12.781 – Ilusão da Mente – Por que achamos que vamos despencar quando estamos dormindo?


neurociencia
Talvez esta experiência pareça familiar: você está quase pegando no sono e, de repente, sente um sensação de queda chocante.
Você acorda assustado. É como se caísse em um buraco, tropeçasse em uma escada ou ficasse de pernas para o ar por alguns segundos. A sensação não é nada agradável e, às vezes, é forte o suficiente para acabar com o seu sono.
Esse fenômeno é conhecido como espasmo hípnico que, às vezes, pode ser acompanhado de uma alucinação visual. Ele ocorre quando os músculos, normalmente das pernas (embora possa ser observado em todo o corpo), se contraem involuntariamente e rapidamente, quase como um tique ou espasmo. Embora as razões não estejam muito claras, haveria dois motivos ligados a nossa perspectiva evolutiva.

Segurança
A primeira delas sugere que nosso corpo não relaxa imediatamente assim que adormecemos por uma questão de segurança. Nossos músculos ainda estariam despertos para uma última checagem para ter certeza de que estamos dormindo em um lugar seguro, ou ainda estaria pronto para uma resposta rápida de defesa nos momento iniciais antes de pegar no sono para valer.
Outra função evolutiva dessa contração dos nossos músculos – pelo menos para os nossos ancestrais – seria a de verificar a estabilidade da posição do nosso corpo antes de dormirmos, como no caso de cair no sono em uma árvore.

Conflito
Uma outra teoria ainda sugere que o espasmo hípnico é apenas um sintoma do nosso sistema fisiológico ativo que está cedendo, por vezes com relutância, para a nossa unidade de sono, quando estamos passando do controle motor e voluntário para um estado de relaxamento e até de paralisia corporal. Em essência, o espasmo hípnico pode ser um sinal do conflito que se passa em nosso cérebro quando “desligamos” para dormir.

12.780 – ‘Malware’ cerebral: hackers estão a um passo de ler mentes (?)


hacker
A guerra pela privacidade dos dados é praticamente uma batalha perdida para aqueles que acessam, mesmo que uma única vez, um website e fornecem seu nome e sobrenome.
Basta um clique para que os motores de busca e os hackers já tenham acesso a milhares de informações sobre cada pessoa. Com a criação de interfaces que conectam a mente humana a um aparelho, essa guerra se estende à esfera do pensamento.
Cientistas da Universidade de Washington, nos EUA, afirmaram que, com a criação dessa tecnologia de interfaces, cuja origem está nos aparelhos de encefalograma, existe a possibilidade de os hackers utilizarem esse meio para roubar informações pessoais. Isso pode ocorrer no momento em que os usuários estejam, por exemplo, jogando com os dispositivos que se conectam à sua cabeça, uma vez que estes recebem os sinais emitidos pelo cérebro.
Segundo os especialistas, nas sessões do jogo podem existir imagens que aparecem e desaparecem abruptamente, o que provoca reações involuntárias nos usuários, as quais são estudadas pelos hackers, revelando informações sobre suas preferências políticas e sexuais. “Isso é como um detector de mentiras à distância, um detector de pensamento”, explica Howard Chizeck, pesquisador da universidade, que afirmou que se não forem criadas rapidamente leis para proteger a privacidade, será tarde demais para evitar os ataques de hackers.

12.779 – Não tem santo na Política – Ditadura militar enriqueceu grandes empreiteiras


ditadura
Denúncias contra empreiteiras pipocaram nos anos 1950, principalmente com os planos de JK de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Depois, voltaram com a redemocratização. Já na ditadura, o silêncio. Sinal de limpeza? Não para o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, autor de Estranhas Catedrais. “Isso evidencia obviamente não o menor número de casos, mas o amordaçamento dos mecanismos de fiscalização e divulgação.”
Em 1969, o presidente Costa e Silva barrou empresas estrangeiras de participar das obras públicas no País. Com essa reserva de mercado e as obras faraônicas da ditadura – como Transamazônica, Itaipu, Tucuruí, Angra, Ferrovia do Aço e Ponte Rio-Niterói -, as construtoras se tornaram grandes grupos monopolistas ligados intimamente com o Estado e com poucos mecanismos de controle.
Até a década de 1960, as obras da Odebrecht mal ultrapassavam os limites da Bahia. Com o protecionismo de Costa e Silva, começou a dar saltos. Primeiro, construiu o prédio-sede da Petrobras, no Rio. Os contatos governamentais na estatal abriram portas para novos projetos, como o aeroporto do Galeão e a usina nuclear de Angra. Assim, de 19ª empreiteira de maior faturamento, em 1971, pulou para a 3ª em 1973, e nunca mais deixou o top 10. Outra beneficiada foi a Andrade Gutierrez, que saltou do 11º para o 4º lugar de 1971 para 1972.
Empreiteiras menos amigas da ditadura tinham futuro menos brilhante – como a mineira Rabello. Desde a década de 1940, seu proprietário Marco Paulo Rabello foi próximo a JK. Na prefeitura de Belo Horizonte, passou-lhe o Complexo da Pampulha. No governo de Minas, foram rodovias estaduais. Finalmente, como presidente, JK deu-lhe o filé mignon de Brasília: o Eixo Monumental, incluindo a Catedral, o Alvorada e o Planalto. Mas JK era um dos grandes desafetos dos conspiradores de 1964. Com o golpe, a Rabello ficou de escanteio. Foi perdendo licitações até ir à falência nos anos 1970.
Foi assim que, ao fim da ditadura, dez irmãs detinham 68,7% do faturamento das cem maiores empreiteiras – para Campos, não necessariamente por sua excelência técnica e administrativa, mas por suas conexões políticas.

12.778 – Vida na Terra se originou 220 milhões de anos antes do que se pensava


fósseis
Nas águas rasas do oceano primordial que cobria a Terra há 3,7 bilhões de anos, comunidades de micro-organismos já faziam o que alguns de seus parentes modernos continuam fazendo até hoje: construíam estruturas vagamente parecidas com cones ou morrinhos, grudando grãos de sedimento marinho uns nos outros conforme cresciam.
Essas estruturas, conhecidas como estromatólitos, são os mais antigos fósseis do planeta, argumentam pesquisadores australianos e britânicos em artigo na revista científica “Nature”. Embora já houvesse algumas indicações geoquímicas da presença de seres vivos mais ou menos na mesma época, a presença dos estromatólitos em rochas do sudoeste da Groenlândia seria uma evidência bem mais sólida sobre as origens da vida na Terra. As estruturas descritas no novo estudo são cerca de 200 milhões de anos mais velhas que os estromatólitos mais antigos conhecidos até então.
A equipe liderada por Allen Nutman, da Universidade de Wollongong (Nova Gales do Sul, Austrália), foi bastante sortuda ao identificar as estruturas porque, em rochas tão idosas, sempre há a ação de forças geológicas que modificam profundamente as características do material original. Apesar disso, os pesquisadores conseguiram identificar um trecho das camadas rochosas com a distribuição de camadas típica dos estromatólitos.
Tais estruturas surgem conforme micróbios que dependem da luz do Sol vão crescendo em camadas, deixando embaixo de si os restos de seus ancestrais e os sedimentos marinhos que capturaram ao se reproduzir (veja infográfico). Com o tempo, formam-se elevações que podem lembrar mesas, cogumelos ou cones.
Além da estrutura laminar característica, a composição química também sugeriu aos pesquisadores que estavam diante de objetos de origem biológica: os minerais dentro dos estromatólitos tinham uma “receita” diferente da que existia nas camadas de rocha circundantes, o que parece indicar a ação dos micro-organismos interagindo de forma específica com o ambiente marinho. Tais detalhes de composição química também foram essenciais para comprovar que o ambiente original das estruturas era o mar. Rochas vulcânicas achadas nas vizinhanças dos estromatólitos permitiram a datação relativamente precisa do surgimento deles.
Em Marte, por exemplo, já está claro que havia água no estado líquido na superfície do planeta durante as primeiras centenas de milhões de anos de sua existência. Teria sido suficiente para que micróbios simples surgissem? Ainda não é possível sanar essa dúvida. Mas, se estromatólitos já estavam se formando na Terra há 3,7 bilhões de anos, aumenta a probabilidade de que a resposta seja sim.
Isso porque, até 4 bilhões de anos atrás, a jovem superfície terrestre estava debaixo de chumbo grosso, sendo bombardeada constantemente por gigantescas sobras rochosas da formação do Sistema Solar. Esse primeiro período da história da Terra foi tão violento que ganhou o apelido de éon Hadeano (nome derivado de Hades, o reino dos mortos na mitologia grega).
A idade dos estromatólitos groenlandeses sugere que a vida se estabeleceu de modo relativamente rápido em meio aos escombros ainda fumegantes do Hadeano – até porque provavelmente seriam necessárias várias fases intermediárias de evolução de moléculas orgânicas e protocélulas antes que surgissem bactérias capazes de produzir estromatólitos.