13.228 – Física – Polêmica de Pons e Fleischmann sobre fusão à frio


fusao ou ilusao

fusao
Show de mídia mas a descoberta era furada

Em 23 de março de 1989, dois químicos da Universidade de Utah, o americano Stanley Pons e o britânico Martin Fleischmann, foram catapultados à fama. Numa coletiva, anunciaram que o sonho da energia ilimitada, limpa e barata estava para se realizar. Disseram ter conseguido obter na temperatura ambiente do laboratório a fusão nuclear, o mesmo processo que gera a energia do Sol. A descoberta foi batizada de “fusão fria” (no Sol, as temperaturas chegam a 15 milhões de graus centígrados).
A perplexidade e a descrença só não são totais porque também em ciência a esperança é a última que morre. A experiência divulgada pela dupla em fins de março numa entrevista à imprensa- por si só uma grave quebra de protocolo cientifico que irritou não poucos acadêmicos – foi reproduzida a toque de caixa por pesquisadores americanos e de outros países, entre os quais o Brasil, mas raras tentativas deram certo e houve pelo menos um caso em que os pesquisadores precisaram retratar-se depois de cantar vitória.
A fusão nuclear é a junção de dois núcleos atômicos de um tipo de hidrogênio, o deutério; processo que resulta na liberação de uma fenomenal quantidade de energia, sem a radioatividade liberada pelo urânio das usinas nucleares e com a vantagem de que o deutério tem na água do mar fonte quase inesgotável. O problema é que, para fazer os núcleos de deutério se fundirem, é preciso reproduzir as altíssimas temperaturas solares. Todos os processos conhecidos gastam mais energia do que produzem e só se sustentam por uma fração de segundo.
Por isso, o mundo entrou em polvorosa. Os pesquisadores de Utah tinham mergulhado dois eletrodos, um de paládio, outro de platina, em água rica em deutério. A corrente elétrica produziu tanta energia (na forma de calor), que o eletrodo de paládio se derreteu. A única explicação, diziam, é que tinha ocorrido a fusão.
Antes do fim de abril, os ventos tinham mudado para Pons e Fleischmann. A revista “Nature” recusou-se a publicar o artigo científico em que relatavam suas pesquisas, alegando insuficiência de dados. Os físicos das instituições mais respeitadas, como o institutos de tecnologias da Califórnia e de Massachusetts, passaram o trator: a verdadeira fusão nuclear produz, além de calor, uma grande quantidade de nêutrons e um isótopo chamado hélio-4. No experimento de Pons e Fleischmann nada disso havia sido detectado. Estes argumentaram que tinham encontrado nêutrons, mas atrapalharam-se nas explicações. Acusados de açodamento ou má-fé, mergulharam na obscuridade.
Os resultados da pesquisa pareciam espetaculares. Afinal, a fusão nuclear é perseguida há anos pelos cientistas como a salvação energética do mundo. Sua reação-irmã, a fissão, usada em usinas nucleares, tem os inconvenientes de utilizar átomos pesados (e difíceis de obter), como o urânio, e de gerar lixo atômico. Até hoje, tudo o que se conseguiu foi fundir átomos aos pares, usando imensos aceleradores de partículas.
Tão espetacular parecia a “fusão portátil” que a direção do Oak Ridge desconfiou. Pediu a uma dupla de físicos do laboratório que refizesse o experimento, usando um detector de nêutrons mais sensível. A conclusão foi de que os resultados haviam sido uma ilusão. “Não há evidências do excesso de nêutrons que caracteriza a fusão”, disse um dos físicos, Michel Saltamarsh, à revista eletrônica “Science Now”.
Outros físicos também atacaram o experimento de Taleyarkhan e Lahey: “O trabalho é uma colcha de retalhos, e cada remendo tem um furo”, disse Mike Moran, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia.
A polêmica chegou perto do ponto de fusão quando diretores do Oak Ridge pressionaram o editor da “Science”, Donald Kennedy, a adiar a data de publicação do artigo -ou a simplesmente enterrá-lo. O temor era que a pesquisa estivesse repetindo uma das maiores fraudes científicas da história, a da fusão nuclear a frio.
Anunciada em 1989 pelos físicos Stanley Pons e Martin Fleischmann, a fusão a frio foi alardeada na imprensa como a descoberta do século, para depois se provar um experimento irrealizável.

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