14.060 – Religião Viking


odin
Os povos Vikings, que habitaram a Escandinávia (atual Noruega, Suécia e Finlândia), no Norte da Europa, possuíam crenças religiosas pagãs, ou seja, não cristãs. Os mitos religiosos desses povos são conhecidos hoje como mitologia nórdica.
Os Vikings não eram extremamente religiosos, sendo o culto aos deuses realizado em épocas específicas ou em ocasiões individuais, isto é, quando uma pessoa procurava o favor divino. Um exemplo de festival religioso dos nórdicos era o Jól (também conhecido como Yule), que era realizado no inverno e que foi depois apropriado pelos cristãos e transformado na comemoração do nascimento de Cristo, o Natal. Outro exemplo de festival religioso é o Álfablót, que é visto de acordo com as fontes originais como festival de cura ou de celebração dos ancestrais. Já o culto individual estava relacionado com pedidos aos deuses e normalmente apresentava pequenos sacrifícios ou pequenos rituais de magia.
Apesar de não possuírem uma classe de sacerdotes dedicada à religião, essa função, principalmente nos rituais e festivais, era realizada pelos reis ou nobres em espaços sagrados ou templos construídos para finalidades religiosas, como o Templo de Uppsala, na Suécia. Os vikings acreditavam em seres míticos, como elfos (Álfar) e anões (Dvergar), além de gigantes (Jötunn) e dragões. Um ser mítico importante na religião viking era as Nornas, que eram seres divinos que regiam o destino dos homens. A visão de universo dos nórdicos estava centralizada na Yggdrasil, um freixo que interligava os nove mundos existentes.
Possuíam como principal deus Odin, considerado o deus mais poderoso da religião nórdica e chamado de “pai dos deuses”. Conforme Johnni Langer:
Outros deuses importantes eram Thor, Freyja, Balder, Týr, Loki etc. O fim do mundo para os nórdicos aconteceria no chamado Crepúsculo dos deuses (Ragnarök), no qual os deuses seriam destruídos, assim como parte do universo, após uma batalha final. Entretanto, estudos recentes defendem a influência do cristianismo no Ragnarök, e outros apontam que o mito do fim do universo possuía pouca influência na religiosidade viking. Os vikings foram gradativamente sendo cristianizados a partir do século X, com a religiosidade tradicional vinda do paganismo ficando restrita ao ambiente privado e presente no folclore popular nórdico.

14.059 – As invasões vikings


drakkars
Durante a Baixa Idade Média, a civilização viking deu início a uma série de invasões que marcariam o instável quadro político militar europeu. Pertencentes a uma civilização de forte tradição militarista, os vikings acreditavam que os conflitos ocupavam um importante espaço de suas crenças e práticas sociais. Dessa forma, entre os séculos VIII e XI, deflagraram um grande número de batalhas que tomaram boa parte do Velho Mundo.
Os vikings são oriundos das gélidas terras encontradas nas regiões da Noruega, Dinamarca e Suécia. Nestas regiões – apesar da falta de recursos fartos – praticavam a agricultura, a pesca e o comércio de diversos produtos como trigo, peixes, metais, madeira e alguns escravos. Historicamente, foram capazes de formar uma cultura autônoma, tendo em vista que os romanos não promoveram a ocupação dos domínios escandinavos.
Mesmo partilhando diversos hábitos e costumes, os vikings não experimentaram nenhum tipo de governo centralizado capaz de organizar as invasões à Europa. Geralmente, pequenos grupos independentes organizavam as pilhagens que começaram a atingir o mundo europeu a partir das ilhas britânicas. Faziam uso do drakkar, tipo de embarcação leve, com a qual os vikings alcançaram a Europa por vias marítimas e pluviais. Não por acaso, iniciaram a ocupação da Europa Continental adentrando o Rio Sena.

Apesar das invasões atingirem essas duas primeiras localidades, a ocupação dos vikings ocorreu simultaneamente em diversas partes da Europa. Um dos alvos mais visitados era a Irlanda, que devido à proximidade e a ajuda dos ventos fazia com que essa investida militar ocorresse sem maiores dificuldades. Enquanto os vikings noruegueses e dinamarqueses invadiam regiões da Espanha e da França, os suecos costumavam invadir partes da Polônia, Letônia, Lituânia e Rússia.

Ao contrário do que se pensa, não podemos definir que a invasão realizada pelos vikings tenha ocorrido por uma mera inclinação para a guerra. De acordo com algumas pesquisas, o processo de expansão territorial dessa civilização foi gradual e, provavelmente, foi motivado pelo problema do aumento dos contingentes populacionais em terras pouco férteis. Contrariando vários mitos ligados a essa civilização, os vikings não eram xenófobos e realizavam comércio com vários povos estrangeiros.
Outra interessante “tradição inventada” vinculada aos povos vikings está relacionada ao hábito de utilizar elmos com chifres. Pesquisas arqueológicas indicam que uma pequena parte dos combatentes utilizava esse tipo de aparato, mais comumente usado para a realização de rituais religiosos. Essa associação entre os vikings e os chifres aconteceu com a popularização, durante o século XIX, de peças teatrais e óperas que incorporaram esse vistoso ornamento.

Nesse processo de expansão, também responsável pela colonização de diversas terras nórdicas, os vikings acabariam antecipando em cinco séculos a viagem feita por Cristóvão Colombo. Por volta do ano 1000, segundo vestígios encontrados na costa leste do Canadá, um grupo de vikings dominou algumas terras nesta região investigada. Contudo, as dificuldades de fixação e o confronto com os povos nativos acabaram dando fim a essa empreitada.

Na mesma época, por volta do século XI, a expansão dos povos vikings pela Europa começava a dar seus primeiros sinais de desgaste. Além de sofrerem com diversas derrotas militares, o avanço do cristianismo pelo continente acabou enfraquecendo a formação de novas tropas dispostas a lutar. Apesar de tantas transformações, as tradições e lendas criadas por essa civilização ainda se mostra presente em diversos traços da cultura européia contemporânea.

14.058 – O Fim do Mundo Segundo os Vikings


fim do mundo viking
Ragnarök é o termo dado à crença dos vikings a respeito da morte de seus deuses e do fim da era em que viviam. A palavra Ragnarök tem origem no nórdico antigo, e sua tradução, segundo Johnni Langer, é “consumação dos destinos dos poderes supremos”.
Na crença dos vikings, o Ragnarök consistiria em uma sucessão de eventos catastróficos que levariam à destruição do Universo e à morte de parte dos deuses.
Importante frisar que o termo “viking” é utilizado para se referir aos povos nórdicos que habitavam a Escandinávia durante a Era Viking, que abrange o período de 793 a 1066. Esse período iniciou-se com as navegações realizadas pelos nórdicos, responsáveis por levá-los para diversos locais, como Islândia, norte da França, América do Norte, etc.
O que é Ragnarök?
Ragnarök é o termo usado para se referir aos eventos narrados em alguns registros escandinavos que mostram como os vikings acreditavam que o Universo em que viviam acabaria. Esse tipo de discurso que retrata o fim do homem e do mundo é chamado de escatologia. Para os vikings, o Ragnarök seria marcado por grandes batalhas entre deuses, gigantes e outras figuras míticas.
Na narrativa nórdica, os eventos do Ragnarök seriam antecedidos por um período chamado fimbulvetr, em que ocorreriam três longos invernos consecutivos. Nesse período, o mundo ficaria coberto com geadas, e a violência tomaria conta do mundo. A respeito desse acontecimento, o registro nórdico narra o seguinte:
Após o longo inverno, a sequência de novos acontecimentos seria o prelúdio de que o Ragnarok iniciava-se. Os nórdicos acreditavam que dois lobos (Skoll e Hati) finalmente alcançariam e devorariam o sol e a lua, depois de persegui-los eternamente. É importante observar que, para os nórdicos, a lua era um personagem masculino, e o sol, um personagem feminino.

Após isso, a escatologia nórdica afirmava que estrelas desapareceriam, aconteceriam tremores na terra, árvores seriam arrancadas e, finalmente, todas as correntes seriam quebradas. Nisso, os filhos de Loki (filho de Odin) marchariam para Midgard (mundo dos homens) para a batalha final. Os filhos de Loki que teriam papéis de destaque no Ragnarök eram o lobo Fenrir, a serpente que circundava o mundo chamada Jörmungandr e a deusa do mundo dos mortos chamada Hel.
Loki, por sua vez, navegaria rumo ao local da batalha final com o gigante de gelo Hrymir e seu exército no navio Naglfar. Esse navio era produzido com restos das unhas de todos os soldados que haviam morrido em batalha. Finalmente, Surtur e outros gigantes de fogo destruiriam a ponte Bifrost, que ligava Asgard (morada dos deuses) à Midgard.
Quando essa sucessão de eventos acontecesse, Heimdall, o guardião da Bifrost, soaria sua corneta e convocaria os deuses para que a batalha final fosse travada. Os exércitos que lutariam contra as forças de Loki seriam formados pelos deuses de Asgard, pelos einherjar
A luta que seria travada a partir dali teria o seguinte desfecho:
Odin lutaria contra o lobo Fenrir e seria devorado.

Vídar, filho de Odin, mataria o lobo Fenrir.

Thor, filho de Odin, lutaria contra Jormungandr, mataria a serpente, mas seria morto por seu veneno.

Frey (deus da fertilidade, relacionada à agricultura) lutaria contra Surtur e seria morto pelo gigante de fogo.

Týr (deus da justiça) lutaria contra Garmr, o cão que protege o mundo dos mortos, e ambos morreriam.

Loki lutaria contra Heimdall, e ambos morreriam na luta.

Por fim, Surtur incendiaria todo o Universo.

O Ragnarök sugere que o Universo seria destruído conforme mencionado, mas registros nórdicos também retratam o surgimento de um novo mundo. Esse mundo emergiria do mar e seria uma terra verde e bela, inicialmente habitada por um casal de humanos (Lif e Lifthrasir) que sobreviveram ao Ragnarök. Esse mundo que surgiria seria governado por Vidar e Vali, filhos de Odin e sobreviventes do Ragnarök, e contaria também com a presença de outros deuses: Modi, Magni, Balder e Hödr.
Quais são as fontes que registram o Ragnarök?
Os eventos relacionados ao Ragnarök foram registrados em diversos documentos que retratam a cosmologia (visão de mundo) dos nórdicos. O principal registro que menciona o Ragnarök é chamado Edda em Prosa, em especial um trecho do capítulo “Gylfaginning” (“O logro de Gylfi”).
A Edda Poética também é um documento que contém algumas menções ao Ragnarök, com destaque para o poema “Völuspá” (“A profecia da vidente”). Segundo aponta Johnni Langer, outros poemas da Edda Poética mencionam o Ragnarök, como “Lokasenna” (“O sarcasmo de Loki”) e “Vafþrúðnismál” (“A balada de Váfthrudnir”).
A Edda em Prosa é um documento escrito pelo historiador e poeta islandês Snorri Sturluson por volta do ano 1220. Essa obra foi dividida em vários capítulos, e um deles, em específico, organizou as crenças e os mitos da religião dos nórdicos.
A Edda Poética, por sua vez, é uma coleção de poemas nórdicos que narram diferentes histórias sobre os deuses em que os vikings acreditavam. Os poemas da Edda Poética fazem parte de um manuscrito chamado Codex Regius, encontrado na Islândia em 1643. O autor desses poemas é desconhecido até hoje.
A respeito do Ragnarök, existe uma certa contestação a respeito da veracidade desse mito, se de fato ele pertencia à crença religiosa dos vikings. Isso porque as evidências a respeito do Ragnarök são bem escassas. Existem aqueles que afirmam que a crença no Ragnarök é uma influência do Cristianismo na religiosidade dos vikings, mas não há consenso acadêmico sobre isso.
O historiador Johnni Langer sugere que a crença dos escandinavos no Ragnarök pode ter sido fruto da observação astronômica, mas também sugere que, se o Ragnarök não possui influências cristãs, pode não ter tido grande relevância na mentalidade nórdica, pois os registros, como citado, são bem raros.

14.057 – Como Funciona o Trem Bala?


trem bala ima
Eles conseguem fazer isso graças a poderosos eletroímãs – peças que geram um campo magnético a partir de uma corrente elétrica – instalados tanto no veículo quanto nos trilhos. Os maglevs (abreviação de “levitação magnética”), como são chamados, nada têm a ver com os famosos trens-bala que circulam no Japão e na Europa com motores elétricos e rodas comuns e atingem até 300 km/h. Já os maglevs, que ainda não entraram em operação em nenhum lugar do mundo, poderão superar os 500 km/h, pois não sofrerão nenhum atrito com o solo. As vantagens não param por aí. Eles consumirão menos energia, serão mais silenciosos e não precisarão de tanta manutenção. A expectativa é de que esses trens flutuantes possam competir até com vôos regionais, revolucionando o transporte entre cidades.
Um maglev venceria a distância entre Rio e São Paulo em 50 minutos, praticamente o mesmo tempo da ponte aérea, mas a um custo bem inferior. Por que, então, eles ainda não estão em funcionamento? O problema é o enorme investimento necessário para instalar linhas totalmente novas – enquanto os trens-bala comuns podem aproveitar as ferrovias já existentes.
Transporte revolucionário O trem alemão Transrapid levita a 10 milímetros de altura
CABINE DE COMANDO
Apesar de ter, na frente, uma cabine de comando tripulada, como os trens tradicionais, o maglev não possui uma locomotiva propriamente dita, já que o “motor” não fica no trem e sim nos trilhos inteiros. Cada vagão tem seus próprios ímãs e é capaz de levitar sozinho

TRILHOS MAGNÉTICOS
O verdadeiro motor do maglev está na linha que ele irá percorrer. Uma bobina de cabos ao longo dos trilhos produz um campo magnético variável que impulsiona o trem a velocidades de até 500 km/h. Para economizar energia, apenas a parte da linha sobre a qual o trem está passando permanece ligada

CHASSI INFERIOR
Essa estrutura embaixo dos vagões carrega os ímãs responsáveis pela levitação e pela direção do veículo. Apesar de envolver as guias da linha (para evitar descarrilamento), o chassi não toca nelas e fica suspenso no ar, a 10 milímetros de distância

ÍMÃS DE DIREÇÃO
Quatro eletroímãs, dois de cada lado do trem, são atraídos para a guia. O resultado é um equilíbrio de forças (seta amarela) que impede o trem de tocar nos trilhos. Nas curvas, a potência dos ímãs é automaticamente ajustada por computadores para que o trem vire suavemente, sem solavancos

ÍMÃS DE LEVITAÇÃO
Ficam embaixo dos trilhos e apontados para cima, sustentando o trem no ar com sua força magnética (seta verde). São eles que impulsionam o trem para a frente, reagindo às variações na corrente elétrica que passa pela linha

BOBINA DE CABOS
A bobina é formada por três cabos elétricos trançados que percorrem todo o trilho. A diferença de corrente elétrica entre eles gera o campo magnético que faz o trem avançar (seta vermelha). Para freá-lo, basta inverter a direção desse campo

maglev-track

 

tecnicaslev

Maglev_imas sistemas