11.981 – Planeta Terra – Travessuras do El Niño em 2015


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No Norte e no Nordeste do Brasil, seca; no Sul, chuva. Já no Sudeste, não dá para ter certeza de nada. O El Niño vem com tudo neste ano e concorre para ser o mais forte já registrado, e seus efeitos devem ser sentidos ao menos até o outono.
Climatologistas apelidaram esse El Niño de Godzilla, por seu potencial de esculhambar o clima “médio” global, embora os pesquisadores tenham muitas dúvidas sobre o que exatamente vai acontecer.
O que se pode dizer é que, no Sul, as precipitações intensas e frequentes encharcam a terra, fazendo com que qualquer chuvinha se transforme em uma enxurrada, varrendo os nutrientes dos solos e até as mudas –prejudicando a economia e o abastecimento de comida na região.
Também há riscos ambientais, especialmente para espécies ameaçadas, diz o engenheiro florestal da Fundação Grupo Boticário André Ferreti. Com as inundações, espécies como o bicudinho-do-brejo, que faz seu ninho próximo às margens de riachos, podem ser arrastadas.
O climatologista da USP Tercio Ambrizzi conta que só nos próximos meses poderemos ter certeza de qual será o jeitão deste El Niño –ao mesmo tempo em que ele ocorre.
Quanto ao Sudeste, para Ambrizzi, se o fenômeno se consolidar como está, reservatórios como o sistema Cantareira podem se beneficiar um pouco da precipitação.
“Havia uma certa duvida da chegada da estação chuvosa. Atrasou quase duas semanas, mas chegou”, afirma. A dúvida é saber se essa linha de transição entre os efeitos úmidos do Sul e secos mais ao norte vai permanecer no lugar.
Já os reservatórios de Minas Gerais, como Sobradinho, tendem a pegar carona na seca norte-nordestina.
É difícil fazer previsões muito mais precisas do que isso, porém. Os especialistas estão muito longe de um consenso.
A professora e climatologista da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Alice Grimm também aposta que o El Niño significará mais água na torneira do paulista.
Para professor da USP e membro do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas) Paulo Artaxo, porém, é melhor não dar nenhum palpite: “Sob hipótese alguma podemos fazer previsões sobre a precipitação no Cantareira –as ciências climáticas ainda não permitem isso.”
Uma das explicações para a dificuldade de entender o El Niño é a própria variabilidade do fenômeno. Existem dois tipos de El Niño: os “de leste” e os de “centro”, de acordo com a região do Pacífico onde ocorrem as maiores anomalias na temperatura das águas. Para piorar, o evento deste ano é “misto”, ou seja, apresentam anomalias espalhadas por uma longa extensão.
Já foram registradas regiões com anomalias maiores que 2,5°C. Em alguns locais o aumento chega a 5°C.
Qual a relação disso com o aquecimento global? Para variar, os cientistas não têm uma resposta única.
Para Artaxo, é nítido que há uma mudança climática, mas ainda é inadequado atribuir qualquer anomalia climática a ela ou ao El Niño.
Ele afirma que a própria série história, que em tese poderia servir como referência para que os cientistas entendessem melhor os fenômenos climáticos, já não é mais tão útil.
“Não dá para comparar as chuvas de hoje na Amazônia com uma série histórica do começo do século 20. Mudou tanto onde e quanto chove…”
O último grande El Niño aconteceu entre 1997 e 1998. Os efeitos foram vistos no mundo todo, de calor intenso nos EUA e no Japão até seca e incêndios florestais na Indonésia. O Quênia sofreu alagamentos, e Equador e Peru também tiveram aumento de precipitação.

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