9830 – Biologia Marinha – Como os animais das regiões abissais conseguem sobreviver em profundidades tão grandes?


Anoplogaster_cornuta_Brauer

Quem acha que vive sob pressão precisa conhecer o Anoplogaster cornuta. Ele mora no oceano a uma profundidade de 5 000 metros. A pressão que a água faz sobre seu corpo é 500 vezes maior do que aquela que o ar faz sobre nós aqui na superfície. Mas não rola nenhum estresse. Os animais que nadam abaixo dos 300 metros de profundidade têm adaptações no corpo que os tornam imunes às condições adversas desses lugares.
Alguns dos ajustes são invisíveis. O aperto produzido pela água, que seria capaz de esmagar as proteínas e comprometer suas funções em seres que habitam a crosta, não causam mal nenhum. “Isso porque, para protegê-las, boa parte desses animais conta, nas células, com uma substância chamada óxido de trimetilamina”. O óxido funciona como uma parede que absorve o aperto. A escuridão, que também poderia atrapalhar suas caçadas e paqueras, é driblada com a fosforescência. “Se pudessem se comunicar conosco, esses bichos também se perguntariam como podemos ficar fora da água e com uma pressão tão baixa”, brinca o biólogo marinho Edward Seidel, do Aquário da Baía de Monterey, nos Estados Unidos.

9790 – Altair, o navio encalhado


navio altair

Pego por uma forte tempestade, que o fez naufragar ao sul do litoral gaúcho, no inverno de 1976, o Navio Altair permanece encalhado a cerca de 12 quilômetros à direita da avenida Rio Grande, a principal do balneário, constituindo hoje em mais uma das atrações turísticas da Praia do Cassino.
Se pouco restou da imponência do Altair, abandonado pela proprietária de linhas de navegação Libra e saqueado num primeiro momento, o navio é hoje o habitat para muitas espécies. A ferrugem, nas últimas três décadas, já corroeu boa parte da estrutura do Altair, mas o limo – que se torna visível quando a maré está baixa, dando nova dimensão ao navio – é uma rica alimentação para a mais variada gama de animais marinhos.
O local é considerado excelente para a pesca e a prática de esportes náuticos, especialmente o surfe, abrigando também rica fauna marinha. A área em questão é rodeada por dunas de areia e sangradouros, onde podemos encontrar diversas aves migratórias e residentes: gaivota do manto negro, gaivota capuz de café, maçaricos, gaviões, pernaltas, etc.

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O cargueiro Altair vinha do Prata, no dia 06 de junho de 1976, com sua carga de 6.000 tons de milho , naufragou após ter enfrentado uma grande tempestade na costa sul do nosso estado (praia do Cassino, Rio Grande-RS), onde ondas com até seis metros passavam sobre seu convés, infiltrando-se nos porões e ameaçando partir suas anteparas, e ainda por cima já sem máquina auxiliar e a principal falhando, o Comandante decidiu leva-lo em direção à praia visando evitar uma tragédia maior.
Pescadores auxiliaram no resgate de todos seus tripulantes.Alguns aparelhos e outros objetos do navio foram igualmente resgatados. Atualmente, bem destruído pelo tempo e erosão, o Altair se vai findando aos poucos sem antes marcar a história do Cassino tornando-se um ponto turístico e suas fotos sempre são vistas em banners pelas ruas de Rio Grande.

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9788 -☻Mega Recordes


O ponto mais elevado da Terra
– Monte Everest – Nepal – Tibet – 8.844,43 m (rocha) e 8.848 m (gelo)

Ponto mais baixo (maior depressão)
Mar Morto – Israel, Jordânia – A superfície da água está 396 metros abaixo do nível do mar.

Maior profundidade
Fossas Marianas, no Oceano Pacífico – 11.034 m

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Maior Continente – Ásia – 8,6% da superfície planetária (ou 29,5% das terras emersas)

Menor Continente – Ocenia – 9.008.458 km² (7.686.850 km² só da Austrália)

Maior Oceano – O Pacífico – 180 milhões km²

Menor oceano, o Ártico – 13 milhões km². É a menor e a mais rasa das cinco grandes divisões oceânicas do mundo.

Maior desfiladeiro – Grand Canyon – EUA – 446 km de extensão e 1.600 m de profundidade

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Maior Monólito – Monte Augustus, Austrália – O Monte Augustus fica a 1.105 metros de altitude e, com aproximadamente 860 m de altura, cobre uma área de 47.95 km². Ele possui um cume central de 8 km de comprimento.

Maior rocha – Ayers Rock – Austrália – 860 m de de altura e cume de 8 km de comprimento.

Maior mina de cobre a céu aberto (tamanho) – Bingham Canyon Mine – EUA

Maior mina de cobre a céu aberto (produção) – Chuquicamata, Chile – 3 km de extensão e 850 metros de profundidade.

Maior mina de diamantes a céu aberto – Mina de Mirny
Rússia – 525 metros de diâmetro e 1200 de profundidade

Maior ilha – Groelândia – Dinamarca – 2.166.086 km² (se a Austrália não for considerada ilha)

Menor Ilha – Ilhas Pitcairn, Reino Unido – 47 km²

Maior iceberg – B15A – 110 quilômetros de extensão por 20 de largura. A área total: quase 1 700 km²

Território terrestre mais isolado – Ilha de Páscoa – Chile – Situada a 3.510 km da costa oeste do Chile e a 2.075 km da costa sudeste das Ilhas Pitcairn

Maior praia – Praia do Cassino, Brasil – 240 km

Praia do Cassino, a maior do mundo
Praia do Cassino, a maior do mundo

Menor praia – Praia de Gulpiyuri, Espanha – 50 m de diâmetro a 100 m da costa.

Maior caverna – Sarawak, Malásia – 70 m x 700 m x 300 m

Maior deserto – Saara – Argélia, Chade, Egito, Marrocos, Líbia, Sudão, Tunísia – 9 065 000 km²

Menor deserto – Deserto de Maine, EUA – 160.000 m²

Maior deserto de sal – Salar de Uyuni, Bolívia – 12.000 km² de área

Maior floresta – Floresta Amazônica – Brasil, Peu, Venezuela – 7.000.000 km²

Rio mais longo – Amazonas – Peru, Brasil – 7.026 km (fontes citam o Rio Nilo)

Mar mais longo Mediterrâneo – Aproximadamente 2,5 milhões de km²

Maior vulcão – Guallatiri – Chile – Seu cume situa-se a 6.071 metros acima do nível do mar.

Menor vulcão – Taal, nas Filipinas

Maior lago de água doce – Lago Superior – Canadá, EUA – 82.414 km²

Maior lago de água salgada – Mar Cáspio – Rússia, Irã – 371.000 km²

Lago mais profundo – Baikal, Rússia – 1.600m de profundidade

Mar mais raso – Azov, Rússia – Profundidade máxima de 14 metros.

Lago mais alto (navegável) – Lago Titicaca -Peru, Bolívia – 3.811 metros acima do nível do mar

9772 – Biologia Marinha – Tubarões em Perigo


Discovery & Mega de ☻lho nos oceanos

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Sobrepesca
Tal como centenas de outras espécies de peixes, os tubarões se encontram sob uma pressão crescente por parte da indústria de pesca mundial. Com o declínio das reservas de peixes comestíveis no mundo, muitas das frotas pesqueiras estão se voltando para os tubarões como uma fonte alternativa de alimento, o que pode vir a provocar efeitos catastróficos não somente nas populações de tubarões em geral, mas também nos ecossistemas marinhos como um todo.
As populações de tubarões demoram muito tempo a se recomporem da sobrepesca. Esses animais possuem um crescimento lento e demoram a atingir a maturidade sexual – 20 anos ou mais, dependendo das espécies. Em comparação às outras espécies de peixes, os tubarões dão à luz poucas crias. Estes fatores já colocaram a sobrevivência de várias espécies de tubarões em perigo, principalmente em áreas costeiras com grandes populações, como na costa da América, no Atlântico Norte.
O declínio no número de espécies de tubarões provoca sérias conseqüências no ecossistema em que vivem. Os tubarões são uma parte vital da cadeia alimentar e a sua natureza predatória ajuda a manter sob controle as populações marinhas. Sem tubarões para manter um equilíbrio saudável, o ambiente marinho está sujeito a sofrer enorme risco de danos permanentes.

9643 – Planeta Gelado – O Oceano Antártico


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Também conhecido como Oceano Glacial Antártico é o conjunto das águas que banham o Continente Antártico, mas que em realidade constituem o prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico. Muitos cientistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a existência do oceano Antártico, considerando-o como uma junção de partes dos outros oceanos.
O oceano Antártico se estende desde a costa antártica até à latitude de os 60° S; limite convencional com o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico e o Oceano Índico. É o penúltimo oceano em extensão (só o oceano Ártico é menor). Formalmente, sua extensão foi definida pela Organização Hidrográfica Internacional no ano 2000 e coincide com os limites fixados pelo tratado Antártico.
O Oceano Antártico é o único a rodear o globo de forma completa, e circula completamente a Antártida. Tem uma superfície de 20.327.000 km², uma cifra que compreende aos mares periféricos: o mar de Amundsen, o mar de Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar de Weddell. A terra firme que borda o oceano tem 17.968 km de costa.
Juridicamente, pelo tratado da Antártica, assinado dia 1 de janeiro de 1956, o oceano Antártico e o continente Antártico seriam de responsabilidade dos seguintes países, para usos pacíficos e científicos; Chile, Argentina, Austrália, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul e Rússia (como herdeira da União Soviética).
No projeto da 4.ª edição foram consultados em 1972 os países membros da OHI. Até 1976 haviam respondido 32 países expressando a maioria sua preferência pelo nome Antarctic Ocean. Somente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido se pronunciaram a favor do nome Southern Ocean e o Chile preferiu Antarctic Glacial Ocean. O Brasil e os Estados Unidos se opuseram à definição de um novo oceano. Sobre o limite norte existiram divergências com projetos apresentados pelo Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Noruega e por vários países que propuseram a linha da convergência antártica. Em 1986 foi decidido não incluir o oceano Antártico no projeto da 4° edição, que foi reprovado em 1998.4
Um novo projeto foi posto em consideração aos 68 países membros da OHI, sendo que até 1999 28 responderam favoravelmente à definição de um novo oceano rodeando a Antártida e a Argentina respondeu negativamente.5 18 países aceitaram que o nome em inglês do novo oceano fosse Southern Ocean, enquanto que o restante preferiu Antarctic Ocean. Com relação ao limite norte, 14 votos foram para que fosse o paralelo 60° Sul, 7 para que fosse o paralelo 50° Sul, 5 aceitaram a proposta australiana e 3 prefeririam o paralelo 35° Sul.
A temperatura do mar varia de +10 °C a -2 °C. Tempestades ciclônicas se movem do leste girando ao redor do continente antártico e são frequentemente de forte intensidade, e são a causa da diferença de temperatura entre os gelos e o oceano aberto.
A superfície oceânica está entre os 40° de latitude sul e a Corrente Circumpolar Antártica que tem os ventos mais fortes do planeta. No inverno o oceano se estende até os 65° S em direção ao Pacífico e até os 55° S em direção ao Atlântico, deixando a temperatura superficial abaixo de zero. Em algumas costas, os fortes e constantes ventos provenientes do interior mantém a costa livre de gelo também no inverno.
A camada que se forma ao redor do continente antártico, é de aproximadamente 1 m de profundidade, possui pelo menos 2,6 milhões de km² em março e chega ao máximo de 18,8 milhões de km² em setembro, um aumento de mais de sete vezes. A Corrente Circumpolar Antártica, de 21.000 km de largura, se move eternamente para leste. É a maior corrente do mundo, e transporta 130 milhões de m³/s, 100 vezes mais que todos os rios da Terra juntos. As ondas podem ser muito altas. Os icebergs antárticos podem possuir dimensões imponentes, estendendo-se por quilômetros e constituem um perigo para a navegação.
O ponto mais profundo do oceano se encontra no extremo meridional da Fossa Sandwich do Sul e alcança 7.235 m de profundidade.
Os glaciares e mantos de gelo antárticos que se estenderam e flutuam sobre a superfície do oceano formam um amplo sistema de plataformas de gelo. Pedaços dessas plataformas que estão ligadas aos glaciares em terra firme se rompem e formam campos de gelo e icebergues (ou iceberg). Devido ao aquecimento global algumas dessas grandes plataformas estão derretendo, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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O Oceano Antártico, com uma profundidade geralmente compreendida entre os 4.000 e 5.000 metros, é um oceano profundo com poucas zonas estreitas de águas pouco profundas. A plataforma continental antártica é estreita e relativamente profunda em relação às outras: dos 400 aos 800 metros, contra uma média mundial de 133 metros.
Os recursos naturais do Oceano Antártico ainda não têm sido explorados, mas existem grandes jazidas de petróleo e gás natural nas proximidades do continente antártico.
O Oceano Antártico tem uma biodiversidade imensa e ainda muito pouco explorada. Sua fauna varia de pinguins, pinípedes e cetáceos, até cianobactérias, fitoplâncton e krill, que apesar de pequenos servem de alimento para os animais maiores. A Antártida não tem flora terrestre, sendo a sua única composição vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.
Dentre os principais portos operacionais estão a Base Rothera, a Base Palmer, a Villa Las Estrellas, a Base Esperanza, a Base Mawson, a Estação McMurdo, e os ancoradouros no mar na Antártida.
Poucos portos existem na costa sul (Antártida) do Oceano Antártico, uma vez que as condições do gelo restringem o uso da maioria das praias para curtos períodos, em pleno verão. E mesmo no verão alguns requerem escolta de navios quebra-gelo para o acesso. A maioria dos portos da Antártida são operados por estações de pesquisa governamentais e, exceto em caso de emergência, permanecem fechados aos navios comerciais ou particulares; navios em qualquer porto ao sul de 60 graus de latitude sul estão sujeitas a inspeção por observadores do Tratado da Antártida.

9322 – Geografia – Mar Mediterrâneo salvo pelo Dilúvio


Há cerca de 6 milhões de anos, quando movimentações tectônicas juntaram o norte da África ao que hoje se conhece por Península Ibérica, o Mediterrâneo acabou separado do Oceano Atlântico por uma cadeia de montanhas. A seguir entrou num processo acelerado de evaporação, favorecido pela extrema salinidade de suas águas. Restaria dele uma planície quase seca e estéril, 1,5M abaixo do nível do mar. A sequência de acontecimentos que reverteu tal processo de degeneração do Mediterrâneo e lhe deu a exuberância atual tem sido objeto de especulação.
Mas, segundo uma recente pesquisa, ele nasceu de um dos mais espetaculares dilúvios já ocorridos na história do planeta.
Há 5,3 milhões de anos, por causa da movimentação das placas ocorreu um tsunami. As águas correram 2 anos com um fluxo equivalente a mil vezes o do Rio Amazonas, elevando o nível do Mediterrâneo 10 metros por dia. A erosão teria criado o Estreito de Gibraltar, estabelecendo a ligação que até hoje perdura até o Mediterrâneo eo Atlântico. A rápida enchente do Mediterrâneo teria causado a diminuição de 9,5 metros do nível dos oceanos, com consequências no clima global.
Achava-se que os registros da passagem da água tinham desaparecido das camadas de solo sob o Estreito de Gibraltar há muito tempo e que, portanto, seria impossível recuperar como o fenômeno se deu. Para levarem a cabo seu estudo, os cientistas espanhóis se beneficiaram das prospecções feitas recentemente no estreito com vistas à construção de um túnel ligando a Espanha ao Marrocos, no norte da África. Durante as escavações, descobriu-se que as camadas subterrâneas do estreito abrigam um canal com 500 metros de profundidade e 10 quilômetros de largura. O canal tem formato de U, o que leva a concluir que é remanescente de uma enchente duradoura e de grandes proporções.

8902 – Maior vulcão do planeta é descoberto no Oceano Pacífico


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Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu o maior vulcão já encontrado na Terra. Submerso no Oceano Pacífico, o Tamu Massif tem tamanho comparável aos vulcões gigantes de Marte, o que o coloca também entre os maiores do Sistema Solar — o Olympus Mons, um vulcão gigante de Marte considerado o maior do Sistema Solar, é apenas 25% maior do que o Tamu Massif. O vulcão está localizado a cerca de 1.600 quilômetros a leste do Japão e ocupa uma área de aproximadamente 300.000 quilômetros quadrados — maior do que o estado do Rio Grande do Sul.
William Sager, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e da Terra da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, começou a estudar o vulcão vinte anos atrás. Até agora, não estava claro para os pesquisadores se o Tamu Massif era um vulcão único ou se era formado por diversos pontos de erupção.
No novo estudo, publicado nesta quinta-feira no periódico Nature Geoscience, os autores analisaram amostras do vulcão colhidas pelo navio de pesquisa Joides Resolution, parte do Ocean Drilling Program (Programa de Perfuração Oceânica), uma iniciativa internacional de exploração e estudo da composição e estrutura do solo oceânico. A partir dessas amostras, eles concluíram que o vulcão entrou em erupção a partir de um único ponto, perto do centro, o que permite que ele seja considerado o maior vulcão individual do planeta.
Além do tamanho, o Tamu Massif também se destaca por seu formato: é um vulcão-escudo, nome dado aos vulcões que têm forma de uma larga montanha, com o perfil de um escudo. Ele é relativamente baixo e amplo, o que indica que a lava expelida deve ter percorrido longas distâncias antes de resfriar, diferentemente da maioria dos vulcões, que costumam ser pequenos e verticais.
De acordo com o pesquisador, a idade estimada do vulcão é de 145 milhões de anos. Acredita-se que ele tenha se tornado inativo alguns milhões de anos depois de sua formação. “Podem existir vulcões maiores, porque existem formações ígneas maiores no mundo, mas não sabemos se essas formações são um vulcão único ou um complexo de vulcões”.

8509 – Biologia Marinha – Porque a água viva queima?


Também conhecida como medusa, ela possui células, chamadas cnidócitos, dotadas de filamentos que injetam toxinas na pele das pessoas, produzindo a sensação de queimadura.
“Ao menor contato, a água-viva dispara filamentos como se fossem um tiro à queima-roupa”. As toxinas usadas para defesa e captura de suas presas variam de uma espécie para outra, mas geralmente há combinação de substâncias paralisantes, necrosantes e destruidoras de glóbulos vermelhos. O grau da queimadura também depende da espécie e da região da pele onde ocorre o contato.

A mais perigosa água-viva do planeta está no litoral australiano:
Locais como o dorso da mão, coxas, abdome e a face são muito mais sensíveis. No Brasil não há registro de morte causada por medusas, mas as queimaduras provocadas pela espécie Chironex fleckeri, conhecida como “vespa-do-mar” e comum nas costas da Austrália, podem matar.

8476 – Naufrágios Históricos


Naufrágios de transatlânticos não são novidades em águas internacionais, mas a tragédia do RMS Titanic, ao suplantar de forma arrebatadora todos os seus predecessores no mundo ocidental, coloca um ponto de interrogação ao lado das garantias de segurança fornecidas pelas companhias marítimas. Afinal, a fama que acompanhou o Titanic durante seu período de construção era a de ser um navio livre de qualquer perigo – lema que refletiu até mesmo na incrédula declaração do vice-presidente da White Star Line, Philip Franklin, logo depois de ouvir a notícia do desastre: “Pensei que o Titanic fosse inafundável, era essa a opinião dos melhores especialistas. Não consigo entender”.

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A duras penas, as famílias de mais de 1.500 passageiros tragados pelas águas geladas do Atlântico descobriram que, em se tratando de travessias marítimas, não há homens ou máquinas que possam oferecer garantias. O naufrágio do Titanic supera em número de vítimas a maior marca deste século, a do navio americano SS General Slocum, que pegou fogo quando navegava pelo East River de Nova York no dia 15 de junho de 1904 e causou a morte de 1.020 pessoas, na maioria mulheres e crianças da comunidade alemã da cidade, que haviam fretado o navio para uma excursão. Naquela ocasião, de acordo com o relato de alguns sobreviventes – em número de aproximadamente 300 -, a calamidade foi potencializada pelo estado deteriorado de conservação de coletes salva-vidas, bóias de segurança e botes.

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Fúnebres recordes
O terrível destino do Titanic também fez suplantar outras duas infaustas marcas de desastres marítimos, todas ocorridas também nos primeiros anos desde século, dado alarmante para o mundo da navegação. A mais recente tragédia ultrapassa o maior acidente da história de um navio civil com bandeira britânica. Em maio de 1902, o SS Camorta, pertencente à British India Steam Navigation Company, afundou na baía de Bengala em meio a um ciclone, matando todos os 655 passageiros e 82 tripulantes. Além disso, torna-se o maior infortúnio já registrado nas águas do Atlântico. Antes, o SS Norge, transatlântico dinamarquês que também tinha como destino Nova York e colidiu com a ilhota rochosa de Rockall, a oeste da Escócia, havia produzido 635 vítimas em junho de 1904.

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Ao menos por enquanto, o acidente de maior proporção da história das águas internacionais segue sendo o naufrágio do junco Tek Sing, navio à vela chinês que afundou em fevereiro de 1822 ao sul da China, depois de colidir com um recife. A embarcação tinha como destino Jacarta, na Indonésia, e transportava cerca de 1.800 passageiros e uma grande carga de porcelana. Mais de 1.600 pessoas morreram – as demais foram resgatadas pelo navio inglês East Indiaman, que passava pelas redondezas na manhã seguinte e avistou alguns sobreviventes. Resta saber se a cega competição entre as linhas marítimas ocidentais, cada qual correndo ferozmente para suplantar a concorrência, não acabará por relegar a segurança a segundo plano e repetir tormentos como o do Titanic.

8460 – Satélite revela que baleias-jubartes mergulham a 300 metros de profundidade


Instituto jubarte

Os pesquisadores ficaram um tanto incrédulos, quando os dados de satélite começaram a chegar. A baleia, uma fêmea marcada com um sensor, pôs-se a mergulhar cada vez mais fundo, ao largo da costa do Rio Grande do Sul, até ultrapassar 300 m de profundidade –coisa bem incomum para a espécie.
Os mergulhos, de meia hora, repetiram-se várias vezes ao longo de dias, conforme a fêmea de jubarte (Megaptera novaeangliae) deixava as águas mais quentes do Brasil em busca de sua área de alimentação, na Antártida.
Ninguém sabe o que significam esses “pit stops” nas profundezas. Mas, se forem comuns, podem desfazer alguns dogmas sobre o comportamento dessa baleia, famosa por dar enormes braçadas.
A questão é que as jubartes, bem como outras baleias migratórias, seriam as rainhas do regime radical.
Acreditava-se que esses bichos passariam quase todo o período de reprodução de boca fechada, sobrevivendo com a ajuda de reservas de gordura adquiridas nos bufês de krill (pequeno crustáceo) do mar antártico.
Na volta, os cetáceos afinariam num ritmo alucinado, fenômeno piorado, no caso das fêmeas, pelo gasto de energia ligado à amamentação. E o ciclo recomeçaria.
Se a coisa funcionasse mesmo assim, “o que se esperaria é que os bichos fossem direto para a área de alimentação o mais rápido possível, para minimizar o gasto energético de migrar, nadando rápido e no raso”, explica o oceanógrafo Alexandre Zerbini, que trabalha no Laboratório Nacional de Mamíferos Marinhos dos EUA e no Instituto Aqualie no Brasil.
Zerbini é um dos especialistas responsáveis por analisar os dados que indicam um cenário mais complicado.
As informações vêm dos testes de um tipo inovador de transmissor por satélite, que ainda não tinha sido usado para estudar as rotas de migração das jubartes.
O diferencial do aparelho, que Zerbini compara a um piercing de baleia, é a presença de um sensor que envia informações sobre a profundidade do animal, e não só sobre sua posição geográfica.

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Isso é possível porque o sensor detecta a pressão da água, informação convertida em dados de profundidade.
No caso que deixou os pesquisadores surpresos, a fêmea foi marcada em 2 de novembro de 2012, na região de Abrolhos, e o transmissor enviou dados sobre sua rota até o último dia 20 de abril.
Os cientistas trabalham com duas ideias para explicar o que as jubartes andam aprontando lá no fundo. A primeira é a de que elas estariam fazendo uma boquinha.
“A área dos mergulhos é associada à chamada elevação do rio Grande, montanhas submarinas entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai”, explica Zerbini. É o tipo de lugar em mar aberto onde pode haver correntes carregando nutrientes do fundo para a superfície e, portanto, comida para os bichos.
Outra possibilidade envolve a presença de túneis acústicos –áreas em que as propriedades da água, como sua densidade, são favoráveis à propagação de som. Em tais locais, as jubartes, altamente sociáveis, poderiam ficar na escuta, à espera dos chamados de companheiros.
O fato, independentemente de qual seja a explicação correta, é que ainda há muito a descobrir sobre o comportamento das jubartes.
Nunca ninguém acompanhou por satélite o mesmo indivíduo durante um ano inteiro –Zerbini e seus colegas acabam de bater o recorde de e monitoramento seguindo outro exemplar da espécie por 240 dias.
“O que atrapalha é o comportamento social dos bichos, que envolve muito contato físico. Os transmissores acabam sendo arrancados.”
Por isso mesmo, o desenvolvimento de novos equipamentos mais resistentes tem sido patrocinado pela empresa Shell, que se interessa pelas suas aplicações para avaliar e mitigar potencias impactos aos animais causados por atividades ligadas à exploração de petróleo.

8436 – Maior barco solar do mundo estuda efeito das mudanças climáticas no oceano


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O maior barco movido a energia solar do mundo chegou a Nova York como parte de uma expedição científica para estudar o efeito das mudanças climáticas no planeta. O Turanor PlanetSolar é uma embarcação suíça de 35 metros de comprimento dotado de uma imensa cobertura de painéis fotovoltaicos, que, quando abertos, fazem o barco chegar a 23 metros de largura.
Em maio de 2012, ele se tornou o primeiro veículo movido a energia solar a dar a volta ao mundo, após uma grande viagem de 584 dias e mais de 60.000 quilômetros percorridos. Agora, ele inicia uma nova etapa de sua missão, na qual irá estudar os efeitos do aquecimento global sobre a Corrente do Golfo, corrente marinha localizada no norte do Oceano Atlântico.
O PlanetSolar zarpou do porto de La Ciotat, no sudeste de França, e alcançou Miami, no sudeste dos Estados Unidos, no início de junho. A expedição deve continuar até agosto, com escalas em Boston, no nordeste dos Estados Unidos, em San Juan de Terranova, no Canadá, em Reykjavik, capital da Islândia, e, finalmente, Bergen, na Noruega. “Nosso objetivo é entender as complexas interações entre física, biologia e clima para ajudar os cientistas a aperfeiçoarem as simulações climáticas, especialmente no que diz respeito às trocas de energia entre o oceano e a atmosfera”, afirma Martin Beniston, pesquisador da Universidade de Genebra, na Suíça, e chefe da missão.

Proeza tecnológica
A Corrente do Golfo tem origem no Golfo do México e desloca uma grande massa de água quente da região para o norte do Atlântico, assegurando à região oeste da Europa um clima mais quente do que o esperado para sua grande latitude. Além disso, ela impede uma excessiva aridez nas zonas tropicais americanas por onde passa, como o México e as Antilhas.

O objetivo da tripulação do barco é coletar informações sobre os efeitos das mudanças climáticas ao longo dos trechos atingidos pela Corrente do Golfo. “Vivo na Bretanha, no oeste da França, e estamos muito preocupados. Todos sabemos que se a Corrente do Golfo mudar, mesmo que seja só um pouquinho, nosso clima se deteriorará muito”, afirma Gerard D’Aboville.
O Turanor PlanetSolar é considerado uma verdadeira proeza tecnológica, com sua cobertura de mais de 515 metros quadrados de painéis solares, peso de 90 toneladas e velocidade de até 26 quilômetros por hora. Durante toda sua operação, ele não requer gasolina e não emite gases de efeito estufa. “Como o barco é impulsionado por energia solar, não emite nenhuma substância contaminante que possa distorcer o material coletado na travessia de 8.000 quilômetros entre Miami e Bergen”.

8149 – Missão Brasil-Japão acha indícios de continente submerso


Fruto de uma missão em parceria com o Japão, os primeiros mergulhos feitos na região conhecida como Elevado Rio Grande, uma cordilheira submersa no sul do país, a mil quilômetros da costa do Rio de Janeiro, revelaram a existência de granito, rocha continental, onde se pensava existir apenas rochas vulcânicas.
Outras expedições já haviam encontrado indícios de outros minerais no fundo do oceano, como minério de ferro, manganês, cobalto e até mesmo terras raras.
De acordo com o diretor da CPRM Roberto Ventura, a descoberta do continente perdido é a maior novidade da expedição em parceria com o governo japonês, que lidera uma campanha no Atlântico Sul feita pelo navio Yokosuka, que hospeda o submersível Shinkai 6.500.
O navio custou US$ 100 milhões ao governo japonês e o Shinkai 6.500, US$ 130 milhões, investimentos que segundo pesquisadores brasileiros estão fora da realidade do Brasil. Sem esses equipamentos, o país levaria anos para confirmar as suspeitas de que uma parte do continente sul-americano se desprendeu durante a separação do Brasil e da África, caindo no solo do oceano.
Nos últimos quatro anos, o Brasil investiu cerca de R$ 80 milhões em pesquisas no Elevado Rio Grande.
A CPRM abrirá uma licitação nos próximos dois meses para que uma empresa de perfuração recolha mais amostras e confirme a existência do continente submerso, o que só deve ocorrer no final do ano.

8099 – Biologia Marinha – O Albatroz


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Os albatrozes são pássaros marinhos pertencentes ao grupo familiar dos diomedeídeos e à ordem dos procelariformes. Esta ave, desastrada fora de seu ambiente aéreo, é soberana nos céus, revelando neste meio um vôo suntuoso, com suas asas que, abertas, atingem mais de um metro de uma ponta a outra, e apresentam um comprimento de 75 cm. Seu maior problema é o momento de erguer-se do solo, pois, se há ausência de vento, ela precisa se deslocar rapidamente para alcançar a necessária velocidade.
Esta família comporta diversas espécies, sendo as mais majestosas as do albatroz errante ou gigante, do albatroz real e do albatroz das Galápagos. Geralmente são aves que fogem ao convívio com outros animais, espalham-se por praticamente toda a região do Oceano Atlântico e pelo norte do Oceano Pacífico, nutrem-se de peixes e crustáceos e não apreciam sobras descartadas pelos tripulantes de embarcações que cruzam estas águas.
O albatroz encontra-se, atualmente, em risco constante de extinção; das 21 espécies oficialmente registradas pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais – IUCN -, 19 estão sob ameaça concreta. Este animal é convictamente fiel ao seu parceiro, optando sem hesitar por um relacionamento monogâmico que só chega ao fim com a morte de um dos pássaros.
Reverenciada pelos poetas, respeitada pelos marinheiros, que a vêem sob uma ótica supersticiosa, crendo realmente que ela atrai azar quando é eliminada, esta ave constrói seu ninho em ilhas distantes, dividindo o local escolhido, às vezes, com pássaros de outras classes.
Seu bico é de grande porte, robusto e afiado, inserido em uma mandíbula superior que apresenta na extremidade o formato de um enorme gancho, o qual possibilita uma melhor apreensão de animais com o tronco plano e ligeiro. Assim, o albatroz restringe-se a apanhar presas já desprovidas de vida ou então opta por conquistar a caça viva, tanto na extensão acima das águas quanto submergindo nos oceanos.
No período da procriação o albatroz dirige-se à superfície terrestre; nesta ocasião os pássaros se congregam aos milhares em penhas íngremes, na costa oceânica. Eles põem um ovo a cada ano, e a fêmea permanece posicionada sobre ele ao longo de 65 dias. Seu amadurecimento sexual ocorre aos cinco anos; mesmo assim a ave ainda aguarda a passagem de mais alguns anos antes de acasalar. A maioria das espécies de albatrozes sobrevive mais de cinquenta anos.
Normalmente os albatrozes se reproduzem nas proximidades da Antártica, no final de novembro. O filhote leva cerca de um ano para ensaiar os primeiros vôos rumo ao oceano, e só volta para o solo cinco anos depois. É curioso observar o sistema de acasalamento entre macho e fêmea, que passa por um ritual no qual as aves revelam distintas posições que intercalam gestos agressivos e pacificadores, através de movimentos da cabeça e outros trejeitos significativos.

7946 – Livros – Desbravadores dos mares


Depois de um mês e meio navegando, chegam os portugueses, enfim, ao continente que viria a se chamar América. Brasil: Terra à Vista!, agora na versão pocket, parte do encontro de europeus e tupis em Pindorama, naquele 22 de abril de 1500, para contar a história dos descobrimentos naquela movimentada virada de século (do 15 para o 16). Numa narrativa ágil e fragmentada, como a de um jornal de hoje, o autor amarra informações sobre os homens e naus que cruzaram os mares para encontrar outros mundos e outros homens, curiosidades ilustradas por mapas e desenhos que explicam, por exemplo, como uma caravela consegue navegar contra o vento – tecnologia que permitiu conquistar o mar e “novas” terras.

7939 – Oceanos – De COUSTEAU AO TITANIC


Se por um lado o ambiente subaquático oferece riscos e impõe uma série de limites, por outro ele costuma ser garantia de descobertas espetaculares. A ausência do ar, temperaturas mais baixas e pouca ou nenhuma luz natural são fatores que colaboram para a preservação de muitos artefatos. Em compensação, é preciso ter extremo cuidado na hora de retirá-los da água. Submersos há dezenas, centenas ou milhares de anos, alguns deles podem simplesmente se desintegrar ao ser removidos. A coleta pode ser feita pelos próprios arqueólogos, manualmente, ou com a ajuda de equipamentos de última geração, como computadores de visualização e robôs comandados a distância.
Quem deu o pontapé inicial no desenvolvimento de equipamentos para a arqueologia subaquática foi o oceanógrafo francês Jacques Cousteau, em 1943, quando desenvolveu, com o engenheiro Emile Gagnan, a aparelhagem de respiração a partir do ar comprimido contido num cilindro. O Aqua-Lung (pulmão aquático), como foi batizado, permitiu aos arqueólogos investigar bem de perto o que antes eles só podiam imaginar. Desde então, cientistas vêm desenvolvendo as mais variadas técnicas para descer cada vez mais fundo. Hoje, há equipamentos que permitem investigações arqueológicas a mais de 6 mil metros de profundidade, como os desenvolvidos pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA. O Departamento de Pesquisas de Arqueologia em Águas Profundas daquela instituição especializou-se em inventar sensores, câmeras e robôs que levam a ciência a lugares onde a pressão é mortal e o homem jamais chegaria.
Um dos achados arqueológicos mais importantes dos últimos tempos foi feito justamente com a ajuda de um desses aparelhos. No mar Negro, fotos e vídeos trouxeram à tona vestígios de presença humana há mais de 7 mil anos. Quem estava à frente da expedição era o oceanógrafo americano Robert Ballard, que, em 1985, tornou-se mundialmente conhecido por encontrar o naufrágio Titanic no Atlântico Norte. Para ele, a grande descoberta, quando acontece, tem o efeito de um nocaute.

7926 – Ultra-som para ver o fundo do mar


Criaturas marinhas tão pequenas quanto o krill serão pesquisadas agora com a mesma tecnologia usadas para examinar bebês humanos na barriga da mãe: a ultra-sonografia. Até agora, esse animais foram poucos estudados, pois seu tamanho – de meio milímetro a 3 centímetros de comprimento – os torna invisíveis a sonares comuns.
Desenvolvida pela Instituição Scripps de Oceanografia, na Califórnia, Estados Unidos, a Técnica foi batizada de “Fish Tv”.
Um grupo de transmissores e receptores de ondas sonoras conectado a computadores é mergulhado no mar. Os Transmissores, então, emitem ondas de ultra-som que refletem nos animais. Os ecos dessas ondas dão a localização horizontal dos minúsculos seres e, calculando-se o tempo que o eco leva para chegar aos receptores, obtém-se a profundidade. O computador combina as informações e fornece um mapa tridimensional, mostrando onde estão os animais. A tecnologia já esta testada em laboratórios será usada para estudar o Krill, um camarão de 1 milímetro e outros bichos igualmente minúsculos e importantes na cadeia alimentar nas águas do Oceano Pacifico.

7832 – Microbiologia – Atividade microbiana é encontrada no lugar mais fundo do mar


Níveis considerados elevados de atividade microbiana foram descobertos na fossa das Marianas, localizada no oceano Pacífico e considerado o lugar mais profundo da crosta terrestre. Os achados foram publicados hoje no periódico “Nature Geoscience”.
A fossa das Marianas, um rasgo de 2.550 km de comprimento, chega a alcançar 11 km de profundidade no abismo de Challenger.
Devido a sua extrema profundidade, a fossa está envolta em uma escuridão perpétua e possui temperaturas glaciais.
Muitos cientistas consideram que quanto mais profundo é o oceano, menos alimento disponível existe, pois este tem que fazer o caminho da superfície, rica em oxigênio, até as profundezas.
No entanto, a equipe dirigida por Ronnie Glud, da Universidade do Sul da Dinamarca, se surpreendeu ao descobrir que a fossa das Marianas é rica em matéria orgânica.
Os cientistas observaram que o nível de demanda biológica por oxigênio era duas vezes maior do que em um lugar próximo mais “raso”, situado a 6.000 metros de profundidade.
Eles também encontraram o dobro da quantidade de bactérias e outros micróbios no fundo da fossa das Marianas do que a 6.000 metros de profundidade.
Foi usado um robô submarino concebido exatamente para o estudo, dotado de sensores desenvolvidos para analisar o consumo de oxigênio no fundo do mar. Foram realizados também vídeos do fundo da fossa.
“Encontramos um mundo dominado por micróbios adaptados para funcionarem de forma eficaz em condições extremamente inóspitas para organismos mais desenvolvidos”, disse Ronnie Glud.
“Nossa conclusão é que o importante depósito de matéria orgânica no abismo de Challenger mantém a atividade microbiana em ascensão, apesar das pressões extremas que caracterizam este entorno”.

7736 – Oceanos – O Mar do Norte está para surfistas


O Atlântico Norte está cada vez mais bravo. Na metade da década de 1980, cientistas constataram que a média de altura das ondas estava 25% maior que vinte anos antes. Recentemente, um estudo do Instituto Oceanográfico de Wormley, na Inglaterra, demonstrou que o crescimento continua: hoje as ondas são cerca de 50% maiores que nos anos 60, fenômeno que já tinha sido percebido pelos marinheiros veteranos e engenheiros responsáveis pelas plataformas de petróleo da região.
A causa das ondas mais altas intriga os cientistas, pois é certo que os ventos não aumentaram de intensidade nos últimos trinta anos. Ou seja, os maiores responsáveis pela formação das ondas não estão trabalhando com mais força. A hipótese mais verossímil é de que os ventos estejam simplesmente se orientando com mais freqüência numa mesma direção.

7628 – Como se formam os recifes?


O coral nada mais é que um pequeno animal marinho, que vive em colônias – geralmente em mares de temperatura mais amena, como nas regiões tropicais e subtropicais. Enquanto está vivo, esse organismo secreta à sua volta um esqueleto de carbonato de cálcio, substância extraída da água do mar. Após sua morte, novas colônias desenvolvem-se sobre essa estrutura rígida, formando, com o tempo, os paredões calcáreos que chamamos de recife. O processo todo demora, obviamente, milhares de anos.
Existem três tipos de recifes de coral: franjas, barreiras e atóis. Sua formação geralmente começa pelas praias, estendendo-se até 400 metros mar adentro. Nesse estágio inicial, eles são batizados de franjas. Já as barreiras surgem quando a erosão das praias afasta o recife da beira-mar. É o caso da mais famosa dessas formações, a Grande Barreira de Corais, na Austrália, com 2 000 quilômetros de extensão. O atol, por sua vez, é como um anel, formado quando essas barreiras circundam alguma ilha que, também devido à erosão, deixa de existir.
Os recifes de coral têm vital importância para a manutenção do equilíbrio biológico, por servirem de abrigo para uma enorme diversidade de espécies de peixes, algas, crustáceos e outras criaturas marinhas que vivem e se reproduzem sob sua proteção. Eles também estão entre os mais ameaçados pela elevação da temperatura da Terra, pois o aquecimento dos mares pode levá-los à extinção.

Os recifes de coral começam a se formar a partir da praia, estendendo-se mar adentro. Nesse estágio, são chamados de franjas.
Com a erosão, a praia vai se afastando do recife, formando um canal entre eles. Aí então, a franja muda de nome, para barreira.
A erosão pode fazer a ilha desaparecer por completo. Nesse caso, resta só o anel de recife em torno dela, que passa a ser conhecido como atol.

7608 – Geologia – Rochas dão indícios de consequências do aquecimento global


Uma equipe de cientistas percorreu uma estrada de terra em dois carros. Depois de procurar o dia todo por antigas praias a quilômetros de distância do atual litoral, eles estavam quase desistindo.
De repente, o carro da frente parou. Paul J. Hearty, um geólogo da Carolina do Norte, saltou e apanhou um objeto branco ao lado da estrada: uma concha fossilizada. Ele sorriu. Em poucos minutos, a equipe tinha coletado outras dezenas de conchas.
Usando equipamentos via satélite, eles determinaram que estavam a 11 quilômetros do litoral e a 19 metros acima do litoral moderno da África do Sul.
Para a chefe da equipe, Maureen E. Raymo, da Universidade Columbia em Nova York, a descoberta foi uma pista importante. Sua pesquisa tenta determinar até que altura os oceanos poderão subir em um mundo mais quente.
A questão adquiriu nova urgência depois do furacão Sandy, que causou inundações costeiras nos Estados Unidos. Segundo cientistas, certamente a tempestade foi agravada pela elevação do nível do mar no último século. Esse tipo de maré de tempestade, segundo especialistas, poderá tornar-se rotineiro nos litorais no final deste século se o oceano subir com a velocidade que eles preveem.
Uma quantidade suficiente de gelo polar derrete quando a temperatura da Terra aumenta apenas alguns graus, podendo elevar o nível marinho global de 7,5 metros a 9 metros. Mas, no próximo século, a temperatura da Terra deverá aumentar quatro ou cinco graus, por causa do aumento do nível de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa.
Especialistas dizem que as emissões desses gases, que deverão causar um grande aumento do nível do mar, poderão ocorrer nas próximas décadas. Eles temem que, como os litorais do mundo são densamente povoados, a ascensão dos oceanos provoque uma crise humanitária que dure séculos.
O registro fóssil não indica nada parecido com o rápido lançamento de gases do efeito estufa de hoje e suas consequências para o aumento da temperatura do planeta. “Absolutamente, inequivocamente, a natureza já mudou antes”, disse Richard B. Alley, um climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia. “Mas parece que vamos fazer algo maior e mais rápido do que a natureza já fez.”
Raymo está tentando encontrar uma era com temperaturas que reflitam as esperadas até 2100. Ela concentra-se no período pliocênico, 3 milhões de anos atrás. O dióxido de carbono no ar então parece ter sido cerca de 400 partes por milhão –um nível que será alcançado novamente nos próximos anos, depois de dois séculos de queima de combustível fóssil.
Ela e sua equipe dirigiram centenas de quilômetros ao longo das costas sul e oeste da África do Sul procurando praias pré-históricas. A equipe localizou praias supostamente do Plioceno em locais de 11 a 33 metros acima do nível atual do mar. Em um trabalho semelhante na Austrália e na costa leste dos EUA, pesquisadores encontraram praias do Plioceno de dez metros a até 88 metros acima do nível do mar.
As estimativas anteriores do nível do mar nesse período geológico variam de 4,5 a 39 metros acima do oceano atual. Se o trabalho de Raymo confirmar as estimativas mais altas, ele poderá indicar que a camada de gelo no leste da Antártida –o maior bloco de gelo do mundo, contendo água suficiente para elevar o nível do mar em 54 metros,– também é vulnerável à fusão. Os cientistas não compreendem totalmente o porquê.
Assim, o projeto poderá definir um limite de quanto o oceano poderá subir se as temperaturas aumentarem como se espera neste século.
Pesquisa recente sugere que a elevação provável será de quatro metros até 2300, inundando regiões costeiras em todo o mundo.
Se a elevação for mais lenta do que o esperado, a população terá tempo para se adaptar. Mas muitos cientistas temem que seus cálculos tenham sido conservadores demais.