12.308 – Farmacologia – A Carbamazepina


carbamezepina
É um dos principais fármacos utilizados no tratamento da epilepsia. Quimicamente é parecida com a imipramina e demais antidepressivos tricícliclos. Possui grupamento carbamil na posição 5 e é derivada de iminostilbeno.
A carbamazepina foi descoberta pelo químico Walter Schindler da J.R. Geigy AG, que atualmente é parte da Novartis, em 1953. Schindler obteve êxito em sintetizar o fármaco em 1960 antes de que seus efeitos antiepiléticos fossem descobertos.
Foi comercializada inicialmente para tratar a neuralgia do trigêmeo em 1962 e depois em 1965 começou a ser utilizada como antiepilético no Reino Unido. No ano de 1972 foi aprovado seu uso nos Estados Unidos. É considerada medicamento de segunda geração de agentes anticonvulsivantes, depois do fenobarbital.
A carbamazepina é um bloqueador dos canais de sódio das membranas dos neurónios. Ela é específica para o estado conformacional dessa proteína que ela adapta logo após abrir o seu poro. Assim, a carbamazepina inibe a função dos canais mais usados. Como o influxo de sódio é que inicia a propagação do potencial de ação, os neurónios que apresentam a maior frequência de disparo (incluindo aqueles que disparam desreguladamente dando origem às convulsões, mas também outros) reduzem a sua atividade.
Potencializa a ação do GABA um neurotransmissor fisiológico que inibe a geração de potenciais das ações.
Deprime a atividade elétrica excessiva no cérebro, sem afetar demasiadamente a atividade normal.
A carbamazepina possui uma série de interações farmacológicas. Entre eles, podem ser citados o valproato, fenitoína e fenobarbital pois induzem CYP3A4 o que eleva o metabolismo da carbamazepina. O fármaco também reduz a concentração plasmática de haloperidol, interferindo em seu efeito terapêutico. Ainda, propoxifeno, eritromicina, cimetidina, fluoxetina e isoniazida pode interromper o metabolismo da carbamazepina. Com relação aos anticoncepcionais orais, o fármaco pode reduzir o efeito destes medicamentos. O paracetamol pode aumentar a toxicidade da carbamazepina.Pode reduzir a tolerância ao álcool. IMAO pode produzir convulsões, hipertensão e crises de febre. Existem outras interações.

Indicada para
Prevenção de episódios convulsivos na epilepsia do grande mal (convulsões tónico-clónicas generalizadas).
Convulsões tónico-clónicas parciais: fármaco de primeira escolha.
Antiepiléptico na epilepsia focal.
Eficaz na epilepsia psicomotora do lobo frontal.
Alivio de desvios comportamentais e emocionais no epiléptico.
Doença bipolar (ou maníaco-depressiva).
Síndrome de Abstinência Alcoólica
Nevralgia do trigêmeo e glossofaríngeo.
Dor da tabes

12.307 – Saúde e Bem Estar – O bom humor faz bem para saúde


o amor é contagioso
Embora possa não haver motivos para sorrir sempre, devemos nos esforçar para isso. Vejamos alguns motivos:
“Procure ver o lado bom das coisas ruins.” Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda ou parecer um conselho bobo de um mestre de artes marciais saído de algum filme ruim. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. Não é difícil encontrar exemplos que comprovam que eles têm razão. Como um palmeirense poderia manter o alto-astral depois que seu time perdeu a final da Taça Libertadores da América? Fácil. É só lembrar que o Palmeiras eliminou o arqui-rival Corinthians nas semifinais da competição. Inversamente, a mesma situação pode servir para manter o bom humor do corinthiano. Afinal, embora seu time tenha sido eliminado, o Palmeiras acabou morrendo na praia. Não se trata de ver o mundo com os olhos róseos de Pollyanna. Esse tipo de flexibilidade para encarar os acontecimentos ruins não garante apenas algumas risadas: pode fazer bem para a saúde.
O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas, mesmo sendo o resultado de uma combinação de ingredientes, pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. “Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa”, diz o clínico geral Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo. Mais do que isso: a endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, consequentemente, mais bem-humorado você fica. Eis aqui um círculo virtuoso, que Lopes prefere chamar de “feedback positivo”. A endorfina também controla a pressão sanguínea, melhora o sono e o desempenho sexual.
Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. Novamente Lopes explica por quê: “O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade”. A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas – como um trabalho inacabado ou uma conta para pagar –, que só são trágicas porque as encaramos desse modo.
Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável – e é bom que seja assim. “Você precisa de tristeza e de alegria para ter um convívio social adequado”, diz o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento.” Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que é necessária e faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro. Uma em cada quatro pessoas tem, durante a vida, pelo menos um caso de depressão que mereceria tratamento psiquiátrico.
Enquanto as consequências deletérias do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando o editor norte-americano Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa que ataca a coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital esperando para virar estatística, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os atentos olhos de uma enfermeira, com quase todo o corpo paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas de “pegadinhas” e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até poder voltar a viver e a trabalhar normalmente. Cousins morreu em 1990, aos 75 anos.
Se Cousins saiu do hospital em busca do humor, hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia-a-dia dos pacientes internados. O mais radical deles é Patch Adams, um médico americano que começou no mês passado a construir o primeiro “hospital bobo” do mundo (veja o quadro acima). Adams quer que os doentes deem risadas enquanto se recuperam. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar – está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação e a eficácia das defesas do organismo.
A alegria também aumenta a capacidade de resistir à dor, graças também à endorfina. Vários estudos já comprovaram isso, alguns deles bem engraçados. Uma dessas pesquisas colocou um grupo com as mãos dentro de um balde de água gelada enquanto passava um filme humorístico. Essas pessoas ficavam com as mãos na água mais tempo que outros sem estímulo divertido.
Evidências como essa fundamentam o trabalho dos Doutores da Alegria, que já visitaram 170 000 crianças em hospitais. As invasões de quartos e UTIs feitas por 25 atores vestidos de “palhaços médicos” não apenas aceleram a recuperação das crianças, mas motivam os médicos e os pais. A psicóloga Morgana Masetti acompanha os Doutores há sete anos. “É evidente que a trabalho diminui a medicação para os pacientes”, diz ela.
O princípio que torna os Doutores da Alegria engraçados tem a ver com a flexibilidade de pensamento defendida pelos especialistas em humor – aquela ideia de ver as coisas pelo lado bom. “O clown não segue a lógica à qual estamos acostumados”, diz Morgana. “Ele pode passar por um balcão de enfermagem e pedir uma pizza ou multar as macas por excesso de velocidade.” Para se tornar um membro dos Doutores da Alegria, o ator passa num curioso teste de autoconhecimento: reconhece o que há de ridículo em si mesmo e ri disso. “Um clown não tem medo de errar – pelo contrário, ele se diverte com isso”, diz Morgana. Nem é preciso mencionar quanto mais de saúde haveria no mundo se todos aprendêssemos a fazer o mesmo.

12.306 – Astronáutica – Da Terra a Marte em meia hora


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Uma técnica de lançamento de espaçonaves estudada pela NASA poderia reduzir o tempo de viagem para Marte para apenas 30 minutos.
Vale ressaltar que isso ainda está no plano das ideias, pois uma viagem para Marte, hoje em dia, leva de seis a oito meses para ser realizada.
A técnica que poderia reduzir dramaticamente essa jornada espacial é chamada propulsão de energia direcionada. Ela consiste no disparo de um laser de alta potência – entre 50 e 100 gigawatts – em uma espaçonave e, com isso, numa aceleração a uma fração significativa da velocidade da luz, de, aproximadamente, 30%. Desta maneira, o percurso poderia ser realizado em 30 minutos ou em até três dias, no cenário mais pessimista, de acordo com pesquisadores.
A ideia da NASA é aplicar a técnica na exploração de exoplanetas que poderiam abrigar vida num raio de 25 anos-luz da Terra.
A técnica é pesquisada por Philip Lubin, do Grupo de Cosmologia Experimental da Universidade de Santa Bárbara. Ele garante que existe tecnologia para colocar essa revolucionária viagem galáctica em prática:
“Poderíamos impulsionar um veículo robótico de 100 kg [com 1 m de altura] para Marte em poucos dias”.
Apesar da animação toda em torno da técnica, a NASA ainda não tem projetos oficiais em andamento para utilizar esse tipo de propulsão na exploração espacial, apesar da existência de algumas propostas.

12.305 – Pessoas com excesso de confiança tendem a ser menos inteligentes


Pelo menos é uma das conclusões de um estudo liderado pela pesquisadora Joyce Ehrlinger, da Universidade Estadual de Washington.
Segundo a pesquisa, pessoas com excesso de confiança tendem a se concentrar nas partes mais fáceis das tarefas, gastando menos tempo nas etapas mais difíceis e desafiadoras. Já aquelas que têm consciência de que a inteligência é mutável e que é preciso exercitá-la, passam mais tempo nas etapas difíceis das tarefas e, consequentemente, tem seus níveis de confiança mais alinhas às suas habilidades.
“Um pouco de autoconfiança pode ajudar bastante, mas doses muito elevadas levam as pessoas a cometer erros e a tomar atitudes precipitadas, perdendo a oportunidade de aprender”, explica Ehrlinger. Os pesquisadores também apontaram que o excesso de confiança é bastante preocupante para alguns tipos de pessoas: motoristas, motociclistas, saltadores de bungee jump, médicos e advogados.
Para investigar a origem destas conclusões, a equipe de Ehrlinger estudou o comportamento dos adolescentes. Uma prova com perguntas de múltipla escolha foi aplicada e os alunos que se declararam excessivamente confiantes foram os que menos se dedicaram às questões de maior dificuldade. “Algumas pessoas desenvolvem excesso de confiança por se saírem melhor nas partes mais fáceis das tarefas. Quem encara tudo como um desafio a ser superado tem mais chances de solucionar os problemas mais complicados, sejam eles questões de matemática ou a tomada de uma decisão na vida”, concluiu a pesquisadora.
Por fim, ela clama que pais e professores prestem atenção ao comportamento de seus filhos e alunos para que eles não se tornem pessoas com excessiva confiança em si mesmos, tornando-se incapazes de resolver problemas complexos e frustrados com esses resultados.

12.304 – Saúde – Câmara autoriza pílula do câncer mesmo sem registro da Anvisa


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Uma nova esperança para os pacientes que lutam contra o câncer: a Câmera dos Deputados autorizou a produção e o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecia como “Pílula do Câncer”, antes mesmo do término dos estudos que permitem à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dar o aval de eficácia e segurança para o registro dela como medicamento.
A substância suspostamente anticancerígena, pesquisada há 20 anos pelo Instituto de Química da USP de São Carlos, foi proibida pela Justiça por falta de registro sanitário – para o desespero dos pacientes que contavam com ela como alternativa aos tratamentos tradicionais. Com a liberação, a “pílula do câncer” poderá ser produzida, comercializada e prescrita. Mas até então, o projeto não oferece detalhes sobre a produção da fosfoetanolamina. A decisão da Câmara vai ao encontro do parágrafo único da Lei No 6.360 de 1976, que confere única e exclusivamente ao Ministério da Saúde a atribuição do registro, da aprovação e da permissão do uso de medicamentos. A partir de agora, o texto segue para aprovação no Senado.

Aprovação por autonomia
A votação do projeto mobilizou deputados da base aliada e da oposição. O deputado Jair Bolsonaro(PP-RJ), por exemplo, é um dos principais defensores da distribuição da fosfoetanolamina. A aprovação, assinada por 26 deputados, se baseou no direito à autonomia dos pacientes decidirem se querem ou não se expor a uma substância ainda sem validação sanitária. Para obter a “pílula do câncer”, as pessoas diagnosticadas com neoplasia maligna deverão assinar um termo de consentimento e responsabilidade. E, mesmo assim, continuarão tendo direito aos métodos tradicionais de tratamento da doença.

Funcionamento
Mas o que acontece no corpo dos pacientes que tomam a “pílula do câncer”? Quando alguém está com câncer, a atividade de suas mitocôndrias é prejudicada. O mau funcionamento dessa parte das células acontece pela deficiência de ácidos graxos – fornecida justamente pela fosfoetanolamina. Sendo assim, as doses extras de fosfoetanolamina colaboram para que as mitocôndrias voltem a funcionar. Com as mitocôndrias em dia, o sistema imunológico entra em ação contra as células cancerosas e começa a disparar o processo de apoptose, ou morte celular. Sendo assim, as “pílulas do câncer” incentivam o sistema de defesa do paciente a matar as células malignas.

12.303 – Antropologia – ‘Martelo de carne’ levou ancestral humano a obter cérebro grande


martelo de carne
Há milhões de anos, quando um ancestral humano resolveu bater e cortar carne com as ferramentas que tinha à mão antes de ingeri-la, mal sabia ele que esse seria um passo importante para que seus descendentes obtivessem um cérebro maior e traços mais modernos, como boca e dentes menores.
Uma série de experimentos que procuraram imitar a dieta do Homo erectus acaba de reforçar a hipótese de que o processamento de alimentos, combinado a uma alimentação carnívora, foi essencial para o desenvolvimento dessas características, antes mesmo do surgimento do cozimento da comida.
O estudo foi conduzido por Daniel Lieberman e Katherine Zink, da Universidade Harvard (EUA), e está publicado na última edição da revista científica britânica “Nature”.
Os experimentos foram feitos com carne de bode –que lembra mais a de animais silvestres–, e os legumes cenoura, beterraba e batata-doce, crus ou processados, fatiados com instrumentos de pedra, amaciados com martelos de pedra, ou assados
RESULTADOS
Uma dieta composta de 1/3 de carne, e alimentos (carne e legumes) fatiados ou amaciados reduziu em 26% a força na mastigação
O corte da carne em pedaços menores teria reduzido em 5% o número de mordidas por ano e em 12% a força necessária para mastigar

E O COZIMENTO?
Cozinhar alimentos também teve consequências importantes para a evolução, mas os primeiros registros são de 500 mil anos atrás
A seleção de traços como dentes menores no Homo erectus, portanto, foi possível pela combinação de uso de ferramentas e a ingestão de carne
HISTÓRIA ANTIGA
Um dos mais bem sucedidos ancestrais humanos, o Homo erectus, surgiu na África há cerca de dois milhões de anos, se espalhou por outros continentes e só foi extinto após mais de 1,5 milhão de anos.
O objetivo era resolver um paradoxo. O Homo erectus, que surgiu na África e viveu há dois milhões de anos, tinha o corpo e o cérebro maiores que ancestrais humanos anteriores, mas sua dentição era mais delicada, incluindo músculos menores para a mastigação, e seu aparelho digestivo era menor.
Um corpo maior demanda mais energia, que tem que vir obrigatoriamente de alimentos. Para comparação, primatas como gorilas e chimpanzés passam boa parte do dia procurando comida e mastigando. E quando se trata de carne, a alimentação é demorada, já que a dentição é mais apropriada para vegetais.
Então, já que os dentes pequenos e os músculos mastigatórios mais fracos do Homo erectus não ajudam, fatiar, amaciar e triturar comida com instrumentos poderiam dar conta do problema.
Existe uma hipótese alternativa: o cozimento dos alimentos, tanto carne como vegetais, é que produziu o excedente de energia que permitiu corpos e cérebros maiores. Ela foi promovida pelo pesquisador britânico, Richard Wrangham, também de Harvard, que argumenta que o Homo erectus já era um “masterchef”.