12.066 – Remédio para diabetes será testado como antienvelhecimento em 2016


Metformina
Pesquisadores acreditam ter encontrado algo que poderia retardar o processo de envelhecimento de forma completa, utilizando um medicamento barato para diabetes, atualmente utilizado por milhões de pessoas.
Conhecido como a metformina, o medicamento existe no mercado há cerca de 60 anos, mas os cientistas voltaram a atenção para ele novamente ao observarem que a droga parece reduzir o risco de cânceres relacionados à idade. Os estudos também mostraram que os diabéticos que tomam metformina vivem mais tempo do que as pessoas que não têm diabetes, apesar da condição, normalmente, reduzir oito anos da expectativa de vida das pessoas.
“As pessoas que tomam metformina possuem, em média, 30% menos cânceres, de quase todos os tipos, exceto o de próstata. Há poucos estudos, mas há um sinal de que a metformina impede o declínio cognitivo. Além disso, há um estudo que sugere que as pessoas, quando começam a tomar metformina, são mais obesas e mais doentes do que as pessoas sem diabetes, mas sobrevivem mais que elas”, disse o coautor do estudo Nir Barzilai, da Universidade de Medicina Albert Einstein, nos EUA.
Com base nestas observações, a Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, autorizou os testes do medicamento por suas propriedades antienvelhecimento, já no próximo ano. Caso isso seja comprovado, será a primeira vez que o FDA reconhece o envelhecimento, ao invés de uma doença específica, como um alvo de pesquisa de drogas.
O estudo é promissor, pois após testar o medicamento nas lombrigas C. elegans, pesquisadores na Bélgica constataram que os vermes não só envelheceram de forma mais lenta, como também permaneceram saudáveis ​​por mais tempo. Além disso, camundongos tratados com a droga tiveram seu tempo de vida aumentado em quase 40%, com sinais de que eles ficaram mais jovens por mais tempo. Calculando a proporção em seres humanos, poderíamos aumentar a expectativa de vida em uma taxa que pode variar entre 80 a 120 anos!
O medicamento pretende retardar o processo de envelhecimento para manter as pessoas saudáveis ​​por mais tempo. Acredita-se que ele aumenta o número de moléculas de oxigênio liberados em uma célula, embora os cientistas ainda não tenham certeza de como isso poderia ser suficiente para impedir o envelhecimento celular. Se a propriedade antienvelhecimento se comprovar no próximo teste, a compreensão do mecanismo será o próximo passo.
O teste será conhecido como ‘Estudo de Envelhecimento Segmentado por Metformina’ (TAME), e envolverá o consumo do medicamento e de um placebo, em comparação, para cerca de 3 mil pessoas idosas que sofrem ou têm um alto risco de condições de desenvolvimento, como o câncer, doenças cardíacas e Mal de Alzheimer.
Durante os próximos seis anos, os pesquisadores vão acompanhar como muitos pacientes passam a desenvolver novas condições relacionadas com a idade e se eles tomaram a droga ou não. A equipe também irá observar se a droga parece ter impactado a longevidade.
É importante ressaltar que ainda não se tem certeza dos efeitos da metformina, portanto, seu consumo antecipado ao estudo para tratar o envelhecimento não é recomendado, podendo causar riscos desconhecidos à saúde.

12.065 -Biotecnologia – O futuro da comida


alimentos_transgenicos
Se existe mesmo um cemitério para as más ideias, é para lá que os alimentos transgênicos pareciam caminhar há pouco mais de uma década. No fim dos anos 90, quando os primeiros produtos feitos com vegetais geneticamente modificados chegaram às prateleiras, a reação foi ruidosa. O cantor Paul McCartney liderou a campanha “Say no to GMO”, ou “Diga não aos transgênicos” — que acabaram apelidados de frankenfood. Temia-se que sua ingestão colocaria a saúde dos consumidores em risco. Até o príncipe Charles se meteu na história, profetizando que as empresas de biotecnologia causariam o maior desastre ambiental de todos os tempos. Ativistas irados destruíram centros de pesquisa. Diante desse temor, os transgênicos acabaram banidos em boa parte do mundo. O fracasso da tecnologia, portanto, parecialíquido e certo. Mas, apesar do barulho, do quebra-quebra e da turma que torcia contra, o resultado foi o oposto. Em dez anos, a área plantada com transgênicos quase quadruplicou; cerca de 14 milhões de fazendeiros de países como Estados Unidos, Brasil e Argentina aderiram. Hoje, mais de 75% da soja e 25% do milho cultivados no mundo são geneticamente modificados. Centenas de milhões de pessoas comem produtos com ingredientes transgênicos todos os dias. A calamidade sanitária e o apocalipse ambiental previstos pelos críticos não vieram.

Apesar do sucesso recente, o atual estágio da pesquisa com transgênicos é frequentemente comparado ao início da era do transistor na eletrônica — ou seja, os cientistas ainda estão longe de explorar as possibilidades criadas pela adoção da biotecnologia no campo. Até hoje, os transgênicos se limitam, basicamente, a proteger as plantas contra herbicidas e pragas. Mas essa realidade vai mudar nos próximos anos. Empresas de biotecnologia e centros de pesquisa estão nos estágios finais do desenvolvimento da segunda geração de alimentos geneticamente modificados. Segundo um estudo da Comissão Europeia, o número de sementes disponíveis no mercado passará das atuais 30 para 120 até 2015. O aspecto mais promissor dessa geração é a expectativa de um salto tecnológico: novos transgênicos trarão benefícios diretos ao consumidor, aumentarãoo potencial produtivo das plantas e, veja só a ironia, podem acabar ajudando a preservar o meio ambiente. Segundo os cálculos da alemã Basf, os novos produtos farão o mercado de sementes transgênicas crescer dos atuais 8 bilhões de dólares anuais para 50 bilhões de dólares nos próximos 15 anos. Aos 58 anos, o bioquímico Americano Roy Fuchs é um dos milhões de americanos que ingerem diariamente um punhado de pílulas de ômega 3 na esperança de diminuir o risco de problemas cardíacos. O componente, extraído do óleo de peixes como salmão e sardinha, é um sucesso comercial: apenas nos Estados Unidos, o mercado de pílulas e alimentos enriquecidos com ômega 3 é estimado em mais de 2,5 bilhões de dólares anuais. Nos últimos anos, Fuchs, que é pesquisador da empresa Americana de biotecnologia Monsanto, vem trabalhando numa ideia que pode transformar esse mercado.

E se ele conseguisse criar uma variedade de soja cujo óleo fosserico em ômega 3 — e pudesse ser usado como ingrediente de barras de cereal, temperos de salada, margarinas e iogurtes? Parece uma ideia maluca, mas Fuchs conseguiu.
Para chegar lá, ele destrinchou o código genético das algas das quais peixes como o salmão se alimentam, em busca do gene responsável pela produção do ômega 3. “Em vez de procurar no DNA do salmão, queimamos uma etapa”, diz ele. Encontrado o gene, Fuchs fez um enxerto no DNA da soja. Chegou-se a uma variedade de soja que produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. Fuchs distribuiu às empresas de alimentos o oleo feito com a nova soja para que elas comecem a desenvolver produtos “ricos em ômega 3”. A Monsanto só aguarda o sinal verde do governo americano para vender a nova semente. Será um marco na evolução da biotecnologia — um alimento transgênico que trará benefícios diretos à saúde do consumidor. Nenhuma empresa ou instituição investe tanto no desenvolvimento de transgênicos quanto a Monsanto. Instalada na cidade americana de St. Louis, a companhia emprega mais de 5 000 pesquisadores como Roy Fuchs, cuja tarefa é criar novas sementes. O investimento em pesquisa supera 1 bilhão de dólares por ano. É natural que seja assim. No fim dos anos 90, a Monsanto basicamente criou esse mercado, ao lançar variedades de soja e milho resistentes ao herbicida RoundUp (produzido, claro, pela própria Monsanto). A experiência de uma década e o dinheiro investido ano após ano colocam a empresa numa posição única para lançar produtos como a soja omega 3.
O desenvolvimento de uma nova semente pode custar até 100 milhões de dólares, e poucas companhias têm caixa para gastar tanto num projeto que sempre corre o risco de dar errado. Com o conhecimento acumulado na última década, a Monsanto hoje pode inserir não um ou dois, mas oito genes diferentes numa semente de milho, por exemplo.
O enriquecimento de países como China e Índia tem aumentado o consumo de carne — e, para cada quilo de carne bovina vendido no supermercado, são necessários 7 quilos de grãos para produzir ração animal. O investimento em biocombustíveis, por sua vez, aumentará ainda mais a demanda por grãos como o milho, usado na produção de etanol. Finalmente, as Nações Unidas estimam que a população mundial crescerá cerca de 30% nas próximas décadas, até atingir 9 bilhões de pessoas em 2050. Calcula-se que o consumo de comida nos próximos 40 anos sera maior que em toda a história da humanidade. Será preciso, em resumo, dobrar a produção mundial de alimentos. É bem verdade, o mundo já esteve em situação semelhante, e não faz tanto tempo.A explosão demográfica na segunda metade do século 20 fez com que cientistas traçassem cenários cataclísmicos para a humanidade — como seria possível produzir comida para tanta gente? Coube ao americano Norman Borlaug provar que o pessimismo era exagerado. Ao propor a combinação de técnicas como o aperfeiçoamento de sementes, a adoção de inseticidas, fertilizantes e irrigação, Borlaug ajudou a criar a Revolução Verde, que multiplicou a produtividade no campo a partir dos anos 60. Morto em 2009, Borlaug é tido como responsável por salvar 1 bilhão de vidas no século 20. Tudo isso, claro, feito semtransgênico algum. Por que, então, usá-los agora?
Segundo os defensores da biotecnologia, as técnicas da Revolução Verde não bastarão para dobrar a produção de alimentos nas próximas décadas. A área dedicada à agricultura dificilmente aumentará — fatores como a urbanização em países emergentes tendem a atrapalhar nesse quesito. Será necessário, portanto, fazer mais com menos espaço.
Cerca de 70% da água fresca do planeta é usada na agricultura — com o crescimento populacional quevem aí, o volume de água disponível vai diminuir. E os agrotóxicos estão entre os maiores poluidores do mundo. Mesmo que fosse possível dobrar a produção de grãos nas próximas décadas entupindoo solo de fertilizantes e pesticidas, as consequências ambientais seriam dramáticas. Para os especialistas em biotecnologia, os novos transgênicos também podem amenizar esses dois problemas. Já há no mercado sementes geneticamente modificadas imunes a pragas — cujo plantio, por definição, reduz o uso de pesticidas.
Os pesquisadores esperam que o histórico ajude a convencer os céticos de que a tecnologia é segura para a saúde. Além disso, os primeiros transgênicos foram desenvolvidos para beneficiar os agricultores, e o consumidor ainda não vê vantagem alguma na compra de produtos com ingredientes geneticamente modificados. As empresas pretendem mudar essa imagem na próxima década, com a nova geração de transgênicos e sua promessa de beneficiar consumidores e o meio ambiente. O sucesso recente demonstra que elas conseguiram conquistar milhões de fazendeiros, apesar de toda a resistência nascida cerca de uma década atrás. Falta, agora, vender a ideia para quem decide o que vai para a mesa.

12.064-Saúde – México aprova a primeira vacina contra dengue


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A Cofepris, autoridade regulatória mexicana para a aprovação de medicamentos, aprovou a vacina contra a dengue. A imunização previne contra os quatro sorotipos do vírus causador da doença e abre caminho para a redução dos casos em países endêmicos.
Desenvolvida pela Sanofi Pasteur, a imunização é indicada para pessoas com idade entre 9 e 45 anos e deve ser administrada em três doses, com um intervalo de seis meses entre elas.
A aprovação baseou-se em estudos clínicos realizados com mais de 40.000 voluntários de diferentes idades, países e etnias. Os resultados mostraram 66% de proteção global contra os quatro sorotipos e redução de casos graves.
“A prevenção é importante. Mas, ainda mais a redução das mortes e dos casos graves”, disse Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur Brasil.
A nova vacina não protege contra o zika, vírus transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti.
O registro da vacina contra a dengue já foi submetido para aprovação em 20 países, incluindo o Brasil. Esperamos que a Anvisa dê seu aval até o começo do ano que vem, Certamente, essa aprovação no México, que também é um país endêmico da doença com um grande número de casos registrados anualmente irá contribuir para isso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) se referiu à vacina contra dengue como parte essencial dos esforços necessários para reduzir de maneira significativa a carga da doença em todo o mundo. Ainda de acordo com a entidade, a dengue é hoje a doença transmitida por mosquito que mais se dissemina no mundo, causando cerca de 400 milhões de infecções por ano.
O Instituto Butantã, em São Paulo, também está desenvolvendo uma vacina contra o vírus da dengue.

12.063 – Genes de répteis podem auxiliar na regeneração de tecidos humanos, acreditam especialistas


Se o homem pudesse escolher uma característica de outra espécie animal, qual seria? A força do tigre, o impulso do rinoceronte ou a velocidade da lebre? Provavelmente, essas seriam algumas opções para aqueles que nunca passaram por uma amputação ou uma doença grave. Para os que já passaram por isso, os cientistas da Universidade do Arizona, nos EUA, propõem a regeneração natural dos tecidos, como fazem certos répteis como o lagarto.
Imaginar um mundo futuro onde as pessoas que perdem um braço, um órgão interno, ou a pele, consigam regenerá-los parece tão radicalmente diferente do presente quanto pensar em um passado sem anestesia e antibióticos, por exemplo. Mas a fórmula genética para essa mudança radical parece que já foi encontrada: especialistas afirmaram que, aplicando as doses certas dos componentes genéticos utilizados pelos lagartos ao reconstituírem sua cauda, será possível fazer tratamentos regenerativos em seres humanos. No laboratório, foram usados métodos de análise molecular para determinar quais genes estão envolvidos no processo de regeneração da cauda do Anolis carolinensis, uma espécie de lagarto cujo genoma foi sequenciado em 2011.
Os autores da pesquisa explicaram que, para reconstituir seu rabo, os lagartos ativam, pelo menos, 326 genes diferentes – entre eles, os mesmos que tornam possível o desenvolvimento dos embriões e da cicatrização de feridas. Esses animais precisam de mais de 60 dias para restaurar uma cauda que seja funcional, mediante o crescimento de novas células sobre tecidos já existentes em determinados lugares desse membro. Através da sequência de todos os genes utilizados durante a regeneração, os cientistas conseguiram revelar o mistério dos lagartos. Assim, empregando os mesmos genes em células humanas, será possível, no futuro, reconstituir cartilagens, músculos e, até, a medula óssea. Essas descobertas podem gerar novas terapias para tratar lesões da medula, reparar defeitos congênitos ou tratar doenças como a artrite.

12.062 – Definições absurdas (e possíveis) do universo


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O universo é um holograma

Imagine um holograma padrão, com aquelas figuras impressas em uma superfície bidimensional que aparentam estar em 3D. Agora, imagine que os pontos que compõem a imagem sejam infinitamente pequenos – ela se torna cada vez mais nítida. Nos anos 90, os físicos Leonard Susskind e Gerard ‘t Hooft demonstraram matematicamente que nosso universo pode ser justamente isso, um holograma, composto por grãos de informação bilhões de vezes menores do que prótons.
Quando tentaram combinar através de cálculos as descrições quânticas do espaço-tempo com aquelas da Relatividade de Einstein, os cientistas descobriram que estes grãos funcionam como os pontos de uma superfície 2D. De acordo com as leis da física, eles devem sofrer perturbações eventualmente, “borrando” a projeção. Pesquisadores desenvolveram um Holômetro, um arranjo de alta precisão de espelhos e lasers que deve descobrir em um ano se nossa realidade é granulada em sua menor escala.

O universo é uma simulação computacional

Sim, nós podemos estar vivendo em uma Matrix de verdade sem nem sequer desconfiar. Platão já havia levantado filosoficamente a possibilidade de que o mundo em que vivemos seja uma ilusão, e desde então a ideia não foi deixada de lado. Os matemáticos se perguntam: por que 2 + 2 tem sempre de ser 4, não importa a circunstância? Talvez porque simplesmente isso faça parte do código com o qual o universo foi programado.
Em 2012, físicos da Universidade de Washington afirmaram que existe uma forma de descobrir se vivemos mesmo em uma simulação digital. Eles argumentaram que modelos computacionais são baseados em grades 3D, e a própria estrutura às vezes causa anomalia nos dados. Se o universo for uma grande grade, os raios cósmicos, que são partículas altamente energéticas, devem apresentar anomalias semelhantes – uma espécie de falha na Matrix. Ano passado, um engenheiro do MIT escreveu um artigo ainda mais intrigante, no qual afirma que como o espaço-tempo é composto por bits quânticos, então o universo deve ser um gigante computador quântico. Se isso for verdade, então quem ou o que escreveu o código?

O universo é um buraco negro

Buracos negros são regiões tão densas do espaço-tempo que nada pode escapar de sua força gravitacional, nem mesmo a luz. Eles são formados a partir do colapso de objetos muito massivos, como grandes estrelas. Em 2010, um físico da Universidade de Indiana escreveu um artigo em que comprova que o cosmos pode ter se originado em um buraco negro, a partir da explosão de uma estrela da 4ª dimensão, e toda a matéria que vemos (e que não vemos) é proveniente desta supernova. O big bang seria justamente a explosão desta estrela.
Segundo o pesquisador, é possível testar esta teoria pois apenas um buraco negro que tenha rotação permite que a matéria não colapse completamente. Nós poderíamos detectar esta rotação através de medições do movimento das galáxias, que seria levemente influenciado para uma direção específica. O mais interessante é pensar na quantidade de universos paralelos que podem estar flutuando no espaço como buracos negros.

O universo é uma bolha

A descoberta das ondas gravitacionais reforçou a hipótese da inflação cósmica, que diz que logo após a grande explosão que deu origem ao universo, o espaço-tempo se expandiu de forma exponencial, só depois se estabilizando em uma taxa mais regular de expansão. Para alguns teóricos, se esta inflação for confirmada, então nós devemos viver em um oceano borbulhante de múltiplos universos, onde cada um deles seria análogo a uma bolha.
Alguns modelos dizem que, antes do big bang, o espaço-tempo continha um “vácuo falso”, ou um instável campo de alta energia desprovido de matéria e radiação. Para se tornar estável, o vácuo teria começado a borbulhar como uma água fervente, dando origem a um multiverso sem fim. A nossa melhor chance de comprovar esta teoria seria investigar possíveis efeitos de um impacto com um universo vizinho, e é isso que pesquisadores da Universidade da Califórnia estão fazendo. Pesquisas envolvendo a radiação cósmica de fundo (resquício do big bang) revelaram uma improvável “mancha fria” que pode indicar uma dessas colisões.

12.061 – O Sol pode ser capaz de produzir erupções catastróficas


sol_erupcao
Todo mundo já teve o dia de pegar um giz de cera e desenhar o Sol como uma carinha feliz. Mas o fato é que nossa estrela é bem ranzinza. Com uma frequência que varia entre minutos e semanas, partes da superfície solar entram em erupção, emitindo uma tempestade de partículas para o espaço – geralmente acompanhadas de espetaculares ejeções de massa coronal: os “tentáculos” como da foto acima.
Isso é um fato da vida desde sempre e, até hoje, nenhuma dessas erupções causou mais que problemas regionais e ligeiros. Mas talvez sejamos apenas sortudos. Um estudo da Universidade de Warwick (Reino Unido) comparou o Sol à estrela binária KIC9655129, que produz erupções milhares de vezes mais potentes que as dele. A conclusão é que a física das emissões aqui e lá é a mesma, e que não há nada que impeça o Sol de ter uma supererupção a qualquer momento.
Uma erupção solar média emite o equivalente a 100 milhões de bombas nucleares de 1 megaton. Uma supererupção poderia chegar a 100 bilhões. “Estrelas muito parecidas com o Sol foram observadas produzindo imensas erupções, chamadas de supererupções”, afirma Chloë Pugh, condutora do estudo. “Se o Sol produzisse uma supererupção seria desastroso para a vida na Terra”.
A catástrofe, porém, não é exatamente como você deve estar imaginando. Numa tempestade solar, a maioria da energia não vem na forma de luz visível. Quer dizer que não seríamos fritos pelo Sol. O que aconteceria, numa simulação da Nasa, viria em três fases: primeiro, chegando à velocidade da luz, uma imensa emissão de raios-x e ultravioleta, que ionizaria a camada superior da atmosfera e interferiria com sistemas de rádio e GPS. Logo depois, uma emissão de fótons e elétrons, que poderia destruir alguns satélites. E, mais ou menos um dia depois, a ejeção de massa coronal, uma quantidade colossal de plasma. Isso atingiria a superfície, induzindo eletricidade em fios e transformadores, destruindo as centrais elétricas e outros equipamentos grandes.
Celulares e computadores, sem tamanho suficiente para serem destruídos por indução eletromagnética, poderiam sobreviver. Mas seriam inúteis. Por semanas, talvez mesmo meses ou anos, as pessoas ficariam sem eletricidade e comunicação. Seria como uma volta instantânea ao século 18. A civilização, se não entrasse em colapso, levaria décadas para se recuperar.
Aliás, em 2012, escapamos por pouco de uma tempestade solar que podia ter causado exatamente isso. Essa foi a simulação da Nasa. Sorte nossa que a Terra estava do lado errado (ou certo) do Sol. Em 1859, uma erupção fritou todos os telégrafos – houve casos até de máquinas pegando fogo.
Pelo lado positivo, teríamos auroras boreais – que são causadas pela ionização da atmosfera – como nunca vistas antes.

12.060 – Apple lança capa que faz bateria do iPhone durar 25 horas


iphone
A Apple lançou sua própria linha de capas para iPhone com bateria embutida. A novidade foi incluída nas lojas online de alguns países, mas ainda não aparece disponível para compra no Brasil.
A capa garante um tempo de conversação que chega a 25 horas, ou uso por 18 horas da internet 4G, mesmo com áudio e vídeo ativados. E, por ter sido desenvolvida pela Apple, a capa se comunica bem com o aparelho, tanto que quando o iPhone está conectado à capa ele exibe um status inteligente de bateria na tela de bloqueio e na central de notificações.
Por ora, a case serve apenas para iPhone 6 e 6s. Nos Estados Unidos ela está disponível em duas cores e sai por US$ 99 (R$ 371). É difícil traçar uma equivalência para o real, mas atualmente a Apple vende capas da Mophie que custam a partir de R$ 549.

12.059 – Antropologia – Antes de Cabral, Amazônia teve mais de 8 milhões de índios


indios
Amazônia, berço de civilizações? Se a expressão soa estranha aos seus ouvidos, é porque as descobertas recentes sobre o passado da maior floresta tropical do mundo ainda não tinham sido reunidas num conjunto coerente.
Um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos fez exatamente isso -e concluiu que, antes de Cabral, a região amazônica já estava fortemente “domesticada”, e não intocada, como muita gente acredita.
As conclusões da equipe, liderada por Charles Clement, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus) estão em artigo na revista científica britânica “Proceedings B”.
Os dados mais recentes apontam, segundo eles, que mais de 80 espécies de plantas selvagens foram transformadas em cultivos agrícolas pelos povos nativos da Amazônia -as mais conhecidas são o cacau, a batata-doce, a mandioca, o tabaco e o abacaxi, além das que ainda são tipicamente amazônicas, como o açaí e o cupuaçu.
A impressionante lista de lavouras “inventadas” pelos indígenas conta só parte da história, porém. Os habitantes originais da região parecem ter domesticado, em certo sentido, até as florestas aparentemente não habitadas por seres humanos.
Isso acontece porque esses povos manejavam a distribuição natural de espécies da mata, favorecendo a predominância de espécies que eram úteis para eles, como as castanheiras que produzem a castanha-do-pará.
Ao longo do tempo, além das plantações propriamente ditas, eles passaram a ficar cercados por “florestas antropogênicas” (ou seja, geradas em grande medida pela ação humana) que facilitavam um bocado sua vida.

GENTE PARA TODO LADO
Esse processo de progressiva domesticação da mata teria ganhado impulso a partir de uns 4.000 anos atrás e, com o tempo, encheu a região com uma população respeitável. Os pesquisadores calculam que a Amazônia pré-cabralina teria abrigado ao menos 8 milhões de habitantes -um número que só seria alcançado pelo Brasil “branco” (somando os moradores de todas as regiões do país) no fim do século 19, segundo dados do IBGE.
A presença de toda essa gente está sinalizada por indícios arqueológicos espalhados de leste a oeste e de norte a sul do território amazônico. Na ilha de Marajó, na foz do Amazonas, um sistema de morros artificiais e uma cerâmica requintada sugerem uma cultura com ampla mão de obra e hierarquia social, com artistas semiespecializados, por exemplo.
Perto da fronteira com o cerrado, a região do Xingu guarda restos de amplas estradas, diques e paliçadas defensivas e manejo intensivo dos rios para a captura de peixes em larga escala. E o Acre conta com os misteriosos geoglifos, formas geométricas que podem ser vistas de avião e podem representar estruturas cerimoniais ou defensivas.
TERRA PRETA
O nome dessa “arma secreta” da agricultura pré-histórica da Amazônia é terra preta -um solo escuro, como sugere o nome, e rico em matéria orgânica.
Calcula-se que ele cubra pouco mais de 0,1% da região -o que parece pouco mas, dado o gigantismo da área e a fertilidade da terra preta, foi o suficiente para impulsionar o crescimento populacional dos povos nativos.
Segundo o pesquisador da Embrapa, ainda não está totalmente claro como a terra preta era criada. “Provavelmente era um sistema de manejo de resíduos. Mais tarde, eles podem ter percebido o potencial desse solo para lavoura”, diz o pesquisador.
Entre os “ingredientes” estavam restos de animais consumidos pelos indígenas e carvão vegetal, queimado de forma controlada, que ajudava a reter carbono no solo.
Ele lembra, porém, que a terra preta não era uma panaceia generalizada -no Acre, por exemplo, apesar dos indícios de grupos com vida social complexa, ela não parece ter sido usada para turbinar a produção agrícola.
Assinam ainda o estudo Eduardo Neves, arqueólogo da USP, e o antropólogo Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida, entre outros especialistas.