13.023 – Religião – Igreja Adventista


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A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma denominação cristã protestante restauracionista, trinitariana, sabatista, não-cessacionista, mortalista e aniquilacionista, que se distingue pela observância do sábado, o sétimo dia da semana judaico-cristã (sabbath) e por sua ênfase na iminente segunda vinda de Jesus Cristo. A igreja surgiu após o Grande Desapontamento de 22 de outubro 1844, desencadeado pelo Movimento Milerita nos Estados Unidos, durante a primeira metade do século XIX, sendo formalmente criada em 1863. Entre seus vários pioneiros está Ellen White[10], cujos escritos são tidos pelos adventistas como inspirados por Deus.
Grande parte da teologia dos adventistas do sétimo dia corresponde aos ensinamentos cristãos tradicionais como a Trindade a infalibilidade bíblica, e protestantes como a justificação pela fé, a salvação por meio da graça apenas, o nascimento virginal de Jesus, seu batismo por imersão, seu sacrifício substituto na cruz, sua ressurreição, ascensão e segunda vinda. Os adventistas também possuem ensinamentos distintos de outras denominações cristãs como o estado inconsciente dos mortos e a doutrina de um juízo investigativo ocorrendo atualmente no céu. A igreja também é conhecida por sua ênfase na alimentação salutar e na mensagem de saúde, por sua compreensão indivisível entre corpo, mente e alma, pela promoção dos princípios morais e pelo estilo de vida conservador.
Em maio de 2007, os adventistas eram o décimo segundo maior corpo religioso do mundo e o sexto maior movimento religioso internacional . A Igreja Adventista do Sétimo Dia também é a oitava maior organização internacional de cristãos do planeta. No mundo, os adventistas são regidos por uma Conferência Geral, com pequenas regiões administradas por divisões, uniões, associações e missões locais. Possui atualmente cerca de 18 milhões de membros[20], está presente em mais de 200 países e territórios e é etnicamente e culturalmente diversificada. No Brasil existem cerca de 1,6 milhões de membros.
A igreja age por meio de numerosas escolas, universidades, hospitais, clínicas médicas móveis, programas e canais de televisão, abrigos, orfanatos, asilos, fábricas de alimentos naturais e editoras em todo o mundo, bem como uma proeminente organização de ajuda humanitária conhecida como Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA).
Com o movimento adventista consolidado, a pergunta sobre qual seria o dia bíblico de repouso e de culto foi levantada. O principal proponente da observância do sábado entre os primeiros adventistas foi Joseph Bates. Bates entrou em contato com a doutrina do sábado, através de um folheto escrito pelo pastor millerita Thomas M. Preble. O pastor Thomas havia sido influenciado por Rachel Oakes Preston, uma jovem da Igreja Batista do Sétimo Dia. Esta mensagem foi gradualmente comprovada pelas Escrituras Sagradas e formou o tema da primeira edição da revista The Present Truth traduzida como Verdade Presente e atualmente conhecida como Adventist Review, ou Revista Adventista que surgiu em julho de 1849. No Brasil, a Revista passou a ser publicada em 1906.
A igreja foi criada formalmente em Battle Creek, Michigan, no dia 21 de maio de 1863, com uma adesão de 3500 membros. A sede denominacional foi mais tarde mudada de Battle Creek para Takoma Park, Maryland, onde permaneceu até 1989. A sede da Associação Geral, em seguida, mudou-se para sua localização atual em Silver Spring, Maryland.
Até 1870 a igreja teve uma política da “porta fechada” focada nos veteranos que passaram pela experiência de 1844, vendo-os como um remanescente salvo.
Apesar de considerar os escritos de Ellen White como tendo sido inspirados, os adventistas do sétimo dia aceitam apenas a Bíblia como Escritura Sagrada, rejeitando qualquer literatura como tendo cunho canônico, se não estiverem inseridas no Antigo e no Novo Testamentos. Apenas a Bíblia é a revelação abalizada e definitiva para a igreja, e seus ensinos consistem na padrão autêntico e final em questões de norma, doutrina e conduta cristã. Para maiores informações, vide Crença Fundamental nº 01 do livro Nisto Cremos, no site da CPB.

Crenças
Lei (crença 19) – Os grandes princípios da lei de Deus estão incorporados nos Dez Mandamentos dados no Sinai. A chamada Lei Moral é eterna e imutável, expressando o caráter de Deus e possuindo assim validade ainda hoje para os cristãos (Êxodo 20: 3 a 17; 31:18; Mateus 5:17 a 19; 19:17; João 14:15; Romanos 3:31; Apocalipse 12:17 e 14:12);

Sábado (crença 20) – O Sábado comemora o ato criativo de Deus ainda na origem de todas as coisas, tendo sido santificado e abençoado pelo próprio Deus, e reservado como dia de descanso para todos os homens. Para os adventistas, o sábado deve ser observado no sétimo dia da semana, assim como diz em Êxodo 20:8, a partir de sexta-feira do pôr do sol até o pôr do sol do sábado, conforme as Escrituras. Segundo as Escrituras, os primitivos cristãos e o próprio Jesus observaram o sábado. (Gênesis 2:1 a 3; Êxodo 16; 20:8 a 11; Neemias 13:15 a 22; Isaías 58:13 e 14; 66:22 e 24; Ezequiel 20:12 e 20; Mateus 12:8; 24:20; Marcos 2:27a 28; Lucas 4:16; 23:54 a 56; Atos 13:27, 42 e 44; 16:13; 18:4; Hebreus 4:4 a 11; Apocalipse 1:10);

Segunda Vinda de Cristo e o Tempo do Fim (crenças 25 a 28) – Jesus Cristo voltará visivelmente à Terra depois do “tempo de angústia”, durante o qual o sábado será um teste de fidelidade. A segunda vinda será seguida por um reinado milenar dos santos no céu. A escatologia adventista baseia-se no método historicista de interpretação profética. Para os adventistas, a vinda de Cristo será literal, universal, visível e gloriosa (Salmo 50:3; Isaías 24:16 a 24; Mateus 24:29 a 31; Atos 1:10 a 11; II Tessalonicenses 1:6 a 10; 2:8; Tito 2:13; Hebreus 9:28; II Pedro 3:3 a 13; Apocalipse 1:10; 14:14; 20:1 a 10);

Holística da natureza humana (crenças 7 e 26) – O homem é uma unidade indivisível. Não possui uma alma imortal, mas se tornou alma vivente após receber o sopro de vida (ou espírito) de Deus. A morte é um sono inconsciente, vulgarmente conhecido como sono da morte. (Gênesis 2:8; Jó.3:17 a 21, 14:13 a 14; Salmo 6:5; 115:17; 146:4; Eclesiastes 3:19; 9:5, 6 e 10; Ezequiel 18:4; João 5:28 a 29; 11:11 a 14; Romanos 6:23; I Coríntios 15:51 a 56; I Tessaloniceses 4:14 a 18; I Timóteo 6:16);

Imortalidade condicional (crença 27) – Os ímpios sofrerão tormento por tempo indeterminado mas não eterno. O Aniquilacionismo é o seu destino, mas não sofrerão o tormento eterno no inferno. (Salmos 1:3-6; 2:9-12; 11:1-7; 34:8-22; 58:6-10; 69:22-28; 145:17, 20; Isaías 1:28; 65:6; Sofonias 1:15, 17, 18 e Oséias 13:3; Malaquias 4:1; Mateus 13:30, 40 e 48; Lucas 17:29; 19:27; II Tessalonicenses 1:9; Apocalipse 21:8; 20:14; 2:11; 20:6);

O Grande Conflito (crença 8) – A humanidade está envolvida em uma “grande controvérsia” entre Cristo e Satanás, a qual começou no céu quando um ser angelical (Lucifer) se rebelou contra Deus e Seu governo. Foi expulso do Céu e caiu na Terra perfeita (Éden), onde enganou Adão e Eva por meio do fruto proibido, e começou a dominar o planeta, que agora estava imperfeito por causa do pecado. (Gênesis 3:15; Isaías.14:12-14; Ezequiel.28:14 e 15; ver Efésios.6:12; I Pedro.5:8; Apocalipse 12:7 a 11);
Santuário Celestial e o Juízo Investigativo (crença 24) – Existe um Santuário no Céu, onde Jesus Cristo apresenta-se como nosso Sumo Sacerdote e Intercessor. Em 1844, como Sumo Sacerdote, Cristo iniciou o processo de purificação do santuário celestial, em cumprimento ao Dia da Expiação, descrito na Bíblia. O julgamento dos professos cristãos começou em 1844, onde os livros de registro são examinados para todo o universo ver. O juízo investigativo visa deixar claro a justiça de Deus perante a humanidade no desfecho do Grande Conflito entre o bem e o mal.(Êxodo 25:8, 9 e 40; Números.14:34; Ezequiel.4:6 e 7; Levítico.16; Daniel.7:9-27; 8:13 e 14; 9:24-27; João 1:29; Gálatas 3:23; Hebreus.8:1-5; 4:14-16; 9:11-28; 10:19-22; 1:3; 2:16 e 17; I João 2:1 a 2; Apocalipse.14:6 e 7; 20:12; 14:12; 22:12);
A Igreja e o Remanescente (crenças 12 e 13) – A Igreja Universal (invisível) é composta todos aqueles que verdadeiramente amam a Jesus Cristo e o aceitam como único e suficiente Salvador. Estes filhos e filhas de Deus servem-no de acordo com toda a luz que sobre eles têm incidido, e sobre tais pessoas repousa a terna e paternal solicitude de Deus. Mas no fim dos tempos um remanescente que guarda os mandamentos de Deus e tem o “testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17) será chamado para terminar a obra do Evangelho em todo o mundo. Este remanescente anunciará a “Mensagem dos três anjos” de Apocalipse 14:6-12 para todos os povos, nações, tribos e línguas. (Apocalipse. 12:17; 14:6-12; 18:1-4; II Coríntios. 5:10; Judas 3 e 14; I Pedro 1:16-19; II Pedro 3:10-14; Apocalipse. 21:1-14);
Espírito de Profecia (crença 18) – O Ministério de Ellen G. White é frequentemente relacionado ao Espírito de Profecia. Segundo a igreja, seus escritos são considerados inspirados e úteis para orientação, instrução e correção, embora esteja sujeito à Bíblia, que é a única e mais alta autoridade escriturística de fé, conduta, doutrina e prática para os adventistas do sétimo dia.[42] (Joel 2:28 e 29; Atos 2:14-21; Hebreus.1:1-3; Apocalipse. 12:17; 19:10);
Situação de não-combatentes
Por definição, os adventistas rejeitam o porte de armas e atividades onde tenham que portar armas. No entanto, aceitam e se voluntariam para atividades assistenciais em caso de guerra e de saúde. Durante a segunda guerra mundial, vários adventistas alemães foram executados[carece de fontes] em campos de concentração ou mandados para manicômios por se recusarem a portar armas e trabalharem para o regime nazista de Adolf Hitler.

Papel da mulher na organização eclesiástica
A Ordenação de mulheres para o Ministério é ativamente debatida dentro da Igreja Adventista. O papel especial de Ellen G. White dentro da denominação mostra a importância e contribuição das mulheres para o desenvolvimento da igreja, segundo visão geral. No entanto, embora Ellen White tenha tido um papel ativo dentro do Adventismo, existe uma forte resistência na liderança da denominação a fim de ordenar mulheres para serem pastoras. Durantes as Assembleias da Associação Geral de 1990, 1995 e 2015 os adventistas debateram a ordenação das mulheres. Em todas as ocasiões, a igreja decidiu não ordená-las.

Atividades no Sábado
Para manter o sábado como um dia sagrado, os adventistas se abstêm de trabalho desnecessário secular. Eles também evitam formas puramente seculares de lazer, como esportes competitivos e programas de TV não-religiosos. No entanto, passeios em meio à natureza, atividades com a família, obras de caridade e outras atividades que ligadas a Deus e ao meio ambiente, são incentivadas.
A sexta feira é conhecido como o dia da preparação. Isso porque grande parte do dia é gasto na preparação para o dia de sábado: vários arrumam a casa, aprontam refeições, entre outras atividades. No final da tarde, há geralmente um pequeno culto domestico de boas-vindas do sábado, uma prática muitas vezes conhecido como “culto do pôr do sol”. A Escola Sabatina começa com a reunião dos professores, vindo logo apos a divisão de grupos ou classes para o estudo ou recapitulação da lição da semana. Há noticias dos campos missionários, colecta de ofertas para as missões ou despesas da Escola Sabatina, mensagem musical cantada por um grupo ou solista, encerramento e enfoque no trabalho missionário, oração. Depois se inicia o Culto de Adoração que é mais solene com seleções musicais especiais, ofertas e o serviço culmina com a pregação seguida por apelo de conversão ou renovação de votos de seguir a Cristo com mais fervor.
No sábado à tarde as atividades variam, dependendo do contexto cultural, étnico e social. Em algumas igrejas, membros e visitantes participam de um almoço, que geralmente, é realizado na própria igreja ou na residência de algum membro ou família. Em outros lugares, o sábado à tarde é o dia de visitar doentes e dar estudos bíblicos.
Alguns retornam à igreja para o programa JA (Jovens Adventistas) ou culto jovem. O sábado se encerra na igreja com bençãos para a nova semana quando há concertos ou programações vespertinas. Do contrário, famílias e amigos se despedem do sábado com orações e cânticos.
Cerimônia de Santa Ceia
Os adventistas geralmente praticam a Santa Ceia quatro vezes por ano. A Santa Ceia é um serviço aberto que está disponível tanto para membros da igreja como para não membros. Ela começa com a cerimónia do lava-pés. Conhecida como “Cerimónia da Humildade”, é baseado no relato de João 13. O lava-pés é utilizada para simbolizar a humildade de Cristo em lavar os pés de seus discípulos na Última Ceia. Assim, os seus participantes lembram da necessidade de humildemente servir uns aos outros. Os participantes são separados por sexo para salas a fim de realizar esse ritual. Algumas congregações permitem que casais realizem a cerimónia juntos e incentivam que toda a famílias participe em conjunto. Após a conclusão, os participantes voltam para a igreja a fim de comer da Santa Ceia, que consiste em pão ázimo e suco de uva não fermentado.

Saúde e dieta
Desde a década de 1860, quando foi organizada, a Igreja Adventista tem dado ênfase na integridade do corpo e na saúde.Os adventistas são conhecidos por apresentarem uma mensagem de saúde que recomenda a seus membros o vegetarianismo e fazerem adesão às leis de saúde encontradas em Levíticos 11. A obediência a essas leis significa abstinência de carne de porco, frutos do mar e outras carnes tidas como impuras. A Igreja também desistimula os seus membros fazerem uso de álcool, abandonarem o tabaco e não fazer desnecessário uso de outras drogas lícitas e ilícitas. Os pioneiros da Igreja Adventista influenciaram na implantação de cereais na dieta ocidental. O moderno conceito comercial de alimentos cereais originou-se entre os adventistas.
A posição oficial dos Adventistas sobre o aborto é que “por razões de controle de natalidade, seleção de sexo ou conveniência, essa prática não é tolerada pela Igreja.” Entretanto, às vezes as mulheres podem ter de enfrentar circunstâncias excepcionais, que apresentam sérios dilemas morais ou médicos, tais como ameaças significativas para a saúde ou para a vida da gestante, graves defeitos congênitos no feto e gravidez resultante estupro ou incesto. Nesses casos a igreja respeita e aconselha a mulher a tomar sua própria decisão.

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