12.323 – Por que o adaptador T de tomadas é chamado de benjamin?


benjamin-home-blog
Nada de homenagem a Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA e inventor do para-raios. O mais provável é que o T (que tem esse nome por causa do formato) seja chamado de benjamin por ter sido criado e patenteado, no começo do século 20, pela empresa Benjamin Electric Company, nos EUA.
O dono, Reuben Berkley Benjamin, inventou, além do T, vários equipamentos elétricos, como soquetes e adaptadores para lâmpadas. No Brasil, benjamin é mais usado no Sul e Sudeste, enquanto T é o mais falado nas demais regiões. As duas expressões estão corretas, mas o Inmetro adota benjamin.

12.322 – Mega Byte – Facebook vai informar quem visitou o seu perfil? Não caia nessa


Trata-se de um boato falso, que já surgiu outras vezes (e era falso das outras vezes também).
A assessoria de imprensa do Facebook no Brasil diz desconhecer o assunto. Além disso, a própria rede social alega que rastrear a navegação dos usuários dessa maneira não é possível – e sugere que seus usuários denunciem aplicativos ou extensões que se digam capazes de fazer isso.

Boato antigo
O rumor em questão é antigo e costuma surgir nessa época do ano, como aconteceu em 2012, 2013 e 2014. Em geral, vem acompanhado de supostos prints, todos falsos, que dizem ilustrar como será a mudança (como os abaixo):

face visita

face visita2
Posts com esse boato geralmente vêm acompanhados também de uma data a partir da qual essa mudança acontecerá. Algumas das datas mais comuns são 12, 16 e 21 de abril. Vale falar novamente: todas as datas são falsas.
A sugestão do Facebook para denunciar aplicativos e extensões que alegam ser capazes de fornecer essa informação é válida. Muitas vezes, esses programas exigem que o usuário compartilhe informações pessoais para funcionar, e depois retornam apenas nomes aleatórios de amigos como se fossem os “maiores stalkers” do perfil. Alguns deles podem ser até mesmo tentativas de phishing (roubo de informações bancárias) ou podem instalar arquivos nocivos no computador do usuário.

12.321- Mega Sampa – Megacondomínio será erguido em terreno de antiga rodoviária de SP


mega condominio
Em alguns anos, a paisagem de uma região histórica e hoje degradada do centro de São Paulo terá uma importante mudança. Um conjunto de habitação de interesse social e de mercado popular com 1.200 apartamentos será erguido no terreno onde ficava o antigo terminal rodoviário da capital paulista.
O terreno de 18 mil m² fica entre a praça Júlio Prestes e a alameda Barão de Piracicaba. Inaugurada no dia do aniversário da cidade em 1961, a rodoviária funcionou no local até 1982, mas depois foi substituída pelo Terminal Rodoviário Tietê, na zona norte.
As obras do empreendimento devem começar assim que o projeto receber a autorização de órgãos de tombamento, como o Condephaat, órgão estadual de patrimônio, e da Prefeitura de São Paulo, que também integra a parceria público-privada. A previsão para a conclusão da obra é de dois anos e meio.
Segundo o projeto da Secretaria de Estado da Habitação, serão construídos 1.200 apartamentos –de um dormitório (36 m² e 40 m²) e de dois (50 m² e 54 m²). Do total, 90% serão habitações de interesse social, para famílias com renda de até seis salários mínimos mensais (R$ 6.000).
Os outros 10% serão para o mercado popular, para famílias com renda de até dez salários (R$ 10 mil).
Para o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia, o empreendimento imobiliário será fundamental para a revitalização da área e ajudará a cidade em outros aspectos. “Os equipamentos culturais, como a Sala São Paulo, ajudaram a revitalizar o centro, mas eles já cumpriram o seu papel. Acho que só moradia vai resolver a nossa questão a partir de agora.”
Segundo o secretário, como a maioria das habitações é voltada para quem trabalha no centro mas mora nos bairros, o projeto vai contribuir para melhorar a mobilidade.
As inscrições já estão abertas. É possível se inscrever no site http://www.habitacao.sp.gov.br até 24 de julho. Para participar, é preciso ter ao menos uma pessoa da família que trabalhe no centro e estar dentro das faixas de renda estabelecidas pelo programa.

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, concorda que só habitação pode ajudar a revitalizar o centro, mas defende que apenas construir prédios não vai resolver essa questão.
“Trata-se de uma área estratégica para a cidade. Mas não adianta sair fazendo prédio. Deve-se projetar a ‘cidade-resultante’. Devemos discutir, por exemplo, a otimização do espaço do terminal Princesa Isabel, que fica a cerca de 80 metros dali e hoje está rigorosamente destinado ao uso do ônibus”.

HISTÓRIA DO TERRENO
1961 – Passa a funcionar o Terminal Rodoviário da Luz, o 1º da cidade. O empreendimento foi iniciativa de Carlos Caldeira Filho e Octavio Frias de Oliveira, que comprariam a Folha em 1962
1982 – Substituída pelo Terminal Rodoviário Tietê, na zona norte, a estação fecha suas portas durante a gestão do então governador Paulo Maluf
1988 – O terreno é vendido para um grupo de empresários, que o transforma em um shopping popular, o Fashion Center Luz
2005 – Um projeto de revitalização da região da Luz é anunciado pela prefeitura
2007 – O então governador José Serra (PSDB) anuncia a desapropriação do shopping para a construção de um complexo cultural que seria o maior da América Latina. As obras eram consideradas peça-chave na revitalização da cracolândia
2009 – É apresentado o projeto. Desenhado pelos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, que idealizaram o Tate Modern, museu de Londres, o espaço teria 3 salas de apresentações e escola de dança e música
2010 – O prédio que abrigou a rodoviária e o shopping é demolido para dar lugar ao futuro Complexo Cultural Luz. Abandonado, o terreno passa a ser ocupado por usuários de drogas da região
2012 – Já na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), o prazo para o início da construção do espaço, com custo previsto de R$ 500 milhões, é estendido para o 1º semestre de 2013
2014 – O governador manda congelar o projeto por achá-lo caro demais. O Estado já havia desembolsado R$ 118 milhões com arquitetos, consultores e desapropriações
2015 – A Justiça declara nulo o contrato firmado entre a Secretaria da Cultura e o escritório Herzog & de Meuron, responsável pelo projeto. O governo desiste de levar a ideia na região adiante
2016 – O governo do Estado anuncia a construção de moradias populares no terreno e a construtora Canopus vence a licitação.

12.320 – Estudo com réplica do Sol jovem sugere que a vida na Terra esteve por um fio


sol jovem
Ao estudar uma estrela que é praticamente um réplica perfeita do Sol, só que bem mais jovem, um grupo de astrônomos com participação brasileira demonstrou que a existência da vida na Terra esteve por um fio. De acordo com eles, foi somente graças ao campo magnético do nosso planeta que a história teve final feliz.
O trabalho foi aceito para publicação no periódico “Astrophysical Journal Letters” e tem como primeiro autor José Dias do Nascimento, astrônomo da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e pesquisador visitante do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos Estados Unidos. Do Brasil, também participa do estudo o astrônomo Gustavo Porto de Mello, do Observatório do Valongo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O alvo dos pesquisadores foi a estrela Kappa¹ Ceti. Ela está localizada na constelação da Baleia, a uns 30 anos-luz de distância. E é igualzinha ao Sol, só que jovem. Enquanto a nossa estrela-mãe é uma senhora de meia-idade, com 4,6 bilhões de anos, os pesquisadores estimam que Kappa¹ Ceti seja uma adolescente, com entre 400 e 600 milhões de anos.
Não custa lembrar: as evidências mais antigas de vida na Terra remontam à época em que o Sol tinha essa idade aí.
Já se sabe que as estrelas, a exemplo dos seres humanos, são mais agitadas, instáveis e tempestuosas quando jovens. O passar dos anos vai tornando tanto umas como outros mais calmos, pacíficos e cordatos.
A questão é: quão mais raivoso era o Sol em sua juventude? Os pesquisadores puderam estudar isso usando a réplica Kappa¹ Ceti, medindo com precisão a magnetosfera da estrela. Dê uma olhada no naipe da modelagem das linhas de campo magnético.
Com esse campo magnético aí, Kappa¹ Ceti deve ser uma estrela cheia de manchas estelares gigantes, bem maiores que as do Sol de hoje, e capaz de supererupções, com energias milhões de vezes superiores às envolvidas naquelas ejeções de massa coronal da nossa estrela. O vento estelar dela, por sua vez, é cerca de 50 vezes maior que o solar atual. Isso é um caminhão de partículas altamente energéticas que a estrela está ejetando e soprando na direção dos planetas que por ventura estejam ao seu redor.
Decerto o Sol fez a mesmíssima coisa por aqui, 3,8 bilhões de anos atrás, banhando os planetas em altas doses de radiação. Hoje, em proporção bem menor, continua fazendo. Mas a Terra tem seu próprio campo magnético, que age efetivamente como um escudo.
O drama é que, naqueles tempos, a magnetosfera terrestre seria menor e mais fraca — talvez até mesmo metade do seu valor atual. “A Terra primitiva não tinha tanta proteção como tem agora, mas teve o suficiente”, diz Nascimento. “A sobrevivência da vida primitiva em nosso planeta esteve por um triz.”