13.699 – Neurologia – Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


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Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.
A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.
Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.
Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.
Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.
Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.
Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Qual o rempo ideal por faixa etária?
Você já deve ter notado que um recém-nascido dorme praticamente o dia todo, enquanto uma pessoa idosa dorme poucas horas durante a noite. Em cada fase da vida há diferentes necessidades de descanso. Qual é a sua?
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas por dia;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas por dia;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas por dia;
Adolescentes (14 a 17 anos): 8 a 10 horas por dia;
Jovens (18 a 25 anos): 7 a 9 horas por dia;
Adultos (26 a 64 anos): 7 a 9 horas por dia;
Idosos (mais de 65 anos): 7 a 8 horas por dia.
Ao ler a lista, você deve estar se perguntando o que motivou os pesquisadores a dividirem a faixa etária de 18 a 64 anos em “jovens” e “adultos”, já que as horas de sono indicadas são as mesmas. Isso foi feito porque os especialistas também avaliaram que alguns indivíduos nessas idades podem ter necessidades de sono um pouco abaixo ou acima da recomendação, mas que isso não chega a ser um problema. Para os jovens, pode ser apropriado dormir entre 6 a 11 horas, enquanto para os adultos esse tempo cai levemente para 6 a 10 horas. Aí está a diferença entre as duas fases.
Os especialistas apontam que qualquer necessidade de sono muito acima ou muito abaixo da recomendada pode ser um sintoma importante de um problema de saúde sério que precisa ser investigado. Eles também alertam que pessoas que escolhem dormir muito menos do que o recomendado para o seu grupo etário podem estar comprometendo seu bem-estar.

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