13.687 – Mega Memória – Há 50 anos, acontecia o primeiro transplante de coração no Brasil


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Na madrugada de 26 de maio de 1968, Euryclides de Jesus Zerbini, cirurgião do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), revolucionou a medicina ao liderar a equipe que realizou o primeiro transplante de coração no Brasil. Apesar de não ter sido o pioneiro – lugar que pertence ao sul-africano Christiaan Barnard, que realizou o procedimento cinco meses antes –, a cirurgia esteve entre as cinco primeiras do mundo.

O receptor do coração foi o lavrador mato-grossense João Ferreira da Cunha, de 23 anos, também conhecido como João Boiadeiro, que havia sido diagnosticado com doença do miocárdio e insuficiência cardíaca. Ele recebeu o novo coração às 6h40 do dia 26. O procedimento foi descrito com detalhes no livro A face Oculta dos Transplantes, de Euclydes Marques, um dos cirurgiões que participou desta ocasião histórica.
Pioneirismo brasileiro
O primeiro transplante cardíaco do Brasil tinha tudo para ser o primeiro do mundo, mas como as cirurgias realizadas em animais tinham excelente técnica, porém nenhuma taxa de sobrevivência, alguns dos professores mais renomados do Hospital das Clínicas de São Paulo preferiram não se arriscar, ainda que os jovens cirurgiões estivessem animados com a possibilidade.

Por causa disso, Christiaan Barnard, com 44 anos na época, passou à frente e realizou o primeiro transplante de coração do mundo em 3 dezembro de 1967, na Cidade do Cabo, na África do Sul. Os esforços pioneiros de Barnard não foram suficientes para aumentar o tempo de vida do paciente, que faleceu dezoito dias após a cirurgia em decorrência de uma infecção pulmonar.

Mesmo ficando atrás de cinco países, o Brasil foi o pioneiro na América Latina. A cirurgia foi um sucesso e demonstrou a capacidade da equipe de cirurgia torácica do Hospital das Clínicas, que havia anos vinha realizando transplante em cães, tentando encontrar as melhores técnicas para fazê-lo em humanos. Infelizmente, foi o pós-operatório que mostrou-se preocupante. Dezoito dias após o transplante, João Boiadeiro começou a apresentar sinais de rejeição ao órgão. Alguns dias depois ele veio a falecer.

A morte do primeiro transplantado não desanimou os médicos e, quatro meses depois, outro paciente – Hugo Orlandi, de 48 anos – passou pela cirurgia e resistiu 378 dias, quando seu corpo também começou a rejeitar o novo coração. No ano seguinte, em janeiro de 1969, Clarismundo Praça, 52, recebeu o terceiro coração transplantado do país. Ele não apresentou rejeição, mas faleceu 83 dias depois por causa de uma infecção generalizada provocada por uma ferida cirúrgica.

Mesmo com o óbito dos três primeiros pacientes, as conquistas alcançadas pela realização do transplante cardíaco no Brasil se mantêm até hoje, como a construção do tão sonhado Instituto do Coração (Incor), pelo qual Zerbini vinha lutando havia anos.

“O melhor momento é hoje”
Apesar das evoluções na medicina, poucas mudanças ocorreram no processo operatório. Nos primeiros anos, o avanço foi maior, especialmente em áreas que poderiam melhorar a taxa de sobrevida dos pacientes, como a descoberta e aprovação da ciclosporina, que motivou o aumento no número de várias modalidades de transplante. No entanto, nos últimos anos, a velocidade passou a diminuir, embora o período atual seja considerado por muitos médicos como o melhor para o transplante cardíaco, pois os pacientes estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida.
O primeiro paciente de transplante cardíaco do Brasil sobreviveu apenas 28 dias após a cirurgia. Apesar da morte precoce, João Boiadeiro viveu dez dias a mais que o primeiro paciente a passar pelo procedimento, na África do Sul. Apesar de já existirem medicamentos imunossupressores, usados para controlar a rejeição nos receptores de transplantes, esse ainda era um dos principais problemas da época.

Por esse motivo, o número de transplantes realizados por ano foi diminuindo no mundo inteiro até a década de 80, quando foi aprovado o uso da ciclosporina em humanos. Esse medicamento, capaz de reduzir as reações que causam a rejeição de órgãos, é utilizado até hoje como tratamento inicial ou de segunda linha, quando as medicações imunossupressoras usadas anteriormente não funcionaram.

Tecnologia à serviço da medicina
Outro empecilho resolvido pelo avanço da medicina foi o tempo entre a retirada do órgão e a sua instalação no corpo do receptor. Na época dos primeiros transplantes, era preciso que doador e receptor estivessem o mais próximo possível um do outro para que a transferência fosse imediata, impedindo que o coração ficasse muito tempo no gelo e a hipotermia pudesse impedir que ele voltasse a bater depois de reimplantado no receptor. Hoje em dia, o coração pode ficar até quatro horas fora do corpo e, muitas vezes, passa parte desse tempo viajando de avião, por exemplo, para chegar ao destino final.

Além disso, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, desenvolveram o Organ Car System (OCS), equipamento capaz de manter o coração e outros órgãos pulsando enquanto ocorre o transporte, o que aumenta o tempo de viabilidade dele fora do corpo humano. No entanto, como seu uso encarece o procedimento cirúrgico, o equipamento é usado apenas como último recurso, mas há previsões de que no futuro ele possa ser utilizado com maior frequência. Por enquanto, muitos médicos ainda preferem optar pelo método convencional, que oferece resultados satisfatórios.

O progresso tecnológico também permitiu a criação de corações e ventrículos artificiais capazes de auxiliar o coração debilitado a bater por mais tempo, mantendo o indivíduo vivo até o momento do transplante, que pode acontecer rapidamente ou levar anos. Eles podem ser utilizados interna ou externamente, dependendo da necessidade do paciente, sendo uma alternativa para pessoas que não podem receber transplante.

Infelizmente, no Brasil, o uso destes mecanismos ainda é limitado por causa dos custos – o Instituto do Coração é um dos poucos hospitais no país que dispõe de alguns em versão para adultos e crianças. O pioneirismo no implante de dispositivo de assistência ventricular (DAV) na América Latina também pertence ao Brasil, tendo sido realizado em 1993, no Incor.
Ajudando a salvar vidas
De acordo com Fábio Jatene, mesmo que os avanços médicos tenham representado muito para o transplante, existem desafios que precisam ser superados para que o procedimento possa progredir ainda mais, principalmente no Brasil. A preocupação com os doadores, por exemplo, é um dos problemas que precisam ser solucionados. Como as emergências do país estão quase sempre superlotadas, existe certa dificuldade em cuidar dos pacientes, especialmente daqueles que não têm perspectiva de vida, como os que apresentam morte cerebral – justamente os possíveis doadores.

Outro desafio é a doação de órgãos. A legislação brasileira permite a doação mediante autorização de familiar; entretanto, mesmo que em vida o paciente tenha informado à família o interesse em se tornar doador, como não existe documentação que possa comprovar este desejo, se o responsável não quiser autorizar, é a vontade dele que prevalece. Apesar de crescer gradativamente, o número de doadores no Brasil ainda é limitado em comparação com países como Espanha e Estados Unidos, que trabalham na comunicação com famílias de doadores em potencial.

“A doação de órgãos ainda é um tabu na sociedade, ninguém vai querer usar o almoço de domingo para falar sobre a morte. Não é uma questão tratada com frequência. Antes de ter passado pelo meu problema, eu e meus familiares nunca conversamos a respeito disso, não era um assunto que existia nas nossas conversas”, confessou. No entanto, essa realidade não é mais a mesma. Desde o transplante, Renato e a família coordenam a campanha “Doe órgãos salve vidas“, que visa a promover palestras e eventos para conscientizar as pessoas da importância da doação de órgãos e como o gesto pode ajudar a salvar vidas.
Como acontece o transplante
A cirurgia de transplante de coração envolve duas técnicas principais: a clássica e a bicaval. O que diferencia uma da outra é a quantidade de tecido do órgão velho que permanece no corpo do paciente. Apesar disso, ambas as técnicas seguem basicamente os mesmos princípios cirúrgicos:

1ª etapa: O procedimento cirúrgico de retirada do coração do receptor começa apenas quando o novo órgão já está na sala de operação, pronto para ser transplantado. Depois que o peito do receptor é aberto, as veias são desligadas do coração e conectadas a uma cânula (tubo) de uma máquina de circulação extracorpórea (CEC). Esse equipamento será responsável por exercer a função do coração, bombeando o sangue durante a cirurgia para que o corpo continue funcionando.

3ª etapa: O novo coração é conectado ao átrio, cavidade que recebe o sangue. As cânulas são retiradas e as veias e artérias são reconectadas ao novo coração. O sangue que estava sendo bombeado pela máquina de CEC retorna para o corpo e o coração é estimulado para recuperar os batimentos. Antes de fechar o peito do paciente, drenos são colocados na cavidade pulmonar para evitar o acúmulo de líquidos.

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13.686 – Veterinária – Otite Canina


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De certo você já viu um cão coçando o ouvido, sacudindo a cabeça e até chorando ao se coçar a orelha, isso pode ser otite canina. Uma inflamação do conduto auditivo que leva a produção de uma cera de coloração alterada e em excesso, coceira descontrolada, cheiro forte e desconforto tanto para o animal quanto para o dono.
Essa inflamação seguida de infecção causada no ouvido é muito comum nos cães devido ao formato de sua orelha, que tem um canal comprido e fechado, o que torna fácil o aparecimento e replicação de ácaros, fungos e bactérias. Algumas raças de cães apresentam otite canina com mais facilidade e frequência como Golden Retriver, Basset Hound e Cocker Spaniel por terem o orelhas maiores.
Tome cuidado durante o banho do cão, pois, ao deixarmos entrar água no ouvido deles, favorecemos o aparecimento da doença, já que o que os causadores dela se proliferam em locais úmidos e quentes. Uma dica interessante é colocar algodões nos ouvidos do cachorro, evitando a entrada de água, e sempre secá-lo bem ao final do banho.
Os sintomas são: coceira intensa, dor e choro ao coçar, cheiro forte no ouvido, excesso de cerúmen (cera), balançar demais a cabeça de um lado para outro, perda de audição, além da perda de apetite, que ocorre devido à dor que o cachorro sente.
A otite pode surgir nos cães por uma série de fatores e afetar diferentes partes da região auricular dos animais; sendo denominada de otite externa, otite média ou otite interna de acordo com o local específico prejudicado pelo problema – e as principais motivações para a sua ocorrência são:

Infecção Causada por bactérias, a otite infecciosa chega, geralmente, acompanhada por pus, e requer um tratamento medicamentoso feito, principalmente, por meio do uso de antibióticos injetáveis e por via oral associado a tratamento local tópico.
Fungos Provoca sintomas mais clássicos de otites com uma secreção normalmente enegrecida com cheiro adocicado característico, sendo é causada por um fungo, na maioria das vezes, a malassezia.
Parasitas O agente do problema, neste caso, são parasitas como carrapatos e ácaros, sendo que o seu tratamento também requer o uso de remédios específicos tópicos associados, quando necessário há medicamentos injetáveis ou por via oral.
Produção excessiva de cera O ouvido de alguns cães produz cera de maneira exagerada, e o acúmulo dessa cera causa uma fermentação que se transforma em inflamação.
Predisposição genética As características específicas de cada raça são as grandes responsáveis nestes casos, e os cães que contam com orelhas grandes, caídas e peludas são os mais propensos a desenvolver a complicação.
Outros fatores Traumas, alergias, tumores, questões hormonais e a presença de algum corpo estranho no ouvido do animal também podem exercer influência no aparecimento da otite canina.
Dito isso, vale lembrar que a melhor maneira de definir a origem correta do problema é por meio de uma consulta com um profissional veterinário – já que, em muitos casos, um diagnóstico preciso só pode ser obtido por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

Raças mais afetadas pela otite
Orelhas grandes, caídas e peludas são as principais características genéticas que influenciam no aparecimento da otite canina, e as raças a seguir fazem parte do grupo de cães que mais tendem a apresentar esse tipo de problema:

Cocker Spaniel
Teckel
Basset Hound
Golden Retriever
Dachshund
Setter Irlandês
Labrador Retriever
Pastor Alemão
No entanto, é importante ressaltar que nem só os cães de orelhas maiores e caídas podem ser acometidos pela otite, e qualquer raça está sujeita ao aparecimento dessa complicação, caso os cuidados básicos de higiene não sejam realizados de maneira correta e constante.

Os sintomas da otite em cães
Cada tipo de otite canina pode apresentar diferentes sinais, em função do seu agente causador; no entanto, há um grupo de sintomas e comportamentos bastante conhecidos entre os cachorros que apresentam a enfermidade, conforme descrito abaixo.
Forte coceira na região das orelhas: cão passa a coçar, balançar e esfregar a cabeça onde puder para aliviar o sintoma, incluindo o chão e os móveis da casa.
Secreções: o ouvido do cachorro passa a apresentar secreções de cor amarelada e, em alguns casos, com pus.
Odor diferente e forte ou mau cheiro no ouvido do cachorro
Vermelhidão, escurecimento ou aparecimento de crostas no ouvido do animal
Inchaço na região da orelha
Perda de audição do cão
Forte dor nas orelhas: o cachorro aparenta sentir muita dor nas ocasiões em que a orelha se mexe ou é tocada
Ferimentos Peri-auriculares, que são ferimentos próximos às conchas auditivas, causados pela coceira constante

Prevenção da otite canina
Manter a higiene da orelha do seu pet é a melhor maneira de prevenir o surgimento da otite canina, e limpar os ouvidos do cachorro semanalmente é de grande ajuda. Caso haja pelos em excesso na região, levar o seu cão para uma tosa higiênica é uma ótima ideia; retirando a pelagem que ajuda a reter ainda mais sujeiras na região.
O pote de água pode acabar causando a otite, quando o animal tem orelhas muito compridas e o pote de água é muito largo, sempre que ele vai beber água acaba deixado as orelhas úmidas e essa umidade propicia a proliferação exagerada de fungos já existentes na orelha, causando a otite.
Outra medida importante é sempre enxugar bem as orelhas do cão quando forem molhadas, já que o acúmulo de água na região forma um ambiente extremamente propício para o surgimento do problema.
Visitas ocasionais ao veterinário também são importantes para ajudar na prevenção da otite canina, além de facilitarem o tratamento de qualquer complicação que o cão possa estar desenvolvendo.

Tratamento da otite em cachorros
O tratamento da otite canina dependerá tanto da sua origem como do nível de desenvolvimento da inflamação no ouvido do cão. Em alguns casos, a realização de uma limpeza profunda na região – feita com o uso de soluções específicas – já pode melhorar bastante o problema; mas, dependendo do agente causador da otite, medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios podem ser receitados.
Em muitos casos a dor do animal ao ter a região auricular tocada é tanta, que há a possibilidade de que ele tenha que ser sedado para que se faça a limpeza do ouvido, e a otite pode ser tão profunda que chega a alterar o sistema de equilíbrio do animal, o fazendo andar em círculos, por exemplo. Portanto, levar seu pet a um profissional veterinário é imprescindível para que ele possa ser tratado e curado da melhor e mais rápida maneira possível.

13.685 – Antropologia – Miscigenação do Sapiens


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Antropólogos contestaram teorias segundo as quais o Homo sapiens e os neandertais se miscigenaram, transmitindo aos seres humanos modernos parte do legado genético de seus primos.
Ao longo dos últimos dois anos, vários estudos sugeriram um cruzamento entre o Homo sapiens e os neandertais, hominídeos que viveram em regiões da Europa, Ásia Central e Oriente Médio por até 300 mil anos, mas desapareceran entre 30 e 40 mil anos.
As evidências provêm de fósseis de DNA que demonstram que homens eurasiáticos e asiáticos médios partilham entre 2% e 4% do DNA com os neandertais, enquanto os africanos não têm quase nada em comum.
Mas um novo estudo feito por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, diz que o DNA veio de um ancestral comum e não por meio de “hibridização” ou reprodução entre duas espécies de hominídeos.
Segundo publicação na edição desta semana do periódico americano “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), os pesquisadores Andrea Manica e Anders Eriksson, do Grupo de Ecologia Evolutiva de Cambridge, desenvolveram um modelo de computador para simular essa “odisseia” genética.
Ele começa com um ancestral comum dos neandertais e do Homo sapiens que viveu cerca de meio milhão de anos atrás em regiões de África e Europa.
Por volta de 300 mil e 350 mil anos atrás, as populações europeia e africana desse hominídeo se separaram. Vivendo em isolamento genético, o ramo europeu evoluiu pouco a pouco até dar origem aos neandertais, enquanto o ramo africano acabou originando o Homo sapiens, que se disseminou em ondas migratórias que deixaram a África entre 60 mil e 70 mil anos.
Segundo a teoria, comunidades de Homo sapiens que estavam geneticamente mais próximas da Europa, possivelmente no norte da África, preservaram uma parte relativamente maior de genes ancestrais.
Eles também se tornaram os primeiros colonizadores da Eurásia durante a progressiva migração fora da África. Isso poderia explicar por que os europeus e asiáticos modernos têm uma semelhança genética com os neandertais, mas os africanos, não.
O que aconteceu com os neandertais é uma das grandes questões da antropologia. A hibridização poderia responder isso, ao menos parcialmente. Ao se miscigenarem com os humanos, os neandertais não teriam sido extintos pelo Homo sapiens ou pelas mudanças climáticas, como alguns argumentam. Ao contrário, os genes dos neandertais teriam se misturados no genoma da cepa dominante do Homo.
Em um estudo separado publicado na PNAS, cientistas chefiados por Svante Paabo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, descobriram que os neandertais e os Homo sapiens se separaram entre 400 mil e 800 mil anos atrás, mais cedo do que se imaginava.
A equipe também calculou que os humanos se separaram dos chimpanzés, nosso parente primata mais próximo, entre 7 e 8 milhões de anos, antes dos 6 a 7 milhões de anos atrás estimados com frequência.