11.738 – De Olho Nele – Carro autônomo do Google tem dificuldade para identificar ciclistas Assim como os motoristas comuns


Carroça automática
Carroça automática

No início de agosto, um ciclista publicou em um fórum na web o relato de seu encontro com um carro autônomo desenvolvido pelo Google. A história revela como o veículo que dirige sozinho ainda tem problemas para identificar se uma bicicleta está parada ou em movimento.
O usuário Oxtox conta que cruzou o caminho do veículo do Google em uma interseção de quatro vias, em Austin, no estado americano do Texas. “O carro chegou à faixa de pedestres uma fração de segundo antes de mim, então ele tinha o direito de passar. Fiz um track stand e esperei ele ir”.
A manobra track stand consiste em manter-se equilibrado sobre a bicicleta parada, mas sem colocar os pés no chão. Entretanto, ao que parece, os sensores do carro não identificam um ciclista parado com esse movimento.
“Ele aparentemente notou minha presença (estava coberto de Go-Pros) e ficou parado por alguns segundos. Quando ele finalmente começou a andar, minha bicicleta se moveu um centímetro para frente, mas eu continuava parado. O carro freou imediatamente”, conta o ciclista.
Novamente, assim que o carro voltou a se mover, Oxtox teve que “dar um tranco” na bicicleta para manter o equilíbrio, e mais uma vez o veículo freou de forma abrupta. O usuário explica que continuou nessa “dança” por quase dois minutos, enquanto os engenheiros do Google dentro do carro “davam risada e digitavam em seus laptops”.
O ciclista admite, porém, que apesar da situação embaraçosa, ele se sentiu bem mais seguro cruzando o caminho de um carro autônomo do que quando encontra motoristas reais.

11.737 – Medicina – Cientista cria braço de macaco no laboratório pela primeira vez, abrindo esperança para regeneração de membros


braço macaco
Eles foram capazes de simplificar o braço de um macaco, deixando apenas suas células individuais. Com infusões de células, um novo membro poderá crescer, tornando-o novamente funcional, com circulação sanguínea, estrutura óssea, músculos e cartilagem.
O responsável pela condução da nova pesquisa é Harald Ott, diretor do Laboratório de Reparação e Regeneração de Órgãos do Massachusetts General Hospital, nos EUA. A nova técnica, caso seja aprimorada e levada adiante, poderia ser uma opção às próteses ou aos transplantes, que possuem limitações de movimento e controle. Em transplantes, também há riscos de infecções e de câncer. Com a técnica de Ott, seria possível implantar membros funcionais nos amputados de forma perfeita.
Usando células do próprio corpo, novos membros seriam criados sob medida, quase não oferecendo riscos de ataque do sistema imunológico. E já deu certo em alguns casos. Ott conseguiu criar pulmões e um coração, ambos funcionais, além de regenerar o braço de um rato em laboratório.
O passo seguinte aconteceu em um teste com macacos. Utilizando células progenitoras de humanos, que são semelhantes às células-tronco, o braço de um macaco foi estimulado, para que células e vasos sanguíneos sejam criados com tal recurso. “O objetivo é a formação de um sistema vascular totalmente alinhado”, explicou Ott.
Quando um membro a ser regenerado é encontrado, suas células são retiradas com uma solução salina e detergentes, em um processo chamado “deceularização”, que demora algumas semanas até ser finalizado, mudando a natureza do tecido.
Apenas depois desse processo as células progenitoras são inseridas, na etapa da “recelularização”. Ambas as etapas ocorrem em um ambiente propício, com temperatura regulada, pH, umidade e níveis de oxigênio e pressão. A recelularização é feita dentro de um biorreator de estímulo, que fornece nutrientes.
Porém, a prática ainda está longe do fim e precisa ser estudada com empenho. “O desafio é a sua natureza composta. Membros contêm músculos, ossos, cartilagem, vasos sanguíneos, tendões, ligamentos e nervos, cada um dos quais tem que ser reconstruído e exige uma estrutura de suporte específica”, explica Ott.
Primeiramente, é preciso criar as células e os vasos sanguíneos. O próximo passo será a tentativa de reconstrução dos músculos e do tecido conjuntivo. Em seguida, ossos, cartilagem e gordura. “O importante é, eventualmente, deixar que o membro torne-se funcional novamente. Eu vou viver para ver a aplicação clínica disso”, concluiu o cientista.

11.736 – Estudo descobriu que fumaça do incenso é mais tóxica que a do cigarro, podendo causar mutação celular


incenso
Isso significa que ela é capaz de provocar mutações genéticas e causar alterações no DNA das células, levando ao câncer.
Nick Hopkinson, assessor médico da Fundação Britânica do Pulmão, disse que muitas formas de fumaça, incluindo a de incenso, podem ser tóxicas. Dadas as conclusões do estudo, recomenda-se que pessoas com doença pulmonar evitem incensos, bem como pais com crianças pequenas em casa, cujos pulmões ainda estão se desenvolvendo.
Normalmente, o incenso é feito de varas de bambu revestidas em serragem e óleos de essências. Quando queimado, as partículas são liberadas no ar. E quando aspiradas, podem ficar presas nos pulmões, causando uma reação inflamatória. Até agora, poucas pesquisas foram feitas sobre o fato de o incenso ser uma fonte de poluição do ar, embora tenha sido ligado ao desenvolvimento de câncer de pulmão, leucemia infantil e tumores cerebrais.
Os pesquisadores queriam avaliar os riscos para a saúde associados à fumaça do incenso. Um estudo liderado pelo Dr. Zhou Rong, da South China University of Technology, testou os efeitos da fumaça em células, em comparação aos efeitos da fumaça do cigarro. Eles testaram dois tipos de incenso. Ambos continham madeira de ágar e sândalo, que estão entre os ingredientes mais comuns usados para fazer esse produto. Os pesquisadores então compararam os efeitos da fumaça de incenso e da fumaça de cigarro em células do ovário de hamsters chineses e fizeram testes com cepas de Salmonella.
A fumaça do incenso mostrou-se mais mutagênica, citotóxica e genotóxica do que a do cigarro testada no estudo. Isso significa que o incenso possui propriedades químicas que podem mudar o material genético, tal como o DNA em células e, portanto, causar mutações.
Além disso, todas essas propriedades têm sido associadas ao desenvolvimento de cânceres. A fumaça dos incensos usada no estudo era composta por partículas finas e ultrafinas, respiradas com facilidade, sendo, portanto, suscetíveis a apresentar efeitos adversos para a saúde, disseram os pesquisadores.
Descobriu-se que a combinação da fumaça de quatro palitos de incenso continha 64 compostos, sendo alguns deles irritantes ou apenas levemente nocivos, e os ingredientes presentes em duas das varas testadas são conhecidos por serem altamente tóxicos. “Claramente, é necessário que haja maior sensibilização e gestão dos riscos de saúde associados com a queima de incenso em ambientes internos”, disse Zhou.
Os pesquisadores esperam que os incensos possam ser mais bem avaliados, após seus resultados. Eles alertaram que o estudo realizado era pequeno e conduzido somente em roedores, pedindo que novos estudos possam verificar suas conclusões. A pesquisa, que foi realizada também pela China Guangdong Tobacco Industrial Company, foi publicada na revista Environmental Chemistry Letters.