12.713 – Pesquisa revela nova espécie que deu origem ao ser humano


Ao analisar o DNA de nativos das ilhas Andaman, no Sudeste da Ásia, cientistas identificaram genes totalmente desconhecidos.
Os pesquisadores acreditam que tenha existido, na região das ilhas Andam, que pertencem à Índia, um ancestral humano até agora desconhecido. O estudo foi publicado na revista Nature Genetics.
“Para lançar luz sobre o povoamento do Sul da Ásia e as origens morfológicas encontradas lá, analisamos sequências de DNA de 10 indivíduos andamaneses e os comparamos com 60 indivíduos do continente e com bancos de dados públicos. As populações do Sul e Sudeste da Ásia apresentam traços no DNA que não são encontrados em nenhum outro humano até hoje”, relatam os cientistas.
Essa descoberta leva os pesquisadores a concluírem que, além dos ancestrais já conhecidos que deram origem ao Homo erectus, poder ter existido outro que transmitiu seus genes aos povos das ilhas Andaman.

Outros ancestrais
Em 2010, os cientistas descobriram o homem de Denisova, uma possível espécie de hominídeo localizada na caverna de Denisova, na Sibéria. A análise de DNA provou que este também foi um ancestral nosso. Antes disso, em 2004, na Ilha de Flores, na Indonésia, foi identificado o Homo floresiensis. Essa espécie foi apelidada de Hobbit, pela possível semelhança com as criaturas ficcionais de J.R.R. Tolkien.
Os genes mapeados agora nos andamaneses não tem relação com o Denisova ou o Homo floresiensis. Estaríamos diante de um novo ancestral.

12.712 – O filósofo Montaigne tem um conselho para quem trabalha demais


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Michel de Montaigne (1533-1592) era um admirador de Sócrates, e não apenas por motivos intelectuais. “Não há nada mais notável em Sócrates do que ele ter encontrado tempo para aprender a dançar”, dizia. O filósofo francês não admitiria o ritmo de vida de um profissional do século 21, multitarefa e sem tempo para nada. “Quando eu danço, eu danço; quando eu durmo, eu durmo”, escreveu.
“Numa época em que os pensadores valorizavam os escritos longos e difíceis, Montaigne passou a fazer textos curtos. Ele queria resgatar a ideia da filosofia da Antiguidade de guia para a vida das pessoas comuns”, afirma o historiador de filosofia Thomas Dixon, professor da Universidade de Londres e autor de Science and Religion: A Very Short Introduction (“Ciência e Religião: Uma Breve Introdução”, ainda não lançado no Brasil).
Neste esforço, Montaigne trouxe à tona um conceito de Cleantes (330 a.C. – 225 a.C.), filósofo grego que ganhava a vida carregando tinas de água, mas preferia trabalhar à noite, e apenas o mínimo necessário, para ter tempo de pensar durante o dia. Ele defendia um conceito muito simples: trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar. Você não somente será mais realizado na vida pessoal, como se tornará um profissional mais criativo.
Montaigne também defendia este raciocínio. Dizia que muitas das maiores dificuldades que uma pessoa experimenta na vida são imaginárias — só de pensar nos riscos e ameaças a que estamos sujeitos já sofremos por antecipação. “Para ele, trabalhar demais pensando em garantir o futuro ou a estabilidade dos filhos e netos não é uma forma recomendável de se viver”, afirma Dixon. “Melhor é aproveitar a vida em todos os momentos.”

12.711- Peso Pesado no Sistema Solar – Se a gravidade da Terra fosse igual à de Júpiter…


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Para ter muita gravidade, tio Newton ensinou, você precisa de muita massa. Nesse caso, 15,6 mais massa, com a Terra passando das esbeltas 6 sextilhões de toneladas que tem hoje para as jovianas 90 sextilhões de toneladas. Mas isso não deixaria a circunferência do nosso planeta tão grande assim – ela seria só 2,5 vezes maior. A circunferência de Júpiter, para comparar, é 11 vezes maior que a nossa. A rochosa Terra não precisaria crescer tanto, enfim, porque é mais densa: cada metro cúbico da Terra tem bem mais massa que cada um do planeta gasoso.
A mudança mais óbvia é tão óbvia que não precisamos nem mencionar (mencionando: você seria 15 vezes mais pesado). Agora vamos às mudanças mais inusitadas. Uma delas é que o ano teria 52 meses, com sete dias cada um. É que a gravidade extra aceleraria a Lua. O satélite iria girar quatro vezes mais rápido, completando uma volta a cada sete dias. Como a idéia de mês é baseada no tempo entre duas luas novas, as primeiras civilizações da Terra instituiriam que um anos tem 52 meses.
O clima mudaria bastante também. A gravidade extra achataria a atmosfera a ponto de ela ficar com só 30% da espessura que tem hoje. Na prática, isso traria um frio montanhoso para lugares que hoje são relativamente quentes. Uma cidade como São Paulo, que fica a 760 metros de altitude, teria o clima equivalente ao de lugares que ficam a quase 2 mil metros, como Campos do Jordão (SP), onde há temperaturas negativas no inverno. Já as montanhas com mais de 5 mil metros ficariam na estratosfera, onde a temperatura para de diminuir com a altitude, estabilizando-se por volta de 60 graus negativos. O pico do Everest, aliás, roçaria na camada de ozônio.
A atmosfera mais curta também seria mais seca. As nuvens não teriam espaço para crescer a ponto de formar chuva. Pelo menos não na quantidade de hoje. A evaporação da água do mar geraria nevoeiros, e as gotículas que eles formam seriam nossa única fonte de água doce. Sem água o bastante, é provável que as espécies mais complexas de vida terrestre jamais tivessem surgido – a começar pela nossa. Mas essa é a melhor das hipóteses. Nas pior, nos adaptaríamos a viver com água de nevoeiro, mas sob a pena de nunca, jamais, se dar ao luxo de ficar de ressaca. Melhor deixar a gravidade de Júpiter por lá mesmo.

12.710 – De ☻lho na Rede – WhatsApp pode acessar conversas deletadas pelos usuários


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Embora afirme constantemente que não possui acesso ao conteúdo das conversas entre seus usuários, o WhatsApp, na verdade, tem como cavucar nos seus registros para encontrar essas informações — mesmo depois de os usuários terem deletado as mensagens.
A descoberta foi feita pelo pesquisador especializado em iOS Jonathan Zdziarski. Ao examinar imagens de disco da versão mais recente do aplicativo, ele percebeu que o WhatsApp retém traços forenses dos registros de conversa. Esses dados podem ser acessados tanto fisicamente quanto remotamente, por meio de sistemas de backup.
O problema, segundo Zdziarski, está no banco SQLite usado pela empresa nos códigos do app, porque ele não faz a sobreposição de dados automaticamente. Assim, mesmo que esteja marcada como apagada, cada mensagem permanece disponível dentro do app ou em serviços de armazenamento como iCloud.
O WhatsApp possui um esquema forte de criptografia que impossibilita o acesso às conversas quando elas estão em trânsito. Só que quando as mensagens chegam nos aparelhos a história muda.
Não que essa situação seja exclusiva do WhatsApp. Em conversa com o The Verge, Zdziarski afirmou que vários serviços similares deixam traços forenses — “[o] iMessage deixa muitos”, disse. Já o Signal, que é focado em privacidade, está livre desse problema.
Essa descoberta pode complicar as coisas para o WhatsApp em batalhas judiciais. No Brasil, por exemplo, o app está à beira de enfrentar um quarto período de suspensão por se negar a fornecer dados de conversas entre potenciais criminosos. A empresa vem se defendendo há meses afirmando não ter acesso a esses dados.