12.338 – Mega Byte – Usuários criam petição contra limite de dados em internet fixa


golpe dados
Golpe de mestre no seu bolso
Após o anúncio de que as provedoras de internet fixa passariam a limitar a quantidade de dados de seus planos – assim como acontece com conexões móveis – internautas criaram uma petição contra a medida. Endereçada a ‘Vivo, GVT, Oi, Net, Claro Anatel e Ministério Público Federal’, ela já conta com mais de 2 mil assinaturas.
A petição cita a coordenadora institucional da Proteste Associação Brasileira de Proteção ao Consumidor, Maria Inês, que considera que “isso é um retrocesso”. “Uma mudança como essa precisa passar por uma ampla discussão antes de ser aprovada”.
Na mesma entrevista, a coordenadora avaliou também que essa prática de mercado é ilegal. Além disso, a medida também pode prejudicar milhões de usuários brasileiros que poderão ter seu acesso à rede interrompido de maneira inesperada.

12.337 – Genética – Cientistas criam bactéria apenas com os genes essenciais à vida


nova bacteria
Pela primeira vez na história, pesquisadores conseguiram projetar do zero o genoma de um ser vivo (uma bactéria, para ser mais exato) e “instalá-lo” com sucesso numa célula, como quem instala um aplicativo no celular.
É um feito e tanto, sem dúvida. Paradoxalmente, porém, o próprio sucesso do americano Craig Venter e de seus colegas deixa claro o quanto ainda falta para que a humanidade domine os segredos da vida. Cerca de um terço do DNA da nova bactéria (apelidada de syn3.0) foi colocado lá por puro processo de tentativa e erro – os cientistas não fazem a menor ideia do porquê ele é essencial.
“As pessoas já tinham feito há tempos uma estimativa da quantidade mínima de genes necessária para que um ser vivo funcionasse”.
A criação da syn3.0, descrita em artigo na revista especializada “Science” desta semana, coroa décadas de esforço do polêmico pesquisador, que hoje lidera um órgão privado que leva seu nome, o Instituto J. Craig Venter, na Califórnia. Depois de ser um dos líderes do sequenciamento (ou seja, a “leitura”) do genoma humano nos anos 1990, Venter se impôs a tarefa nada modesta de descobrir quais eram os “aplicativos básicos” das células, ou seja, as funções bioquímicas realmente essenciais dos seres vivos.
Venter e seus colaboradores apostavam que, se fosse possível criar em laboratório uma “célula mínima”, com um DNA contendo apenas a receita de tais funções essenciais à sobrevivência, os cientistas conseguiriam ter acesso aos mistérios mais básicos da biologia.
Usando um método que “desliga” os genes de Mycoplasma, a equipe foi estimando quais eram essenciais à sobrevivência dos micróbios e quais podiam ser descartados. Depois, passaram a montar diversas versões do que parecia ser o genoma mínimo, verificando como as bactérias resultantes sobreviviam e se multiplicavam em laboratório.
Após anos de tentativa e erro, eles acabaram percebendo um padrão intrigante. Havia genes que não pareciam essenciais e que podiam ser deletados sem muita dor na consciência. Entretanto, na verdade, eles formavam “pares” com outros genes, como se eles fossem cópias de segurança um do outro – e aí, quando o segundo membro do parzinho era apagado, a célula se tornava inviável. “Nós pensamos em várias metáforas da indústria da aviação para explicar isso”, conta Venter. “Uma delas é a seguinte: se você arranca um dos motores do seu avião, ele pode até ser capaz de pousar em segurança, então a tendência é você achar que o motor não é algo essencial – até arrancar o outro motor.”
O plano dos pesquisadores é comercializar tanto a syn3.0 como plataforma de pesquisa quanto os instrumentos automatizados inventados por eles para “montar” o genoma da criatura, que tem apenas 531 mil “letras” (o humano chega a 3 bilhões) e 473 genes.
Se você está preocupado com um cenário apocalíptico no qual o novo organismo sintético sai do controle, domina a Terra e mata todos nós, pode respirar aliviado: trata-se de uma bactéria muito mimada.
Justamente por ter um genoma enxuto, ela não possui várias funções ligadas ao processamento de nutrientes – é preciso que os pesquisadores entreguem tudo “mastigado” a ela, digamos. Portanto, não sobreviveria mais do que meia hora fora do laboratório.