12.383 – Esporte – O calcanhar-de-aquiles dos super-homens


Se você pudesse usar todos os seus cerca do 650 músculos ao mesmo tempo, ergueria sem sacrifício 25 toneladas.
Já o halterofilista russo Andrei Chernerkyn, medalha de ouro em Atlanta. sofreu para levantar 457,5 quilos.
Isso quer dizer que ainda há muito chão pela frente? Não. A diferença de mais de cinqüenta vezes não está no potencial da musculatura, mas sim na sua capacidade de fabricar e armazenar combustível para movê-los. A situação ê particularmente decisiva nas corridas.
Acompanhe. Todo movimento depende de uma molécula chamada adenosina-trifosfato (ATP). A sua quebra libera energia para as contrações musculares. Aqui começa o primeiro limite do corpo: o estoque de ATP é pequeno, mesmo para quem treina muito.
Os atletas que disputaram a final dos 100 metros rasos em Sídnei liquidaram o seu em cerca de 8 segundos, quase 2 antes do final da prova. A partir dai, começaram a desacelerar. Tanque vazio. Nem adianta forçar.
Quanto mais se exige do músculo além do que ele pode, mais fibras ele usa para o mesmo esforço.
Isso aumenta a chance de lesão. Medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta nos 100 metros rasos, o brasileiro André Domingues teve uma lesão na coxa no campeonato mundial de 1994, ao lado do recordista mundial. o jamaicano naturalizado canadense Donovan Bailey. “Fiz uma arrancada tão forte que cheguei a estar vários metros à frente dele”, “Mas levei seis meses para voltar às pistas.”
Falta de fôlego
Provas longas exigem muito oxigênio. É na presença dele que a glicose é queimada para produzir energia. O treinamento consegue aumentar um pouquinho a capacidade de aproveitamento do oxigênio pelos músculos, mas não indefinidamente. Segundo limite. determinado pela medida fisiológica chamada V02 max: o volume máximo de oxigênio consumido pelo organismo a cada minuto.
Ele é proporcional ao peso do coqx) e depende da capacidade de bombeamento do coração e de um bom sistema de irrigação sanguínea. “Uma revisão da literatura médica dos últimos vinte anos mostra que os valores de V02 máximo se estabilizaram”, explicou o médico Turibio Leite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O limite, tudo indica, já foi atingido.” Se há esforço extra, o corpo o bloqueia com dor. Se o atleta teimar, o músculo pode se romper. Não há como vencer o embate. André Domingues que o diga.

Coração
Nos superatletas. a musculatura do ventrículo esquerdo pode aumentar em até 75%. Com isso. ele chega a bombear 45 litros de sangue por minuto, mais que o dobro do que a população em geral, que trabalha com cerca de 20 litros. Mas. como a dilatação das artérias só vai até certo ponto, o (fluxo sanguíneo não poderia aumentar mais sem que isso elevasse perigosamente a pressão arterial.
Energia
Para fabricar energia, o organismo precisa quebrar moléculas de glicose no musculo No começo do esforço, isso é feilo com a ajuda do oxigénio. Quando a capacidade máxima de aproveitamenio desse gás é alcançada, o corpo dá um jeito de continuar fazendo o serviço sem ele, mas isso tem conseqüências ruins.
Com oxigénio A quebra é eficiente. Consegue transformar a glicose em energia sem deixar nenhum lixo.
Sem oxigénio A energia obtida e pouca. As moléculas de glicose não são detonadas por inteiro e o processo deixa resíduos: o lactato, que provoca dor. e protons de hidrogénio, que causam danos às células
Ossos
A resistência máxima dos ossos já foi alcançada no salto triplo, no segundo dos três pulos Nele. o impacto chega a vinte vezes o peso corporal do atleta. Nas corridas, o impacto sobre a estrutura óssea é muito menor de duas a três vezes o peso do corpo. Ainda assim, é limitante. Setenta por cento dos corredores sofrem lesões devido à repetição constante dos movimentos.

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