12.966 – Mega Almanaque Futebol – Mário Sérgio


Rio de Janeiro, 7 de setembro de 1950 – La Unión, 28 de novembro de 2016
Trabalhou como comentarista dos canais FoxSports de 2012 a 2016, e tinha um contrato com a emissora até a Copa do Mundo de 2018.
Mário Sérgio era um jogador reconhecido por sua grande habilidade e criatividade. Não por menos, ganhou o apelido de “Vesgo” pelo fato de olhar para um lado e dar o passe pelo outro. Porém, era também um jogador de muita personalidade, o que acabou por prejudicar sua carreira.
Tornou-se ídolo do Vitória-BA, e é considerado um dos melhores jogadores da história do clube. Não à toa, no dia 25 de agosto de 1991, quando o clube reinaugurou o estádio Barradão na partida contra o paraguaio Olímpia, então campeão da Libertadores, Mário Sérgio foi o escolhido para descer de helicóptero no campo para ser ovacionado pela torcida.
Seu nome aparece no livro “Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos”, de Paulo Vinicius Coelho e André Kfouri.
Mario Sérgio deu seus primeiros passos como atleta na equipe de futsal do Fluminense-RJ. Segundo o próprio, “joguei futsal uns 7 anos e fui bicampeão brasileiro com a Seleção Carioca.”
O pai de Mário Sérgio era sócio do clube, por isso Mario podia jogar de graça.
Nessa época, Mario terminaria o curso científico ingressaria na curso superior em processamento de dados. Como o esporte ainda não lhe dava dinheiro, decidiu abandonar a carreira e foi trabalhar numa empresa de computadores.

Flamengo
Em 1969, após ser levado por amigos, fez um teste no Flamengo e foi contratado. Sua grande habilidade, proveniente de sua formação no futsal, foi motivo de preocupação para os treinadores das categorias de base do time da Gávea, que tiveram muito trabalho para lhe tirar o vício de “fominha”. Nesta época, recebeu apoio dos treinadores Modesto Bria e Jouber. Foi campeão dos aspirantes, e no ano seguinte, mais por imposição da diretoria do que pela vontade do técnico do time principal, Yustrich, foi profissionalizado.
Yustrich, que era um forte adepto do futebol força, não gostava dos cabelos longos e das roupas coloridas que Mário Sérgio usava. Era o auge da curtição hippy, coisa que Yustrich, obviamente, não entendia. Costumava provocar Mário Sérgio chamando-o de boneca.
Um dia, o técnico expulsou-o de um treino e ordenou que não fizesse declaração a imprensa: “Tem um clube de Salvador te querendo, não vai estragar o negócio”. Mário respondeu: “Não vou. Gosto do Rio e minha família mora aqui”. E Yustrich: “Então, azar o seu, porque você nunca mais vai ter chance comigo”.
Depois de uma atuação abaixo de sua média em uma partida, Mário Sérgio foi colocado no banco de reservas. Quando entrava em campo, continuava com seu individualismo, o que desagravada o técnico.
Até que um dia, durante um coletivo, cansado das broncas do técnico, Mário fez embaixadinhas e depois encheu o pé na bola. Em seguida, largou o treino e disse que no Flamengo não jogava mais!
“ “Yustrich era adepto do futebol força e tinha seus métodos rígidos e absurdos de preparação. Um dia, joguei mal e ele me tirou do time. Achei injustiça, mas continuei a treinar entre os reservas. Num coletivo, querendo me mostrar, recebi uma bola longa, me esforcei, alcancei a bola a um palmo da linha e parti para o gol; já dentro da área, quando ia marcar o gol, Yustrich apitou dizendo que a bola saiu. Ah, peguei a bola e zuei. Dei um chutão para o alto, e disse que ali não jogava mais.”

Vitória
Começou a jogar pelo clube em 1971, mas o destaque veio no ano seguinte com a conquista do Campeonato Baiano.
No clube baiano, segundo a revista Placar, Mário Sérgio formou, ao lado de André Catimba, a melhor dupla de ataque da história do clube.
Em 1972, no primeiro jogo da final do Baianao, contra o Bahia, Mario Sérgio fez o único gol da partida. Antes do segundo jogo da final, que o Vitória venceria por 3×1, deu a seguinte delcaração: “Se o Vitória vencer o jogo, vou dar todo meu material. Vou sair de campo de sunga. Só não saio nu porque complica”.
Em 1973, faturou a Bola de Prata da revista Placar jogando como ponta-esquerda.
Em 1974, mudou de posição, e passou a jogar como armador. Mesmo com a mudança, fez novamente um excelente Brasileirão. Tamanha foi a importância do Vesgo para o clube naquela competição, que o mesmo foi premiado com a Bola de Prata da Revista Placar.
Brilhante no Vitória BA, onde passou quatro temporadas, Mário Sérgio se tornou rei na Bahia e caiu nas graças do torcedor baiano.
Fluminense-RJ
Mario Sergio foi contratado pelo Fluminense em 1975 para fazer parte da 1a. versão da “Máquina Tricolor”, com Rivelino, Paulo César, Gil, Manfrini e Edinho. Já no seu primeiro ano conquistou um Campeonato Carioca sobre o Botafogo.
Mesmo com o título carioca de 1975, uma indisposição entre o presidente do Fluminense, Francisco Horta e o jogador, acabou com sua passagem pelas Laranjeiras. No início de 1976, o craque foi contratado pelo Botafogo.

Botafogo
No Botafogo, Mario jogou de 76 a 79, e fez parte do chamado “time do camburão”, apelido dado pelo botafoguense jornalista Roberto Porto.[15] Ele justifica: “um time que tinha Dé, Mário Sérgio, Renê, Paulo César, Perivaldo e Nilson Dias… todos com a chave da cadeia!”
Em 1978 Mário teve uma séria contusão no joelho, que o afastou dos gramados por quatro meses. Forçando para voltar rapidamente aos gramados, prejudicou definitivamente seus meniscos. Isso fez com que ele ficasse afastado por mais quase um ano. Neste ínterim, o craque ficou sem ambiente com alguns diretores e acabou negociado com o Rosário Central da Argentina no ano seguinte.

Rosário Central
Mario foi para a Argentina, e sua esposa, que cursava engenharia, não o acompanhou nessa breve permanência em território argentino.
“Minha mulher havia acabado de ingressar no curso de engenharia, e tinha de cursar elo menos um semestre para não perder a matricula.”
Este fato, aliado a seu temperamento forte, abreviaram sua passagem pelo clube.
Na equipe, Mario jogou ao lado de Edgardo Bauza.

Internacional-RS
No Internacional, Mário fez parte do time que conquistou o Brasileirão de 1979 de forma invicta. Permaneceu no Internacional até 1981, levantando a taça do Gauchão daquele ano.

São Paulo
Mario Sergio chegou ao São Paulo agosto de 1981 e estreou em 16 de agosto e ficou até o fim de 1982. Neste clube, ele ganhou o apelido de “rei do gatilho” após esvaziar o pente de seu 38, dando tiros para o alto para assustar torcedores do São José, no Vale do Paraíba, que se manifestavam na saída da delegação são-paulina do Estádio Martins Pereira. Na partida de volta, o placar do Morumbi anunciava “nº 11 Mário Sérgio, o Rei do Gatilho”!

Mais tarde, Mário afirmaria que as balas eram de festim e se disse arrependido.
No dia 4 de outubro de 1981, mais de 30 mil pessoas viram o show do “Vesgo”, na goleada do São Paulo de 6×2 sobre o Palmeiras, com dois gols de Mário.
Mesmo com boas atuações, Mário não se adaptava ao esquema tático do técnico José Poy. Além disso, na época surgiram boatos sobre seu envolvimento com drogas, o suficiente para que ele fosse parar na Ponte Preta por um breve período.

Ponte Preta
Em 1983, foi contratado pela Ponte Preta, e participou de um time de medalhões montado pelo então presidente pontepretano Lauro de Moraes. Na ocasião, os técnicos Dudu, Nicanor de Carvalho, Tim e Cilinho não conseguiram extrair grande coisa com os talentosos Mário Sérgio, Dicá e Jorge Mendonça juntos.

Grêmio e a Conquista do Mundo
Ainda em 1983, no final do ano, foi contratado pelo Grêmio, a pedido do técnico Valdir Espinosa, apenas para a disputa do Mundial Interclubes.
“Ninguém queria o Mário Sérgio no Grêmio. Eu que insisti. Na primeira vez que falei, todo mundo pipocou: ‘Ah, ele é isso, aquilo, é bagunceiro…’. Mas eu conhecia ele. Joguei com ele, morei com ele. Eu reconhecia nele a sua qualidade extraordinária. Jogar contra alemão só com força não adianta. Tem que ter técnica para contrapor. Precisávamos do Mário Sérgio.”
Valdir Espinosa, contando o porque da sugestão na contratação de Mario Sergio para a disputa do Mundial, em 1983.
Mário Sérgio teve um papel fundamental para a conquista. Ele ditou o ritmo da equipe durante os 120 minutos, fez lançamentos precisos e usou sua habilidade para deixar os marcadores desorientados.
Mesmo fazendo boa partida contra o Hamburgo, não teve seu contrato prolongado.

Segunda Passagem pelo Internacional
Após o Grêmio, voltou para o Internacional. Dessa passagem, Mario se lembra do o Gre-Nal das faixas, na abertura de 1984. Segundo ele, “na hora de trocarmos as faixas, pensei: ‘Poxa, alguém aí vai me vaiar, gremista ou colorado, não vai ter jeito’. No fim, eu, com a camisa do Inter e a faixa de campeão do mundo pelo Grêmio, acabei aplaudido pelas duas torcidas. Me emocionei barbaridade.”

Palmeiras
No Palmeiras, Mario jogou em 1984. Quando da efetivação de sua contratação, a manchete da edição nº 737 da Revista Placar (julho de 1984) dizia: “Mário Sérgio voltou. O futebol também”.
Mário conduzia o time ao tão sonhado título do Campeonato Paulista de 1984 até ter sido flagrado em um exame antidoping, realizado num clássico contra o São Paulo, que o deixou suspenso durante seis meses.
Sobre o doping, uma polêmica: o exame aconteceu após um jogo contra o São Paulo. O Palmeiras vinha muito bem no campeonato sendo dirigido pelo técnico Mario Travaglini. Na partida, houve uma briga entre os jogadores, e depois da briga, ainda dentro do campo, vários jornalistas presenciaram o Dr. Marco Aurélio Cunha, do São Paulo, oferecendo uma Soda limonada ao Mario Sergio. Depois, no exame antidoping, foi constatado cocaína na urina do jogador, e o Palmeiras perdeu os pontos no Campeonato Paulista. Mesmo com toda a imprensa falou da Soda limonada oferecida pelo médico do São Paulo, a diretoria do Palmeiras não tomou nenhuma providência a respeito do fato e o caso foi encerrado sem punição ao Dr. Marco Aurélio Cunha.
Mário ainda voltaria a jogar pelo clube após a suspensão, com o mesmo brilho e o mesmo terrível temperamento de sempre, até deixar o clube em 1985.

Botafogo-SP e Bellinzona-SUI
Após o Palmeiras, Mario ainda teve passagens pelo Botafogo de Ribeirão Preto e pelo Bellinzona da Suíça, ambas em 1986.

Bahia e o anuncio da aposentadoria
Em 1987, Mario Sergio já não jogava no ritmo dos companheiros. Na quinta rodada do Brasileirão daquele ano, porém, Mário Sérgio recebeu a camisa 10 do técnico Orlando Fantoni de presente e foi a campo. Jogou os primeiros 45 minutos com atuação extraordinária e desceu para o intervalo, antes de todo mundo, como protagonista da vitória parcial por 1 a 0 sobre o Goiás. Conforme relatos do meia Bobo, “quando chegamos ao vestiário, Mário Sérgio já estava trocado, perfumado. Fez um pronunciamento muito educado, agradeceu a todos nós e disse que não voltaria para o segundo tempo. No vestiário, ele anunciou o fim de sua carreira”, lembra Bobô.
Ao encerrar a carreira em 1987, tornou-se treinador.

Seleção Brasileira
Entre os clubes que passou, Mário colecionou a fama de indisciplinado, o que fatalmente o afastava da Seleção Brasileira, apesar das suas indefectíveis atuações.
Mesmo assim, ele quase jogou a Copa de 1982. Apesar de ter feito parte de toda a preparação da equipe para a disputa daquele torneio, ele foi cortado na última convocação, substituído por Eder, do Atlético-MG. Mesmo não aparecendo na relação final de 22 nomes para a Copa na Espanha, ele esteve na lista de espera, de 40 nomes, registrada na FIFA.

Corinthians
Em 1993, trabalhou no Corinthians-SP. iniciou sua carreira de treinador no Corinthians no dia 13 de agosto do referido ano. Após a perda dos títulos Paulista e do torneio Rio-São Paulo, ambos para o Palmeiras, o clube procurava um nome para substituir o técnico Nelsinho, que deixava o clube para treinar uma equipe da Arábia Saudita. Como treinador corintiano, quase levou o Timão para a final do Brasileiro, após fazer uma incrível campanha de 15 partidas sem derrotas. Naquele mesmo ano, ele revelou o volante Zé Elias, que tinha apenas 16 anos. No comando do Corinthians, em duas passagens (outra foi em 1995), Mário Sérgio dirigiu a equipe em 31 partidas (16 vitórias, 13 empates e duas derrotas). Apesar de gozar prestigio com os atletas e com a diretoria, Mário Sérgio pediu demissão. Conforme o jornal Folha de S.Paulo, a repentina saída de Mário Sérgio do comando técnico do Corinthians é explicada por dois fatores. Foram os atritos com os dirigentes corintianos e os convites das emissoras de televisão que fizeram o treinador/comentarista abandonar o time às vésperas do começo do Campeonato Paulista. O treinador teve receio de que o desgaste com a diretoria do clube e os jogadores pudesse prejudicar a sua carreira de comentarista.[28] Após a saída do Corinthians, voltou a trabalhar como comentarista na Tv Bandeirantes.

Em 2015, afirmou que o clássico Corinthians, x São Paulo, disputado em 1993, o Corinthians topou pagar o juiz da partida para ser ajudado, mas que desistiu na última hora. Coincidência ou não, apesar de ter vencido a partida por 2×0, o Corinthians reclamou um pênalti não marcado pelo juiz

São Paulo FC
Voltaria a trabalhar como técnico novamente em 1998. No comando do São Paulo, dirigiu a equipe somente em 10 jogos (três vitórias, um empate e seis derrotas).

Sua passagem pelo clube ficou marcada por ter sido o único treinador a vetar Rogério Ceni de cobrar faltas.
“Cheguei no São Paulo em 1998 e o Rogério tinha feito só quatro gols na carreira. E aí eu tinha o Dodô, o França, e outros jogadores habilidosos. Eu cheguei pro Rogério, conversei com ele e falei: Rogério, eu não preciso de um goleiro que bata falta, eu quero um jogador nessa posição que não deixe a bola entrar”.
Atlético Paranaense
Mário Sérgio foi treinador do Atlético no início da campanha que resultaria no título do Brasileirão de 2001
Mário Sérgio coleciona passagens conturbadas por todos os clubes por onde passa. E no Ceará não foi diferente. Em sua curta passagem pelo clube ficou marcado por uma frase em uma de suas entrevistas coletivas em Porangabuçu. O treinador afirmou que o time iria perder a maioria de seus jogos pois o elenco era limitado e fraco, o que causou grande descontentamento por parte de jogadores, diretores e torcedores.
Mário Sérgio foi uma das vítimas fatais da queda do Voo 2933 da Lamia, no dia 28 de novembro de 2016. A aeronave transportava a equipe do Chapecoense para Medellin, onde disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana de 2016.
Além da equipe da Chapecoense, a aeronave também levava 21 jornalistas brasileiros que cobririam a partida contra o Atlético Nacional (COL). Entre eles estava Mário Sérgio.

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