12.579 – Nanotecnologia – Robôs que controlam espermatozoides podem resolver problema de infertilidade masculina


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Apelidados de “spermbots” (espermatozoides-robô), os mecanismos possuem hélices de metal em miniatura, grandes o suficiente para envolver completamente a cauda de um único espermatozoide e ajudá-lo ao longo de seu caminho até o óvulo. Os bots são movidos com o auxílio de um campo magnético controlado pelos cientistas. Todas as experiências realizadas até então tinham sido com gametas de touros em uma placa de Petri (recipiente utilizado para cultura de micróbios). Ao atingir seu alvo e adentrar o óvulo, o espermatozoide é forçado pelo invólucro de metal a inverter a direção para se libertar.
Embora ainda estejam em fase inicial, os novos spermbots poderiam, teoricamente, proporcionar uma alternativa mais eficaz à inseminação artificial e fertilização in vitro (em que o óvulo é removido do corpo antes de ser fertilizado) para casais. O trabalho do grupo do Instituto de Nanociências Integrativas do Leibniz Institute for Solid State and Materials Research, em Dresden, na Alemanha, foi publicado na revista Nano Letters.
“Nossos resultados indicam que micro-hélices de polímero revestidas de metal são adequadas para esta tarefa, devido ao movimento controlável e não-prejudicial do molde 3D. Apesar do fato de que ainda há alguns desafios no caminho para que a fertilização seja bem-sucedida com espermatozoides, acreditamos que o potencial desta nova abordagem para reprodução assistida já pode ser colocado em perspectiva com o presente trabalho”, explica o relatório.
A revista New Scientist relata que os minúsculos robôs são feitos de nanopartículas de ferro e titânio e possuem 50 micrômetros de comprimento e de 5 a 8 micrômetros de diâmetro (1.000 micrômetros equivalem a um milímetro). Eventualmente, eles poderiam encontrar uma ampla gama de utilizações para o mecanismo. Eric Diller, engenheiro mecânico e industrial da Universidade de Toronto, no Canadá, que não estava envolvido na pesquisa, disse em entrevista à revista: “Este tipo de abordagem híbrida pode liderar o caminho na tomada de microssistemas robóticos eficientes”.
As próximas etapas consistem em descobrir um método de melhorar o controle da direção destes spermbots, atualizando a construção do micromotor. Além disso, é preciso investigar possíveis problemas relacionados ao sistema imunológico do corpo. O vídeo divulgado pela American Chemical Society para acompanhar o relatório diz que este é “um começo promissor”, mas ainda há muito trabalho a ser feito.

12.578 – Neurociência – Controlar memórias com ultrassom


A aplicação do ultrassom na neurociência agora pode permitir um controle e até a “edição” de nossas memórias num futuro.
Os primeiros passos dados neste sentido ficaram por conta de um experimento com minhocas em que cientistas usaram o ultrassom para controlar seletivamente células cerebrais de forma não-invasiva. Em outras palavras, controlaram remotamente as células individuais no cérebro.
Modificação das células cerebrais
Essa tecnologia subjacente foi cunhada sonogenetics e foi anunciada pela primeira vez como uma técnica que pode modificar as células do cérebro, em um artigo publicado pelo cientista Stuart Ibsen e seus colegas em 2015. Partindo da lógica que é possível mudar como as células do cérebro trabalham e, desta maneira, como se conectam, também haveria o potencial de alterar, pela aplicação do ultrassom, nossas memórias.
Hipoteticamente, com a sonogenetics seria possível deixar para trás memórias que não gostamos, como fortes emoções ou lembranças traumáticas. Essa tecnologia também nos permitirá mexer com as estruturas que sustentam nossas memórias. De qualquer maneira, antes que você se empolgue em fazer qualquer tipo de terapia do tipo, nós lembramos: os testes foram realizados em minhocas, mas a prova do conceito está aí para divagarmos a respeito.

12.577 – Genoma de Leonardo Da Vinci será reconstruído


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Quase 500 anos após sua morte, uma equipe de cientistas, formada por historiadores, genealogistas, microbiologistas e especialistas em DNA, quer reconstruir o genoma de Leonardo Da Vinci até o ano de 2019.
Eles esperam contar com a ajuda de vestígios do material genético que pode ser colhido de suas obras e com o uso de radares para obter os mesmos dados do túmulo de seu pai e outros familiares.
“Se é possível coletar o DNA da obra de Leonardo e sequenciá-lo, esse material genético pode ser comparado com dados de esqueletos e restos que tenham sido exumados”, explica Jesse Ausubel, vice-presidente da Fundação Richard Lounsbery.
Os historiadores não têm certeza sobre o paradeiro exato do corpo do artista, mas pretendem analisar seus supostos restos mortais que estariam na capela de Saint-Hubert, na França, já que seu túmulo original, situado na igreja de Saint-Florentin, foi removido após o edifício ser destruído.
Por meio dessa pesquisa, a equipe tem como objetivo aprender mais sobre a vida de Da Vinci, seus costumes, sua aparência, sua saúde e também seus antepassados.

12.576 – Sim, aliens existem (ou existiram), cientistas concluem


“Sim, aliens existiram”. Com esse título definitivo, o astrofísico Adam Frank, da Univeridade de Rochester, inicia o artigo que publicou na última sexta-feira no New York Times.
Não que Frank tenha encontrado homenzinhos verdes ou discos-voadores – ele não encontrou. O que ele fez, juntamente com seu colega Frank Sullivan, da Universidade de Washington, foi um pouco menos emocionante que isso: cálculos. Mas, após terminar as contas, os dois não têm mais dúvidas: é muuuuuuuuuuuuito improvável que não tenha surgido pelo menos mais uma outra civilização tecnológica, além da nossa, na história do Universo.
O ponto de partida dos cálculos de Frank e Sullivan é a famosíssima Equação de Drake, imaginada em 1961 pelo astrônomo Frank Drake para tentar determinar a probabilidade de haver sociedades extraterrestres avançadas passíveis de serem detectadas em algum outro ponto do Cosmos. A equação diz o seguinte:

N=R_{\ast }\cdot f_{p}\cdot n_{e}\cdot f_{\ell }\cdot f_{i}\cdot f_{c}\cdot L

Ou, se formos falar português:

O número de civilizações alienígenas no Universo (N) é igual à multiplicação de 7 outros números. O primeiro (R*) é a taxa de formação de novas estrelas. O segundo é a porcentagem dessas estrelas que contêm planetas. O terceiro é o número de planetas capazes de abrigar vida em cada uma dessas estrelas. O quarto é a fração desses planetas que realmente contem vida. O quinto é a porcentagem dessa vida que desenvolveu inteligência. O sexto número é a porcentagem dessa vida inteligente que desenvolve tecnologias de comunicação que podem ser detectadas. E, por fim, L vem de lenght, ou duração: por quanto tempo essa civilização emitiu sinais que podemos detectar.
A equação é instigante, mas, quando Drake a formulou, ela não tinha lá muita utilidade. Afinal, daqueles sete números, seis eram absolutamente desconhecidos: só a taxa de formação de novas estrelas era sabida. Como se sabe, é impossível resolver uma equação se você não conhece quase nenhuma das variáveis envolvidas. Por isso, a equação de Drake vive sendo citada por aí, mas nunca resolvia nada: os otimistas imaginavam que as variáveis tinham valores altos, enquanto os pessimistas achavam que eles eram baixos, e aí nunca chegávamos a acordo nenhum.
Acontece que, entre 1961 e 2016, muita coisa mudou. Naquela época, não se conhecia nenhum planeta fora do Sistema Solar: hoje já se conhecem mais de 3 mil. Os astrônomos agora acham que há planetas girando ao redor de todas as estrelas do firmamento: ou seja, fp parece ser próximo de 100 (100% das estrelas têm planetas). Outro número que parece ser bem alto é ne: não há como saber ao certo quantos planetas orbitam cada estrela, mas tudo indica que seja um punhado. E, a julgar pelos planetas já encontrados até hoje, algo entre 20% e 25% ficam numa zona onde vida é possível.
Partindo desses números conhecidos, Frank e Sullivan resolveram inverter o sentido da velha equação. Em vez de usá-la para calcular quantas civilizações extraterrestres existem, se propuseram a calcular qual é a probabilidade de que a nossa civilização tenha sido a única a surgir no Universo. O resultado é que essa probabilidade é incrivelmente baixa. “A não ser que a probabilidade de uma civilização evoluir num planeta localizado na zona habitável seja de 1 em 10 bilhões de trilhões, então nós não somos os únicos”, escreveu Frank. Em outras palavras: é muito muito muito improvável. Quase impossível.