12.759 – Cientistas já conseguem manipular memórias


Por um lado parece assustador: é possível apagar ou alterar nossas memórias. Por outro lado, pessoas que sofrem com traumas ou de Alzheimer podem se beneficiar da novidade científica.
O mecanismo da memória ainda é bastante desconhecido pela ciência, mas um grupo de pesquisadores de Stony Brook University, em Nova York, conseguiu manipular lembranças ao alterar uma substância chamada acetilcolina.
Essa substância é conduzida por neurônios colinérgicos até a amígdala e parece estar diretamente relacionada à memória emocional. Outros estudos mostram ainda que pessoas com doenças neurodegenerativas apresentam alterações nesse sistema de neurônios colinérgicos e amígdalas.
O que os cientistas de Nova York fizeram foi expor alguns camundongos a situações traumáticas. Depois selecionaram um grupo que teve os neurônios colinérgicos estimulados e outro grupo que teve a produção de acetilcolina interrompida. No primeiro grupo, os camundongos levaram até o dobro do tempo para “esquecer” um trauma. No segundo grupo, é como se a memória tivesse disso apagada e os animais não apresentavam mais o trauma.
“Esta segunda descoberta foi particularmente surpreendente, já que essencialmente criou camundongos sem medo através da manipulação de circuitos de acetilcolina no cérebro”, diz Lorna Role, professora de neurobiologia e comportamento da Stony Brook.
O estudo foi publicado na revista Neuron e abre a possibilidade para novas pesquisas sobre controle de memória como uma opção terapêutica para vítimas de violência, pessoas que sofrem de transtornos pós-traumáticos ou mesmo àquelas que sofrem com perda de memória, amnésia ou declínio cognitivo.
Mas, é claro, que tudo pode ser usado para o mal também. E é inevitável não pensarmos na possibilidade de manipulação das mentes, em que a realidade é reescrita.

12.758 – Origem da Vida – Nada de sopa primordial


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Nada de sopa primordial: novo estudo dá pistas alternativas sobre a origem da vida na Terra
A principal teoria sobre o início da vida por aqui fala sobre um caldo orgânico que foi energizado na superfície do nosso planeta. Agora, um novo estudo contesta a hipótese e reforça a ideia da origem em ambientes mais extremos.
A ciência está longe de chegar a um consenso sobre como a vida começou na Terra. Há anos, a hipótese defendida pela maioria dos cientistas é que a matéria orgânica essencial para a vida surgiu em uma “sopa primordial” ou, como dizia Darwin, em um pequeno laguinho aquecido.
A radiação solar e as tempestades elétricas na atmosfera primitiva do nosso planeta teria sido o grande gatilho para que começassem as reações químicas que acabariam culminando em moléculas simples e mais tarde, na síntese de proteínas, gorduras e carboidratos. Dessa piscina orgânica surgiria o primeiro ser vivo.
Mas um novo estudo recém-publicado na revista Nature vem questionar essa proposta – e, para isso, decidiu ir lá atrás na árvore da vida. Pesquisadores da Universidade Heinrich Heine, na Alemanha, reuniram mais de 6 milhões de genes de micróbios para tentar traçar o perfil do Luca (acrônimo para last universal common ancestral: último ancestral comum universal, em português), que teria vivido há 4 bilhões de anos e a partir do qual todas as formas de vida que temos hoje teriam surgido.
Usando computadores para filtrar as bases de dados, os cientistas conseguiram chegar a 355 genes que provavelmente formavam o Luca – o que já indica que tipo de substâncias ele era capaz de produzir e em que ambiente viveu.
O perfil final mostra que Luca era um ser unicelular que não dependia de oxigênio, mas absorvia gás hidrogênio para sobreviver. A partir dessas características, os pesquisadores concluíram que o habitat dele necessariamente foi um ambiente rico em H2, CO2 e ferro… O que está diretamente ligado a outra teoria de origem da vida terrestre, que se opõe à da sopa primordial e postula que a vida nasceu em fontes hidrotermais das profundezas oceânicas.
A ideia da sopa explica muito bem como as primeiras células passaram a sintetizar proteínas e a guardar informações (com um mecanismo parecido com o DNA). Mas as fontes de energia apontadas pela teoria são extremamente voláteis. Isso significa que o aproveitamento energético das formas de vida primordiais teria sido muito diferente do observado em estrutura biológicas atuais.
Os defensores da hipótese das origem da vida em fontes hidrotermais partem do princípio de que os seres vivos têm um fator em comum na hora de produzir energia: eles utilizam gradientes de íons dentro das suas células. As células humanas, por exemplo, usam a energia que tiramos da comida para criar um desequilíbrio na concentração de prótons (íons H+). Conforme esses prótons se mexem, eles levam à sintetização de ATP, nossa molécula de energia.
No fundo do oceano, a interação entre a água e a rocha levou ao surgimento de fissuras na crosta terrestre. Quatro bilhões de anos atrás, as fontes hidrotermais liberavam fluídos alcalinos, que interagiam com um oceano que provavelmente era ácido. Esse desequilíbrio de acidez geraria um gradiente de prótons parecido com o das nossas células.
Lá no fundo do mar, os primeiros seres vivos teriam ainda um suprimento estável de gás hidrogênio, CO2 e minerais, além de uma estrutura de microporos inorgânicos que funcionariam como membranas celulares.
Essa teoria, portanto, defende que no início da vida os processos de geração energética já eram bastante parecidos com os que ocorrem dentro de células modernas e muito mais complexas. Mais tarde, as células aprenderiam como produzir seu próprio gradiente de prótons, sem depender mais do ambiente, e aí a vida teria colonizado todo o planeta.
Uma das implicações dessa teoria é que a vida poderia surgir com muito mais facilidade do que se ela depender da sopa – basta um planeta molhado e rochoso. Por outro lado, ainda há quem proteste mesmo com as novas hipóteses sobre o Luca.
Para os cientistas que seguem defendendo a sopa primordial, é possível sim que um ancestral comum dos seres vivos atuais tenha vivido no fundo do oceano nas condições descritas pela nova pesquisa – porém, para eles, esse organismo é sofisticado demais para ser o primeiro a surgir na Terra e, por isso, seguem insistindo que a vida nasceu na superfície, em um grande caldo refogado pelo Sol.

12.757 – Orelhões inteligentes dizem quando seu ônibus está chegando em São Paulo


orelhao inteligente

Pense bem: qual foi a última vez que você usou um orelhão? É, você sabe, aquele telefone público que fica na calçada, na esquina da padoca, às moscas… Mas agora eles ganharam uma nova utilidade: vão te dizer que ônibus estão chegando ao ponto mais próximo.
A ideia é colocar em uso os 25 mil orelhões da cidade de São Paulo, que estão praticamente abandonados – e, ao mesmo tempo, ajudar quem não tem smartphones com internet para checar a proximidade do busão. Por semana, só em São Paulo, 2,7 milhões de pessoas usam o transporte público sem internet no celular. Daí o nome do projeto, Smart Orelhão.
Para usar o serviço, é simples: você só precisa encontrar algum orelhão perto do seu ponto de ônibus e ligar para o número 0800 887 0878. Aí, o sistema vai dizer, com uma ~voz de mulher do Google~, quais linhas de ônibus estão chegando ao ponto – em ordem de horário e tudo. É muito chique, ainda mais por ser grátis (isso aí: não precisa de ficha, de moedas e nem de cartão telefônico).
Quando você liga para o 0800, o sistema do Smart Orelhão usa os dados abertos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para localizar o telefone de onde você está discando. Aí, uma vez que o programa saiba onde você está, ele acessa o sistema da SPTrans, identifica o ponto de ônibus mais próximo, checa os ônibus que estão chegando por lá – e te fala.