14.018 – A extinção das abelhas pode acabar com a humanidade?


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A queda nas populações do inseto (Síndrome do Colapso das Abelhas), ocorre por fatores naturais e pela ação humana, por meio da destruição do ambiente das abelhas selvagens e do uso massivo de agrotóxicos e agroquímicos. No Reino Unido, por exemplo, o número de abelhas equivale a apenas 25% do necessário para a polinização. Segundo a doutora Maria Caldas Pinto, do Centro de Ciências Humanas e Agrárias da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), as abelhas são fundamentais para a humanidade.
Nesta semana, o US Fish and Wildlife Service (FWS), que funciona como o Ibama dos Estados Unidos, incluiu sete espécies de abelha na lista de animais em extinção. Só não dá para cravar um prazo para o desaparecimento completo – nosso e delas. “Dizer que ocorreria em uma determinada quantidade de anos é taxativo, mas, se não preservarmos os meios ambientes para mantermos os insetos, a previsão vai se cumprir”.

Fazendeiras naturais
O trabalho das abelhas para a agricultura é estimado em R$ 868 bilhões. Entre 2006 e 2008, uma misteriosa diminuição na quantidade de abelhas nos EUA causou um prejuízo de mais de US$ 14 bilhões

O zumbido do apocalipse
Sem as abelhas, o mundo como o conhecemos entraria em colapso1. Se as abelhas sumirem, boa parte dos vegetais também deixará de existir. Isso porque elas são responsáveis pela polinização de até 90% da população vegetal. Há, inclusive, apicultores que alugam abelhas para a polinização de fazendas. Pássaros e outros insetos também atuam na polinização, mas em escala muito menor2. Com a queda drástica na quantidade de vegetais disponíveis, as fontes de alimentação de animais herbívoros ficarão escassas, gerando um efeito dominó na cadeia alimentar. Os herbívoros irão morrer, diminuindo a oferta de alimento aos carnívoros, atingindo um número cada vez maior de espécies até chegar ao homem
3. Com poucos vegetais e carnes à disposição, valerá a lei da oferta e da demanda. A tendência é que os preços dos alimentos disparem, assim como os valores de outros artigos de origem animal e vegetal, como o couro, a seda e o etanol, para citar só alguns. Está formada uma crise econômica

4. Na luta pelo pouco alimento que restou, a população mundial pode iniciar conflitos e até guerras. A agropecuária em crise afetará vários setores da economia, gerando desemprego, queda geral de produtividade e insatisfação popular. Com fome, muitos morrerão ou ficarão doentes. Poucos conseguiriam sobreviver a esse caos

9748 – Abelhas urbanas usam plástico para construir ninhos


Uma das piadas do comediante George Carlin dizia que a Terra desejava o plástico, mas não sabia como produzi-lo. O planeta então deu origem aos seres humanos só para que criássemos os polímeros. Duas espécies da abelha Megachile parecem ter levado Carlin a sério e decidiram usar plástico como material de construção.
As abelhas Megachile não formam colmeias, como as abelhas melíferas. Em vez disso, fêmeas solitárias entrelaçam ninhos feitos de materiais de origem vegetal. Variedade europeia que migrou para o Canadá, a Megachile rotundata costuma usar pedaços de folhas e flores par construir os ninhos. Segundo um estudo conduzido pelas universidades de York e Guleph, publicado na revista Ecosphere, três entre oito ninhos da espécie continham uma proporção de 23% de fragmentos de plástico. As marcas irregulares, visíveis nas bordas, sugerem que as abelhas não cortam o plástico e as folhas da mesma maneira.
Outra abelha, esta nativa do Canadá, a Megachile campanulae, normalmente coleta resinas pegajosas e seiva de árvores. No entanto, os ecologistas encontraram selante de poliuretano em uma das sete câmaras de procriação do inseto.
Embora a coleta de plástico possa ter sido acidental, os ecologistas acreditam que ela pode ser uma adaptação útil a um ecossistema dominado pelo homem, já que o plástico complementa o suprimento escasso de folhas. No entanto, esse não parece ser o caso da Megachile, já que vários ninhos continham apenas folhas. As abelhas parecem ter usado o plástico simplesmente por sua semelhança estrutural com os materiais que costumam usar.
O plástico pode trazer vantagens e desvantagens para as abelhas. Os sacos de plástico não grudam como as folhas, que as abelhas mastigam até transformar em uma cola natural. Os ninhos construídos com plástico desmoronaram com facilidade, mas em compensação, não foram atacados por parasitas, com exceção dos que continham poliuretano. Segundo uma pesquisa da década de 70, quando essas abelhas faziam seus ninhos dentro de canudos de plástico, elas ficavam livres dos parasitas, mas morriam pelo acúmulo de fungos, já que os polímeros não deixam a umidade escapar.

9530 – Biosfera – Abelhas Solitárias e o Ecossistema


A grande maioria das espécies de abelhas conhecidas é de vida solitária, representado 85% das espécies. Caracterizadas por espécies na qual uma única fêmea coleta seu alimento, constrói e defende seu próprio ninho e oviposita sem a ajuda de outras abelhas. Depois de cumpridas todas estas tarefas ela morre, sem que haja contato com as outras gerações.
Segundo diversos autores, a fêmea fundadora dos ninhos de algumas espécies, tem controle sobre o sexo das suas crias, e sua escolha esta relacionada com a disponibilidade de recursos florais, no qual meses de maior disponibilidade de recursos fará com que probabilidade de emergirem fêmeas seja maior.
As Abelhas Solitárias têm papel importante na biologia reprodutiva de muitas espécies vegetais da região neotropical, agindo como vetores de pólen de plantas de várias espécies vegetais. Machos da tribo Euglissini coletam compostos aromáticos de diversas flores e de outras fontes extraflorais; estes compostos são aparentemente importantes no processo reprodutivo dessas abelhas, atuando na demarcação de territórios e atração das fêmeas.
No Brasil, o uso de abelhas solitárias na polinização de culturas agrícolas é pequeno. Os primeiros trabalhos realizados apontam a eficiência de algumas espécies de abelhas solitárias para polinização de plantas de interesse econômico, como acerola, caju e maracujá. Além desta aplicabilidade do conhecimento acumulado sobre as abelhas solitárias, estes estudos podem representar um passo importante para sua conservação, especialmente daquelas espécies ocorrentes em ecossistemas ameaçados, como a Mata Atlântica Brasileira.
Tais abelhas podem ser estudadas por métodos de coleta ativa com redes entomológicas, iscas atrativas e com utilização de ninhos-armadilha. Estas técnicas podem resultar em diversos trabalhos, onde será possível conhecer um pouco mais sobre diversidade, abundância e biologia das espécies estudadas, avaliando também suas relações com as alterações do ambiente e seu nível de conservação, além de conhecer os possíveis efeitos da fragmentação.
A comunidade de Abelhas Solitárias pode sofrer influências negativas das ações antrópicas, como a remoção da flora nativa e atividades de ornamentação, como podas e capinas em áreas de vegetação cultivada, e a criação de praças, parques e jardins, contribuindo para a diminuição da ocorrência de abelhas nessas áreas ou favorecendo espécies generalistas que utilizem recursos de plantas cultivadas como as Apis melíferas. De modo geral, áreas com maior quantidade de cobertura de vegetação possuem maior abundância e diversidade de Abelhas Solitárias (Euglossina). Por isso, essas abelhas são consideradas bioindicadoras do estado de conservação de áreas.

7758 – Abelhas de Aluguel


Elas são confinadas aos milhares em pequenas casas de madeira, ao redor das grandes plantações. Trabalham 365 dias por ano, sem direito a férias nem fins de semana, e não recebem nada em troca. Um típico caso de escravidão rural, que já se transformou numa prática perfeitamente legal e recomendável na Europa e nos Estados Unidos: o uso das abelhas para melhorar a produção agrícola. Não é novidade que esses insetos ajudam a transferir o pólen — elemento reprodutor masculino dos vegetais — de uma flor para outra. Mas, nas últimas décadas, cientistas e agricultores têm feito desses parceiros naturais uma eficiente mão-de-obra para polinizar lavouras e aumentar a produtividade e a qualidade de frutas, legumes e grãos.
Em muitos países do mundo, apicultura hoje não é mais uma atividade secundária, quase sempre de pequeno porte, e muito menos sinônimo de mel, que virou um subproduto. A grande meta dos apiários agora é a polinização, um negócio altamente lucrativo. Nos Estados Unidos, campeão mundial em pesquisas e no aproveitamento de abelhas na agricultura, os números são reveladores. Em 1988, enquanto a produção de mel acrescentou mirrados 150 milhões de dólares à economia americana, o aumento da produção de alimentos com o auxílio dessas prestativas operárias gerou um lucro adicional de 20 bilhões de dólares para o setor agrícola. Atualmente, mais de 2 000 apicultores vivem de alugar suas colméias, naquele país. No Brasil, o hábito de recorrer a elas para polinizar lavouras não alça vôos tão altos. Pelo menos no campo, porque nas universidades o trabalho das abelhas vem sendo pesquisado há muito tempo.
Dependendo do tipo de plantação, uma colméia, com cerca de 60 000 abelhas, produz de 1 a 10 quilos de mel por semana. O que significa pelo menos 1,5 milhão de visitas coletivas às flores em busca da saborosa solução de água, açúcar e sais minerais do néctar, usado para produzir mel e enfrentar o inverno. Nesse vai e vem, elas levam outra riqueza: grãos de pólen, que as flores depositam estrategicamente em pequenas hastes, chamadas anteras, para lambuzar as visitantes. Carregadas com o precioso produto, voam de flor em flor, espalhando os grãos da fecundidade. As abelhas também se aproveitam desse alimento, rico em proteínas, para abastecer suas larvas. Já os apicultores, sobretudo na Europa, vendem o pólen em tabletes doces — com preço amargo — para atletas ou chefes de cozinha, que o empregam como tempero. Mas não é só a busca frenética do néctar ou do pólen que faz das abelhas melhores polinizadoras do que borboletas, besouros ou moscas. Elas vencem os rivais em eficiência por uma outra característica, batizada pelos cientistas de “fidelidade alimentícia”. Enquanto a borboleta abandona facilmente um laranjal para se embrenhar no mato atrás de flores silvestres, a abelha só deixa a plantação quando não há mais flores a visitar.
O melhoramento genético da Apis mellifera é outra arma para reduzir, de geração em geração, a agressividade dos enxames. Aliás, por um mistério não decifrado, isso também ocorre naturalmente, com o passar dos anos. Um bom exemplo é a colméia que se instalou numa parede do Instituto de Biociências da USP há mais de vinte anos. “No começo, as pessoas tinham que desviar o caminho para não serem atacadas. Hoje, os estudantes param para bater papo embaixo dela”, conta a professora que está partindo para Bauru.

4491 – Como as abelhas formam a colméia?


Tudo começa com uma rainha. Ela nasce dentro da colméia e, em poucos dias, já está pronta para seu primeiro e único namoro. Mas até que aproveita. Seu vôo nupcial é seguido por um cortejo de zangões. Ela pode ser fecundada por até oito machos, que morrem ali mesmo porque perdem o órgão sexual e parte do abdome, que ficam presos no corpo da rainha. Quando canta aquela música que diz “ó abelha rainha faz de mim o instrumento do teu prazer”, Será que Caetano Veloso pensou em todos esses mórbidos detalhes? Depois do ato, ela sai em busca de um novo lar, na frente das serviçais, que carregam um pouco de cera. Quando encontram uma fresta na parede ou um buraco de árvore, põem a mão na massa. Quer dizer, na cera. “Com o material carregado do antigo ninho constroem o primeiro favo”, explica uma entomologista da Universidade Federal do Paraná. As operárias vedam as frestas com o própolis, uma mistura de resinas de plantas com secreção de suas glândulas, que tem efeitos medicinais.
Terminada a construção, a rainha inicia sua linhagem pondo as larvas. As filhas que são escolhidas para ser futuras rainhas – não se sabe quais são os critérios – são alimentadas por mais tempo com geléia real, uma substância rica em vitaminas, secretada pelas glândulas das abelhas. As demais estão condenadas a ser vassalas e pegar no pesado o resto da existência: cuidam da faxina, procuram comida, produzem mel e alimentam as larvas. As rainhas que nascerem farão o mesmo que a mãe: serão fecundadas, reunirão um grupo de operárias e procurarão um bom local para formar sua própria colméia.
Cada abelha faz a sua parte para construir uma colméia perfeita.
1 – A rainha sai do ninho para seu vôo nupcial.

2 – Depois de fecundada, volta ao ninho para buscar as operárias.

3 – Todas partem em busca de um lugar ideal para a colméia.

4 – O primeiro favo é feito com material trazido do ninho.

5 – As larvas da rainha nascem e cada abelha assume sua função.

Abelhas Alcoólatras


Uma pesquisa australiana chegou a conclusão que as abelhas também se embriagam. Se elas não controlarem as condições de umidade e calor dentro da colméia, o néctar que é composto também de açúcar, sofre um processo de fermentação e se transforma numa solução parecida com o hidromel, uma bebida feita por povos da antiguidade. Assim como entre os homens, na organização social de uma colméia, as abelhas que se entregam ao álcool são marginalizadas.