11.925 – Livro – ‘Estamos muito próximos de nos tornarmos verdadeiros ciborgues’, diz historiador


Complementar nossas funções naturais com dispositivos como óculos, marca-passos e até mesmo computadores e celulares – que auxiliam o cérebro a armazenar dados – faz com que sejamos biônicos. De certo modo, pelo menos. É o que escreve o historiador Yuval Noah Harari em “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”.
“Estamos muito próximos de nos tornarmos verdadeiros ciborgues, de ter características inorgânicas que são inseparáveis de nosso corpo, características que modificam nossas capacidades, desejos, personalidades e identidades”, opina.
Por definição, a palavra “cyborg”, em inglês, se refere a um organismo modificado ciberneticamente para funcionar em um ambiente hostil. Para alguém com problemas de surdez, por exemplo, sustentar uma conversa sem interrupções ou repetições em um lugar barulhento pode ser um desafio.
O autor explica que os mais novos modelos de aparelhos auditivos são chamados de “orelha biônica”. “O dispositivo consiste de um implante que capta o som por meio de um microfone localizado na parte externa da orelha. O implante filtra o som, identifica vozes humanas e as traduz em sinais elétricos que são enviados diretamente ao nervo auditivo central e de lá para o cérebro”.
Outro exemplo citado é o da Retina Implant, uma empresa alemã que começou a desenvolver uma prótese de retina que pode permitir que pessoas cegas adquiram uma visão parcial. Tudo isso com a implantação de um microchip dentro do olho do paciente. Para que ele funcione, fotocélulas absorvem a luz e a transformam em energia elétrica, que estimula as células nervosas intactas na retina. Os impulsos estimulam o cérebro, que os traduz em visão.
Para o autor, de todos os projetos desenvolvidos atualmente, o mais revolucionário é a tentativa de conceber uma interface direta e de mão dupla entre o cérebro humano e o computador. Isso permitirá que computadores leiam os sinais elétricos de um cérebro humano e transmitam simultaneamente sinais que o cérebro possa ler.
Mas, para isso, há um preço. “O que pode acontecer à memória humana, à consciência humana e à identidade humana se o cérebro tiver acesso direto a um banco de memória coletiva? Em tal situação, um ciborgue poderia, por exemplo, acessar as memórias de outro. Não ouvir falar delas, não as ler em uma autobiografia, não as imaginar – mas se lembrar delas diretamente, como se fossem suas. O que acontece com conceitos como ego e identidade de gênero quando as mentes se tornam coletivas?”.
A resposta é simples: segundo o autor, tal ciborgue não seria humano ou mesmo orgânico. Seria algo completamente diferente: um ser com implicações políticas, psicológicas ou filosóficas impossíveis de entender.
Em “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, Yuval Noah Harari repassa a história da humanidade desde o surgimento da espécie durante a Pré-História até o presente, apresentando interpretações para fatos e desafiando conceitos sobre crenças, ações, poder e futuro.
Yuval Noah Harari é doutor em história pela Universidade de Oxford, com especialização em história mundial, e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Sua linha de pesquisa gira em torno de questões abrangentes, como a relação entre história e biologia, a justiça na história e a evolução da felicidade individual com o passar do tempo.

SAPIENS – UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE
AUTOR Yuval Noah Harari
EDITORA L&PM Editores

sapiens

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