12.430 – Biologia – Sementes salvaram ancestrais das aves de extinção


aves
Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México.
Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.
Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso.
Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros.
Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.
O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros da clade chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 anos do Cretáceo.
Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.
“Os pequenos dinossauros semelhantes a pássaros do Cretáceo, os maniraptoranos, não são um grupo bem conhecido. Eles são alguns dos parentes mais próximos das aves modernas, e no final do Cretáceo, muitos foram extintos”, diz Larson.
Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.
Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” –comedores de sementes– estão entre os primeiros a reocupar o local.
Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.
Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro.
Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos –mesmo aqueles cuja dieta é de carne, ou de peixes, insetos ou plantas– era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

12.429 – Leitores de impressão digital estão melhorando segurança do Android



Segurança digital não é um tema agradável, e a maioria das pessoas não querem saber dele até o momento que já é tarde demais, infelizmente. Senhas são, de forma unânime, uma forma de proteção ao mesmo tempo fraca e desagradável. A boa notícia é que o Google percebeu que, ao menos no Android, as coisas estão mudando.
Os leitores de impressões digitais são os “culpados” pela maior adoção de segurança no sistema do Google. A empresa reparou que os aparelhos que apresentam o sensor têm a tela bloqueada com muito mais frequência do que aqueles que não são capazes de ler impressões digitais.
O relatório do Google compara os aparelhos da família Nexus. Os modelos 5x e 6p (de 2015) tem um uso 64% maior de telas de bloqueio do que os modelos 5 e 6 (de 2013 e 2014, respectivamente). Nestes modelos mais recentes, a tela de bloqueio está ativada em 91% dos casos.
O detalhe, discretamente incluído no documento que analisa a segurança do Android em 2015 mostra que, se as ferramentas forem simples, o público está disposto a se proteger. Bloquear a tela do celular é a medida mais básica de segurança do dispositivo que pode ser tomada, e todos deveriam fazê-lo, mas as senhas, padrões e PINs ainda deixavam muitos ressabiados em relação ao custo e benefício de ter que destravar o aparelho a cada vez que querem abrir um aplicativo. O leitor de impressão digital, felizmente, elimina boa parte do atrito neste processo, incentivando as pessoas a cuidar melhor de suas informações.
O relatório fala apenas dos aparelhos Nexus, mas essa é uma tendência global entre praticamente todas as fabricantes de celular, inclusive da Apple, que nada tem a ver com o Android. Sony, Samsung, Xiaomi, Huawei, LG, são exemplos de empresas que já têm o leitor. A Motorola ainda não tem, mas terá. A Microsoft tem um leitor de íris, que é diferente, mas tem a mesma essência.
O problema estão nos tablets Android. Como nota o Android Central, poucos modelos têm o suporte para reconhecimento biométrico, incluindo os próprios dispositivos do Google, como o Nexus 9 e o Pixel C.

12.428 – Golpe no WhatsApp oferece chamada em vídeo para usuários


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Um novo golpe no WhatsApp está dando muita dor de cabeça em alguns usuários do serviço de chat. Em mensagens enviadas pelo aplicativo e em anúncios publicados em sites e redes sociais, os cibercriminosos oferecem o download de um suposto novo recurso do aplicativo que iria possibilitar a realização de chamadas em vídeo.
O recurso, na verdade, é uma fraude que faz com que o interessado se inscreva em diferentes serviços pagos, geralmente para o recebimento de mensagens SMS. A “instalação” só é concluída quando os usuários encaminham a novidade para outros contatos. Dessa forma, a disseminação do esquema acontece pelas próprias vítimas.
Ao encaminhar a mensagem, a vítima é informada de que o sistema operacional do celular em questão está desatualizado e que a “nova função” só está presente nas versões mais atuais. O golpe, então, sugere a atualização e solicita o preenchimento do número de telefone do usuário. Assim, o cadastro nos serviços pagos é realizado.
De acordo com a ESET, empresa que informou sobre o golpe e que trabalha na detecção de ameaças, esse tipo de fraude se tornou frequente nos últimos anos e o principal alvo é o usuário desavisado. “É importante que existe uma conscientização sobre os cuidados de acessar links suspeitos para evitar cair em golpes como esses”, explica o presidente da ESET Brasil, Camillo Di Jorge.

12.427 – Evolução – Da Bactéria ao Homem


arvore genealogica
Desde que Darwin elaborou a Teoria da Evolução, cientistas têm tentado encontrar o modelo ideial para mostrar toda a história da evolução. A árvore da vida se tornou um dos desenhos mais simbólicos e interessantes para esse propósito: partindo de um tronco único, a origem da vida, surgem galhos cheios de ramificações, que mostram como as espécies se diversificaram ao longo do tempo.
O modelo mais exato de uma árvore genealógica da vida até hoje era o chamado “Hillis Plot”: um diagrama que mostra toda a evolução biológica desde o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. E vai dos primeiros seres unicelulares até os humanos, felinos, insetos, conchas e esponjas modernas que dividem o planeta com a gente – todos filhos de um ancestral comum, a primeira forma de vida da Terra.
A ciência já classificou 1,7 milhão de espécies, e imagina que existam mais ou menos 9 milhões no planeta – a imensa maioria espécies distintas de bactérias.
O Hillis Plot, porém, é só uma simplificação. Ele foi feito a partir da análise do material genético de 3 mil espécies, e desenhado de acordo com a semelhança genética entre eles. Essa árvore clássica, porém, subestimou o papel das bactérias no desenvolvimento evolutivo.
Agora, um grupo de mais de 15 cientistas de universidades dos EUA e do Japão apresentou uma nova versão da árvore da vida, bem diferente. Ela mostra que a história das bactérias ao longo da evolução é incrivelmente mais rica e complexa do que se imaginava.
Com isso, a árvore cresceu dramaticamente. Com o já conhecido narcisismo humano, versões passadas do diagrama tinham um grande foco no domínio dos eucariontes, o grupo que inclui o Homo sapiens. A nova árvore da vida nos força a uma posição de mais humildade: todos os eucariontes – animais, fungos e plantas – ficam espremidos em um pequeno galho, pois são caçulas da evolução com meros de 2 bilhões de idade, completamente ofuscados pelo imenso histórico evolucionário do grupo das bactérias, que remonta à própria origem da vida.
Para isso, os cientistas analisaram o genoma de mais de mil microrganismos jamais catalogados – em muitos casos, bactérias que vivem em ambientes remotos, como o sal do Deserto do Atacama e ecossistemas subterrâneos no Japão.

A grande árvore e suas ramificações
Na biologia, Charles Darwin usou o conceito de “árvore da vida” em seu livro A Origem das Espécies (1859): “A grande árvore da vida preenche as camadas da crosta terrestre com seus ramos mortos e quebrados enquanto que as suas magníficas ramificações, sempre vivas e renovadas incessantemente, cobrem a superfície”. Só a descrição da árvore nesse trecho já serve de metáfora para toda a teoria de Darwin. Os galhos mal adaptados se quebram e morrem e são substituídos por galhos novos, e melhor adaptados.
Alguns anos mais tarde, o biólogo Ernst Haeckel criou uma série de árvores da vida. Haeckel chegou a desenhar uma árvore mostrando a suposta linha de antepassados do homem, começando em espécies mais simples como bactérias, evoluindo para espécies progressivamente complexas, até chegar ao homo sapiens.
Essa visão linear e progressiva da evolução era comum nos séculos XIX e XX. As teorias da época partiam do princípio de que a seleção natural tornava as formas de vida cada vez mais complexas, até chegar às de hoje – tendo o Homo sapiens no papel de supra-sumo da evolução, musa definitiva da saga da vida. Nada mais equivocado. Hoje, as evidências apontam para uma evolução não-direcional: de acordo com as condições do ambiente, a seleção natural pode tanto favorecer um aumento quanto uma diminuição da complexidade dos organismos que ali vivem. Daí que as unhas dos tigres são máquinas de matar, e as nossas mal servem para roer; daí para as baleias conversarem com desenvoltura dentro d’água, o ambiente delas, e nós não travarmos grandes diálogos enquanto estamos com a cabeça submersa na pscina.

A primeira árvore universal
Foi nos anos 70 que foi desenhada a primeira árvore a apresentar o histórico evolutivo de todos os seres vivos. Os americanos Carl Woese e George E. Fox dividiram todas as formas de vida entre três grandes galhos partindo do tronco do primeiro antepassado comum: o domínio Bacteria, o Eukarya (em que estão incluídos os animais, as plantas e os fungos) e, por último, o domínio Archea, classificado pela primeira vez por Woese e Fox, composto por micróbios que vivem em ecossistemas extremos, muito quentes, ricos em ácido ou sem oxigênio.

A mais bonita
A década passada viu nascer a mais bonita das árvores da vida. Conhecida como “Hillis plot”, ela foi criada pelos pesquisadores David M. Hillis, Derrick Zwickl, and Robin Gutell, da Universidade do Texas. O desenho é resultado do estudo de amostras genéticas de 3 mil espécies – cerca de 0,18% do 1,7 milhão de espécies formalmente classificadas pela ciência. Desde que foi publicado, em 2003, o desenho já virou papel de parede, entalhe em tronco de árvore e até tatuagem.
Tatuagens circulares como o Hillis plot estão até na moda. Mas agora, com o modelo atualizado, é que os fãs da ciência vão se destacar de verdade – pelo menos aqueles que tiverem coragem de tatuar esse novo catavento evolutivo.