13.342 – Medicina – Hospital brasileiro testa nova técnica contra o câncer


transplantedemedula
Uma técnica inovadora de radioterapia feita para preparar pacientes com câncer para o transplante de medula óssea tem sido testada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O procedimento, chamado Targeted Marrow Irradiation (TMI), que foi desenvolvido por pesquisadores dos Hospitais Universitários de Cleveland, nos Estados Unidos, “destrói” a medula com uma irradiação mais focal, localizada, diminuindo o acesso da radiação a outros órgãos e tecidos sadios e, consequentemente, produzindo menos efeitos colaterais. No Brasil, o hospital é o primeiro a experimentar o tratamento.
De acordo com Ana Carolina Pires de Rezende, médica radio-oncologista do Hospital Albert Einstein, antes do transplante de medula, o paciente precisa passar pela etapa de condicionamento, a radioterapia que prepara o organismo para a cirurgia. Em muitos casos, para acessar a medula óssea, o procedimento é feito de corpo inteiro, o que pode prejudicar outros órgãos saudáveis, inclusive os vitais.
Essa radiação desnecessária, segundo Nelson Hamerschlak, coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do hospital, pode provocar inflamação do intestino, pneumonia, mais indisposição e cansaço, que acabam por interferir na qualidade do transplante. O método beneficiará principalmente aqueles que precisam fazer o transplante de medula óssea, como pacientes com leucemia ou mieloma múltiplo, com mais de 60 anos ou a saúde fragilizada por outros problemas associados, como a desnutrição.

Precisão da técnica
Os pesquisadores norte-americanos desenvolveram a técnica com o objetivo de reduzir a toxicidade do procedimento tradicional. Eles criaram uma diferente programação do equipamento radiológico, de forma que atinja efetivamente mais os ossos e o baço, áreas que precisam ser irradiadas, preservando os órgãos vitais. Segundo Ana Carolina, esse programa exige um planejamento específico e individualizado para cada paciente, com diferentes doses de radiação e regiões do corpo.
Devido a sua praticidade, a técnica não exige grandes investimentos. Segundo Hamerschlak, não é preciso adquirir um aparelho específico, apenas fazer pequenas adaptações e treinar a equipe, principalmente os físicos, para as novas programações. “Nossos profissionais acompanharam esse desenvolvimento em nível experimental e foram treinados ao longo de cinco anos”, afirmou.

Testes no Brasil
O método já é utilizado pela equipe de Cleveland há dois anos. No Brasil, o Hospital Albert Einstein realizou a radioterapia focalizada com sucesso em dois pacientes em junho deste ano. A dose de radiação foi referendada pela equipe americana.
A partir de agora, o hospital dará início a um protocolo de pesquisas para testar doses maiores da radiação, sem ampliar a toxicidade. Uma das perguntas a serem respondidas é se essa técnica reduz os casos de doença do enxerto contra o hospedeiro, uma das principais complicações do transplante, que normalmente acontece por conta da toxicidade da radioterapia.

13.341 – Astrobiologia – Por que a vida em Marte pode ser impossível?


Marte 2
A probabilidade de que os astrônomos encontrem vida em Marte pode ter caído consideravelmente com a descoberta de que o planeta é coberto de tóxicos capazes de destruir qualquer organismo vivo. Segundo estudo publicado no periódico Scientific Reports, nesta quinta-feira, a combinação entre as substâncias químicas do solo marciano e a forte radiação ultravioleta que bombardeia a atmosfera seria fatal para microrganismos como as bactérias – ou seja, qualquer vida surgida no passado seria eliminada pelas condições atuais de Marte.
A descoberta, de acordo com os cientistas, deve ser considerada por futuras missões para a busca de vida no planeta, pois apenas organismos enterrados dois ou três metros sob a superfície estariam a salvo da radiação.
O estudo, feito por uma dupla de astrobiólogos da Universidade de Edinburgo, na Escócia, foi baseado na descoberta de percloratos, substâncias com alto conteúdo oxidantes, em solo marciano. Missões como a Viking, da Nasa, que pesquisou o planeta nos anos 1970, já havia encontrado indícios da substância, que teve a existência confirmada pela sonda Phoenix, em 2008, e pelas missões Curiosity e Mars Reconnaissance Orbiter (MRO). Até agora os cientistas acreditavam que, apesar de o químico ser altamente tóxico para microrganismos, eventuais bactérias marcianas poderiam ter encontrado uma maneira de utilizá-lo como fonte de energia.
Para verificar essa possibilidade, Jennifer Wadsworth e Charles Cockell resolveram simular o ambiente marciano em laboratório e submeter a ele bactérias Bacillus subtilis, que são encontradas no solo terrestre e costumam contaminar sondas espaciais. Inicialmente, as bactérias foram expostas a perclorato de magnésio e bombardeadas com radiação ultravioleta em níveis semelhantes aos de Marte. Os pesquisadores perceberam que, com a presença do químico, os microrganismos morriam duas vezes mais rapidamente.
Em uma segunda leva de testes, peróxidos e óxidos de ferro, que também são encontrados no solo marciano, foram adicionados à combinação. Com as novas substâncias, as bactérias desapareciam onze vezes mais rapidamente do que no ambiente compostos apenas de percloratos e radiação.
“Apesar de suspeitarmos dos efeitos tóxicos de oxidantes na superfície marciana há algum tempo, nossas observações mostram que o solo atual de Marte é altamente deletério para as células, resultado de um coquetel tóxico de oxidantes, óxidos de ferro, percloratos e radiação UV”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Há vida em Marte?
O novo estudo, porém, não elimina a possibilidade de vida em Marte, segundo os cientistas. Isso porque ela pode ser encontrada no subsolo – onde estaria protegida das fortes radiações – ou mesmo se aproveitar das baixas temperaturas para se proteger. Quando Wadsworth e Cockell ajustaram a temperatura do experimento de 25°C para 4°C, a morte das bactérias foi sensivelmente reduzida, o que sugere que, em temperaturas amenas, talvez os microrganismos estariam a salvo. Em Marte, a média de temperatura fica em torno de -55°C. Além disso, as concentrações de perclorato não são uniformes na superfície marciana, o que poderia promover a existência de algumas áreas menos nocivas aos microrganismos.
Uma das possibilidades, de acordo com os astrobiólogos, seria encontrar vida no subsolo de Marte. Para confirmar essa hipótese, no entanto, as missões futuras ao planeta deveriam prever perfurações de até três metros na superfície.