14.227 – Madeira na Idade Média


Durante o período conhecido como Alta Idade Média, que compreendeu as ações dos homens no continente europeu entre os séculos V e XI, a madeira exerceu uma importante função na produção material da vida dos homens medievais.
Extraída principalmente dos bosques que circundavam as áreas habitacionais e de cultivo agrícola, a madeira era utilizada para diversas funções. Os bosques incluíam-se nas áreas denominadas como incultos, alcunha dada por não haver atividade humana no trabalho da terra, sendo espaço de caça e de extração vegetal e mineral. Ao fazer uma compilação das referências dos usos da madeira nos estudos dos diversos especialistas da Idade Média, o historiador português João Bernardo aponta diversos usos para a madeira durante esse período:
Como combustível, ela era utilizada nas manufaturas para a produção metalúrgica, de sal, do vidro, da cerâmica, além de cal e gesso; no ambiente doméstico, como na cozinha, para o aquecimento e para a iluminação. As cinzas serviam de matéria-prima para a produção de sabão e detergentes, tinturaria, fabricação de vidros e fertilizantes.
Na construção de edifícios, ela estava presente em fortificações, paliçadas, pontes, navios e outros meios de transporte. A madeira era também utilizada para a confecção de inúmeros instrumentos de trabalho agrícola, como arados. Mobiliário e utensílios utilizados no cotidiano, como os destinados à alimentação e a diversos outros usos, tinham a madeira como matéria-prima. Até os instrumentos militares tinham partes que eram fabricadas a partir da madeira.
O historiador francês Marc Bloch chegou a afirmar que a Idade Média viveu sob o signo da madeira, tamanha era a dependência dos homens e mulheres medievais em relação a essa matéria-prima. Inclusive na estética das edificações, havia afirmações que as construções em madeira eram mais belas que as construídas de pedra.
Essa dependência levou João Bernardo a escrever que por ocupar o lugar central na vida produtiva medieval, possivelmente não teria “existido nenhum outro sistema tecnológico tão inteiramente dependente de um material único”1, sendo utilizado para uma gama tão vasta de atividades. O historiador ainda contrapõe as teses ecologistas, contrárias à produção capitalista, que criticam o uso do carvão e do ferro como causadores iniciais dos desequilíbrios ambientais provocados pela civilização industrial, ao fato de que os materiais adotados nos primórdios do capitalismo eram uma reação ao esgotamento da madeira nos bosques europeus.
Dessa forma, as novas matérias-primas e técnicas contribuíram para a diminuição da extração madeireira nas áreas florestais, ao passo que diminuíram a dependência em relação à madeira como principal matéria-prima do sistema tecnológico medieval.

14.226-Idade Média – A queda de Constantinopla


historia constantino
É um fato de extrema importância em termos históricos. Para que se tenha uma dimensão dessa importância, basta pensarmos que o dia em que ela ocorreu, 29 de maio de 1453, foi por muito tempo (e ainda é, em alguns casos) considerado o marco do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A queda de Constantinopla foi o símbolo do declínio do Império Romano do Oriente (também conhecido como Império Bizantino), inaugurado por Constantino – que havia dado seu nome à cidade – no século IV d.C. Esse mesmo acontecimento marcou também o triunfo de outro império, o Otomano, que se formou a partir de um sultanato turco, em 1299, e foi o responsável pela conquista de Constantinopla.
O Império Romano do Oriente representava, na Idade Média, o que ainda havia de mais poderoso, em termos institucionais, herdado da antigo Império Romano. Por estar localizada em um lugar estratégico da Anatólia (Ásia Menor), Constantinopla sempre foi uma cidade cobiçada por diversas civilizações. Muitos tentaram subjugá-la, desde bárbaros, hunos e até os cavaleiros cruzados cristãos.
Os ataques frequentes acabaram por deixar as defesas da cidade em péssimas condições, e o seu território, drasticamente reduzido. Ainda que durante o século XIV tivessem negociado várias vezes com os bizantinos, na época do imperador João V Paleólogo, os otomanos, que disputavam espaço na Anatólia, sob o comando do sultão Mehmed II, deram o golpe fatal contra a cidade. Famosa por sua muralha que a protegera por séculos, Constantinopla não foi capaz de resistir ao poder dos canhões otomanos. Com a batalha vencida, Mehmed II logo se prontificou a estabelecer vínculos simbólicos com a cidade. A principal referência cristã de Constantinopla, a basílica de Hagia Sofia (Santa Sabedoria), foi transformada em mesquita no mesmo dia em que os otomanos conseguiram transpor as muralhas, como narra o historiador Alan Palmer:
Quando o Sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu tordilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em Mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago.
Um tempo depois a cidade de Constantinopla receberia o nome de Istambul (nome que significa “na cidade”) e se tornaria a sede do Império Otomano. Esse Império sobreviveu até o início do século XX, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o que provocou o esfacelamento de sua unidade.

14.225 – História – Texto da Idade Média


idade media
No final do século V, o término de uma série de processos de longa duração, entre eles o grave deslocamento econômico e as invasões e os assentamentos dos povos germanos no Império Romano, transformou a face da Europa.
Durante esse período não existiu realmente um mecanismo de governo unitário nas diversas entidades políticas, embora tenha ocorrido a formação dos reinos. O desenvolvimento político e econômico era fundamentalmente local, e o comércio regular desapareceu quase totalmente. Com o fim de um processo iniciado durante o Império Romano, os camponeses começaram seu processo de ligação com a terra e de dependência dos grandes proprietários para obter proteção. Essa situação constituiu a semente do regime senhorial. Os principais vínculos entre a aristocracia guerreira foram os laços de parentesco, embora também tenham começado a surgir as relações feudais.
Durante a Idade Média européia, os camponeses passaram, obrigatoriamente, a viver e trabalhar em um único lugar a serviço dos nobres latifundiários. Esses trabalhadores chamados servos que cuidavam das terras de seu dono, a quem chamavam de senhor, recebiam em troca uma humilde moradia, um pequeno terreno adjacente, alguns animais de granja e proteção ante os foragidos e os demais senhores. Os servos deviam entregar parte de sua própria colheita como pagamento e estavam sujeitos a muitas outras obrigações e impostos.
A única instituição européia com caráter universal era a Igreja, mas dentro dela também ocorreu uma fragmentação na autoridade. Em seu núcleo havia tendências que desejavam unificar os rituais, o calendário e as regras monásticas, opostas à desintegração local.
Foi respondendo “Deus o quer” que a multidão reunida em Clermont no dia 27 de novembro de 1095 acolheu a prédica do papa Urbano II em favor da guerra santa destinada a libertar o sepulcro de Cristo do controle dos “infiéis”. A repercussão a esse apelo foi tal, que as Cruzadas, que constituíram o fato político e religioso mais importante da Idade Média, marcaram a história do Ocidente durante dois séculos.
A atividade cultural durante o início da Idade Média consistiu principalmente na conservação e sistematização do conhecimento do passado.
Essa primeira etapa da Idade Média foi encerrada no século X com a segunda migração germânica e as invasões protagonizadas pelos vikings, procedentes do norte, e pelos magiares das estepes asiáticas.

A Alta Idade Média
Até a metade do século XI, a Europa se encontrava em um período de evolução desconhecido até esse momento. A época das grandes invasões havia chegado ao fim e o continente europeu experimentava o crescimento dinâmico de uma população já assentada. Renasceram a vida urbana e o comércio regular em grande escala. Ocorreu o desenvolvimento de uma sociedade e uma cultura complexas, dinâmicas e inovadoras.
Durante a Alta Idade Média, a Igreja Católica, organizada em torno de uma hierarquia estruturada, com o papa como o ápice indiscutível, constituiu a mais sofisticada instituição de governo na Europa Ocidental. As ordens monásticas cresceram e prosperaram participando ativamente da vida secular. A espiritualidade da Alta Idade Média adotou um caráter individual, pelo qual o crente se identificava de forma subjetiva e emocional com o sofrimento humano de Cristo.
Dentro do âmbito cultural, houve um ressurgimento intelectual com o desenvolvimento de novas instituições educativas como as escolas catedráticas e monásticas. Foram fundadas as primeiras universidades; surgiram ofertas de graduação em medicina, direito e teologia, além de ter sido aberto o caminho para uma época dourada para a filosofia no ocidente.
Também surgiram inovações no campo das artes. A escrita deixou de ser uma atividade exclusiva do clero e o resultado foi o florescimento de uma nova literatura, tanto em latim como, pela primeira vez, em línguas vernáculas. Esses novos textos estavam destinados a um público letrado que possuía educação e tempo livre para ler. No campo da pintura foi dada atenção sem precedentes à representação de emoções extremas, à vida cotidiana e ao mundo da natureza. Na arquitetura, o românico alcançou sua perfeição com a edificação de incontáveis catedrais ao longo de rotas de peregrinação no sul da França e Espanha, especialmente o Caminho de Santiago, inclusive quando começava a surgir o estilo gótico, que nos séculos seguintes se converteu no estilo artístico predominante.
O século XIII foi o século das Cruzadas, defendidas pelo Papado para libertar os Lugares Santos no Oriente Médio que estavam nas mãos dos muçulmanos. Essas expedições internacionais foram mais um exemplo da unidade européia centrada na Igreja, embora também tenham sido influenciadas pelo interesse em dominar as rotas comerciais do oriente.

A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média foi marcada pelos conflitos e pela dissolução da unidade institucional. Foi então que começou a surgir o Estado moderno, e a luta pela hegemonia entre a Igreja e o Estado se converteu em um traço permanente da história da Europa nos séculos posteriores.
A espiritualidade da Baixa Idade Média foi o autêntico indicador da turbulência social e cultural da época, caracterizada por uma intensa busca da experiência direta com Deus, através do êxtase pessoal ou mediante o exame pessoal da palavra de Deus na Bíblia.
A situação de agitação e inovação espiritual culminaria com a Reforma protestante. As novas identidades políticas conduziriam ao triunfo do Estado nacional moderno, e a contínua expansão econômica e mercantil estabeleceu as bases para a transformação revolucionária da economia européia.

14.224 – Universidades da Idade Média


No tramitar da Idade Média, uma grande parte da população não tinha acesso ao conhecimento, nem mesmo o básico que é ler e escrever, e não tinha nenhuma perspectiva na vida de reter tais conhecimentos.
O que ocorria neste período é o que ocorre nos dias atuais, as disparidades financeiras e de oportunidades. Na Idade Média ler e escrever eram privilégio de uma estreita parcela da população composta por integrantes da igreja e comerciantes.
As primeiras escolas medievais se instalavam e eram regidas pelas igrejas e mosteiros, a partir do século XII, houve uma conscientização acerca da educação, pois a formação se fazia importante no comércio, que utilizava a escrita e o cálculo, e nesse mesmo período surgiram escolas fora da igreja.
As universidades tiveram início no século XIII, como um tipo de associação de professores e alunos que se unia para questionar as autoridades, a universidade da França surgiu a partir de uma associação de professores e a da Itália foi composta por alunos.
As universidades da Idade Média permitiam dentro de suas dependências o livre pensamento e ideologias, nesta época existia faculdade de artes, medicina, direito e teologia, todas as aulas eram ministradas em latim assim como grande parte das obras escritas.
No século XI desenvolveu-se uma literatura variada: A poesia épica (falava sobre heróis e honra), a poesia amorosa (falava de amor e admiração à mulher) e Romance (guerra, aventura e amor).
No campo da filosofia, os principais eram Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, o primeiro defendia a razão e o mundo espiritual como superior e o segundo afirmava que o homem não devia se apoiar na religião.

14.223 – História – A Idade Moderna


a-idade-moderna
Ao pensar em modernidade, muitas pessoas logo imaginam que estamos fazendo referência aos acontecimentos, instituições e formas de agir presente no Mundo Contemporâneo. De fato, esse termo se transformou em palavra fácil para muitos daqueles que tentam definir em uma única palavra o mundo que vivemos. Contudo, não podemos pensar que esse contexto mais dinâmico e mutante surgiu do nada, que não possua uma historicidade.
Entre os séculos XVI e XVIII, um volume extraordinário de transformações estabeleceu uma nova percepção de mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período histórico. De fato, as percepções do tempo e do espaço, antes tão extensas e progressivas, ganharam uma sensação mais intensa e volátil.
O processo de formação das monarquias nacionais pode ser um dos mais interessantes exemplos que nos revela tal feição. Nesse curto espaço de quase quatro séculos, os reis europeus assistiram a consumação de seu poder hegemônico, bem como experimentaram as várias revoluções liberais defensoras da divisão do poder político e da ampliação dos meios de intervenção política. Tronos e parlamentos fizeram uma curiosa ciranda em apenas um piscar de olhos.
Além disso, se hoje tanto se fala em tecnologia e globalização, não podemos refutar a ligação intrínseca entre esses dois fenômenos e a Idade Moderna. O advento das Grandes Navegações, além de contribuir para o acúmulo de capitais na Europa, também foi importante para que a dinâmica de um comércio de natureza intercontinental viesse a acontecer. Com isso, as ações econômicas tomadas em um lugar passariam a repercutir em outras parcelas do planeta.
No século XVIII, o espírito investigativo dos cientistas e filósofos iluministas catapultou a busca pelo conhecimento em patamares nunca antes observados. Não por acaso, o desenvolvimento de novas máquinas e instrumentos desenvolveram em território britânico o advento da Revolução Industrial. Em pouco tempo, a mentalidade econômica de empresários, consumidores, operários e patrões fixaram mudanças que são sentidas até nos dias de hoje.
Em um primeiro olhar, a Idade Moderna pode parecer um tanto confusa por conta da fluidez dos vários fatos históricos que se afixam e, logo em seguida, se reconfiguram. Apesar disso, dialogando com eventos mais específicos, é possível balizar as medidas que fazem essa ponte entre os tempos contemporâneo e moderno. Basta contar com um pouco do tempo… Aquele mesmo que parece ser tão volátil nesse instigante período histórico.

14.222 – A Descoberta da Austrália


5.0.3
O capitão europeu James Cook foi quem descobriu a Austrália quando explorava o continente para o Reino Unido. A descoberta foi no dia 21 de agosto de 1770 e recebeu o nome de Nova Gales do Sul. A região já havia sido visitada por portugueses em 1522 e em 1525 e por neerlandeses no século XVII. Foi postulada pelo geógrafo Ptolomeu que denominou o continente de Terra Australis Incógnita com a hipótese de ser fonte do rio Nilo. A terra australis provocava obsessão e imaginação aos navegadores que pensavam haver grandes riquezas de ouro e especiarias. Foi preciso quase 300 anos de viagens para que James Cook no final do século XVIII descobrisse a terra que hoje é chamada de Austrália. Após descobrir que a terra australis não era as terras do sul, também a abandonou assim como fez os portugueses. Somente em 1642 que a Austrália foi oficialmente descoberta. Um holandês chamado Abel Tasman chegou numa ilha ao sul da Austrália e então a chamou Tasmânia. Em 1868, a terra descoberta foi usada para abrigar 168.000 ingleses que cumpriam pena, eram ladrões, trapaceiros e convictos. Em 1830, o envio dos ingleses já tinha sido suspenso e então passou a ser cobiçada pelos fazendeiros ingleses. Em 1851, foram descobertas grandes quantidades de ouro por todo o território, o que atraiu vários curiosos e gananciosos por fortunas.

14.221 – A Escravidão e o Mercado Mundial


Uma das características principais do comércio executado no oceano Atlântico, durante a época moderna, incidiu sobre a troca de trabalhadores escravos africanos com as colônias europeias nas Américas. A escravidão moderna se baseava na troca desses trabalhadores por mercadorias produzidas nas colônias e representou uma importante fonte de lucro e de acumulação de capital para os capitalistas europeus, além de criar as condições de desenvolvimento do mercado mundial capitalista.
A escravidão moderna era, em alguns aspectos, diferente da praticada na Antiguidade (Grécia, Roma e Egito, por exemplo), que se pautava diretamente na apreensão de contingentes populacionais aprisionados em decorrência de guerras e/ou dívidas entre pessoas.
A adoção da força de trabalho escrava marcou profundamente as sociedades em relação aos aspectos culturais, econômicos e sociais. Este foi o caso do Brasil e dos EUA, por exemplo, em que uma parcela grande de suas populações foi formada por pessoas de origem africana, cujos ascendentes foram deslocados para os territórios na América e marcaram sua presença na música, culinária etc.
Levando em consideração que sem trabalhadores não há produção, o tráfico de escravos foi um componente essencial na utilização do Oceano Atlântico para a construção de uma rede mundial de comércio. Dependente desta mão de obra para a produção agrícola e para a extração mineral nas colônias americanas, os investidores europeus utilizaram uma comércio triangular entre os continentes africano, europeu e americano, escoando a produção colonial e suprindo de mão de obra as localidades que dela necessitavam. Para manter constantes essas trocas, foram construídos portos, cidades e rotas de navegação que até os dias de hoje são utilizados para o comércio internacional. Além disso, gerou altos lucros aos comerciantes, garantindo investimentos industriais que foram fundamentais para o desenvolvimento do modo de produção capitalista.
Porém, o uso desse tipo de força de trabalho diferenciou-se das demais formas de uso de mão de obra, pois não era baseado em relações de parentesco, não estava ligado ao ambiente doméstico familiar (como no caso da servidão medieval) e nem era pautado na contratação individual mediante um salário. Essa diferença em relação ao trabalho assalariado foi de suma importância para os esforços de extinção de sua utilização, principalmente por pressão da Inglaterra.
Principal país industrializado do século XIX, a Inglaterra precisava alargar o mercado consumidor de seus produtos. No entanto, a manutenção de grandes contingentes de trabalhadores que não eram assalariados impedia esse crescimento. Este foi o principal motivo para as várias tentativas de proibição do tráfico de escravos no oceano Atlântico, o que acabou ocorrendo a partir da segunda metade do século XIX. Apesar de seu fim, o comércio de trabalhadores escravos da África garantiu a consolidação de uma importante rota comercial utilizada até hoje e que foi de suma importância para a construção do mercado mundial capitalista.

14.220 – O Iluminismo Frances


pensadores-iluministas-53f7a68b2f92b
O movimento Iluminista aconteceu entre 1680 e 1780, em toda a Europa, sobretudo na França, no século XVIII. O Iluminismo caracterizou-se pela importância dada à razão. Com isso, a razão encaminharia o homem à sabedoria e o conduziria à verdade. A maior expressão da manifestação aconteceu com o Iluminismo Francês, a partir daí propagou-se por todo o mundo ocidental. Notamos que nesse período a França era atormentada pelas contradições do antigo Regime e, principalmente, pelo jugo de um sistema fundiário moroso, de caráter aguçado, que por fim gerou insatisfação nos diversos setores da sociedade, especialmente entre a burguesia e os pequenos camponeses.
A Teoria Iluminista francesa contou com o apoio de grandes intelectuais da época, como Voltaire (1694-1778). Voltaire assumiu um tom extremamente crítico do ideário iluminista, escritor competente e intelectual combativo, ele criticava ferozmente os privilégios da nobreza e do clero, apesar de acreditar em Deus. Suas posições o levaram ao exílio na Inglaterra, onde entrou em contato com as ideias de Jonh Locke e Isaac Newton. O iluminista pregava a liberdade de expressão e a igualdade de direitos, lutava contra a opressão absolutista, mas reconhecia em suas reflexões políticas que certos países, os mais atrasados, deveriam ser governados por monarcas centralizadores acompanhados por pensadores iluministas; era o despotismo esclarecido tomando forma. Apesar de assumir posições favoráveis à liberdade e igualdade de direitos, Voltaire não encarava com bons olhos a população mais pobre, desprezando-a completamente.
Um dos raros pensadores de tradição nobre que assumiu as ideias iluministas foi Montesquieu (1689-1755). Em sua maior obra, O Espírito das Leis, ele defendeu a visão do poder em três esferas, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Cada um deles deveria ao mesmo tempo ser independente e fiscalizar os outros. O aristocrata francês era contrário às revoluções, propôs um sistema de governo com um poder Executivo limitado pelo Parlamento, cujos membros seriam recrutados entre proprietários de terra e pessoas educadas da sociedade. Ele acreditava que a honra aristocrática impunha aos parlamentos servir a comunidade.
Um dos mais destacados e originais pensadores iluministas foi Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Diferentemente da maioria dos iluministas, ele não era um defensor incondicional do racionalismo. Suas principais obras foram O discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens e O contrato social. No primeiro livro ele defendia que o homem, na sua essência mais natural, era bom, assim a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade o depravou, tornando-o miserável. A origem da infelicidade humana e das diferenças sociais estaria no surgimento da propriedade privada da terra. No O Contrato Social ele defendia a concepção de que a democracia baseava-se na vontade da maioria, isto é, na soberania do povo, que se manifestava pelo voto. Os governos eleitos, portanto, deveriam refletir e seguir essa vontade geral. Ele advogava a favor da soberania popular.
É importante ressaltar como as ideias iluministas francesas influenciaram as instituições políticas modernas. Até hoje, com pequenas modificações, a maioria dos países mantém características iluministas.

14.219 – História – A Prostituição no Renascimento


Se no período medieval as prostitutas eram alvo de um dilema entre a fé e a necessidade, percebemos que os tempos da renascença empreenderam um outro conjunto de questões e valores a esse mesmo tipo de atividade. Afinal de contas, o desenvolvimento das cidades estabeleceu um crescimento de tal atividade entre os vários homens que circulavam entre as feiras e casas de comércio daquela época.
Nesses novos tempos, percebemos que a marginalização das prostitutas através do uso de roupas e acessórios especiais começou a perder a sua força. De fato, esses ícones de exclusão social passaram a ser necessariamente empregados somente quando uma mulher sofria uma punição judicial pelos crimes de adultério, licenciosidade ou prostituição. No mais, não é muito difícil perceber que o ofício das prostitutas sofreu uma notável valorização.
As mais famosas cortesãs dessa época não ficavam disponíveis em bordéis. Muitas delas viviam em ambiente recluso e tinham a oportunidade de escolherem deliberadamente a quem desejavam prestar os seus serviços. Aquelas que se envolviam com amantes ricos poderiam formar uma grande fortuna. Entretanto, esse tipo de oportunidade só era possível entre as prostitutas que eram limpas, tinham boa aparência, vestiam-se bem, falavam mais de uma língua, tocavam instrumentos e recitavam poemas.
Ainda que os bordéis populares ainda perdurassem, as prostituas já viviam uma situação diferente por meio dessas exigências e elementos de distinção. Segundo algumas pesquisas, os países católicos se destacavam por dar maior espaço a uma prostituição que servia como entretenimento da aristocracia. Já nos países tomados pelo protestantismo, a perseguição era rígida ao ponto de marcarem o corpo das prostitutas com ferro quente, espancá-las em público ou cortarem seus cabelos.
Em tempos de intensa atividade comercial, algumas cidades mercantis se preocupavam com a adoção de leis e políticas que regulamentassem o exercício da prostituição. Afinal de contas, um núcleo urbano não era afamado somente pelas especiarias que vendia em suas feiras. Em alguns casos, as prefeituras locais organizavam sistemas de aposentadoria às suas prostituas ou organizavam o bordel como um espaço público, no qual parte dos ganhos era tomado como imposto.

14.218 – A Reforma Religiosa


lutero
Os movimentos religiosos que culminaram na grande reforma religiosa do século XVI tiveram início desde a Idade Média, através dos teólogos John Wycliffe e Jan Huss. Esses movimentos foram reprimidos, mas, na Inglaterra e na Boêmia (hoje República Tcheca), os ideais reformistas perseveraram em circunstâncias ocultas às tendências que fizeram romper a revolta religiosa na Alemanha.
No começo do século XVI, a Igreja passava por um período delicado. A venda de cargos eclesiásticos e de indulgências e o enfraquecimento das influências papais pelo prestígio crescente dos soberanos europeus, que muitas vezes influenciavam diretamente nas decisões da Igreja, proporcionaram um ambiente oportuno a um movimento reformista.
No final da Idade Média surgiu um forte espírito nacionalista que se desenvolveu em vários países onde a figura da Igreja, ou seja, do Papa, já estava em descrédito. Esse espírito nacionalista foi estrategicamente explorado pelos príncipes e monarcas, empenhados em aumentar os poderes monárquicos, colocando a Igreja em situação de subordinação.
Nesse período, os olhos se voltaram para o grande patrimônio da Igreja, que despertou a ambição de monarcas e nobres ávidos em anexar às suas terras as grandes e ricas propriedades da Igreja, que perfaziam um terço do território da Alemanha e um quinto do território da França. Sem contar na isenção de impostos sobre esse território eclesiástico, que aumentava o interesse dos mais abastados.
Observa-se nessa fase o surgimento de uma nova classe social, que na Itália era formada por banqueiros e comerciantes poderosos. Mas essa classe social não era tão religiosa quanto à da Alemanha, para a qual a religião tinha um significado muito mais pungente.
O espírito crítico do Humanismo e o aperfeiçoamento da imprensa, por Gutemberg, contribuíram para a difusão das obras escritas, entre elas a Bíblia. Ao traduzir a Bíblia para outras línguas, vislumbrou-se a possibilidade de cristãos e não cristãos interpretá-la sem mediação, recebendo conhecimento imediato sobre o cristianismo e suas verdadeiras práticas.
O ponto de partida da reforma religiosa foi o ataque de Martinho Lutero, em 1517, à prática da Igreja de vender indulgências. Martinho Lutero era um monge da ordem católica dos agostinianos, nascido em Eisleben, em 1483, na Alemanha. Após os primeiros estudos, Lutero matriculou-se na Universidade de Erfurt, em 1501, onde se graduou em Artes. Após ter passado alguns anos no mosteiro, estudando o pensamento de Santo Agostinho, foi nomeado professor de teologia da Universidade de Wittenberg.

Lutero admirava os escritos e as ideias de Jan Huss sobre a liberdade cristã e a necessidade de reconduzir o mundo cristão à simplicidade da vida dos primeiros apóstolos. Através de exaustivo estudo, Lutero encontrou respostas para suas dúvidas e, a partir desse momento, começou a defender A doutrina da salvação pela fé. Ele elaborou 95 teses que criticavam duramente a compra de indulgências. Eis algumas delas:

Tese 21 – Estão errados os que pregam as indulgências e afirmam ao próximo que ele será liberto e salvo de todo castigo dos pecados cometidos mediante indulgência do papa.
Tese 36 – Todo cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado tem total perdão dos pecados e consequentemente de suas dívidas, mesmo sem a carta de indulgência.
Tese 43 – Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que dá aos pobres ou empresta a quem necessita age melhor do que se comprasse indulgências.
Esses princípios foram considerados uma afronta à Igreja Católica. Em 1521, o monge agostiniano, já declarado herege, foi definitivamente excomungado pela Igreja Católica, refugiando-se na Saxônia. Lutero não tinha a pretensão de dividir o povo cristão, mas a repercussão de suas teses foi amplamente difundida; e suas ideias, passadas adiante. Através da tradução da Bíblia para o idioma alemão, o número de adeptos às ideias de Lutero aumentou largamente; e, por outro lado, o poder da Igreja diminuiu consideravelmente.
Seus ideais reformistas religiosos desencadearam revoltas e assumiram dimensões politicas e socioeconômicas que fugiram do seu controle. A revolta social instalou-se e o descontentamento foi geral. Os príncipes tomaram as terras pertencentes à Igreja Católica e os camponeses revoltaram-se, em 1524, contra a exploração da Igreja e dos príncipes. Lutero, que era protegido pelos príncipes, condenou a revolta dos camponeses e do líder protestante radical, Thomaz Munzer. Munzer foi decapitado e um grande número de camponeses revoltados foi massacrado pelos exércitos organizados pelos príncipes locais apoiados por Lutero, que dizia “não há nada mais daninho que um homem revoltado…”.
A preocupação de Lutero em defender as aspirações feudais fez com que sua doutrina fosse considerada uma religião, a religião dos nobres. Esses nobres assumiram cargos importantes na Igreja, que foi chamada de Igreja Luterana. A reforma religiosa de Lutero chegou a outros países, como a Dinamarca, Suécia, Noruega, os quais foram rompendo os laços com a Igreja Católica, fomentando a reorganização das novas doutrinas religiosas.

14.217 – Historia da Astronomia


astronomia
Quem já teve a oportunidade de olhar para o céu bem escuro fora das cidades deve ter visto uma faixa iluminada no céu. Essa faixa deu origem ao nome Via Láctea, que vem do latim e quer dizer “caminho leitoso”, segundo os antigos romanos. Ela mostra a nossa galáxia sob o nosso ponto de vista, já que estamos dentro dela.
Mas custou muito para entendermos que nós mesmos estávamos dentro de uma galáxia. Há alguns séculos, já observávamos objetos bem peculiares que apresentavam um aspecto “de nuvem” e por isso as galáxias eram chamadas de nebulosas.
Em 1864, o astrônomo inglês William Huggins decompôs a luz da “nebulosa de Andrômeda” (que é visível a olho nu) e descobriu que ela continha estrelas. Em 1920, aconteceu um grande debate histórico entre dois astrônomos, Heber Curtis e Harlow Shapley, para tentar resolver a questão: estávamos nós mesmos dentro de uma dessas “nebulosas”? No final, quem ganhou o debate foi Shapley, mas com a ideia errada. E só em 1924 o astrônomo Edwin Hubble resolveu o assunto ao medir a distância de estrelas em Andrômeda. Foi ele também que começou a chamar as nebulosas de galáxias.
Nossa galáxia é classificada pelos astrônomos como uma galáxia espiral. As espirais possuem três regiões bem distintas: um disco onde estrelas, poeira e gás estão distribuídos em faixas chamadas braços, um “caroço” central denominado bojo e um envoltório chamado halo. O disco da Via Láctea tem diâmetro de 100 mil anos-luz e é povoado por estrelas, planetas, poeira e gás. São os braços do disco que formam o “caminho leitoso” que observamos em um céu bem escuro.
O Sol habita um dos braços da Via Láctea e está a 28 mil anos–luz do Centro Galáctico. O Sol e todo o Sistema Solar giram em torno desse centro e levam 220 milhões de anos para dar uma volta completa. No interior do caroço central da galáxia há um buraco negro gigante, com milhões de vezes a massa do Sol, que, vira e mexe, engole estrelas e gás. Estamos acompanhando esses eventos com telescópios gigantes no Chile e no Havaí.

14.216 – A Sonda Solar Orbiter


solar orbiter
Lançada pela NASA e ESA

O objetivo do aparelho é fotografar os polos sul e norte do Sol pela primeira vez, o que promete complementar nosso conhecimento sobre a estrela do Sistema Solar.
Segundo os astrônomos, a cada 11 anos a atividade solar tem seu pico, o que resulta em explosões que lançam matéria pelo espaço. Além disso, nesse intervalo de tempo os polos magnéticos do Sol de invertem: o norte vira o sul e o sul vira o norte.
A Sonda Parker, lançada em 2018, trouxe informações únicas para nós. Mas o foco dessa missão é explorar a corona do Sol, que é a parte mais externa da estrela. Já a Solar Orbiter também irá estudar essa parte do astro, mas com outro intuito.
“Com o Solar Orbiter focando diretamente nos polos, poderemos ver as enormes estruturas de buracos coronais”, disse Nicola Fox, diretor da Nasa, em comunicado. “É daí que todo o vento solar rápido vem. Será realmente uma visão completamente diferente.”
Para proteger os instrumentos sensíveis da espaçonave do calor escaldante do Sol, os engenheiros criaram um escudo térmico com um revestimento preto externo feito de carvão de osso queimado semelhante ao usado nas pinturas rupestres pré-históricas. O escudo térmico tem 40 centímetros de espessura e é feito de uma folha de titânio para resistir à radiação.
De acordo com os especialistas, o aparato deve se aproximar da nossa estrela até 2021 e enviar as primeiras informações em 2022. “Nosso entendimento do Sol irá mudar dramaticamente. Posso dizer que estamos vivendo em um momento revolucionário nessa área”, comentou Teresa Neves-Chinchilla, uma das pesquisadoras, em vídeo.
Lançamento da Sonda
O lançamento ocorreu em 10 de fevereiro de 2020, às 04:03 UTC, em um foguete United Launch Alliance Atlas V 411 do Space Launch Complex 41 em Cape Canaveral.
A bordo estão dez instrumentos científicos, totalizando 209 quilos de carga útil, para uma missão de mais de 1,5 mil milhões de dólares. Depois de passar pelas órbitas de Vénus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245.000 km/h, poderá aproximar-se até 42 milhões de km do Sol, ou seja, menos de um terço da distância que o separa da Terra. A sonda é protegida por uma blindagem térmica, pois as temperaturas a que será exposta atingirão 600°C.
A sonda espacial e seus instrumentos, incluindo seu conjunto solar de 18 m, foram projetados para sobreviver a temperaturas escaldantes de até 500 ° C e suportar um cerco constante por partículas do vento solar com carga excepcional por pelo menos sete anos.
SWA – Solar Wind Plasma Analyzer (Reino Unido): consiste em um conjunto de sensores que medem as propriedades de massa de íons e elétrons (incluindo densidade, velocidade e temperatura) do vento solar, caracterizando o vento solar entre 0,28 e 1,4 UA do sol. Além de determinar as propriedades do volume do vento, o SWA fornecerá medições da composição de íons de vento solar para elementos-chave (por exemplo, o grupo C, N, O e Fe, Si ou Mg).
PHI – Polarimetric and Helioseismic Imager (Alemanha): Para fornecer medições em alta resolução e em disco completo do campo magnético do vetor fotográfico e velocidade da linha de visão (LOS), bem como a intensidade contínua na faixa visível do comprimento de onda. Os mapas de velocidade do LOS terão precisão e estabilidade para permitir investigações heliossísmicas detalhadas do interior solar, em particular da zona de convecção solar, medições de alta resolução e disco completo do campo magnético fotográfico.
EUI – Extreme Ultraviolet Imager (Bélgica): Para fornecer seqüências de imagens das camadas atmosféricas solares acima da fotosfera, fornecendo assim um elo indispensável entre a superfície solar e a coroa externa que molda as características do meio interplanetário. Além disso, forneça as primeiras imagens UV do Sol desde um ponto de vista fora da eclíptica (até 34 ° de latitude solar durante a fase prolongada da missão)
METIS – Coronagraph (Itália): Imaginar simultaneamente a emissão visível, ultravioleta e extrema ultravioleta da coroa solar e diagnosticar, com cobertura temporal e resolução espacial sem precedentes, a estrutura e dinâmica da coroa completa na faixa de 1,4 a 3,0 (de 1,7 a 4,1) raios solares do centro do sol, no periélio mínimo (máximo) durante a missão nominal. Esta é uma região que é crucial na ligação dos fenômenos atmosféricos solares à sua evolução na heliosfera interna.
SoloHI – Gerador heliosférico de orbital solar (Estados Unidos): Para visualizar tanto o fluxo quase constante quanto os distúrbios transitórios no vento solar sobre um amplo campo de visão, observando a luz solar visível dispersa pelos elétrons do vento solar. Ele fornecerá medidas únicas para identificar as ejeções de massa coronal (CMEs). (NRL fornecido).