12.475 – Mega Byte – Tempo gasto no Facebook é quase o mesmo tempo que para comer e beber


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Via Folha de São Paulo

O Facebook anunciou resultados trimestrais deslumbrantes, na semana passada. A receita líquida quase triplicou, para US$ 1,5 bilhão, e o número de usuários ativos por mês atingiu o recorde de 1,65 bilhão. Mas foi um número muito menor que atraiu minha atenção.
Cinquenta minutos. Esse é o tempo médio que os usuários dedicam às suas plataformas Facebook, Messenger e Instagram a cada dia, e não inclui os números do popular app de mensagens WhatsApp, que a companhia controla.
Talvez não pareça muito. Mas há apenas 24 horas no dia, e a pessoa média dorme 8,8 horas diárias. Isso significa que o usuário médio passa mais de 6% de seu tempo útil diário no Facebook.
O total supera o de quase qualquer outra atividade de lazer entre as acompanhadas pelo Serviço de Estatísticas do Trabalho norte-americano, com a exceção de assistir televisão e filmes (média diária de 2,8 horas). É mais tempo do que as pessoas dedicam a ler (19 minutos), fazer esportes ou exercícios (17 minutos) ou eventos sociais (quatro minutos). E quase tanto tempo quanto as pessoas gastam para comer e beber (1,07 hora).
Mas o tempo médio dedicado pelas pessoas ao Facebook subiu, de cerca de 40 minutos ao dia em 2014, enquanto o número médio de usuários mensais também disparava. Alguns usuários devem estar passando muitas horas ao dia no site, talvez por conta de uma síndrome conhecida extraoficialmente como distúrbio de vício em Internet.
Mark Zuckerberg, o presidente-executivo do Facebook, revelou o dado sobre os 50 minutos de uso quase casualmente, em conversa com analistas sobre os resultados da empresa, no mês passado. Mas a informação poderia facilmente ter sido o primeiro slide em sua apresentação, porque o tempo se tornou o cálice sagrado das novas mídias.
O tempo é a o melhor indicador de engajamento, e engajamento se correlaciona a efetividade publicitária. O tempo também eleva o estoque de impressões publicitárias que o Facebook pode vender, o que traz maior faturamento (um avanço de 52% no trimestre passado, para US$ 5,4 bilhões).
E o tempo permite que o Facebook aprenda mais sobre os hábitos e interesses de seus usuários, e com isso direcione melhor a sua publicidade. O resultado é um potencial efeito de rede que os concorrentes terão dificuldade para acompanhar.
Com base no tempo médio dedicado à plataforma o Facebook tem poucos rivais. De acordo com os mais recentes dados da comScore, o único que se aproxima é o YouTube, da Alphabet, ao qual os usuários dedicam em média 17 minutos ao dia. Isso é menos do que os 35 minutos diários dedicados ao Facebook (os números da comScore diferem dos oferecidos pelo Facebook porque se baseiam apenas em usuários localizados nos Estados Unidos.)
Os usuários dedicam em média nove minutos ao dia a todos os sites do Yahoo, dois minutos ao LinkedIn e apenas um minuto ao Twitter, de acordo com a comScore. Não admira que o Twitter enfrente dificuldades para atrair anunciantes.
Os usuários que passam mais tempo no Facebook tendem também a se enquadrar à faixa etária dos 18 aos 34 anos, muito cobiçada pelos anunciantes.
A disparada na popularidade do Facebook e de outras mídias sociais naturalmente traz algumas questões: o que os usuários do Facebook fazem no site durante os 50 minutos que ficam por lá? Isso interfere com seu trabalho (e produtividade), ou no caso dos jovens, com o estudo e leituras?
Esse é um dado difícil de extrair. Para começar, as pessoas não querem admitir em pesquisas que estão usando a mídia social quando na verdade deveriam estar fazendo outra coisa.
Embora o Serviço de Estatísticas do Trabalho pesquise sobre quase todas as atividades que possam concebivelmente ocupar o tempo dos norte-americanos (o que inclui esgrima e exploração de cavernas), não registra especificamente o tempo que elas dedicam à mídia social, tanto porque a atividade pode ter propósitos múltiplos – trabalho e lazer igualmente – e porque as pessoas muitas vezes o fazem enquanto estão ostensivamente engajadas em outras atividades, de acordo com um porta-voz da agência governamental.
A categoria mais próxima seria de “uso de computador para lazer”, que cresceu de oito minutos em 2006, quando o serviço começou a recolher os dados, para 14 minutos em 2014, a data da pesquisa mais recente. Ou talvez seja “comunicação e socialização”, que caiu de 40 para 38 minutos.
Mas o tempo dedicado à maioria das atividades de lazer não mudou muito nos oito anos pesquisados pela agência. O tempo dedicado à leitura caiu de 22 para 19 minutos. Assistir TV e filmes subiu de 2,57 para 2,8 horas. O tempo médio dedicado ao trabalho caiu de 3,4 para 3,25 horas. (O total pode parecer baixo, mas boa parte da população, entre os quais os jovens e idosos, não trabalha.)
Os números da agência, porque cobrem toda a população, podem ser amplos demais para capturar mudanças dentro de categorias demográficas importantes. A comScore reportou uma queda de 2% no número de horas dedicadas a assistir TV (ao vivo ou gravada) no ano passado, e disse que os telespectadores mais jovens, especialmente estavam abandonando a tradicional TV ao vivo.
As pessoas dos 18 aos 34 anos dedicam apenas 47% de seu tempo televisivo à TV em formato convencional, e 40% dele a assistir programas de TV em aparelhos móveis. Entre as pessoas com 55 anos ou mais, 70% do tempo de TV é dedicado a televisores, de acordo com a comScore. Assim, entre os jovens, o avanço no tempo dedicado à mídia social pode estar acontecendo em detrimento da TV.

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