11.948 – Filosofia – “O Universo é feito de água”, Tales de Mileto


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Criado em uma época na qual a religião explicava todas as coisas, das guerras aos casamentos infelizes, Tales de Mileto rompeu com o pensamento mitológico e deu o pontapé inicial da filosofia. Foi o primeiro a usar o raciocínio puro para explicar as questões do homem e da natureza.
Nascido na colônia de Mileto, atual Turquia, Tales é considerado o responsável por tirar a civilização helênica das trevas intelectuais. A fama vai além das contribuições para a filosofia. Em 585 a.C., conseguiu prever um eclipse total do Sol. Sua aptidão para os negócios também era invejável. Certa vez, percebeu que as condições do tempo estavam favoráveis para a colheita e investiu no ramo das azeitonas prevendo que o clima turbinaria uma safra recorde. Dito e feito: Tales encheu os bolsos de dinheiro. Porém, o pensador ficou mais conhecido pelo teorema de Tales, que ele formulou medindo a pirâmide de Quéops, no Egito, utilizando apenas uma estaca e as sombras dela e da pirâmide. Hoje, o teorema é fundamental para medições geométricas, utilizado desde a construção civil até a astronomia.
Na filosofia, ele acreditava na existência de uma matéria-prima básica responsável pela origem do Universo: a água. Em uma de suas frases mais conhecidas, Tales teria dito que “o Universo é feito de água”. Ele observou que, sem água, tudo morria. Logo, ela era a fonte da vida. Tales chegou a afirmar que a Terra flutuava sobre um disco de água a partir do qual tudo emergiu. Ironicamente ou não, a sede teria sido um dos motivos da sua morte, aos 78 anos. “Tales sucumbiu por causa do calor, da sede e do esgotamento da velhice”, descreveu o biógrafo Diógenes Laércio.
Tales não deixou textos. Tudo o que se sabe sobre ele é baseado na tradição oral e em registros de outros pensadores. Teve uma vida isolada e íntima. Não cobrava nada de seus discípulos e, humildemente, desafiava outros sábios a contestarem suas ideias.

11.947 – Ficando por dentro – Breve História da Filosofia


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A filosofia não nasceu na Grécia. A terra natal de Tales, considerado o primeiro filósofo da história, é Mileto, cidade do sul da Jônia, região que hoje pertence à Turquia. Ou seja, é correto dizer que a filosofia nasceu no mundo grego, mas o mundo grego dos séculos 7 e 5 a.C. não tem nada a ver com a Grécia de hoje. Abrangia a costa do Mar Egeu, de Mármara e boa parte do Mar Negro, além do sul da Itália e das regiões costeiras da França, Espanha e África. Demorou quase cem anos para a filosofia chegar à capital Atenas, onde viveu Sócrates, uma espécie de Jesus Cristo da filosofia.

Motivo: assim como o calendário está dividido em antes e depois do surgimento do messias cristão, a filosofia também tem duas eras: pré e pós-Sócrates. Na era pré-socrática, a principal preocupação era saber de que era feito o mundo e o ser humano. A pergunta “de que são feitas as coisas?” pode soar ingênua e até infantil. Mas o filósofo Timothy Williamson, de Oxford, considera uma das melhores perguntas já proferidas – uma questão que nos conduziu a boa parte da ciência moderna. Pela primeira vez na história, os pensadores colocaram o raciocínio na frente da mitologia. Eles não engoliam a ideia de que o mundo surgira do nada. “Nada vem do nada e nada volta ao nada” era uma premissa básica para os pré-socráticos, o que significava dizer que o mundo é uma eterna reciclagem, tudo se transforma sem jamais desaparecer. Eles tinham até uma palavra para esse mundo perene: physis, do verbo grego “fazer surgir”. Physis era a origem de todos os seres e coisas mortais do mundo, que estão em permanente transformação. O café quente esfria, o inverno vira primavera, o longe fica perto se formos até ele, a criança cresce e vira um adulto. A natureza está em constante transformação, mas isso não quer dizer que ela é caótica. As mudanças seguem uma lógica determinada pela physis.

Mas afinal o que era a physis? Cada pensador achava que era uma coisa. Tales afirmava que o princípio era a água ou o úmido. Anaximandro, oinfinito. Anaxímenes, o ar. Pode parecer simplório, mas era a primeira vez que se buscava uma resposta racional para a origem do mundo.
Entre os séculos 6 e 5 a.C., o mundo grego sofreu uma reviravolta socioeconômica decisiva para o surgimento de pensadores da estatura de Sócrates, Platão e Aristóteles. A cultura agrária e aristócrática da Grécia, que na época reunia cidades-Estados e não formava um país como hoje, deu lugar à vida urbana e democrática. Uma nascente indústria artesanal e o comércio levaram hordas de gregos do campo para as cidades. A nova classe trabalhadora passou a questionar o poder político da monarquia e, por volta de 507 a.C, o reformador Clístenes introduziu um princípio crucial que alterou a ordem social na região: a igualdade dos homens perante a lei e o direito de todos participarem das decisões políticas da comunidade. A Grécia virou uma democracia direta. Nascia a figura do cidadão. Boa parte dos habitantes podia dar pitaco nas reformas da cidade e expressar opiniões em público (exceto mulheres e escravos, mas paciência…).

Mas era preciso saber falar para ser ouvido. O ideal de educação no novo mundo grego valorizava a formação do cidadão e não mais exaltava as virtudes aristocráticas, típicas dos poemas de Homero e Hesíodo, para quem o homem ideal era o herói de guerra atlético e corajoso. Os novos professores da classe cidadã eram os sofistas, pensadores que se apresentavam como mestres da oratória e da retórica e contestavam tudo e todos. Para os sofistas, o bom cidadão era persuasivo. Quem dominava a oratória ganhava qualquer discussão em uma assembleia na pólis. Certo? Sim, mas não para Sócrates, o pai da filosofia ocidental.

Sócrates construiu grande parte de seu pensamento em oposição ao sofistas, aos quais acusava de não ter respeito pela verdade. Como podiam defender uma ideia ou outra apenas para obter vantagem? Cadê a vergonha na cara? Para o mestre de Platão, o importante era buscar a essência das coisas e do mundo, o conceito de valores como justiça, amizade, amor, beleza e prudência. A verdade vem da reflexão racional sobre o que nos rodeia e não da percepção ou da opinião. O pai da filosofia distribuía perguntas pelas ruas da capital Atenas que desconcertavam os cidadãos gregos – O que é a beleza? Você diz que justiça é importante, mas o que é a justiça? Por que você pensa o que pensa? – e deu forma e método para a filosofia como a conhecemos hoje. Foi o primeiro filósofo “profissional”. Durante o período de ouro na Grécia, a filosofia se debruçou sobre quatro conceitos-chave: o bom, o belo, o bem e o justo. Mas não havia limites para o pensamento do trio filosófico mais influente da Antiguidade. Sócrates, Platão e Aristóteles estavam envolvidos com grandes questões: o sentido da vida, justiça social, administração das cidades, a busca da felicidade, como ser um bom cidadão. Mas iam além. A voracidade intelectual de Aristóteles era algo sem precedentes. O filósofo de Estagira (cidade do nordeste da Grécia) se interessou por todos os assuntos, da física à biologia passando pela ética, a política e a metafísica. A filosofia clássica foi a mãe das ciências – ideia que vai persistir até o final do século 18.
Quando criança, Alexandre, o Grande, o maior conquistador do mundo antigo, teve Aristóteles como tutor. Dos 13 aos 16 anos, o futuro rei da Macedônia recebeu aulas de lógica, medicina, moral e arte, entre outros temas, do mestre da filosofia.

Em 323 a.C., Alexandre morreu aos 32 anos, e sua despedida marcou o fim do domínio cultural, político e filosófico da Grécia no mundo antigo. Sem o líder unificador, as cidades-Estado gregas, que antes cooperavam, voltaram a ser inimigas. A morte do general, que levou o domínio grego e os ensinamentos do tutor até onde se situa o Paquistão, enterrou também o legado de Platão e Aristóteles. Nos dois séculos seguintes, o Império Romano ascendeu, e os romanos não tinham tanto apreço pela filosofia grega. O que de fato cultivaram dos helênicos foi o estoicismo, que pregava uma conduta virtuosa e obediente às leis.

A influência da cultura romana no mundo foi forte o suficiente para deixar os pensadores gregos no esquecimento por alguns séculos. Em 313 d.C., o cristianismo ganhou força com o Edito de Milão, que decretou a liberdade religiosa em Roma. Dois séculos depois, com a queda do Império Romano, começou a era de total domínio da Igreja na Europa Ocidental, período que durou quase mil anos. A abordagem grega de filosofia como uma reflexão exclusivamente racional, independente dos credos, sumiu. Durante toda a Idade Média, os pensadores se concentram em temas religiosos, uma cruzada inaugurada por Santo Agostinho, o primeiro a fundir a doutrina cristã com abordagens da Grécia clássica. Esse esforço de unir a religião ao pensamento crítico foi a principal tarefa da escolástica, corrente que nasceu nos monastérios e buscava uma justificação racional para a crença em Deus. A Igreja controlava o processo de conhecimento na época e criou as primeiras universidades.

Mas isso tudo ocorria no Ocidente. Na mesma época, no Oriente, especialmente nas regiões que haviam pertencido ao mais célebre aluno de Aristóteles, Alexandre, a cultura grega clássica, não por acaso, continuava viva. Pensadores árabes e persas como Al-Farabi, Averróis e Avicena incorporam as ideias de Platão e Aristóteles, esquecidos na Europa medieval, à cultura islâmica do século 7 em diante. O mais curioso é que foi preciso a expansão muçulmana na Ásia, África e Espanha para levar os esquecidos filósofos gregos de volta ao Ocidente.
Por meio de fontes islâmicas, pensadores cristãos começaram a dar mais atenção às obras aristotélicas e platônicas e acharam pontos de compatibilidade entre o cristianismo e a filosofia clássica, que alcança seu ápice com Santo Anselmo, considerado o pai da escolástica, aquele que melhor encontrou um equilíbrio entre fé e razão.
O Renascimento não é precisamente um período histórico, mas a síntese de um espírito novo que surgiu na Itália. Na filosofia, o movimento foi inaugurado por Dante, com a sua Divina Comédia, no início do século 14, mas foi a partir dos séculos 15 e 16 que os pensadores ampliaram a faxina para varrer a poeira medieval. Os renascentistas eram bons marqueteiros: usavam os termos “renovar”, “restituir a uma nova vida”, “fazer reviver” para marcar uma oposição clara à cultura da Idade Média, que julgavam um período de barbárie e escuridão. A história fez questão de acabar com essa propaganda enganosa – a Idade Média não foi só horror. O nome Renascimento, enfim, colou, mas o período marcou, na verdade, o parto de uma outra cultura, que colocou o homem e suas inquietações – e não mais o Deus dos medievais – de volta ao centro do mundo. Não por acaso, a fase também é chamada de humanismo. Nascia uma filosofia inteiramente secular, separada da Igreja.

Os renascentistas beberam na mesma fonte dos medievais, na filosofia grega. Platão e Aristóteles – sempre eles – foram a inspiração dos ideais antropocentristas. Platão foi amplamente recuperado na Itália renascentista que dominou o mundo cultural da época – a imprensa de Gutenberg se encarregou de espalhar as ideias renascentistas para o resto da Europa. Os humanistas colocaram em prática o uso da razão e da evidência empírica na investigação do mundo. Mas a coisa não era tão pé-no-chão assim. Uma das correntes do pensamento da época, o neoplatonismo, explorava a ideia de que o homem era parte da natureza e podia agir sobre ela por meio da magia e da astrologia. Outra corrente, mais realista, iniciou a defesa dos ideais republicanos contra o poderoso Império Germânico e contra os papas. O florentino Nicolau Maquiavel é seu primeiro representante. A liberdade política da antiga Grécia era exaltada como exemplo de participação social. A indignação contra o status quo levou a mudanças profundas e marcou a Reforma Protestante, que teve como resposta a Contra-Reforma e a Inquisição.
Os pensadores renascentistas escreviam bem à beça. As obras mais famosas da época são hoje mais conhecidas como peças literárias do que como tratados filosóficos. O Elogio à Loucura, de Erasmo de Roterdã, por exemplo, é considerado uma das sátiras mais brilhantes da literatura mundial. Montaigne, autor de Ensaios, é tido como o inventor do gênero. Apesar do entusiasmo marcado pelas grandes aventuras marítimas da época e pelo pulsante comércio que entupia a Europa de novidades vindas do Oriente e da América, sem esquecer da efervescência das artes, com Da Vinci, Botticelli e Michelângelo botando para quebrar, as obras mais famosas do campo filosófico são céticas e pessimistas. Para Maquiavel e Montaigne, por exemplo, não havia muita saída para a corrupção na política – uma interpretação tremendamente atual, diga-se.
Depois do Renascimento ter abalado o monopólio da Igreja sobre o pensamento, cultura e política europeia, o século 17 marca a vitória definitiva da razão e da ciência sobre a religião – um movimento batizado de Iluminismo. A Europa, que antes era um continente unificado pelo poder eclesiástico, divide-se em nações poderosas. Grã-Bretanha, França, Espanha, Portugal e Holanda consolidam seu poderio econômico com colônias ao redor do mundo e, em cada país, surge uma próspera classe média urbana.

Aos filósofos modernos coube a iniciativa de integrar o raciocínio filosófico com o científico, em alta depois que as grandes navegações – e os grandes lucros provenientes do comércio com as Índias – comprovaram noções negadas pelo poder eclesiástico, como o fato de a Terra ser redonda. Os britânicos Thomas Hobbes e Francis Bacon foram pioneiros nessa fase, que inaugura o período conhecido como a Idade da Razão. Não por acaso, vários desses filósofos são matemáticos de formação, como René Descartes, tido como o fundador do pensamento moderno. Para ele, o raciocínio matemático é o melhor modelo para conhecer o mundo. A pergunta “o que posso conhecer?” marcou a crença de que a sabedoria vem da razão, pensamento que dominaria o continente europeu no século seguinte. Na Grã-Bretanha, porém, uma tradição filosófica bem diferente ganhou corpo. Inspirado em Francis Bacon, John Locke chegou à conclusão de que não é a razão, mas a experiência, a fonte de conhecimento sobre o mundo.

Apesar da divisão entre o racionalismo continental e o empirismo britânico, havia algo em comum: a importância do ser humano, um ser dotado de razão e capaz de experimentar o mundo. Questões como a natureza do Universo, que até então dominavam o pensamento, saíram da filosofia e entraram para a ciência, a cargo de figuras como Isaac Newton. À filosofia, restaram perguntas de ordem epistemológica, existencial e política: “como podemos conhecer o que conhecemos?”, “qual é a essência do eu?” e “o que ocorrerá no mundo se a monarquia cair?”. Dúvidas que lançaram bases para um sério questionamento sobre o status quo e para a consolidação do ideal democrático nascente. A grande mudança intelectual dos modernos foi considerar as coisas externas (a natureza, a política, etc) como representações ou conceitos. Isto é, tudo o que pode ser conhecido deve ser transformado pelo homem em um conceito distinto e demonstrável, permitindo ao homem interpretá-lo a seu bel prazer. Na convicção moderna, a razão governa emoções, vontades e define o melhor sistema político. Mas toda essa certeza chega ao fim com Immanuel Kant, que dá uma guinada no pensamento filosófico. Com a Crítica da Razão Pura, Kant coloca um freio no afã racionalista ao demonstrar como e por que nossa racionalidade não é absoluta (ou não pode responder a tudo).
Kant pôs fim na pretensão filosófica de tentar conhecer as coisas tais como elas são, a realidade em si. Depois dele, como vimos na página 47, a filosofia passou a ser basicamente uma grande teoria do conhecimento: o que é possível conhecer verdadeiramente tendo em vista os limites da nossa razão?

Aos poucos, a corte da “rainha das ciências” começou a se desgarrar e criar seus próprios reinos. As ciências humanas, como a psicologia, a sociologia, a antropologia, história e a geografia, foram ganhando independência e passaram a ser encaradas como campos de conhecimentos específicos, com métodos e resultados próprios. O segundo a minar o poderio filosófico foi Auguste Comte e seu positivismo. O pensador francês achava que a filosofia deveria ser apenas uma reflexão sobre os resultados e o significado dos avanços científicos. Com isso, a filosofia se resignou a estudar o conhecimento adquirido por vias mais sólidas do que o pensamento puro e a ética, que nunca deixou de ser um tema essencialmente dela.

O século 19 também aproximou alguns pensadores da realidade. A crítica de Karl Marx ao modo de produção que, segundo ele, sistematicamente explora os trabalhadores e enriquece os ricos, teve reflexos no mundo real assim que seu Manifesto do Partido Comunista ganhou as ruas. Marx, no entanto, foi uma exceção. O interesse pelas estruturas do conhecimento e pela consciência e seus modos de expressão direcionou a filosofia para recantos herméticos, como os estudos da linguagem – corrente conhecida como filosofia analítica, iniciada pelo austríaco Ludwig Wittgenstein. O movimento ficou conhecido como a “virada linguística”. Outra vertente, conhecida como fenomenologia, se debruçou sobre os fenômenos que se manifestam para a consciência, a partir da ideia kantiana de que a razão é uma estrutura da consciência. Seu criador, Edmund Husserl, considera a realidade como um conjunto de significações ou sentidos produzidos pela nossa razão.

Foi preciso chegar o século 20, com suas grandes guerras e agitações sociais, para colocar a política por fim de volta à pauta dos pensadores, que se tornaram críticos das ideologias e da ideia de progresso. Os filósofos tentaram frear o delírio científico-tecnológico e o otimismo revolucionário que cooptou grande parte dos intelectuais. Passaram a se questionar se o homem, imerso em uma vida acelerada e soterrado pela burocracia, conseguiria ter uma vida feliz e almejar uma sociedade justa. O primeiro a lançar essa dúvida foi o alemão Theodor Adorno, um dos fundadores da Escola de Frankfurt, que buscou inspiração em Marx. Será o homem realmente livre ou uma marionete da sua condição psiquíca e social?

Conheça os pensadores contemporâneos
Karl Marx

Friedrich Nietzsche

Hegel

Kierkegaard

Schopenhauer

Auguste Comte

Wittgenstein

Bertrand Russell

William James

Edmund Husserl

Jean-Paul Sartre

Theodore Adorno

Hannah Arendt

Heidegger

Karl Popper

Foucault

Rawls

Dawkins

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O físico Stephen Hawking anunciou em 2011, na badalada conferência Zeitgeist, do Google, que a filosofia está morta. “A maioria de nós em algum momento se pergunta: por que estamos aqui? De onde viemos? Tradicionalmente, essas são questões para a filosofia, mas a filosofia está morta”, vaticinou um dos mais brilhantes cientistas da atualidade. “Filósofos não conseguem estar a par do desenvolvimento moderno da ciência, particularmente da física”, disse, sem piedade. Para Hawking, a filosofia do século 21 é aquele garoto que chegou à festa depois que os convidados haviam ido embora.
Apesar de causar mal-estar entre filósofos badalados, como o esloveno Slavoj Zizek, a cutucada de Hawking não é nova. Desde o século 19, a morte da filosofia vem sendo anunciada. Mas, agora, o avanço sem precedentes da ciência, especialmente da neurociência, confronta uma das grandes motivações da filosofia desde a Antiguidade: a busca pela certeza. Se a ciência fornece respostas exatas, o que sobraria para a filosofia discutir? Nada, na opinião de Hawking. Na resposta pública ao físico popstar, os filósofos Creston Davis e Santiago Zabala concordam que a filosofia que vira as costas para as descobertas da ciência, se ainda não morreu, está com os dias contados. Na filosofia do século 21, afirmam, a busca por certezas ou consensos não é mais seu objetivo primordial. Como diz Slavoj Zizek, “a filosofia na atualidade é uma disciplina bem modesta. Não resolve os problemas”.
Sem tentar ser a solução para tudo, a filosofia moderna se mostra útil na formulação de novas interpretações dos fenômenos sociais. Ela se volta para discutir eventos históricos e avanços tecnológicos e científicos, um campo fértil para questionamentos desconcertantes sobre o nosso papel na sociedade, os sistemas de governo, a relação do homem com as máquinas e o próprio livre-arbítrio. Como sempre fez, a filosofia ainda encontra espaço para apontar incoerências e aprofundar questões como o respeito aos animais, a ética do dinheiro, nossa responsabilidade diante da miséria no mundo e o direito de decidir a hora de morrer – como traz à tona um dos mais proeminentes pensadores da atualidade, Peter Singer.

Mais: duas perguntas em particular seguem fora da jurisdição da ciência – e, consequentemente, vão para o terreno da filosofia. A primeira é a natureza da nossa consciência. Por que e como se forma a percepção de cada pessoa de que ela é um único e irrepetível indivíduo? Descartes tinha razão quando compreendeu que o pensamento comprova a nossa existência, mas nem ele – nem ninguém – conseguiu explicar por que pensamos, afinal de contas. Por último, o mais abismal dos porquês: por que estamos aqui? Por que existe tudo isso em vez de um imenso e eterno nada? Cientistas estão longe da resposta, mas não deixam de persegui-la. E filósofos não se esquecem de seguir perguntando.

11.946 – Mega Byte – Facebook relaxa a política de utilização de nomes “fake” na rede


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Depois de diversas polêmicas e protestos de grupos de diversas partes do mundo, o Facebook anunciou duas mudanças que vão permitir o uso de nomes “não autênticos” na rede social. Recentemente, a rede social foi alvo de críticas por bloquear contas que não usassem nomes reais.
Agora, o site vai permitir que usuários trans e que vivem em áreas onde é necessário manter o anonimato, por exemplo, expliquem “detalhes adicionais ou o contexto de sua situação única”.
De acordo com o vice-presidente de crescimento do Facebook, Alex Schultz, o novo recurso deve permitir que a rede social avalie com precisão se o nome fornecido se encaixa com as regras determinadas pela empresa. “Isso vai nos ajudar a entender melhor as razões pelas quais as pessoas não podem atualmente confirmar seu nome”, explica o executivo.
Quem sinalizar outros perfis como falsos também terá que justificar o contexto da denúncia, em uma tentativa de evitar a má utilização da ferramenta.

Como funciona?
Além de utilizar documentos oficiais para provar sua identidade, Schultz explica que quem é denunciado pode provar sua identidade usando também documentos considerados não legais, como contas de serviços púlicos, declarações bancárias ou assinaturas de revistas e jornais.
Apesar da possibilidade, o Facebook rejeitou o pedido de grupos que defendem as liberdades civis para que fosse permitida a utilização de links de outras plataformas online, como blogs e outras redes sociais.

11.945 – Pirataria – Mais de 40% dos produtos vendidos na internet na China são falsificados


Um relatório oficial que foi remetido à Assembleia Nacional Popular da China, o legislativo do país, revela que 41,3% dos produtos vendidos nos sites chineses de comércio eletrônico em 2014 eram falsificados ou de baixa qualidade, informou nesta terça-feira o jornal oficial “China Daily”.
O documento também mostra que as queixas dos consumidores chineses relacionadas com as vendas pela internet quadruplicaram no ano passado em relação a 2013, chegando a 77.800, o que representa 92,3% do total de reclamações.
Apenas 58,7% dos produtos investigados cumpriam com os padrões de qualidade e eram autênticos.
O relatório foi elaborado para realizar o acompanhamento da aplicação da Lei de Proteção dos Direitos e dos Consumidores e foi apresentado ontem em uma reunião da Comissão Permanente da ANP.
“Ignorar os direitos dos consumidores e vender falsificações são elementos notórios da indústria de comércio online”, disse Yann Junqi, vice-presidente da Comissão Permanente da ANP, em declarações citadas pelo “China Daily”.
A pesquisa do Legislativo evidenciou algumas das lacunas de um setor em plena ebulição que no ano passado aumentou suas vendas em mais de 40% e faturou 2,8 trilhões iuanes (US$ 442 bilhões).
O documento também diz que o Ministério do Comércio da China considera que a venda de produtos falsificados e de má qualidade são as principais preocupações do setor.
No mês de janeiro, um estudo preparado pela Administração Estatal de Indústria e Comércio e pela Associação de Consumidores da China afirmou que 41% dos produtos vendidos pelas principais lojas virtuais da China eram falsificados.
Essa pesquisa acabou gerando protestos do site líder do mercado do comércio eletrônico na China, o Alibaba, e uma troca de acusações entre a empresa e as autoridades do país, que resultou em um acordo para incrementar o controle sobre as falsificações.

11.944 – Mega Polêmica – Cientistas canadenses afirmam que Deus não criou o Universo


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Como é possível o Universo ter sido criado a partir do nada? Pois uma equipe de cientistas canadenses encontrou a resposta para uma das perguntas mais importantes da história, e eles descartam qualquer participação divina. Rejeitando a intervenção de um Deus criador, os cientistas elaboraram uma hipótese baseada na teoria da inflação das partículas virtuais, ou seja, aquelas que contêm uma carga energética muito pequena e por um brevíssimo lapso de tempo.
Entretanto, a hipótese levanta um problema: como partículas tão pequenas podem ter gerado o Universo que conhecemos? O Dr. Mir Faisal, do Departamento de Física e Astronomia da Universidade Waterloo, no Canadá, acredita ter a resposta. Segundo o especialista, de acordo com as regras da teoria da inflação, as minúsculas partículas virtuais são capazes de se expandir até criar o Universo.
Faisal complica ainda mais o tema ao afirmar que tentar explicar como o Universo foi criado do nada é inadequado: “o Universo ainda é um nada”, ele diz, referindo-se à ausência de energia. Em relação ao papel desempenhado por Deus na criação, o especialista faz uma distinção entre um Deus representado como “super-homem sobrenatural”, sem nenhum tipo de intervenção, e um Deus como “um grande matemático”, que poderia ser, realmente, de alguma importância.
Em outros termos, o cientista argumenta com a teoria da inflação que o total da energia positiva, em forma de matéria, está equilibrado com o total da energia negativa, em forma de gravidade, de tal modo que a energia total do Universo é zero.