12.768 – Especialistas alertam para esquema de ciberespionagem no Brasil


O grupo Citizen Lab, formado por especialistas da Universidade de Toronto, no Canadá, fez uma grande advertência sobre uma campanha de ciberespionagem que estaria se desenvolvendo desde 2008. Segundo os especialistas, a campanha é destinada principalmente a jornalistas e políticos, sobretudo do Brasil, Argentina, Venezuela e Equador.
A chamada Operação Packrat (que teria, segundo a Citizen Lab, algum tipo de patrocínio estatal), utiliza páginas da Internet e contas de redes sociais para enviar malwares que roubam identidades e publicam informações falsas. No Equador, por exemplo, de acordo com o jornal El Universo, os principais alvos são jornalistas, militantes ambientalistas e até um caricaturista.
Os hackers também desenvolveram uma página na web para conseguir nomes de usuários e senhas de políticos com o objetivo de invadir suas contas. Para operar, utilizam pacotes comerciais de trojans com acessos remotos que afetam computadores e smartphones, sem serem detectados por programas de antivírus.

12.767 – Vírus do chamado Projeto Sauron coloca em xeque a segurança mundial


Desde 2011, existe um vírus complexo e sofisticado que ataca a segurança cibernética de agências governamentais, organizações militares e centros de pesquisa.
Chamado de Projeto Sauron, ele já afetou 30 alvos diferentes no mundo todo, como o Irã, Ruanda, China, Rússia, Bélgica e Suécia, de acordo com um relatório publicado pela empresa de segurança com sede nos EUA, Symantec, e o Laboratório Kaspersky, na Rússia,

“O grupo utiliza um vírus avançado conhecido como Remsec para realizar seus ataques”, afirmou um porta-voz da Symantec. Além disso, um representante do Kaspersky afirmou que esse ataque facilita ações de ciberespionagem. O obstáculo principal colocado por esse vírus para não ser detectado é que ele tem a capacidade de deixar diferentes vestígios nas suas vítimas, por isso é impossível seguir um padrão para ajudar os pesquisadores a encontrar e prevenir outros ataques.

O vírus permite ao invasor acessar o computador afetado e roubar a informação que quiser. Embora os especialistas dessas empresas de segurança tenham conseguido avançar na pesquisa, ainda não foi possível encontrar uma forma de evitar que a segurança cibernética mundial esteja a salvo de seu ataque.

12.766 – Dicas psicológicas para lidar com a insônia


O filósofo suíço pop Alain de Botton disse certa vez que “a insônia é a vingança da mente por todos os pensamentos que evitamos durante o dia”. Não sabemos se ele proferiu a frase acordado às três da manhã, mas quem já passou pelo problema sabe que é difícil de discordar.
Tire da sua cabeça que você ficará péssimo no dia seguinte
É comum que insones passem por uma cruel fase de negociação com o despertador, que só piora o problema. Afinal, a percepção de que você passará o próximo dia com um imenso cansaço mental e físico pela falta de sono aumentará sua ansiedade e, por consequência, diminuirá mais ainda suas possibilidades de conseguir dormir.
Por isso, é uma ótima ideia colocar na sua cabeça que ocorrerá exatamente o contrário: acordarei muito bem, obrigado. O pensamento de que o próximo dia não será, afinal, tão ruim assim pode te ajudar a relaxar e pegar no sono no dia anterior.

Use a cama em horários precisos, para finalidades específicas
Isso doerá no fundo da alma, mas a afirmação acima também envolve não dormir mais do que o normal nos finais de semana. Adormecer e acordar no mesmo horário todos os dias, usar a cama só para o sono e evitar associá-la a atividades que não sejam “ZZZZZZZzzzz”, como assistir a uma série da Netflix ou estudar, são todas atitudes simples que podem mudar a maneira como sua mente encara a cama e ajudar a regularizar seu repouso. Essa abordagem quase militar não é um conselho incomum, e é conhecida como “higiene do sono”.

Evite usar remédios, se possível
Diversos estudos confirmam que a mudança de hábito induzida pela TCC é mais eficiente no tratamento de distúrbios no sono que vários alternativas farmacológicas. Esta pesquisa, por exemplo, publicada no JAMA International Medicine, atestou que a maior parte dos usuários do Ambiem (indutor de sono conhecido no Brasil como Zolpidem) apresentou uma melhora apenas razoável nos níveis de sono durante o uso e voltou à “estaca zero” após o término do tratamento. Além da baixa eficiência, há o risco de dependência química e de uma considerável diminuição do desempenho cognitivo e psicomotor ao longo do dia, o que os Mutantes chamariam de “Ando Meio Desligado”.

12.765 – Política – O maior pecado de Dilma: como um erro de meia década atrás levou ao impeachment


Todo mundo sabe qual é a resposta mais canalha para a tradicional pergunta de entrevista de emprego:
– Qual o seu maior defeito?
– Sou perfeccionista demais. Não sossego enquanto tudo não estiver c-e-r-t-i-n-h-o.

Tradução: “Eu não tenho defeitos”.
Dilma, esses dias, cometeu algo da mesma estirpe. À pergunta “Qual foi o seu maior erro?”, ela respondeu: “Ter aceitado o Temer como meu vice”.

Tradução: “Eu nunca errei”.

Diante uma resposta tão isenta de verdade, me atrevo a responder por conta própria. O maior erro de Dilma se deu no dia 31 de agosto de 2011. O Brasil vinha de um crescimento anual recorde: 7,5% em 2010 – o maior aumento de PIB desde 1986, quando o país teve um ano chinês em meio à (efêmera) euforia do Plano Cruzado.

2011 prometia um índice de crescimento bem mais modesto: na faixa de 3%. Mesmo assim, já era o dobro do crescimento dos EUA, em crise, e uma sambada na cara da Europa, que amargava sua maior recessão desde a Segunda Guerra.

A inflação também começava a sair da toca naquele agosto de cinco anos atrás. Tinha fechado 2010 em 5,9%, maior nível em seis anos. Natural: crescimento econômico puxa inflação – os ganhos da população aumentam, começa a circular mais dinheiro, e, se a produção de bens e serviços não acompanhar a quantidade extra de dinheiro na praça, os preços sobem.

Ciente do problema, o Banco Central vinha subindo a taxa de juros paulatinamente. De 8,5% no começo de 2010 até 12,5% em agosto de 2011. Subir a taxa de juros significa drenar dinheiro da economia, o que diminui a pressão inflacionária. O efeito colateral desse remédio contra a inflação não é banal. Ele freia o próprio crescimento da economia. Mas o País estava com a imunidade alta: mesmo com os juros subindo, vínhamos de um crescimento recorde. E caminhávamos para mais um ano de PIB gordo.

Aí entra Dilma. E seu maior erro. Ela e o trapalhão Guido Mantega chamaram o Banco Central na chincha e demandaram, exigiram, que os juros começassem a cair já, para deixar a economia crescer sem freio. Faltava combinar com a inflação. Ela continuava crescendo, com tudo apontando que o teto da meta do BC (6,5%) acabaria estourado naquela.

Mas dane-se. Numa atitude imperial, Dilma forçou o BC a baixar os juros, torcendo para a que a inflação caísse por vontade divina – ou por respeito aos seus milhões de votos.

A baixa dos juros, então, veio feroz. Quase 50% de queda – despencando dos 12,5% de agosto de 2011 para 7,15% no começo de 2013. A inflação continuou pressionando. Para segurar o dragão, Dilma adotou artificialismos: congelou o preço da gasolina (sangrando a Petrobras) e baixou as tarifas e energia ma marra. Esse cabresto nos preços controlados manteve a inflação relativamente quieta, na faixa dos 6%. E lhe garantiu a reeleição.

Fechadas as urnas, o governo liberou os aumentos dos preços controlados – de outra forma, levaria a Petrobras à lona e destruiria nossa infraestrutura de energia elétrica. Aí a barragem dos preços represados estourou, e a inflação deu as caras de vez. Saltamos de 6,5% em 2014 para 10,7% em 2015. Quase 50% de aumento. O que os juros tinham caído lá atrás a inflação subiu aqui na frente.

Não foi uma coincidência de números. Dilma apenas colhia a cicuta que tinha plantado em agosto de 2011, ao forçar uma baixa de juros no pior momento possível, ignorando 200 anos de teoria econômica.

Com a inflação, veio a queda de popularidade. Sem popularidade, ela perdeu o Congresso. Sem o Congresso acabou picada por sua cobra criada, o PMDB.

Sim, Dilma. Seu casamento com Temer não foi exatamente um acerto. Mas o erro que lhe custaria o cargo foi outro: o de agosto de 2011, que completa 5 anos justo agora. A economia não perdoa.

12.764 – Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal


vacina grafico
Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.
Cerca de 350 voluntários que vivem em regiões fortemente afetadas pelos parasitas devem receber a imunização, após uma avaliação inicial que indicou que a vacina é capaz de estimular o organismo a enfrentar os invasores.
Para os cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, a chamada fase 2 dos testes clínicos da vacina, cujo objetivo é testar sua eficácia num grupo relativamente grande de pessoas, tem um sabor especial.
Faz 30 anos que o principal ingrediente da fórmula começou a ser estudado por eles, e é a primeira vez no mundo que uma vacina contra um verme –e não contra um vírus ou uma bactéria, como é usual– avança tão longe no árduo processo que antecede a liberação comercial para uso em seres humanos.
O objetivo da vacina é cortar essa dificuldade pela raiz fazendo o que as vacinas fazem de melhor: gerando imunidade contra o parasita antes mesmo que ele entre em contato com o organismo humano. Foi com esse propósito que eles identificaram a proteína Sm14 (“Sm” é a sigla de Schistosoma mansoni, a espécie de verme causador da doença que é prevalente no Brasil). Presente na superfície do verme, ela serve para que ele obtenha lipídios (moléculas de gordura) do hospedeiro humano.
A vacina contendo a Sm14 faz com que o organismo das pessoas vacinadas produza anticorpos (moléculas de defesa) que atuam especificamente contra a presença do S. mansoni, bem como células especializadas em proteger o corpo da invasão, conforme revelaram testes com 20 voluntários sadios recrutados no Rio de Janeiro.
Outro ingrediente importante da vacina é o adjuvante conhecido como GLA, originalmente derivado de bactérias, que faz com que a reação do sistema de defesa do organismo seja ainda mais robusta.
Ao longo de décadas de pesquisa, a equipe da Fiocruz descobriu que a Sm14 é capaz de produzir imunidade para diversas espécies de vermes que parasitam a região intestinal aparentados ao S. mansoni.
Isso permitiu que a descoberta também levasse à criação de uma vacina para o gado, hoje em estágio avançado de desenvolvimento, e à possibilidade de testar a imunização no Senegal, em regiões onde há grande quantidade de casos de esquistossomose, causados por duas espécies diferentes de verme, o S. haematobium e o S. mansoni. Cada voluntário receberá três doses da vacina, com intervalos de um mês entre cada uma delas.
O teste clínico na África, que deve começar na segunda quinzena de setembro de 2016, será feito em parceria com a ONG “Espoir pour La Santé” (“Esperança para a Saúde”, em francês) e o Instituto Pasteur de Lille, na França. “Eles tinham uma estrutura muito boa para testar em campo uma molécula deles, que acabou não funcionando. Mas a estrutura ficou, tínhamos um contato bom com eles, que se empolgaram para nos ajudar”, conta Miriam.
A Fiocruz também está negociando a realização de outro braço da fase 2 numa região do Nordeste, área do país em que ainda há focos endêmicos da moléstia (os novos casos no país hoje são relativamente raros, chegando a pouco menos de 30 mil no ano passado).
Outra parceria crucial envolve a empresa Orygen Biotecnologia, que participará das etapas finais de desenvolvimento e de produção da vacina. “Nossa intenção é mudar o rumo do desenvolvimento de tecnologias contra as doenças parasitárias, que hoje não são um grande mercado comercial, não despertam um grande interesse da indústria. Estamos tentando inverter essa lógica, com um país endêmico desenvolvendo essa tecnologia para ajudar outros países endêmicos”, resume Miriam.