7571 – A Lua e as Marés


Os movimentos de subida e descida do nível do mar – as chamadas marés – também sofrem influência do Sol, dependendo da intensidade da força de atração dele e da Lua sobre o nosso planeta. Assim como a Terra atrai a Lua, fazendo-a girar ao seu redor, a Lua também atrai a Terra, só que de um jeito mais sutil. O puxão gravitacional de nosso satélite tem pouco efeito sobre os continentes, que são sólidos, mas afeta consideravelmente a superfície dos oceanos devido à fluidez, com grande liberdade de movimento, da água. A cada dia, a influência lunar provoca correntes marítimas que geram duas marés altas (quando o oceano está de frente para a Lua e em oposição a ela) e duas baixas (nos intervalos entre as altas). O Sol, mesmo estando 390 vezes mais distante da Terra que a Lua, também influi no comportamento das marés – embora a atração solar corresponda a apenas 46% da lunar.
Dependendo da posição dos dois astros em relação ao nosso planeta, as marés têm comportamentos diferentes. É aí que entram as fases lunares. Quando a Terra, a Lua e o Sol estão alinhados – ou, como dizem os astrônomos, em oposição ou conjunção -, a atração gravitacional dos dois últimos se soma, ampliando seu efeito na massa marítima. Por outro lado, quando as forças de atração da Lua e do Sol se opõem, quase não há diferença entre maré alta e baixa. Mas esse jogo de forças não é igual em toda parte, porque o contorno da costa e as dimensões do fundo do mar também alteram a dimensão das marés.Em certas regiões abertas, a água se espalha por uma grande área e sobe só alguns centímetros nas marés máximas. Em outras, como um braço de mar estreito, o nível pode se elevar vários metros.

Minguante

Nessa fase lunar, diminui a influência do Sol e da Lua nas marés oceânicas. Na noite em que metade da Lua está visível, a atração atinge seu menor valor. Em Santos, no litoral paulista, por exemplo,a diferença entre a maré alta e a baixa não ultrapassa os 5 centímetros.

Cheia

Cerca de duas semanas depois da Lua Nova, nosso satélite viaja de novo para uma posição em que se alinha com o Sol e a Terra. Essa combinação traz uma nova leva de marés máximas. Nas praias de Santos, o nível do mar pode subir em torno de 1 metro nesse período.

Crescente

Agora, a Lua e o Sol formam um ângulo reto de 90º. Nessa situação, a gravitação lunar se opõe à solar – elas só não se anulam porque a Lua, mais perto da Terra, exerce maior poder de atração. Mesmo assim, as diferenças de nível entre as marés alta e baixa são muito menores e recebem o nome de marés de quadratura ou mínimas.

Nível do mar pode subir 18 metros
Existem alguns lugares no planeta onde a influência das fases da lua sobre a maré é maior. Na baía de Fundy, no Canadá, a diferença entre as marés alta e baixa chega a 18 metros. No monte Saint-Michel, no litoral da França, 14 metros. Na região de Derby, na Austrália, 11 metros. Já na enseada de Cook, na costa sul do Alasca, a elevação atinge 9 metros.

7564 – Biologia Marinha – A Enguia Lobo


Com as enguias (Electrophorus electricus) nunca há crise de energia. Esses peixes de formato alongado, que chegam a 2,5 metros de comprimento, são capazes de produzir descargas elétricas de até 600 volts – quase cinco vezes mais fortes que uma tomada doméstica. O segredo está na cauda do animal. Um conjunto de músculos modificados do rabo funciona como uma série de três pilhas. A mais fraca é usada como um órgão sensorial, que auxilia na navegação e na comunicação com outras enguias. Outras duas, mais fortes, servem como mecanismo de ataque e defesa. Quando a enguia precisa imobilizar um peixe antes de engoli-lo, ou defender-se de algum predador, basta encostar no bicho para descarregar toda a energia acumulada de uma vez. Mas nem pense em criar uma delas para ajudar na conta de luz. Além de ser perigoso, elas não conseguiriam manter uma corrente constante. Depois de cada choque, levam dias até carregar as pilhas novamente. De hábitos noturnos, as enguias vivem até 22 anos nos rios de águas calmas da América do Sul.

A enguia-lobo (Anarrhichthys ocellatus) é uma espécie de enguia de coloração acinzentada, com manchas semelhantes a olhos em todo o corpo.
Nome Científico: Anarrhichthys ocellatus (Ayres, 1855)
Família: Anarhichadidae
Grupo: Peixes Ósseos
Classe: Peixes

Tamanho: 201-400 cm.

enguia-lobo

As enguias-lobo juvenis vivem livremente na coluna de água e distinguem-se pela sua tonalidade alaranjada, com grandes manchas escuras. Os adultos, de cor cinzenta e com manchas semelhantes a olhos (ocellatus = olho), procuram um abrigo fixo em rochas ou destroços. Aqui, é frequente encontrar um macho e uma fêmea, que acasalam para toda a vida. Estes protegem tenazmente os seus ovos e são de tal modo zelosos, que pai e mãe só se afastam alternadamente. E, revezando-se na vigilância podem procurar alimento. A não ser que sejam expulsos por outras enguias-lobo maiores ou por polvos-gigantes, estes casais ocupam sempre o mesmo abrigo.

7536 – Surfista “encara” tsunami


O surfista norte-americano Garrett McNamara, 45, quebrou o recorde mundial, que pertencia a si próprio, ao surfar uma onda de mais de 30 metros, em Nazaré, em Portugal.
De acordo com o jornal espanhol “El Pais”, a organização Guinness, do livro dos recordes, ainda precisa certificar a façanha. McNamara definiu o feito como “avassalador”.
“Eu me sinto um privilegiado. Conseguimos tudo o que queríamos. Foi um grande desafio pessoal”, disse o surfista em entrevista à emissora portuguesa Sic Notícias.
A marca atual, registrada pelo livro dos recordes, já é de McNamara, que enfrentou uma onda de 23,7 metros, em 2011, também em Nazaré, cidade localizada a aproximadamente 100 km de Lisboa.
Trinta metros é o equivalente ao 13º andar de um prédio. O Cristo Redentor, no Rio, por exemplo, tem 38 metros de altura.

Surfando

7528 – Por que o Mar Vermelho recebeu esse nome?


O Mar Vermelho fica entre a Península Arábica e o nordeste da África, onde são comuns, principalmente no sul da Península de Israel, montanhas ricas em minério de ferro, que tem cor avermelhada. Como a região ao redor do mar é desértica, o vento desgasta as montanhas e carrega consigo partículas de poeira que se depositam no mar. “O material erodido torna a superfície da água ligeiramente vermelha”, diz um oceanógrafo da Universidade de São Paulo. Esse fenômeno é comum nas costas em que o material é depositado com maior intensidade, enquanto nas partes interiores do mar sua água é azul.

7526 – Planeta em Fúria – Cidade australiana fica coberta por espuma do mar


espuma

Os moradores de Mooloolaba, na costa leste da Austrália, amanheceram e encontraram a cidade coberta de espuma.
O mau tempo que atingiu a região com muitas chuvas e vento forte levou espuma do mar para a praia.
A partir daí, a espuma invadiu a cidade chegando a atingir três metros de altura, fechando ruas e quase alcançando os sinais de trânsito.
Centenas de pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas na cidade, por causa da passagem do ciclone tropical Oswald pelo estado australiano de Queensland.

Tempestade de poeira
Relatórios locais dizem que a tempestade de areia vermelha e pó que invadiu a costa da Austrália foi trazida por ventos fortes no Oceano Índico e atingiram a cidade de Onslow.
Depois da onda de incêndios no país, moradores da região aguardavam a chegada de um ciclone tropical.

7362 – Gigantismo Abissal


É o processo evolutivo em que as criaturas marinhas que habitam grandes profundidades (abaixo dos 4000 metros, tanto pelágicas como bentônicas) tendem a aumentar de tamanho. Pensa-se que tenha o objetivo de baixar o metabolismo destes organismos, uma vez que a estas profundidades encontrar alimento ou parceiro é muito difícil.
Um lugar escuro, frio e que abriga milhares de espécies peculiares. Essas criaturas são conhecidas como “peixes abissais” e são muito curiosos, quando não fascinantes, apesar da aparência estranha e, muitas vezes, terrível. Biólogos e cientistas afirmam que muitos desses seres marinhos ainda são desconhecidos pelo homem. Estipula-se que temos conhecimento de apenas 20% das formas de vida dos oceanos. Alguns vivem a cerca de cinco mil metros de profundidade, em fendas e rochedos. No entanto, de tempos em tempos, emerge uma nova espécie a dar-nos o ar da sua graça.
Geralmente, a aparência das criaturas abissais é atípica. Isso se dá por causa da adaptação física a que foram submetidas a fim de sobreviver às difíceis condições nos ambientes inóspitos dos abismos marinhos, desenvolvendo formas quase aterradoras.
Tais animais desenvolveram, também, técnicas e capacidades interessantes. Por causa da escuridão, da ausência de algas e outros peixes nessas regiões, sua busca por alimento torna-se uma das maiores sagas marinhas pela sobrevivência. Algumas delas possuem grandes capacidades sensoriais, sendo capazes de identificar a presa na mais profunda escuridão. Outras espécies possuem bocas colossais com uma abertura duas vezes maior do que o próprio tamanho. Outras produzem sua própria luz para atrair as presas por meio de um processo chamado bioluminescência. Para reproduzirem-se, muitas conseguem amadurecer como machos e, após um período, como fêmeas. A característica hermafrodita dribla a falta de parceiros. O distinto habitat também influencia as cores desses peixes – geralmente marrons, cinzas e negros.

Peixe Ogro
Se existe um peixe que mais parece um monstro alienígena, ei-lo. É o peixe ogro, uma espécie da família “Anoplogastridae” que vive em águas tropicais dos oceanos Pacífico e Atlântico, a mais de cinco mil metros de profundidade. Sua principal característica são os dentes caninos, os maiores encontrados nas espécies de peixes. O peixe ogro é um peixe muito pequeno, um dos menores dos oceanos, porém robusto. Sua aparência tenebrosa se deve aos dentes, olhos enormes e espinhos na cabeça. No entanto, são tidos como peixes inofensivos.

Stargazer
Este tipo de peixe também pode ser encontrado em águas rasas. Pertence à família “Uranoscopidae”, dividida em oito tipos diferentes. Além do aspecto bizarro, eles são venenosos e algumas espécies podem causar choques elétricos.

O Oarfish é uma das espécies mais estranhas já encontradas nos oceanos. É um dos maiores peixes que existem e tem o formato de uma lâmina. Mas sua característica mais estranha é que ele também nada na vertical.

Tamboril
Com uma cabeça desproporcional ao corpo, possui afiadíssimos dentes e uma estranha antena no alto da cabeça, utilizada para o ataque, parecida com uma varinha de pesca. Por isso também é conhecido como peixe pescador. Ele abocanha suas vítimas utilizando-se do processo de bioluminescência, emitindo luz para atraí-las. Uma de suas principais características é seu poder de camuflagem. Ele se esconde junto ao fundo do oceano e fica praticamente invisível à espera das presas.

Caranguejo-aranha gigante
Também conhecido como aranha do mar, é um dos mais gigantescos animais abissais. Muito encontrado na costa japonesa, o caranguejo-aranha gigante, quando com as patas esticadas, pode atingir até quatro metros e pesar 20 quilos.

Peixe-dragão
Encontrados nos oceanos Índico e Pacífico, esses peixes são predadores muito competentes por possuírem diversos espinhos dorsais e peitorais, com os quais prendem suas vítimas, engolindo-as por inteiro. Esses espinhos também têm glândulas que armazenam veneno.

Quimera
Este peixe é parente dos tubarões e das raias. É considerado uma das espécies mais antigas de seres marinhos. Possui o maxilar junto ao crânio, o que lhe dá um aspecto desagradável. Os machos têm cinco barbatanas e um espinho ligado a uma glândula venenosa. Nadam em águas frias.

Dragão marinho
Parente do cavalo-marinho, essa estranha forma de vida abissal possui uma estética mais fantástica do que assustadora, diferente dos seus colegas. Todo o seu pequeno corpo carrega o que parecem folhas, dando-lhe um visual muito artístico quando se move. É mais comum nas águas da Austrália e suas cores vivas o fazem uma exceção entre as criaturas escuras que por lá vivem. Essas cores também servem como camuflagem para a própria proteção.

Lula-colossal
É a maior espécie de lula já encontrada. Um exemplar foi capturado na Antártida, em 2007, medindo 10 metros e pesando quase 500 quilos. Este tipo de lula vive a entre 1000 e 2500 metros de profundidade.
A enigmática zona abissal abriga uma fascinante parte da fauna marítima. Há milhares de outras espécies de seres abissais, e muitas delas ainda não conhecemos. E, a cada dia, fica claro que sabemos mais sobre a superfície da lua do que sobre os mistérios das profundezas dos oceanos.

lula-colossal

7218 – Oceanos – No mar, bobeou vira comida


oceanoartico

Os bichos do mar vivem em sobressalto constante. O tempo todo, pode haver um predador à espreita, pronto para dar o bote.
Fuga e defesa são sinônimos de sobrevivência. Mas também é preciso comer. Enquanto na superfície terrestre a cobertura vegetal é abundante e predominam os animais herbívoros, no oceano a flora se limita às algas e às minúsculas plantas que compõem o fitoplâncton. Quase todas as espécies animais marinhas são carnívoras. Bicho que não come outro bicho, morre de fome.
A procura da comida ocupa a maior parte do tempo das criaturas do mar. Elas são, quase todas, caça e caçador, ao mesmo tempo. Só estão a salvo os animais situados no topo da cadeia alimentar. Como o leão na floresta, os grandes predadores marinhos reinam absolutos, sem inimigos a temer (com exceção do homem). Mas essa regra só vale para a fase adulta. Na infância, até mesmo os senhores do mar, como o tubarão, podem acabar na barriga de peixes maiores.

O plâncton animal se alimenta do plâncton vegetal, a fonte primária de energia no oceano. Um camarão come diariamente milhares de diatomáceas, as espécies mais comuns de fitoplâncton
O cardápio diário de um arenque se compõe de meio quilo de camarões e outros bichos pequenos que formam o plâncton animal
O tubarão branco, a fera mais temida dos oceanos, precisa comer no mínimo o equivalente a dois bacalhaus por dia
O bacalhau, para não terminar o dia com fome, precisa engolir três ou quatro arenques ou o equivalente em outros peixes

Na guerra subaquática, cada animal almoça um menor do que ele e, em troca, serve de jantar para uma criatura um pouco maior. Assim se estabelece uma cadeia alimentar, que varia de acordo com o ambiente. Em qualquer caso, vale a regra de que, quanto maior o animal, menor a sua quantidade. Um bicho grande, para se sustentar, precisa comer um monte de bichos pequenos. Por isso, toda cadeia alimentar tem a forma de uma pirâmide, com bilhões de seres nanicos na base e alguns marmanjões instalados no topo. Só eles podem se sentir seguros.
Essa luta permanente pode parecer cruel, mas ajuda no aprimoramento das espécies. Em geral, quem é comido são os indivíduos mais fracos, menos saudáveis, mais bobos. Os fortes e os espertos sobrevivem e passam adiante sua herança genética. É a seleção natural.
Todas as armas são válidas. Os grandes predadores nadam velozmente no encalço de suas presas, que devoram com dentes afiados. Outros, como o polvo, preferem o disfarce. Há peixes que atacam em bandos, como a barracuda. Já o marlim age sozinho, com seu bico em forma de espada. O peixe-leão ejeta um veneno letal. Os recursos de ataque e defesa da fauna marinha são ao mesmo tempo um show de criatividade e um espetáculo de pura violência.
O mergulho do cachalote
Para matar uma lula-gigante, que chega a medir 20 metros, o cachalote morde e estraçalha seu corpo durante um mergulho de até 1 200 metros de profundidade. Ele consegue essa proeza graças ao seu metabolismo, perfeitamente adaptado para longos períodos debaixo d’água. No mergulho, o coração do cachalote praticamente pára de bater, poupando oxigênio. Outro recurso é o espermacete, um óleo que fica na sua cabeça. Quando ele quer ir para o fundo, esfria o espermacete com a água, o que deixa o corpo mais pesado. Para voltar à tona, o cachalote aumenta o fluxo de sangue para o reservatório de óleo, que fica mais quente e, portanto, mais leve, ajudando-o a subir. Assim, ele consegue ficar mais de duas horas sem respirar.

O brigador Marlim não é fácil de ser pescado
O brigador Marlim não é fácil de ser pescado

Um dos bichos mais velozes do mar, o marlim pode atingir até 80 km por hora. Ao encontrar um cardume, investe ferozmente com o bico. Depois, banqueteia-se com os mortos e os feridos. Mede até 4,5 metros e pode pesar 550 quilos.
A enorme garoupa é um caçador paciente. Fica parada junto ao leito do oceano, à espera de algum incauto, como este labro-passarinho.
As vorazes barracudas atacam em bandos. Encurralam os cardumes contra as bordas dos recifes de coral e devoram as vítimas, uma a uma, com seus dentes pontiagudos. Famintas, enfrentam até os tubarões.
O polvo muda de cor e de forma para se proteger dos inimigos e surpreender as presas com os tentáculos. Em momentos de perigo, confunde os perseguidores lançando uma tinta que escurece a água.
Ninguém se iluda com a formosura da anêmona. Sua aparência de flor esconde tentáculos mortíferos, usados para envenenar e comer qualquer bicho que passe perto, como o belo caranguejo da foto de baixo. A exceção é o peixe-palhaço (à esquerda), cujas escamas são revestidas por uma mucosa que o protege da anêmona. Os dois animais estabelecem, assim, uma curiosa parceria. Com suas cores berrantes, o peixe-palhaço atrai predadores que logo cairão nos tentáculos de seu anfitrião. Em troca, recebe proteção contra seus próprios inimigos.
A arraia é um parente do tubarão que se alimenta de crustáceos e mexilhões, defende-se com um espinho na ponta da cauda, de onde sai um veneno terrível. Certas espécies usam também choques elétricos para afastar os inimigos. O peixe-leão, que mais parece um adereço de escola-de-samba, possui plumas com as pontas cheias de veneno. É a sua arma de defesa. Os mergulhadores devem tomar cuidado: a sua toxina é, quase sempre, mortal.
Nem tudo o que mora na água é peixe, mas não existe peixe que consiga sobreviver na superfície. Existem 20 000 espécies diferentes desse tipo de bicho completamente adaptado ao meio aquático – cerca de 12 000 nos oceanos e os outros 8 000, nos rios e lagos. Seu formato alongado lhe permite deslizar sem esforço (não é à toa que os construtores dos submarinos copiaram o desenho do seu corpo esguio). O esqueleto, simples e flexível, quase não pesa. Os músculos, fortes, sustentam um nado incansável. Tudo é perfeito.
Para ganhar estabilidade e precisão em seus movimentos, os peixes possuem um sofisticado sistema de barbatanas, espalhadas por todos os lados do corpo. A respiração se dá por meio de brânquias que retiram o oxigênio diretamente da água, dispensando o uso de pulmões. O dispositivo se completa com um órgão exclusivo dos peixes, a bexiga natatória, que lhes garante flutuar sem esforço e regular a profundidade com exatidão.
Nossos antepassados viviam nos mares e nos rios. Na linha da evolução, os peixes são nossos irmãos mais velhos, os primeiros vertebrados. Surgiram há 400 milhões de anos, antes dos dinossauros. Os primeiros bichos terrestres eram anfíbios, peixes que trocaram a água pela terra e as barbatanas por patas. Nós mesmos passamos nove meses em ambiente líquido, no útero. Quando você se sentar à mesa para saborear uma bacalhoada ou uma moqueca à capixaba, lembre-se disto: você também já foi peixe, um dia.

Como se respira sem pulmão
Os peixes extraem o oxigênio que existe na água, onde ele se encontra diluído numa proporção 30 vezes menor do que no ar

1. O oxigênio entra no organismo por uma espécie de filtro: as guelras, ou brânquias, localizadas nos dois lados da cabeça e protegidas por uma aba, o opérculo. As guelras possuem filamentos carnudos, em forma de leque, que se comunicam com o fundo da boca.

2. A água entra pela boca e sai pela guelra, passando pelos filamentos branquiais. Cobertos de vasos sangüíneos, eles recolhem o oxigênio da água e eliminam o gás carbônico.

Uma galeria de estilos
As criaturas marinhas desenvolveram os mais diferentes jeitos de nadar.
A água-viva contrai e relaxa os músculos debaixo do capuz. Cada contração expele a água para fora, impulsionando o bicho na direção oposta.
Os golfinhos dão impulsos vigorosos batendo a cauda de cima para baixo. Alcançam até 65 quilômetros por hora. Todos os cetáceos, mamíferos da família das baleias, nadam assim.
A lula se move por propulsão a jato. Primeiro, ela suga a água para uma espécie de bolsa, atrás da cabeça. Depois, contrai essa bolsa com força, produzindo um jato que a impulsiona.
Com raras exceções, os peixes nadam por movimentos laterais com a cauda. Seu formato hidrodinâmico reduz a resistência da água e os impele para a frente.

Peixe, a máquina de nadar
Todos os órgãos do peixe são formatados na medida exata para os desafios do meio ambiente líquido.
Bexiga natatória
É uma bolsa com oxigênio, que se enche ou esvazia para manter a flutuação na profundidade desejada, sem esforço
Boca
Apenas engole a comida, sem mastigá-la
Brânquia (guelra)
Veja infográfico na página ao lado
Coração
Com apenas duas câmaras em vez das quatro dos mamíferos, ele ativa sozinho a circulação do sangue, sem pulmão.
Linha lateral
Por meio dessa fileira de escamas, o bicho percebe qualquer alteração no fluxo da água. Consegue, assim, desviar-se dos obstáculos e detectar animais.

Tubarão, o matador injustiçado
“Tudo nele era lindo, exceto as mandíbulas.” Com essa frase, o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961) começa a descrever um magnífico tubarão-mako, em seu romance O Velho e O Mar. O tubarão, o mais voraz dos peixes, sempre provocou nos seres humanos arrepios de pavor, até certo ponto exagerados. Das 350 espécies, só 12 são perigosas para o homem. Você tem mais chances de morrer atingido por um raio do que de uma mordida desse predador.
Na verdade, o tubarão é que precisa ser protegido. Todos os anos são mortos de 30 a 100 milhões de tubarões, com os mais variados fins: desde o consumo da carne até a extração da cartilagem, cujo duvidoso valor terapêutico virou fórmula milagrosa de remédios vendidos na TV. O estrago é enorme. Quando um predador no topo de uma cadeia alimentar desaparece, tudo ao redor dele se desequilibra. Na Austrália, há alguns anos, a pesca excessiva de tubarão causou uma explosão na população de polvos. Resultado: uma crise na pesca de lagostas, que passaram a ser comidas pelos polvos numa proporção muito acima do normal.

Os poderes do superpeixe
O tubarão é um bicho tão perfeito que não sofre mudanças há 200 milhões de anos. Veja o que ele tem de especial.

Olfato implacável
É o sentido mais apurado do tubarão. Ele é capaz de perceber a presença de uma gota de sangue na água a uma distância de centenas de metros.

7013 – Recife inaugura primeiro museu de oceanografia do Norte e Nordeste


A Universidade Federal de Pernambuco acaba de inaugurar o Museu de Oceanografia Professor Petrônio Alves Coelho, que abriga mais de 33 mil amostras de espécies marinhas e é o primeiro do tipo nas regiões Norte e Nordeste.
No Brasil, há apenas mais três do gênero – em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. O espaço da capital pernambucana possui uma das mais importantes coleções de crustáceos da América Latina, com 13 mil amostras.
O acervo do projeto, que recebeu financiamento de mais de 1 milhão de reais, é resultado de anos de estudos do departamento de Oceanografia da UFPE. São exemplares de espécies de plânctons, moluscos, esponjas, estrelas do mar e ouriços guardados ao longo de 60 anos e que servirão como base de pesquisa e ensino.
O espaço é aberto ao público e tem como principal foco atender instituições de ensino. A visita deve ser agendada.

7009 – Lombadas no meio do oceano (?)


A rigor, a expressão “ao nível do mar” não significa muita coisa, pois os oceanos estão tortos. Essa é a constatação das medidas feitas pelo satélite oceanográfico Topex-Poseidon nos últimos nove meses. Cientistas franceses e americanos descobriram, na França, para Nova York, um sobe em media 70 centímetros. De pendendo da região ao Oceano Atlântico pela qual estiver passando, a embarcação pode ficar alguns metros acima da altura inicial do porto francês.
As Causas são duas. A primeira é que o campo gravitacional do planeta e as correntes marinhas “Roubam” grandes massas de água de algumas partes do oceano e transferem pra outras, formando um desnível como o existente entre as águas que banham a Europa e a América atribuída à Corrente do Golfo. A segunda é o relevo do fundo do mar. Uma cadeia de montanhas submarina causa reflexos na superfície, enquanto as fossas abissais achatam-na.

6902 – Quando encostamos o ouvido numa concha, por que temos a impressão de ouvir o barulho do mar?


Com o seu interior semelhante a um labirinto em espiral, a concha funciona como uma caixa de ressonância, que concentra e amplifica os sons, produzindo um efeito parecido com o barulho do mar. Esse fenômeno, conhecido como reverberação, é a soma dos várias “ecos” produzidos dentro da concha. “A concha capta os sons residuais do ambiente, aqueles que não são registrados normalmente porque se propagam em todas as direções, isto é, passam direto pelo ouvido”, explica o otorrino Perboyre Sampaio, do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Dentro da concha, as ondas sonoras repercutem, refletindo-se em cada uma das paredes, assim como a fala de alguém numa caverna. Vale ressaltar que a reverberação não surge do nada; se estivermos num compartimento fechado, em silêncio absoluto, não adiantará levar a concha ao ouvido.

Você nunca brincou de colocar uma concha no ouvido e ficar curtindo o barulho do mar, as ondas, a calmaria? Hoje seria bem mais realista colocar seu iPod no ouvido – e no volume máximo. Isso, sim, se aproxima do som que o oceano produz para boa parte das criaturas que vivem dentro dele. Um navio de carga emite, pelo estouro das bolhas que seus propulsores criam na água, ruídos de 150 a 195 decibéis. É mais do que uma britadeira (120 decibéis) ou um iPod no talo (114 decibéis). Imagine então o barulho produzido por 100 mil cargueiros que cruzam os mares durante o ano inteiro!
Qual o problema disso? É que os animais marinhos usam a audição para quase tudo – para encontrar o lugar de procriação, o parceiro sexual, a comida. E o mar virou uma linha cruzada dos diabos. Cientistas concluíram que a baleia-azul está ficando surda – escuta a distâncias até 90% menores do que antes. Já a orca está precisando gritar – produzir cantos mais longos para se fazer ouvir. Outras baleias aparecem mortas nas praias após testes militares com sonares caça-submarinos – seus 235 decibéis causam hemorragia nos ouvidos e nos olhos dos animais.
Os oceanos são 70% da superfície do planeta. Em volume, representam muito mais que isso. E sempre o vimos como uma vastidão infinita e onipotente. Mas não poderíamos estar mais enganados. Segundo a ONU, os mares estão em ruínas porque pescamos demais, produzimos lixo, gases do efeito estufa e esgoto demais e bagunçamos os ecossistemas. Pior: nem fazemos idéia do que está acontecendo lá embaixo em conseqüência disso. Ultimamente, aprendemos a pensar que o oceano está trasbordando de tanta água. Mas está acontecendo o contrário: ele está esvaziando, perdendo vida.

Um mar que não está para peixe
A pesca indiscriminada fez sumir 90% dos peixes grandes e mudou a dieta humana.
O atum-azul não é um peixe qualquer. É o peixe. Primeiro, porque ele tem sangue quente, o que lhe permite cruzar os mares do Ártico aos trópicos. Sua arrancada ao caçar ou fugir é mais potente que a de um Porsche. Um atum-azul pode pesar o mesmo que um cavalo (500 quilos) e render 10 mil cortes do sashimi mais suculento e caro do mundo. É por isso que, enquanto cardumes deles nadam pelo Mediterrâneo, superpesqueiros rondam à sua caça, com a ajuda de sonares e de aviões localizadores. O navio que chegar primeiro e fechar a rede de cerco em volta dos bichos leva o prêmio. E leva para o Japão, país que captura 25% dos atuns-azuis dos oceanos. No maior mercadão de peixes do planeta, o Tsukiji, em Tóquio, um desses peixes é leiloado por até US$ 25 mil. Os que são pescados pequenos ficam enjaulados em fazendas de engorda nas costas de países como Espanha, Itália e Turquia. Passam meses sendo alimentados com peixes gordurosos e depois são abatidos a tiros – isso mesmo, a tiros. Então seguem seu caminho rumo ao desaparecimento e às mesas dos aficionados por sushis. (Um detalhe para você se tranqüilizar um pouco: o atum que comemos no Brasil não é dessa espécie.)
A saga do atum-azul começou na década de 1990, depois que a flotilha japonesa reduziu os estoques do Pacífico a 6% da população original. Em 10 anos de pesca no Mediterrâneo, já o levamos ao risco de extinção. Como pudemos ser tão eficientes em dizimá-lo? Basicamente, lançamos mais de 1 500 navios pesqueiros high tech ao mar, sacamos dali 3 vezes mais atuns do que o limite para que a espécie se recomponha e turbinamos tudo isso com subsídios da União Européia. Empresas gigantes do setor, da Espanha, da França e do Japão, dividem um mercado que movimenta US$ 400 milhões ao ano. Na Itália, até a máfia se meteu na caça ao atum. Ela ajuda a colocar aviões localizadores clandestinos nos ares da Líbia e da Argélia em junho, quando a pesca está proibida para dar alguma chance às fêmeas em período reprodutivo.

6798 – Planeta Terra – Um Mundo Aguado (?)


Há cerca de 120 mil anos, o nível dos oceanos ficava 6 metros acima do nível atual. Em apenas 1 século, desceu 9 metros. Uma das provas é uma rocha nas costas das Bahamas. Tal descoberta surpreendeu pelo curto período em que o atual aquecimento da atmosfera pode ter efeitos dramáticos em apenas 2 gerações.

Um Pouco +
“A Terra é azul”, constatou Yuri Gagarin, o primeiro e privilegiado astronauta que a avistou lá de cima. E é azul porque tem 1,5 bilhão de quilômetros cúbicos de água. Tomando apenas sua extensão de superfície, temos 70% mais água do que terra firme no planeta. O ciclo é perfeito e interminável: o Sol aquece o solo, os rios e os mares; então, o vapor sobe, agrega-se formando nuvens, daí cai em chuva, alimentando rios, lagos, represas e lençóis subterrâneos. É assim desde que o mundo é mundo, o que nos leva a pensar que água é um recurso natural abundante e inesgotável.
Apenas 2,7% desse 1,5 bilhão de quilômetros cúbicos é de água doce, própria para consumo. Mais: dessa já pequena porcentagem, grande parte está congelada nas regiões polares. Somente 0,7% está escondida no subsolo e mísero 0,007% está na forma de rios e de lagos. Se pegarmos uma garrafa com 1,5 litro de água e a dividirmos proporcionalmente, como a encontramos no planeta, a quantidade de água doce disponível seria equivalente a uma única e insignificante gota. Para complicar as coisas, esse pouco que temos está cada vez mais poluído, especialmente nos grandes aglomerados urbanos. Cerca de dez milhões de pessoas morrem todo ano por causa do consumo de água contaminada.
Há 150 anos a possibilidade de escassez era coisa de malucos. Só que, no século 20, a população mundial triplicou. Mais gente quer dizer mais fábricas, mais desperdício e, principalmente, mais irrigação nas lavouras. Resultado: o consumo de água nesse período acabou aumentando seis vezes! De acordo com o Banco Mundial, cerca de 80 países, hoje, enfrentam problemas de abastecimento. “Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a fontes de água de qualidade”, acrescenta Kofi Annan, secretário geral das Nações Unidas (ONU).
Nos países desenvolvidos, ocorre contaminação das águas por resíduos industriais e, principalmente, por nitratos de sódio, cálcio e potássio encontrados nos fertilizantes usados na agricultura. Esses nitratos, altamente cancerígenos, infiltram-se na terra e, com a ajuda da chuva, são carregados para rios, lagos e lençóis freáticos. Nos países menos desenvolvidos, a questão da água doce e limpa está relacionada ao desperdício, mas principalmente ao esgoto. “Cerca de dois e meio bilhões de pessoas no mundo vivem sem saneamento básico”, garante Annan, da ONU. Ou seja, pouco menos da metade dos seres humanos continua jogando seus dejetos na água – ou na terra, que, no fim, leva à água. Na Ásia, 850 bilhões de litros de esgoto são despejados nos cursos d’água anualmente. Levando em conta que cada litro de sujeira inutiliza 10 litros de água, a idéia de escassez não é, definitivamente, coisa de malucos.

6751 – Meu Amigo, o Tubarão – Homem perdido no mar por 15 semanas diz que foi salvo por tubarão


Da Folha Online para o ☻ Mega

Tubarões não são conhecidos por cuidar de outros seres vivos, mas é isso o que alega um homem que passou 15 semanas à deriva em um barco de madeira no Oceano Pacífico.
Toakai Teitoi, 41, saiu de avião de sua ilha natal Maiana, uma das que compõem o arquipélago da República de Kiribati, em direção à capital, Tarawa.
O objetivo era a realização de seu juramento como policial, que aconteceu no dia 27 de maio. Porém, de acordo com “Herald Sun”, durante a estadia ele assistiu um filme sobre quatro homens que se perderam no mar após a queda de um avião.
Amedrontado, Teitoi resolveu voltar para casa de barco com seu cunhado, Ielu Falaile, 52, no que deveria ser uma viagem de apenas duas horas.
Só que a dupla acabou caindo no sono após uma sessão de pescaria no caminho e, quando acordaram, se deram conta que eles tinham saído do curso e estavam sem combustível.
“Tínhamos comida, mas o problema é que não tínhamos nada para beber”, contou Teitoi.

O cunhado, mais velho, acabou morrendo de desidratação em 4 de julho, deixando o policial sozinho.
Teitoi conseguiu sobreviver por mais tempo por causa de uma tempestade que caiu dias depois, fazendo com que ele conseguisse acumular quase oito litros de água.
Segundo o policial, um barco de pesca passou perto dele em 11 de setembro, mas eles não o viram.
Foi pouco depois que ele acordou durante uma tarde com o barulho de arranhões e viu um tubarão de 1,80 metros cincundando o barco e batendo no casco.
“Ele estava me guiando para um barco de pesca. Eu olhei para a água e lá estava a popa de um navio e pude ver a tripulação olhando para mim com binóculos.”

6724 – Biologia Marinha – O Plancton


A densidade da água não só tende a manter em flutuação determinadas partes do corpo, como não raras vezes, mantém todo o ser vivo em suspensão. Tais circunstâncias tornam possível a existência de Planctons, constituídos por vegetais e animais que vivem em suspensãono oceano ou nas águas continentais; são arrastados pelas correntes devido a carência dos órgãos locomotores, ou por serem demasiado pequenos ou muito débeis para se oporem as correntes.
Tanto o plancton animal como o vegetal se encontram praticamente em todas as águas naturais. Determinados animais e vegetais planctônicos vivem permanentemente suspensos na água, graças a uma flutuação efetiva.
A alga parda sargassum está provida de vesículas cheias de ar. Flutua e é arrastada para cá e para lá. A “Caravela portuguesa” tem uma câmara pneumática que a faz flutuar e ser levada ao sabor dos ventos, vagas e correntes. Muitos ovos de peixes flutuam porque apresentam pequenas gotas de gordura, menos densas que a água. Muitas algas diatomáceas flutuam porque possuem um protoplasma menos denso que a água. A maioria dos animais pluricelulares planctônicos possuem compridas antenas, espinhos e cerdas de variedas formas, assim aumentam a superfície relativa e flutuam com mais facilidade.
Assim, enquanto na água do mar, um grão de arei de 1 mm afunda 8600 m por dia, uma diatomácea de 0,020 mm afunda 0,050 metros no mesmo tempo.
E por ser a densidade do ambiente aquático semelhante a dos organismos que o povoam, não é de estranhar que a modificação na densidade das camadas de água venha a alterar a distribuição vertical do plancton. É por isso que muitas vezes se acumulam em determinadas camadas aquáticas constituindo um verdadeiro fundo falso.

Daphinia se modifica o tempo todo

Certos seres planctônicos da mesma espécie, apresentam modificações morfológicas, conforme vivem em zonas tropicais ou polares. Outros variam a forma de acordo com as estações do ano. Tal fenõmeno é conhecido como ciclomorfose. Temos o caso da daphnia cucullata, que varia a forma de acordo com os meses do ano.

6213 – Explorador do Fundo do Mar


Só consegue chegar a ele quem for capaz de escalar um Monte Everest até debaixo d’água. Literalmente. Para ir lá, é preciso mergulhar a uma profundidade equivalente à altura do Everest (8,85 km) e continuar descendo por mais de 2 km. Um esforço que pode valer a pena, pois o destino final é páreo duro até para as melhores superproduções de ficção científica: um desfiladeiro 120 vezes maior que o Grand Canyon, mais escuro que o planeta Netuno, repleto de vulcões expelindo ácido e com pressão capaz de esmagar um ser humano em milissegundos.
Que 71% da Terra é coberta por água é um fato razoavelmente conhecido. Mas há outra estatística bem menos pop: quase toda essa superfície submarina está mergulhada em águas abissais, a mais de 3 mil metros de profundidade. Ou seja, a fossa das Marianas não tem nada de rara.
Outro dado pouco comentado é o grau de ignorância científica a respeito do ambiente mais comum da Terra. Cerca de 95% do fundo dos oceanos nunca foi tocado pelo homem. E menos de 1% foi pesquisado biologicamente. Segundo estimativas, de 10 a 100 milhões de espécies submarinas vivem em anonimato no fundo do mar. Hoje se sabe que as fossas abissais, longe de serem inóspitas, possuem pelo menos tanta biodiversidade quanto as florestas tropicais. Isso significa que, se um biólogo extraterrestre tivesse a missão de capturar o máximo de espécies para levar a seu planeta, provavelmente teria que fazer escala em uma fossa abissal. Não é para menos: as fossas são uma espécie de Galápagos submarina. Exatamente como nas ilhas exploradas por Charles Darwin, os ecossistemas enterrados nas profundezas dos oceanos estão isolados uns dos outros, o que faz turbinar o processo de evolução das espécies – é como se cada um fosse um planeta diferente.

5927 – Biologia – Mega expedição fez levantamento de espécies marinhas


Uma viagem que começou em 2009 e foi até 2012 produziu o mais detalhado levantamento global de seres marinhos. Microorganismos que produzem a metade do oxigênio da Terra pela fotossíntese e capturam 100 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, uma gás que acelera o aquecimento global.
A embarcação chamada Tara fugiu de piratas, enfrentou tempestades e escapou por pouco de colidir com 1 petroleiro em sua odisséia pelos oceanos. Os barcos modernos tem hoje cerca de 1/10 do peso das antigas embarcações feitas de madeira, com estruturas de fibra de vidro e alumínio. Com sistemas digitais como o GPS é possível saber a localização exata de um barco. Isso reduziu os riscos, como os da viagem do Beagle, que levou Charles Darwin à bordo e também da volta ao mundo da corveta a vapor Challenger, que descobriu 4700 espécies marinhas e fundou a oceanografia.

5596 – James Cameron desce ao ponto mais fundo dos oceanos


Ao que parece, James Cameron desenvolveu um gosto especial pelo fundo do mar após fazer filmes como “O Segredo do Abismo” e “Titanic”.
Mas, desta vez, ele foi mais longe: o cineasta americano usou um submarino especial para descer ao ponto mais profundo da Terra, a fossa das Marianas, no Pacífico.
O objetivo foi gravar imagens –ainda não divulgadas– para futuros filmes e documentários, incluindo uma continuação do seu blockbuster “Avatar” (2009).
“Mal posso esperar para dividir com vocês o que estou vendo”, tuitou Cameron quando terminou a descida.
Ainda não há detalhes sobre o que ele viu. Mas o cineasta adiantou na entrevista à imprensa concedida na segunda-feira que conseguiu enxergar algumas espécies e muita areia, “como um deserto”. “Parecia outro planeta”.
A depressão da fossa das Marianas fica a 11 quilômetros de profundidade, a leste das Filipinas.
O lugar é tão remoto –e custa tanto para ser explorado– que ninguém arriscou investigar a área desde 1960, quando dois tripulantes do submersível Trieste, da Marinha americana, passaram 20 minutos lá no fundo.
Só que eles não conseguiram ver muita coisa, porque a areia fina levantada na descida deixou a água turva.
“Chegar lá é fácil. O difícil é ir e voltar. Até hoje só três pessoas fizeram isso, e as duas últimas o fizeram há 52 anos”, disse a oceanógrafa Sylvia Earle, primeira pessoa a descer a 1.000 m de profundidade sem ajuda de submarinos, comemorando o feito do cineasta americano em Brasília.
Espero que daqui a alguns anos o Brasil esteja equipado com uma frota de submarinos que permita explorar os mares profundos. O Brasil, com seu interesse por exploração de petróleo em águas profundas, pode ser um líder tecnológico nessa área.”
O projeto de Cameron, batizado de “Deepsea Challenge” (Desafio do Mar Profundo), começou há sete anos. O patrocínio veio da “National Geographic” e da Rolex.
As gravações duraram seis horas e foram feitas por meio de câmaras de alta definição e 3D acopladas aos submersível de oito metros, que o cineasta ajudou a projetar.
Além das câmeras, claro, houve a necessidade de muita luz: o submersível tem 2,4 metros de lâmpadas de LED. Por causa da profundidade, a fossa das Marianas fica em escuridão permanente. “É bom ver a luz do Sol”, escreveu Cameron quando voltou à superfície.
Outro desafio é a pressão no fundo da fossa: cerca de mil vezes maior do que a no nível do mar.

5561- Mar Cáspio – Um lago com jeito de mar


Mar Cáspio

Com cerca de 370 000 quilômetros quadrados, o equivalente a uma vez e meia o tamanho do Estado de São Paulo, o chamado Mar Cáspio, localizado na região centro-oeste da Ásia, é, na verdade, o maior lago do planeta. Sua largura chega, em alguns trechos, a 1 200 quilômetros, embora a média fique em torno de 350 quilômetros. Nas suas margens vive uma população de 12 milhões de pessoas, pertencentes a cinco países: Casaquistão (ao nordeste), Turcomenistão (sudeste), Irã (sul), Azerbaijão (sudoeste) e Rússia (noroeste).
O adjetivo “mar” se deve à sua água bastante salgada – embora o teor salino seja inferior ao dos oceanos de verdade. Isso porque há cinco milhões de anos suas águas tiveram uma ligação com o Mar de Azov e, por extensão, com o Mar Negro e com o Mediterrâneo. Hoje, as doces águas do Rio Volga, na Rússia, são responsáveis pela maior parte de seu volume. O Cáspio é um lago ao mesmo tempo baixo e raso. Baixo porque sua superfície está 27 metros abaixo do nível do mar; raso porque sua profundidade mal supera os 1 000 metros. Rico em gás natural e petróleo, o Mar também é a morada de um dos peixes mais cobiçados do mundo: o esturjão, com cujas ovas se produz o famoso e caríssimo caviar – principal fonte de renda da população das margens. No entanto, a exploração excessiva ameaça a sobrevivência da espécie, o que obrigou Rússia, Azerbaijão e Casaquistão a proibir a pesca do esturjão até o fim deste ano.
• O Lago Baikal, na Sibéria, é o mais profundo da Terra. Chega a 1 637 metros de profundidade, dos quais 1 181 metros abaixo do nível do mar.
• O maior oceano é o Pacífico, que ocupa um terço da superfície terrestre. O menor é o Ártico, que banha o Pólo Norte, com 9,485 milhões de quilômetros quadrados.
• A maior maré do mundo acontece na Baía de Fundy, na costa atlântica canadense. A diferença entre a maré alta e a maré baixa ali ultrapassa os 13 metros.

5452 – Mar fica ácido em ritmo sem precedente e vida marinha é afetada


Os oceanos da Terra estão ficando mais ácidos a uma taxa que parece não ter precedentes nos últimos 300 milhões de anos –uma notícia nada agradável para a vida marinha e para a economia humana que depende dela.
A conclusão está em estudo na revista “Science”, que analisou todos os registros geológicos disponíveis sobre fenômenos parecidos.
Apesar da relativa falta de dados no caso dos períodos mais remotos, a equipe liderada por Bärbel Hönisch, da Universidade Columbia, diz que a rapidez das alterações na química do oceano atual é única. “O que estamos fazendo hoje realmente se destaca”, disse ela em comunicado oficial.
A culpa é do dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2), substância que a humanidade anda lançando em quantidades cada vez maiores na atmosfera ao queimar combustíveis fósseis ou florestas, por exemplo.
Cerca de metade do CO2 emitido no planeta acaba sendo absorvido pelos oceanos. A molécula reage com a água, e um dos resultados da reação é o aumento da acidez do mar.
“Aumento da acidez”, aliás, é um pouco impreciso. Mesmo com o oceano sugando vastas quantidades de gás carbônico feito doido no último século, sua água continua sendo alcalina, ou seja, o contrário de ácida. O que ocorre é que ela está ficando progressivamente menos alcalina -ainda não pode ser classificada como ácida.
Parece pouco, mas a mudança é suficiente para que haja menos carbonato -um componente essencial das conchas e carapaças de organismos marinhos- disponível na água. Criaturas tão diferentes quanto corais, ostras, algas e estrelas-do-mar têm dificuldade para construir seu próprio organismo e podem até perder parte dele.
Hönisch e companhia levaram em conta novas técnicas de análise de rochas de origem marinha, que permitem dizer qual era o nível de acidez do mar e a quantidade de carbonato e de gás carbônico presente nele quando as rochas se formaram.
Também consideraram a escala de tempo em que mudanças na acidez do mar ocorriam –e é nesse ponto que as atuais se sobressaem.
Um fenômeno parecido no Eoceno, há 56 milhões de anos, levou 5.000 anos para se consumar, extinguindo organismos marinhos.
O ritmo atual de acidificação (termo usado pelos cientistas) é dez vezes mais veloz. Se as emissões de CO2 continuarem como estão, uma mudança como a do Eoceno ocorrerá até o fim do século.

5402 – Antártida – A Estação Comandante Ferraz


Veja como era a estação científica que ficou 70% destruída com um incêdio
É uma base antártica pertencente ao Brasil localizada ilha do Rei George, a 130 km da Península Antártica, na baía do Almirantado, Antártica.
Começou a operar em 6 de fevereiro de 1984, levada à Antártica, em módulos, pelo navio oceanográfico Barão de Teffé e diversos outros navios da Marinha do Brasil. Atualmente abrigava cerca de 60 pessoas, entre pesquisadores, técnicos e funcionários, militares e civis.
O nome da estação homenageia Luís Antônio de Carvalho Ferraz, um comandante da Marinha do Brasil, hidrógrafo e oceanógrafo que visitou o continente Antártico por duas vezes a bordo de navios britânicos. Ferraz desempenhou importante papel ao persuadir o Brasil a desenvolver um programa antártico.
A estação dispunha de todas as instalações necessárias como se fosse uma pequena cidade. O total atual de módulos é de sessenta e duas unidades. Recentemente, passou a fazer parte da EACF um heliponto, construído de acordo com as normas internacionais.
Até 2004 a composição modular chegou a sessenta habitáculos com capacidade de viverem confortavelmente 48 pessoas, parecendo uma pequena vila em meio ao gelo antártico. A estação opera durante todo o ano. A estrutura é composta por depósitos, oficinas, biblioteca, salas de lazer e estar, enfermaria, sala de comunicações, ginásio de esportes, cozinha e refeitório.

A administração da estação é executada por militares da Marinha do Brasil, que ali permanecem durante um ano, sendo trocados ao final do período.
No inverno, os pesquisadores são em pequena quantidade, pois dependem do solo exposto e de mar aberto para efetuar a coleta de amostras cujos dados serão compilados e enviados às instituições-sede. Nessa época, o transporte depende da Força Aérea Brasileira, pois não se consegue chegar à base através do mar utilizando o NApOc Ary Rongel (H-44). São realizados sete vôos anuais com aeronaves C-130 Hercules. As instalações da base são capazes de abrigar 46 pesssoas.
No verão, naturalmente em condições menos adversas, a população na estação aumenta, o que se traduz em maior nível de atividade. É nesta época que são executados os serviços de manutenção, ampliação, reabastecimento e apoio aos projetos científicos, tecnológicos e pesquisas de maior vulto. As condições de locomoção e transporte se dão com maior facilidade, há menos gelo a dificultar as atividades dos habitantes. Os ventos são mais fracos, e a temperatura também é mais amena, chegando aos 5°C.

Ossada de baleia jubarte encontrada próxima da Estação

Os programas de pesquisas permitiram estudar o impacto das mudanças ambientais globais na Antártica e suas consequências para as Américas inclusive a Amazônia. Ali foi detectado o aumento da temperatura global, o efeito estufa, o aumento do buraco da camada de ozônio, o aumento do nível dos oceanos, além de recolhidos elementos provenientes da poluição causada em sua maioria pelos países do hemisfério norte.
Todas as alterações detectadas pela Estação Antártica Comandante Ferraz mostram claramente a interação entre os hemisférios e sua interferência nas mudanças globais.

Incêndio na estação
Na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2012, 2h, com 60 pessoas na base, ocorreu um incêndio iniciado por uma explosão sem causa estimada na Praça das Máquinas, onde ficam os geradores de energia da estação, suspeitas de sabotagem. Por ser anexa ao restante das instalações, o fogo se alastrou. Um suboficial e um primeiro-sargento morreram porque não conseguiram deixar a Praça das Máquinas, devido a surpresas do ataque tendo um sargento foi ferido, mas levado com vida para a estação polonesa onde recebeu primeiros socorros e posterior transferência para uma base chilena. Para esta foram transportados também todos os civis, encaminhados então para a cidade de Punta Arenas, na Patagônia, e por fim de volta ao Brasil, em um avião da Força Aérea Brasileira.
Após a avaliação dos danos, concluiu-se que 70% da estação fora destruída.

Presidente Lula visitou a Estação

5379 – Os maiores abismos do planeta


O mundo branco, gelado e silencioso da Antártida é cheio de mistérios e recordes. Mas este extremo da natureza se encontra literalmente escondido sob o manto de gelo que cobre 98% do continente: a mais profunda depressão terrestre, situada a incríveis 2 500 metros abaixo do nível do mar, fica numa área a oeste desse estranho universo. Trata-se do Platô Hollick-Kenyon, um pedaço da Marie Byrd Land, região que margeia o Pacífico Sul e se estende do Mar de Ross (oeste) até Ellsworth Land (leste). O Hollick-Kenyon apresenta uma peculiaridade que só poderia se manifestar num lugar com as características da Antártida: é recoberto por uma camada de gelo com mais de 4 000 metros de espessura. Uma comparação mostra o quão espetacular é a marca do Hollick-Kenyon. O Mar Morto, na divisa entre Israel e Jordânia, maior depressão no resto do mundo (fora da Antártida), está localizado a “meros” 394 metros abaixo do nível do mar. O nome do platô é uma homenagem ao piloto canadense Herbert Hollick-Kenyon, que, junto com o americano Lincoln Ellsworth, foram, em 1935, os primeiros exploradores a cruzar, voando, a Antártida.
• . O ponto mais profundo do planeta é a fossa marítima das Ilhas Marianas, situada numa região do Oceano Pacífico próxima da Micronésia. Ali o fundo do mar fica a 11 500 metros da superfície