14.069 – Automóvel – Por que os velocímetros nunca marcam a velocidade real?


velocimetro
A primeira resposta é simples: marketing. O fabricante procura passar a impressão de alto desempenho ao adotar um velocímetro cuja grafia vai muito além da velocidade máxima efetiva — mesmo que se considere nesta o erro do velocímetro, a influência de vento a favor, de declives, etc. Como exemplo extremo, o Clio nacional vem, desde seu lançamento, com velocímetro grafado até 240 km/h, incluindo a versão 1,0 de 59 cv, cuja máxima real (de acordo com o fabricante) é de 144 km/h. Nada menos que 66% de sobra!
Há, porém, uma atenuante: como muitas vezes o painel é o mesmo em diferentes versões de motorização, o carro mais fraco pode “passar por mentiroso” porque seu velocímetro prevê a abrangência da velocidade das versões mais potentes.
Quanto à diferença entre a velocidade indicada e a real, ela varia de modelo para modelo, de unidade para unidade e até em um mesmo automóvel durante sua vida útil. O simples desgaste dos pneus ou a variação de sua pressão de enchimento pode produzir diferenças na indicação. Em regra, porém, os velocímetros marcam cerca de 5% a mais que a velocidade real.
Isso acontece, de um lado, para causar a impressão de melhor desempenho e menor consumo (calculado a partir da quilometragem percorrida, o consumo parecerá menor que o efetivo), e de outro, para que pequenos excessos de velocidade não representem infração na realidade, livrando o motorista da multa. Assim, em muitos automóveis, pode-se trafegar a 130 km/h em uma estrada com limite de 120 km/h sem estar, na verdade, acima da velocidade permitida. Mas, em função das variações mencionadas, é melhor não contar com essa margem.