14.151 – Colonização da Lua – Projeto Gateway visa a construção de um quartel general no satélite para levar astronautas para o planeta vermelho


colonizar-outros-planetas-3
A nave, que levará o mesmo nome do projeto, está em processo de construção e sua primeira parte deverá ser lançada ao espaço em 2022. Outras dois módulos serão lançados posteriormente para acoplar o sistema, que ficará orbitando a Lua. O primeiro teste não tripulado da iniciativa deverá entrar em órbita já em 2020.

A ideia é que o Gateway se torne uma espécie de “quartel general espacial” no satélite da Terra. Com isso, a nave seria um primeiro passo na colonização da Lua. A NASA já estuda a construção de estruturas no solo lunar. Outras agências espaciais como as de Japão, Rússia e Canadá também fazem parte do projeto encabeçado pelos norte-americanos.

“Trabalhando com agências internacionais, a NASA vai mudar o paradigma da exploração humana no espaço. O Gateway pretende estabelecer uma presença humana constante na Lua para descobrir novos avanços científicos e dar o primeiro passo para que empresas passem a construir uma economia lunar”, diz a página oficial da agência.

“Nós queremos que o Gateway seja um novo espaço para o melhor que o mundo tem a oferecer em ciência e tecnologia. A agência quer usar o projeto para observar a Terra de uma nova perspectiva, estudar o Sol e ter uma visão desobstruída do vasto universo”, revela o documento.

O escritório da NASA em órbita também é importante para que a exploração humana do universo avance drasticamente. Após o fim da Guerra Fria e a chegada à Lua, a corrida espacial perdeu parte de seu sentido e o avanço das tecnologias fez com que as agências espaciais explorassem o Sistema Solar através de robôs e sondas.

Agora, os norte-americanos querem usar o satélite como uma espécie de escala para fazer a sonhada missão tripulada para Marte. “As tecnologias do projeto Gateway serão fundamentais para que consigamos fazer a viagem de de 34 milhões de milhas até Marte”, explica a agência.
Ainda segundo a agência, “as explorações da Lua e de Marte estão entrelaçadas”, uma vez que as novas ferramentas que serão testadas no satélite da Terra tendem a ser chave para o próximo passo na exploração do Sistema Solar.

Devido à ambição do Gateway, o governo norte-americano deve injetar U$ 1,6 bilhão no orçamento da NASA já para o ano que vem.

De acordo com a NASA, também estão entre os principais objetivos da colonização da Lua e da chegada em Marte explorar as dificuldades de se viver no espaço, descobrir e utilizar novos recursos naturais e estudar opções para descarte de lixo. A expectativa da NASA é que o projeto Gateway esteja totalmente pronto em 2026.

14.150 – Colonização da Lua – Agora vai


coloniz Lua
Quando um ser humano pisou pela primeira vez na superfície lunar, em 20 de julho de 1969, os olhos do mundo estavam vidrados na TV. A Nasa estima que o pouso da Apollo 11 tenha sido acompanhado por 530 milhões de pessoas. Uma em cada sete no planeta da época.
Era o auge da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética usaram a Lua como palco de exibição de seu poderio tecnológico: entre 1958 e 1976, EUA e URSS despacharam um total de 79 missões para lá. Foram em média quatro por ano.
Projetadas para sobrevoar, orbitar, impactar e pousar, essas expedições proporcionaram uma avalanche de informações sobre nosso satélite natural. E mais importante: presentearam os terráqueos com a chance de contemplar, pela primeira vez, seu próprio planeta de longe.
Até o final dos anos 1960, os soviéticos lideravam a corrida rumo à Lua. Seus dois principais programas, Luna e Zond, alcançaram feitos como o lançamento da primeira espaçonave a atingir a superfície lunar, a primeira a mandar de volta imagens do lado oculto da Lua, a primeira a realizar um pouso suave lá em cima, a primeira sonda a orbitá-la e, por último, mas não menos importante, a primeira a transportar formas de vida até lá e trazê-las de volta.
Foi em setembro de 1968, quando a União Soviética colocou tartarugas, moscas, larvas, plantas, sementes, bactérias e outros materiais biológicos a bordo da missão Zond 5. As tartarugas emagreceram: 10% de seu peso se foi, mas não perderam o apetite e permaneceram bem de saúde. Parecia estar tudo no jeito para que o primeiro cosmonauta – e ser humano – embarcasse em uma jornada lunar. Mas então os EUA dispararam seu tiro de misericórdia. Apenas três meses depois, lançaram a Apollo 8, primeira missão a levar astronautas à órbita da Lua e trazê-los de volta em segurança. Com as missões Apollo que se seguiram, os americanos roubaram a cena.
Markus Landgraf, analista de exploração humana e robótica da Agência Espacial Europeia (ESA), considera que o impacto científico do programa Apollo é subestimado até hoje. Segundo o analista, ele representou uma revolução na ciência do Sistema Solar, sendo diretamente responsável por boa parte do que sabemos sobre os planetas, o meio interplanetário e o Sol. Isso só foi possível graças aos 378 quilos de rochas e regolito trazidos de volta pelas seis Apollos que pousaram na Lua entre 1969 e 1972. Sondas soviéticas trouxeram apenas 301 gramas.
Análises dessas amostras nos forneceram um primeiro vislumbre detalhado sobre processos geológicos lunares e sua composição mineral. “O que é irônico, porque o programa Apollo nunca foi pensado para ser científico”, aponta Landgraf.
Desde 1972, com a derradeira Apollo 17, seres humanos nunca mais pisaram na Lua. A vitória americana colocou uma pá de poeira lunar na corrida espacial, e os dias de ouro da exploração lunar chegariam ao fim. E não foi só isso. “Assumiu-se que tudo o que havia para se saber da Lua já estava sabido.” Até entre os cientistas ganhou espaço a visão da Lua como um lugar morto, que pouco tinha a oferecer para o progresso das ciências espaciais.
Essa ideia, no entanto, vem sendo desconstruída. O renascimento da exploração lunar começou no século 21. Os japoneses firmaram seu programa espacial com a missão Selene, de 2007, que produziu o mapa mais detalhado do campo gravitacional lunar até o momento e obteve algumas das imagens mais estonteantes da Lua e da Terra, registradas por uma câmera de alta definição. Logo, outros agentes entrariam de cabeça nesse jogo.

14.149 – Câncer de Mama – Diagnóstico


mama diagnostico
O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos – os chamados TAAs (tumour-associated antigens). Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Usando uma tecnologia de triagem chamada protein microarray, os cientistas conseguiram rastrear as amostras de sangue quanto à presença de anticorpos desencadeados por 40 TAAs associados ao câncer de mama. Identificaram a doença em 37% das amostras de sangue colhidas de pacientes com câncer de mama, e constaram a ausência de câncer em 79% das amostras do grupo controle. Parece um índice ruim, mas é um resultado satisfatório para uma primeira pesquisa.
“Conseguimos detectar o câncer com razoável precisão, identificando esses anticorpos no sangue. Conforme o teste fique mais acurado, abre-se a possibilidade de usar um simples exame de sangue para o diagnóstico precoce dessa doença”, afirmou Daniyah Alfattani, um os autores do estudo. Segundo os cientistas, os anticorpos desencadeados por antígenos produzidos por células cancerígenas podem estar presentes no sangue desde muito antes da grande multiplicação de células doentes começar, ou seja, desde antes da própria formação do câncer.
Se esses resultados se repetirem em próximos exames, isso seria nada menos que uma revolução. Tanto que essas primeiras conclusões do estudo, apresentados na Conferência Nacional de Câncer em Glasgow, na Escócia, foram tidas como preliminares, e estão sendo encarados com cautela pela comunidade científica.
Mas a equipe de Nottingham está confiante: neste exato momento, os cientistas estão testando amostras de sangue de 800 pacientes.