12.297 – Medicina – Nanocristais inteligentes podem melhorar efeitos da quimioterapia


nanocristais-quimioterapia
Fazer com que áreas específicas do corpo recebam medicamento sempre foi uma luta para a Medicina: ou as drogas não conseguem encontrar um caminho eficiente, ou acabam matando células saudáveis ​​ao longo do caminho. Mas isso pode estar prestes a mudar, segundo uma publicação feita na Nature Communications. Cientistas estão criando nanocristais inteligentes que podem ser usados ​​para direcionar medicamentos a locais específicos.
Os tratamentos atuais para o câncer afetam tanto as células de tumor quanto células saudáveis em regeneração – como folículos de cabelo e de medula óssea – o que causa terríveis efeitos colaterais associados. “Nesta fase, o tratamento para o câncer é a aplicação de radioterapia ou drogas químicas que tendem a ser muito agressivas. Você pode matar as células cancerígenas, mas também pode matar até 70 a 90 por cento das células saudáveis”, disse o pesquisador Dayong Jin, da Faculdade de Ciências da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), na Austrália.
Esse problema também causa dificuldade no tratamento de doenças neurológicas como o Mal de Parkinson. A barreira hematoencefálica (BHE) é uma estrutura que impede e/ou dificulta a passagem de substâncias do sangue para o Sistema Nervoso Central, mas também faz com que a entrega da droga para o cérebro seja difícil. “Por uma grande parte do tempo, a droga tende a circular no sistema sanguíneo e não no cérebro”, revelou Jin. Outro problema é que muitos medicamentos e métodos de entrega de drogas não são capazes de escapar do sistema imunológico, com a medicação sendo devorada por macrófagos ou outras células brancas do sangue. Isso significa que estamos usando mais drogas do que precisamos, pois elas não estão trabalhando de forma tão eficaz quanto deveriam.
Porém, estes novos nanocristais poderiam mudar tudo isso. Projetados com muitas propriedades diferentes, são capazes de para evitar o desencadeamento de uma resposta imune. “Temos de encontrar um novo veículo para entrega de drogas que permita que as células saudáveis ​​e a barreira hematoencefálica reconheçam a droga como um amigo e não um inimigo”, disse Jin.
Nos últimos três anos, Jin e sua equipe criaram diversos nanocristais diferentes, devido à forma como os seus átomos se agrupam. Cada um age como uma cauda molecular diferente e pode ser utilizado de maneiras diferentes. Eles podem entregar drogas tendo como alvo células específicas e até mesmo contribuir para mapear o corpo.
Os pesquisadores introduziram diferentes rácios de ânions oleato e moléculas para a formação dos cristais. As diferentes proporções mudam as estruturas e criam reservatórios variados ao longo dos diferentes nanocristais que podem, em seguida, ser utilizados para uma grande variedade de finalidades, como a segmentação do cérebro e a movimentação através da barreira hematoencefálica, ou em ligação a uma proteína fluorescente, que permitiria ver um tumor utilizando imagiologia em tempo real.
O fato dos nanocristais terem muitas funções significa que eles seriam altamente eficazes na procura e, em seguida, na resposta do que precisa ser feito. Eles identificariam se um tumor precisa ser retirado ou analisariam uma área do cérebro que foi danificada, por exemplo. “Ter diagnósticos precisos também é importante, pois quando um cirurgião realiza um procedimento, ele precisa entender exatamente onde está o tumor. Se imagiologia tiver uma resolução mais alta, o cirurgião será capaz de ver um limite preciso entre as células saudáveis ​​e as células afetadas, resultando em um melhor tratamento para o paciente”, concluiu Jin.

12.296 -Neurociência – Cientistas descobrem como inserir conhecimento diretamente em nosso cérebro


Um grupo de cientistas do Laboratório HRL estudou ondas cerebrais de um piloto de avião treinado, gravando cuidadosamente sua atividade cerebral. Em seguida, projetaram uma touca para estimular partes do cérebro que seriam usadas por pilotos principiantes em simuladores de voo. O grupo que usou a touca estimuladora avançou um terço mais rápido no treinamento do que o grupo de controle da pesquisa.
É de notar, porém, que o grupo que avançou treinou de forma consistente para obter os melhores resultados e continuar praticando no simulador para seguir com seus ganhos na aprendizagem.
A pesquisa ainda está longe de indicar o dia em que conquistaremos o conhecimento sem esforço algum.
Isso, por enquanto, segue uma exclusividade de personagens do cinema, como o Neo, de Matrix, que aprendeu a lutar kung-fu apenas fazendo um upload da luta em seu cérebro.
Por enquanto, o dispositivo desenvolvido não afeta a memória, ele apenas estimula a construção de vias neurais, por isso é mais indicado para tarefas como aprender uma nova língua ou dirigir um carro. Ainda não se sabe como esses estímulos poderão afetar o cérebro e se o custo-benefício vale a pena, já que sabemos que nosso corpo apresenta limites físicos.
Ainda assim, a pesquisa pode apontar para avanços fascinantes e pode apresentar aplicações para desenvolver determinados conjuntos de habilidades humanas.

12.295 – Sociedade – Uma cidade que não tem políticos nem classe social


Um lugar em que a política é feita do povo e para o povo, em que não há religião oficial e o dinheiro é mero detalhe. Parece utopia, mas essa é uma boa descrição da comunidade indiana de Auroville.
Oficialmente reconhecida como cidade pelo governo da Índia e pela Unesco, Auroville foi fundada em 1968 pelo casal Sri Aurobindo e Mirra Alfassa, ele indiano e ela francesa. No dia da inauguração da comunidade, pessoas de todos os cantos do mundo levaram terra de seus países nativos para simbolizar a união de todas as nações.
Hoje, cerca de duas mil pessoas moram na cidade, quem tem capacidade de receber até 50 mil moradores. A maioria dos habitantes de Auroville é indiana, mas há gente da França, da Alemanha, de Israel, dos Estados Unidos, da Rússia e até do Brasil.
Completamente autossustentável, a cidade tem campos cultiváveis, pequenas fábricas, restaurantes, padarias, hospitais, escolas e cinemas, além de um pequeno jornal local, tudo alimentado por energia solar. E não há escassez de profissionais! Lá, moram arquitetos, cientistas, médicos e artistas de todos os tipos, de escritores e poetas a escultores e pintores.
Todos os moradores recebem um salário mensal de R$ 405, valor suficiente para os gastos médios e para guardar um pouquinho para qualquer emergência. Mesmo que alguém acumule muito dinheiro, tocando um negócio, não há muito o que comprar, evitando assim a criação de uma sociedade de classes. Carros? Não existem em Auroville. Os cidadãos se locomovem com suas bicicletas.
A política também depende da comunidade. Não existem prefeitos, governadores ou secretários em Auroville. Sempre que surge um problema, uma assembleia é convocada e os cidadãos da comunidade elegem um conselho que remediará o problema.
Também não há religião oficial. Os residentes em Auroville são livres para exercer seus rituais e acreditar no que quiserem, desde que não incomodem ou tentem pregar suas crenças aos concidadãos.
Qualquer um é bem-vindo em Auroville. Para morar lá, o interessado precisa apenas comprar uma casa. As residências não ultrapassam o preço de 3 mil dólares – cerca de R$12 mil. Caso o novato não tenha condições de comprar a casa, pode conversar com a comunidade e realizar trabalhos extras para abater o preço.
Todo mundo precisa ter um trabalho oficial na cidade, mas pode contribuir em outras funções e produzir sua própria arte, que é remunerada. Portanto, quando chega na cidade, o novo morador descreve suas aptidões e recebe sugestões de funções que pode exercer.
No primeiro ano que passa na cidade, o novato é observado e avaliado pela comunidade. Depois de uma ano, período que eles chamam de “estágio”, os cidadãos de Auroville decidem se a pessoa pode ou não permanecer entre eles. Caso o pedido seja negado, o valor investido na compra da casa é devolvido integralmente.

E aí, ficou com vontade de se mudar para Auroville? Confira algumas fotos da cidade:

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12.294- Ufologia – Razões pelas quais quase nenhum cientista acredita em discos voadores


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É quase certo que não estamos sozinhos ? o número de estrelas no universo é tão grande que não tem nome: é um 1 seguido por 29 zeros. Só na Via Láctea, existem entre 100 e 400 bilhões. Demais para achar que eles não estão em lugar nenhum. Mas, ainda que haja milhões de planetas abrigando vida no Universo, as chances de que discos-voadores extraterrestes voem pelos céus da Terra é minúscula. Entenda por quê:

Talvez a civilização tecnológica não seja inevitável
Nem conhecemos a evolução em outros planetas, mas, no nosso, em 4,1 bilhão de anos de vida, a capacidade de criar uma civilização tecnológica só apareceu uma vez. Somos um caso único, que brotou na Terra há apenas 200 mil anos – míseros 0,005% do tempo de existência deste planetinha. Não que sejamos os únicos seres inteligentes do mundo: orcas, golfinhos, elefantes e até mesmo corvos, gralhas e papagaios nunca param de nos surpreender com sua capacidade mental, e até mesmo as plantas estão se revelando mais espertas do que supúnhamos.
Mas, entre tantas espécies inteligentes, só uma julgou necessário construir rodas, canetas, iPhones e naves espaciais. Se é tão raro aqui, não é impossível que seja raro no Universo todo. Será que as condições que deram origem aos seres humanos não são muito peculiares, um acidente que não seria repetido facilmente em outro planeta?

Civilizações não são eternas
Agora, ainda que milhões de civilizações tecnológicas brotem no Universo, nada garante que elas continuem por aí. Considere o seguinte: existimos há 200 mil anos. Mas passamos 190 mil só como um bicho tagarela. Criamos lanças, roupas, flechas e casas, mas vivíamos basicamente na natureza e dela dependíamos 100%, como qualquer outro animal. Foi assim até a invenção mais revolucionária de todas: a agricultura. Isso permitiu que vivêssemos no mesmo lugar, criando cidades e daí Estados e impérios.
Nesses 10 mil anos que vivemos em civilização, a ciência que levou à Apollo 11 é bastante recente ? não dá para dar uma data exata, apenas alguns pensadores cruciais, mas o mundo científico moderno não surgiu antes do século 18, combinando ciência e Revolução Industrial. Durante a maior parte da história deste planeta, não havia aqui nenhum sinal de inteligência que pudesse ser avistado do espaço ? e não podíamos nem sonhar em mandar foguetes para outros planetas. Ainda que ETs inteligentes e tecnológicos sejam comuns Universo afora, nada garante que eles existam na mesma época que nós.

A relatividade é uma estraga-prazeres
Ok, supondo então que, apesar das improbabilidades no espaço e no tempo, haja outras civilizações tão ou mais avançadas que a nossa. A que distância estariam eles? O astrônomo americano Frank Drake, que dedicou umas boas horas de sua vida calculando a probabilidade de que ETs existam, supôs que pudesse haver entre mil e 100 mil civilizações vivas capazes de se comunicar na Via Láctea. Se forem cem mil, um número incrivelmente otimista, isso dá uma distância média de 1.700 mil anos-luz entre uma e outra.
Em outras palavras: é meio longe. A teoria da relatividade geral diz que é impossível qualquer coisa viajar mais rápido que a velocidade da luz. Os aliens mais próximos, então, levariam 1.700 anos chegarem até nós, e o mesmo tanto para voltarem. Difícil acreditar que houvesse alienígenas com disposição para largar tudo por 3.400 anos só para conhecer o bondinho do Pão de Açúcar.
Outra coisa que só viaja à velocidade da luz é o rádio. Quer dizer que os aliens ainda assim não teriam notícias de nós, porque estariam vendo a Terra há 1.700 anos atrás, quando alta tecnologia catapulta. E, se ainda assim decidirem mandar uma mensagem agora para nós, ela só chegará daqui a 1700 anos.

Não existe prova nenhuma.
Dito tudo isso, essa é a razão mais direta para não acreditar em discos-voadores alienígenas. Nenhum artefato alienígena jamais foi encontrado, seja na superfície ou em escavações arqueológicas. Simplesmente não existem evidências sólidas, universalmente aceitas, de que haja discos voadores. Frank Drake é um dos fundadores do Programa SETI, que vem há décadas caçando mensagens no espaço… sem sucesso, apesar de gente de peso apoiar a iniciativa. E, mesmo com esse pessimismo todo, você pode contar o autor dessas linhas como mais um na torcida.
Alguém vai dizer que não existem evidências porque os governos ? todos eles ? acobertam toda e qualquer evidência. Difícil acreditar que o governo da Coreia do Norte esteja colaborando com os Estados Unidos para esconder evidências do público, e que a Alemanha Nazista e a União Soviética também tenham feito isso antes. Por mais que haja relatos inexplicados e histórias mal-contadas, é tremendamente improvável que uma grande conspiração global seja mantida secreta por tanto tempo.
Governos também são ruins em ocultar segredos ? veja o caso do Wikileaks. Talvez alguém diga que a imprensa ? como o Wikileaks ? também está coadunada nessa conspiração. Neste caso, não há muito o que argumentar, porque eu sou da imprensa. Vai que este artigo inteiro foi encomendado pelos aliens, que estão me pagando com uma pistola laser maneiraça.

12.293 -Medicina – Uma estratégia revolucionária para combater o câncer


tumor
Tumor do temor

Uma pesquisa com ratos deixa os cientistas com a pulga atrás da orelha: será que todo a lógica por trás do tratamento
Dentro de um câncer, há várias células competindo entre si.
O jeito típico de tratar câncer é declarar guerra: atacar os tumores com a maior violência que o paciente puder aguentar, de maneira a eliminar tantas células malignas quanto for possível. Pois cientistas do Centro Moffitt de Câncer, na Flórida, resolveram tentar algo radicalmente diferente com ratinhos que sofriam de dois tipos de câncer de mama: usaram doses pequenas de medicamentos, de maneira a matar apenas algumas células cancerosas e deixar outras vivas. Aí, foram lentamente diminuindo ainda mais a dose.
A surpresa veio em seguida: os ratos tratados dessa maneira viveram muito mais do que os que enfrentaram a quimioterapia convencional. 80% dos bichinhos que experimentaram a nova abordagem tiveram seus tumores tão reduzidos que puderam interromper o tratamento, enquanto que os ratos que experimentaram altas doses de quimioterapia não apresentaram redução alguma nos tumores no longo prazo.
Foi apenas uma única pesquisa, e envolvendo ratos. Mas o resultado surpreendente colocou uma pulga atrás da orelha de todo mundo: será que estamos fazendo tudo errado no tratamento do câncer? Será que deveríamos parar de tentar liquidar os tumores e, em vez disso, usar sutileza para mantê-los sob controle?
Os cientistas da Flórida acham que sim – e eles se baseiam na teoria da evolução para afirmar isso. Hoje em dia, tratamos o tumor como um inimigo que deve ser atacado com o máximo de força bruta. “Tendemos a ver o câncer como uma competição entre o tumor e o hospedeiro, mas, quando olhamos dentro do tumor, o que vemos é que as células cancerosas estão competindo umas com as outras”, disse Robert Gatenby, o líder da pesquisa, numa entrevista à revista Time. Ao atacarmos o tumor todo, o que acontece é que matamos a maioria dessas células. Só que as que sobram são justamente as resistentes ao tratamento. O problema é que elas podem em seguida voltar a se multiplicar: e com isso o tumor ressurgirá, dessa vez totalmente resistente à quimioterapia.
O método desenvolvido pela equipe de Gatenby baseia-se em modelos de computador semelhantes aos utilizados por agrônomos que fazem controle de pragas. Em vez de dar um tiro de canhão na plantação inteira, o que eles fazem é um ataque mais sutil, que reduza a população das pragas, mas não extermine todas aquelas que são sensíveis ao inseticida. Assim, eles sabem que poderão planejar um novo ataque caso a infestação volte a aparecer.
É exatamente o que foi feito com os ratinhos: as doses baixas de quimioterapia mataram algumas células do câncer, mas deixaram outras vivas – e não apenas aquelas que são resistentes. Dessa maneira, o tumor não fica resistente ao tratamento e vai lentamente diminuindo de tamanho – e também de periculosidade. Num primeiro momento, essa nova abordagem não reduz drasticamente o tumor, mas com o tempo ela torna mais fácil mantê-lo sob controle. Talvez o tumor nunca desapareça completamente – da mesma maneira que muitos fazendeiros aprendem a conviver com pequenas populações de predadores comendo suas plantações – mas ele não mata o paciente.

12.292 – Pesquisadores criam pele elástica e luminosa para robôs


robo pele
Pesquisadores da Universidade de Cornell criaram um material eletroluminescente e elástico capaz de se esticar até 6 vezes seu tamanho original sem perder a luminescência. Chamado de HLEC (hyper-elastic light emmiting capacitors, ou capacitor emissor de luz hiperelástico), o material pode ser usado como revestimento para robôs elásticos ou como superfície interativa.
Além de brilhar, o material também é capaz de mudar de cor, o que lhe confere outra propriedade interessante. “Nós podemos pegar esses píxels que mudam de cor e colocá-los em robôs, e agora temos robôs que mudam de cor”, disse Rob Shepherd, o pesquisador que liderou os trabalhos. Ele acredita que isso será importante no futuro, pois permitirá que os robôs mudem de cor em resposta a certos estímulos.
A junção dessas propriedades permite que o material seja usado como revestimento para robôs com articulações. Isso porque, como ele pode ser dobrado e amassado sem se apagar, ele consegue recobrir o robô mesmo em partes dobráveis ou que se torcem.
Outra aplicação interessante para a tecnologia seria a criação de dispositivos vestíveis flexíveis. Atualmente, a maioria dos aparelhos desse tipo são rígidos com uma pulseira maleável (como o Apple Watch). No entanto, esse material permitiria a criação de aparelhos que se moldassem totalmente ao corpo do usuário. “Você poderia ter um elástico que envolve o seu braço e mostra informações”, disse Shepherd.
Vale notar também que a pesquisa do grupo teve financiamento do Army Research Office (Escritório de Pesquisa do Exército) dos EUA, o que também aponta para outra possível aplicação da tecnologia: camuflagem. Uma roupa criada a partir desse material poderia mudar de cor para se confundir com o ambiente, semelhante à “OctoCamo” de Old Snake em Metal Gear Solid 4.

12.291 – Neurociência – Macacos controlam cadeira de rodas com o pensamento


macaco cadeira
Utilizando apenas o pensamento, macacos deslocaram-se, usando uma cadeira de rodas motorizada, até a recompensa –no caso, um pote com uvas.
O experimento foi liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke (EUA), e publicado na revista “Scientific Reports”, do grupo Nature. É mais uma etapa de sua pesquisa sobre o uso de interfaces cérebro-máquina para reabilitação e auxílio de pessoas com deficiências físicas.
Segundo o artigo, os resultados dos testes em animais demonstram que a técnica poderia ajudar pessoas paralisadas no futuro.
Nicolelis já havia publicado, em 2013, o resultado de um experimento no qual dois macacos rhesus com microeletrodos implantados no cérebro conseguiram movimentar dois braços virtuais em um avatar no computador.
No novo estudo, também foram usados dois macacos rhesus com microeletrodos implantados no cérebro. Os animais fizeram, inicialmente, uma espécie de treinamento da interface cérebro-máquina -sentados na cadeira de rodas, os primatas apenas a observaram se movimentar por uma rota pré-programada de cerca de dois metros até o pote com uvas.
Durante essa fase, os cientistas registraram a atividade cerebral dos macacos, que era enviada para um receptor sem fio. Depois os pesquisadores programaram um computador para traduzir os sinais cerebrais em comandos que controlavam a cadeira.
Na próxima etapa a cadeira de rodas teve seu modo de operação alterado que fosse controlada via cérebro. Os macacos então pensavam em andar até a recompensa e a interface cérebro-máquina traduzia o pensamento dos animais em movimentos.
Com o tempo, os macacos melhoraram a habilidade em controlar a cadeira, o que pode ter sido mediado por mudanças estruturais do cérebro em resposta ao treinamento.
O artigo aborda ainda a aplicação do implante de eletrodos cerebrais em humanos. Para Nicolelis e colegas, mais experimentos em animais serão necessários até que essa técnica possa ser oferecida às pessoas.
O cientista comandou o projeto Andar de Novo, que envolvia o pontapé inicial na abertura da Copa do Mundo de 2014 por uma pessoa paraplégica vestindo um exoesqueleto comandado por sinais cerebrais, captados via EEG (eletroencefalografia, método não invasivo).
Segundo os autores, sistemas não invasivos para comandar cadeiras de rodas têm uma taxa de sucesso aceitável (80%) em tarefas que envolvem caminhos pré-definidos e “não podem ser considerados como a solução final para o uso clínico no futuro”.
“Como o design de uma cadeira de rodas baseada em EEG suporta apenas um controle discreto, ele é claramente insuficiente para gerar trajetórias que podem mudar (…). Ainda assim, por causa de seu baixo risco, sistemas baseados em EEG continuarão sendo a abordagem dominante por um tempo, e até poderão ser expandidos para novas aplicações, como exoesqueletos. No entanto, conforme os sistemas intracranianos ganhem segurança e eficácia, eles provavelmente se tornarão mais atraentes para paciente e clínicos”, escrevem.
Questionado em entrevista no programa “Espaço Público”, da TV Brasil, sobre a demonstração prevista para acontecer na cerimônia de abertura da Copa do Mundo –uma pessoa paraplégica se levantaria, andaria e chutaria uma bola–, Miguel Nicolelis disse que ela não ocorreu porque “a Fifa não permitiu”. “No Brasil criou-se uma certa polêmica porque a Fifa realmente nos tratou muito mal.”
Segundo o cientista, dos três minutos inicialmente acordados, a entidade decidiu manter, “unilateralmente”, dois dias antes do evento, apenas 29 segundos, inadequados para uma demonstração com segurança, afirmou.

12.290 – Religião – Essênios, a doutrina do deserto


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Um manuscrito achado no Vaticano afirma que Jesus era essênio e vegetariano.
Um inglês chamado Ouselem achou um manuscrito de nome ” O Evangelho dos Doze Santos” em um mosaico budista na Índia. O texto dizia que Jesus teria sido levado para o oriente por essênios refugiados. Saiu então espalhando que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era essênio e defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje tal tese pode soar estranha; na Inglaterra do século 19 era blasfêmia da pior espécie. Teorias exóticas sobre Jesus é o que não faltam. Em 1970, tentou-se provar que ele nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos (?). Por motivos óbvios, tal teoria foi rejeitada.
Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto; 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 aC e o ano 68 da nossa era, guardavam as cópias do antigo testamento, calendários e textos da Bíblia. O que se traduziu até hoje já é o suficiente para moldar a doutrina, crença e hábitos dos essênios. Séculos a fio esquecidos.
Os membros da seita acordavam antes do nascer do sol, permaneciam em silêncio e faziam suas preces até o momento em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um. Eram 5h de cultivo de vegetais ou estudo das escrituras. Após as tarefas, banhavam-se em água fria e vestiam túnicas brancas. Usavam um calendário solar de 364 dias, inspirado no egípcio.
A Filosofia
Bem – Tudo aquilo que que preserva ou produz as coisas para o mundo como o cultivo dos campos, a fecundidade de uma mulher e a sabedoria de um professor.
Mal – O que causa a morte como a matança de animais . O sacrifício de bichos, mesmo para a alimentação, é condenável.
Justiça – O homem deve ser justo porque a natureza penaliza proporcional as infrações. Deve ser pacífico, tolerante e caridoso para ensinar os homens a serem melhores e mais felizes.
Temperança – Sobriedade e moderação das paixões são virtudes, pois vícios trazem muitos prejuízos à saúde.
Perdão – No caso de as leis não serem cumpridas a penitência é simples. Para se obter o , deve-se fazer o bem proporcional ao mal causado.