12.709 – Bioeletricidade coordena formação dos órgãos


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Biólogos demonstraram pela primeira vez que as células embrionárias se comunicam, mesmo em longas distâncias, utilizando sinais bioelétricos, e usam essa informação para coisas essenciais, como saber onde o cérebro deve ser gerado e até o tamanho que o cérebro deve ter.
A bioeletricidade teve seus dias de glória com pesquisadores pioneiros, mas foi deixada de lado por muitos anos pela academia. Agora, com melhores técnicas para seu monitoramento, os sinais elétricos do corpo humano voltaram à pauta dos cientistas.
E, segundo o novo estudo, estes sinais são mais do que uma mera chave liga/desliga de eletricidade. Na verdade, eles têm um papel similar ao de um software que permite que um computador realize atividades complexas.

Sinais bioelétricos
A conclusão da equipe é que os sinais bioelétricos entre as células controlam e coordenam o desenvolvimento do cérebro embrionário e de vários outros órgãos.
A expectativa é que, descobrindo como manipular esses sinais, possa ser possível reparar defeitos genéticos e induzir o desenvolvimento de tecido cerebral saudável.
“Os sinais não são necessários apenas para o desenvolvimento normal, eles são orientadores,” confirma o Dr. Michael Levin, da Universidade Tufts (EUA). “Nós constatamos que as células se comunicam, mesmo em longas distâncias no embrião, usando sinais bioelétricos, e usam essa informação para saber onde formar um cérebro e que tamanho o cérebro deve ter.”
Os experimentos mostraram que a sinalização bioelétrica regula a atividade de dois fatores de reprogramação celular – proteínas que podem transformar células adultas em células-tronco.
Esses sinais bioelétricos são gerados por alterações na diferença de tensão ao longo da membrana celular – o chamado potencial de repouso celular – e pelos padrões diferenciais de tensão entre as regiões anatômicas.
E a sinalização bioelétrica envolve diferentes tipos de células, incluindo células somáticas maduras e células-tronco.

Remédios elétricos
Os experimentos demonstraram a função dos gradientes bioelétricos na formação do olho, dos membros e dos órgãos internos, além de mostrar que os gradientes naturais de tensão elétrica no embrião coordenam a formação do cérebro.
Com a ampliação das pesquisas na área, a expectativa é que os cientistas descubram técnicas terapêuticas que possam funcionar em conjunto ou servir de alternativa às terapêuticas químicas dos medicamentos.

12.708 – Odontologia – Dentes naturais são multiplicados pela primeira vez


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Os experimentos tiveram pleno êxito em animais, abrindo o caminho para os primeiros testes em humanos.
O processo começa com os chamados dentes germes, grupos de células que se formam no início da infância e que posteriormente se desenvolvem nos dentes.
Os dentes germes foram divididos em dois e depois implantados na mandíbula dos camundongos, onde se desenvolveram em dois dentes individuais totalmente funcionais.

Cultivo de dentes
Takashi Tsuji e seus colegas do Instituto Riken (Japão) concentraram-se no fato de que o desenvolvimento dos dentes se dá em um padrão de expressão gênica em forma de onda, envolvendo os genes Lef1, um ativador, e o Ectodin, um inibidor.
Para manipular o processo, eles removeram os dentes germes dos animais e os desenvolveram em meio de cultura. Num ponto apropriado do processo de desenvolvimento – 14,5 dias – eles cortaram os germes em dois usando um fio de nylon, mas sem separá-los completamente.
Os centros de sinalização, que controlam a onda de moléculas que regulam o desenvolvimento do dente, surgiram em cada um dos dois lados, gerando o desenvolvimento natural de dois dentes, que a equipe então transplantou para as maxilas dos camundongos.

Pacientes pediátricos
Ainda há questões a serem solucionadas, envolvendo o tamanho dos dentes, que ficaram menores do que os dentes naturais dos animais, e a pequena disponibilidade de dentes germes, mas os cientistas estão animados com novos progressos.
“Nosso método poderia ser usado em pacientes pediátricos que não desenvolveram devidamente os dentes como resultado de condições como lábio leporino ou síndrome de Down, uma vez que os germes de dentes permanentes ou dentes do siso poderiam ser divididos e implantados.
“No futuro, nós também poderemos considerar o uso de células-tronco para crescer mais germes, mas hoje existem barreiras para a cultura de tais células, que terão de ser superadas,” concluiu Tsuji.

12.707 – Medicina – Células-Tronco para Tratamento de Cirrose


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Doença crônica do fígado, a cirrose afeta a função deste órgão e pode originar um carcinoma hepatocelular, o que piora o prognóstico do paciente. O tratamento consiste em transplante de fígado, prática que tem como fator limitante a quantidade de doadores. O surgimento de novas terapias é, portanto, fundamental.
Um alvo terapêutico que tem atraído a atenção de pesquisadores para reparação e regeneração de órgãos e tecidos são as células-tronco mesenquimais pluripotentes. Essas células possuem a habilidade de se autorrenovarem, de se diferenciarem em tipos especializados de células maduras, de regular a resposta imune, reconstituir in vivo um determinado órgão, além de possuir propriedades anti-inflamatórias.
O grupo do professor Shuichi Kaneko da Universidade de Kanazawa (Japão), tem pesquisado essa possibilidade terapêutica, com o intuito de avaliar o potencial de regeneração e de reparo de fígados com cirrose, a partir da utilização de células-tronco mesenquimais. Para isso, os pesquisadores estabeleceram um modelo clínico relevante de cirrose não-alcoólico em camundongos, por meio de uma dieta rica em gordura. Os animais foram alimentados com colesterol, manteiga de cacau e fator de liberação de corticotropina, conhecido por induzir esteatohepatite, condição de acúmulo de gordura e inflamação das células do fígado.
Após o estabelecimento da situação clínica, os camundongos receberam células-tronco derivadas de tecido adiposo de outro camundongo, identificadas com um marcador fluorescente. Injetadas na veia portal/esplênica, essas células foram verificadas por intervalos de dias, com o objetivo de observar se elas se incorporaram ao tecido hepático.
De fato, os autores demonstraram que as células-tronco derivadas do tecido adiposo foram incorporadas ao tecido hepático e contribuíram para a diminuição da cirrose. O benefício foi comprovado por meio dos resultados que demonstraram recuperação da expressão de albumina, proteína produzida pelo fígado e presente em maior quantidade no plasma do sangue circulante. Outro benefício observado foi a redução da área de tecido com fibrose (substituição de células por fibras, o que acarreta a piora do paciente), tendo como resultado a recuperação da área afetada; bem como a supressão da persistente inflamação do fígado, podendo com isso ser restaurada a função hepática. De acordo com os pesquisadores, tais resultados abrem a possibilidade do uso dessas células-tronco como alternativa do transplante de fígado.

12.706 – Tratamento experimental contra Alzheimer tem resultado promissor


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Um grupo de cientistas que buscam um tratamento para atrasar o avanço do Alzheimer receberam com esperança os resultados de um pequeno ensaio clínico. O fármaco experimental LMTM, da empresa TauRx Therapeutics Ltd., sediada em Cingapura, foi concebido para reduzir a acumulação das proteínas tau no cérebro.
Quando o cérebro não funciona corretamente, essa proteína se acumula de forma anormal, provocando degenerações nos neurônios, como a doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência. De um modo geral, o ensaio clínico envolvendo 891 pessoas com suspeita de Alzheimer não mostrou nenhum benefício para os que tomaram até duas doses da droga ou um placebo.
A maioria dos pacientes do estudo estava tomando, além da droga experimental, outros medicamentos já aprovados para a doença de Alzheimer, disseram os pesquisadores. Mas um subgrupo menor, de cerca de 100 pacientes que estavam tomando apenas o fármaco experimental e não recebiam nenhum outro tratamento para a doença de Alzheimer, mostrou um ritmo de atrofia cerebral muito lento, de acordo com os resultados apresentados na quarta-feira na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC), em Toronto, no Canadá.
“Os resultados do estudo não mostraram benefícios do tratamento para nenhum dos grupos, independentemente das doses do fármaco, nas análises preliminares”, disse o autor do estudo Serge Gauthier, professor de neurologia na Universidade McGill. “No entanto, análises adicionais deram resultados muito alentadores e mostraram que os pacientes que tomaram o LMTM como monoterapia tiveram um declínio significativamente menor do que os pacientes de controle ou do que aqueles que tomaram o LMTM associado a outros tratamentos existentes para Alzheimer”, completou.
Os pesquisadores relataram “um benefício estatisticamente significativo nos resultados cognitivos e funcionais, e uma desaceleração da atrofia cerebral” neste pequeno subgrupo. Os resultados são parte do primeiro ensaio completo de fase III com uma droga anti-tau para a doença de Alzheimer.
“Em um campo minado pelos fracassos consistentes de novos candidatos a fármacos testados nas fases finais de ensaios clínicos e onde não houve nenhum avanço terapêutico prático na última década, estou animado com a promessa do LMTM como uma potencial nova opção de tratamento para esses pacientes”, acrescentou Gauthier.

Cautela
Especialistas não envolvidos no estudo, porém, pediram cautela na interpretação dos resultados. As conclusões são “interessantes mas também complexas, e vai levar tempo para a área determinar o que elas significam”, advertiu Maria Carrillo, diretora científica da AAIC.
“O pequeno número de participantes que receberam a medicação do estudo como monoterapia levanta questões muito importantes. São necessárias pesquisas adicionais para nos ajudar a entender esses resultados, para que mais e melhores terapias para o Alzheimer possam ser criadas e efetivamente testadas”, acrescentou.
O estudo mostrou também que 80% dos participantes relataram pelo menos um evento adverso, incluindo distúrbios do sistema gastrointestinal ou nervoso, infecções e problemas renais.
Quase 47 milhões de pessoas no mundo sofrem algum tipo de demência, um número que deverá subir para 131,5 milhões até 2050, segundo a federação Alzheimer’s Disease International. Não há cura para a doença, mas FDA, a agência sanitária americana, aprovou cinco medicamentos nos últimos 20 anos para tratar seus sintomas.

12.705 – Mega tabus – Fantasmas da Idade Média ainda assombram o sexo na modernidade


Muito do que pensamos, fazemos e condenamos hoje em relação ao sexo tem origem na Idade Média. Mesmo que de forma inconsciente, repetimos alguns tabus, medos, culpas e preconceitos que remontam há mais de 1 mil anos.
Confira algumas curiosidades sobre as relações sexuais em um período compreendido entre os séculos V e XV.

Preservativos
As “camisinhas” medievais eram feitas de pedaços de intestino de animais amarrados com barbante ou de linho. Em ambos os casos, o objetivo era prevenir doenças venéreas. A contracepção é algo bem mais recente. Só se pensou nisso em meados do século XVII.

Posição correta
A Igreja determinava que a única posição natural para o sexo era a conhecida “papai e mamãe”, na qual o homem fica em cima da mulher, cara a cara. As outras posições, assim como o sexo anal e oral, eram consideradas pecado.
Atos contra a natureza
Um estudo de São Tomás de Aquino concluiu que o único ato possível era o coito vaginal. Todo o resto eram sodomia ou “atos contra a natureza”: masturbação, sexo oral ou anal e homossexualismo eram pecados tão terríveis que podiam ser punidos com a morte na fogueira, forca, fome ou mutilação.

Prostituição
Durante um tempo, a Igreja aprovou a prostituição como forma de evitar o adultério e o homossexualismo. As prostitutas trabalhavam em bordéis e, nas aldeias, eram identificadas por roupas especiais.

Celibato
Os solteiros não podiam fazer sexo. Os fornicadores (aqueles que tinham sexo sem estar casados) deviam ser denunciados ao padre de sua congregação.

Impotência
Caso um homem tivesse problemas para satisfazer sexualmente sua esposa, um grupo de mulheres sábias examinava seu órgão genital para determinar se ele era capaz de procriar. Se, aos seus olhos, não era, o casal então tinha que se separar.

12.704- E aí, vai encarar? Leite de barata é mais nutritivo que o leite de vaca


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Só os mamíferos alimentam suas crias com leite produzido no próprio corpo. Mas uma espécie de barata específica, a Diploptera punctata, adotou uma tática parecida à nossa e abandonou os ovos – o meio de reprodução padrão dos insetos – para adotar uma espécie de útero, um órgão especial no interior do corpo em que os filhotes crescem alimentados por uma substância análoga ao leite.
A barata, sábia, não adotou os polêmicos mamilos, e não alimenta suas crias após o “parto”. Por isso, a ordenha é impossível. Para extrair e analisar a substância, os pesquisadores fizeram pequenos cortes na barriga dos filhotes, onde o líquido, após consumo, se transforma em pequenos cristais.
O resultado das análises indicou uma concentração notável de lipídeos, proteínas e açúcares, uma composição que, ao que tudo indica, deixaria um pote de whey protein com inveja – são quatro vezes mais nutrientes que o leite de vaca.
Um pequeno salto para a ciência, um grande passo para a academia do bairro.
Leonard Chavas, um dos cientistas que estão por trás da descoberta, perdeu uma aposta com os demais pesquisadores e precisou tomar um gole da substância. “Tem um gosto que não se parece com nada em especial”, afirmou à rede americana CNN.
A pesquisa foi resultado de uma colaboração entre membros do Instituto para Biologia de Células-Tronco e Medicina Regenerativa em Bangalore, na Índia, com especialistas de outras instituições.

12.703 – Brasil tem menos mulheres na política que o Afeganistão


É isso mesmo que você acabou de ler: quando o assunto é proporção de mulheres na Câmara e no Senado perdemos para o Afeganistão, que nem está tão bem cotado assim – entre 193 países, ocupa o 50º lugar na classificação.
O ranking com a representatividade feminina na política foi divulgado pela União Interparlamentar Internacional (UIP) em junho deste ano. Os países foram classificados levando em consideração o número de assentos ocupados por mulheres nas duas casas (Câmara ou Casa Baixa e Senado ou Casa Alta) de seus respectivos congressos.
Ruanda é o país com a maior porcentagem de mulheres em cargos políticos – 51 dos 80 lugares da Câmara são ocupados por elas. Na sequência, aparecem Bolívia, Cuba, Seicheles, Suécia e Senegal. Na lanterna do ranking está o Haiti, onde nenhuma mulher exerce cargo político.
Dentre os 50 melhores colocados, é difícil estabelecer um padrão para definir as nações com mais igualdade de gênero na política: 19 deles ficam na Europa, 16 na África, 11 na América, três na Ásia e apenas um na Oceania.
Mas o fato é que estamos no 153º lugar do ranking. Não chega a ser 7 X1 para o Afeganistão, mas enquanto 27,1% dos representantes do congresso afegão são mulheres, aqui elas ocupam apenas 12% dos cargos parlamentares.
Ok, 50º lugar não é exatamente um ideal de igualdade. Mas o Afeganistão coleciona elementos que dificultam a compreensão da boa representatividade de suas mulheres na política. Primeiro porque é extremamente militarizado e vive em guerra.
Em um recente estudo do Instituto de Economia e Paz (IEP) sobre os países mais perigosos do mundo, o Afeganistão aparece em quarto lugar. O último grande conflito envolve grupos islâmicos extremistas que impõe severas restrições às mulheres. Por lá, as mulheres não podem andar na rua em locais ocupados pelo Estado Islâmico se não estiverem acompanhadas por um homem.
Além disso, o país viveu sob o regime Talibã de 1996 a 2001: na época, as mulheres eram proibidas de ir à escola, não participavam de decisões políticas e tinham que andar cobertas dos pés à cabeça. A primeira Constituição a defender (alguns) direitos iguais a homens e mulheres foi promulgada em 2004. Ou seja, faz 12 anos que as afegãs votam e são votadas.
Apesar da mudança nas leis, o Afeganistão é o quarto país com maior distinção de gênero em decisões legais. Uma mulher solteira não consegue tirar passaporte, não faz documento de identidade nem viaja sozinha. Também não existe nenhuma lei que as proteja contra assédio. E isso se reflete no mercado de trabalho: se você entrar em uma empresa afegã, verá poucas funcionárias – elas são apenas 16% da força de trabalho.
Convenhamos, Afeganistão não é um exemplo de nação democrática e Cabul está bem longe de ser Genebra. Mesmo assim, estão na nossa frente e diante de países progressistas como Uruguai, França e Austrália.
O trunfo das afegãs foi talhar seu lugar no principal documento do país: na Constituição de 2004 ficou estabelecido que 27% dos assentos da Câmara e 16% do Meshrano Jirga (o equivalente ao nosso Senado) seriam reservados às mulheres.
Enquanto isso, tem ministro brasileiro fazendo troça com o assunto. Em uma viagem ao México, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, brincou sobre o “perigo” que a grande quantidade de mulheres no senado do país representa para os políticos homens no Brasil. Como era de se esperar, a piada não teve tanta graça no meio diplomático.
Apenas uma das provas de que, na Praça dos Três Poderes, o poder ainda é um só: o masculino.