12.289 – Por que sentimos sono ao lermos?


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Não é ler um livro que dá sono, claro, mas substâncias químicas que agem no corpo. Uma delas é a adenosina, que se acumula ao longo do dia. Quanto mais adenosina, maior o sono, explica Fábio Haggstram, diretor do Centro de Distúrbios do Sono do Hospital São Lucas, de Porto Alegre. Ou seja, o problema, na verdade, é a hora da leitura. Experimente ler em outro horário. Você pode até sentir preguiça, não conseguir nem virar a página e se entediar. Mas não terá sono.
Já a segunda substância envolvida é a melatonina. Ela regula o sono, pois é liberada quando o ambiente escurece. Por isso dormimos, normalmente, à noite. E, como a luz inibe a produção de melatonina, quem lê no tablet, por exemplo, tende a sentir menos sono do que quem lê no papel. É por esse mesmo motivo que é mais fácil passar horas na internet ou vendo televisão do que ler um bom livro de madrugada. Não se sinta culpado se a TV estiver mais agradável às 4h.
Três dicas para não dormir

Ponha a leitura em dia antes de cair no sono
1. Começou a bocejar? Levante e dê uns pulinhos. Estar acordado é reagir a estímulos, e esse pequeno exercício nada mais é do que um estímulo motor. De quebra, vai ajudar a quebrar a monotonia.
2. Ler em voz alta exercita outras partes do cérebro, como o lobo temporal (relacionado à audição) e o lobo frontal (relacionado à produção da fala), e vai acabar com aquela preguiça momentânea.
3. Leia sentado. É lógico: a não ser que você tenha problema na coluna, é mais difícil dormir sentado do que deitado, já que, para dormir, é preciso relaxar toda a musculatura, o que não ocorre sentado.

12.288 – Biologia – Animais Adotam Filhotes?


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Diversos relatos confirmam que animais podem criar e cuidar de animais diferentes das suas espécies, que não sejam os seus filhos, porém que são cuidados como se fossem – um comportamento que podemos encarar como adoção.
Mas por que eles adotam? Vários fatores influenciam a adoção de crianças por seres humanos, como o fato de os pais serem incapazes de gerar filhos, quererem realizar um sonho ou por desejarem fazer um ato altruísta. Como não podemos fazer esse tipo de pergunta aos animais, é preciso observar alguns pontos para entender esse questionamento. O mais interessante é quando animais de espécies diferentes criam um vínculo – muitas vezes tido como improvável.
Existem diversos casos peculiares que podemos listar aqui. Podemos falar do caso do cachorro que cuidou de um esquilo como se fosse seu próprio filhote, o guaxinim que adotou um gatinho, um pitbull que cuidava de três porquinhos como se fossem as suas próprias crias, entre vários outros exemplos. Grande parte desses casos ocorre em zoológicos, quando os animais são forçados a conviver em conjunto e acabam desenvolvendo esses relacionamentos.
O início da adoção
As circunstâncias que criam esses comportamentos nos pais adotivos variam bastante, já que em alguns momentos eles simplesmente aceitam esses animais como se fossem os filhos – como se substituíssem as crias de fato. Em outras oportunidades, os vínculos criados são de amizades, até com as espécies tidas como rivais.
Já em outros momentos, temos um contexto bastante diferente e mais agressivo – principalmente quando estamos falando da vida selvagem sem qualquer intervenção humana. Como exemplo, podemos listar o caso do leopardo que caçava um macaco babuíno e que só depois de matá-lo percebeu um filhote agarrado ao corpo da mãe (assustado com o evento). O leopardo não soube como se comportar ao ver o que pequeno filhote, abandonando o alimento e preparando-se para cuidar do animal desprotegido.
Podemos até ver o leopardo dar umas boas lambidas no pequeno e assustado macaquinho, com tentativas de demonstrar afeto e passar algum tipo de segurança. Contudo, não há como saber se esse órfão foi capaz de sobreviver, já que o leopardo não sabe como alimentar o bichinho. Mas algo é certo, os animais têm empatia uns com os outros, conseguem perceber esses sentimentos e se relacionar – independente das espécies (até quando são caça e presa).
A adoção é excepcionalmente comum em animais domésticos, como gatos e cachorros, devido ao vínculo que eles desenvolvem quando são colocados juntos. Também é comum que os animais adotem filhotes órfãos de outras espécies (como é o caso do leopardo citado), já que possuem um instinto natural de cuidado e proteção para com os bebês. Mas a adoção de animais da mesma espécie possui outro ponto de proveito, já que os novos pais têm interesse em passar os genes da espécie adiante – algo descartado em vínculos de animais diferentes.
As adoções também podem ocorrer por interesses mútuos, quando os bichos de ambas as partes se beneficiam de algum modo. Isso ocorre quando os dois interessados ganham vantagens ao expandir o grupo – por exemplo, maior facilidade para adquirir alimentos ou proteger o bando. Às vezes, esse benefício mútuo se resume em um só fator: sociabilidade (o que é extremamente importante para várias espécies).
Essas alterações ocorrem até mesmo biologicamente. Quando um filhote é adotado, o organismo da nova mãe produz o hormônio ocitocina – normalmente originado durante o período da gravidez. Isso faz com que bebês que não sejam filhotes de fato sejam aceitos de melhor modo. Muitos cientistas acreditam que as adoções que ocorrem no mundo animal são originárias do sentimento de empatia que eles possuem.
Esses argumentos já foram comprovados em vários documentos e estudos feitos pela National Geographic. Os mamíferos têm as mesmas estruturas cerebrais que nós humanos, com os mesmos sistemas e áreas relacionadas às emoções que nós também temos. Às vezes nós não damos crédito suficiente aos animais por essas capacidades, por eles serem tão complexos, seres que pensam e que se colocam no lugar dos outros.
E é a capacidade de empatia que faz com que eles adotem outros animais, seja para aliviar algum tipo de dor, de fome no bando ou de solidão de um lado ou de outro. O altruísmo está presente nesses casos, como quando um golfinho nada quilômetros com animais doentes para protegê-los de predadores ou quando búfalos africanos tentam resgatar bichos fora de seus rebanhos para que não sejam vítimas fáceis.
Os animais são capazes de reconhecer, sentir e até mesmo experimentar o que as outras criaturas estão passando. Eles inicialmente reagem a essas emoções com um comportamento amigo, que certamente podemos dizer que evolui para o amor, quando esses animais solitários, que estão em perigo ou que são órfãos são adotados por outras espécies totalmente diferentes.

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12.287 – Sol – Bomba Atômica Gigante


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O Sol é movido a hidrogênio, que se funde no calor do seu núcleo numa reação parecida com um reator atômico. Ele transforma hidrogênio em hélio.
A estrela produz 40 trilhões de megatons de energia por segundo”, diz o astrônomo Augusto Damineli, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. Tudo isso é emitido em raios gama, uma radiação invisível e quentíssima. Esses raios queimariam o sistema solar, mas, ao atravessar as várias camadas do astro, são convertidos em raios de luz, mais suportáveis. Assim, a temperatura de 10 milhões de graus Celsius da radiação do núcleo é reduzida a 6 000 graus Celsius. Há 4,6 bilhões de anos, ao nascer, o Sol tinha hidrogênio suficiente para queimar durante 10 bilhões de anos. Hoje, a metade desse estoque já se acabou. Quando não restar nada, daqui a 5 bilhões de anos, ele vai queimar o hélio que gerou. Isso durará mais 1 bilhão de anos e será um inferno, pois a queima do hélio gera mais energia e calor que a do hidrogênio. Mas tudo bem. O mundo já vai estar torrado mesmo.

Vai gás aí?
Como o Sol converte hidrogênio em hélio.
1. Cada átomo de hidrogênio do Sol possui um próton e um elétron em órbita.
2. No núcleo do astro, o calor e a gravidade são tão grandes que os átomos se fundem, gerando imensa energia.
3. Depois da fusão, dois prótons viram nêutrons e dois elétrons somem. Surge assim o hélio.

12.286 – Como surgiu o café solúvel?


Café
A versão instantânea da nossa bebida nacional foi criada na Suíça em 1937. Mas a ideia partiu dos brasileiros. Na década de 20 o Brasil produzia café em excesso. Preocupados com as quedas do preço do grão no mercado internacional, alguns produtores e um representante do Departamento Nacional do Café foram bater na porta do presidente da Nestlé, Louis Dapples, em Vevey, na Suíça. Sugeriam que a empresa fizesse pesquisas sobre a fabricação de cubos de café que permitissem sua conservação e durabilidade, mantendo, ao mesmo tempo, o sabor da bebida. Dapples anteviu lucros gordos e encomendou a tarefa ao químico Max Morgenthaler. Em 1937, o laboratório de Morgenthaler apresentou um pó de café solúvel na água que conservava o aroma graças à adição de hidratos de carbono. Na Europa foi um estouro. Mas, como a lei brasileira não permitia nenhum aditivo no café, a sua versão solúvel – ironicamente – acabou não sendo lançado por aqui até 1953, quando os suíços, afinal, conseguiram produzir o instantâneo com café puro, sem aditivos e sem perda de sabor.

Cafeteira industrial
Extrato evaporado vira café solúvel.
O café torrado é misturado à água a 180 graus Celsius e filtrado numa espécie de cafeteira gigante, onde cabem 800 quilos de pó.
O resultado é um líquido grosso, com 10% de café. Esse extrato é aquecido até evaporar, aumentando a concentração de café para 40%.
A tintura hiperconcentrada vai então para um atomizador, um spray de 30 metros de altura que pulveriza o café. Quando ele cai no fundo, está seco.
Na base, se acumula um pó solúvel. Ele recebe vapor d’água e se aglomera, formando os grãos que você compra no mercado.