13.206 – ☻Nota do Autor


Se você era seguidor do megaarquivo.com, desde outubro de 2016 o domínio passou a ser megaarquivo.wordpress.com.

Depois de 5 anos tirando dinheiro do próprio bolso para divulgar conhecimentos, chegou uma hora que não deu mais e deixei de assinar o domínio.

Notei que desde então tem havido um número muito pequeno de acessos, creio que os seguidores então deixaram de localizar o blog. Assim sendo, seguindo a sugestão do WordPress, faço esta nota de esclarecimento.

O ☻Mega Arquivo tem ao todo 29 anos a contar do período que começou a ser manuscrito em março de 1988 e continuará a ser escrito nessa ou em outra plataforma. Agradeço a compreensão de todos os seguidores e boa leitura!

Carlos Rossi, escrevendo o ☻Mega desde 1988

velociraptor

 

13.205 – Quem foi Tiradentes e por que ele tem um feriado?


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Tiradentes, ou Joaquim José da Silva Xavier, basicamente é personagem de uma complexa história relacionada à Inconfidência Mineira. Tido como herói nacional, ele foi um dentista, minerador, militar e ativista político que nasceu em 12 de novembro de 1746 e morreu em 21 em abril de 1792, na Fazenda do Pombal (atual Ritápolis), em Minas Gerais.
Nesta época, o Brasil ainda era governado pela corte portuguesa, e embora viesse a se tornar um ativista, a princípio ele sequer gostava de política.
Filho de portugueses, quando tinha apenas 15 anos perdeu ambos os pais. Sob a tutela de seu tio, um cirurgião dentista, ele aprendeu a profissão, embora oficialmente fosse considerado um tropeiro, minerador e militar.

Participação na Inconfidência Mineira
Mas, foi como minerador que ele começou a se interessar pela política, quando viu que a corte portuguesa não fazia muito bem aos brasileiros. Devido à queda na atividade mineradora, a Coroa criou um sistema de impostos chamado Derrama, que cobrava preços abusivos para garantir as receitas do Quinto, uma espécie de imposto cobrado por Portugal de suas colônias.
Logo, e porque ficou revoltado com essa situação, ajudou a articular um grupo que lutasse contra esse tipo de abuso. Esse movimento, que tinha intenções separatistas, uma vez que queria libertar a capitania das Minas Gerais do Estado do Brasil, e consequentemente da coroa portuguesa, ficou conhecido como Inconfidência Mineira.
O fato é que no meio de seu grupo havia um delator, que denunciou a revolta ao governo. Então, dia antes de um ato público, muitos dos ativistas do grupo foram presos. E, embora o herói Tiradentes tivesse conseguido liberar alguns deles, a ação resultou em sua condenação à morte.
Então, em 1792, quando já estava com 45 anos e prestes a receber seu destino imposto pela Coroa, percorreu as ruas do Rio de Janeiro em direção ao seu local de execução. Os habitantes da região foram em peso acompanhar o evento, que foi marcado por discursos e fanfarras a favor dos governantes portugueses. A ideia deles era que as pessoas ficassem cientes do que aconteceria no caso de revoltas contra o Coroa.
Tiradentes então foi enforcado e posteriormente esquartejado para que seus restos mortais fossem exibidos em diferentes vias públicas.
No entanto, o que originalmente foi tido como um processo de intimidação, eventualmente se tornou motivo de inspiração para outras revoltas. Tiradentes logo se tornou um herói nacional e o dia de sua execução, em 21 de abril, se tornou motivo de feriado – embora este só tenha sido promulgado em 1965.
Enquanto essa é apenas uma das muitas homenagens que recebeu após a morte, outra especialmente relevante foi registrada em 1992, quando seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria.

13.204 – Tecnologia – A era dos ciborgues chegou?


era dos cyborgues

 

Como todas as outras espécies, somos o resultado de milhões de anos de evolução. Agora, porém, estamos assumindo o comando desse processo.
Engenharia e medicina unem-se na criação de próteses comandadas por chip, sensores e software. Elas devolvem os movimentos a pernas, cotovelos, pés e mãos e substituem por perfeição até ouvidos.
Adam Jensen é um ex-policial americano que foi gravemente ferido enquanto tentava impedir um ataque ao laboratório em que trabalhava como segurança. À beira da morte em uma sala de cirurgia, conseguiu ser salvo por médicos que instalaram uma série de próteses cibernéticas em seu corpo.
Perfeitamente adaptados ao organismo de Jensen, os novos membros não foram apenas responsáveis por devolver-lhe a vida. Eles o transformaram em um super-homem: olhos que projetam informações digitais, ouvidos que funcionam como headphones, um braço capaz de esmagar paredes, pernas que realizam saltos inimagináveis.
Essas próteses sobre-humanas ainda não estão disponíveis. Fazem parte do enredo de Deus Ex: Human Revolution, game lançado no ano passado, ambientado na sociedade futurista de 2027. Na vida real, os pesquisadores ainda não conseguiram projetar membros capazes de expandir as habilidades humanas. Mas já fabricam próteses eletrônicas altamente tecnológicas que trazem conforto e segurança a milhares de pessoas, em todo o mundo, que sofrem com algum tipo de deficiência física.
Joelhos, pés, mãos, cotovelos, ouvidos. Com a ajuda de softwares e microprocessadores, engenheiros e médicos estão criando equipamentos artificiais cada vez mais semelhantes aos membros físicos, aproximando a ficção da realidade. “Trata-se de um conceito conhecido como biônico, quando a interface da prótese passa a ‘entender’ a necessidade do paciente”, afirma o fisioterapeuta José André Carvalho, diretor do Instituto de Prótese e Órtese (IPO), em Campinas, no interior de São Paulo.

Próteses inteligentes
Mesmo que a perfeita integração entre homem e máquina ainda não tenha sido totalmente alcançada, os membros eletrônicos disponíveis hoje já auxiliam seus usuários de maneira significativa. “Temos pacientes que jogam basquete, tênis, andam de skate, de bicicleta. Ao fazer essas atividades, eles esquecem que estão usando uma prótese”, diz o fisioterapeuta Carvalho.
O corretor de imóveis Reginaldo Dias de Souza, 39 anos, é um dos que nem percebem a falta do membro perdido. Primeiro, porque não tem tempo. Souza, que também é dono de uma empresa que realiza obras, passa o dia andando de um lado para outro, inspecionando a construção dos empreendimentos imobiliários.

Amputado da perna esquerda após sofrer um acidente de moto, em 2010, Souza é usuário da C-Leg, uma prótese eletrônica de joelho fabricada pela empresa alemã Otto Bock. “Não tenho mais medo de andar na rua e cair. Com a prótese consigo pular, descer uma rampa, andar em piso acidentado”, diz Souza. Antes da eletrônica, ele havia experimentado uma prótese convencional, mas não se adaptou. “Como ando muito, esquecia que estava usando uma prótese e acabava caindo com frequência. Não tinha segurança”, afirma Souza.

Após dez anos de pesquisas, a C-Leg foi lançada em 1997 e conta com mais de 50 mil usuários ao redor do mundo. O joelho eletrônico procura dar estabilidade total ao paciente na hora de caminhar, além de permitir realizar os movimentos com maior naturalidade. Para isso, o sistema é equipado com dois sensores internos responsáveis por fornecer informações como o ângulo e a velocidade de flexão do joelho. Um software interpreta esses dados e os envia ao microprocessador, que converte comandos para que um pequeno motor ative o sistema hidráulico, permitindo assim o movimento. Um detalhe importante: isso acontece 50 vezes a cada segundo.

Apesar da alta tecnologia empregada, o processo de adaptação do usuário à prótese não é simples. Antes de poder utilizá-la sem restrições, o paciente deve passar por um período de treinamento, ganhando confiança para voltar a andar. Além disso, o responsável pela instalação do membro artificial deve registrar algumas informações básicas no microprocessador interno da C-Leg, usando Bluetooth. “Quando o paciente está em treinamento na clínica, verifico seus movimentos usando gráficos e consigo fazer os ajustes necessários no software. Todas essas informações ficam armazenadas na prótese”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.

O usuário da C-Leg também conta com um controle remoto, que pode ser usado para a realização de atividades específicas. Caso queira andar de bicicleta, por exemplo, basta ligar uma função para que o joelho fique “livre”, sem nenhum tipo de travamento do controle hidráulico. Se preferir esquiar, é possível manter o equipamento em um ângulo específico, próprio para a prática da atividade. Apesar de todas essas possibilidades, o membro artificial ainda encontra uma limitação: não é à prova d´água. “Não poder entrar no mar com a prótese é uma coisa que me deixa chateado. Se elas tivessem algum tipo de blindagem seria limitação zero, daria para fazer qualquer coisa”, afirma Souza.

Mãos e ouvidos biônicos – Buscando explorar cada vez mais recursos, a Otto Bock lançou o Genium, um joelho eletrônico com tecnologia superior à da C-Leg. Já disponível no mercado europeu, o aparelho ainda depende da liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado no Brasil.
Mas a oferta de próteses eletrônicas não fica restrita a joelhos e pernas. A empresa islandesa Össur projetou o Proprio Foot, um pé biônico que busca recriar o funcionamento do tornozelo. Por meio de sensores, o equipamento se adapta ao terreno em que pisa, modificando o funcionamento na hora de subir rampas e escadas, facilitando, assim, a movimentação do usuário.

Para os membros superiores, a alta tecnologia fica por conta das próteses de mãos. Desenvolvida pela companhia escocesa Touch Bionics, a i-LIMB revolucionou o mercado ao criar um sistema que permite o funcionamento de todos os dedos do membro artificial, a partir de motores independentes. Além disso, a prótese é capaz de realizar movimentos de rotação do punho e do dedão, possibilitando ao usuário segurar objetos de maneira segura.
A mão eletrônica funciona a partir da transmissão de impulsos nervosos vindos da contração dos músculos existentes na parte não amputada do braço. Captados por sensores instalados na prótese, esses sinais são convertidos em cargas elétricas e levados ao microprocessador do equipamento, permitindo a execução dos movimentos. Com um software instalado em seu computador pessoal, o usuário pode alterar os níveis de sensibilidade e aderência da mão, usando Bluetooth.

O jovem inglês Matthew James, 14 anos, é um dos pacientes que perceberam imediatamente os benefícios da i-LIMB. A nova prótese do garoto, que nasceu sem a mão esquerda, veio de uma maneira especial. Apaixonado por Fórmula 1, Matthew enviou uma carta para Ross Brawn, chefe de equipe da escuderia Mercedes. Nela, contava o desejo de ganhar uma prótese que fosse mais confortável e o ajudasse na vida cotidiana. Comovida, a equipe de corrida se dispôs a pagar parte das 35 mil libras (cerca de 95 mil reais), o valor da prótese.
Matthew contou sobre o novo membro tecnológico, que usa desde agosto do ano passado: “Agora, tenho muito mais controle e precisão. Posso segurar uma maçã ou, até mesmo, uma uva sem medo de esmagá-la. Além disso, ela é muito bonita. A luva transparente é sensacional.” Matthew afirma que usava pouco sua antiga prótese, porque era muito pesada e limitava os movimentos. Pesquisadores vêm desenvolvendo também membros artificiais que poderão substituir plenamente órgãos vitais, como coração, rins, pâncreas e bexiga.
Entre as próteses internas mais bem-sucedidas está o ouvido biônico. Com um procedimento conhecido como implante coclear, pessoas com surdez parcial ou total são capazes de voltar a receber estímulos sonoros. Desenvolvido desde o início da década de 80, o ouvido biônico funciona a partir de duas unidades, uma externa e outra interna.

A primeira é um processador de som. Captada por um microfone, a frequência sonora é digitalizada e enviada por meio de uma antena FM para a unidade interna. Instalado dentro do ouvido, na região da cóclea, esse dispositivo transforma os dados recebidos em impulsos elétricos, que estimularão o nervo auditivo responsável por levar as informações ao cérebro.
Processado por um software, o som que chega aos ouvidos parece uma voz robótica. Segundo o médico otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, coordenador do Grupo de Implante Coclear da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o procedimento cirúrgico para a colocação da unidade interna é simples. “Um pequeno corte é feito atrás do ouvido para a instalação da unidade interna. A cirurgia demora cerca de uma hora e meia e o paciente sai do hospital no mesmo dia.”
Fabricado por quatro companhias, o ouvido biônico custa 60 mil reais. Mais de cem mil pessoas já fizeram o implante coclear no mundo. No Brasil, são realizados 800 procedimentos por ano. Só no Hospital das Clínicas de São Paulo, a equipe do doutor Bento realiza aproximadamente dez implantes por mês.
Ainda que o número de usuários seja alto, nem todas as pessoas que perderam a audição podem realizar o implante coclear. “O desenvolvimento do córtex cerebral deve ser levado em conta. Um indivíduo com 20 anos de idade que nasceu surdo e por isso nunca teve o cérebro estimulado terá um resultado pior do que o de um bebezinho de 1 ano. O ideal é que o implante seja feito o mais cedo possível”, afirma Bento.

Alto desempenho
Mesmo com tantos recursos tecnológicos, as próteses biônicas não são a única opção para as pessoas que perderam membros. É o que explica Ian Guedes, diretor do Centro Marian Weiss, de São Paulo, especializado na reabilitação de amputados. “A prótese mais avançada eletronicamente não é necessariamente a mais indicada. Precisamos sempre pensar quais são as necessidades e a expectativa do paciente.”
Um bom exemplo disso são os pés fabricados em fibra de carbono, como os desenvolvidos pela empresa Össur. Chamados Cheetah, são destinados a atletas e funcionam como molas. As próteses absorvem o impacto e devolvem essa energia na forma de impulsão. “Nesse caso, não podemos pensar em sistemas eletrônicos, pois não resistiriam aos choques intensos sofridos com o solo”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.

O atleta Alan Fonteles, 19 anos, já está acostumado a essa rotina de choques intensos. Nascido no Pará, o jovem sofreu uma biamputação abaixo dos joelhos quando tinha apenas 21 dias de vida, devido a uma infecção intestinal que se alastrou pela corrente sanguínea. Mas a amputação nunca lhe foi um empecilho. Com próteses mecânicas aprendeu a andar e a correr. Conheceu o atletismo aos 8 anos.
“Era doido para fazer algum esporte e, como alguns amigos praticavam atletismo, resolvi correr também. Em 2005 comecei a competir e em 2008 entrei para a seleção principal paraolímpica”, diz Alan, que conquistou duas medalhas de ouro no Mundial Juvenil, após vitórias nos 100 e 200 metros rasos, além de uma medalha de prata no revezamento 4 por 100 na Paraolimpíada de Pequim, na China.
Morando em São Paulo há quatro meses, Alan treina diariamente no Centro Olímpico do Ibirapuera, focado na Paraolimpíada de Londres, que acontece em agosto deste ano. Corre sobre pernas de fibra de carbono Cheetah que pesam 512 gramas cada e suportam até 147 quilos. “As próteses convencionais machucavam e não me permitiam melhorar o rendimento. Dei um salto no desempenho com a Cheetah”, diz Alan.
“Quando estou na pista de atletismo, tenho um retorno de energia muito grande, o que me permite correr em alta performance.” O modelo que o garoto pobre do Pará ganhou de presente e que mudou sua vida custa hoje cerca de 30 mil reais. Ele tem quatro pares. Fora das pistas, Alan usa próteses convencionais.

Competição de iguais – Com a Cheetah, alguns para-atletas já são capazes de competir em nível de igualdade com corredores olímpicos. É o caso do sul-africano Oscar Pistorius, 25 anos, que nasceu sem as fíbulas, osso localizado na parte lateral da perna. Biamputado que utiliza a Cheetah desde 2004, Pistorius é campeão paraolímpico em Atenas e Pequim. Conhecido como Blade Runner, em razão dos pés finos de fibra de carbono, o sul-africano participou, no ano passado, do Campeonato Mundial de Atletismo correndo ao lado de atletas não amputados.
Agora, na busca por vaga na Olimpíada de Londres, Pistorius tem até junho para conquistar o índice olímpico da prova dos 400 metros rasos, de 45s30. Em entrevista, Pistorius diz que quer fazer história nos Jogos Olímpicos ao tornar-se o primeiro atleta paraolímpico a disputar as competições regulares. “Tenho certeza de que serão os melhores jogos já disputados. Caso me qualifique, vou buscar ser consistente em cada corrida, vendo até onde consigo chegar.” Pistorius já está classificado para as competições paraolímpicas dos 100, 200 e 400 metros rasos.
Carro na vaga especial – Sem a necessidade de equipamentos eletrônicos, Daniela Raddi adaptou-se bem à sua prótese. Diretora de esportes do Instituto Paulo André, criado para inserir crianças e adolescentes carentes no mundo dos esportes, e ex-jogadora da Seleção Brasileira de Polo Aquático, Daniela sofreu uma amputação abaixo do joelho esquerdo em 2007, resultado de uma cirurgia malsucedida, e hoje utiliza uma prótese fabricada com fibra de vidro e carbono. No dia a dia, Daniela caminha com uma perna que possui um dispositivo capaz de inclinar o pé, o que possibilita até o uso de salto alto.
Para treinar natação, a atleta troca por uma prótese com nadadeira acoplada. “Tem gente que não faz ideia de que sou deficiente. Se manco um pouquinho, falam ‘você está com dor no joelho?’ E, muitas vezes, brigam comigo, dizendo que é um absurdo parar em vaga de carro para deficientes”, afirma Daniela.
Ainda que a reabilitação seja feita de maneira personalizada, de acordo com as necessidades de cada usuário, o desenvolvimento de próteses tecnológicas tende a disparar nos próximos anos. Mas por enquanto o cenário projetado em Deux Ex: Human Revolution está longe de ser concretizado. Quem sabe até 2027 não tenhamos uma nova geração de ciborgues aminhando pelas ruas?

O primeiro ciborgue
Neil Harbisson chama a atenção por si só. O cabelo em formato de tigela, as calças coloridas e o olhar zombeteiro fazem desse britânico de 29 anos uma figura peculiar. Mas é um pequeno dispositivo saindo de sua cabeça que o torna único: Harbisson é considerado o primeiro ciborgue do mundo. Ele nasceu com uma doença chamada acromatopsia, que o impede de enxergar cores. Mas seu mundo em preto e branco durou até 2004, ano em que desenvolveu o Eyeborg, um dispositivo que permite “escutar” as diferentes tonalidades de cor.
Capturada por uma webcam, a imagem é direcionada a um chip instalado em seu crânio e capaz de analisar a frequência da luz e transformá-la em som. Com as cores transformadas em frequências sonoras, Harbisson conseguiu expandir seus sentidos. Quando vai a um museu ou passeia pelas cidades, não só aprecia a beleza visual como também “ouve” as diversas tonalidades de cor presentes nos objetos.
Com seu Eyeborg, Harbisson consegue escanear os padrões de cores das metrópoles. Para ele, Londres é vermelha e amarela. São Paulo, uma mescla entre o azul e o vermelho. Formado em artes visuais, Harbisson fundou a Cyborg Foundation, cujo objetivo é ajudar humanos a se tornarem ciborgues. “A proposta é ampliar seus sentidos”, disse Harbisson.
Experimente perguntar a Harbisson como se sente sendo um ciborgue e a resposta será: “Fui gradualmente percebendo, ao notar que os componentes cibernéticos passaram a fazer parte de meus sentidos. Foi estranho porque não sabia quase nada sobre ciborgues quando comecei o projeto”. No início carregava um computador de 5 quilos com cabos. A grande mudança foi a instalação do chip, que é desenvolvido para que fique cada vez menor.

Esperança robótica
Épico. Esta foi a palavra encontrada pela mexicana Tamara Mena, 25 anos, para descrever um momento que jamais acreditou que viveria novamente. Moradora da Califórnia desde os 13 anos, ela e o namorado, Patrick, estavam num táxi em Rosarito Beach, na fronteira com o México, quando o carro atropelou um cavalo na estrada. O impacto lançou o animal para o ar. Ele caiu sobre o automóvel, matando na hora o motorista e Patrick. Tamara ficou paralisada do peito para baixo.
Era 2005 e, conformada de que nunca mais andaria, Tamara seguiu em frente. Concluiu o curso de comunicação na California State University e passou a fazer palestras e dar apoio a pessoas que vivem situação como a dela.
Foi num desses encontros que conheceu um projeto criado pela empresa Ekso Bionics. “Estava em um hospital e uma paciente comentou sobre um aparelho que estava sendo criado para pessoas paraplégicas”, disse Tamara. “Fui procurar mais informações e descobri uma tecnologia inimaginável.”
Fundada em 2005 na cidade de Berkeley, na Califórnia, a Ekso Bionics desenvolveu o Ekso, um exoesqueleto robótico capaz de devolver o movimento às pessoas que sofreram algum tipo de paralisia nos membros inferiores. Alimentados por duas baterias de íon de lítio, os quatro motores e quase 30 sensores espalhados pela estrutura de alumínio recriam os passos humanos. Com duas muletas, os pacientes ficam em pé e caminham, ainda que não tenham a sensibilidade do movimento.
“A primeira vez que usei o Ekso tive medo de cair. Era uma sensação diferente, já que não sentia as pernas. Parecia estar flutuando”, conta Tamara. “Após cinco anos e meio sem poder andar, era impressionante ver o meu pé tocando o solo, o joelho se dobrando. Estava caminhando, avançando.”
Tamara tornou-se “piloto de testes” da companhia desde fevereiro de 2011. Inicialmente, a concepção do exoesqueleto tinha fins militares. No ano 2000, a Darpa, agência americana vinculada ao Departamento de Defesa, iniciou o projeto Exoeskeletons for Human Performance Augmentation, que pretendia criar poderosas máquinas capazes de gerar mais força e resistência aos soldados no campo de batalha.
O processo de desenvolvimento comercial dos exoesqueletos começou em 2005, quando Homayoon Kazerooni, Russ Angold e Nathan Harding, professores do Laboratório de Engenharia Humana e Robótica de Berkeley, fundaram o que seria a Ekso Bionics. Em 2008, foi lançado o HULC (Human Universe Load Carrier), equipamento militar comprado pela empresa bélica Lockheed Martin. Três anos mais tarde seria a vez de a companhia anunciar o Ekso, versão “civil” do exoesqueleto.
Desde fevereiro deste ano, o Ekso está sendo vendido a hospitais americanos especializados no tratamento de pacientes com mobilidade comprometida. Por aproximadamente 130 mil dólares, o equipamento tem autonomia de três horas e necessita do auxílio de um especialista, responsável por ativá-lo e acompanhar os passos do usuário.

13.203 – Internet e Sociedade – A Frieza das redes Sociais


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Inerente ao ser humano, o ato de reclamar encontrou no imediatismo e na simplicidade das redes sociais um novo lar, que oferece ao internauta um “megafone” para desabafar e reforçar seu ego.
A frieza do meio estimula o protesto e a crítica? Por que o ser humano usa a internet como um microfone inclusive para propagar mensagens destrutivas?
Vivemos tempos de muita democracia e pouca tecnocracia, que nas redes sociais qualquer cidadão pode se expressar em igualdade de condições com o maior analista em um assunto.

Quanto maior o acesso a tecnologia maior é a frieza do ser humano?
A tendência, no mundo atual, é as formas de contato social sofrerem uma reviravolta por causa das tecnologias. Antigamente, o contato familiar era mais frequente, pois não existiam formas de interação, como a internet e suas mais diversas ferramentas. Com o passar dos anos 90 e a difusão em larga escala da rede mundial de computadores, passa-se a ver ainda mais a individualização das pessoas na medida em que elas passam muito tempo no computador e se esquecem dos contatos primários (exemplo da família, amigos, namoradas ou namorados, entre outros).