12.545 – Envelhecimento – Cadê minha fonte da juventude?


O soldado e explorador espanhol Juan Ponce de León (1460-1521) já havia acompanhado Cristóvão Colombo em sua segunda viagem à América quando começou sua busca pela mitológica Fonte da Juventude. Os nativos de Porto Rico, onde Ponce havia criado uma colônia, diziam existir tal fonte misteriosa capaz de proporcionar a jovialidade eterna para quem em suas águas se banhasse. O viajante nunca a encontrou — acabou foi descobrindo a Flórida, ironicamente o estado americano hoje com a maior proporção de idosos. Ponce de León não foi o único a procurar incansavelmente por uma forma de ser jovem para sempre. A busca pela imortalidade e pela juventude eterna sempre fascinou o homem, único animal que tem consciência da própria morte — e por isso sofre. Mas nunca esteve tão próxima de ser alcançada. Como Ponce de Leóns contemporâneos, os cientistas do século 21 vêm perseguindo o fim da maior causa de morte do mundo: a velhice. Por consequência, as doenças decorrentes dela. E parecem estar mais próximos de, no mínimo, postergá-la. “Os avanços da área biológica que surgem nesse começo de século indicam que muitos de nós poderemos chegar facilmente aos 100, 150 anos”, diz o professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen.

Prolongar a vida seria apenas uma consequência de fazer as pessoas serem mais saudáveis por mais tempo. Esse é o principal objetivo da nova ciência do antienvelhecimento, que pretende atacar de uma só vez todas as formas de deterioração do corpo para fazer com que o nosso relógio biológico corra mais devagar. Assim, ficaríamos longe de doenças decorrentes da idade avançada — como Alzheimer, demência, diabetes e doenças cardíacas — por mais tempo. Atacar a velhice, portanto, seria a melhor e talvez única forma de nos afastarmos dos males provocados por ela. Combater uma a uma as doenças — algo que desde sempre fazemos — não surtiria grandes efeitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, se os problemas de coração fossem totalmente eliminados, a expectativa de vida não subiria mais do que três anos. O mesmo que proporcionaria uma cura milagrosa para o câncer. “O risco de doenças fatais dispara após os 60 anos. Assim, mesmo que evitemos o ataque cardíaco, outros problemas vão nos pegar”, afirma o escritor de ciência e medicina americano David Stipp, autor do livro The Youth Pill (A Pílula da Juventude, sem edição no Brasil), lançado no ano passado. Por isso, a maneira de aumentar a expectativa e a qualidade de vida para valer é evitar chegar nesse estágio em que já estamos mais fracos e vulneráveis a doenças.

INJEÇÃO ANTIVELHICE
Em novembro passado, pesquisadores do Instituto de Câncer Dana-Farber, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, publicaram um estudo que contrariou um dos principais conceitos sobre o processo de envelhecimento: o de que ele é irreversível. Eles conseguiram, pela primeira vez, rejuvenescer ratos de laboratório. O experimento foi baseado num mecanismo que rendeu, um ano antes, o Prêmio Nobel de Medicina a outros três cientistas americanos: a relação entre o processo de envelhecimento e os telômeros, uma espécie de capinha que protege a ponta de cada cromossomo dentro de nossas células — numa comparação grosseira, o telômero assemelha-se àquele revestimento plástico presente na ponta dos cadarços de um tênis. A cada vez que a célula se divide, essa capinha se encurta um pouco. Depois de 50 a 80 duplicações a célula não consegue mais se multiplicar — após os 35 anos de idade, os efeitos desse processo já começam a ser sentidos. O tempo passa e, sem células novas e com algumas mortas ou inativas, nossos órgãos começam a se deteriorar. É a velhice.

Nascemos com um mecanismo capaz de driblar esse processo, uma enzima chamada telomerase. Ela repara as tais capas protetoras dos cromossomos após cada divisão celular. Porém, após a infância, sua concentração cai drasticamente. Fazer com que ela volte a crescer é um dos caminhos para postergar o envelhecimento — ou até mesmo revertê-lo. No estudo de Harvard, os cientistas criaram ratos geneticamente modificados de forma que não produzissem a telomerase. Como resultado, os animais envelheceram rapidamente. Os sinais incluíram diminuição do cérebro e do olfato, danos no baço e intestinos, além de doenças como osteoporose e diabetes. Com apenas um mês de ingestão de telomerase, no entanto, tais sintomas sumiram. Os ratos voltaram inclusive a ser férteis e desenvolveram neurônios, sem contar uma invejável melhora na pele. “O que vimos não foi a desaceleração ou estabilização do envelhecimento, mas algo muito mais incrível: uma reversão dramática dele”, afirma Ronald DePinho, coordenador da pesquisa. “É possível imaginar que um homem de 90 anos voltaria a ter a saúde que possuía aos 40 ou 50”, diz. Porém, apesar de ter sido bem-sucedido em ratos, o tratamento ainda não foi testado em humanos. E não há perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos. “Ainda temos muito trabalho pela frente. O próximo passo é descobrir em que estágio da vida as pessoas precisariam se submeter à injeção de telomerase”, afirma DePinho. Em paralelo a isso, ainda seria preciso ultrapassar um grande empecilho: o potencial risco de câncer.
Fora do período de gestação e infância, a telomerase só retorna em grandes quantidades nas células cancerosas — sabe-se que 90% dos tumores possuem a enzima. Aliás, é por isso que elas se reproduzem incessantemente. “Se você persegue a imortalidade, é o que, de um modo perverso, também fazem as células com câncer”, diz o oncologista e professor de medicina da Universidade Columbia, Estados Unidos, Siddhartha Mukherjee, autor do recém-lançado livro The Emperor of All Maladies: A Biography of Cancer (O Império de Todas as Enfermidades: Uma Biografia do Câncer, sem edição no Brasil).

Além da vantagem óbvia para todo mundo de postergar a chegada da velhice, um grupo específico de pessoas se beneficiaria caso os pesquisadores conseguissem resolver as contraindicações desse tipo de tratamento. Trata-se de indivíduos que, por conta de uma sequência genética, têm menos telomerase desde a gestação. Consequentemente, envelhecem mais rápido e chegam a ser biologicamente até dez anos mais velhos do que outras pessoas da mesma idade. Essa sequência de DNA foi mapeada em fevereiro do ano passado por cientistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Em um estudo com 3 mil pessoas, 45% delas carregavam ao menos um gene da sequência. Os pesquisadores acreditam que um mapeamento desse tipo possibilitaria prescrever estilos de vida saudáveis àqueles mais propensos aos males do envelhecimento. Além de exercícios físicos, uma dieta com poucas calorias entraria na receita. Pois é sabido, e cientificamente provado, que quem come menos, vive mais.
Uma dieta diária entre 1.200 e 1.400 calorias — 30% a menos do que a sugerida pela Organização Mundial da Saúde — poderia aumentar nossa expectativa de vida média para 120 anos. Algumas pessoas chegariam, então, aos 150. Mesmo que você começasse a comer menos aos 30, ainda teria chance de prolongar seu tempo na Terra em sete anos. É atrás dessas promessas que ao menos 2 mil pessoas praticam a dieta de baixa caloria no mundo. Esse é o número de membros da Sociedade de Restrição Calórica. Apesar da matriz estar localizada nos Estados Unidos, há integrantes de várias partes do planeta, inclusive cinco do Brasil (que não se identificam). Os resultados dos pratos moderados têm sido positivos. Dados divulgados pela Sociedade atestam que os adeptos da dieta registraram queda significativa da pressão sanguínea, perda de quase 70% da gordura corporal e redução de 80% do nível de insulina no sangue, o que, no mínimo, faz cair o risco de doenças cardíacas e diabetes. Pratos mais comportados também são a receita milenar dos habitantes do arquipélago japonês de Okinawa — é lá que estão as pessoas que mais vivem no mundo. A proporção de centenários nas ilhas é de 50 para cada 100 mil moradores, enquanto nos demais países cai para dez a cada 100 mil. A população de Okinawa é de cerca de 1,3 milhão. Não por acaso, um prato típico no arquipélago tem 17% menos calorias do que no restante do Japão.
Em cinco anos, o laboratório Sirtris Pharmaceutical promete colocar no mercado uma pílula que imita os efeitos de se comer pouco, mesmo que você siga uma dieta normal. O princípio ativo — já comercializado em medicamentos para diabéticos e como suplemento alimentar — é o resveratrol, substância encontrada na casca da uva roxa. É sua presença que confere ao vinho tinto benefícios ao coração. E explica o que os cientistas chamam de “paradoxo francês”: a baixa mortalidade por doenças cardíacas na França, mesmo com uma dieta tão rica em gordura. Graças ao hábito comedido que a população tem de beber vinho quase que diariamente. Além dos benefícios ao coração, também há evidências de que o resveratrol reduza o risco de Alzheimer, derrame, diversos tipos de câncer, perda de audição e osteoporose — todos problemas comuns no envelhecimento. Já provocar o aumento dos anos de vida é algo que ainda precisa ser provado em humanos. Mas o resultado em animais se mostrou estimulante.
Em 2006, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard realizaram estudos liderados por David Sinclair — não por acaso, fundador da Sirtris Pharmaceutical, hoje pertencente à gigante inglesa GlaxoSmithKline. No experimento, cientistas superalimentaram roedores com uma dieta rica em gordura. Em paralelo, forneceram a eles doses de resveratrol. As cobaias ficaram obesas. Ainda assim, seu tempo de vida se estendeu a um patamar igual ao dos ratos que comiam com restrição. Para obter esses efeitos com vinho seriam necessárias 300 taças por dia, ou seja, algo impensável até para o mais bebum dos seres humanos. O que justifica a corrida da indústria farmacêutica atrás das pílulas.

Os medicamentos que imitam dietas metódicas serão uma aplicação mais concreta dos pioneiros estudos sobre antienvelhecimento. A primeira importante pesquisa científica que provou que restringir calorias poderia prolongar a vida foi divulgada em 1934. O estudioso de nutrição da Universidade de Cornell, Estados Unidos, Clive McCay, manteve ratos em um estado de quase fome por quatro anos e os assistiu viver 85% mais tempo do que a média. Um dos animais chegou aos 3 anos e 9 meses de idade. Como, cinco anos antes, dois cientistas tinham ganhado o Prêmio Nobel pela descoberta das vitaminas, pareceu uma pequena heresia dizer que passar um pouco de fome poderia nos fazer bem. Mais recentemente, no início dos anos 2000, cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Primatas de Wisconsin revelaram bons resultados com macacos mantidos em uma dieta 30% menos calórica do que seus colegas. Além de magros, estavam no auge da vida. Enquanto os que comiam normalmente se movimentavam lentamente e viam cair mais pelos, entre outros sinais de velhice.

Em 2015, 2016, com o medicamento nas farmácias, a Sirtris deve se tornar a indústria referência em antienvelhecimento. Além do resveratrol, seus laboratórios estudam outra substância capaz de imitar os efeitos de uma dieta de baixa caloria: a rapamicina. Hoje usado para evitar rejeição em transplante de órgãos, o princípio ativo fez com que ratos de meia-idade vivessem de 28% a 38% mais tempo, segundo um estudo divulgado pela revista Nature em meados de 2009. Mais uma pesquisa que mostra que há esperanças para prolongar a vida mesmo quando o corpo já está desgastado. Esta também é a promessa da medicina regenerativa.
No ano passado, um grupo de mulheres teve uma oportunidade de ouro: após serem mutiladas devido ao câncer de mama, viram crescer seios 100% naturais, a partir de suas próprias células. A técnica que soa como milagre foi desenvolvida após quase uma década de estudos pela empresa de biotecnologia americana Cytori Therapeutics, que pretende trazer o método para o Brasil ainda este ano. Permite dupla recauchutagem: as células que dão origem ao novo seio são extraídas de uma cirurgia plástica para tirar gordurinhas indesejadas. O procedimento começa com uma lipoaspiração, por exemplo, na barriga. Da gordura são colhidas células-tronco, capazes de se multiplicar para gerar tecidos de outras partes do corpo, como a mama. Elas são, então, aplicadas na região do peito. Conforme crescem, formam um novo seio, sem risco de rejeição.

celuas tronco

A descoberta de células-tronco na gordura foi um grande avanço para a medicina regenerativa. Somente no Brasil, são realizadas mais de 200 mil lipoaspirações por ano. No ano passado, Radovan Borojevic, diretor do Programa Avançado de Biologia Celular Aplicada à Medicina da UFRJ, conseguiu, de forma inédita no Brasil, autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para manipular células-tronco de gordura. “Esse material pode garantir reserva para a velhice, para sanar as doenças naturais do passar dos anos e até diminuir as rugas”, diz. Quem fizer uma lipoaspiração aos 20, por exemplo, pode chegar aos 60 e usar as células guardadas para preencher a pele envelhecida e se livrar dos pés de galinha. Como as células terão a memória de sua juventude, será possível fazer o que nenhum cosmético ou Botox jamais conseguiu: ter cara de 20, aos 60. O procedimento, cujo efeito dura de quatro a cinco anos, já está em fase de testes. Em três meses, Borojevic realizou 70 implantes de células antirrugas — os interessados podem se inscrever para os testes no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Mas esta é apenas a mais frívola das promessas da bioengenharia. “Com as técnicas, vamos envelhecer muito melhor do que os nossos avós”, afirma Borojevic.

Experimentos em humanos mostraram que o implante de células-tronco pode reparar órgãos vitais. Entre eles, o coração, que teria benefícios como o aumento da quantidade e bombeamento de sangue após infartos, diminuição da área de tecidos mortos e melhora da capacidade respiratória em casos de doenças cardíacas crônicas. Outro resultado positivo é a redução da incontinência urinária em pacientes que passaram por cirurgias de próstata. “A medicina regenerativa para problemas do envelhecimento será de fato composta por peças de substituição”, afirma o gerontologista inglês criador da Fundação Sens, de estudos de biotecnologia para rejuvenescimento, Aubrey de Grey, polêmico, entre outras coisas, por afirmar que a velhice é uma doença à espera de cura.

A HORA DA MORTE
Com sua aparência de Matusalém, apesar dos 47 anos de idade, De Grey acredita que podemos ser imortais e que os homens que vão viver mil anos já nasceram. Passar mais tempo na Terra do que o próprio personagem bíblico, que teria morrido aos 969, seria possível graças ao desenvolvimento da engenharia para impedir que nossas células envelheçam e da reposição de órgãos e tecidos. “Uma vez que a medicina regenerativa se desenvolver, o limite biológico do corpo desaparecerá.” A ideia gerou tanta controvérsia na comunidade científica que, em 2005, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) lançou um concurso que premiaria com US$ 20 mil quem conseguisse provar que a tese de Aubrey era descabida. Cinco inscrições foram analisadas por um júri composto por cabeças como o geneticista Craig Venter. Ninguém levou o prêmio.

A crença de que a ciência e a tecnologia nos permitirão redesenhar o próprio corpo para nos fazer viver muito mais, até indefinidamente, guia uma corrente filosófica chamada transhumanismo. Os seguidores do pensamento acreditam que por meio de áreas de conhecimento emergentes como biotecnologia, inteligência artificial, robótica e nanotecnologia, poderemos superar a própria condição humana. “O homem não é o final da evolução biológica, e sim o começo de uma evolução tecnológica”, afirma o engenheiro venezuelano formado pelo MIT e que já trabalhou para a Nasa, José Cordeiro, grande divulgador do transhumanismo na América Latina. Ele acredita que assistiremos à morte da morte — e que não há nada de antinatural nisso. “O propósito da vida é mais vida. Além do mais, ninguém quer morrer, ainda mais se tiver a oportunidade de não ficar velho.”
As transformações no mundo caso as pessoas passem a viver décadas ou até séculos a mais são inevitáveis. Mas, para De Grey, compensaria enfrentá-las. “Essas dificuldades não superam os benefícios da eliminação de doenças relacionadas à idade, como problemas cardiovasculares e câncer”, afirma. Mesmo porque esses problemas terão que ser pensados de imediato. Pois, antes mesmo das pirotecnias científicas se tornarem realidade, a longevidade no mundo só cresce. Para se ter ideia, vivemos 25 anos a mais do que um século atrás. Nos países desenvolvidos, a expectativa de vida aumenta cinco horas por dia. Ou seja, já há motivos suficientes para a ciência se preocupar com os muitos que, em tempos anteriores às pílulas que simulam fome ou injeções de enzimas e células-tronco, fazem muito mais aniversários do que um dia nossos avós jamais poderiam imaginar.
O profeta da imortalidade
O cientista do envelhecimento Aubrey de Grey afirma que, em 2030, estaremos vivendo até os 130 anos. E que os homens que farão mil aniversários já nasceram. A seguir ele conta como isso será possível
Trechos da entrevista:
* Por que envelhecemos?
Aubrey de Grey: Porque o corpo humano, como qualquer máquina, causa danos a si mesmo como efeito colateral natural de sua operação. Esse prejuízo se acumula ao longo da vida. Por um longo tempo quase não afeta a habilidade do corpo para funcionar, mas, eventualmente, provoca doenças e incapacidade.

* As pessoas que viveriam mil anos precisariam constantemente substituir peças, como um robô?
De Grey: De fato, a maior parte das técnicas serão compostas por peças de substituição, mas a um nível microscópico. Em alguns casos, podemos trocar órgãos inteiros. Porém, mais frequentemente, serão células ou moléculas.

* Mesmo pessoas sedentárias, com excesso de peso e estressadas serão capazes de viver mais?
De Grey: A medicina regenerativa vai permitir que as pessoas ultrapassem por uma larga margem a longevidade que qualquer um consegue atualmente, mesmo com a melhor vida possível, mesmo aqueles com uma genética privilegiada. Então, sim, estas terapias irão funcionar em todos, mesmo naqueles com um estilo de vida ruim.

* Existe limite biológico para a vida dos seres humanos?
De Grey: Há de fato um limite biológico para quanto tempo as pessoas podem viver, porque certos aspectos do nosso metabolismo, como a respiração, são inevitáveis e acumulam danos moleculares e celulares. Porém, uma vez que se desenvolvam técnicas de bioengenharia para reparar esses danos, não haverá mais limite para a vida do homem.

* Como lidar com as consequências sociais de se ter uma superpopulação?
De Grey: A eliminação do envelhecimento vai mudar o mundo. E precisaremos agir diante de muitas dessas transformações. No entanto, essas dificuldades não superam os benefícios da eliminação de doenças como câncer e problemas cardiovasculares.

* Viver mais significa viver melhor?
De Grey: Não necessariamente. Mas o trabalho em minha fundação de estudos em engenharia de rejuvenescimento, a Sens, foca em viver melhor, ou seja, adiar o processo das doenças da velhice. A longevidade será um efeito colateral: só ocorrerá porque as pessoas serão mantidas saudáveis.

* Você aplica técnicas de medicina regenerativa em si mesmo? Já testou alguma?
De Grey: Estou ansioso para me beneficiar destas terapias. Não faço isso simplesmente porque, na prática, elas ainda não existem.

12.544 – Genética – Embrião metade humano metade suíno é criado nos EUA


genetica2
A produção de órgãos humanos novinhos para salvar vidas é um sonho antigo da ciência.
Isso representaria a cura de determinadas doenças que só se resolvem com transplantes, como no caso do pâncreas. Mas como isso seria possível?
Cientistas acreditam que uma quimera poderia ser a solução. Trata-se de um animal que possui partes do corpo de outro animal. Pesquisadores tentam fazer isso desenvolvendo um pâncreas humano em um porco.
A tentativa está por conta da equipe de Pablo Ross, um biólogo reprodutivo da Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos. Em seu trabalho com embriões de porcos, ele realizou uma técnica de “edição de genes”, retirando os genes responsáveis pelo desenvolvimento do pâncreas suíno.
Na sequência, foram injetadas células-tronco humanas pluri potenciais, que poderão se desenvolver em qualquer parte humana, em 25 embriões implantados nas porcas.
Os embriões suínos poderão se desenvolver somente até o 28° dia por questões éticas. Após este período, serão retirados e dissecados. A próxima etapa consiste na análise do desenvolvimento dessas células-tronco humanas no embrião para ver se alguma delas evoluiu para um pâncreas. Há a possibilidade de que elas tenham migrado para outro lugar e virado alguma outra coisa.
Na verdade, esse é o grande risco da técnica, já que essas células humanas podem fazer qualquer coisa dentro do embrião do porco. Não haveria como direcioná-las exatamente para criar um pâncreas. Elas poderiam, por exemplo, afetar o desenvolvimento do cérebro do porco e gerar alguma parte humana ali dentro.
De qualquer maneira, se o experimento obtiver êxito, os animais seriam doadores perfeitos, já que as células-tronco viria do próprio paciente, sem risco de rejeição.

12.543 – Astrônomos podem ter desvendando mistério da origem da vida na Terra


terra e lua
A nova teoria está relacionada com a atividade solar registrada há quatro bilhões de anos. De acordo com eles, o clima espacial extremo da época pode ter criado a fagulha que permitiu o surgimento dos seres vivos.
Hoje em dia, se uma tempestade solar atingisse nosso planeta, poderia haver consequências catastróficas. Mas nos primeiros anos da Terra, esses eventos eram comuns. Utilizando o Telescópio Espacial Kepler, da NASA, pesquisadores observaram as atividades de estrelas jovens similares ao nosso Sol. Esses corpos celestes são extremamente eruptivos, capazes de liberar quantidades gigantescas de energia por meio de “superlabaredas solares”.
O cientista Vladimir Airapetian, da NASA, acredita que se nosso Sol era igualmente ativo há quatro bilhões de anos, ele pode ter criado as condições para o surgimento da vida na Terra. De acordo com a teoria do pesquisador, quando as superlabaredas atingiram nossa atmosfera, elas deram início a reações químicas que criaram um clima de efeito estufa através de gases, além de terem estimulado outros elementos essenciais para produzir vida.
Airapetian descobriu que estrelas do tipo G, como o Sol, são pura dinamite durante seus anos iniciais, liberando pulsos de energia equivalentes a 100 trilhões de bombas atômicas. Nos primórdios do nosso planeta, as partículas solares resultantes dessas explosões teriam colidido com nitrogênio, dióxido de carbono e metano. “Essas partículas interagiram com moléculas que estavam na atmosfera, criando novas moléculas – como uma reação em cadeia”, explica.
A interação solar-atmosféricas teria produzido óxido nitroso, um gás com 300 vezes mais potencial de aquecimento do que o CO2. Outro produto resultante das tempestades solares, o cianeto de hidrogênio poderia ter fertilizado a superfície da Terra com o nitrogênio necessário para formar os blocos de construção da vida. Outros cientistas estão agora usando a teoria de Airapetian para comprovar sua veracidade.

12.542 – Egiptologia – Faraó Tutancâmon tinha uma faca que veio do espaço


Faca_espacial_de_Tutancamon_0
Ele morreu há mais de 3 milênios e sua tumba já foi descoberta há mais de 90 anos. Ainda assim, o misterioso faraó criança Tutancâmon não para de surpreender.
Dessa vez, foi um grupo de cientistas italianos e egípcios que descobriu que a famosa faca do faraó, que havia sido depositada sobre a coxa do morto, veio do espaço sideral. Utilizando imagens de um espectômetro de fluerescência de raios-x, um equipamento que usa raios-x para excitar elementos químicos e, assim, determinar sua composição, os cientistas concluíram que o ferro da faca só pode ter vindo à Terra de carona num meteorito. O ferro terráqueo nunca possui mais do que 4% de níquel – enquanto que o do faraó continha 11%. Além disso, a quantidade de cobalto na arma do faraó é uma assinatura típica de um metal espacial. Os cientistas foram mais longe e compararam o metal da faca com o de meteoritos conhecidos na região. Encontraram um com composição igualzinha: o Kharga, que caiu na costa egípcia do Mediterrâneo, a 250 quilômetros de Alexandria, e só foi identificado por cientistas no ano 2000.
O novo achado vem se somar a uma série de fatos extraordinários sobre o faraó, que assumiu o poder aos 9 anos e morreu provavelmente com 18. Seu corpo, descoberto em 1925, foi encontrado com o pênis ereto – sabe-se como ou porque os egípcios o embalsamaram nesse estado. Outra surpresa é que a análise da múmia revelou que o corpo pegou fogo depois de morto – possivelmente uma combustão espontânea acendida por algum erro no processo químico de embalsamamento. As surpresas não param aí. Este ano, cientistas detectaram sinais de uma câmara secreta na tumba do faraó criança, e agora eles estão em busca de ainda mais tesouros.

12.541 – Golpe no WhatsApp se disfarça de cupom de descontos do Burger King


Um novo golpe que está circulando pelo WhatsApp atrai vítimas com a promessa de R$ 50 em descontos nas lojas do Burger King. O golpe utiliza a promessa de desconto para levar a vítima a fornecer seus dados e a propagar a mensagem entre seus amigos do aplicativo. No entanto, ele não dá desconto nenhum e usa os dados da vítima para inscrevê-la em serviços de mensagens pagos sem que ela perceba.
A pessoa geralmente recebe a mensagem com o link para o golpe de algum conhecido. Ao acessar o link, o usuário é levado a crêr que receberá um cupom de desconto nas lojas da rede cso responda algumas perguntas. As perguntas, porém, só servem para desviar sua atenção:

golpe whats

Em seguida, o site informa ao usuário que, para retirar o cupom, é necessário ainda enviar o link para outros 10 amigos ou 3 grupos do WhatsApp. É nesse momento que a vítima se torna propagadora do golpe:
Mesmo após essa etapa, o golpe ainda não acaba. Em seguida, como último passo, o usuário ainda é levado a confirmar alguns dados seus. Uma mensagem que diz que a oferta só é válida pelos próximos 225 segundos ajuda a dar sensação de urgência ao golpe. No entanto, ao fim do processo, o golpe informa que o usuário não conseguiu ganhar o cupom

whats golpe
De acordo com a empresa de segurança digital ESET, que alertou sobre o golpe, esse tipo de ameaça envolvendo vouchers falsos tem se tornado cada vez mais comum. Outros golpes do tipo que a empresa já identificou incluem promessas de descontos em redes como McDonalds, Starbucks e Zara.

Para se proteger contra ameaças desse tipo, a empresa recomenda a usuários que não instalem aplicativos de locais não-oficiais, não compartilhem mensagens de origem suspeita ou duvidosa, não cliquem em links que utilizem linguagem estranha ou incomum, evitem ao máximo compartilhar informações pessoais com aplicativos (fazendo-o apenas se confiarem plenamente no app) e utilizem algum tipo de antivirus pou software de proteção em seus smartphones.

12.540 – Bioastronomia – Cientistas detectam em cometa matérias-primas para a vida


cometas vida
Cientistas conseguiram detectar em um cometa a presença de dois ingredientes fundamentais para a vida: a glicina – um aminoácido – e o fósforo, segundo um novo estudo.
O achado foi realizado no 67P/Churyumov-Gerasimenko. O cometa foi descoberto no fim dos anos 1960 por cientistas ucranianos e, em 2014, um módulo que se desprendeu da sonda Rosetta pousou em sua superfície, num feito inédito.
Ainda que tenha sido detectada a presença de mais de 140 moléculas orgânicas diferentes no espaço, é a primeira vez estes que são encontrados estes elementos, essenciais para o desenvolvimento do DNA e das membranas celulares.
Traços de glicina, necessários para formar proteínas, já haviam sido encontrados nos restos da cauda do cometa Wild 2, que a Nasa conseguiu obter em 2004.
Mas, naquele momento, os cientistas não puderam descartar por completo a possibilidade de as amostras terem sido contaminadas de alguma maneira durante a análise feita na Terra.
O achado agora permite confirmar a existência de glicina e fósforo nos cometas.
Já a origem do fósforo detectado na fina atmosfera do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko não foi determinada com exatidão, acrescentou a investigação.