13.675 – Civilizações Antigas – Alexandria, a Grande Potência


Farol de alexandria
Alexandria era um centro urbano que deu origem ao reino egípcio dos Ptolomeus. Foi fundada em 332 a.C. pelo macedônio Alexandre Magno e em pouco tempo se tornou uma das maiores cidades do mundo grego. No quebra-mar do Mar Mediterrâneo, foi construído o Farol de Alexandria, com 135 metros de altura, divididos em três partes onde a primeira era quadrada, a do meio era de oito faces e a superior era cilíndrica. Era rodeada por uma rampa em forma de caracol que chegava ao topo onde havia a estátua do deus Hélio, o deus Sol. O farol é considerado uma das maravilhas do mundo antigo.
A cidade foi a principal base marítima do Mediterrâneo, pois abrigava grandes embarcações e permitia que a cidade exportasse sua produção para todo o país. Tornou-se capital do Egito e nela foi construído grandes palácios, instituições públicas, museus, bibliotecas e templos.
No século VII, a biblioteca da cidade foi incendiada perdendo cerca de 700 mil rolos de papiro contendo obras da antiguidade. Em 1375, o farol foi destruído por um terrível terremoto. Em 1994, arqueólogos mergulharam sob Alexandria e descobriram restos de embarcações e de construções daquela época. Hoje, a cidade está ameaçada pelas erosões provocadas pela elevação marítima.
Alexandre, o Grande, foi o rei da Macedônia a partir de 336 a.C. e, durante seu reinado, conseguiu formar um grandioso império em um período de aproximadamente doze anos. Após o assassinato de seu pai, Alexandre partiu à conquista da Ásia e enfrentou o decadente Império Persa, que era liderado por Dario III. O grande legado do império macedônio foi a difusão da cultura grega para o Oriente.
Coroação de Alexandre

Os macedônios, povo que habitava o norte da Grécia, são considerados os herdeiros dos últimos grupos de helenos que se estabeleceram na região durante o Período Pré-homérico. Eles consideravam-se um povo helenizado, isto é, um povo de cultura grega, mas eram vistos com menosprezo pelos próprios gregos.

A Macedônia abandonou o estágio de seminomadismo e consolidou um poder centralizado a partir do século VII a.C. Com o enfraquecimento da Grécia, após os sucessivos conflitos travados durante as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso, a Macedônia ascendeu como potência local.

Os macedônios dominaram toda a região a partir da Batalha de Queroneia, quando o exército liderado por Filipe II da Macedônia derrotou o exército formado pela liga de cidades gregas em 338 a.C. No entanto, o reinado de Filipe II por toda a Grécia durou pouco tempo, pois, em 336 a.C., foi assassinado por Pausânias, um de seus guarda-costas.

Os historiadores não sabem precisar ao certo a motivação de Pausânias, mas cogita-se um desentendimento por questões pessoais entre os dois, ou mesmo que o assassinato de Filipe tenha sido parte de uma conspiração que visava matar tanto Filipe quanto seu sucessor, Alexandre. Com a morte de Filipe, Alexandre foi coroado rei da Macedônia em 336 a.C.

A morte de Filipe desencadeou uma crise na Macedônia, com o surgimento de conspirações para tomar o trono de Alexandre, ataques estrangeiros e rebeliões de cidades gregas. Alexandre agiu energicamente e contornou todos os obstáculos ao executar os conspiradores, conter os ataques estrangeiros e derrotar e punir as cidades gregas que se rebelaram.

Campanha contra a Pérsia

Após ratificar o seu poder internamente na Macedônia e na Grécia, Alexandre iniciou a campanha militar de conquista do Império Persa. Ele mobilizou um total aproximado de 50 mil soldados e foi para a direção da Ásia Menor (atual Turquia). Nessa região, foi iniciada a primeira fase da campanha e registrada uma importante vitória dos macedônios na Batalha de Grânico, em 334 a.C.

Essa vitória garantiu a Alexandre o controle sobre as cidades gregas da Jônia (outro termo para Ásia Menor), que estavam sob o domínio dos persas. Conforme afirma o historiador Claude Mossé, o rei macedônio transformou as cidades gregas da região em pólis democráticas e encerrou a cobrança do tributo que elas pagavam aos persas|1|.

Em seguida, Alexandre conseguiu dominar a região onde ficavam as cidades fenícias, conhecida como Levante. A conquista desse território foi possível a partir da vitória na Batalho de Isso, em 333 a.C., que expulsou as tropas persas desse local. Os relatos contam que, nessa batalha, Dario III iniciou uma fuga desesperada, deixando, inclusive, sua família para trás.

Com a vitória em Isso, todas as cidades da região entregaram-se ao domínio macedônio, exceto a cidade de Tiro, que impôs resistência. Alexandre somente conseguiu derrotar essa cidade depois de um cerco de oito meses. Ao conquistá-la, o rei macedônio ordenou que milhares de cidadãos locais fossem vendidos como escravos.

Com a conquista de toda essa região correspondente ao Líbano, parte da Síria, Israel e Palestina, Alexandre partiu para o Egito, onde permaneceu durante um ano. O grande destaque dessa estadia foi a fundação da cidade de Alexandria, em 331 a.C., que cumpria uma função militar importante e transformou-se em uma das cidades mais importantes da região.

Derrota do Império Persa

Após essa estadia no Egito, Alexandre retomou o seu objetivo principal e partiu novamente para derrotar Dario III e conquistar o Império Persa. A luta decisiva contra as tropas persas aconteceu durante a Batalha de Gaugamela em 331 a.C. Essa vitória marcou o fim do reinado de Dario III sobre o Império Persa.
Com essa vitória, Alexandre consolidou seu poder sobre importantes cidades da região, como Babilônia, Susa e Persépolis, e teve acesso a uma grande quantidade de ouro dos cofres reais persas. Dario III fugiu, mas foi assassinado por um sátrapa traidor, chamado Besso. Em seguida, Alexandre derrotou Besso e outro traidor, Epistámenes. Com isso, ele consolidou seu poder sobre as regiões do Império Persa.

Campanha indiana e morte de Alexandre
Ao garantir o controle sobre as regiões rebeldes do Império Persa, Alexandre organizou a campanha de conquista da Índia. Nessa campanha, o imperador macedônio enfrentou forte resistência, com uma grande batalha em Hidaspes contra Poro, rei de Paurava. As dificuldades dessa campanha indiana fizeram Alexandre recuar e retornar para a Babilônia.
Durante sua permanência nessa cidade, Alexandre adoeceu após um banquete e faleceu onze dias depois, em decorrência de uma forte febre. Os historiadores não sabem ao certo o motivo de sua morte, mas três causas são levantadas: envenenamento, malária e febre tifoide.
A morte de Alexandre interrompeu os planos de invasão da Península Arábica, e, então, o Império Macedônio foi dividido entre os seus principais generais. O grande legado desse império foi a difusão da cultura grega para o Oriente.

13.674 – História Antiga – O Conceito de Helenismo


O HELENISMO de Alexandre, o grande.
O conceito de Helenismo foi usado pela primeira vez pelo historiador alemão Johann Gustav Droysen (1808-1884) para caracterizar o processo de expansão da cultura helênica, isto é, grega, para outras regiões do mundo antigo após a morte do imperador Alexandre, O Grande.

Alexandre, O Grande, ou Alexandre Magno (como também é conhecido), viveu entre os anos 356 e 323 a.C. Era oriundo da Macedônia, região da Península Balcânica que possuía forte conexão com as cidades-estado gregas, tendo se erguido enquanto organização política com inspiração em vários elementos da civilização grega. Alexandre era filho de Felipe da Macedônia e teve como preceptor o filósofo grego Aristóteles, tendo estudado em Atenas com esse sábio.

Ao contrário de seu pai, Alexandre conseguiu expandir os domínios da Macedônia para toda a Hélade (como era conhecido o complexo de cidades-estado da Grécia Antiga), criando um império helênico que primava pela centralidade da cultura grega, sobretudo por aquilo que havia sido desenvolvido em suas principais cidades, como Atenas, Esparta e Tebas, em sua forma de organização política. Dessa maneira, aspectos do teatro, arquitetura, organização militar, música, vestimenta, filosofia, conhecimento astronômico, poético e toda a ampla atmosfera política e cultural das cidades gregas foram absorvidos por Alexandre, que procurou expandi-las para além da Península Balcânica, levando-os em direção aos domínios de seu império.

O Império de Alexandre compreendia uma vastidão que ia desde o norte da África, passando pelos domínios do antigo Império Persa, no Oriente Médio, o leste europeu, até chegar à Índia. Em toda essa região foram disseminados os elementos da cultura grega. Um dos exemplos mais famosos é o da cidade de Alexandria (que leva o nome de seu fundador), construída no nordeste do Egito, que se tornou símbolo intelectual da época helenística, em virtude de sua famosa biblioteca de rolos de papiros, que comportava cópias de obras de vários sábios da antiguidade.
Após a morte de Alexandre, seus generais dividiram o império entre si e sustentaram a herança administrativa e cultural que Alexandre os legou até a época em que Roma passou a expandir-se e a dominar os antigos territórios conquistados por Alexandre. Esse período de florescimento, expansão e domínio da cultura grega no mundo antigo foi o que caracterizou o helenismo.

13.673 – História Antiga – Civilizações Cretense e Micênica


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As civilizações cretense e micênica, ou minoica e micênica, desenvolveram-se por volta de 2000 a. C., na região que compreende o extremo sul da Grécia, tendo assim precedido as cidades-estado da civilização grega, como Tebas, Atenas e Esparta. A civilização cretense aflorou na ilha de Creta, que fica no mar Egeu. Ela também é chamada de minoica em razão do lendário rei Minos, que teria fundado tal civilização. Já a civilização micênica estruturou-se na parte continental, em torno da cidade de Micenas, localizada próxima a Atenas.
A cidade-estado que comportou o centro da civilização cretense foi Cnossos. Nessa cidade, o palácio do rei constituía o ponto central de onde partia toda a organização da cidade. Além de ser uma construção monumental, o palácio cretense era uma complexa obra de engenharia. Sua estrutura contava com aquedutos construídos com terracota que irrigavam água a quilômetros de distância. Seu interior foi especialmente projetado para comportar toda a família real e todos os subalternos que gestavam a administração da cidade. Além disso, as paredes dos recintos interiores do palácio eram cuidadosamente ornamentadas e pintadas com a técnica do afresco.
Arqueólogos e historiadores especulam que o fim da civilização cretense remonta ao ano de 1450 a. C. Por volta desse ano, a cidade de Cnossos teria sido destruída ou por um vulcão ou pela pilhagem da civilização micênica. Essa última, a civilização micênica, começou a formar-se por volta de 1600 a.C., tendo atingido o seu apogeu entre 1400 e 1230 a.C. Os micênicos descendiam das tribos invasoras indo-europeias que alimentaram ondas migratórias para o sul da Europa a partir do ano 2.000 a.C, tal como os dórios, jônios, eólios e aqueus, que viriam a construir as outras civilizações da antiga Grécia.
Toda estrutura administrativa, econômica e cultural dos micênicos, que acabaram conquistados pelas tribos dórias, foi herdada dos cretenses — civilização à qual submeteram seu jugo. A característica da centralidade do palácio do rei também esteve presente entre os micênicos, cuja importância foi registrada pelo estudioso do pensamento grego, Jean-Pierre Vernant, como pode ser visto no trecho a seguir:
“Quando no século XII, antes de nossa era, o poder micênico desaba sob o ímpeto das tribos dóricas que irrompem na Grécia continental, não é uma simples dinastia a sucumbir no incêndio que assola alternadamente Pilos e Micenas, é um tipo de realeza que se encontra para sempre destruída, todo uma forma de vida social, centralizada em torno do palácio, que é definitivamente abolida, um personagem, o Rei divino, que desaparece do horizonte grego. A derrocada do sistema micênico ultrapassa largamente, em suas consequências, o domínio da história política e social.” (VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. São Paulo: Difel, 1984, p.6).

13.672 – Astrofísica – Estrelas já nasciam a todo vapor só 250 milhões de anos após Big Bang


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Graças a alguns dos mais poderosos telescópios em operação, astrônomos conseguiram obter detalhes de uma das galáxias mais distantes de que se tem conhecimento. Medições indicaram que a luz do objetoMACS1149-JD1 foi emitida há 13,3 bilhões de anos — apenas 500 milhões de anos após o Big Bang. Mas há indícios de que estrelas já se formavam ali bem antes disso.
Uma equipe internacional de pesquisadores descreve a descoberta de oxigênio naquela galáxia, a mais distante detecção do elemento já realizada no Universo. E sua presença só pode ser explicada pela existência de uma geração anterior de estrelas, que teria começado a se formar 250 milhões de anos antes.
Como apenas hidrogênio, hélio e lítio foram forjado pelo próprio Big Bang, o surgimento do oxigênio só se deu através do processo de fusão das primeiras estrelas. Para quantificar o elemento e obter medidas precisas da distância de MACS1149-JD1, os astrônomos utilizaram o radiotelescópio ALMA e o VLT, do ESO, além dos telescópios espaciais Hubble e Spitzer.
“Essa galáxia é observada em um tempo no qual o Universo tinha apenas 500 milhões de anos e, ainda assim, já possui uma população de estrelas maduras”, disse em um comunicado o co-autor do artigo, Nicolas Laporte, pesquisador da University College London (UCL). “Podemos usá-la para sondar um período anterior, completamente desconhecido da história cósmica.”

O estudo coloca os cientistas um passo à frente em uma das buscas mais acirradas da astronomia moderna: determinar o momento em que as primeiras estrelas e galáxias surgiram. É a chamada aurora cósmica.
“Com essas novas observações de MACS1149-JD1, estamos chegando mais perto de testemunhar diretamente o nascimento da luz das estrelas! Como somos todos feitos de material estelar processado, estamos descobrindo nossas próprias origens”, diz o co-autor Richard Ellis, astrônomo sênior da UCL.

13.671 – Arqueologia – Gelo da Groenlândia preserva a história do Império Romano


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Por volta de dois mil anos atrás, a Casa do Moeda dos impérios grego e romano trabalhavam com uma fusão de prata e chumbo. Essa indústria primitiva, como as de hoje, resultava em poluição. O chumbo contamina o ar e viaja por quilômetros carregados pelo vento.
Essa nuvem de chumbo, quando chega nas regiões mais frias do planeta, se transforma em neve e retorna à superfície. É assim há milênios na Groenlândia, que, ao longo dos anos, foi acumulando camadas e camadas que se transformaram em grandes blocos maciços de gelo.
Embora o meio ambiente padeça, para historiadores e arqueólogos essa contaminação representa um registro histórico sem igual. Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Desert Research Institute (DRI), em Nevada, analisou amostras de gelo extraídas pelo NGRIP (North Greenland Ice Core Project) para recontar a história da ascensão e queda de gregos e romanos.
Analisando cada camada que se acumulou nas geleiras ao longo da história, pela concentração de chumbo encontrada, é possível medir a intensidade da produção de moedas e, assim, o nível de atividade econômica.
“Eu não diria que o gráfico de poluição de chumbo é um reflexo próximo do PIB, mas é provavelmente a melhor indicador para a saúde econômica que temos”, disse ao New York Times um dos integrantes da equipe, o arqueólogo Andrew Wilson, da Universidade de Oxford. Não é a primeira vez que algo do tipo é tentado.

Na década de 90, 18 pontos de coleta de gelo em diferentes profundidades foram analisados. A diferença para esse estudo, porém, é a quantidade. São 21 mil medições, que abrangem profundidades de 159 metros a 580 metros, que resultaram em um panorama com precisão menor que um ano, de um período que vai de 1100 a.C. e 800 d.C.
“Descobrimos que a poluição por chumbo na Groenlândia acompanhava pragas conhecidas, guerras, distúrbios sociais e expansões imperiais durante a antiguidade européia”, contou um dos pesquisadores, o hidrólogo Joe McConnell.