botá-los em outros lugares, onde as larvas vingariam.
Os testes foram feitos por 10 meses em sete bairros da cidade guatemalteca de Sayaxché, onde os pesquisadores do México e do Canadá coletaram e destruíram mais de 18 mil ovos de mosquito com 84 Ovillantas. Eles observaram que depois da colocação das armadilhas não foram registrados novos casos de dengue na região.

12.336-Como motos na Tailândia estão eliminando o mosquito Aedes Aegypti


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Há alguns meses que o avanço do vírus Zika e da dengue é motivo de preocupação em toda a América Latina.
Essas doenças são transmitidas pela picada do mosquito Aedes Aegypti, e os governos do Brasil e de toda a região estão tentando frear a reprodução do inseto.
A fundação Duang Prateep, na Tailândia, trouxe uma invenção inovadora, que utiliza as motos para pulverizar o repelente do mosquito. O aparelho, conectado ao cano de escape do veículo, utiliza o calor da máquina para aquecer um azeite especial que, ao ser ativado, mata os mosquitos em um raio de três metros de distância. Dessa forma, conforme as motos circulam pela cidade, elas eliminam aos poucos a propagação das doenças que transmitem as doenças.
Os mosquitos são os animais que causam mais mortes em seres humanos por ano. Em 2015, o contágio da dengue cresceu em 207% na Tailândia. No continente americano, os índices de propagação do vírus são alarmantes, por isso inovações como essa poderão melhorar significativamente a vida dos setores mais vulneráveis da sociedade.

12.273 – Mega Polêmica – Cientistas brasileiros criticam uso de peixe contra larvas do aedes


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Um grupo de cinco pesquisadores incluindo brasileiros e estrangeiros publicou uma carta na revista científica “Science” criticando o uso de peixes no controle das larvas de mosquito, notadamente o Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e febre amarela.
A espécie mais usada para essa finalidade é o Poecilia reticulata, também conhecido como “guppy” (barrigudinho) ou como “mosquito fish” (peixe mosquito).
É um peixe pequeno: as fêmeas, que podem chegar a seis centímetros de comprimento, são maiores que os machos, que atingem meros 3,5 cm. Nativo do norte da América do Sul (incluindo a Amazônia brasileira, mas não o resto do país) e do Caribe, ele foi descrito pela primeira vez na Venezuela.
A espécie hoje é comum em muitos países, seja por sua introdução acidental –o barrigudinho é popular em aquários domésticos–, seja proposital, como tentativa de controle de mosquitos.
“Diversos municípios brasileiros têm encorajado o uso de espécies não nativas do gênero Poecilia como forma de controle do A. aegypti, uma vez que eles comem suas larvas. Essa estratégia é equivocada”, escreveram os pesquisadores na carta, cujo principal autor é Valter M. Azevedo-Santos, do Laboratório de Ictiologia, Departamento de Zoologia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).
Os pesquisadores consideram que, por serem espécies invasivas, esses peixes afetam a biodiversidade dos rios e lagos, diminuindo a presença de espécies nativas. O Aedes aegypti, no entanto, também é uma espécie invasiva.
Embora esteja muito longe de ser um predador no topo da cadeia alimentar, o “barrigudinho” provoca estragos quando inserido. Ele pode, por exemplo, se alimentar de ovos de outras espécies, ou transmitir vermes aos peixes nativos. Essas interferências já foram observadas nos Estados americanos de Nevada, Wyoming e Havaí.
O pequeno peixe também é prolífico. Em vez de colocar ovos na água, os ovos de Poecilia são gestados dentro do corpo da mãe, e literalmente “ejetados” na hora do nascimento. Nascem minúsculos, pouco maiores que um grão de arroz, mas já aptos para nadar, se esconder e procurar comida (em suma, para tentar sobreviver).

12.264 – Corrida por vacina contra vírus da zika movimenta laboratórios pelo mundo


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Ainda há alguns lapsos na investigação sobre o vírus da zika, como a comprovação de que ele de fato causa microcefalia em bebês, mas a corrida por uma vacina já movimenta laboratórios e farmacêuticas pelo mundo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) relata que existem ao menos 15 iniciativas para desenvolver a vacina.
O processo, porém, ainda tem que percorrer um longo caminho. Não teremos tanta sorte quanto no caso da epidemia causada pelo vírus H1N1 em 2009 –a vacina ficou pronta apenas seis meses após a identificação do vírus.
“A tecnologia já estava incorporada, e o método de inativação do vírus, bem estabelecido. Havia fábricas produzindo vacina contra gripe em várias partes do mundo”, relata Esper Kallas, infectologista da USP e responsável pelos testes em humanos da vacina contra a dengue da colaboração entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), USP e Instituto Butantan.
Para fazer a vacina da zika, saem na frente os grupos que já desenvolveram, ainda que experimentalmente, vacinas contra outros vírus da mesma família do zika (a dos flavivírus), como os que causam dengue, febre amarela e encefalite japonesa.
Já se tem ideia de como é a epidemiologia e o padrão de espalhamento dessas arboviroses (transmitidas por artrópodes, como o Aedes aegypti ). Também será mais fácil estimar quantas pessoas devem participar dos testes e o que esperar de efeitos colaterais.
A francesa Sanofi, primeira a obter licença para vender uma vacina contra dengue, já divulgou sua intenção de entrar na corrida imunológica.

12.256 – CITRONELA – PLANTA QUE COMBATE O MOSQUITO DA DENGUE


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A citronela é parecida com a erva cidreira, mas não pode ser ingerida. A grande vantagem é repelir qualquer tipo de mosca em 50m². A citronela é bastante conhecida pelos seus efeitos repelentes, principalmente contra mosquitos e borrachudos. Ela forma uma touceira densa, suas folhas são longas, com bordas cortantes e de coloração verde clara, idêntica ao capim-limão. Difere deste apenas pelo aroma, que é suave, com perfume de limão, ao contrário da citronela que é bastante forte, talvez até um pouco enjoativo. Ela contém grandes quantidades de óleo essencial Citronela, responsável por suas utilizações repelentes.
Pode ser plantada em vasos e jardineiras, assim como em canteiros adubados ou como bordadura em áreas grandes. O local de plantio da citronela deve ser favorável ao vento, para espalhar o odor que espanta o mosquito, sendo, ideal que seja plantado cada muda a um metro e meio de distância da outra em terreno com bastante sol. Ela apresenta efeitos alelopáticos positivos quando plantada em conjunto com outras plantas, repelindo pragas entre eles o mosquito da DENGUE. A planta apresenta mais de oitenta componentes que afugentam moscas e mosquitos. A essência da citronela é utilizada em perfumes, velas, incensos, repelentes, aroma terapia, desinfetantes e armazenagem de alimentos. O uso do óleo essencial diretamente sobre a pele pode provocar irritações. O bagaço de citronela pode ser utilizado na alimentação animal. Diz-se também que repele gatos de hortas e canteiros.
Deve ser cultivada a pleno sol, em solo fértil, bem drenável e enriquecido com matéria orgânica para uma boa produção. Seu crescimento é bastante rápido, o que pode requerer um desbaste periódico. Utilizar sempre luvas ao trabalhar com a citronela, pois as bordas das folhas produzem cortes superficiais na pele. Tipicamente tropical, não tolera frio intenso ou geadas. Multiplica-se facilmente pela divisão das touceiras.

ATENÇÃO: Não confundir com capim cidreira, a citronela tem as folhas maiores e o cheiro mais intenso, lembra eucalipto citriodora. NÃO DEVE SER INGERIDA EM FORMA DE CHÁ OU QUALQUER OUTRO MEIO.

DICA: Pode ser feito uma calda para limpar o chão, parapeitos de janelas, balcões. É SÓ PARA DESINFETANTE, A PESSOA NÃO DEVE INGERIR. Para fazer o desinfetante, picar as folhas e guardar em vidro escuro com álcool, durante 21 dias. Duas vezes ao dia, mexa o produto, chacoalhando levemente. Depois, diluir três colheres (sopa) em 1 litro de água e passar no chão. Todas as folhas que vão secando nas moitas corte com uma tesoura, faça picado e coloque no álcool, não jogue fora.
Deixar uma vasilha de ½ litro com duas gotas de essência de citronela no canto do quarto, o cheiro permanece à noite e o mosquito não se aproxima. Se todo mundo usar citronela dentro de casa, o hóspede indesejado (aedes – mosquito da dengue) não terá lugar para ficar (o mosquito odeia o cheiro que para nós é agradável).
Um repelente seguro para a saúde humana e animal.

12.252 – Saúde – Aedes, um mosquito do medo


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A melhor forma de prevenir os casos de microcefalia associados ao vírus zika é evitar que as mulheres engravidem neste momento.
É o que defende o ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, 68, professor livre-docente de genética da USP e especialista em medicina fetal.
“A melhor forma de prevenir a microcefalia é não ter feto na barriga”, afirma. “É radical? Pode ser. Mas pode evitar um desastre maior.”
Mas isso não vai criar um pânico na população? “Pânico é dizer que tem alguém do Estado Islâmico na portaria do seu prédio”, diz ele.

Trecho da entrevista
A infecção por zika pode afetar o feto em qualquer período da gravidez [a hipótese é que o maior perigo seja no primeiro trimestre de gestação, mas não há estudos que garantam segurança no restante da gravidez].
Estamos entrando no verão, não temos controle adequado do mosquito Aedes aegypti. É melhor esperar até que tenhamos uma dimensão real dessa epidemia.

Tire suas dúvidas
O que é o vírus zika?
É um vírus da mesma família dos vírus da dengue e da febre amarela.
Foi isolado pela primeira vez em 1947 em primatas de Uganda, na floresta Zika. Por esse motivo tem essa denominação

Como é transmitido?
Por meio do Aedes aegypti, o mesmo vetor que transmite a dengue e a chikungunya

Quais os sintomas?
Mais de 80% dos casos são assintomáticos. Porém, o vírus pode causar febre, manchas avermelhadas no corpo, irritação nos olhos, dores nas articulações, musculares e de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem entre 3 a 7 dias

O zika tem relação com os casos de microcefalia?
A partir dos exames realizados no caso de um bebê, no Ceará, o Ministério da Saúde confirmou no sábado (28) a relação do zika com casos de bebês com microcefalia

Essa relação era conhecida?
Não existe relatos na literatura médica mundial sobre essa relação. Segundo o Ministério da Saúde, essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial

O que é a microcefalia?
É uma má-formação cerebral, que faz com que o crânio não se desenvolva normalmente. Crianças afetadas nascem com circunferência da cabeça menor do que 33 cm. Pode afetar o desenvolvimento, causando dificuldades cognitivas, motoras e de aprendizado

Quantos casos de microcefalia foram notificados neste ano? E em 2014?
Até 28 de novembro, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 311 municípios de 14 Estados. Pernambuco tem o maior número de notificações, 646. Em todo o NE, os números estão acima do esperado. Em 2014, foram 147 casos no país

8 Em quais Estados há número de casos confirmados acima do esperado?
Em todo o Nordeste

Há exames disponíveis para detectar o vírus?
O Estado de São Paulo anunciou que ofertará o teste no SUS nas próximas semanas. O laboratório Fleury planeja oferecer o teste em 15 dias.

Planos de saúde devem cobrir o teste?
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) afirma que a operadora não pode se negar a oferecer cobertura apenas porque um exame não está no rol de procedimentos. Caso o cliente tenha dificuldades, pode reclamar à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e exigir a realização do serviço

Como se proteger?
Elimine criadouros do Aedes aegypti. No caso das gestantes, use calça e camisa de manga comprida e repelentes permitidos para o período da gravidez

É seguro engravidar?
Apesar do ministro da Saúde, Marcelo Castro, ter dito que “sexo é para amador, gravidez é para profissional”, o ministério não faz a recomendação para que a gravidez seja evitada nesse período, mas sim que as gestantes procurem um médico com antecedência. Especialistas, porém, dizem que mesmo onde não há surto de microcefalia e circulação do zika o melhor é evitar

Qual período da gestação é mais suscetível à ação do vírus?
Segundo o relato dos casos atendidos até o momento, as gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram os sintomas do vírus zika no primeiro trimestre da gravidez

Como o vírus afeta o cérebro do bebê?
A principal hipótese é que cause uma inflamação nos vasos sanguíneos e no tecido cerebral, o que leva à atrofia. Os exames mostram que há uma redução dos gomos cerebrais, ficando com um cérebro de aspecto liso. Depois aparecem calcificações e dilatações dos ventrículos laterais e, por fim, a microcefalia

Como denunciar os focos do mosquito?
Quando um foco do mosquito Aedes aegypti é detectado e não pode ser eliminado pelos moradores de um local, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser acionada

Mas todas as mulheres do país, inclusive as paulistas?
Todas elas. É radical? Pode ser. Mas pode evitar um desastre maior. Se eu tivesse uma filha, seria o conselho que daria. Não é o momento para engravidar, independentemente do lugar onde mora no país. Há risco em potencial em toda a gravidez.
Não temos vacina para prevenir, não existe tratamento para essas crianças, só terapias de suporte. Depois, não adianta ficar fazendo um monte de ultrassom. Isso não muda nada. As sequelas nas crianças são para a vida toda.

12.249 – Saúde – Ações para deter a epidemia do vírus Zika


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Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue e zika vírus

No Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas foram contaminadas pela doença, que tem sintomas semelhantes aos da dengue e que pode desenvolver microcefalia em recém-nascidos de mães que contraíram o vírus durante a gravidez. A microcefalia é uma condição neurológica que impede o desenvolvimento da cabeça dos bebês.
Hoje, a Dinamarca entrou para a lista de 24 países que já registraram casos de contaminação pelo vírus e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu com representantes do Ministério da Saúde para pedir pressa no desenvolvimento de uma vacina.
Descubra o que é possível fazer para evitar uma grave epidemia da doença, enquanto nenhuma vacina foi desenvolvida:

Monitoramento
Para evitar que o vírus continue se alastrando por diversos países, é preciso que os governos possam identificar pessoas que viajaram a nações em que a doença está em estado de epidemia. Como tem sintomas muito semelhantes a outras patologias, os médicos precisam estar atentos e bem informados sobre as condições do zika. Educar os profissionais de saúde é um importante passo no monitoramento do desenvolvimento da doença.

Informar
O governo brasileiro anunciou uma megaoperação a ser realizada pelo Exército. Cerca de 220 mil homens das Forças Armadas passarão de casa em casa para informar a população sobre a gravidade da doença, a importância da prevenção e como fazê-la. Comentaristas de política externa já afirmam que outros países do continente americano precisam começar a pensar em ações semelhantes para que a doença não atinja os níveis que atingiu em solo brasileiro.

Programas de prevenção
No século XX, diversos países ocidentais organizaram campanhas para a erradicação do mosquito. Os números de doenças causadas por eles caíram drasticamente, mas os projetos não foram mantidos e o Aedes aegypti ganhou terreno de novo. Janet McAllister, pesquisador do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, defende que ações como as que aconteceram antes sejam retomadas, sobretudo em comunidade periféricas, com menos instrução e infraestrutura para realizar a prevenção.

Preocupação com a gravidez
As administrações públicas também precisam se preocupar urgentemente em informar mulheres grávidas que desejam viajar para países onde o vírus está epidêmico sobre as consequências que a doença pode ter no bebê. Uma lista preparada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) compilou países que oferecem riscos às grávidas: Barbados, Bolívia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guadalupe, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Suriname e Venezuela.

Entender o vírus
Por fim, mas não menos importante, é preciso uma comoção internacional de cientistas e pesquisadores com o intuito de estudar o vírus Zika. Até o momento, a comunidade científica ainda não entendeu como a doença afeta os embriões, nem tem uma lista completa e definitiva com os sintomas do Zika. Esse desconhecimento é alarmante a esta altura do campeonato.

12.167 – Epidemias – Zika vírus chega aos EUA


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No último ano, o Brasil teve mais de 84.000 casos de zika, o vírus que é transmitido pelo mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. O número impressiona porque, até 2014, a doença só tinha estourado na África, Ilhas Pacíficas e Sudeste Asiático. Foi só em maio de 2015 que ela apareceu por aqui. Agora, o próximo país que vai enfrentar a zika é os Estados Unidos, que teve dois casos relacionados à doença confirmados: um homem infectado em Houston, no Texas, e um bebê havaiano, que nasceu com microcefalia.
A mãe do bebê estava no Brasil em maio de 2015. Ela pode ter sido infectada no começo da gravidez, e, assim como outras 2.800 mulheres brasileiras, deu à luz a um filho com sérios problemas neurológicos.
O especialista Peter Hotez diz acreditar que algumas cidades americanas podem ficar mais vulneráveis ao vírus, mas que uma só pessoa não causaria uma epidemia nacional. “O problema é que temos que agir agora. Esse é um vírus incomum, e ele tende a produzir sintomas de baixo nível”.
A Zika foi identificada originalmente na Uganda, em 1947, e era relativamente desconhecida até 2007, quando a Micronésia sofreu um surto.
A doença é muito menos agressiva que a dengue. O que preocupa mesmo são os bebês, que nascem com má-formação cerebral e serão afetados pelo resto de suas vidas. Como ainda não existe vacina, o jeito é apostar no repelente.

12.154 – Saúde – Novo exame detecta dengue, zika e chikungunya simultaneamente


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O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou o desenvolvimento de um novo exame capaz de diagnosticar simultaneamente os vírus da dengue, zika e febre chikungunya. Em visita ao campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, que desenvolveu o chamado Kit NAT junto ao Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), o ministro explicou que o exame deve estar disponível ainda no primeiro semestre. “Já estamos com 18 dos 27 laboratórios centrais equipados para receber esse teste”.
O teste é realizado com base na identificação de segmentos de material genético de vírus no sangue. Segundo explicou Marco Aurélio Krieger, vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Prototipagem do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz-Paraná), o kit consegue amplificar os segmentos genéticos de cada vírus, tornando possível diferenciar cada um deles.
Entre os benefícios do novo teste está a rapidez do diagnóstico, essencial para o tratamento das doenças, já que antes era preciso realizar os exames separadamente. Além disso, os procedimentos anteriores usavam reagentes importados, fazendo com que o custo de um teste variasse entre 900 e 2 000 reais. Como o novo kit usa produtos nacionais, os exames saem por 20 dólares (cerca de 80 reais).
Zika – No caso do zika, o kit tem um importante limitação: só consegue detectar o vírus durante o curto período de infecção, que dura poucos dias. Só com o teste de sorologia, que analisa a resposta do sistema imune do paciente, grávidas em estágio avançado poderiam saber se contraíram ou não o vírus no início da gravidez. No entanto, esse tipo de exame ainda não foi desenvolvido para o zika, apenas para dengue e chikungunya.

12.064-Saúde – México aprova a primeira vacina contra dengue


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A Cofepris, autoridade regulatória mexicana para a aprovação de medicamentos, aprovou a vacina contra a dengue. A imunização previne contra os quatro sorotipos do vírus causador da doença e abre caminho para a redução dos casos em países endêmicos.
Desenvolvida pela Sanofi Pasteur, a imunização é indicada para pessoas com idade entre 9 e 45 anos e deve ser administrada em três doses, com um intervalo de seis meses entre elas.
A aprovação baseou-se em estudos clínicos realizados com mais de 40.000 voluntários de diferentes idades, países e etnias. Os resultados mostraram 66% de proteção global contra os quatro sorotipos e redução de casos graves.
“A prevenção é importante. Mas, ainda mais a redução das mortes e dos casos graves”, disse Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur Brasil.
A nova vacina não protege contra o zika, vírus transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti.
O registro da vacina contra a dengue já foi submetido para aprovação em 20 países, incluindo o Brasil. Esperamos que a Anvisa dê seu aval até o começo do ano que vem, Certamente, essa aprovação no México, que também é um país endêmico da doença com um grande número de casos registrados anualmente irá contribuir para isso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) se referiu à vacina contra dengue como parte essencial dos esforços necessários para reduzir de maneira significativa a carga da doença em todo o mundo. Ainda de acordo com a entidade, a dengue é hoje a doença transmitida por mosquito que mais se dissemina no mundo, causando cerca de 400 milhões de infecções por ano.
O Instituto Butantã, em São Paulo, também está desenvolvendo uma vacina contra o vírus da dengue.

10.916 – Genética – A era dos mosquitos transgênicos


Ele tem um segredo terrível, que vai destruir a sua própria espécie. Parece um conto bíblico, mas é real: é a história do OX513, um mosquito geneticamente modificado que foi criado pelo homem com a missão de extinguir o Aedes aegypti e acabar com a epidemia de dengue. Depois de criar versões transgênicas de plantas como o milho e a soja, agora a humanidade modifica o DNA de um bicho e se prepara para liberá-lo na natureza. Aqui mesmo no Brasil – onde fica a primeira fábrica de mosquitos transgênicos do mundo.
PESTE ALADA
Mosquitos são criaturas terríveis. Estima-se que eles tenham sido responsáveis por metade de todas as mortes de seres humanos ao longo da história. Ou seja, mataram mais gente do que qualquer outra coisa. Isso acontece porque, como se multiplicam rápido e em enormes quantidades, são excelentes transmissores de doenças – como a dengue, que é causada por um vírus chamado DENV. O mosquito pica uma pessoa infectada, adquire o vírus, e o espalha para outras pessoas ao picá-las também. A dengue é uma doença séria, que pode matar, e um grande problema no Brasil: em 2013, o Ministério da Saúde registrou 1,4 milhão de casos, mais que o dobro do ano anterior. Tudo culpa do Aedes aegypti. Ele é um mosquito de origem africana, que chegou ao Brasil via navios negreiros, na época do comércio de escravos. E hoje, impulsionado pela globalização, levou a dengue a mais de cem países (na década de 1970, apenas nove tinham epidemias da doença). Os números mostram que, mesmo com todos os esforços de combate e campanhas de educação e prevenção, o mosquito está ganhando a guerra.

Entra em cena o OX513A, que foi criado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele é idêntico ao Aedes aegypti – exceto por dois genes modificados, colocados pelo homem. Um deles faz as larvas do mosquito brilharem sob uma luz especial (para que elas possam ser identificadas pelos cientistas). O outro é uma espécie de bomba-relógio, que mata os filhotes do mosquito. A ideia é que ele seja solto na natureza, se reproduza com as fêmeas de Aedes e tenha filhotes defeituosos – que morrem muito rápido, antes de chegar à idade adulta, e por isso não conseguem se reproduzir. Com o tempo, esse processo vai reduzindo a população da espécie, até extingui-la (veja no infográfico abaixo como o processo funciona). Recentemente, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou o mosquito. E o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a permitir a produção em grande escala do OX513A – que agora só depende de uma última liberação da Anvisa. A Oxitec, empresa criada pela Universidade de Oxford para explorar a tecnologia, acredita que isso vai ocorrer. Tanto que acaba de inaugurar uma fábrica em Campinas para produzir o mosquito.
O OX513A já foi utilizado em testes na Malásia, nas Ilhas Cayman (no Caribe) e em duas cidades brasileiras: Jacobina e Juazeiro, ambas na Bahia. Deu certo. Em Juazeiro, a população de Aedes aegypti caiu 94% após alguns meses de `tratamento¿ com os mosquitos transgênicos. Em Jacobina, 92%. As outras formas de combate, como mutirões de limpeza, campanhas educativas e visitas de agentes de saúde, continuaram sendo realizadas. “Nós não paramos nenhuma ação de controle. Adicionamos mais uma técnica”, diz a bióloga Margareth Capurro, da USP, coordenadora técnica das experiências. Há indícios de que o mosquito transgênico funciona. Mas ele também tem seu lado polêmico.
Há quatro anos, quando os mosquitos da Oxitec chegaram à Malásia para uma das primeiras rodadas de teste, surgiu uma preocupação. Quando um organismo geneticamente modificado é introduzido na natureza, seja ele uma planta ou um animal, é complicado prever tudo o que pode acontecer – e muito difícil contê-lo se alguma coisa der errado. Em tese, os mosquitos transgênicos não têm como se espalhar. Três a quatro dias depois de serem soltos, e de fazer sexo com uma fêmea, eles simplesmente morrem. Seus filhotes não conseguem crescer, e também morrem. E a história acaba aí. Mas, e se o mosquito OX513A sofresse uma mutação, e se tornasse imune ao gene letal? Afinal, é assim que a evolução funciona. Mutações são inevitáveis. “Todas as espécies agem para burlar os fatores que tentam exterminá-las”, afirma o biólogo Carlos Andrade, da Unicamp. Se o inseto transgênico conseguisse vencer o gene letal, ele poderia se reproduzir livremente – e se tornaria incontrolável. Foi essa a preocupação do grupo ambientalista inglês EcoNexus, que enviou uma carta às autoridades da Malásia. “Os [insetos] transgênicos podem não ser completamente erradicados do ecossistema, com consequências perigosas.” A Oxitec diz que não há risco. Ela estima que até 5% dos filhotes transgênicos poderão sobreviver ao gene letal, e chegar à idade adulta. Mas eles serão menores e mais fracos do que os mosquitos “selvagens”, e por isso não conseguirão se reproduzir. Mesmo se conseguirem, em tese não terão nenhuma característica que os torne mais perigosos que o Aedes comum. Além disso, como eles são criados em laboratório, seu DNA pode ser monitorado. “Os dois genes [que foram] inseridos são muito estáveis. A linhagem OX513A foi criada em 2002, e até agora teve mais de cem gerações em laboratório, sem nenhuma mudança nos genes inseridos”.
Os mosquitos machos se alimentam de frutas, e por isso não picam. Quem pica é a fêmea, que precisa de sangue humano para nutrir seus ovinhos. É ela que transmite a dengue. Por isso, as fêmeas de OX513A são separadas no próprio laboratório. Algumas são mantidas em cativeiro, para reproduzir a espécie, e as demais são mortas. Apenas os machos, que não picam, são liberados na natureza.

O processo de separação não é perfeito. Até 0,2% dos mosquitos liberados são fêmeas, que podem picar seres humanos. Não é uma quantidade insignificante. A fábrica da Oxitec em Campinas tem capacidade para produzir 500 mil mosquitos machos por semana, podendo ser ampliada para 2 milhões. Isso significa que, devido à margem de erro, mil a 4 mil fêmeas seriam liberadas a cada semana. E elas poderiam transmitir dengue. A Oxitec questiona essa possibilidade. “Para transmitir dengue, a fêmea primeiro tem de pegar dengue”, diz Sofia Pinto, supervisora de produção dos mosquitos. O ciclo da dengue, em que o mosquito pega o vírus de uma pessoa e o transmite para outra, leva cerca de dez dias. Um estudo 1 revelou que em condições ideais, de laboratório, as fêmeas de OX513A podem alcançar 16 dias de vida. Mas, segundo a Oxitec, isso não ocorre na natureza – onde os insetos transgênicos não sobrevivem mais de quatro dias. Ou seja: em tese, as fêmeas liberadas acidentalmente não teriam tempo de espalhar a doença.
Uma eventual extinção do Aedes aegypti não poderia acabar criando um desequilíbrio ecológico? “Não acredito que vamos ter efeitos negativos, porque esse mosquito é uma espécie invasora”, diz Glen Slade, diretor da Oxitec. O mosquito da dengue já chegou a ser erradicado no Brasil, na década de 1950, e só voltou nos anos 80 (vindo da Ásia). “Não existe animal que viva nos criadouros desse mosquito, como caixas d¿água e vasos de plantas. E animais como lagartixa, sapo, pássaro comem qualquer inseto que voe, não só esse mosquito”.
Apesar de todos os poréns científicos, a crítica mais forte ao inseto transgênico está relacionada a algo trivial: a quantidade de mosquitos necessária. O OX513A é fisicamente mais fraco do que o mosquito natural, e por isso tem que ganhar em número. Para que a técnica dê certo, e o transgênico consiga acasalar com as fêmeas (para gerar descendentes inférteis e acabar com a espécie), é preciso liberar uma quantidade enorme dele: dez mosquitos transgênicos para cada mosquito selvagem. Na prática isso significa que, para tratar uma área bem pequena, com apenas 10 mil habitantes, seria preciso liberar 2 milhões de mosquitos por semana durante a fase inicial de tratamento, que dura de quatro a seis meses. Isso é alvo de críticas de alguns especialistas. “Liberar milhões de mosquitos numa área de alguns quarteirões urbanos é insano. É forçar para dar certo”, diz o biólogo Carlos Fernando Andrade, da Unicamp.
O OX513A pode acabar se mostrando uma solução sofisticada demais para um problema que pode ser atacado com medidas mais simples. Talvez a vacina contra o vírus da dengue.
Seria muito mais fácil controlar a dengue com uma vacina. E ela pode estar perto de virar realidade. Num estudo 2 feito na Ásia, 10 mil crianças receberam uma vacina experimental, fabricada pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. Entre elas, houve 56,5% menos casos de dengue. Ou seja: a vacina não é perfeita, mas parece fazer efeito. O problema é que só imuniza contra três dos quatro subtipos de vírus da dengue – e os cientistas ainda não sabem o porquê. Há outro estudo em curso, com 20 mil voluntários espalhados por Brasil, Colômbia, Honduras, México e Porto Rico.

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10.612 -Imunologia e Genética- Fiocruz testa mosquito que não transmite dengue no RJ


Fachada da sede, no RJ
Fachada da sede, no RJ

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começou a testar uma forma inovadora de combater a dengue na cidade do Rio de Janeiro. Mosquitos modificados em laboratório foram liberados nesta manhã no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte, onde moram 3 mil pessoas. Os ovos dos mosquitos foram contaminados com a bactéria Wolbachia, encontrada em 60% dos insetos, como as drosófilas (pequenas moscas) e pernilongos. Essa bactéria atua como uma espécie de vacina para o Aedes aegypti, impedindo que o vírus da dengue se multiplique no organismo do mosquito, que deixa, assim, de transmitir a doença. É a primeira vez que essa estratégia é testada no continente americano – já há experimentos em andamento na Austrália, Vietnã e Indonésia.
A Wolbachia também atua na reprodução dos insetos. A bactéria é transmitida naturalmente para as gerações seguintes de mosquitos e o método se torna autossustentável: Aedes com Wolbachia acabam se tornando predominantes na natureza, sem que os pesquisadores precisem liberar insetos contaminados constantemente. Em localidades da Austrália, isso aconteceu em 10 semanas, em média. O líder da pesquisa no país, Luciano Moreira, explicou que a expectativa é de que, até o final do ano, toda população de Aedes aegypti seja infectada pela Wobachia e esteja livre do vírus da dengue em Tubiacanga. As liberações serão feitas por aproximadamente três ou quatro meses e vai depender dos resultados sobre a capacidade dos mosquitos com Wolbachia de se instalarem no local.
A Wolbachia é uma bactéria intracelular, que só pode ser transmitida de mãe para filho, no processo de reprodução dos mosquitos. É maior que o canal salivar do mosquito, ou seja, não sai pela saliva, meio pelo qual o homem é contaminado. Para ter certeza de que não infecta seres humanos e animais domésticos, integrantes da equipe, na Austrália, deixaram-se picar durante cinco anos por uma colônia de mosquitos com Wolbachia.
O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil foi lançado no Rio de Janeiro, em 2012. Nesses dois anos, os pesquisadores capturaram Aedes aegypti nos locais que servirão de testes, estudaram essas regiões e criaram os mosquitos contaminados em laboratório. Depois de lançados em Tubiacanga, os cientistas poderão avaliar a capacidade dos mosquitos com a bactéria se estabelecerem no ambiente e cruzarem com os demais mosquitos. Cerca de 10 mil insetos serão liberados semanalmente em Tubiacanga, por até quatro meses. Para reduzir o incômodo da população, a Secretaria Municipal de Saúde fez uma campanha para eliminar focos de criação do mosquito. Depois da Ilha do Governador, os bairros da Urca e Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, e de Jurujuba, em Niterói, receberão os mosquitos. Estudos em larga escala para avaliar o efeito da estratégia estão previstos para ocorrer a partir de 2016.

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10.069 – Biotecnologia – Comissão libera uso de mosquito transgênico antidengue


A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, órgão responsável por verificar a segurança de novas biotecnologias no Brasil) aprovou nesta quinta-feira a liberação comercial de um mosquito transgênico criado para combater a dengue.
Isso quer dizer que há evidências suficientes para afirmar que o organismo não ameaça o ambiente ou as populações humanas.
A aprovação é mais um passo para que o produto, desenvolvido pela empresa britânica Oxitec, possa ser usado em larga escala em território nacional. Contudo, o mosquito transgênico ainda não pode ser comercializado.
O que já se pode fazer são iniciativas de teste do desempenho do organismo geneticamente modificado, sem depender de aprovação individual da CTNBio para cada projeto.
A grande sacada do mosquito é a inclusão de um gene que não mata seu possuidor, mas, ao ser transmitido aos descendentes, mata-os antes de chegarem à fase adulta.
Como só as fêmeas do Aedes aegypti picam (e assim contraem e transmitem o vírus causador da dengue), os pesquisadores só liberam os machos transgênicos no ambiente.
Ao encontrar fêmeas selvagens, esses machos modificados as fecundam, e os ovos ganham o gene “mortal”. Assim ocorre a redução da população de mosquitos.
Essa é a teoria. Como funciona na prática?
Testes anteriores iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, mostraram redução acima de 80% na população de mosquitos selvagens. Num dos dois bairros em que ocorreram os testes, Itaberaba, a queda foi de 81%. Em Mandacaru, 93%.
Outro experimento realizado nas Ilhas Caiman conseguiu taxa de 82%, e os resultados mais recentes, divulgados ontem pela Oxitec, apontam uma taxa de redução de 79% no bairro de Pedra Branca, em Jacobina (BA).
Todas as iniciativas de uso do mosquito da Oxitec realizadas no Brasil foram feitas em parceria com a organização social Moscamed.
Para comercializar seus mosquitos, a Oxitec ainda precisa de um registro comercial do produto. Como não existe um protocolo definido para algo como um mosquito transgênico, a empresa conversa com o governo brasileiro a fim de encontrar o caminho para a obtenção do registro.
“Esperamos notícias para as próximas semanas”, diz Glen Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da companhia britânica, que já se instalou no Brasil e montou uma fábrica de mosquitos em Campinas (SP).
A infra-estrutura instalada é capaz de fabricar 2 milhões de mosquitos por semana. Pode parecer bastante, mas os executivos da empresa estimam que qualquer projeto maior que os atuais exigirá a construção de outras unidades.
Eles estimam que uma iniciativa que envolva uma cidade de 50 mil habitantes deve consumir, em seu primeiro ano, entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Depois, nos anos seguintes, que envolveriam só manutenção, o custo cairia para menos de R$ 1 milhão.
Até agora, com taxa de redução na faixa de 80%, essa é a estratégia mais eficaz já vista para combater o mosquito.
Em geral, o que de melhor se pode fazer sem a biotecnologia é reduzir os locais em que o Aedes aegypti pode depositar seus ovos –como locais que abrigam água parada.

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