13.200 – Espiritismo no Cinema – Nosso Lar 2 – Os mensageiros


Em breve a obra ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Chico Xavier estará nos cinemas de todo o País, com direção de Wagner de Assis.
Os Mensageiros relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem sucedidos em suas tarefas.
Em Os mensageiros, o Espírito André Luiz relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem-sucedidos em suas tarefas. Escalado para prestar atendimento fraterno na Terra, ele aprende que o trabalho é fonte de renovação mental e grande passo rumo à construção do bem. Apresentando a morte física como apenas uma passagem rumo à vida espiritual em contínua evolução, os 51 capítulos, psicografados por Francisco Cândido Xavier neste segundo volume da coleção A vida no mundo espiritual, mostram a necessidade do estudo, da prática e do trabalho aplicados na esfera íntima de cada um, para que o retorno à pátria espiritual aconteça com a certeza do cumprimento dos compromissos assumidos antes de renascer.

13.199 – Geografia do Brasil – Arroio Chuí


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É um pequeno curso de água localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, sendo conhecido por ser o ponto extremo sul do Brasil.
O arroio nasce num pequeno pântano no município de Santa Vitória do Palmar e, inicialmente, corre de norte para sul. Atravessando o município do Chuí, o arroio muda sua direção para leste, passando a marcar, então, a fronteira do Brasil com o Uruguai até desaguar no oceano Atlântico junto à Praia da Barra do Chuí, balneário de Santa Vitória do Palmar, tendo na margem uruguaia a povoação de Barra del Chuy.
O arroio Chuí é, frequentemente, citado como o ponto mais meridional do Brasil, entretanto, a afirmação não está totalmente certa. Geograficamente, o verdadeiro extremo sul do país é apenas um ponto em seu trajeto. A localização exata desse ponto sem nome é uma pequena curva do arroio, aproximadamente 2,7 quilômetros antes de sua foz, a 33° 45′ 03″ de latitude sul e 53° 23′ 48″ de longitude oeste. Por sua vez, a foz do arroio é, ao mesmo tempo, os extremos sul e oeste do litoral brasileiro (não do território nacional) e também os extremos norte e leste do litoral uruguaio.
Até 1978, as cheias e a ação das marés frequentemente alteravam o curso final do arroio, causando problemas diplomáticos entre o Brasil e o Uruguai – pois se tornava difícil delimitar exatamente a fronteira. Naquele ano, de comum acordo entre os dois países, foram feitas obras de dragagem e canalização que tiveram sucesso em estabilizar o curso inferior do arroio.

13.198 – Biologia – A Inteligência Animal


inteligencia-animal
Na floresta Kibale, em Uganda, uma família de chimpanzés se alimenta no alto de uma figueira. Ao terminar a refeição, mãe e dois filhos pulam para outra árvore. Mas falta coragem à filhote caçula, que fica onde está. Paralisada, ela começa a gritar. Para ajudá-la, a mãe se aproxima da cria e balança a figueira para os lados, até aproximá-la da árvore vizinha. Ela então agarra um ramo e com o corpo forma uma ponte natural por onde a macaquinha atravessa sã e salva.
A cena foi presenciada em 1987 pelo psicólogo Marc Hauser, da Universidade Harvard, que ficou maravilhado. Teria sido intencional? Será que a mãe visualizou a imagem de seu corpo formando a ponte? Ou será que só estava tentando ensinar a filhote a saltar, e ela espertamente aproveitou a chance?
Para quase todos nós, o encantamento com bichinhos fofos que parecem agir de caso pensado torna fácil trocar as interrogações acima por pontos finais. Pesquisadores como Hauser, no entanto, têm se dedicado a encontrar respostas científicas para decifrar a inteligência animal. Eles querem entender o que realmente se passa na mente dos bichos. E como esses processos acontecem. Uma baleia pode ter cultura? Macacos são capazes de traçar estratégias de caça ou construir ferramentas? Insetos têm memória?
Consenso existe apenas para o ponto de partida. De acordo com César Ades, um dos maiores especialistas em comportamento animal do Brasil, cientistas acreditam que a capacidade de pensar pode ter surgido independentemente em vários animais, e não somente nos mais próximos dos humanos na cadeia evolutiva. Até aí, tudo bem. Mas quais tipos de comportamentos podem ser apontados como frutos dessa habilidade? “A melhor definição para inteligência é a habilidade de resolver problemas”, afirma o pesquisador Culum Brown, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Em seu livro Wild Minds (“Mentes Selvagens”, sem tradução para o português), Marc Hauser propõe que vários aspectos da nossa cognição são encontrados nos outros animais. É o que ele chama de “kit de ferramentas”, um conjunto de habilidades como reconhecer a função de um objeto, ter noção de quantidade e de direção. A partir daí, os animais evoluíram de acordo com suas necessidades. “Cada espécie é ‘esperta’ à sua maneira, porque evoluiu respondendo a pressões diferentes. Não podemos compará-las”, diz o pesquisador Eduardo Ottoni, da USP. A maioria é, de modo geral, equipada com mecanismos de aprendizado que podem ocorrer por dedução ou tentativa e erro e se espalhar por imitação ou pelo ensinamento entre indivíduos. Mas para alguns animais foi mais vantajoso manter-se baseado apenas no instinto. Outros tiveram de aprimorar o kit diante de dificuldades, modificar seu comportamento e transmiti-lo para as próximas gerações. Foi o que aconteceu com os humanos. Mas, se olharmos de perto, macacos, cachorros e corvos têm em seus kits ferramentas muito parecidas com as dos humanos. As nossas até podem ser mais sofisticadas, mais complexas. Mas as deles funcionam perfeitamente para o que eles precisam.

Memória
Quando o estúdio Pixar colocou no filme Procurando Nemo uma peixinha que esquecia tudo em poucos segundos, estava brincando com uma idéia que por muito tempo existiu na comunidade científica: peixes teriam memória de apenas três segundos. Estudos recentes mostram que isso é balela. Esses animais são capazes de lembrar e ainda guardam as informações a longo prazo. Foi o que comprovou o pesquisador Culum Brown. Ele prendeu um grupo de peixes arco-íris australianos num tanque e os treinou para encontrar uma saída. Após cinco tentativas, todos conseguiam achá-la. Onze meses depois, o pesquisador refez o teste. Dessa vez, os peixes localizaram a saída na primeira tentativa.
Graças à memória, peixes também reconhecem outros indivíduos. Ao presenciar uma luta, o animal não apenas retém informações, como cria um ranking de lutadores. No futuro, ele evitará brigas com os fortões. Cardumes também são capazes de aprender e memorizar a se desvencilhar de redes ou então viajar em formações que os protegem de predadores.
Traços de memória também foram detectados numa das últimas espécies em que se esperaria encontrar essas características: as aranhas. Antes vistas como um daqueles animais para quem manter-se atrelado ao instinto teria sido mais útil, elas têm surpreendido os cientistas. Um estudo a apontar nesse sentido foi feito por César Ades, que analisou a reação da aranha-dos-jardins (Argiope argentata). De um modo geral, quando um inseto cai na teia, a aranha libera um veneno paralisante e envolve a presa com fios de seda para levá-la ao centro da teia, onde vai devorá-lo. Se nesse tempo outro animal for capturado, a aranha deixa a primeira presa amarrada e corre até a nova para repetir o procedimento. César descobriu que, para reencontrar a primeira presa, a aranha depende da memória. Para chegar a essa conclusão, ele retirou uma mosca amarrada na periferia. E percebeu que a aranha, sem contar com a ajuda de um marcador, como o feromônio utilizado pelas formigas, retornava exatamente ao local onde a presa estava originalmente.

Comunicação
Quem tem cachorro costuma ter uma frase na ponta da língua para se gabar da destreza do seu animal: “É tão inteligente que só falta falar”. É verdade que os cães continuam nos devendo um bate-papo, mas comunicar o que querem e entender o que as pessoas estão lhes dizendo já parecem fazer parte de suas habilidades.
Recentemente dois animais ficaram famosos: o border collie alemão Rico, de 10 anos, que consegue entender cerca de 200 palavras, e Sofia, uma legítima vira-lata “puro-sangue” brasileira de 3 anos, que demonstra o que deseja por meio de um painel com diversos símbolos.
Pesquisadores descobriram que Rico não só decorou os nomes de seus brinquedos como também é capaz de pegar, em meio a objetos familiares, um outro que não conhecia, após ouvir seu nome. A conclusão é que ele conseguiu associar a palavra nova ao objeto diferente. Os cientistas agora querem desenvolver uma mini-sintaxe com o cachorro e testar se ele entende frases mais complexas, como “pegue a bola e coloque na casinha”.
Essa também é a meta do grupo de pesquisadores brasileiros que está trabalhando com Sofia. A cadelinha manuseia um painel de símbolos. Para receber carinho, comer, passear, brincar, beber água, fazer xixi ou ir para a casinha ela aperta a tecla correspondente, que emite um som com a ação. É uma capacidade que seres humanos geralmente adquirem por volta dos 3 anos de idade.
Em outras ocasiões, Sofia foi capaz de combinar símbolos para se comunicar, como quando o zootecnista Alexandre Rossi, seu dono e treinador, escondeu um osso dentro da casinha. Inicialmente, a cadela apertou a tecla brinquedo. Ao perceber que o osso havia sido escondido, Sofia apertou a tecla da casinha e logo em seguida a de brinquedo.
Sofia domina um vocabulário razoavelmente menor que o de Rico. Mas seus treinadores acreditam que ela esteja um passo à frente. Os pesquisadores conseguiram juntar um verbo e um objeto em suas ações. Ela entende, por exemplo, as diferenças entre “apontar casa” e “buscar a bola”. Agora eles testam se ela sabe distinguir marcações de espaço nessas ações, como “em cima”, “embaixo”, “direita” e “esquerda”.

Cultura
Imo é uma macaquinha especial. Sozinha, ela criou comportamentos que mudaram o estilo de vida de uma espécie japonesa (Macaca fuscata) da ilha de Koshima. No começo da década de 50, pesquisadores perceberam que ela, por alguma razão, passou a lavar a batata-doce antes de levá-la à boca. Até então, os animais simplesmente enfiavam o alimento na boca com terra e tudo. Gradualmente o comportamento se espalhou na comunidade. Após algum tempo, vários dos filhotes já repetiam a técnica, visível hoje entre quase toda a população da ilha de Koshima.
Imo, que em japonês quer dizer batata-doce, não parou por aí. Alguns anos depois ela arrumou um jeito de peneirar o trigo que era espalhado na areia pelos pesquisadores que observavam o grupo. Inicialmente os macacos pegavam os grãos um a um, e demoravam um tempão. Mas um dia Imo teve a brilhante idéia de pegar um punhado de trigo e areia e levar até a água. A vantagem da técnica foi clara: a água facilmente separava os grãos da areia, e ela pôde comer tranqüilamente. Assim como as batatas, a lavagem do trigo não demorou para se espalhar pelo grupo.
Lavar batatas não é como escrever livros ou cantar ópera. Mas o que Imo fez – desenvolver um novo comportamento e depois repassá-lo aos seus semelhantes – é algo que pesquisadores nem cogitavam ser possível duas décadas atrás. Ela transmitiu cultura.
Outro exemplo bacana é um caso curioso observado entre baleias-jubartes da costa australiana, espécie em que os machos emitem um som musical provavelmente para atrair as fêmeas. Uma verdadeira revolução cultural teve lugar por lá quando, em 1987, um grupo de cantores do Pacífico Sul abandonou totalmente sua melodia para adotar a de colegas do oceano Índico. A mudança ocorreu após um perído de convivência entre os dois bandos. Aparentemente, alguns “menestréis” que viviam na região do Pacífico se deram conta de que os colegas do Índico faziam mais sucesso com as meninas. E tudo isso graças ao canto deles. A solução foi mudar a música para não ficar no atraso com a baleiada.

Planejar estratégias
Chimpanzés que habitam a floresta Taï, na Costa do Marfim, usam um sistema de caça que se assemelha à tática de um time de futebol quando querem capturar sua refeição favorita, o macaco-colobo-vermelho. Como a presa é menor, mais rápida e pode se refugiar em locais inacessíveis aos chimpanzés, os primatas desenvolveram um modo de agir em equipe para conseguir encurralá-lo.
Para isso, dividem-se em pelo menos quatro funções: o condutor, que persegue a vítima, direcionando seu caminho; o bloqueador, que sobe nas árvores para fechar as opções de fuga; o perseguidor, que seleciona o alvo e tenta a captura em movimentos rápidos; e o responsável pela emboscada, cuja missão é prever o trajeto do colobo e bloquear suas rotas. Esse último é uma espécie de centroavante do time, que se antecipa ao adversário para finalizar a jogada.
O “centroavante” é sempre um animal com mais experiência – o domínio da arte da caça leva cerca de 20 anos. Quanto mais velho, mais o chimpanzé é capaz de fazer antecipações e de menos movimentos ele precisa para atingir seu objetivo. Futebolisticamente falando, ele é uma espécie de Romário. Toca pouco na bola, mas quando o faz, quase sempre está bem colocado e marca o gol.
Também as guerras entre esses animais possuem táticas avançadas. Chimpanzés são capazes de variar estratégias de acordo com o adversário e o time à disposição para a partida. Quanto menor o exército, mais defensiva será a tática. Mas, se o bando for numeroso, a opção é fazer um ataque frontal e impactante. Também há operações em que fêmeas, jovens e idosos ficam na retaguarda, batucando e gritando, para criar a impressão de que a tropa de machos é mais numerosa. E, se as forças são iguais, geralmente um lado faz o movimento e aguarda a resposta do rival. Nesse caso, grupos de chimpanzés invadem o território inimigo para espalhar o terror e assustar rivais que perambulam desacompanhados. Em algumas ocasiões esse tipo de comando foi visto aprisionando e torturando fêmeas isoladas.

Uso de ferramentas
Pesquisadores que observam grandes primatas em florestas da África já flagraram esses animais usando todo tipo de ferramenta. Para coletar frutos em árvores espinhosas, calçam ramos lisos sob os pés, como se fossem sandálias. Outros aproveitam folhas largas como almofadas para sentar no chão úmido sem molhar o traseiro. Enfiar galhos em cupinzeiros para pegar os insetos também é freqüente. Em um nível mais avançado, alguns animais usam pedras como bigorna e martelo para abrir nozes ou coquinhos – uma pedra maior relativamente plana serve de base, onde é posicionado o fruto, que é golpeado com uma pedra menor.
A surpresa veio quando cientistas observaram que não eram apenas os grandes primatas que dominavam esse tipo de técnica. Pequenos macacos-pregos também eram capazes de usar rochas para quebrar cascas e transmitir esse conhecimento para o grupo. A descoberta gerou uma dúvida. Ao observar a habilidade em chimpanzés, imagina que ela tenha surgido em algum momento da evolução dos macacos que deram origem aos hominídeos. Mas o macaco-prego subverte essa idéia. Como poderia um animalzinho separado da nossa linhagem na evolução há mais de 40 milhões de anos aprender a usar ferramentas? Para o pesquisador da USP Eduardo Ottoni, que descobriu a proeza dos macacos-pregos no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, não deveríamos considerar o fato com estranheza, mas sim pensar em quais pressões no processo seletivo promoveram tal desempenho. Mais uma vez, é a espécie se adequando às necessidades que o meio impõe.
Se os pregos surpreenderam os cientistas, que dizer então de corvos da Nova Caledônia, na Oceania, que se mostraram capazes de manipular pequenos ramos para pegar insetos em buracos estreitos? O desempenho desses animais na natureza já era considerado incrível por conta da utilização de ferramentas naturais para se alimentar. Mas o que fez a fama deles foi um teste de laboratório na Universidade de Oxford em 2002. Enquanto estudava alguns corvos, o pesquisador Alex Kacelnik flagrou a fêmea Betty criando uma ferramenta. Com o intuito de comer um pedaço de alimento colocado no fundo de um tubo de ensaio, ela transformou em gancho um arame que estava por perto. O feito ganhou destaque porque levantou a suspeita de que talvez Betty compreendesse a conseqüência do ato. “Convivemos nesse planeta com animais pensantes”, diz Marc Hauser. “Cada espécie, com sua mente única, favorecida pela natureza e moldada pela evolução, é capaz de enfrentar os mais fundamentais desafios que o mundo apresenta. Apesar de a mente humana deixar uma marca característica no planeta, nós certamente não estamos sozinhos nesse processo”, afirma ele. A natureza pode ser mais sábia do que parece.

13.197 – Lei e Direito – Qual a função de um desembargador?


Símbolo da Justiça
É chamado desembargador uma espécie de juiz, membro do Tribunal de Justiça ou do Tribunal Regional, responsável pelo cumprimento da lei nos estados brasileiros. Ele é uma espécie de sábio da justiça, pois é encarregado de julgar a decisão de juízes mais novos quando algum dos julgados não fica satisfeito com a sentença dada em um tribunal.
Os desembargadores são profissionais com formação superior em direito, que realizaram funções jurídicas no setor público e prestaram concurso para um cargo no Ministério Público. Assim, não existe concurso para desembargador, pois o acesso a tal cargo ocorre apenas por nomeação. A origem dos desembargadores é diversa: são advogados ou membros do ministério público, nomeados pelo quinto constitucional. Alguns juízes podem ainda ser promovidos a tal título por merecimento.
Há em atividade no Brasil cerca de 800 desembargadores. Estes profissionais são classificados em três tipos: os desembargadores estaduais, pertencentes á justiça comum; os federais, ligados à justiça federal, e finalmente, os federais do trabalho, associados à justiça do trabalho. Todos trabalham até os 70 anos, quando são compulsoriamente aposentados.
Entre as várias funções atribuídas ao desembargador destaca-se o poder de julgar crimes comuns, habeas corpus concedidos ou negados, crimes de membros do ministério do trabalho, além de julgar causas que envolvam leis federais. Suas decisões são chamadas de acórdãos.
O termo desembargador, em seu sentido original, fazia referência aos juízes que removiam os embargos que impediam as petições de chegarem ao rei, isto no tempo de D. João II. Hoje em dia, o significado da palavra mantém o sentido básico, com a diferença funcional de não serem mais os recursos dirigidos ao rei, e sim encaminhados a análise dos tribunais competentes. Assim, desembargar significa retirar os embargos, ou seja, os estorvos. O título de desembargador tem venerável tradição, já que todo profissional necessita demonstrar uma série de características necessárias para exercer tal função, como por exemplo, raciocínio rápido, imparcialidade, concentração, total domínio do repertório de leis vigentes no país, sensibilidade, discrição, gosto pela pesquisa e pelo debate, autocontrole, autoconfiança, habilidade para a comunicação, equilíbrio emocional e capacidade de análise e síntese.
Interessante salientar que o desembargador goza de grande status no seio magistratura, mas, ao mesmo tempo, seu poder político não é amplo, pois nem sempre dá a decisão final, potencialmente sujeita a recurso para o STJ ou STF. Dada a importância do cargo, é de se esperar que este profissional contribua significativamente para a democracia, contribuindo para o cumprimento das leis e respeito à constituição.

13.196 – Livro – A Idade da Razão


idade da razão
É um romance de Jean-Paul Sartre, publicado em 1945. O livro é o primeiro volume da trilogia Os Caminhos da Liberdade (em francês: Les Chemins de la liberté).
O romance, que se passa na Paris boêmia dos anos 30, gira em torno da vida de Mathieu, um professor de filosofia que procura dinheiro para pagar por um aborto para Marcelle, sua amante. Em três dias, vários personagens e suas ações são analisados, e as percepções e observações dos personagens recolhidas para dar ao leitor um retrato detalhado do personagem principal.
A obra mostra claramente a noção existencialista sartreana e o perfil psicológico dos personagens – tomando decisões importantes para suas próprias vidas. Demonstra ainda como a concepção de Sartre sobre liberdade está intrinsecamente ligada à existência humana, sendo o alvo final desta existência.
Enquanto a novela progride, a narrativa do personagem expõe conceitos de Sartre sobre o que significa estar livre e como se opera no âmbito da sociedade com esta filosofia. Este romance é uma representação imaginária de seus trabalhos filosóficos principais (O ser e o nada) onde se alcança a liberdade suprema com o nada, ou, mais precisamente, sendo nada.

13.195 – Quando Surgiu a Paleontologia?


paleontologia
A paleontologia é a disciplina científica que estuda o registro fóssil deixado pelos organismos vivos, procurando compreender a história da vida na Terra. Apesar de ser um campo da biologia, durante o seu desenvolvimento inicial esteve mais relacionada com a geologia, pois os fósseis eram objeto de estudo de áreas como a mineralogia e a estratigrafia. Até praticamente o final do século XVIII a palavra fóssil denominava qualquer objeto escavado, não importando sua origem, e mediante este tratamento os fósseis eram estudados por aquelas áreas científicas.
A história da paleontologia analisa a trajetória da relação que o homem estabeleceu com os fósseis desde a pré-história humana. Primeiramente, vistos como “joguetes da natureza” ou curiosidades, os fósseis somente passaram a ser objeto de um estudo sistematizado, após a constatação de sua origem biológica e de sua posição em uma escala de tempo, também ampliada por este mesmo estudo. Assim o estudo dos fósseis (o termo paleontologia, somente viria a ser cunhado no século XIX, por Ducrotay de Blainville) emergiu como parte integral das mudanças na filosofia natural que ocorreram durante a Idade da Razão.
A origem dos fósseis e o seu significado na História Natural passaram a ser melhor compreendidos no final do século XVIII e início do século XIX, quando a comunidade científica passou a adotar como modelo os resultados dos trabalhos de Georges Cuvier (1769-1832). Estes estudos estavam baseados em seus princípios da anatomia comparada e levaram a instauração da paleontologia como ciência moderna, assim como da geologia . Desta forma, durante a primeira metade do século XIX houve um grande incremento na aquisição do conhecimento sobre a história da vida na Terra e também uma ampliação na escala de tempo geológico. Isto possibilitou a constatação de que houve algum tipo de ordenamento sucessivo no desenvolvimento da vida na Terra. Este fato contribuiu para a formulação de teorias de transmutação de espécies.
Após 1859, com a publicação do livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies, a paleontologia passou a ter como um de seus principais objetivos a composição de sequências filogenéticas, procurando estabelecer as vias evolutivas.
Durante a segunda metade do século XIX houve uma grande expansão na atividade paleontológica, especialmente na América do Norte. A tendência continuou no século XX, com regiões adicionais da Terra tornando-se abertas ao estudo sistemático dos fósseis, como por exemplo a China, onde importantes descobertas foram realizadas. Na última metade do século XX intensificou-se o interesse no esclarecimento das extinções em massa e o seu papel na evolução da vida na Terra.
Ainda no século VI a.C., Xenófanes de Cólofon foi mencionado por escritores posteriores de ter observado os restos de conchas de moluscos pelágicos nas montanhas, impressões de folhas em rochas de Paros, assim como várias evidências da presença antiga do mar nas terras altas de Malta, e atribuiu essas aparições às invasões periódicas do mar.
historiador Xanthus da Sardenha (circa 500 a.C.) também chamou a atenção para a ocorrência de conchas fósseis na Armênia, Frígia e Lídia, regiões distantes do mar, e concluiu que as localidades onde tais restos ocorriam tinham sido anteriormente o leito do oceano, e que os limites da terra e do oceano vinham constantemente sofrendo mudanças.
Leonardo da Vinci (1452-1519), em um trabalho não publicado, chegou à mesma conclusão dos antigos gregos sobre as variações dos oceanos. No entanto, em ambos os casos, os fósseis eram restos completos de organismos marinhos que detinham grande semelhança com espécies atuais e como tal fáceis de serem identificadas, permanecendo a questão se os fósseis não assemelhados à nenhuma forma de organismo conhecida, também tinham origem orgânica.
No século XVII Nicolau Steno (1638 – 1686), estabeleceu um ordenamento temporal para os estratos geológicos, nos quais os fósseis eram encontrados. Esta relação estendeu-se para os fósseis contidos nestes estratos, levando-os a serem tratados como registros da história da vida na Terra.
Com este tratamento surgiu o questionamento sobre o destino dos organismos que somente eram encontrados na forma fóssil. Os naturalistas que estudavam os fósseis, dividiam-se entre a defesa da ocorrência da extinção e a defesa da hipótese que propunha que tais organismos ainda deveriam ser descobertos em algum lugar do Globo. Somente após os trabalhos da anatomia comparada de Georges Cuvier serem aceitos pela comunidade científica, esta questão foi resolvida, pois possibilitaram as reconstruções paleontológicas, inclusive destes organismos extintos.
Shen Kuo (chinês: 沈括) (1031 – 1095), da dinastia Song, usou a evidência de fósseis marinhos escavados nas montanhas Taihang para inferir a existência de processos geológicos de geomorfologia e alterações do nível do mar ao longo do tempo.[9] Usando a suas observações de bambus preservados e petrificados, encontrados soterrados em Yan’an, região de Shanbei, província de Shaanxi province, defendeu uma teoria de mudança do clima gradual, uma vez que Shaanxi ao se tratar de uma região de clima seco não seria um habitat propício para o crescimento de bambus.
Como resultado da nova enfase na observação, classificação e catalogação da natureza, os filósofos naturais do século XVI na Europa começaram a estabelecer extensivas coleções de objetos fósseis, assim como também coleções de espécimes vegetais e animais, que eram frequentemente armazenados em gabinetes construídos para ajudá-los a organizar as coleções. Conrad Gesner publicou em 1565 um trabalho sobre fósseis que continha uma das primeiras descrições detalhadas sobre gabinetes e coleções. A coleção pertencia a um membro da extensa rede de correspondentes que Gesner se baseou para suas obras. Tais redes de correspondência informal entre os filósofos naturais e colecionadores tornou-se cada vez mais importante durante o curso do século XVI e foram precursores diretos das sociedades científicas que começam a se formar no século XVII. Essas coleções de gabinete e redes de correspondência desempenharam um papel importante no desenvolvimento da filosofia natural.
Durante a Idade da Razão, mudanças fundamentais na filosofia natural foram refletidas na análise dos fósseis. Em 1665, Athanasius Kircher atribuiu os ossos gigantes à extintas raças de humanos gigantes em seu livro Mundus subterraneus. No mesmo ano, Robert Hooke publicou o Micrographia, uma coleção ilustrada das suas observações com um microscópio. Uma dessas observações foi intitulada Of Petrify’d wood, and other Petrify’d bodies, que incluía uma comparação entre madeira comum e petrificada. Hooke acreditou que os fósseis provinham evidência sobre a história da vida na Terra.
Em 1667, Nicholas Steno escreveu um artigo sobre uma cabeça de tubarão que tinha dissecado. Ele comparou os dentes do tubarão com o com objetos fósseis comuns conhecidas como línguas de pedra. Ele concluiu que os fósseis deviam ter sido dentes de tubarão. Steno então teve um interesse na questão dos fósseis, e para abordar algumas das objeções à sua origem orgânica começou a estudar estratos rochosos. O resultado deste trabalho foi publicado, em 1669, como um precursor para a Forerunner to a Dissertation on a solid naturally enclosed in a solid. Neste livro, Steno estabeleceu uma distinção clara entre objetos como cristais de rocha que realmente se formaram dentro das rochas e dos fósseis, como conchas e dentes de tubarão, que se formaram fora dessas rochas. Steno percebeu que certos tipos de rochas foram formados pela deposição sucessiva de camadas horizontais de sedimentos e que os fósseis eram os restos de organismos vivos que tinham sido enterrados naqueles sedimentos. Steno que, como quase todos os filósofos naturais do século XVII, acreditava que a Terra tinha apenas alguns milhares de anos, recorreu ao dilúvio bíblico como uma possível explicação para os fósseis de organismos marinhos que estavam longe do mar.