11.959 – Mega Techs – Drones: eles vão mudar o mundo


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Esqueça motoboys e entregadores. No futuro próximo, documentos, pequenas encomendas e pizzas serão transportados e entregues por pequenos veículos aéreos não tripulados, os drones.
Esqueça também os canteiros de obras tal como são hoje. Eles terão mudado de figura. Lembrarão uma colmeia, com um enxame de drones em volta. Em substituição aos trabalhadores humanos pendurados em andaimes, eles se encarregarão de assentar as peças da estrutura em construção, com precisão, num verdadeiro balé aéreo.
Por toda parte nos depararemos com drones em funções diversas: policiamento, inspeção de vias públicas e instalações, controle de tráfego, manutenção de instalações, limpeza, irrigação, dedetização e bisbilhotices, dos vizinhos e dos serviços de informação. Bombeiros serão auxiliados por drones em operações de resgate ou combate ao fogo. A imprensa será quase onipresente com suas câmeras voadoras. Nos parques, veremos drones inteligentes interagindo com humanos como o cão que corre atrás da bola e a traz de volta para o dono.
Talvez essa seja uma visão tímida da sociedade dos drones que vai se desenhando. Afinal, ela contempla apenas funções que esses veículos já são capazes de executar com maior ou menor desenvoltura. Mesmo essa projeção conservadora do que será o futuro, no entanto, nos indica que assistiremos a uma grande e disruptiva mudança em nossas vidas quando os drones estiverem sendo utilizados em grande escala.
Pode-se imaginar essa sociedade assistindo a um desenho animado dos Jetsons ou a alguns dos vídeos sobre experiências com drones. O registro da instalação Flight Assembled Architecture, realizada no FRAC Center de Orleans, próximo de Paris, é uma antevisão do futuro da construção. Na experiência, realizada por uma equipe de pesquisadores do Swiss Federal Institute of Technology, drones levantam uma edificação de seis metros de altura. Matthias Kohler, um de seus idealizadores, garante que os drones vão mudar a cultura da construção e da arquitetura.
No setor militar, até aqui o maior patrocinador dos drones, a nova tecnologia mudou a maneira de fazer a guerra. Há uma discussão muito séria em andamento, alimentada por vazamentos sobre a ação das Forças Armadas dos Estados Unidos a respeito de abusos na utilização de drones. Como sicários inumanos, eles são capazes de perseguir e alvejar um indivíduo onde quer que ele se esconda. Basta que o serviço de inteligência tenha conseguido rastrear os sinais de seu celular.
Transposta para o uso civil, a tecnologia dos drones tem um potencial disruptivo tão grande – especialmente na logística de transporte – que está obrigando as grandes empresas a repensar suas operações. Assim é com a alemã DHL, com a Amazon, com o Google, com o WalMart, com a Shell.
Todas estão em campo fazendo experimentos. A DHL obteve a primeira licença na Europa para utilizar drones em serviços de entrega, em caráter experimental. Faz seus ensaios na Alemanha com veículos não tripulados que cruzam 12 quilômetros, à velocidade de 18m/s para levar medicamentos aos habitantes da ilha de Juist. O Google faz entregas com drones no interior da Austrália, onde pode operar os equipamentos sem restrições. E a Amazon vem causando com a criação de um serviço que promete entregar produtos na casa do consumidor em 30 minutos.
Como toda inovação, as disrupturas na aplicação de drones vêm acompanhadas de conflitos e questões. A disputa pelo espaço aéreo, o incômodo causado pela convivência com os drones, a redução da privacidade, os riscos à segurança são algumas delas. Sobre todas, porém, está colocado o desafio de elevar a sociedade a um grau de desenvolvimento político e cultural que não transforme tecnologias tão poderosas em ameaças à vida e à liberdade dos humanos.

11.958 – Filósofos e Pensadores – “A verdade está no mundo à nossa volta”, Aristóteles


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Os jardins do palácio de Pela, capital da Macedônia, hoje parte da Grécia, foi um local que despertou a genialidade de um dos maiores pensadores da história. Nascido em Estagira, no nordeste grego, Aristóteles foi ainda criança para Pela quando seu pai, Nicômaco, foi chamado para ser o médico do avô de Alexandre, o Grande. Conta-se que Aristóteles brincava nos jardins do palácio e se interessava por quase tudo a sua volta: insetos, plantas, ervas daninhas. Por volta dos 18 anos, ficou órfão e gastou o que herdara do pai em vinho e festa. Em 367 a.C., ele partiu para Atenas e ingressou na Academia de Platão – e de bon vivant se tornou um dos maiores gênios dafilosofia.
Aristóteles entrou na escola apenas como ouvinte, mas Platão logo percebeu que ele não era um aluno qualquer e lhe deu a missão de lecionar retórica. Ele permaneceu na Academia por 20 anos até a morte do mestre, quando, insatisfeito com os rumos que a escola tomava, seguiu para a Macedônia para dar lições a Alexandre, O Grande. Antes disso, casou-se duas vezes e teve Nicômaco, seu único filho. Aristóteles aprendeu muito com o mestre Platão, mas foi também seu maior crítico. O filósofo não acreditava na teoria do mundo das ideias apresentada no Mito da Caverna. Para ele, o mundo real, a natureza, não tem nada de ilusório. Aristóteles acreditava que a verdade está neste mundo e não em um universo paralelo, como acreditava Platão. Aristóteles dizia que eram os homens que formulavam os conceitos a respeito das coisas para poder reconhecê-las. Veja o exemplo de uma cadeira. Depois de observar centenas de cadeiras, nós mesmos poderíamos definir o que era o conceito de cadeira e, desta forma, reconheceríamos um exemplar quando nos deparássemos com uma. E a cadeira na qual estamos sentados agora não é apenas um simulacro de uma cadeira verdadeira existente no mundo das ideias, como Platão diria. O pupilo também não acreditava na dialética como um método seguro de conhecimento. Para Aristóteles, debater ideias é bom para a política e a retórica, mas não é indicada para a filosofia ou para a ciência. Assim, ele fundou a lógica, que definiu como um instrumento seguro para conhecer o mundo.
Aristóteles tratou de absolutamente todos os temas da sua época com uma profundidade revolucionária. As contribuições aristotélicas na metafísica, retórica, ética, filosofia política, além da matemática, da física e da zoologia, são ainda hoje citadas em faculdades mundo afora. Um dos seus principais legados foi no campo da lógica, onde sistematizou o estudo propondo uma abordagem semântica, ou seja, analisando como duas premissas podem formar uma conclusão verdadeiramente indiscutível.
Apenas a medicina passou ao largo da erudição aristotélica, mas até para isso o gênio tinha uma resposta: ele se focava em áreas que tinham déficit de conhecimento, o que julgou não ser o caso da medicina. Além das contribuições à ciência, é de Aristóteles uma das ideias mais originais sobre felicidade. Desde Sócrates, os filósofos vinham se perguntando como, afinal, o ser humano deveria viver. Aristóteles acreditava que era preciso buscar a felicidade. Ele usava a palavra eudaimonia para explicar que felicidade era na verdade uma busca racional para se tornar um ser humano melhor, justo e bom. Mas ele também não era ingênuo e sabia que ser feliz dependia de alguma forma dos bens materiais, já que eles facilitam a prática de ações nobres.

11.957 – Filosofia Medieval -“A alma do homem é imortal e imperecível”, Platão


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Principal discípulo de Sócrates, Platão se encarregou de registrar as ideias do mestre na forma de diálogos. Seu texto é uma mistura de teorias complexas com fragmentos teatrais que traziam o mestre como protagonista, dialogando sobre a vida, a razão e a verdade. Platão escreveu ao longo da vida cerca de 40 diálogos, verdadeiras obras-primas filosóficas e literárias. Temos a sorte de contar hoje com tudo o que o filósofo escreveu.
É de Platão um dos textos filosóficos mais lidos da história, o Mito da Caverna. Conta a fábula de prisioneiros que foram acorrentados em uma caverna escura quando crianças sem jamais poder sair dali. Tudo o que conheciam do mundo eram sombras da vida real projetadas nas paredes, ou seja, cópias imperfeitas das coisas, que conservam suas formas verdadeiras no mundo das ideias, uma espécie de paraíso onde está guardado o padrão de tudo o que existe – principal teoria de Platão. O mundo das ideias existe em oposição ao mundo dos sentidos, esse no qual vivemos, recheado de cópias defeituosas de tudo o que existe no plano superior.
Quando um dos escravos foge da caverna e fica deslumbrado com a verdadeira forma das coisas, Platão faz uma metáfora com os filósofos, que ascendem por meio do conhecimento. Ele defendia a tese de que o mundo das ideias só poderia ser acessado pelos filósofos. Logo, era essa a classe mais indicada para governar a pólis. Esse pensamento originou a teoria política de Platão, na qual ele cria a cidade ideal. Nela, existiriam apenas três categorias de cidadãos, cada um desempenhando a tarefa para a qual estava melhor preparado. Aqueles que tinham a “alma com apetite” seriam trabalhadores; os corajosos, os guardiões da pólis; e os dotados de sabedoria e razão, os governantes-filósofos.
A tarefa do rei filósofo seria justamente a de regressar à caverna e relatar o mundo das ideias para os demais – isto é, contar a verdade para a sociedade. Na comunidade ideal de Platão, os casamentos seriam coletivos e sem casais fixos. O sexo seria somente para a reprodução, e as crianças criadas pelo Estado como filhos da comunidade. O pensador também lançou a ideia de igualdade dos sexos. Na cidade ideal, as mulheres não seriam discriminadas e poderiam ocupar até postos no serviço militar. Essa teoria levou Platão por três vezes até a cidade de Siracusa, na Sicília, onde pretendia persuadir os soberanos a colocar em prática seu plano. Sem sucesso, chegou a ser preso.
Mas, antes de virar Platão, o filósofo, ele era Aristócles, seu nome de batismo, um estudante das letras e da pintura com excepcional dom para a ginástica. O apelido, Platão (Pláton, em grego), que significa amplo, teria sido uma criação do treinador Áriston de Argos por causa do porte musculoso do aprendiz. A transição do esporte para o pensamento veio aos 20 anos, quando foi apresentado a Sócrates. A parceria durou cerca de uma década, até os últimos minutos da vida do mestre. Depois da morte do professor, Platão fundou a própria escola em Atenas. Considerada por alguns como a primeira universidade e inspirada nas comunidades criadas por Pitágoras, a Academia ensinava matemática e geografia. O grande avanço era o ingresso de mulheres que, pela primeira vez, podiam estudar. O aluno mais ilustre foi Aristóteles. Platão morreu aos 70 anos. Em sua lápide ficaram gravadas as seguintes palavras: “Aqui jaz o divino Aristócles, que em prudência e justiça soube exceder a todos os mortais. Se a sabedoria eleva alguém às alturas, este as conseguiu. A inveja em nada lhe empanou a glória”.

11.956 – Filosofia Medieval – “A morte não é nada para nós”, Epicuro


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Durante escavações em sítios arqueológicos gregos e romanos, foram encontradas várias estatuetas de Epicuro. Era normal que os intelectuais da época guardassem estátuas de filósofos, mas o que chamou a atenção é que as de Epicuro estavam presentes até nas casas simples. Os seguidores do filósofo, nascido na ilha de Samos, acreditavam que contemplar seu rosto aquietava o espírito. Epicuro adorava comparar seu pensamento à medicina. Proclamava-se um terapeuta do espírito, médico das almas e cirurgião das paixões. Na sua escola, chamada de O Jardim, acolhia mulheres, escravos e até mesmo prostitutas para suas “consultas”.
Como Aristóteles, acreditava que o maior objetivo da vida era a felicidade. Mas ia além. Achava que a dificuldade em atingi-la estava no medo que sentimos da morte. Epicuro se propôs a resolver o impasse: se a morte é o fim das sensações, ela não pode ser fisicamente dolorosa, e, se é o fim da consciência, não pode causar dor emocional. Ou seja, não há nada a temer. Superado esse medo, podemos ser felizes. Epicuro morreu aos 72 anos. Não sabemos se ele estava completamente destemido em relação ao juízo final, mas, em uma de suas últimas cartas, comemorou a vida doce, feliz e sempre digna de ser vivida.

11.955 – Pensadores da Era Clássica – “Só sei que nada sei”, Sócrates


Sócrates é para a filosofia o que Jesus representa para o cristianismo. Assim como o profeta, veio de uma família pobre, nunca escreveu uma palavra, incomodou muita gente e foi admirado por uma legião. Perambulava pelas ruas, onde parava desconhecidos e fazia perguntas embaraçosas. Como Jesus, Sócrates morreu de forma trágica. De origem pobre, seguiu a mesma profissão do pai, escultor. Mas o ofício logo foi abandonado com a convocação para a guerra do Peloponeso, onde defendeu Atenas contra Esparta. Foi também nessa época que o sábio encontrou o amor – ou melhor, os amores. Não que ele fizesse sucesso com as mulheres – pelo contrário, dizem que sua feiúra era incomparável -, mas a escassez de homens depois das batalhas fez os governantes criarem uma lei extraordinária que permitia o casamento com duas mulheres. Sócrates escolheu Xantipa e Mirton como esposas.
Se lhe faltavam atributos estéticos, sobrava lábia. Sócrates falava dia e noite sem parar, inquerindo quem quer que cruzasse o seu caminho. A sede insaciável de diálogo ficou conhecida como método socrático, ou dialética. Passava os dias formulando questões e perguntando insistentemente, sem desenvolver uma teoria sequer. Dos diálogos, tentava estimular pensamentos sobre o que é o bem, o justo, o bom e o belo. A vida e a moral eram as grandes preocupações do pai da filosofia ocidental. Ele definiu o que acreditava ser uma vida virtuosa, onde a paz de espírito era atingida fazendo o certo, o que não era a mesma coisa que seguir o código moral da época. Fazer a coisa certa era uma questão de consciência – Sócrates acreditava que ninguém deseja fazer o mal. Esse princípio levaria à famosa máxima “Conhece-te a ti mesmo”, inspirada na inscrição do Oráculo de Delfos, centro de consulta aos deuses gregos. Certa vez, perguntou se ser enganador correspondia a ser imoral. “É claro que sim”, respondeu o interlocutor. Sócrates, então, indagou: “Mas e se um amigo estivesse muito triste e quisesse se matar e você roubasse a faca dele? Não seria um ato imoral?” Sim, ouviu como resposta. Sócrates concluiu: “Mas seria moral em vez de imoral, já que seria uma coisa boa e não ruim”. A essa altura, enquanto os neurônios do cidadão se debatiam, Sócrates dava-se por satisfeito. Ele próprio comparou esse método com a profissão de parteira da sua mãe. Sua mãe usava a habilidade para trazer à luz a vida. Ele paria a verdade. Um dia, um amigo de Sócrates consultou o Oráculo de Delfos. Desejava saber se existia alguém mais sábio que o filósofo. A resposta foi direta: “Não, ninguém é mais sábio que Sócrates”. Quando soube da resposta, Sócrates ficou pasmo com a afirmação e foi procurar políticos e poetas para provar o erro do Oráculo. Foi em vão.
Conta-se que, ao conversar com outros sábios, Sócrates concluiu que todos acreditavam que tinham um conhecimento profundo sobre algum assunto, quando, na verdade, não era bem assim. A sabedoria do pensador estava em não alimentar ilusões sobre o próprio saber. Foi dessa lógica que Sócrates extraiu a histórica frase “só sei que nada sei”, pensamento que lhe rendeu vários inimigos em Atenas, que o acusaram de ser, na verdade, um sofista interessado em se aproveitar da retórica para mentir. O filósofo foi levado ao tribunal, acusado de colocar em risco a moralidade ateniense e dissuadir a crença nos deuses. Recusando-se a abrir mão de suas ideias, o sábio tomou um cálice de cicuta – veneno extraído de uma planta que paralisa gradualmente o corpo. Morreu aos 70 anos. Durante o julgamento, disse uma de suas frases mais marcantes: “A vida irrefletida não vale a pena ser vivida”. Segundo relatos de Platão, seu maior discípulo, Sócrates preferia a morte do que viver sem questionamentos, na completa ignorância. Teria declarado ainda que, se corromper a juventude significava ensinar a cuidar menos do corpo e mais da alma, então era culpado. Sócrates não escreveu nada, mas disse muito. Poucos minutos antes de cumprir seu destino, se despediu dos discípulos: “Já é hora de irmos. Eu para a morte, vocês para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo? Isso é segredo. Exceto para Deus”.

11.954 – Filósofos e Pensadores – “Nada existe”, Górgias


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Seria errado culpar a adúltera Helena pela Guerra de Troia. A moça, na verdade, foi uma vítima das palavras. Páris, seu sedutor, teria usado o poderda linguagem para manipular a mente de Helena. Usando essa argumentação, o sofista Górgias explicou o poder mágico que, para ele, existia nas palavras. Gênio da retórica, o filósofo acreditava piamente na persuasão da linguagem. Era uma espécie de precursor dos publicitários, capaz de sustentar opiniões absurdas e convencer seu público usando apenas o talento argumentativo. Pela retórica, Górgias e os sofistas provaram que a inteligência também poderia ser usada para mentir, seduzir e impressionar.
Nascido na cidade de Lentini, na Sicília, o sofista teria vivido 108 anos em perfeita saúde e propondo pensamentos radicais. O mais famoso foi o das três teses: 1) nada existe; 2) se algo existisse, não poderia ser pensado e 3) se algo existisse e pudesse ser pensado, não poderia ser explicado. A ideia polêmica ganhou várias interpretações. Há quem diga que foi apenas uma brincadeira feita durante um dos discursos de Górgias para assustar os ouvintes. Outros sustentam que era uma forma radical de ceticismo.

11.953 – Filósofos e Pensadores – “O princípio de tudo é o número”, Pitágoras


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Quando Pitágoras descobriu que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos, seus discípulos consideraram a descoberta uma revelação divina. Ele próprio acreditava que sua conclusão não havia surgido do pensamento lógico, mas de uma iluminação. Filósofo e matemático, Pitágoras também era considerado um líder espiritual. Talvez sua beleza tenha ajudado na fama. Pitágoras, conta-se, era lindo de morrer. Seus discípulos desconfiavam que ele era, na verdade, o deus Apolo. Certo dia, segundo reza a lenda, alguns que o viram nu disseram que sua coxa era feita de ouro.
Aos 40 anos, o filósofo-matemático saiu da cidade natal na Ilha de Samos e foi para Crotona, na Itália, onde fundou uma seita. Os alunos da escola pitagórica, cerca de 300, viviam em comunidade e passavam os dias estudando as teorias do filósofo. A imposição de rituais estranhos, como oque proibia morder um pão inteiro ou alisar a marca do corpo deixada no lençol ao levantar da cama, leva a crer que Pitágoras também teria traços de um obsessivo-compulsivo.
Ele se achava. Dizia que ficara 200 anos no inferno antes de chegar aos homens, em uma longa preparação para chegar ao reino dos mortais. Suas teses tinham valor de dogmas – poucos tinham permissão para questioná-lo. Sua principal teoria era baseada nos números. Enquanto os filósofos de Mileto acreditavam que a causa de tudo era um elemento físico ou o infinito de Anaximandro, o pensador defendia que os números eram o motivo e oprincípio de tudo. Até o cosmos poderia ser quantificado de acordo com ateoria pitagórica. Mas os números de Pitágoras eram diferentes dos nossos algarismos. Não eram abstratos e ocupavam uma dimensão espacial, em formas de quadrados e triângulos. Outra ideia badalada do pensador foi a da”música cósmica”. Para Pitágoras, os astros tocavam uma melodia perfeita e divina durante seu movimento. Mortais não seriam capazes de ouvir a tal canção porque os sons contínuos passam despercebidos pelos nossos sentidos.
A seita pitagórica não teve um final feliz. Cidadãos de Crotona se revoltaram contra a comunidade, considerada uma panelinha aristocrática. Os revoltosos mataram seguidores de Pitágoras, que fugiu da cidade e se refugiou em Metaponto, onde morreu pouco tempo depois. Após sua morte, os discípulos criaram novos centros para difundir a seita e as teorias. O mestre não deixou nada escrito. Tudo o que se sabe de suas doutrinas só ganhou visibilidade com os livros do pitagórico Filolau, os quais Platão comprou sob encomenda.

11.952 – Filósofos e Pensadores – “Tudo flui e nada permanece”, Heráclito


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Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Quando imergimos, águas novas substituem aquelas que nos banharam antes. O exemplo serviu para ilustrar a Teoria do Devir de Heráclito de Éfeso, sua tese mais famosa. Para ele, o Universo anda num eterno fluir, com cada coisa sendo e não sendo ao mesmo tempo.
Para Heráclito, era o logos – algo como razão ou inteligência – que governa o mundo. Ele reconhecia que todos os homens possuem o logos, mas acreditava que a maioria (que chamou de “adormecidos”) não desenvolvia essa inteligência. Apenas os “despertos” utilizavam o logos de modo consciente. Suas teorias só foram reveladas após seu bizarro suicídio: cobriu o corpo de esterco e foi para a praça, onde foi devorado por cães. Heráclito deixou frases gravadas em lâminas de ouro que ficaram secretamente guardadas com sacerdotes. Eram curtíssimas e com duplo sentido, como no trecho “a rota para cima e para baixo é uma e a mesma”.

11.951 – Filósofos e Pensadores – “Não é possível dizer nem pensar o que não é”, Parmênides


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O grande Platão o reconheceu como pai espiritual e dedicou a ele um de seus diálogos. A profundidade das ideias e argumentações de Parmênides é considerada até hoje uma das mais ricas da história. E se filosofar já é difícil, imagine deixar as teorias gravadas em formato de poesia. Parmênides o fez. Está tudo registrado em poemas filosóficos (exatamente 154 versos).
Nascido em Eleia, hoje sul da Itália, Parmênides é considerado o principal nome da escola eleática, um dos últimos movimentos filosóficos do fim da era pré-socrática. Seu grande mérito foi ter reconhecido que nossos sentidos nem sempre estão certos, valorizando a importância de fazer uma interpretação racional do mundo. Parmênides chegou a uma conclusão oposta à do contemporâneo Heráclito. Para ele, a Teoria do Devir não poderia estar certa, porque algo que “é” e “não é” ao mesmo tempo não passa de uma contradição. Não há uma terceira possibilidade, dizia Parmênides.

11.950 – Filósofos e Pensadores – “O ar é Deus”, Anaxímenes


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Nem água, nem infinito. Para o último dos filósofos de Mileto, o ar era o item fundamental. Ele observou que os lábios franzidos produzem ar frio e, quando relaxados, ar quente – concluindo que a condensação esfria e a expansão aquece.Para ele, a condensação do ar teria dado origem a névoas, chuvas e rochas, ou seja, ao planeta todo. Afinal, nada sobreviveria sem o ar.

11.949 – Filósofos e Pensadores – “O princípio e o elemento de todas as coisas é o infinito”, Anaximandro


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Responsável por continuar o pensamento de Tales, Anaximandro foi político, administrador e construtor de relógios solares – um cidadão célebre. Seu busto foi encontrado em posição de destaque nas ruínas de Mileto. Assim como Tales, acreditava na existência de um princípio primordial para o Universo, mas discordava de que fosse a água. Nas três frases deixadas pelo pensador, que são os primeiros textos de filosofia escritos, ele defende que o infinito é a origem de tudo, porque somente algo ilimitado e eterno poderia explicar a multiplicidade das coisas.