11.730 – Astrofísica – Stephen Hawking e o paradoxo do buraco negro


buraco negro
Segundo Hawking, em declaração feita na Suécia, seria possível escapar de um buraco negro e até ser jogado em outra dimensão.
A teoria resolve o “paradoxo da informação” que tem intrigado cientistas há décadas. Embora a mecânica quântica diga que nada pode ser destruído, a relatividade geral diz que sim. No entanto, de acordo com a nova teoria de Hawking, qualquer coisa sugada para um buraco negro é efetivamente presa no horizonte de eventos, ou seja, na esfera em torno do buraco de onde se pensava que nada poderia escapar.
E tal objeto seria capaz de ressurgir no universo, ou em um paralelo, por meio de radiação de prótons que conseguem escapar do buraco negro por conta de flutuações quânticas. “Se você sentir que está em um buraco negro, não desista, há uma maneira de sair”, disse Hawking, em uma audiência realizada no Royal Institute of Technology KTH, em Estocolmo, Suécia.
No filme Interstellar, Cooper, interpretado por Matthew McConaughey, mergulha no buraco negro Gargantura. Como o navio de Cooper se quebra na força, ele foge e acaba em um Tesseract – um cubo de quatro dimensões. Ele finalmente consegue sair do buraco negro, assim como o Hawking acredita ser possível.
Os buracos negros são estrelas que entraram em colapso sob sua própria gravidade, produzindo forças extremas capazes de capturar até mesmo a luz. Hawking afirma que a informação não é contida no interior do buraco negro, mas “traduzida” em uma espécie de holograma, no horizonte de eventos.
“Proponho que a informação não é armazenada no interior do buraco negro como se poderia esperar, mas na sua fronteira, no horizonte de eventos. A ideia é que as supertraduções sejam um holograma das partículas inseridas, assim, contendo todas as informações que, de outra forma, seriam perdidas”, explicou.
Hawking também acredita que a radiação deixada pelo buraco negro possa pegar algumas das informações armazenadas no horizonte de eventos e levá-las novamente para fora. No entanto, é pouco provável que seja no mesmo estado em que entrou. “A informação das partículas inseridas podem ser devolvidas, mas de uma forma caótica e inútil. Para todos os efeitos práticos, a informação é perdida”, disse ele.
“A mensagem desta palestra é que os buracos negros não são tão negros como se pensa. Eles não são as prisões eternas que se acreditava. As coisas podem ficar fora de qualquer lado do buraco negro, e, possivelmente, sair em outro universo”, acrescentou.
Hawking e seus colegas publicarão um artigo sobre o trabalho no próximo mês. “Ele está dizendo que a informação está lá já por duas vezes desde o início, por isso nunca é destruída no buraco negro”, disse Sabine Hossenfelder, do Instituto Nórdico de Física Teórica, em Estocolmo. “Pelo menos foi isso que eu entendi”, finalizou.

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